quinta-feira, 29 de julho de 2010

Deficiências e Atitudes

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por João Bosco Leal

A internet tem sido um mundo novo e maravilhoso para a humanidade por diversas razões, sejam culturais, emocionais, educacionais, de lazer, ou para qualquer finalidade que a utilizemos. Através dela podemos consultar e aprendermos tudo o que quisermos, desde dar um nó em uma gravata a conhecer lugares, países, livros, culturas, comércio e uma infinidade de coisas que nem consigo mensurar. Penso que o mesmo ocorre com a maioria das pessoas, e mesmo os mais jovens ainda não conseguem entender a infinidade dessa potencialidade.

Tenho aproveitado muito essa nova tecnologia para conviver mais com meus quatro netos que moram longe de mim, e sem o “Skype”, para conversar e vê-los ao mesmo tempo, penso que essa distância me seria muito difícil. Outra coisa muito utilizada pelas pessoas no uso da internet é o envio de e-mails aos amigos, que apesar de normalmente não possuírem profundidade alguma, serem de piadas, correntes chatérrimas, fotos, filmes, vídeo cacetadas ou outros, em algumas oportunidades eles nos transmitem algo ou, pelo menos, nos fazem pensar.

Foi o que ocorreu há pouco com um e-mail que recebi em que os animais da floresta se reuniram para escolher, entre os três leões lá existentes, qual seria o rei. Após algumas disputas sem vencedores, a última tentativa proposta pelos outros animais para a escolha, foi ver qual dos três conseguiria subir até o topo da montanha mais alta lá existente. Depois de algum tempo os dois primeiros voltaram cabisbaixos, admitindo sua incapacidade de atingir o topo e desistiram. O terceiro leão, porém, declarou que a montanha só o vencera “por enquanto”.

Disse que a montanha tinha toda aquela altura, mas não passaria disso, e ele era jovem, ainda estava crescendo. Por essa atitude, foi o escolhido, tornando-se o rei. O e-mail finalizava dizendo que a montanha tinha altitude e o leão teve atitude. Pensando sobre isso, imaginei as possibilidades da montanha e, realmente, a probabilidade dela crescer é praticamente nula, só com uma erupção em seu cume isso poderia ocorrer.

No entanto, as possibilidades de um terremoto, uma avalanche ou a própria erosão só poderão diminuir sua altitude, o que facilitará sua escalada. Claro que provavelmente o leão já não estará vivo, mas é um otimista, quem sabe uma dessas coisas ocorra enquanto ele cresce.

Depois de um acidente, muita cama, diversas cirurgias, cadeira de rodas e muletas, já se passaram dois anos, tempo em que tive a oportunidade única de pensar, pensar muito, em tudo o que está à minha volta. Agora, reaprendendo a andar com um encurtamento ósseo ocorrido em uma das pernas, começo dar minhas primeiras saídas de casa para o convívio social e percebo nitidamente a surpresa das pessoas, que há tempos não me viam agora me achando ótimo, alegre e me parabenizando pela “força” de haver superado tudo isso.

Depois desse período “pensante”, entendo o motivo dessas pessoas não saberem - como eu não sabia -, de onde vem a “força” daqueles que passam por alguma “turbulência” maior na vida. O ser humano é tão perfeito que essa força é dada a todos os que dela necessitam, exatamente quando isso ocorre. A perda de um filho é, penso eu, a maior dor que um ser humano pode sentir, é uma dor que nos mata, e eu já a senti e aqui estou, vivo.

Mas há aqueles que morrem “mais” do que eu morri, e só percebi isso agora, refletindo, quando entendi que precisamos, sempre, olhar para baixo. Sempre há alguém em situação pior que a nossa, motivo pelo qual, creio eu, não termos o direito de nos sentir derrotados com nada que nos ocorre.

Em outro e-mail recebido, soube do seguinte pensamento do grande poeta Mário Quintana, que expressa claramente esse meu pensamento: ‘Deficiente’ é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino”.

Precisamos é ter atitudes para aprender com as experiências passadas e sentidas, superar as dificuldades provenientes das deficiências adquiridas, e delas tirarmos algo de novo, como escrever, o que agora tenho feito.

