sábado, 30 de junho de 2012

Sacolas plásticas: A queda de braço entre supermercados e consumidores

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Isabella Menta Braga

Passou a valer nesta semana a decisão judicial que obriga os supermercados a fornecerem, gratuitamente, aos consumidores as famigeradas sacolas plásticas.

Na semana passada, o Ministério Público do Consumidor não homologou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que tinha como objetivo acordar que os consumidores não poderiam mais receber sacolas plásticas gratuitamente dos supermercados.

A fim de dar efetividade ao que fora decidido pelo Ministério Público, a Associação Civil SOS Consumidor moveu ação civil pública em face da Associação Paulista de Supermercados (APAS) e de outros grandes supermercados, tendo sido deferida liminar para que os supermercados adotem providências no sentido de retomar o fornecimento ao consumidor de sacolas plásticas, gratuitas e em quantidade suficiente.

Alguns dos argumentos da Juíza que proferiu a decisão foi o costume de que os estabelecimentos comerciais forneçam embalagens para que o consumidor leve com ele as mercadorias adquiridas, além do fato de o não fornecimento das sacolinhas ter onerado excessivamente os consumidores, visto que passaram a pagar duas vezes pela mesma coisa.

Os supermercados, frente a essa decisão, se manifestaram no sentido de que havia sido uma vitória dos consumidores, mas que quem sairia perdendo seria o meio ambiente, levando-se em conta o poder poluente das sacolas plásticas.

Não há dúvidas de que o argumento das grandes redes de supermercados para rebater a decisão não tem outro cunho que não o comercial. E é justificável que assim o seja, visto que quando foram liberados da distribuição das sacolas, cujo valor estava embutido no preço das mercadorias, os supermercados passaram a faturar muito mais, ainda mais se considerarmos o que passaram a auferir renda com a venda das sacolas retornáveis.

Dito de outro modo, os consumidores estavam pagando duas vezes pela mesma coisa: pagavam pelo valor da sacola que estava embutido no da mercadoria e também pelas sacolas retornáveis. Aliás, essas tinham seu valor inflacionado e ao consumidor não restava alternativa, já que, tendo adquirido diversos itens, se via obrigado a comprá-la.

Ou seja, a prática em face do consumidor era abusiva e violava frontalmente seus direitos mais básicos.

Mas, para que não pareça totalmente alheia à questão ambiental, que sabidamente tem grande importância não pode andar dissociada dos demais assuntos, imaginamos que a questão pode ser equacionada de duas maneiras.

Se os supermercados fossem liberados da obrigação de fornecer as sacolas plásticas, o valor a elas correspondente deveria ser abatido do preço das mercadorias, na medida em que o consumidor não pode ser onerado excessivamente, conforme prevê o Código de Defesa que rege seus direitos e, com essa medida, o meio ambiente estaria preservado.

Por outro lado, se o argumento dos supermercados de que as sacolas têm alto poder poluente for abarcado, eles deveriam ser responsabilizados pelo dano ambiental que causaram ao longo de todos os anos durante os quais forneceram, “gratuitamente” as tais sacolinhas.

De uma forma ou de outra, porque, certamente, em razão dos grandes interesses envolvidos, a discussão não se encerrará aqui, por enquanto os consumidores podem comemorar pois não estarão mais sendo privados do direito à informação – para não dizer enganados – e terão à sua disposição as sacolas plásticas.

Isso se não for interposto recurso por parte da Associação de Supermercados... Mas, se formos comentar sobre, isso passaríamos a escrever sobre o excesso de recursos previstos na legislação e da morosidade do Poder Judiciário, o que já é um outro tema.

Isabella Menta Braga (isabella.braga@bragabalaban.com.br) é especialista em direito cível e é sócia do escritório Braga e Balaban Advogados.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A história e a capacidade humana

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Só depois de muitas experiências vividas vamos percebendo o quanto continuamos sabendo pouco sobre diversos aspectos da vida e o quanto ainda temos a aprender, pois envelhecemos e mesmo assim percebemos que aprendemos pouco, que ainda temos muito que aprender.

A história sempre ensina algo aos que se dispõe a aprender e - apesar de passados séculos ou milênios -, constantemente nos surpreende com novidades. Com ela podemos entender como, porque, e a que custo até aqui chegamos.

Aprendemos sobre a luta de nossos antepassados em busca de novas fronteiras, descobertas, conhecimento, suas dificuldades, erros e acertos. Esse passado é que nos abre a possibilidade de, com cada vez mais facilidades, continuarmos buscando.

Obras gigantescas, como as Pirâmides do Egito até hoje encantam por sua engenharia e pela curiosidade de como foi realizada a locomoção dos enormes e pesadíssimos blocos de pedra utilizados em sua construção.

A liderança de homens como Moisés, sem nenhuma das facilidades que hoje possuímos, foi capaz de conduzir um povo por áreas totalmente desconhecidas, mas a de Adolf Hitler provocou a morte de milhões de pessoas.

Henry Ford inventou os princípios da produção em larga escala, até hoje seguidos pelas maiores indústrias e economias do mundo, como a chinesa.

Poucas décadas atrás só existiam viagens submarinas ou espaciais nas mentes criativas de alguns, que partilhavam suas ideias em gibis ou filmes e assim se transformaram em projetos de gênios que os leram ou assistiram e finalmente tornaram reais os sonhos e imaginações do passado.

Albert Sabin criou uma vacina que já salvou milhares de vidas e, mais recentemente, Bill Gates e Steve Jobs mudaram a vida de bilhões de pessoas com seus softwares e hardwares.

Milhares de exemplos poderiam ser dados, mas o que importa é que só conhecendo o passado poderemos seguir adiante com menos dificuldades, partindo de uma experiência já vivida, em busca de uma solução ou, de pelo menos não cometer o mesmo erro.

Quanto mais aprendemos, mais percebemos a infinidade de coisas que ainda poderão ser criadas, as nossas próprias criações abrem caminhos para novas e assim sucessivamente. Os novos conhecimentos nos mostram como evoluir mais, onde erramos e o que devemos corrigir.

Problemas como a poluição atmosférica e do meio ambiente provocam a busca de novas alternativas de desenvolvimento e correção dos erros já cometidos.

Com o auxílio da informática a velocidade da criação passou a ser exponencial e percebemos desconhecer, além do nosso próprio limite, também o dessa tecnologia, que a cada dia apresenta maior capacidade de processamento e armazenamento, com maior rapidez, menor custo e em menor espaço.

Precisamos ter a capacidade de usar todos esses benefícios em busca de cada vez mais saúde, conforto e bem estar comum para, como nossos antepassados, facilitar a vida dos que ainda virão.

A história nos mostra não só o passado, mas como, com cada vez mais facilidade, podemos assegurar um futuro melhor.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Medo à autonomia

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Breno Rosostolato

Temos presenciado um crescimento considerável de agressões e mortes de homossexuais em São Paulo. A cidade vem se destacando negativamente como a capital que lidera em denúncias desse tipo inaceitável de agressões, segundo os dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH). Os atos criminosos envolvem desde estourar lâmpada fluorescente no rosto da vítima em plena Avenida Paulista, perseguições e vandalismo na região da Rua Augusta e, até mesmo, um caso de um pai que, ao abraçar o filho, teve a orelha decepada por violentos golpes porque ambos foram confundidos com um casal gay, evento ocorrido em São João da Boa Vista, interior paulista.

Casos dessa natureza não são eventos novos. São antigos e que acompanham a história da humanidade. São verdadeiros “Concílio de Nablus” que, em 1120, estabelecia que os adultos sodomitas, classificação à homossexualidade na época, seriam queimados. Esses atos selvagens denunciam mentalidade deturpada e retrógrada, preconceitos ediscriminações doentias, sustentadas por um sistema patriarcal, que define o que é masculinidade e feminilidade e que, ainda hoje, considera a homossexualidade como uma perversão, um desvio sexual e uma anomalia, distorções ainda mais acentuadas por alguns grupos religiosos.

Anômalos são, semsombra de dúvidas, esses crimes bárbaros, motivados por uma ignorância radical. A homofobia é um termo que designa aversão à homossexualidade, mas suas implicações são muito mais complexas. Não existe por lei crime de homofobia, mas existindo, deveriam ser classificados como crimes de ódio. Não existem assassinatos a heterossexuais por causa de sua orientação sexual, mas matamhomossexuais por esse motivo, simplesmente por assumirem tal condição sexual. O crime de ódio não é contra uma pessoa, mas contra todo um grupo de pessoas, da mesma forma que quando se chama um negro de “preto”, a ofensa é direcionada à etnia. Diga-se de passagem, o racismo é crime, ocasionando detenção, e concordo que a violência homofóbica também deva ser compreendida dessa maneira.

Em seu livro “A cama na varanda”, a psicanalista Regina Navarro Lins ressalta alguns alicerces do preconceito à homossexualidade. Para algumas pessoas, a homossexualidade estaria em ascensão e deve ser interrompida para não comprometer a unidade familiar e a estrutura da sociedade. A razão que considero mais significativa da hostilidade heterossexual são os próprios desejos homossexuais suscitados na pessoa, o que gera muito temor para alguns, pois acreditam que podem ser “contaminados”.

O patriarcado criou uma mentalidade tirana que padroniza os gêneros, bem como enfatiza que essas diferenças, masculino e feminino, devem ser segregadas a todo momento, movimento que vem perdendo força, pois existe uma reconfiguração entre os gêneros, o que implica diretamente uma mudança de postura e comportamentos entre homens e mulheres. O homem e a mulher autônomos não vivem mais atrelados aos conceitos ortodoxos, ou seja, a mulher é feminina, singela, delicada, sensual e carrega em si todos os atributos ligados ao gênero, mas a autonomia faz com que ela se aproprie também dos conceitos ligados ao masculino, demonstrando também serem fortes, provedoras, sustentadoras dentre outras qualidades adquiridas. O mesmo acontece com os homens. Estão mais sensíveis, mantêm contato com seus sentimentos, estão mais frágeis, são pais participativos na vida de seus filhos, estão se cuidando mais.

Autonomia é não precisar viver escravo das concepções tradicionais e limitadoras dos gêneros. As mulheres estão se transformando, mas principalmente os homens estão sofrendo uma metamorfose por causa de dois fatores: o primeiro é que eles estão cansados de sustentarem as imposições do masculino e que a própria áurea feminina autorizou os homens a reconhecerem uma outra maneira de ser. Esta mudança interna é preponderante para sustentar o homossexualismo.

Nunca se discutiutanto sobre o assunto e tantas pessoas estão reconhecendo sua orientação sexual como nos dias de hoje. É lógico que não quer dizer que homens e mulheres autônomos serão homossexuais, mas ter contato com esta autonomia faz com que as pessoas se reposicionem diante da heteronormatividade.

A homofobia é o preconceito e aversão à homossexualidade, mas considero que seja o medo à autonomia. Um homem que não vive atrelado ao ideal masculino e é seguro de sua orientação sexual não precisa agredir o homossexual e ponto. Além destas questões apresentadas neste artigo, os preceitos fundamentalistas, que servem de referência para o preconceito, de fundamental não possuem nada, pois sãoretrógrados e arcaicos, métodos e discursos medievais que destoam dos ideais contemporâneos e este novo momento da humanidade.