João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A importância das redes sociais

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Elsimar Gonçalves


As redes sociais são hoje a base dos relacionamentos da Geração Y (nascidos após 1979) e também de uma grande parte da geração X (nascidos antes de 1979). Por meio das redes (twitter, facebook, orkut, youtube), somos capazes de criar amizades, namoros, compartilhar conhecimento e, por que não, negócios. No entanto, isso ainda gera contradições, afinal, junto com as redes sociais, ainda existe a sombra da improdutividade e da insegurança que ronda a internet.

Grande parte das empresas ainda restringe o acesso aos mecanismos “teens”, esquecendo que eles têm a capacidade de gerar conhecimento, numa velocidade nunca vista antes. Por isso, são fundamentais para as empresas. Tudo bem administrado, bem clarificado, pode gerar um bom retorno.

A participação das empresas nas redes sociais se torna cada dia mais vital, porém, só isso não basta. É preciso preparar os colaboradores para que essa liberdade não se torne abusiva. Recentemente, vimos um executivo perder o emprego por colocar um comentário inapropriado de um time de futebol.

O único detalhe é que a empresa que ele trabalha era patrocinadora deste time. Um dos problemas das redes sociais é que elas expressam emoções, diferente do mercado corporativo que se expressa pela razão.

É preciso estudar o público que queremos atingir e verificar se o produto da empresa cabe no “ideal” da rede social escolhida. As redes sociais são capazes de atender a todos os públicos - dos mais conservadores aos mais ousados. Algumas questões fundamentais precisam ser analisadas:

Qual a linguagem que esta rede usa (é formal ou informal)? O público espera um comentário de um curso ou uma promoção de determinado produto? Quais os assuntos mais frequentes de determinada rede? Já imaginou a reputação de uma empresa que envia “material de trabalho”, justamente, no dia em que a rede estiver debatendo lazer e balada?

Esse tipo de ferramenta acabou se tornando uma tendência. Temos uma nova geração que compartilha 100% de seu conhecimento e atitudes na internet. Chamo essa geração de “Y 2.0”.
Vejo, nas redes sociais, as pessoas perguntarem qual o livro legal para se ler no frio ou qual a cor do no carro X que mais se destaca na noite. Recentemente, vimos uma montadora colocar um “blog” para proprietários do carro X deixarem seus comentários sobre o veiculo.

Enfim, estar nestas redes sociais, hoje, é uma questão de sobrevivência, não que isso seja fácil, a luta pelo melhor produto e atendimento ainda continuam acirradas, porém, as redes sociais são fortes influenciadores de opinião e marca.

Diz o ditado: “São precisos dez anos para se construir uma imagem e 10 segundos para destruí-la”. Esse aforismo tornou-se verdadeiro. Dez segundos é o tempo que se leva para causar um grande estrago numa rede social.

É preciso avaliar quem cuidará das informações que estarão nestas redes; quem administrará os possíveis conflitos que possam surgir; qual a estratégia comercial e de marketing que a empresa pretende usar.

Hoje, existem profissionais contratados só pra cuidar das relações com as redes sociais. Gostaria de lembrar que o público destas redes é formado pela “Geração Y 2.0”. Eles não têm papas na língua. Se gostam, falam pra todo mundo (nos mínimos detalhes); e se não gostam, idem.

Elsimar Gonçalves é diretor de Operações e TI da Leme Consultoria.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mulheres em minoria na política

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Sylvia Romano

Mesmo sendo hoje maioria na população brasileira, as mulheres ainda são minoria em cargos de chefias nas empresas e continuam tendo seus salários inferiores ao dos homens na mesma posição, como atestam vários estudos e pesquisas. Eles ganham de “lavada” mesmo não tendo, em alguns casos, as qualificações e potenciais de muitas mulheres.

Quando se enfoca as postulantes a cargos eletivos às eleições de 2010, a situação fica ainda mais discrepante. Segundo pesquisa divulgada pelo INFOGRÁFICO/AE quanto ao sexo, dos 149 candidatos a governador, 18 são mulheres; dos 231 a senador, só 34 são do sexo feminino; e dos 15.353 postulantes a deputado estadual e federal, apenas 4.098 são mulheres.

Segundo José Roberto Toledo, em artigo publicado recentemente, ”o candidato típico é homem, tem 48 anos de idade, nível superior e é político profissional; já o eleitor típico é mulher, tem pouco mais de 40 anos, não foi além do ensino fundamental e é assalariada do setor privado”.

O que também me chamou a atenção nesse texto foi a informação de que as chapas são dominadas por uma elite partidária tão ligada ao poder que, ao preencher sua ocupação no registro de candidatura, seus membros escrevem “deputados” ou “vereadores”, ou seja, já estão no poder há um certo tempo e nada fizeram para reverter essa situação tão discriminatória para as mulheres.

O que estou tentando alertar todas nós não é para que votem somente em mulheres, mas em quem tem melhores condições de exercer o poder, um passado ilibado e grande experiência administrativa. Recomendo ao tão segregado sexo feminino que pense bem e não reeleja ninguém — seja homem ou mulher —, pois os que lá estão nada fizeram por nós e têm como única preocupação se manterem na situação cômoda e confortável em que se encontram.

Para reverter essa vergonhosa realidade não vejo outra solução que não seja uma mudança total no panorama político brasileiro, no qual a competência e a ética venham pautar qualquer atuação no setor. Portanto, nas próximas eleições é muito prudente, principalmente para nós mulheres, não reelegermos ninguém!

Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. E-mail: sylviaromano@uol.com.br

Razões para fazer a diferença

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Susana Penteado


A preocupação em formar jovens em vulnerabilidade social sempre foi foco do Centro Profissionalizante Rio Branco, mantido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo. Sua atuação é fundamentada em proporcionar, a cada semestre, para aproximadamente 250 adolescentes de 15 a 18 anos, o Programa de Aprendizagem Profissional. Ministra, ainda, atividades teórico-práticas a 120 de seus alunos contratados como aprendizes nas empresas da Região Oeste da Grande São Paulo.

Com um foco alicerçado e em sintonia com as demandas atuais do mercado de trabalho, percebemos com alegria o fortalecimento de nossa credibilidade na comunidade empresarial. Isto nos permite ser referência quando o assunto é formar jovens para atuarem nas empresas. Saber portar-se no ambiente profissional, ter iniciativa e trabalhar em equipe, com empatia, são apenas alguns dos quesitos na formação oferecida e que nos garantiram êxito nos programas profissionalizantes.

A exemplo disso, em 2003, vivenciamos uma grande conquista quando efetivamos uma parceria no programa Entra 21 – Financiamento para a capacitação de jovens de baixa renda para a inserção no mercado de trabalho – com a International Youth Foundation, em que depois de concorrer com mais de 800 instituições na América Latina e Caribe, fomos selecionados para formar jovens em programa de tecnologia da informação e comunicação. O principal fator para a aprovação da nossa entidade, foi à formação ofertada aos jovens nas denominadas habilidades para a vida.

O cuidado na inserção laboral, selecionando e encaminhando às empresas jovens com o perfil solicitado, e a orientação aos gestores que os chefiarão durante o período de atividades práticas – estabelecendo assim uma ação preventiva quanto às particularidades da inserção de menores de idade - são tarefas e por que não dizer missões do Cepro cumpridas à risca e bem-sucedidas em seus resultados.

Com estes diferenciais, em 2007 nos adaptamos às especificidades da Lei do Aprendiz (10.097/2000) e, em 2009 por determinação do Ministério do Trabalho e Emprego nos candidatamos à validação de nossos programas no CNA (Cadastro Nacional de Aprendizagem) e a conquistamos. O novo programa passou a ter seis meses de preparação profissional inicial para poder inserir o jovem nas empresas como aprendiz e atender à demanda das cotas instituídas para médias e grandes empresas.

Desde 2008 acompanhamos a criação do Fórum Nacional de Aprendizagem, onde testemunhamos a preocupação do governo em atingir as metas de contratação de aprendizes no Brasil. Atualmente, estamos presentes no FOPAP (Fórum Paulista de Aprendizagem), conduzido pela SRTE/SP (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo), contribuindo para os objetivos de: debater e propor formas de atuação conjunta dos órgãos públicos, empresas e entidades, visando a ampliação da aprendizagem profissional; desenvolver, apoiar, propor e divulgar ações de mobilização para o cumprimento da Legislação do Aprendiz; e aprofundar o debate sobre questões relevantes da aprendizagem profissional, tendo em vista elaborar e propor sugestões de aperfeiçoamento das normas, procedimentos e práticas locais, estaduais e nacionais de aprendizagem profissional.