Está na hora deste país — cujo Censo de 2010 contabilizou mais de 60 mil casais homossexuais e em que o Supremo Tribunal Federal aprovou recentemente a união estável entre pessoas do mesmo sexo, institucionalizando a unidade familiar para os homossexuais, lhes atribuindo direitos — mudar toda uma educação e mentalidade sobre o assunto, derrubando preconceitos e sustentando o respeito ao próximo. É preciso criar leis que criminalizem atos homofóbicos como os presenciados ultimamente e que só evidenciam a degeneração de uma sociedade.

Breno Rosostolato é professor de psicologia da Faculdade Santa Marcelina

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O mundo não tem mais rosto

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Arnaldo Jabor

Um dos dramas de hoje é que não há mais fatos - só expectativas. A história vai devagar e por linhas tortas. A última grande mudança foi a queda das torres em NY. Em dez minutos, nossa vida mudou. A obra de arte de Osama foi ter criado um fato. E o Ocidente acorreu para esmagar o herege, o psicopata que criou um acontecimento em um país que imaginava ter controle do seu destino. Ele ousou "acontecer". Se ele abriu o precedente, tudo ficou possível. Só um maluco, um marginal, poderia furar o cordão sanitário da vida controlada. Mas Osama não era maluco. Ele criou a imagem das torres caindo por toda a eternidade, gravada no tempo, como a Queda da Bastilha, o Holocausto e a destruição de Hiroshima. Osama nos trouxe de volta à realidade, furou a barreira virtual do nosso Truman Show.

Havia no ar um desejo de destruição da "paz americana", mesmo entre os americanos. Em cada detalhe da vida, havia indícios: em filmes-catástrofe gozando o arrasamento de NY, nos livros sempre distópicos de "science fiction" e até na arquitetura, como sacou o arquiteto italiano Paolo Portoghesi, quando disse que a forma do museu de Frank Gehry em Bilbao é o desejo de um desabamento. Os americanos têm uma relação de amor/ódio com o implacável progresso que os acorrenta a uma escravização produtiva.

Eu mesmo, profetinha autoproclamado, já escrevi que aquelas agulhas góticas e infinitas pareciam pedir destruição. Que pode acontecer a uma lança herética arranhando os céus de Deus? A queda. Só a queda. Havia uma fome de fatos no ar; Osama veio satisfazê-la. Achavam que a técnica era invencível em sua marcha fria para um futuro sem 'sujeitos', previsível e programado. Osama nos fascinou porque assumiu o papel de 'sujeito da história', como os marxistas se proclamavam antigamente. Sozinho, destruiu a técnica com as armas da técnica, numa homeopatia apocalíptica. E se o impossível acontece, a liberdade se restaura - nos ensina o ato gratuito do terror.

Até o 11 de setembro, tínhamos liberdade para desejar o quê? Bagatelas, mixarias. Uma liberdade vagabunda para nada, para o exercício de um narcisismo ilusório, o fetiche de uma liberdade transformada em produto de mercado. A gente pode se drogar, se suicidar, sofrer, mas repensar o mundo na prática, essa 'macroliberdade' é impossível; ela é privilégio das grandes corporações, que podem planejar o Sistema, eliminando regras nacionais, podem se fundir em megaconglomerados, pois elas têm a desculpa de não terem rosto. Aliás, até o Mal ficou difuso. Onde está o mal, hoje? Entre os terroristas, no meio da miséria, entre fezes? O Mal ficou arcaico. Por isso, o mal dos terroristas consiste em injetar o arcaico no moderno, esse inferno 'clean' que o capital inventou. E não adianta tentar a "beleza do Mal" como busca invertida do Bem. Já foi tentado: o culto à perversão, à violência ideológica, à crueldade por 'bons' motivos, tudo. Nada deu em nada.

Existe hoje no mundo um novo Mal, um Mal sem culpados visíveis. O Mal no mundo atual é o "incompreensível". Como disse Baudrillard: "Contra o Mal, só temos o fraco recurso dos direitos humanos." As coisas nos desapossaram do mundo. Desde que me entendo, nunca vi uma mutação tão intempestiva. Não é nas mentalidades, mas na matéria da vida, nas engrenagens que movem o mundo. Talvez, a Crise de 2008 tenha começado com a desmoralização das torres caídas. O 11 de setembro foi o início da Crise atual.

Este fato que mudou o Ocidente está ali em NY, deflorado, negro buraco, e, por mais que tentemos, não conseguiremos desfazer a ligação entre os fios invisíveis que unem a loucura do fanatismo do Oriente até nossa vida pessoal.

Precisamos de uma forma nova de "transcendência", abolida pelo consenso tecnocientífico; precisamos de um novo "holismo". Uma nova liberdade se tornou urgente, a liberdade de não ser moderno, de não ser tão 'livre' assim como quer o mercado. Precisamos de um ideário que acrescente alguma inutilidade ao mundo, pois o futuro foi apossado pelo marketing dos novos produtos. Precisamos de fatos, e não de expectativas, precisamos de um conjunto orgânico de verdades (ou de crenças mesmo) que espiritualize nosso vazio. Osama, como um profeta de cabeça para baixo, nos lembrou que a vida real é um mistério.

Este artigo me ocorreu porque estava lendo ensaios de Paul Valéry, que nos anos 30 já previa com espantosa clareza o mundo que vivemos hoje. Paul Valéry foi um misto de pensador e de poeta. Inseriu-se na linhagem de escritores transgressivos que tinham como expoentes Edgar Allan Poe e Mallarmé. A partir de 1892, renunciou à poesia e consagrou-se ao culto exclusivo da razão e inteligência. Em 1894 se instalou em Paris e no ano seguinte publicou ensaios filosóficos: Introdução ao método de Leonardo da Vinci e Monsieur Teste, este último foi uma série de dez fragmentos em que expõe o poder da mente voltada à observação e dedução dos fenômenos.

Cito aqui trechos de um pensador visionário que pensava através da poesia, livre das camisas de força da história obrigatória das ideias. (Sem dúvida, ele dá um sentido melhor a este 'artigo-cabeça' de hoje.)

"A imagem do caos é um caos. A desordem do mundo atual (...) nos habitua intimamente a ela; nós a vivemos, nós a respiramos, nós a fomentamos e ela acaba por ser uma verdadeira necessidade nossa. Nós encontramos a desordem à nossa volta e dentro de nós mesmos, nos jornais, nos dias e noites, em nossas atitudes, nos prazeres, até em nosso saber. A desordem nos anima e o que nós criamos nos leva a lugares desconhecidos e mesmo onde não queremos ir." (A Política do Espírito).

Ou então: "A vida social exige a presença de coisas ausentes; a ordem resulta do equilíbrio dos instintos pelos ideais." (...) "Uma sociedade que elimine tudo que é vago ou irracional, para impor o mensurável e o verificável, poderá sobreviver?" (Prefácio das Cartas Persas)

Ou seja, como ele disse, o futuro não será mais o que era...

Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. Originalmente publicado nos jornais O Globo e Estadão em 26 de junho de 2012.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Brasil precisa de 10% do PIB para a educação pública

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por várias entidades

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede composta por mais de 200 organizações e movimentos distribuídos por todo o país, considera que o texto substitutivo à proposta original do PL (Projeto de Lei) 8035/ 2010 trouxe avanços, podendo ainda ser aprimorado no Senado Federal.

Uma vez aprovado o texto global, a partir desta semana serão debatidos os destaques. Em uma análise minuciosa, a rede avalia que a maioria dos destaques reivindica conteúdo já incorporado pelo relator, muitas vezes com outras palavras, ou prejudica e conflita com o espírito do texto. São poucos os destaques que realmente contribuem com a defesa de uma educação pública de qualidade.

Desse modo, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação considera que o principal tema em debate são os destaques ao texto da Meta 20. Em jogo há três possibilidades, redigidas de diversas formas. O texto aprovado determina que o Brasil deve alcançar patamar equivalente a 8% do PIB de investimento público em educação pública, ou seja, investimento público direto.

A segunda possibilidade, colocada por vários destaques, pede um volume de recursos a ser atingido em dez anos na ordem de 10% do PIB em investimento público total, que, além do investimento em educação pública, congrega as transferências feitas pelo poder público à educação privada, normalmente ineficazes e incapazes de estruturar as redes públicas de ensino para a garantia de educação de qualidade. Nenhuma das duas alternativas responde às necessidades das políticas públicas educacionais. Estima-se que o volume de 10% do PIB em investimento público total venha a significar, em dez anos, menos que 8% do PIB para a educação pública. Ou seja, menos do que já está aprovado.

A partir de cálculos, extensamente debatidos junto à Comissão Especial e à opinião pública brasileira, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação defende que os parlamentares abracem a única e decisiva alternativa para o Brasil aliar expansão do acesso à educação com qualidade, aprovando os destaques que apontam a necessidade de um patamar de investimento público direto equivalente a 10% do PIB em educação pública.

Garantir que o investimento público seja direcionado à educação pública, além de ser justo, é a condição necessária para que o direito à educação de qualidade seja de fato consagrado e universalizado. Nunca é demais lembrar que o volume de 10% do PIB para a educação pública já era reivindicado antes de 2001, quando foi aprovado o PNE em vigor até 2010.

Confiante de que o investimento em educação será destinado para a educação pública, assina o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Ação Educativa


ActionAid


CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)


Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)


CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)


Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente


Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)


MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)


Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)


Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)

sábado, 23 de junho de 2012

Divórcios são sinais contemporâneos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Breno Rosostolato

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que vem crescendo o número de divórcios no Brasil. Impulsionada por mudanças recentes na legislação, que retiraram exigência de prazos de separação para a dissolução do casamento, a taxa geral atingiu em 2010 seu maior valor, 1,8 por mil habitantes.

Por várias vertentes podemos debater este aumento significativo, mas, principalmente, levando em consideração o casamento como uma instituição enfraquecida pelo tempo, decorrente de uma mentalidade contemporânea, e da mudança na postura e comportamento das mulheres e o amor romanceado que está em desuso. Acrescente a tudo isso a perspectiva de vida do brasileiro que também aumentou. Partindo da premissa que as pessoas vivem mais tempo, elas têm a possibilidade de mudar o rumo de suas vidas e resignificar aquilo que não condiz com suas vontades e desejos. Existe a perspectiva de mudar ao invés de viver da mesma maneira até o fim de sua existência.

O casamento no século XII era visto como negócio. Era uma maneira das famílias ampliarem suas terras, enriquecer por conta do casamento dos filhos. Diga-se de passagem, o matrimônio só acontecia se os interesses financeiros mútuos dospais fossem concretizados. O amor não era um sentimento importante para fazer parte das relações amorosas nesta época. O casamento não possuía laço afetivo e o amor era compulsório.

É com advento do amor romântico, romanceado, que se internaliza o conceito deexclusividade e, portanto, casar implica em viver ao lado do outro. Um amoregoísta, mas a ideia de exclusividade gera também a noção de posse pelo outro, ou seja, as pessoas se pertencem, além do que, o amor experimentado nestas condições causa idealizações que não são correspondidas. É a possibilidade do amor no casamento que existe a infidelidade, a traição, mas esta é uma outra discussão. Regina Navarro Lins, psicanalista, no livro A cama na varanda, denomina este sentimento como “o mito do amor romântico”. O imediatismo de um amor baseado em expectativas pode ser trágico assim como foi para Tristão eIsolda e Romeu e Julieta.

Deve-se transformar as concepções de amor para se mudar o casamento, começando talvez com a célebre e fatídica frase: “até que a morte nos separe”. Este é o casamento aprisionador, condicionado a uma regra intocável. Uma relação já marcada pela tragédia. A separação, antes algo extremamente condenável, hoje é uma possibilidade de romper com esta prisão de regras sociais retrógradas. O casamento deve ser livre e autônomo e, portanto, respeitoso em que o marido e a esposa possuem uma vida em comum e também possam preservar suas individualidades.