Susana Penteado é coordenadora do Centro Profissionalizante Rio Branco (Cepro).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A hora do marketing esportivo

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Eduardo Pocetti

A Copa do Mundo chegou ao fim e os olhos até então voltados para a África do Sul se dirigem para o Brasil. Sediar o campeonato será uma oportunidade de ouro para o país investir em obras necessárias ao desenvolvimento econômico, ampliar as oportunidades de negócios e, de quebra, fortalecer ainda mais a sua imagem no palco mundial.

No entanto, estamos repetindo alguns erros cometidos por ocasião dos Jogos Pan-Americanos, motivo pelo qual a FIFA já manifestou publicamente o receio de que as obras de infraestrutura imprescindíveis à Copa de 2014 não sejam concluídas em tempo hábil.

Enquanto o Brasil se organiza para, na corrida contra o tempo, cumprir todos os compromissos assumidos, todos podem e devem elaborar estratégias que permitam aproveitar ao máximo o momento de forte ênfase na questão esportiva que vem por aí. Aos profissionais, por exemplo, abrem-se novos campos de atuação – instituições de ensino superior já estão investindo em cursos e treinamentos específicos, como o MBA em Gestão Esportiva que pode ser feito por qualquer pessoa graduada.

Para as empresas, que poderão desfrutar das oportunidades de negócios que estão se delineando em diversos campos da economia, convém estar atentas à importância de investir, com seriedade, no chamado marketing esportivo.

Essa modalidade de marketing teve grande ascensão no Brasil principalmente nos anos 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, quando grandes empresas de origem estrangeira trouxeram para o País seus produtos e serviços. As multinacionais foram pioneiras na utilização de ferramentas como pesquisa de opinião e ações promocionais. De lá para cá, as estratégias se sofisticaram, mas o marketing esportivo tem movimentado apenas 0,1% do PIB brasileiro.

É pouco. Entre ingressos, patrocínios, comércio de materiais esportivos, cotas de televisão, negociação de atletas, transporte aéreo e ocupação hoteleira, o Brasil movimenta anualmente cerca de 2 bilhões de dólares, contra 87 bilhões de dólares dos Estados Unidos. Temos, como se vê, um imenso potencial ainda inexplorado.

No mundo inteiro, empresas e marcas líderes já aprenderam a privilegiar o marketing esportivo. Em um contexto como o atual, em que as fronteiras entre os países são cada vez mais tênues e a competição globalizada se acirra, impondo novos e maiores desafios a cada dia, associar a imagem da empresa a atletas e equipes desportivas que gozam de elevado prestígio junto à opinião pública é uma tática extremamente eficaz, que ajuda a criar um diferencial positivo.

Associar a empresa ao esporte gera muitos dividendos, como o rejuvenescimento da marca, devido à força do esporte entre os jovens, e o ganho de credibilidade – é como se o logotipo estampado em um uniforme pegasse carona no sucesso dos atletas.

Mas, para que a estratégia de associar a marca de uma empresa ao esporte gere o impacto desejado, é fundamental escolher a modalidade que mais se identifica com o público-alvo da empresa patrocinadora. Para quem opera, por exemplo, no ramo do varejo voltado às classes C e D, não compensa patrocinar um campeonato de golfe, que é um esporte tradicionalmente voltado para os setores de maior renda.

Tomados esses cuidados, o marketing esportivo certamente terá muito a contribuir para o reforço da imagem institucional do patrocinador.

Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior rede mundial de auditoria, tributos e advisory services.

Problemas pessoais de interesse difuso

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Alberto Murray Neto

A turma do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”), os subalternos, estão bem treinados. Se alguém questioná-los sobre qualquer denúncia que tenha partido de mim, a resposta vem na lata: “Ah, é de um indivíduo que tem probemas pessoais com a gente.”

E coitada dessa gente se não, ao menos publicamente, rezar pela cartilha do deus. Se deus, como intramuros é chamado o Pajé Olímpico, estiver de mau humor, sai de baixo. Ele sacode a cabeça, pisca freneticamente, sacode a cabeça de um lado para o outro, dá uma olhadela do espelho, arruma aquele prendedor de gravatas cafona e cospe em que estiver na frente.

Esse deus é de meia tigela. No outro extremo, há pessoas tão imponentes, carismáticas, cuja própria presença física faz qualquer um de nós sentir frio na barriga e das quais mantemos, mesmo sem querer, uma distância regulamentar. São, como regra, gente afável, respeitadas por sua autoridade moral e não por seu autoritatismo. O Brasil tem vários bons exemplos desses. O Dr. Ulyses Guimarães era uma figura assim; o senhor Diretas.

Voltando à patota do COB, a eles não resta outra opção que não tentar desqualificar-me, uma vez que argumentos para contradizer-me, eles definitivamente não têm. Tanto tal é assim, que o presidente sempre fugiu de mim em todos os debates que gente séria tentou promover entre nós. A situação mais vejatória para ele foi quando, muito agitado, escafedeu-se no Senado da República, cometendo uma indelicadeza não comigo, mas com o Senadores.

O patético gestou foi muito bem retratado no brilhante programa da ESPN Brasil, “Brasil Olímpico 2 – Uma Canidatura Passada A Limpo”. Nuzman também já fugiu de Juca Kfouri na Unicamp. Ele foge sempre que é apertado. De Movimento Olímpico, em seu sentido histórico filosófico ele não tem a menor idéia do que seja.

De fato são poucos os que têm coragem de dizer o que está errado, enfiar o dedo na ferida e expremê-la até sangrar. O sujeito pode ser simplesmente acomondado, depender do dinheiro deles, ou ter medo de retaliações. Eu não tenho receio daquela trupe. Digo e escrevo o que penso, critico, exponho minhas sugestões. Nuzman sim, sempre teve um medo bobo de mim. Enquanto ele sabe que pode controlar talvez a maioria dos dirigentes esportivos, a mim ele tem certeza de que isso seria impossível. Ele sabe da minha estirpe, retidão, que sou absolutamente incorruptível e, mais ainda, como disse-me André Richer, carrego no meu DNA “a herança genética do manto sagrado”.

Aliás, quando Richer disse-me isso, referia-se exatamente a Carlos Nuzman, para expressar o medo que eu metia nele. Admiro muito aqueles que não se curvam ao poder escabroso. Há vários exemplos no jornalismo do Brasil de gente muito legal que não deixa a peteca cair. Leia-se o que escrevem, para ficar somente na área dos esportes, Juca Kfouri, Antero Greco, José Trajano, José Cruz, Eduardo Ohata, Mariana Lajolo, Bruno Rangel, Afonso Morais, Marcelo Damato, Marcelo Laguna, Paulinho, citando apenas alguns exemplos de quem cobre o Olimpismo. Há muitos outros, cujo perdão peço que me concedam pela ausência nesta relação. Será que todos eles têm problemas pessoais com o COB? Eu já prometi aqui um picolé de tangerina a quem achar um único jornalista com credibilidade que elogie Carlos Nuzman; unzinho só.

Pois bem, eu tenho, sim, problemas pessoais com Carlos Nuzman. Só que eles têm interesses difusos. Minhas pinimbas pessoais incluem, mas não se limitam ao fato de o COB:

- receber dinheiro público e tratar o COB como se fosse a cozinha da casa dele;

- deixar de prestar contas ao povo de como aplica o dinheiro que recebe do governo;

- gastar dinheiro da população de forma indevida, com festas megalômanas, presentinhos a visitantes estrangeiros e salamaleques desnecessários ao membros do Comitê Internacional Olímpico;

- gastar mais da metade do orçamento do COB com verbas de administração, em detrimento dos interesses das Confderações, da Federações, dos Clubes formadores e, sobretudo, dos Atletas;

- blindar o estatuto social de forma que impeça que qualquer do povo possa candidatar-se aos cargos de presidente e vice do COB, fazendo vigorar o escánio que é o artigo 26;

- atuar nos bastidores do Congresso Nacional, indo de sala em sala, de parlamentar em parlamentar, pedindo para não apoiarem a CPMI Olímpica;

- desrespeitar o artigo 4 do Decreto que regulamenta a Lei Piva, que manda com que a contratação das obras, serviços e tudo mais seja publicamente licitado;

- ter uma agência de viagens para intermiar compras de passagens aéreas, reservas de hotéis e outros, deixando que essa agência ganhe comissões gigantescas sobre tais serviços. O COB prescinde de uma agência de viagens. Pior ainda quando obriga outras Confederações a usar tal mesma agência, a Tamoyo Turismo Ltda. E mais grave quando a sócia majoritária da Tamoyo é amiga íntima do casal Nuzman, o que dá um cheiro de conflito de interesses. E fosse eu o presidente do COB, nenhum amigo, ou parente sequer participaria de qualquer licitação. São motivos óbvios;