As mulheres, personagens principais na celebração do casamento, são as condutoras dessa mudança de mentalidade quanto ao matrimônio, pois não se submetem mais a uma relação que não existe ou que está fadada ao fracasso. É a emancipação feminina e o reposicionamento na sociedade que homens, no encalço destas mudanças, também quebram com os paradigmas enfadonhos do casamento aprisionador.

Não considero o matrimônio uma instituição falida, apenas sofre influências, positivas, deste novo momento em que vivem homens e mulheres. O aumento de solicitações de divórcio pode ser entendido como uma tentativa de ser feliz, mais uma vez e de outra forma, tentativas e erros, reconhecimentos de limites e um recomeço. A separação pode ser construtiva para as pessoas repensarem seus erros e refletirem sobre suas condutas no casamento e em suas vidas. O aumento de divórcios não é sinal de uma sociedade doente, mas de um novo momento no qual precisamos refletir.

Breno Rosostolato é professor de psicologia da Faculdade Santa Marcelina.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Verdadeira Vadia

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por João Bosco Leal

Lendo um texto de um amigo jornalista em que ele agradece sua mãe por tudo o que é e, ao mesmo tempo, se desculpa sobre a quantidade de vezes que ela já foi lembrada por seus inimigos e, nessas ocasiões, ofendida em sua honra, comecei a pensar em quem são as verdadeiras prostitutas de nossa sociedade.

Lembro-me de que, quando jovem, em todas as cidades existiam as chamadas "zonas de meretrício", verdadeiros bairros onde residiam as prostitutas locais e para onde se dirigiam aqueles que buscavam seus serviços.

Os tempos mudaram e com a chamada liberalização sexual a estrutura social passou a ser mais permissiva com a sexualidade dos jovens, que já não necessitam buscar esse tipo de serviço, pois passaram a se relacionar com as próprias namoradas.

Esses bairros conhecidos como "zonas" deixaram de existir e as prostitutas foram residir nos pontos mais diversos das cidades e passaram a anunciar seus serviços nos jornais ou a fazer "ponto" em determinadas ruas ou locais conhecidos por toda a comunidade.

Com a internet, surgiram verdadeiras estruturas especializadas no oferecimento desses "préstimos", sejam femininos, masculinos ou homossexuais, com fotos e dados como medidas, peso, altura, preferências e especialidades.

Mas toda essa modernidade e facilidade não conseguiram acabar com a existência das pessoas que apontam seu dedo para outras, acusando-as de ser o que são, quando por trás dessas acusações querem esconder o fato de muitas vezes serem ou tentarem ser iguais às que acusam.

São as que apontam para quem sequer conhecem e dizem maldades e injustiças, lançando acusações de comportamentos indecorosos, tentando com isso não expor os seus próprios, ou as que recriminam as profissionais do sexo, quando exercem a mesma função sem o mesmo profissionalismo, mantendo um comportamento menos digno do que destas, ou de quem quer ser vista como uma dama.

Entendo e acho normal que entre quatro paredes, buscando satisfazer seu parceiro e com este comportamento dedicado exclusivamente a ele, muitas mulheres tornam-se verdadeiras profissionais do sexo.

Entretanto, é comum ficarmos sabendo de mulheres, casadas ou não, que em reuniões com outras se vangloriam de terem saído com outros homens e que comentam inclusive como foram seus desempenhos sexuais e até suas medidas físicas.

E atualmente não é raro observar mulheres usando vocabulários que incluem palavrões em muitas das frases que pronunciam, que gritam e xingam, bebem ao ponto de dar vexames e, ao se dirigirem a outras pessoas, apontam o dedo indicador próximo do rosto de seu interlocutor.

Que casadas, procuram satisfazer seus desejos físicos buscando parceiros no mesmo tipo de anúncio usado pelos homens, os acusam de infidelidade conjugal, mas deles não se separam para manter o "status" de mulher casada ou vendendo-se pelas mordomias que o dinheiro do marido pode proporcionar.

Assistindo pessoas se comportarem dessa maneira, fico em dúvida sobre quem são as verdadeiras vadias de nossa sociedade, se as que se expõem em anúncios de jornais, blogs e sites ou as que fingem ser puritanas, mas praticam atividades bem menos dignas do que as que vivem da profissão.

A verdadeira prostituta não é a profissional, que vive do sexo pago, mas a falsa puritana infiltrada na sociedade.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A pressa pode ser amiga da perfeição

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Fermín Vázquez

Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma ideia mítica e heroica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas.

Isso influenciou decididamente minha vocação e foi marcante entre os estudantes da Escola de Arquitetura de Madrid, que passavam todo dia em frente da elegantíssima e fascinante abstração da “Casa do Brasil”, na Cidade Universitária, magnífico projeto de Alfonso d´Escragnolle Filho. É fácil imaginar, portanto, o quanto tem sido apaixonante trabalhar no Brasil nos últimos anos.

A presente conjuntura brasileira contrasta com a estagnação da Europa em quase todos os aspectos do progresso e não só em atividade econômica. Contudo, esse Brasil em pleno avanço pode extrair muitas lições dos acertos e, acima de tudo, dos erros cometidos nos anos de crescimento econômico excepcional no Velho Continente e, em particular, na Espanha.

Uma analogia importante refere-se à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016: o aproveitamento de grandes eventos esportivos como oportunidade para empreender profundas transformações urbanas tem sido, junto com a utilização de grandes projetos arquitetônicos, catalisadores icônicos de desenvolvimento e posicionamento das cidades, o núcleo de muitas histórias de sucesso na Espanha desde os Jogos Olímpicos de 1992 e, especialmente, nos últimos anos da bolha imobiliária.

O exemplo de Bilbao, com um projeto para o novo museu Guggenheim, é talvez o mais conhecido quanto à capacidade que pode ter um edifício emblemático para situar uma cidade no mapa e contribuir para a mudança de seu modelo urbano. O mesmo se aplica a Oviedo, com seu novo museu e centro cultural, com a assinatura de Oscar Niemeyer. Entretanto, nem sempre observa-se êxito. São abundantes os casos de desperdício sem retorno e da evidente falta de critério e estratégia.

Na Espanha produziu-se, nesses anos, uma arquitetura brilhante, objeto de atenção internacional, que chegou a merecer uma exposição no MOMA de Nova Iorque. Entretanto, construíram-se também edifícios caríssimos, verdadeiros “fogos de artifício” arquitetônicos, cujos únicos beneficiados foram os políticos e empresários sem verdadeira cultura ou sensibilidade, cuja única motivação tem sido sua projeção pessoal ou lucro. Nada mais longe da verdadeira qualidade arquitetônica.

Acho que o caso positivo mais instrutivo é o de Barcelona e da sua aposta na planificada transformação estratégica e de qualidade. A palavra urbanismo nasceu com o trabalho de Cerdá para a primeira expansão (Eixample) da cidade, onde a insistência na qualidade tem sido promovida e apoiada nas últimas décadas pela administração pública e a sociedade.

As escalas dos desafios das cidades brasileiras e de Barcelona são, evidentemente, diferentes e não se deve subestimar a dificuldade de resolver o premente problema da habitação e de serviços urbanos. Não obstante, acredito que seja um bom momento para defender a qualidade material e conceitual da arquitetura e dourbanismo no Brasil. Sei que a palavra qualidade pode parecer ambígua e difícil de precisar para algo aparentemente subjetivo como a arquitetura e o desenho urbano. Uma comparação com a indústria facilita a compreensão: numa fábrica, não aplicar controles nos processos pode conduzir a defeitos cujos custos derivados são muito superiores aos de um monitoramento adequado. O mesmo vale para cidades e edifícios.

Em algumas conversas com Jaime Lerner – com quem tive o privilégio de trabalhar nos últimos anos, colaborando no projeto para a revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre –, ouvi a sua opinião de que a pressa é amiga da perfeição, no sentido de que quanto antes se puder terminar algo, mais rapidamente se poderá corrigir, se necessário. É verdade que muitas vezes a aspiração a um projeto melhor pode converter-se em desculpa para a inação.

No caso do Brasil, acredito ser importante evitar que a pressão da demanda relativa às obras para a Copa do Mundo seja pretexto para projetos medíocres e obras mal construídas. Em 2014, os brasileiros compartilharão com numerosos visitantes estrangeiros partes significativas de seus municípios. Não há muito mais tempo, mas se combinarmos o entusiasmo, a extraordinária capacidade profissional existente no País e a melhor arquitetura, as cidades serão uma grande vitrine para o mundo. Ademais, ficará estabelecido um referencial físico de qualidade urbana para um futuro melhor.

Fermín Vázquez é diretor da b720 Arquitectos, com escritórios na Espanha (Barcelona e Madri) e no Brasil.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Gestão de mudança na Copa do Mundo do Brasil

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por David Miller

O Brasil tem uma oportunidade maravilhosa para ter a melhor Copa do Mundo da história, em 2014. Tem um povo vibrante e cordial, um legado futebolístico fantástico e tem emergido como uma das maiores e mais dinâmicas economias ao longo da última década. Além de ser o mais importante torneio de futebol realizado, a Copa do Mudo fornece aos países anfitriões uma tremenda oportunidade para exibirem suas habilidades em executar projetos complexos com arquitetura impressionante. E, ainda mais importante, os projetos também terão um grande impacto na vida social do País, como novos estádios, estradas, aeroportos e ferrovias. A vida das pessoas pode ser melhorada ao longo das décadas seguintes.

Mas, é claro, o principal desafio é executar os projetos de construção a tempo e dentro do orçamento. Fracassar em fazer bem feito pode ser mais danoso do que simplesmente ter espectadores e competidores insatisfeitos. Pode ser um desastre de relações públicas – em nível global –assim como a Índia, há alguns anos, quando recepcionou os Jogos da Commonwealth de 2010. Por exemplo, um dos principais jornais da Europa, The Daily Telegraph, mencionou que “as preparações de Delhi para os Jogos da Commonwealth do próximo mês despencaram de uma crise para uma farsa, esta semana”. Eles obtiveram um completo desastre, que retrocedeu sua imagem para os negócios globais e suas tentativas de serem vistos como uma superpotência mundial.

Felizmente, aprendemos diversas grandes lições a partir de grandes projetos de mudanças similares, com relação a como ter sucesso. Primeiramente, uma gestão rigorosa de projeto e de programa é imprescindível. Você precisa estabelecer uma forma de executar os projetos e segui-la sem desvios. Isso precisa ser seguido por todas as equipes, incluindo os contratantes. Segundo, você precisa de contratos bem amarrados e objetivos detalhados. Então todos precisam ser monitorados em direção a esses objetivos constantemente.

Mas a maior lição é a terceira. Você precisa obter o engajamento de todos os colaboradores do projeto em uma visão comum e com uma forma de trabalho. As pessoas precisam se comportar diferentemente. É onde você precisa de uma metodologia de gestão de mudanças para integrar a seus processos de gestão de projetos. Gestores de programa e de projetos devem aprender a criar e manter o engajamento efetivamente. Algumas das atividades importantes incluem:

• Compartilhar uma visão empolgante e motivadora para o projeto com todos os colaboradores

• Comprometimento com gestores para que os colaboradores possam enxergar e sentir seu compromisso

• Envolver o quadro colaborativo para que seja uma importante parte para identificar questões, desafios e oportunidades

• Treinar supervisores para serem grandes líderes de mudança

• Comunicação de via dupla para gestores e colaboradores sobre novas práticas de trabalho

• Ajudar as pessoas a se adaptarem às mudanças nas práticas de trabalho

• Manter a força viva e motivação conforme o prazo final do projeto se aproxima

Todas essas habilidades e processos podem ser aprendidos por gestores e colaboradores dentro de sua organização. De fato é importante que não haja nenhuma tentativa de que esse trabalho seja conduzido por consultores externos.