- usar a AON como corretora de seguros, enquanto um dos Diretores do COB é, ou era, ao mesmo tempo, Diretor da mesma AON. Outro evidente conflito de interesses. As coisas não acontecem à toa;

- ter uma folha de pagamentos altíssima, desnecessária, enquanto esse dinheiro poderia ir para as Confederações que não têm patrocínios, que o COB chama de “nanicas”;

- não divulgar ao público os contratos que assina com terceiros, deixando de dar transparência aos termos e condições, sobretudo valores, que envolvem grana do povo;

- não ter um programa claro de desenvolvimento do esporte a longo prazo, que realmente reflita, futuramente, em uma melhora de nossos resultados Olímpicos;

- repassar mais dinheiro justamente às Confederações mais ricas, enquanto as mais pobres, que não têm patrocínios, ficam com muito pouco. Os ricos do esporte cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Assim o panorama geral do esporte no Brasil não mudará nunca, apesar da situação nababesca que desfruta o COB;

- não explicar o superfaturamento de 1.000% (hum mil por cento) das contas do Pan Americano, ainda sub judice no TCU. Isso mesmo, 1.000% e, ao menos por enquanto, não há ninguém preso;

- pela absoluta falta de legado popular do dinheiro gasto com os Jogos Pan Americanos;

- pela falta de preocupação com o esporte de base, o esporte para todos, o esporte para o pobres, uma vez que o COB não tem um só projeto de massificação do esporte e do olimpismo por todo País;

- por tentar cercear o livre pensamento acadêmico, como ditadores de opereta, prestando-se ao papel ridículo de tentar calar a boca da Professora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo, que reagiu à altura e fez o COB sair com o rabicó entre as pernas;

- por ter criado uma Comissão de Atletas absolutamente “desfrutável”, sem função executiva alguma. Ou ela influenciou em algo na vida do esporte Olímpico do Brasil?;

- por usar artifícios duvidosos na campanha do Pan Americano para cabalar votos, o que seja, pagar vestimento completo e, em alguns casos, fretameto de vôos de delegações estrangeiras para virem competir no Rio de Janeiro, enquanto vários de nossos pobres Atletas não têm condições de se sustentar;

- por fazer lobby no Congreso Nacional contra a lei que estabelece o limite de reeleições para os órgãos dirigentes do esporte brasileiro, em nítida “advocacia em causa própria”. Até o CIO já limitou os seus próprios mandatos;

- por não explicar ao povo como foram utlizados os recusos públios usados na campanha Rio 2.016. Tanto é assim que o Ministério Público Federal instrou um Inquérito Civil para averiguar esse fato;

- por realizar eleições ilegítimas, imorais, para usar os mesmo termos da imprensa e de alguns próprios presidentes de Confederações; e

- por um montão de outras coisa.

É verdade. Eu tenho uma implicância incompreensível com o COB. Não entendo porque.

Alberto Murray Neto é Jornalista. Originalmente publicado em www.ESPN.com.br/albertomurrayneto no dia 21 de julho de 2010.

domingo, 25 de julho de 2010

Cotas para negros - a verdadeira discriminação

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Célio Pezza


No ano retrasado, a estudante Tatiana Oliveira ingressou na Universidade Federal de Santa Maria - RS, através do sistema de vagas para afro descendentes e teve sua matrícula cancelada no final de março de 2009 por uma comissão da universidade que alegou que ela não preencheu as condições exigidas no programa de cotas.

Ela é parda, as cotas são para negros e pardos, mas a comissão não a considerou merecedora do benefício, apesar de ser parda. No caso dos cotistas, deve ser entregue uma declaração onde o candidato se diz negro ou pardo. Ela é parda, filha de branca com pardo e neta de negros escravos. Reside numa vila pobre de Santa Maria, porém durante a entrevista disse que nunca foi discriminada.

Esta não discriminação assumida causou a perda de sua vaga por uma insana e discriminatória comissão avaliadora do sistema de cotas! Aliás, esta comissão tem representantes do movimento negro que discriminaram a Tatiana por ela não fazer parte destes movimentos e nem se julgar uma excluída! Se ela se sentisse excluída ou participasse de movimentos negros, a vaga seria dela. Como não foi o caso, julgaram que ela era uma branca querendo se aproveitar das cotas. O problema é que ela não é branca!

A política de cotas por si é uma aberração, mas já que existe na lei, é para ser cumprida e não é uma comissão que vai agora começar a definir quem tem ou não direito baseado nos conceitos de ser ou não excluído! A Tatiana é parda e tem direito a sua cota. Sua advogada está entrando com ação na justiça federal com pedido de liminar para que Tatiana volte às aulas imediatamente.

Voltando ao sistema de cotas, existem inúmeros juristas que afirmam que ela fere a Constituição Federal e está em desacordo com o princípio de isonomia e de igualdade. No caso das universidades, na verdade é o pobre e não o negro que tem dificuldades de acesso, pois ele não pode se preparar adequadamente e às vezes nem pagar uma taxa de inscrição. Parece mais correto prever um acesso ao pobre, seja ele branco, negro, pardo ou amarelo.

Seguindo a onda das universidades, uma promotora do ministério público de São Paulo acusa a São Paulo Fashion Week de racista e quer instituir uma cota para modelos negras! O objetivo da promotoria é promover uma inclusão social e estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar! Isso é preocupante!

O Brasil é um país onde a miscigenação predomina e nos preocupa quando o Estado começa a inventar métodos de divisão entre brancos e negros. No fundo, estas leis induzem ao racismo. Vejam o caso da Tatiana, que se sentiu discriminada pela primeira vez na vida, justamente por uma comissão com ridículos poderes de definir quem é branco ou negro ou pardo, independente da origem. Se continuar desta forma, logo teremos sistemas de cotas raciais para presidentes, senadores, governadores, prefeitos, deputados, vereadores, médicos, professores, etc..

Será a institucionalização da discriminação verdadeira, com o Estado classificando seus cidadãos segundo sua etnia ou cor. O trágico é que isto acontece justamente numa hora em que a sociedade vem tomando mais consciência dos males de todo tipo de discriminação e aprendendo a rechaçá-lo. O Brasil é uma mistura e querer separá-lo através de cotas é um erro que pode nos custar caro no futuro.

Devemos sim combater a pobreza, a falta de educação, falta de condições mínimas de saúde pública e promover a inclusão social, independente da cor. O Brasil só será um grande país quando tiver Educação, Saúde e Respeito pelos seus cidadãos. É disto que precisamos e não de cotas!

Célio Pezza é Escritor - www.cpezza.com

sábado, 24 de julho de 2010

Educação é prioridade de todos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Ricardo Patah


Conforme última Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, demonstrando que os gastos das famílias brasileiras com educação não ultrapassam 3% dos orçamentos familiares nos centros urbanos, e 1,3% nas zonas rurais, constata-se o imenso vazio que as políticas públicas de todos os governos na área educacional, carrearam ao longo das últimas quatro décadas de nossa história.

Em relação à Inclusão Escolar, a Educação Brasileira ainda não viu priorizada na mesma proporção, a tônica da qualidade do ensino e as competências de aplicação das metodologias político-pedagógicas. Ficamos à margem de muitos países que sempre entenderam o processo educacional como fonte prioritária de desenvolvimento econômico, social e tecnológico.

Uma breve análise dos dados contidos na pesquisa realizada pelas consultorias: Economist Intelligence Unit, de Londres/Inglaterra, e Heidrick & Struggles, de Chicago/Estados Unidos da América, encomendada pela UNESCO e divulgada pela BBC Brasil, revela que o país tem uma relação deficitária de professores para alunos no ensino secundário, que é de 1 para 22, contra 1 para 10 da Itália e 1 para 14 dos Estados Unidos e do Canadá.

Em relação à capacidade do país de formar ou atrair profissionais qualificados, da 23ª posição em 2007, o país deve cair para 25ª em 2012, em um ranking de 30 países escolhidos pelas duas consultorias. Na América Latina, a Argentina e o México também foram escolhidos e ambos tiveram desempenho melhor que o brasileiro: a Argentina ficou na 17ª posição, enquanto o México, na 21ª.

Em 2012, África do Sul e Egito, que hoje estão atrás do Brasil no ranking, devem ultrapassar o país. Os países foram medidos nos critérios: qualidade da educação obrigatória; das universidades de negócios; incentivos para jovens talentosos; mobilidade e abertura do mercado de trabalho; crescimento demográfico; propensão a atrair investimentos externos e a atrair novos talentos.