Quando se olha para qualquer projeto, existem sempre dois principais fatores que grandes líderes têm. Eles podem gerenciar tanto as pessoas quanto os processos. Se o comitê organizador puder se tornar gestores de projetos de padrão mundial, então o Brasil pode ter uma Copa do Mundo que ficará na memória do povo brasileiro e do mundo para sempre.

David Miller é fundador da Changefirst, consultoria britânica especializada em gestão de mudança, que possui aliança exclusiva com a Dextera Consultoria para a América Latina. Nos últimos 25 anos têm ajudado as organizações a implementarem mudanças. Mais de 12 mil pessoas em 35 países já foram treinadas na metodologia PCI (People-Centred Implementation) criada por ele. Seu histórico acadêmico é em Economia, Política e Psicologia. David é autor do livro Gestão de Mudança com Sucesso, lançamento da Editoria Integrare.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Gap entre a educação e a indústria

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Mauro Andreassa

Recentemente reportagens a respeito da falta de engenheiros no País, um suposto déficit de 40 mil profissionais, viraram lugar-comum. As especulações sobre os motivos passam pelo crescimento repentino da economia nacional em valores de 7,5% e vão até a eficácia das universidades na empreitada da formação de engenheiros.

O vestibular da FUVEST 2012, o maior do Brasil, confirma esse déficit. Nos cursos de Engenharia da Escola Politécnica tivemos 15 candidatos para uma vaga, enquanto nas carreiras de Publicidade e Propaganda e de Relações Internacionais essa relação foi de 47 e 44 candidatos por vaga, respectivamente.

Curiosamente, em outubro de 2010, a Casa Branca justificou a participação especial do presidente Barack Obama no programa MythBusters do canal pago Discovery (a atração que busca separar ciência de mito), como "uma tentativa de despertar o interesse dos jovens americanos em matemática e ciência, face à falta de entusiasmo nesses assuntos".

Hoje o Brasil faz parte do bloco dos mercados emergentes, e sua industrialização foi iniciada timidamente na década de 1930 com os jovens padecendo do mesmo desinteresse pelas ciências exatas que os de países cujo desenvolvimento científico já demonstrou sua supremacia, colocando o homem na Lua. Agora é tratar a doença da indiferença para que não se transforme em um mal crônico, e, para isso é preciso ir à raiz do problema.

Nesse palco temos dois atores, a universidade de um lado e a indústria de outro. Permeado pelos áridos primeiros anos da graduação, o ambiente acadêmico tem registrado taxas de evasão de 55% em algumas escolas de Engenharia, o que expõe falta de interesse na profissão e lacunas, legado dos ensinos básico e médio. A distância verificada entre as aulas conceituais e o entusiasmo pela ciência e tecnologia é outra dura prova de resistência. Em um ambiente tecnológico tão veloz, notadamente em áreas como eletrônica e comunicação, fica difícil culpar as universidades.

Como pano de fundo dessa análise, cabe lembrar que, em geral, as universidades têm os cursos noturnos como pilares de sustentação. Em muitos casos isso se traduz em alunos já integrados ao mercado de trabalho, que passam o dia em rotinas exaustivas e que chegam cansados à aula, não raro questionando a utilidade dos conceitos a que estão sendo expostos. Não esqueçam: eles têm poder de comparação e percebem a distância entre o acadêmico e o corporativo.

O modelo "professor-lousa-giz-saliva" também não ajuda muito a resolver essa equação. Evoluímos do retroprojetor ao Powerpoint, mas apenas a embalagem mudou. O conteúdo continua basicamente o mesmo, e perde em dinamismo para a internet que democratizou o conhecimento. Longos anos de crescimento medíocre criaram alguns professores de engenharia que tiveram pouca oportunidade de frequentar um chão de fábrica, e, portanto, sentem dificuldade em contextualizar o conhecimento teórico. O mesmo se passa com os laboratórios das universidades, também defasados em relação à indústria.

O universo corporativo exibe no Brasil um ambiente altamente competitivo. Que o diga o crescente mercado de veículos, perto de 4 milhões de unidades/ano , e o importante parque industrial automotivo espalhado país afora, que, ao menor soluço do mercado, pode nos posicionar perigosamente próximos da ociosidade. Essa indústria anseia por novos engenheiros que possam imediatamente cumprir objetivos sempre ambiciosos.

Além da formação técnica intrínseca à atividade, espera-se do recém-formado que saiba trabalhar em equipe em ambientes multiculturais, entenda e se adapte rapidamente à cultura corporativa da empresa. Longas jornadas de trabalho são comuns, e dificultam ainda mais o esforço para o imprescindível aprendizado contínuo, como cursos de pós-graduação, mestrados profissionais ou até mesmo cursos de idiomas.

Harmonizar e aproximar esses dois universos é uma das tarefas a que se dedica a SAE BRASIL, através de seus programas estudantis, BAJA SAE BRASIL, FORMULA SAE e AeroDesign SAE BRASIL e de suas ferramentas de educação continuada com cursos específicos ao mundo da mobilidade, nem sempre encontrados nas universidades. A SAE BRASIL está engajada no esforço de minimizar o gap entre a educação de engenharia e a indústria.

Mauro Andreassa é membro do Comitê de Educação de Engenharia do Congresso SAE BRASIL 2012, professor associado do Instituto Mauá de Tecnologia e gerente de Assistência Técnica ao Fornecedor América do Sul da Ford Brasil.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Transmitindo aprendizados

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Ainda muito jovem já gostava de livros, principalmente dos que passavam mensagens dos autores sobre suas observações e aprendizados da vida e, talvez por esse prazer, sempre tenha me preocupado em transmitir minhas experiências.

Quando, já depois dos cinquenta anos, resolvi realizar uma viagem de moto percorrendo partes do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, a primeira coisa que me veio à mente foi montar um blog onde poderia, diariamente, relatar a viagem, minhas impressões, aprendizado e postar fotos tiradas dos locais por onde passava, para que meus filhos e também outras pessoas pudessem ver o que via.

Além de meus filhos e netos, a novidade animou muitos, que interagiam, comentavam, faziam perguntas e desejavam felicidades na aventura, que durou vinte e oito dias, durante os quais percorri nove mil e seiscentos quilômetros. Assim como aprendi com os autores de diversos livros, essa era minha tentativa de dar a outros a possibilidade de aprenderem com minha vivência e de não errarem onde errei.

Com os anos que se passaram e meu consequente amadurecimento, passei a observar a importância das pequenas coisas com as quais nunca havia me importado e além da observação e valorização das coisas mais simples da vida, tenho tentado expressar meu aprendizado, pensamentos e meus sentimentos relativos às diversas situações, em pequenos textos, que futuramente poderão ser analisados por meus descendentes ou por quem se interessar.

Assim como faço com minhas leituras, penso que eles poderão ali encontrar, conhecer, aprender, viajar e imaginar sem sair do lugar onde estiverem e cada um à sua maneira, pois as palavras escritas, ou ditas, podem ter diversos significados, por serem interpretadas baseadas nas experiências e percepções de quem as lê, ou de acordo com o contexto e o tempo em que foram escritas e são lidas.

Muitos conflitos, discussões, brigas e até guerras são iniciadas pela distância entre a intenção de quem disse e a interpretação de quem ouviu. O mesmo ocorre com as palavras escritas, que depois de colocadas no papel, passam a pertencer e ser interpretadas diversamente pelos leitores.

Nos diversos comentários postados sobre textos publicados, podemos perceber claramente como cada um é interpretado de maneira totalmente diversa quando lido por pessoas distintas. Por vezes o entendem da mesma maneira que tentou expressar o autor e de outras, totalmente diferente do que pretendia dizer.

Apesar de saber que, por esses motivos e com o passar do tempo, as palavras por mim escritas dificilmente corresponderão exatamente ao que pretendia dizer, penso que mesmo assim ainda conseguirei transmitir algo, o que já é melhor do que se não tivesse escrito nada.

Os textos nos ajudam a esclarecer e compreender motivos, ensinam, mostram origens e caminhos, apresentam soluções e diversos deles tornam possível a interpretação, comum ou não, de fatos históricos.

Foi através deles que pudemos aprender tudo o que hoje sabemos, desde o plantio ao modo de preparar e conservar os alimentos, de construirmos nossos lares para nos protegermos das variações climáticas, curarmos nossas enfermidades, continuar os estudos em busca da cura de outras, saber sobre pessoas diversas que viveram a dezenas ou a milhares de anos, revoluções, guerras, contos, romances, políticas e religiões. E baseados neles é que podemos buscar novas tecnologias para continuarmos nossa evolução.

Lendo e ouvindo entendemos somente o que estamos preparados, mas abrimos possibilidades de novos conhecimentos.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

domingo, 17 de junho de 2012

Brasil + 50, Eu mais 50!

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Marli Gonçalves

Eco-92, Rio +20, patati patatá, e São Paulo + 1 se continuar o loteamento político que está sendo arranjado. Andei fazendo uma média pessoal otimista e concluí que a Terra deve aguentar pelo menos mais uns 50 anos, tempo razoável no qual me imagino ainda por aqui. Depois, o futuro a Deus pertence. Mas se for para continuar só discutindo coisas chatas, sem agir, a gente vai até pedir "para sair"

É horrível dizer isso, mas tenho de aproveitar as vantagens de minha própria vida. Como não tenho filhos e, portanto, não tenho de pensar em netos, bisnetos e quetais e quetinhos, meu cálculo foi egoísta. Penso em 50 anos à frente, já me vendo centenária, e ainda habitando a Terra. Comecei seriamente a pensar no assunto essa semana, com a verdadeira overdose de boas intenções que não saem do papel que estão sendo emitidas com carbono e tudo pela Rio + 20. Claro que queria estar lá por perto, por uma série de motivos, entre eles um pouco de praia, Sol, gente diferente, movimentação e uma especial segurança providenciada para os chefes de Estado que tiraram o traseiro da cadeira para dar uma chegada no pedaço.

Chega a ser extraordinária a falação propiciada por um evento desses. Mas nem eu mesma sei definir porque estou pondo muito menos fé agora, 20 anos depois, e tão menos do que acreditava piamente à época da Eco-92, que acompanhei atenta, feliz, torcendo pelas matas, oceanos, índios, árvores, fauna e flora. Era bandeirinha em punho, broche na lapela.

A gente amadurece e vai ficando descrente, creio. Mas, no caso, minha descrença é ajudada pela realidade simples e sórdida. Amazônia mais desmatada, escassez de águas limpas, povos com fome e chagas, os mesmos países desenvolvidos, os outros tantos ainda em desenvolvimento, os pobres mais pobres e a violência cada vez mais sem fronteiras. Parece o uso de gerúndio disseminado: vamos estar fazendo, vamos estar implementando (urghhh!) algumas medidas. Enquanto isso nós cairemos mortinhos da silva, sem ar, sem água, surdos de barulho e nesse meio tempo ainda sem saber direito sobre qual é a das ondas eletromagnéticas e sobre o efeito de qualquer coisa nas margaridas do campo.

Não nos diziam e garantiam ao nos ensinar a História que a Humanidade jamais permitiria novamente chacinas e matanças como as presenciadas durante a 2ª Guerra Mundial, porque estaria atenta - e atitudes incivilizadas seriam rechaçadas por todos os povos? O que está acontecendo na Síria, que nos espirra sangue todo dia, é o quê? Na Chechênia, foi o quê? Agora até quem nega a própria história, como o baixinho do Irã de nome complicado, está entre nós!

De que adiantam tratados e tratados assinados com pompa? Espero não ser apedrejada, mas o que vejo acontecer é apenas que um montão de coisas que seriam bem simples de fazer, no dia-a-dia, ou com a boa vontade de alguns governantes, ganhou nomes pomposos, repetidos à exaustão com caras de "conteúdo" e esvaziados na outra ponta do telefone sem fio. Viram palavras enooooooooormes para a gente carregar: sustentabilidade, uma delas. Desenvolvimentista. Vulnerabilidade. Diversidade. Pluralismo. Isso quanto uma não se junta com a outra, tipo pluralismo desenvolvimentista planetário. Palavras boas para brincar de "forca". No meu tempo a maior era inconstitucionalissimamente. Paralelepípedo.

O mundo fica é andando aos pulinhos de 20 em 20. Não salvamos as matas nem descobrimos como eliminar rugas e gorduras indesejadas. Não descobrimos a cura do câncer nem da Aids e ainda estamos mapeando genomas. No nosso adiantado país ainda há - inacreditável!- arrastadas discussões sobre liberar o uso de células-tronco, e as mulheres ainda não podem dispor de seu próprio corpo. Até a Era do Aquário se atrasa quando tem de passar pelo crivo dos parlamentares que temos, em quem votamos porque são os que aparecem para concorrer.

O que me lembrou agora de uma das melhores piadas do ano: esta semana, acredite, a claque da tal CPI do Cachoeira, cachoeira mais seca que as 7 quedas, coitada, já natimorta, vai parar para uma pausa. Não! Não seja tão pessimista! Não é porque estamos em junho e os coronéis das bancadas de uma determinada região queiram ir tomar quentão, dançar quadrilha, olhar a cobra. Não!!!

Este ano, segundo a cara de Pau-Brasil em extinção dos desditos, a pausa será por causa da Conferência pelo Meio Ambiente. Vai mesmo ser demais acompanhar aquelas peças raras trabalhando duro no Rio de Janeiro, lutando pelas árvores, passarinhos, peixinhos, contra o aquecimento global. Estando lá, melhor do que em Paris, às nossas custas, poderão usar bandanas de guardanapos de linho para se proteger dos maléficos raios UVA e UVB, passando óleo de peroba naqueles seus troncos viris.

Mas bem que também poderíamos ser poupados de mais cenas dantescas e vazias que materializam por lá. Juro que vi o nosso chanceler Patriota depositando 10 reais numa urninha para compensar as emissões do uso do avião que fez para ir de Brasília ao Rio. E ele ria. Isso é que é simbólico.

Juro também que queria achar é quem soubesse e calculasse quanto eles deveriam nos pagar por causa das emissões de tantas bobagens que fazem.

Estas, sim, tornam o ar cada dia mais irrespirável.

São Paulo, e alhos e bugalhos inflando um balão de ensaio "mistura tudo, tapa o nariz e bebe" atrás do poder municipal. Telegráfico. PT em SP. A última batalha do pachá, 2012

Marli Gonçalves é jornalista- Você acaso sabia que há um limite para a marcha-a-ré? E que pode ser multado se ultrapassá-lo? Verdade. Um guarda outro dia informou que é de "três carros" a medida legal para uma marcha-a-ré. Cuidado ao engatar. Só eles podem nos atrasar + 50 anos.

sábado, 16 de junho de 2012

Encontros e desencontros

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por João Bosco Leal

Recentemente fui procurado via e-mail por uma carioca, que dizia pretender mudar-se para o Mato Grosso do Sul e que uma de minhas leitoras havia me indicado para se informar sobre detalhes locais. Após alguns e-mails pediu para ser adicionada em minha lista de Skype e lá solicitou várias informações sobre o clima, custo de vida e do metro quadrado construído, pois pretendia adquirir um imóvel em Campo Grande.

Alguns dias depois, como só havia estado no Rio de Janeiro por duas vezes e agora lá estando para realmente conhecê-lo, resolvi me comunicar com a mesma e pedir informações locais. Após dois dias na cidade, fui convidado para, conduzido por ela, conhecer um Rio bem mais completo do que o turista vê, e que convidaria sua amiga, leitora de meus textos, que morava perto de sua casa, para um jantar quando nos apresentaria.

Como aparentemente era uma pessoa educada e culta, que dizia haver sido casada com um ex-diretor da maior rede de televisão do país e já havia citado diversos encontros com pessoas desse meio, resolvi aceitar o convite e realmente fui maravilhosamente ciceroneado pela cidade maravilhosa, conhecendo locais, praias e mirantes onde pude admirar paisagens que provavelmente não são conhecidas pela maioria dos turistas.

Depois saímos para jantar com o casal em que a senhora frequentemente lia meus textos e fiquei muito satisfeito, pois me identifiquei muito tanto com o marido quanto com sua esposa. Tudo perfeito até que fui incumbido de na noite posterior providenciar um churrasco para recepcionar aquele casal em sua casa.

Foi uma experiência péssima, pois apesar da excelente companhia do casal e de uma de suas filhas, além do filho da dona da casa, todos muito agradáveis, cultos e educados, a anfitriã resolveu exagerar no vinho e logo estava totalmente inconveniente, interrompendo a conversa de todos, elevando o som da música de modo que atrapalhava qualquer conversa e apesar de várias solicitações feitas por todos, mantinha o volume elevado.

Quando as visitas se foram e seu filho também saiu para encontrar sua namorada, fiquei só com uma pessoa totalmente alcoolizada, que passou a solicitar um tipo de companhia que eu nunca pretendi e agora menos ainda, pois já enxergava a pessoa de outra forma e detesto bebidas. Sentindo-se rejeitada com a negativa, esta iniciou um verdadeiro ataque verbal sobre mim, o que me obrigou a ir embora imediatamente. Saí da casa e me dirigi à portaria do condomínio fechado, para, com a ajuda do porteiro, solicitar um táxi, porque não sabia sequer o nome da rua onde estava.

Já passando das vinte e três horas, não havia porteiro naquele momento e só me restou voltar até a casa em busca do controle remoto do portão e ligar para o casal que havia ido embora para que me informassem o nome da rua e o número do condomínio para poder chamar um táxi. Em menos de dez minutos o meu novo amigo já estava diante de mim e me levou até sua casa, realmente bem próxima, mas em outro condomínio.

Mesmo estando todos horrorizados com o péssimo nível da pessoa, que apesar dos diversos e luxuosos ambientes que já havia frequentado e países para onde tinha viajado, não sabia se comportar diante de visitas dentro da própria casa, passei a viver momentos maravilhosos, com um casal realmente especial, que fez questão que lá dormisse, para não ter de pegar um táxi na madrugada.

Na manhã seguinte soube de minha leitora que só conhecia a bêbada de aulas de Yoga e que jamais imaginaria um comportamento daqueles, mas resolvemos evitar o assunto e as diversas conversas que tivemos durante aquele dia aumentou minha afinidade com o casal. Conheci uma família de costumes lastreados na mesma educação, cultura e moral que eu, o que me deixou extremamente feliz e compensou minha estadia no local.

Apesar dos riscos de nos depararmos com pessoas horríveis, desequilibradas, durante a vida também podemos encontrar pessoas maravilhosas.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Atrasos na entrega de apartamentos no contexto do desenvolvimento econômico

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antonio Carlos Porto Araújo

A recente ebulição nas vendas de imóveis novos no Brasil é um fenômeno que pode ajudar a equacionar uma grande porcentagem do déficit habitacional. Os últimos anos têm se mostrado incentivadores, inclusive, da economia, com recordes de unidades vendidas, sobretudo de apartamentos novos. As vendas de imóveis na planta são resultados diretos da estabilidade econômica, aumento do emprego formal, abertura de crédito, entre outros mecanismos de fomento.

Sob o ponto de vista jurídico, a modernização do arcabouço regulatório também significou um incentivo importante ao setor que financia a aquisição desses imóveis, com possibilidade mais ágil de recuperar o bem em caso de inadimplência do mutuário.

Ocorre, porém, que junto com esse aumento expressivo nas vendas, vem crescendo em números alarmantes uma verdadeira “bolha” em construtoras que lançaram unidades, prometeram prazo confortável para entrega, mas não vêm honrando as datas previstas.

A grande maioria dos contratos de vendas de imóveis novos já prevê, em cláusula específica, uma elasticidade de até seis meses além do prometido para entrega do imóvel, com o habite-se da prefeitura. Mesmo assim, muitas construtoras não conseguiram se programar corretamente e cumprir o contrato. Não se quer imaginar uma “bolha” de inadimplemento de construtoras como ocorreu no passado com a Encol. Porém, é certo que muitoscompradores veem seus sonhos alterados unilateralmente, por culpa de algumas construtoras.

Em razão disso, o Judiciário está sendo chamado a resolver muitas disputas contra construtoras acionadas por perdas e danos, quebras de contratos e todo tipo de prejuízos que os adquirentes dos imóveis não entregues pleiteiam.

Sob esse ponto de vista legal, vários entraves de acesso à Justiça também desestimulam as alternativas jurídicas,sendo necessária uma prudente análise de risco associada à uma demanda judicial, dadas as características de morosidade da Justiça.

Todavia, em caso de opção por contencioso judicial, várias são as alternativas. Uma delas é a ação com objetivo de notificar a construtora de que ela tem um prazo contratual a cumprir para a entrega do imóvel e que o inadimplemento dessa obrigação causará prejuízos aos clientes, que deverão ser mensurados e ressarcidos, já que a quebra de confiança na construtora dará causa.

Sob o ponto de vista econômico-financeiro, deve-se analisar a compra de um imóvel na planta sob a ótica de investimento e da realidade imobiliária no momento, na região e até mesmo nas perspectivas de valorização, desvalorização ou estabilização do preço. Ao mesmo tempo, analisar as variáveis, como comprar outro imóvel semelhante, com preços atuais na aquisição.

Essa questão econômico-financeira deve ser determinante para o adquirente de imóvel na planta e não pode passar despercebida pelos órgãos reguladores e demais stakeholders envolvidos e interessados na questão. O movimento econômico do crédito imobiliário carrega toda uma cadeia de fornecedores essencial para a economia do País. Além disso, a força de trabalho envolvida vem ajudando o Brasil a manter em níveis controlados as taxas de desemprego.

Antonio Carlos Porto Araujo é consultor de energia renovável e sustentabilidade da Trevisan Escola de Negócios.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dá um desconto?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Eduardo Zugaib

Qual profissional de vendas não encarou essa pergunta no dia-a-dia, seja atendendo diretamente ao consumidor, seja desenvolvendo negócios entre empresas?

Quando o desconto solicitado começa a anular a margem de receita do produto ou a comprometer a qualidade da entrega do serviço, o melhor a fazer é declinar. Comprometer o próprio negócio através de descontos-bomba, que podem tanto estourar no curto prazo das reclamações acerca da qualidade do que foi entregue, como também no médio prazo do desequilíbrio, definitivamente não torna o negócio mais competitivo. Ao contrário, tende a torná-lo mais um sério candidato a engrossar a lista das empresas que fecham suas portas pela falta de planejamento e de criação de valor em seus produtos.

É saudável manter uma margem de negociação junto ao preço, que possibilite oferecer descontos sem comprometer a qualidade, além de treinar os vendedores para lidarem com essa inevitável parte do processo de vendas, para que guardem na manga, como uma vantagem excepcional, o desconto, caso seja realmente inevitável. Seu uso deve ser o de um benefício temporário agregado, não como o principal argumento da venda. Por sua vez, a venda deve consistir na investigação do perfil do cliente que se tem à frente, na correta compreensão de suas necessidades e desejos, na correta abordagem de características e benefícios condizentes com a expectativa do cliente e na construção da percepção de valor do que se vende. Estabelecer uma postura consultiva amplia a margem de respeito, tranquilidade e controle da situação, evitando muitas vezes a necessidade de se invadir a margem de lucro.

Tanto na prestação de serviços quanto na comercialização de produtos, é comum ouvir a promessa de “mercado futuro” de alguns clientes, algo mais ou menos assim: - Faça um preço bem abaixo hoje... daqui a seis meses, vamos estabelecer um contrato que vai gerar muito trabalho para você, blá, blá , blá...

Pela ingenuidade de acreditar que estava prestes a fazer um bom negócio, já caí muito nessa conversa dos “seis meses”. Algumas já duram mais de uma década. E o que acontecia após os seis meses? O pseudo-cliente partia para outra empresa, provavelmente prometendo um mar de lucratividade e parcerias de sucesso, sempre conjugadas em tempo futuro.

Acredite: sua melhor venda pode e deve acontecer agora.

Eduardo Zugaib é escritor, profissional de comunicação e marketing, professor de pós-graduação, palestrante motivacional e comportamental. Ministra treinamentos nas áreas de Desenvolvimento Humano e Performance Organizacional. www.eduardozugaib.com.br

terça-feira, 12 de junho de 2012

Alienação Parental, da lei à doença familiar

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Breno Rosostolato

Em 26 de agosto de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei nº 12.318-10, da alienação parental, que visa proteger a criança ou adolescente da influência e da interferência na formação psicológica promovida ou induzida por parte de um dos genitores. Ou, ainda, por quem cumpre a função materna e paterna, como avós, por exemplo, ou quem tenha a guarda e vigilância da criança e do adolescente sob sua autoridade e que causa prejuízo no vínculo afetivo ou repúdio contra o outro genitor. Richard Gardner, psiquiatra americano, em 1985 propôs o termo Síndrome da Alienação Parental (SAP). Atenção para a questão que não está relacionado apenas à custódia da criança e brigas judiciais entre os pais pela guarda do filho, mas principalmente ao fato de que este é um momento de conflito no seio familiar e com consequências destrutivas para o filho.

A ruptura do casamento gera, em um dos genitores, sentimentos de raiva e ódio e uma tendência vingativa. Isso geralmente acontece quando um dos cônjuges não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, ou seja, a morte daquela relação amorosa e a rejeição. Este processo desencadeia a necessidade de desmoralizar e desqualificar o ex-cônjuge. No centro deste conflito, o filho que é utilizado como instrumento de agressão e esta doutrinação do SAP é um abuso emocional.

A lei visa punir quem fizer falsa denúncia contra o genitor-alvo, familiares ou avós e que dificulte a convivência deles com a criança ou adolescente. Estáprevisto multa, acompanhamento psicológico e a perda da guarda. O monopólio exercido no filho é cruel e doentio, deteriorando-o emocionalmente. As vítimas da Síndrome da Alienação Parental estão propensas à apresentar depressão, ansiedade e pânico, utilizar drogas e álcool, como forma de aliviar a dor e a culpa e ao mesmo tempo, fugir desta dura realidade. As vítimas ainda apresentam baixo estima, baixo rendimento escolar, desenvolver fobias, retraimento social e até vir a cometer suicídio.

Interferir nas visitas, controlando demasiadamente horários e dias, recordar insistentemente de momentos tristes e diminuir a importância do outro genitor com frases como: “Seu pai abandonou vocês”, “Cuidado com o seu pai. Ele quer roubar você de mim” ou “Peça para seu pai comprar isso ou aquilo”, são comportamentos de pais monoparentais e alimentam no filho sentimentos de raiva e ódio a ponto de interiorizar crenças negativas sobre o genitor alienado.

A atmosfera de guerra construída pelos pais é ignorante, pois, os filhos precisam de ambos para crescer e se desenvolver. As funções paternas e maternas devem coexistir na educação e vivências da criança e do adolescente. Mesmo o pai, sem a mãe pode e deve cumprir as duas funções, ou seja, a rigidez e a lei do “não”, a censura, papel atribuído ao pai e o acolhimento e a sensibilidade da mãe e vice-versa. Estes conceitos e sentimentos vão constituir as referências e identificações do filho. O SAP é um agravante social e silencioso e sustentado pelas frustrações pessoais de ambos os pais. Um reforça a destrutividade do outro e para mudar este quadro é necessário um clima de cooperação e ajuda mútua entre os pais. Deve-se extinguir com o conceito equivocado de famílias desestruturadas, mas sim, famílias com novas configurações.

Breno Rosostolato é professor de Psicologia da FASM (Faculdade Santa Marcelina).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

As regras de convivência

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por João Bosco Leal

Certa vez uma pessoa me disse sempre se lembrar de uma imagem que lhe ficou gravada na memória ainda durante sua infância: a dos animais de tração, nos quais são colocados tapa-olhos laterais, para que não consigam ver nada ao seu lado, que concentrem os olhares no horizonte à frente e dessa forma sejam levados a realizar trabalhos que jamais fariam caso soubessem o que estavam fazendo.

Sem que percebamos, no decorrer da vida vamos adquirindo hábitos bons e outros nem sempre recomendáveis, como os modos agressivos de nos expressar, agir ou reagir, conceitos e pré-conceitos sobre tudo e todos ou nos impondo diversas regras que um dia saberemos não terem nenhuma utilidade.

Por esses motivos, em algumas oportunidades tomamos atitudes, dizemos ou escrevemos coisas que não são bem entendidas por quem as vê, ouve ou lê, pois muitas vezes as pessoas entendem o que se fez, disse ou escreveu, de forma totalmente diversa entre elas e também distinta da verdadeira intenção do autor das ações, palavras ou textos.

Entretanto, quando por natureza ou por formação possuímos comportamentos mais rígidos, os que nos são próximos e até os muito queridos passam a interpretar nossas atitudes, palavras e escritas também sem nenhuma flexibilidade, imaginando que queríamos mostrar ou dizer algo diferente do que realmente fizemos.

Diversas coisas nos são ensinadas ou impostas como necessárias, quando muitas são inúteis, guardadas desnecessariamente em nossas gavetas mentais, ocupando espaços que poderiam estar ocupados com algo mais interessante ou limpos e abertos para aprendizados mais importantes.

Se pensarmos nas regras de convivência que nos foram transmitidas durante a vida, assimiladas da maneira como as entendemos e naquelas criadas por nós e adicionadas à listagem geral, veremos que estamos como os animais com os tapa-olhos, pois poucas foram as realmente úteis, mas muitos foram os maus hábitos adquiridos.

Quantas vezes já dissemos palavras desnecessárias, agressivas, que não produziram os efeitos desejados e pioraram as situações?

Explicamos algo que não foi corretamente entendido, muitas vezes provocando afastamentos desnecessários de pessoas, simplesmente por não termos buscado esclarecer?

Ou deixamos de dizer abertamente o que estávamos pensando ou sentindo, perdendo grandes oportunidades que talvez nunca mais voltem?

Sempre pensei que não se deve dizer a uma pessoa que ela "tem que", pois ninguém deve ser obrigado a algo e em conversas com os que me cercam dizia que quando ouvia isso, logo me vinha a vontade de dizer que agora é que "não tenho que mais nada", pois ninguém me obrigará a fazer o que não desejo.

Mas há muito aprendi que regras imutáveis de convivência não existem. O que expressamos hoje, pode não ser o mesmo que estaremos pensando amanhã. O que é válido hoje provavelmente já não o será na próxima década.

A evolução humana é uma constante e graças a ela hoje não estamos como os animais que usam tapa-olhos, olhando somente para o que está à nossa frente, sem acreditar na existência de algo além do horizonte que enxergamos.

Nos mais diversos tipos de relacionamentos humanos, a regra que sempre deve estar presente é o bom senso.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

domingo, 10 de junho de 2012

Por falar em amor

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Marli Gonçalves

Amor que mata e morre. Amor que morre e mata. Um perigo esse negocinho, quando a gente tem, quando a gente não tem. De qualquer forma sempre saímos picadinhos dele, pensa bem. Arrastamos nossas malas para fora da vida de alguém.

Estou muito preocupada com essa moça que acaba de estragar toda a sua vida por ter matado, e bem matado, o homem que devia amar. Se ela não está mentindo fez o serviço completo: pediu uma pizza antes, deu um tiro certeiro, botou para secar, cortou e embrulhou. Levou para passear em malas com rodinhas para nem ter que carregar mais esse peso e jogou fora, no mato, esperando certamente que os bichos comessem, e eles não completaram o serviço. Se eu li direito, depois disso ainda foi comprar uma bolsa de boa marca, talvez para disfarçar; talvez para se distrair; talvez para comemorar.

Não deu bandeira, mas deixou muitas pistas como se quisesse ser descoberta, na simplicidade de pensamento do extermínio que fez de certa forma de sua própria vingança. Esqueceu que um bilionário não pode ficar sumido tantos dias assim. Sempre terá alguém atrás dele; talvez até a(s) amante(s) que estão dizendo seria o motivo descoberto pela esposa. Ou da empresa, para que acabasse de assinar a transferência bilionária da empresa para os americanos.

Ela ficou quietinha, dias, esperando, e a meu ver se preparando para ser presa.

Não há muita, ou melhor, não há nenhuma complacência quando mulheres matam, perceba só. Quando é um homem sempre tem alguém a murmurar que deve ter sido para lavar a honra, forte emoção, até o velho "ela provocou isso". Há dias apenas ouço falar de uma mocinha cruel, que matou um "bom" e ainda mais rico depois da venda de sua empresa, japonês. Ouvi falarem dela, de sua cara de "má", dos cabelos descuidados, o diabo a quatro. Fizeram com que ela não fosse nada: não é advogada, apenas bacharel; fez enfermagem, atirava bem, e armas eram um hobby, e dos dois, talvez? Usava sacos plásticos de lixo azuis, da mercearia da esquina. Usou uma faca Ginsu, de precisão? Uma faca chinesa que não era, certamente, porque essas quebram até cortando pudim.

Não ouvi falarem nada do jeito de sonso do marido morto. Não ouvi comentarem que parece que levavam uma vida muito, mas muito espartana, para o padrão financeiro que dispunham - econômico até. Talvez a avareza esteja nesse caso?

Até agora ninguém contou o outro lado da história - o que ela teria aguentado até explodir e que poderia ser usado como atenuante para um ato tão frio e forte como esse. Ninguém mata e pica por pouco. Não há seguro de 600 mil reais que não pudesse esperar que ela, por exemplo, o envenenasse; ou o jogasse pela janela. O atropelasse sem querer. Ter a ameaça de ser separada da filha pequena, sim; saber que o que não tinha era dado a "outras" ( o moço gostava da "coisa", parece), tenho dúvidas. Mulheres não são - acreditem - tão susceptíveis assim a esse tipo de traição. Coisa mais séria foi. Certeza.

Daqui, de longe, me condôo, porque essa história deve ter muitas pontas, todas dignas de um romance. Um amor normal, um casal tranquilo, nessa felicidade média que apenas entedia quem o vive externamente, para efeito de imagem. Quando explode vem com tudo o que é reprimido. Sempre tive horror às coisas aparentemente normais. Ao senso comum.

Enquanto isso, há semanas, para onde eu olho vejo que pululam corações vermelhos e mensagens doces instando o comércio frenético de um dia inventado aqui no Brasil como o Dia dos Namorados. Na tevê falam até em beijo de língua para vender confecções. Haverá noites promocionais em tudo quanto é canto, e as pessoas farão aquela pose de casal feliz e que torna esse dia um dos mais irritantes do ano. E, dependendo de como você vê o mundo, se está sozinho e não queria, traz em si uma daquelas noites de cortar o pulso ouvindo os dramas cantados pela Adele.

O amor, em si, despedaça. Tenho vários pedaços meus picados largados ao longo da vida. Devo ter feito fatias de muitos também, que essa verdade sempre tem duas vertentes. Quando a gente sai dele - do tal amor descrito com alguém com jeito de anjo e cara marota atirando flechas - às vezes não carrega nada. Ou tem que esperar secar os rios de lágrimas, mágoas, desaforos e ressentimentos. Nem todos conseguem.

E quando honra está em jogo, isso pode acabar ficando ainda muito mais difícil.

Talvez a moça loira que matou, picou e refrigerou só se dê conta do que fez quando esquentar de novo sua cabeça.

São Paulo, com amor para dar e vender, 2012

Marli Gonçalves é jornalista- Acaba de tomar um verdadeiro banho de amor. Mas daquele amor vindo de amigos, de leitores, de pessoas que passaram pela minha vida, neste meu meio século e um pouco mais. Centenas de mensagens, lindas, espontâneas, e o que é melhor, descompromissadas. Por falar em saudades, onde anda você...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Alimentando Além de Sete Bilhões

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Antonio Pagliosa

Observo uma crescente preocupação, particularmente de nossos meios de comunicação, em questionar se o planeta tem recursos e capacidade para alimentar sua população, que cresce ano após ano.

Há muita falácia e boa dose de paranoia sobre o assunto e vejo muito neófitos (reculutas, como diriam alguns), tecendo considerações assaz preocupantes sobre tão palpitante tema. Mas a humanidade está vivendo com celeiros e lagares abarrotados, como nunca em outros tempos; e se há fome em algumas regiões do planeta é por pura ignorância/ganância/prepotência, do bicho homem.

Sou agrônomo e este ano completarei quarenta anos de formado. Para mim, o planeta tem sim recursos naturais suficientes; e o homem contemporâneo domina tecnologia e tem capacitação para produzir alimentos em quantidade suficiente para atender à demanda, para pelo menos, o dobro de nossa população atual. E sem derrubar florestas e sem comprometer a natureza e nosso meio ambiente.

Analisemos especificamente nosso país continente. Apenas nas áreas de cerrado, a maioria destas terras continua do jeito de desde sempre, e só aí há potencial de produção de 200 milhões de toneladas de grãos por ano. Mais que nossa atual produção de 162 milhões de toneladas, e esta terra está toda aí, disponível e improdutiva. Um solo quase estéril, árido, difícil e trabalhoso, mas ávido de cuidados, de correção de sua acidez, de alguns nutrientes e principalmente de água.

Tenho que recordar Israel. Este país tem o tamanho de Sergipe e população de seis milhões de pessoas.É a única democracia do oriente médio e o único país na região onde os direitos do homem e da mulher são iguais. Em Israel há um povo dedicado e estudioso. Ali está a população com o maior percentual de diplomas universitários do mundo. O povo judeu transformou imensas áreas desérticas em oásis de alta produtividade agrícola e pecuária. Dominou a tecnologia de levar água ao pé das plantas (sistema gota a gota) e possui em seu território, mais árvores hoje do que há cinquenta anos atrás. O segredo? Tecnologia e Trabalho!Tiram renda, geram riquezas e melhoram significativamente o solo que cultivam!

Então, apenas domando as áreas de cerrado brasileiro, (sei que isso exige investimento pesado e trabalho árduo, mas os exemplos estão aí), podemos mais que dobrar nossa produção.

Mas, conta na ponta do lápis, é rápido constatar que a produtividade brasileira não alcança 2500 kg de grãos por hectare por ano. Ora, com tecnologia adequada a TODOS nossos produtores rurais é perfeitamente exequível alcançar o triplo desta produtividade.

Nós precisamos dotar quem produz e/ou transforma, com recursos financeiros (crédito), e com tecnologia (há milhares de técnicos e agrônomos e veterinários e zootecnistas e engenheiros agrícolas, fazendo serviços burocráticos em escritórios do estado, ao invés de estarem junto aos ruralistas). Precisamos mudar o sistema e colocar foco no relevante! Arregaçar as mangas e suar a camisa, sempre ajuda!

Esta brincadeirinha de baixar IPI e de dar mais crédito para comprar carro, para aquecer a economia, é de uma miopia e um estrabismo, impressionante. Assustador, para dizer o mínimo!

Precisamos colocar dinheiro em nossa caótica infraestrutura e onde há produção; e não em consumo porque nosso povo está pra lá de endividado. Veja, no mês passado (abril 2012) a taxa de inadimplência bateu todos os recordes desde o ano 2000. A informação é do próprio Banco Central, não é deste humilde escriba!

Segundo Dilma e Mantega e aliados, esta alta inadimplência é função da crise mundial e desta Grécia que não toma jeito. M I S E R I C Ó R D I A, mermão!!!

Com relação à produção de carne bovina, o caminho a percorrer é longo. Estamos com 200 milhões de cabeças ocupando 200 milhões de hectares de pastagens, (dos quais –pasmem-, 90 milhões degradados por erosão ou ervas invasoras). Estamos com um boi por hectare. Dá para multiplicar por três o nosso rebanho, sem aumentar um metro quadrado de pasto. Mas, é preciso orientar o produtor, dar-lhe crédito e assistência técnica. Cuidá-lo porque o ruralista precisa ser visto como fonte de riquezas e não como um mero pagador de impostos.

Pecuária intensiva, com capins de alta performance permitem cinco bois por hectare e boi criado apenas a pasto, reservando o milho e a soja para outras finalidades mais compensadoras. Para fins mais nobres.

Quem trabalha com agropecuária e tem um pouco de noção das tecnologias existentes, sabe que podemos triplicar nossa produção de carnes e de grãos, sem devastar ou derrubar uma árvore sequer. Isso vale para o nosso querido Brasil e para muitos países desta aeronave chamada TERRA.

Os alarmistas de plantão podem dormir tranquilos. E de barriguinha cheia!Glória a DEUS!

Com carinho

João Antonio Pagliosa é Engenheiro Agrônomo pela UFRRJ em 1972 e servo de Deus, a partir de 2007.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O discurso é sustentável, a realidade, nem tanto

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Flavio Ferrari

A sigla "O&M" (organização e métodos) surgiu quando a mais relevante oportunidade para o desenvolvimento das empresas era investir em seus processos. O conceito de "Reengenharia" foi uma evolução do O&M. Convidava a repensar a essência dos processos e da própria estrutura das organizações – pensar "fora da caixa" como se costumava dizer na ocasião.

A idéia de pensar a empresa e seus fornecedores de forma integrada, buscando interesses comuns e engendrando ações que potencializavam resultados, principalmente, por meio do compartilhamento de recursos e ativos, batizada de "Sinergia", foi mais um passo significativo para o desenvolvimento dos negócios. Complicou quando "buscar sinergias" passou a ser sinônimo de "encontrar economias".

Concentrar os esforços na verdadeira vocação (ou missão) das empresas, terceirizando atividades que não fazem parte de seu core business pelo desenvolvimento de parcerias estratégicas, foi um movimento fundamental para conferir maior competitividade. Começou a fazer água quando terceirizar passou a ser uma maneira de transferir mão de obra para pagar menores salários e encargos.

Todas essas iniciativas deixaram saldo positivo. Mas desvirtuaram-se ao largo do tempo, tanto nos objetivos quanto na dose. Um comprimido de vitaminas por dia pode fazer bem. Tomar o vidro inteiro de uma vez, intoxica.

Agora chegou a vez da “Sustentabilidade”, o mais importante conceito estratégico das últimas décadas e, talvez, da história das organizações. Sustentabilidade é um conceito holístico, oriundo de níveis de consciência avançados.

Partimos do pressuposto de que todos os stakeholders, de uma forma ou de outra, investem na empresa e têm expectativas. O conceito de sustentabilidade de um negócio começa com a ideia de que cada uma das partes interessadas esteja recebendo um retorno satisfatório por seu investimento.

As partes seguirão apoiando e participando na medida em que considerem ser essa sua melhor opção, obviamente por critérios distintos, de acordo com seus interesses. Grau de satisfação, taxa de retorno (ou alguma medida equivalente), impacto socioambiental, nível de risco, perspectivas de longo prazo e afinidade com a missão e os valores da empresa são alguns dos critérios considerados para essa avaliação.

Uma estratégia sustentável é aquela que leva em consideração as necessidades e interesses de todos os stakeholders e é capaz de garantir os resultados previamente acordados (ou desejados) pelas partes.

Para que isso aconteça, todas as atividades da empresa precisam estar alinhadas com a estratégia e oferecendo resultados parciais capazes de construir o resultado global.

Pensar de forma sustentável garante a perenidade da empresa por meio do equilíbrio da satisfação dos stakeholders, ponderada por sua relevância.

Não consigo pensar em nenhum outro conceito mais estratégico do que esse para a gestão de uma organização.

Mas a perenidade é uma coisa que demora muito, os acionistas querem mais dividendos, os investidores desejam que as ações aumentem de valor e os executivos não pretendem abrir mão de seus bônus de final de ano (ou de trimestre, nos casos mais graves).

Então, a sustentabilidade se transforma em um lindo discurso sobre responsabilidade para o “Balanço Social” e, dentro de casa (nas empresas), ser sustentável passa a significar reduzir ainda mais os custos para ser competitivo – na prática, aumentar os dividendos, o que beneficia apenas um dos stakeholders.

O resultado da somatória dessas distorções é a gradativa deterioração das organizações. Ou, como diria minha avó portuguesa, "por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento".

Na ânsia de obter resultados de curto prazo os acionistas e investidores estão se comportando como o protagonista da fábula de Esopo: "A galinha dos ovos de ouro", querendo colher todos os ovos de uma vez. Essa certamente não é uma realidade sustentável.

Flavio Ferrari é reconhecido por sua criatividade aplicada ao desenvolvimento de negócios e como um dos primeiros "cool hunter" da América Latina. Atualmente é sócio da UNIT34 – Decisões Estratégicas (www.unit34.com.br), representante no Brasil da Sevendots (www.senvendots.com). Coach associado do CCL – Center for Creative Leadership (www.ccl.org). Consultor especializado em Gestão Estratégica, Processos de Decisão, Inovação e Desenvolvimento de Equipes, com mais de 30 anos de experiência executiva nas áreas de Inteligência Competitiva, Marketing e Comunicação. E-mail: ferrari.unit34@gmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Lei de acesso à informação: vamos exercer a cidadania?

Artigo no Fique Alerta – http://www.fiquealerta.net/
Por Adilson Ribeiro

A prepotência de funcionários públicos que se julgam no direito de não responderem as questões formuladas pelos cidadãos está com os dias contados.

Como se sabe, o acesso a informações públicas está previsto na Constituição Federal. Acontece que está previsto, mas, ainda, não havia sido regulamentado.

Finalmente, em 16 de maio de 2012, entrou em vigor a Lei n° 12.527, que regulamenta o direito de qualquer cidadão ter acesso às informações públicas.

É de se notar que tal Lei havia sido publicada em 18 de novembro de 2011, com a previsão de entrada em vigor 180 (cento e oitenta) dias após sua publicação. Tal prazo entre a publicação e a entrada em vigor da Lei foi determinado com a finalidade de possibilitar a estruturação da Administração Pública para o atendimento da nova demanda.

Torna-se importante destacar que a Lei fixa um prazo para que a autoridade responda as questões a ela formuladas: vinte dias, com prorrogação de mais dez; ou seja, no máximo trinta dias.

Um ponto fundamental para o efetivo cumprimento da Lei é que a mesma estipula penalidades para os funcionários que não responderem às perguntas formuladas pelo cidadão.

Além disso, a Lei acabou com um dos maiores entraves ao fornecimento de informações, ao explicitar que aquele que solicita a informação não precisa apresentar o motivo que o levou a solicitá-la.

Por outro lado, dois grandes problemas serão encontrados para que tal Lei saia do papel a nível municipal: a falta de estrutura das pequenas prefeituras e a falta de cultura da sociedade quanto ao exercício da cidadania.

Com relação ao exercício da cidadania, deve ser destacado o relevante papel que pode ser desempenhado pela mídia regional para que haja uma radical mudança de cultura no relacionamento do cidadão com a Administração Pública. A mídia regional pode não só divulgar os assuntos referentes à Lei, como também estimular o cidadão a questionar as autoridades.

Cumprindo o seu papel, com o objetivo de tornar a Lei de acesso à informação um eficaz instrumento de defesa da sociedade, nosso blog (www.adilsonribeiro.net) divulgará solicitações encaminhadas pelos cidadãos às autoridades de Itaperuna (RJ) e municípios vizinhos. Dois outros serviços serão disponibilizados: caso seja autorizado pelo interessado, divulgaremos as respostas a ele dadas pelas autoridades, e – na eventualidade do descumprimento do prazo legal de trinta (30) dias – poderemos cobrar a resposta do órgão.

Adilson Ribeiro é Radialista, Jornalista e Apresentador de TV.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O aprendizado em três gerações

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

A maioria das pessoas, quando ainda muito jovens já se sentem no direito de discordar de seus pais, de adultos e até de idosos bem mais vividos e experientes do que eles.

É aquela fase do jovem "aborrecente", que pensa já saber de tudo e bem mais do que os outros "velhos, quadrados e ultrapassados", que não sabem de nada, que nasceram no "tempo da onça", quando nem computadores, celulares ou internet existiam.

Que pensa ser muito superior aos mais velhos, simplesmente porque sabe utilizar vários programas de informática ou manusear com facilidade os controles remotos e os novos jogos eletrônicos que seus pais não sabiam sequer que existiam.

Muitas vezes julgam até as atitudes profissionais e comerciais de seus pais, dizendo-lhes como deveriam agir para trabalhar menos e ganhar mais, pois com aquela idade certamente já estariam muito ricos.

Durante essa fase esses jovens sabidos, revoltados por ainda terem de se submeter à determinação dos pais, erram bastante e desnecessariamente, simplesmente por não conseguirem entender que os mais velhos os orientam com amor, exatamente tentando evitar que tropecem ou caiam nos caminhos já conhecidos ou até já experimentados pelos próprios.

Normalmente esse entendimento só ocorre após o nascimento de seu próprio filho, quando sentem por ele o que seus pais sentiram desde a primeira vez que o viram, das noites em claro que passaram sem entender o motivo de seus choros, cuidando de suas dores, febres, inflamações e infecções, até que seu pequeno corpo fosse mais forte e capaz de criar as próprias defesas imunológicas.

A partir desse momento, passam a entender os motivos de certos comportamentos de seus pais que os revoltavam, mas agora fazem o mesmo com seus filhos, insistindo nas orientações sobre a importância dos estudos, das boas companhias, dos motivos para que se mantenham afastado de outras, do risco das drogas e tantas outras recomendações que frequentemente ouviam de seus pais.

Assumindo as responsabilidades de um lar, por vezes se lembram de quantas vezes reclamaram de suas roupas, calçados ou do tempero da comida, sem jamais questionarem quanto custou a seus pais colocar tudo isso à sua disposição.

Começam a entender os motivos pelos quais seus pais tanto pensavam no futuro, no plano de saúde, na escolha das escolas onde estudariam, nas economias para o pagamento de sua faculdade particular e na preocupação com a escolha que faria de sua futura profissão.

Esses jovens - como a maioria de nós -, passaram todo o tempo que viveram junto de seus pais sem entendê-los e discordando deles, perdendo assim a oportunidade de aprender com quem lhes ensinaria com amor, mas só percebem isso quando passam pela mesma experiência, sentindo agora que a discordância dos seus próprios filhos e o fato deles não seguirem muitas de suas recomendações, o que faz com que errem onde não seria necessário.

Tentando fazê-lo entender que no futuro também se arrependerá, o agora pai conta então a seu filho como atualmente se arrepende, de não ter ouvido os mais velhos.

A história se repete geração após geração, com os mais jovens pensando saber mais que os mais velhos, até que sejam eles próprios os mais velhos.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

domingo, 3 de junho de 2012

Vejam só que festa de arromba

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Marli Gonçalves

Bateu um saudosismo musical danado. Daí pensei em várias canções do iê-iê-iê que poderiam ser reescritas com toda essa atualidade a que assistimos apavorados. Para ler cantarolando. De um lado, se lembrar da música; de outro, para disfarçar, porque estamos a 120 por hora. Na ladeira. Abaixo. Dançando a gente já está.

"Vejam só que festa de arromba/Noutro dia eu fui parar/Presentes no local, O rádio e a televisão/ Cinema, mil jornais /Muita gente, confusão/ Quase não consigo/ Na entrada chegar/ Pois a multidão / Estava de amargar/ Hey, Hey!Que onda/ Que festa de arromba"...

Lembrei dessa por conta da CPI do Silêncio, do barulho, do cofre, das vozes finas, das caras de pau e sebo, de tacho. Um balcão de negócios instalado no centro brasileiro de decisões, consumindo verbas, muito noticiário e já parecendo e funcionando como horário político de televisão. Com direito a cenas de telecatch e sexo implícito.

"Essa é uma prova de fogo/ Você vai dizer se gosta de mim /Eu sei que você não é bobo/ Porém seu reinado vai chegar ao fim. Tanto tempo eu esperava/ Você fingia que me amava/ Sorria e até cantava/ Fingindo gostar de mim... Essa é uma prova de fogo/ Você vai dizer se gosta de mim/ Eu sei que você não é bobo/Porém seu reinado vai chegar ao fim/ Porém seu reinado vai chegar ao fim..."

Ora, claro que a Ternurinha só podia nos fazer recordar daquela meiga e insinuante troca de mensagens do deputado que ama o governador que ama o deputado, e ambos amam troçar com nossa cara. De preferência, em Paris, bebendo bons vinhos com guardanapos amarrados na cabeça e solas vermelhas dançando o tchan. Do alto de grandes obras com letras gregas. E ainda falam do bicheiro, que vai acabar saindo dessa como santo se as coisas continuarem nessa toada "nós é teu".

Não bastasse, os tais três, quatro, cinco ou seis poderes se encalacraram. O ex-presidente que resolveu que é onipotente e todo-poderoso atrai um ministro da Suprema Corte para uma conversinha de pé de orelha intimidatória e vexatória. Foi um tal de cair na entrada, e na saída deixar um borrão. O dono da casa do bordel desconversou. O frequentador reclamou e o exército nonsense saiu em campo, com xingação para tudo quanto é lado. Daí, como se tudo estivesse a mil maravilhas, o trapalhão vai no programa do Ratinho pisar na cabeça da lei eleitoral, levando pelo braço seus meninos mimados para apresentar à multidão. Conta histórias de rabadas e feijoadas, e cospe fogo e bílis pela garganta recém recuperada.

Isso não pode fazer nada bem nem para ele, nem para ninguém. Mas aquele senhor, antes até respeitável, está na fase "cantando de galo".

Eu sou terrível, e é bom parar/ De desse jeito, me provocar/ Você não sabe, de onde eu venho/ O que eu sou, e o que tenho/ Eu sou terrivel.../Estou com a razão no que digo/ Não tenho medo nem do perigo...

PIB, PIBINHO, e o negocinho ficando feio. Calcinhas caindo do bolso. Indústria estrilando. Negócios fechados desfeitos depois que sigilos são abertos, sendo que antes eram maravilhosos. Castelos de cartas. E estádios e estradas trucadas.

Stop! Com Rolling Stones, stop! Com Beatles songs! No peito um coração não há, mas duas medalhas sim. Tatá-ratatá... Tatá-ratatá...

Nos últimos dias foram mesmo surpresas em cima de surpresas. Teve Xuxa abrindo o coração e, ao explicar seus problemas emocionais e de relacionamento, mostrando-se inteiramente psicoanalisada. Em vez de ouvirem seu grito, seja como for de alguém que não me pareceu nem um pouco pedindo ou não aprovação, teve quem - juro - falasse que ela estava querendo se promover. Como se ela precisasse, coitadinha, pobrezinha, tão feinha e necessitada que é... O que ela promoveu, e merece muitos aplausos por isso, é que o assunto do abuso sexual contra crianças e adolescentes foi falado, mesmo que por pouco tempo, mas como há muito não se via. Pena que por pouco tempo.

Inveja, caros, cada vez percebo mais isso, é triste demais. Faz mal. Embota pensamento, confunde o que deve ser visto. Tem muita gente com inveja, por exemplo, dos milhões que o advogado do Cachoeirinha diz que vai mesmo receber é "dos amigos dele". Com seu nariz de cheirar o ar para ver se alguém soltou, até o causídico entrou no bombardeio, caldeirão. Não é este o problema central. Não quero ser chata, mas há outro argumento. Adivinha quem foi o chefe do chefe dos policiais de um tempo de operações federais que levaram à esta situação? Ficou uma coisa "eu te prendo, mas te livro dessa, pode deixar". (Antes que venham me corrigir, recordo que depois do Narizinho, entrou o bigode gaúcho, mais um zero posto à esquerda).

Para finalizar apareceu uma droga sintética americana que - acompanhe - cria alucinações tão fortes que levam ao canibalismo. Bem, canibalismo real. Porque gente destroçando gente por ânsia de poder, de dinheiro, de sacanagem, já tem até demais.

E nem precisam tomar droga nenhuma.

São Paulo, 54 anos depois que cheguei ao mundo, 2012

Marli Gonçalves é jornalista - Pode tirar/ O seu time de campo/ Pois o meu coração/É do tamanho de um trem/ Iguais a você/ Eu já peguei mais de cem/ Pode vir quente/Que eu estou fervendo...Se você quer brigar e acha que com isso/ Estou sofrendo? / Se enganou, meu bem/ Pode vir quente/ Que eu estou fervendo...


PS: Fiz uma seleção especial de filminhos relacionados com essas canções, incluindo a troça com o mensalão, e a versão de Rita Lee para a festa de arromba. Se puder, vai assistir lá no meu blog - http://marligo.wordpress.com/  Vou ficar feliz com sua visita.