A Educação no Brasil já atingiu o status de ponto de estrangulamento nas mesmas proporções que a inflação inviabilizava nossa economia. Os esforços para isso tornaram-se visíveis, com as deliberações da Conferência Nacional de Educação - CONAE, na qual a União Geral dos Trabalhadores (UGT) esteve presente onde se pensou e se propôs encaminhamentos como política prioritária de Estado, e não de governo, a ser aplicado nos próximos 10 anos.

As ações na Educação devem ser coordenadas entre Estado, Sociedade Civil e todos os atores envolvidos, incluindo-se a Iniciativa Privada, Partidos Políticos, Centrais Sindicais, Sindicatos e Associações de Pais e Mestres. Dentre todos os fatores importantes para se atingir o nível ideal de qualidade na Educação, está a necessidade de atualização do corpo docente brasileiro, principalmente nas séries iniciais e ensino médio, juntamente com a valorização destes profissionais tanto no que se refere à remuneração quanto a melhores condições de trabalho.

O tempo para se apontar culpados pelas decisões equivocadas e omissas, já passou, temos que unir esforços conjuntos para a tomada de decisões urgentes, sérias e factíveis. De um lado, o Estado, de outro, a família brasileira e por fim, as instituições de defesa dos interesses sociais, como o Ministério Público, ONGs e Centrais Sindicais.

Ricardo Patah é presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Temos tudo, mas não temos nada...

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Otto Nogami

Em outubro do ano passado, Michael Skapinker, colunista e editor de relatórios especiais do tradicional jornal inglês Financial Times, afirmou em artigo que “Brazil is the 21st-century power to watch”, destacando a visão antagônica de uma economia forte, repleta de recursos naturais, que se opõe à violência e à desigualdade social.

Nesse mesmo mês, e uma semana depois, o prêmio Nobel de economia em 2008, Paul Krugman, em sua passagem por Buenos Aires, discursou que o Brasil está mais para a esperança do que para a certeza de ser um dos grandes da economia mundial. Lembrou uma piada de que “O Brasil é o país do futuro e sempre será”, explicando porque Índia e China decolaram, mas o Brasil não.

No mês de novembro, a não menos tradicional revista inglesa “The Economist”, destaca em capa que “Brasil decola”, enfatizando que o maior perigo está no excesso de confiança. Ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos em educação e infra-estrutura.

Apesar das manchetes nos levarem a imaginar de que tudo, aparentemente, está bem, a realidade é muito diferente. Os indicadores macroeconômicos podem estar sob controle, mas a estrutura social e política andam em frangalhos. De nada adianta falar em um crescimento do PIB de 6,5% em 2010, se ele não tem consistência, ou economicamente falando, desenvolvimento que exprime o nível de bem-estar da sociedade, medido através de indicadores sociais, culturais, políticos e econômicos.

Enquanto não tivermos uma infra-estrutura adequada e suficiente, em termos de educação, saúde, segurança e transportes, por exemplo, para atender às necessidades mínimas para o processo de crescimento, a vulnerabilidade de nosso país continuará existindo.

Assim, às vésperas das eleições majoritárias para as assembléias e governos estaduais, congresso nacional e presidência da república, nós temos que estar conscientes da importância de nossos votos, para que possamos eleger legisladores e governantes que sejam dignos representantes de cada um de nós. E com isso, que possam criar condições para alçar o Brasil a outro patamar, o patamar de um Estado pujante e próspero.

E essa nossa responsabilidade não se restringe ao voto. Implica também na nossa consciência sobre o nosso dever, nossa obrigação enquanto cidadãos, inseridos no contexto de uma sociedade. Uma nação se constrói de acordo com suas características étnicas, e que se mantêm unida pelos seus hábitos, tradições, religião, língua e, principalmente, consciência nacional. Uma nação nada mais é do que a substância humana que a forma, zelando pelo bem-estar coletivo, por sua honra, por sua independência e por sua prosperidade.

Em resumo. O Brasil depende apenas de cada um de nós, conscientes do nosso papel enquanto cidadãos inseridos dentro de uma sociedade, e no pleno exercício do nosso direito constitucional.

Otto Nogami é mestre em economia e autor dos livros ‘Princípios de economia’ e ‘Não seja o pato do mercado financeiro’. É professor de economia do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG).