quinta-feira, 26 de abril de 2012

Automóveis e bicicletas – 2


Artigo no Fique Alerta – www.fiquealereta.net
Por Célio Pezza

Recebi inúmeros e-mails de ciclistas indignados pela minha crônica anterior sobre a convivência pacífica entre bicicletas e automóveis nas vias de grande trânsito, como se eu fosse contra as bicicletas. Na verdade sou contra a morte de ciclistas, coisa que vemos, infelizmente, com grande frequência nas grandes cidades. Reitero minha posição de que deve haver um espaço separado para as bicicletas que evite uma colisão por imprudência de um ou outro.

Não vejo como uma lei que estabeleça uma distância mínima de 1,5m possa ser respeitada, pois inúmeras vezes um ciclista nem é visto quando está ao lado de um veículo grande. Sabemos que nosso trânsito é caótico, que não temos um adequado sistema de transporte público e que nossos motoristas, em geral, não têm uma educação exemplar. No complicado trânsito de uma grande cidade, a bicicleta será sempre o lado mais fraco. Imaginem uma avenida Marginal qualquer do rio Pinheiros ou Tietê, em São Paulo, cheia de bicicletas andando com os carros.

Alguém, em sã consciência, acredita realmente que não irão ocorrer acidentes? Volto a dizer, imaginem uma cidade onde não existam calçadas para pedestres e que existam leis dizendo que os carros devem andar a uma distância mínima do pedestre. Dá para imaginar uma convivência pacífica e sem um grande número de atropelamentos? É muita conversa mole, meus amigos. É muita politicagem de quem quer ficar de bem com todos e diz o que as pessoas querem ouvir. Quando alguém põe o dedo na ferida, não gostam, porque dói. Mas devemos lembrar que dói não por causa do dedo e sim porque existe uma ferida aberta.

Sou pai de ciclistas, que não se aventuram a andar em uma avenida de grande trânsito, pois reconhecem o perigo real e têm amor à vida. Quando existir uma forma segura, bem delimitada e separada para os ciclistas, será diferente. Devemos brigar para que essas vias existam, assim como devemos exigir do poder público um sistema de transporte de massa adequado.

Até lá, pegar uma bicicleta e se aventurar no meio de milhares de carros, ônibus e caminhões, será uma aventura que, muitas vezes, terá um final trágico, e não adianta depois do acidente consumado falar que a culpa é deste ou daquele. Uma vida se foi e, nesta hora, discursos e atos de protesto não a trarão de volta.

Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ganhei coragem

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado.

O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem.

Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral.

O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo... Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.

O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido.

O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“...

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

Rubem Alves é Articulista. Originalmente publicado na Folha de S. Paulo, 05/05/2002.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Relacionamentos duradouros

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por João Bosco Leal

Em busca de relacionamentos mais duradouros e até permanentes, todos questionam as atitudes necessárias para que isso ocorra, como paciência, diálogo, compreensão e renúncia, mas na realidade não existe uma fórmula para a felicidade de um casal.

As paixões iniciais são passageiras e o que realmente perdurará, a amizade, a cumplicidade e o companheirismo, podem e devem ser criados com o tempo.

Em décadas passadas - e em determinadas culturas ainda agora -, os casamentos eram determinados pelos pais, com os noivos ainda crianças. A submissão feminina da época ou em países com essas culturas é que determinava a longevidade dos casamentos, independentemente se promovendo ou não a felicidade do casal.

Atualmente, na maioria dos países, as pessoas podem passear e caminhar de mãos dadas, assistir a filmes ou peças de teatro, ler livros, frequentar qualquer local ou ambiente e viajar juntas, sem a necessidade sequer de estarem namorando.

Essa convivência certamente poderá aprofundar sua amizade e criar afinidades que as aproximarão cada vez mais, abrindo a possibilidade para um relacionamento com bases muito mais sólidas do que aquele iniciado com uma simples paixão.

Só com a maturidade, quando já não se dá importância para aquelas paixões mais comuns na juventude, de origens físicas e pouco racionais, mas se busca alguém com valores éticos, morais, educação, cultura, interesses e objetivos comuns, se adquire esse entendimento.

Nessa fase, entendemos a importância não só de demonstrar, mas de falar sobre nossos sentimentos, de nos declarar, em particular ou publicamente para a pessoa amada, pouco nos importando o que dirão os que estão próximos.

Já entendemos a importância de interromper a leitura de um jornal para fazer uma declaração elogiando seu par que chega, valorizando sua roupa, sua beleza, o novo corte de cabelo que realçou sua jovialidade, mesmo quando isso não expressa uma realidade cronológica, e possuímos a delicadeza de, voltando do mercado, surpreendê-la por ter adquirido a fruta de sua preferência, ou trazendo-lhe uma flor quando menos espera.

Com atitudes e demonstrações de carinho, afeto, amizade e companheirismo, os laços vão se estreitando, de modo que cada um passe a sentir a ausência do outro e a necessidade de com ele dividir suas ideias, planos, sucessos, dificuldades e frustrações.

A participação de cada um nos mais variados temas da vida de seu par vai tornando o casal mais próximo, íntimo, participativo de detalhes muitas vezes estranhos à própria família do outro. Esse envolvimento cria situações de cumplicidade e amizade raras.

Construído diária e progressivamente sobre raízes sólidas, adubadas constantemente com atitudes pequenas, mas importantes, um relacionamento maduro aumenta à medida que os dois se conhecem, descobrem suas dificuldades, costumes, manias, qualidades e virtudes, surgindo daí o amor verdadeiro, real e duradouro.

Colocando na balança todos estes ingredientes, procurando o equilíbrio, os dois acabarão percebendo que no outro existem muitas qualidades e que o carinho e a cooperação superarão os poucos defeitos de cada um deles.

O relacionamento duradouro é aquele onde existe o interesse mútuo em sua criação e manutenção, mesmo quando inicialmente os parceiros não se amam.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um Sonho de Cinema

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Júnior Silveira

Um filme tem o poder de transformar, de curar, de causar uma revolução nas emoções, sentimentos e pensamentos de um individuo. Quando assistimos a um filme e nos entregamos a tal experiência, estamos diante de inúmeras possibilidades que podem causar impactos importantes em nossas vidas.

O maior poder do cinema está na força de identificação do público com a obra cinematográfica, pois quando assistimos a um filme nos identificamos com personagens, enredos, dramas, às vezes comparando o “final feliz” com a nossa própria vida.

Tudo isso nos faz refletir profundamente sobre nossa personalidade, nossas emoções e até mesmo nosso papel no ambiente em que estamos inseridos. São essas reflexões que, de fato, movem as nossas vidas, dado que são os questionamentos que nos fazem buscar as soluções e os caminhos a seguir.

Um filme pode ser comparado a um sonho, pois em ambos experimentamos sensações que nos permitem refletir sobre nossas vidas, nossas angústias e nossas escolhas. Pesquisas afirmam que, quando sonhamos, o cérebro entra num período em que revive acontecimentos. A função do sonho é nos proporcionar a experimentação de soluções para os problemas e preocupações e, até mesmo, reavaliar sentimentos e acontecimentos.

Sonhar é como vivenciar um filme, pois nos faz pensar, rir, chorar, sentir medo, reviver e relembrar. Ao acordar, lembramo-nos do sonho e passamos a refletir sobre o que sonhamos; passamos a reelaborar o significado do sonho, levando em conta as nossas experiências pessoais.

Um filme proporciona as mesmas emoções e sensações, como se vivêssemos nossa vida dentro de outra perspectiva. Quando se faz uma reflexão entre o que se assiste e o que de fato se vive, um paralelo entre a ficção e o real, é natural se colocar no lugar dos personagens, assim como colocar as soluções e o “final feliz” como expectativas na sua própria vida.

Numa sociedade tão violenta e de degradação de valores, o sonhar tem perdido espaço. Com constantes “más notícias” e instabilidade familiar e social, uma criança pode ter, em vez de sonhos, pesadelos que afetam gravemente sua vida, tornando-a uma criança introspectiva, limitada e cheia de medos.

Na área educacional, o que tem se proposto é o uso das novas e modernas linguagens para proporcionar à criança experiências e vivências que contribuam para sua formação enquanto cidadã. O cinema tem forte influência no despertar do senso crítico e do olhar da criança sob o ambiente no qual ela se encontra, uma vez que, como exposto anteriormente, dá oportunidade a uma reflexão profunda do indivíduo.

O uso das linguagens cinematográficas é uma forte e potente ferramenta para produzir “bons sonhos”, é a oportunidade do aluno “sonhar acordado” e vivenciar um filme fazendo uma reflexão. Esse momento beneficiará o desenvolvimento da criança, estreitando a relação desta com sua realidade, além de permitir o despertar do olhar do aluno sobre ele mesmo.

O cinema traz como resultado o reflexo do ser, reflete para o próprio aluno o que ele é, o que ele quer ser e o que ele pode vir a ser. Fazer da sala de aula um estúdio de cinema é trazer para a escola meios de combater problemas encontrados numa instituição de ensino no que diz respeito ao comportamento e à socialização do aluno.

O cinema proporciona que o aluno “saia do sonho” e pratique em sua vida princípios que o torne um ser humano melhor, com olhar voltado ao próximo e à sociedade, dedicando-se à família e aos amigos e interessando em se desenvolver até o tão esperado final feliz.

Júnior Silveira é Pedagogo, formado em Artes Cênicas; atua como Mediador de Formação em Cinema e Teatro da empresa Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br) no município de Votorantim, São Paulo.

domingo, 22 de abril de 2012

2014: Abre-se uma Terceira Via

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia

As eleições nacionais no Brasil têm seguido uma lógica que permite avaliar as alternativas para 2014. Incluindo a eleição de 1986, por seu caráter Constituinte, podemos dividir essas sete eleições em 3 tipos. As eleições de 1986 e de 1994 tiveram, como vetor conduzinte, planos econômicos ocorridos no ano eleitoral de forte impacto popular em relação à renda e ao emprego: o Plano Cruzado e o Plano Real. Nesse bloco econômico, se enquadra -de forma inversa- a eleição de 2002, em uma conjuntura de grave crise econômica, abrindo a vitória para a oposição.

As eleições de 1989, 2006 e 2010 tiveram como vetor conduzinte o carisma dos vencedores, entendendo a eleição de 2010 como vitória do presidente no auge da popularidade e galopando uma economia artificialmente aquecida.

A eleição de 1998 foi uma eleição a fórceps, onde se combinou o uso do anti-carisma ou do risco de vitória do PT, e de uma economia artificialmente sustentada por populismos -cambial e fiscal. É um caso que se explica conjunturalmente e que só poderia levar a vitória com um condutor de alta respeitabilidade, ao qual a opinião pública não poderia imaginar o jogo que jogava. O custo econômico e político de tais artificialidades foram no pântano do segundo governo, cujo custo de imagem popular se alonga até hoje.

A eleição presidencial de 2014 parte com dois personagens que não são enquadráveis como carismáticos. Um deles, de oposição, será um operador de apoios e alianças, pela credibilidade que tem junto aos políticos, construindo dessa forma o edifício de sua campanha. A outra, sem contar mais com seu Anjo Gabriel, pelos fatores combinados de menor mobilidade por razões físicas e do tempo fora do poder.

Além do mais, não haverá espaço para populismo econômico, sob pena de um desarranjo conjuntural. O quadro econômico de 2013 é de alto risco, com a economia brasileira tendo gasto suas gorduras e resistências em 2012. Mantendo o padrão atual de gestão, a economia em 2014 não favorecerá nem a um nem a outro, nem ao governo nem a oposição.

O espanto do PT com o risco de perda da máquina que montou o levará ao uso desesperado da mesma. O risco de que isso gere uma turbulência econômica produzirá resistências internas e abrirá uma cunha para a entrada do projeto político de seu opositor. 2010, 2011 e 2012, mostram que a presidenta não tem habilidade para competir nesse vetor. Estudos econométricos mostraram que o PT não é o condutor do voto, mas seu líder.

Uma eleição entre máquinas políticas, sem economia como fator decisivo, abre um enorme espaço para uma terceira via: o surgimento de um personagem com dose alta de carisma. É esse o vetor disponível, em 2014. E como política não tem vácuo, o personagem aparecerá, e se tornará competitivo.

Talvez 1989 ajude a entender, com um personagem aparecendo do nada em torno de um "pato laqueado" em Pequim. E a presidenta de imagem insípida, correrá para o Maracanã na expectativa que seja seu único salva vidas. Bem..., pode ser..., mas essa âncora não tem funcionado.

Cesar Maia é Economista. Publicado no ex-Blog de 19 de abril de 2012.

sábado, 21 de abril de 2012

Automóveis e Bicicletas

Artigo no Fique Alerta – http://www.fiquealerta.net/
Por Célio Pezza

Imagine um espaço onde todos os carros e pedestres andem juntos. O que vai acontecer? Com certeza, muitos pedestres serão atropelados. Por este motivo, alguém no passado teve a brilhante ideia de separar os carros dos pedestres e criou as calçadas. Se não existissem calçadas, dá para imaginar o caos no trânsito, com os carros e os pedestres misturados e correndo um para cada lado? Dá para imaginar a quantidade de atropelamentos?

Resumindo a história, cada qual tem que ter o seu espaço, pois é impossível uma convivência sem que um atrapalhe o outro e causem acidentes. Da mesma forma, vemos na mídia uma forte corrente forçando para que os ciclistas andem lado a lado com carros nas grandes cidades. Este é um tremendo erro e quem levanta esta bandeira está no mínimo equivocado. Não dá certo colocar bicicletas e carros no mesmo espaço, da mesma forma que não dá certo colocar carros e pedestres juntos, sem calçadas. Não adianta criar regras ridículas de espaço mínimo entre um e outro, pois além de não serem viáveis, não serão respeitadas nem por um nem por outro.

A questão é simples: proibir bicicletas nas grandes vias das grandes cidades. O trânsito já é caótico e, se formos criar regras para tentar conviver com as bicicletas, irá piorar. Vamos deixar esta baboseira de veículo não poluidor, pois uma bicicleta não é um veículo de transporte nas grandes cidades, sendo mais um veículo de lazer. Pode ser nas zonas rurais, nas pequenas vilas, nas vias de baixo trânsito, mas nunca numa via expressa ou de alto trânsito, como uma Av. Paulista, em São Paulo, ou Av. Brasil, no Rio de Janeiro. Não temos espaços nestas avenidas para construir vias exclusivas para bicicletas e criar regras de distâncias mínimas entre carros e bicicletas não vai resolver o problema. Pelo contrário, as regras servirão somente para morrer mais ciclistas e aumentar a arrecadação com multas.

Da mesma forma que as calçadas foram criadas para o pedestre ir e vir com segurança, isolado dos carros, a única solução é criar um espaço para os ciclistas isolados dos carros. Nos locais aonde isto for possível, que se criem tais espaços e, onde não for possível, que não possam circular as bicicletas. Na verdade, o que realmente precisamos é de um melhor sistema de transporte coletivo para diminuir os carros nas ruas. Até lá, tudo que se diga é baboseira. Ou como dizia meu avô “é uma parolagem amena para acalentar bovinos”, que no bom português quer dizer: conversa mole para boi dormir.

Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Amizades verdadeiras

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por João Bosco Leal

Uma amiga de mais de quarenta anos e que não vejo há mais de trinta, enviou um texto dizendo que havia sonhado comigo, que estava saindo de uma depressão profunda e quando menos esperava eu havia chegado para ajudá-la, para ficar com ela e que, após minha chegada havia sentido muita paz e tranquilidade.

Fiquei extremamente honrado pela amizade e confiança em mim depositadas, mas não pode ser só isso, pensei. Aquela era a mais pura demonstração de uma amizade verdadeira que alguém poderia transmitir, pois era uma declaração de confiança plena, exatamente em seu momento mais difícil, de muita fragilidade.

Existem muitos tipos de amizades, a dos pais, irmãos primos e conhecidos, mas poucas chegam a ser profundas como essa agora demonstrada.

Durante a vida conhecemos muitas pessoas e dezenas ou até centenas delas se tornam nossos colegas, companheiros de trabalho, de luta, de ideal, e normalmente os chamamos de amigos.

São aqueles surgidos durante um baile ou uma viagem, com quem pescamos ou jogamos uma partida, pulamos o carnaval, passamos as férias, estudamos na mesma sala do grupo, colégio ou faculdade.

Entre esses podem surgir alguns que costumamos chamar de amigos do peito, do coração, que são verdadeiros, sinceros ou algumas que podem até mesmo acelerar nossos corações, fazer nossos olhos brilharem, os sorrisos aparecerem com mais facilidade, e se tornar nossa namorada, caminhando por um período ao nosso lado.

Mas as amizades verdadeiras, só muito raramente acontecem. São pessoas mais atenciosas e prestativas conosco, que sabem exatamente quando não estamos bem e estão dispostos a partilhar os segredos, alegrias e angústias das nossas vidas, procurando sempre fazer aquilo que sabem que nos ajudará e deixará feliz.

Os amigos ou amigas verdadeiras são aquelas que, por mais que estejam afastados há décadas, sabemos que com eles podemos contar e com certeza podem ser contados nos dedos de uma só mão.

Já próximo dos sessenta anos, ainda não consigo ultrapassar a contagem dos dedos de uma única mão com o nome daqueles que assim considero, até porque alguns já se foram e muito me orgulho dos poucos que restam, pois tenho a certeza de que com eles poderei contar sempre e em qualquer situação, e eles sabem que o inverso é verdadeiro.

Pessoas assim nos fazem felizes pelo simples fato de um dia terem cruzado por nosso caminho e percorrido um trecho ao nosso lado, quando juntas superamos rampas, descidas, tropeços, quedas e tristezas, demos sorrisos e gargalhadas e até lágrimas derramamos.

Por mais que décadas se passem e que a distância nos separe, elas continuarão onde sempre estiveram, em um cantinho especial, bem no fundo do nosso coração, onde cabem muito poucos, só aqueles marcados por lembranças de momentos maravilhosos que juntos vivemos.

Mesmo incluindo as que não se tornaram nossas amigas, Todas as pessoas que por nossa vida passaram ou passarão são únicas, totalmente distintas e pouco ou muito deixaram de si e de nós levaram, mas naquilo que deixaram ou levaram, certamente o fizeram com uma marca exclusiva.

Observando detalhadamente o que ocorreu em nossos relacionamentos com cada uma das pessoas que passaram por nossas vidas, poderemos facilmente observar que ninguém passou por acaso ou no momento errado, todas nos ajudaram e foram ajudadas, no crescimento de ambas.

A amizade verdadeira nasce de onde ou quando menos se espera e por mais que esteja distante, jamais se ausentará.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Desabafo de uma idosa aos idiotas de plantão

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Autor Desconhecido

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse: - Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu: - Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora.

Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja.

A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

Canetas: recarregávamos com tinta tantas vezes ao invés de comprar outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em "meio ambiente", mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

Agora que voce já leu o desabafo, envie para os seus amigos que têm mais de 50 anos de idade , e para os merdas que tem tudo nas mãos e só sabem criticar os mais velhos.

Autor desconhecido. Texto circula na internet via e-mail.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Intruso no imóvel: despejo ou reintegração de posse?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Daniel Alcântara Nastri Cerveira

O artigo 13, da Lei do Inquilinato, é expresso no sentido de que a cessão da locação, a sublocação ou empréstimo do imóvel, total ou parcialmente, dependem do consentimento prévio e escrito do locador. Sendo assim, salvo autorização prevista em contrato, o inquilino não pode transferir a locação, sublocar ou emprestar (dar em comodato) o imóvel para terceiros sem a anuência escrita do locador.

Se ocorrida a cessão, sublocação ou empréstimo irregular, o novo ocupante do imóvel caracteriza-se como um intruso. Ou seja, detentor de uma posse injusta, que lhe foi transmitida indevidamente.

Diante deste cenário, criou-se uma grande divergência na doutrina e jurisprudência sobre qual é a ação judicial adequada para a retomada da posse do imóvel pelo locador.

Em resumo, existem duas correntes bem divididas: a ação cabível sempre será a despejo e proposta contra o inquilino; ou caberá ao locador optar pela ação despejo contra o locatário ou ação de reintegração de posse em face do intruso.

Os defensores da primeira corrente estão amparados no artigo 5º, da Lei do Inquilinato, o qual estabelece que “seja qual for o fundamento do término da locação, a ação do locador para reaver o imóvel a de despejo”. Ademais, para estes a ação de despejo é a correta, visto que é necessário que primeiramente seja rescindido o contrato de locação com o cedente ou sublocador, ou contra o sublocatário ou cessionários irregulares. Como exemplo de juristas que defendem esta linha de entendimento, temos o saudoso Pontes de Miranda e o Pestana Aguiar.

Quanto à segunda corrente, sustentam os seus idealizadores que, uma vez que a posse injusta configura esbulho possessório, tem-se como apropriada a ação de reintegração de posse contra o ocupante irregular. Visto que a posse não está assentada em contrato de locação e que, mesmo se não for formalmente rescindido o contrato de locação, não é razoável obrigar que o locador tolere “a posse de terceiros em sua propriedade, até que desfeito com o locatário o pacto de arrendamento” (palavras de José Guy de Carvalho Pinto, in “Locação & Ações Locativas).

E, no mesmo sentido, alegam estes juristas que os locadores estariam autorizados a optarem pela ação de despejo contra o inquilino, na medida em que a cessão, sublocação ou empréstimo irregular caracterizam-se com infração legal e contratual. Podemos citar como defensores desta segunda corrente os juristas Maria Helena Diniz, Tucci e Villaça Azevedo, além de José Guy de Carvalho Pinto.

Na prática observamos que, por cautela, os locadores normalmente preferem ajuizar a ação de despejo contra o locatário, tendo em vista que, por vezes, é difícil fazer prova da invasão (especialmente nas locações residenciais). Entretanto, dependendo do caso concreto, a ação de reintegração de posse pode ser interessante do ponto de vista do senhorio, vez que o seu procedimento admite, como regra, pedido liminar, diferentemente da ação de despejo, onde a liminar é exceção.

Daniel Alcântara Nastri Cerveira é sócio do escritório Cerveira Advogados Associados. pós-graduado em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas São Paulo (FGV-SP), pós-graduado em Direito Empresarial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor das obras “Shopping Centers – Limites na liberdade de contratar” e “Franchising – Temas Jurídicos” – daniel@cerveiraadvogados.com.br  

O novo perfil do mercado imobiliário

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Claudio Bernardes

Durante anos, o sonho da casa própria só se realizava para poucos. Uma minoria privilegiada, que não dependia de financiamento ou, com renda elevada e apta a enfrentar rigorosa seleção, conseguia acessar as escassas linhas de crédito. Por duas décadas, imóvel residencial foi artigo de luxo, inalcançável pela classe média brasileira e, menos ainda, pelas famílias de menor poder aquisitivo, onde, aliás, está concentrada a maior parte do déficit habitacional.

De 2004 para cá, com a mudança radical proporcionada pelo novo marco regulatório do crédito imobiliário, esse cenário começou a mudar. O financiamento voltou com força total, com prazo e taxa de juros condizentes com o bolso dos compradores.

E, em 2010, o programa Minha Casa, Minha Vida, abriu a porta da esperança para todos os brasileiros que almejavam a moradia digna, inclusive famílias de zero a três salários mínimos.

O conjunto desses fatores revolucionou o setor imobiliário. As empresas se depararam com a chance de trabalhar para distintas faixas de renda e, naturalmente, tiveram de se organizar para atuar num mercado, agora e finalmente, para todos.

Esse processo se fez acompanhar de certa euforia. Tanto que, em 2010, o segmento de imóveis residenciais registrou números fora da curva, uma espécie de hiperaquecimento que não se sustentou em 2011, haja vista que, como as demais atividades produtivas do país, também o segmento imobiliário refletiu a desaceleração da economia, evidenciada na significativa queda do Produto Interno Bruto.

Todavia, um fato é extremamente positivo: a produção imobiliária está cada vez mais dirigida aos chamados imóveis econômicos, com preços possíveis às classes de menor renda, financiados em até 30 anos.

O balanço anual do mercado de imóveis, realizado com base na Pesquisa Secovi, mostra claramente esse comportamento. A maioria dos lançamentos e das vendas ocorreu no segmento de unidades de dois dormitórios e em regiões diferentes daquelas que tradicionalmente predominavam.

É a máxima de ir onde a demanda está, o que seria totalmente saudável se, em alguns casos, esse movimento não tivesse motivos outros, como a carência de terrenos em regiões mais centrais (os poucos disponíveis têm preços proibitivos), ocasionada por legislação inadequada e mesmo o uso insuficiente de instrumentos como outorga onerosa e operações urbanas. E se tivéssemos modelos de ocupação urbana mais racionais, ou mesmo novos polos autossustentáveis, com trabalho, emprego, cultura e lazer centralizados, resolveríamos problemas graves, como o da falta de mobilidade resultante do trânsito caótico.

Mas, apesar de todos esses obstáculos, o mercado adquiriu novo perfil e se voltou fortemente para o segmento econômico, acompanhando o crescimento da classe C que, em âmbito nacional, terá 113 milhões de pessoas em 2014, e da classe E, nova emergente, que somará 40 milhões de brasileiros no mesmo período (quando haverá apenas 16 milhões de cidadãos ocupando a classe E).

Para se ter uma ideia, no ano passado, os lançamentos de unidades de 2 dormitórios predominaram em todas as zonas da capital paulista, e somaram 13,3 mil do total de 28,4 mil residências vendidas.

Os vencedores da última edição do Top Imobiliário, prêmio do jornal O Estado de S. Paulo conferido com base em ranking da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) e com apoio do Secovi-SP, reafirmam o que revelou o balanço feito pelo Sindicato.

Os lançamentos realizados pelas empresas premiadas se concentraram nas unidades de dois quartos, e houve grande destaque para os apartamentos de um dormitório, que registraram crescimento de 54% no total de unidades.

Tais fatos mostram não só a desenvoltura e o profissionalismo do mercado, mas sua grande importância e fundamental contribuição ao desenvolvimento habitacional do País, justamente nas faixas de renda onde é maior a necessidade de produção.

Este mercado, maduro e consciente, demonstra que o Brasil não pode prescindir de sua atuação firme e permanente na direção do atendimento à forte demanda por habitação que existe em âmbito nacional.

É claro que pensar num mercado para todos significa não deixar de lado nenhum nicho. O segmento de três quartos permanece forte, enquanto que o de quatro dormitórios, embora proporcionalmente muito menor, tem compradores que merecem ser atendidos.

A grande questão é tornar possível que o setor imobiliário possa efetivamente atuar na faixa de zero a três salários mínimos, também nas regiões metropolitanas. Isso implica ter o programa Minha Casa, Minha Vida funcionando a pleno e com valores que permitam sua aplicação nos grandes centros urbanos. Ainda, que as leis de uso e ocupação do solo das metrópoles possibilitem um adensamento inteligente e sustentável. Assim teremos um mercado imobiliário para todos, e cidades para todos.

Claudio Bernardes é Presidente do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, e da Ingaí S/A

terça-feira, 17 de abril de 2012

Uma estratégia para erradicar a miséria

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antoninho Marmo Trevisan

A despeito da ascensão econômica de 53 milhões de brasileiros desde 2003, o País ainda tem cerca de 17 milhões de pessoas vivendo na pobreza. Felizmente, surgem boas perspectivas para promover a inclusão social desse contingente de pessoas, a partir da Estratégia de Parceria do Banco Mundial (BIRD) para o período 2012/2015.

O novo projeto de cooperação, pouco difundido pela imprensa, é sinérgico com o programa de erradicação da extrema pobreza Brasil sem Miséria, cujo objetivo é melhorar as oportunidades socioeconômicas das famílias mais vulneráveis. O foco prioritário é o Nordeste, onde vivem 59% dos extremamente pobres. Também estão previstos investimentos para reduzir a desigualdade em outras regiões e melhorar algumas questões transversais, como a de gênero, por exemplo.

Nos anos de 2012 e 2013, a Estratégia de Parceria prevê investimentos de até US$ 5,8 bilhões em novos financiamentos diretos aos governos Federal, estaduais e municipais. Também estão previstos US$ 2 bilhões em empréstimos a empresas, por parte da International Finance Corporation (IFC), braço do Grupo Banco Mundial para o setor privado. Em 2011, o Brasil já tivera o maior programa de novos negócios e mobilização da IFC em todo o mundo.

Segundo o próprio BIRD, os objetivos prioritários até 2015 são os seguintes: melhorar a qualidade e a cobertura dos serviços para a população de baixa renda, incluindo apoio para o acesso de crianças pobres à pré-escola; aumentar a qualidade e o alcance do sistema de saúde da família; apoio para a expansão da moradia de baixa renda; promover o desenvolvimento econômico e social regional, especialmente ajudando a reduzir a desigualdade entre o Nordeste e as regiões mais ricas do País. Isso inclui a ampliação dos serviços de tratamento de esgoto de 70% para 75% das moradias e investimentos para aumentar a competitividade em transportes e energia limpa.

A nova estratégia ancora-se nos preceitos da sustentabilidade. Prevê a melhoria da gestão dos recursos naturais, incluindo apoio à redução das emissões de carbono na agricultura em pelo menos 100 milhões de toneladas anuais e a expansão das áreas sob proteção ambiental em 15 milhões de hectares, além da prevenção eresistência a desastres naturais. Contempla, ainda, a melhoria da eficiência dos investimentos, inclusive por meio de mecanismos como as parcerias público-privadas.

Esse programa de cooperação contribuirá muito para o sucesso na meta nacional de erradicação da miséria, que vem avançando muito nos últimos anos. A inclusão social e a ascensão socioeconômica de milhões de brasileiros, além de responder aos preceitos do capitalismo democrático, é um dos fatores que mais têm possibilitado que superemos as crises internacionais e mantenhamos aquecido o mercado interno.

Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola deNegócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Nossas diversidades

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Em conversa com uma jovem, percebi que ela não concordou e ficou chocada quando eu disse que o brasileiro ainda não possuía sequer uma raça definida. Informou-me que pessoas não tinham raça, mas sim etnia, e que raça quem tinha eram os animais.

Aleguei que isso pouco importava no sentido que eu estava dando à minha declaração, pois o que estava afirmando é que nosso país é muito novo, repleto de pessoas oriundas de países e continentes distintos, que ainda levaria séculos para que fôssemos fisicamente reconhecidos como nascidos aqui, assim como os japoneses, chineses, árabes ou afrodescendentes são reconhecidos.

Interessante que na sequência da conversa, sem perceber a contradição, ela mesma disse que seus avós eram POI - termo utilizado por produtores rurais para identificar animais Puros de Origem Importada -, árabes libaneses.

Tentava explicar que nossas características físicas ainda são muito distintas, como entre os sulistas e nortistas, e na cidade de São Paulo, em decorrência da enorme concentração de pessoas das mais diversas origens, podíamos ver, com maior clareza, o quanto somos uma população ainda fisicamente indefinida.

Desde a descoberta do país e sua colonização, ocorreram concentrações de povos oriundos de países ou continentes em determinada região do país, como os holandeses no Nordeste e os portugueses e espanhóis no Sudeste e Centro-Oeste, mas todos ainda somente próximos do litoral.

Buscando desbravar o país, o governo incentivou a imigração de milhares de pessoas. Foi quando vieram os japoneses e italianos, que se fixaram na região Sudeste, enquanto alemães foram para a região Sul.

Essas diferenças permanecem até os dias atuais, pois sabemos que, principalmente por suas origens, os sulistas são os mais acostumados a trabalhar em sistemas de cooperativas, como na suinocultura e produção de embutidos derivados da carne suína, enquanto os descendentes de japoneses são os maiores especialistas no plantio de hortaliças e na produção de ovos e frangos.

Séculos se passaram e esses povos foram se locomovendo dentro do país, por conta própria ou com novos incentivos governamentais ao desbravamento, como quando da criação dos estados de Rondônia e Roraima e da rodovia Transamazônica.

Já na década de 70, surgiram as novas fronteiras agrícolas do Centro-Oeste, provocando um enorme fluxo de pessoas para a região, principalmente oriundas do sul.

Toda essa movimentação e os consequentes envolvimentos entre as pessoas que chegavam com as que lá já estavam provocou novas alterações físicas, diminuindo as diferenças entre pessoas dessas regiões e criando novos costumes como o uso do chimarrão na região Centro-Oeste, onde só existia o tereré.

Atualmente, é muito comum vermos, em diversos estados com grande concentração de gaúchos, os chamados CTGs - Centros de Tradições Gaúchas - ou os bailes de forró na cidade de São Paulo, e apesar de todos saberem suas origens, come-se vatapá, farinha de mandioca e pão de queijo em todas as regiões do país.

Era o que estava tentando explicar, que ainda demorará séculos para que consigamos ter um Brasil com pessoas que possuam os mesmos traços físicos e tenham as mesmas culturas, mas podemos nos orgulhar de, mesmo muito miscigenados, ou talvez justamente por isso, sermos esse povo sem preconceitos, disposto a novas assimilações, pacífico e ordeiro.

Ainda levará séculos, mas de nossa miscigenação estamos criando a maior raça, a de todos.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

domingo, 15 de abril de 2012

Odeio essa tal linha do tempo

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves

Detesto qualquer coisa que já chegue imposta, virtual ou real. Coisas que a gente tenha de reaprender a usar, sendo que antes estava tudo bom e ninguém pediu para mudar. Há coisas que precisam ser clássicas, tombadas, imutáveis, e respeitada a vontade de mudar ou não; outras, irrequietas e mutantes

Não dá risada, vai! Quem me conhece sabe que, se tem uma coisa da qual não posso ser acusada ou chamada nunquinha é de ser conservadora; ou clássica, ou careta, ou qualquer coisa relacionada à paradeira, estática. Sou longe de ser o que chamam de convencional. Aqui e ali, sempre - e de forma natural - estive à frente do meu próprio tempo, o que me levou a aventuras (e muitas desventuras) precoces. E conhecimentos e aprendizados precoces, também, mas dos quais muito me orgulho.

Sendo assim, com todas as letras, posso falar?: eu odeio essa tal linha do tempo. Entenda como quiser. Falo diretamente da virtual, do Facebook, que agora está sendo imposta em todos os perfis, um saco, cheia de anúncios, confusa; mas respingo também na linha do tempo real, a que prende, delimita você em limites do passado, do presente e no futuro, quanto te costura na mídia social.

Gosto de arejar, acho que tudo tem, precisa e deve ser arejado, por melhor que seja. Mas ar livre, não condicionado. O arejar vem com a suavidade, escorrega, e quando você percebe já aceitou, se adaptou. Ultimamente as coisas mudam como se estalam ovos; no máximo avisam que a partir do dia tal, tal coisa que era assim vai passar a ser assim. E ponto. Gostou, gostou. Não gostou, vá lamber sabão.

Vem de cima, como está virando moda aqui no país tropical e alhures. É MP, decreto, diário oficial para regrar, incluindo leis, capítulos e parágrafos e gêneros. Não é por menos que cada vez mais decisões que dizem respeito até ao comportamento humano estão caindo lá na caixinha dos superiores magistrados. Viraram uma espécie de conselho de sábios e anciões ungidos que leem seus votos por hooooras a fio, para explicar o que decidem, indicados que foram pelas canetas da política. Tudo bem. Pelo menos botam ordem na fuzarca. Mas que eu lembro daquele Conselho do filme original Planeta dos Macacos, ah, lembro!

Deve ser a idade chegando. Fico besta com o tempo. O tempo passando todos os dias. Como as pessoas usam o tempo. Como desperdiçam o seu tempo - o seu, e o deles. O tempo de novos que chegam sem querer nem saber como era, e achando que são novidadeiros porque usam arrobas, enquanto nós a carregávamos. Os tempos dos velhos que não conseguem sair lá de trás, não arredam o pé. Ou novos que tapam a frente, não ajudam a carregar as sacolas de ninguém, como se imortais já fossem.

A linha do tempo real são as nossas rugas, cicatrizes, vitórias e percalços, subidas e quedas. Nossos amores, encantos e desencantos, a genética e os tiques que herdamos de algum canto. Só nós podemos organizá-la, dar importância ou descartar cada ítem. Só nós podemos compartilhar alguns destes momentos. Seja com imagens, seja com conselhos. E só na hora que a gente entender.

Nada é obrigatório?, diria Camões em versos luminosos que às minhas mãos chegaram agora, vindos de uma fundamental cápsula do meu tempo. Escritos em épocas onde o pensamento básico era da imutabilidade, das verdades eternas.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades".

Para finalizar, lindamente:

..."E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía".

Nada de modernidades esquisitas - comer bem não é juntar espuma de chocolate com azeite. Mas Bossa Nova é Bossa Nova, mesmo que 50 anos depois.

São Paulo, onde o tempo e sua linha não param, 2012

Marli Gonçalves é jornalista - Vamos ficando mais velhos e perdemos muito da espontaneidade tão necessária à revolução, e à mudança. Por uma linha do tempo bem mais maleável.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A mais nova simbiose do mundo digital: Facebook & Instagram

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marcos Hiller

Nos seus primeiros dias de vida, o Instagram era composto por quatro pessoas - incluindo seus dois co-fundadores - que trabalhavam amontoados nos primeiros escritórios do Twitter no bairro de South Park, em São Francisco. O Instagram, mais uma start-up da Califórnia, que não tem receita, fez brilhar os olhos de Mark Zuckerberg, que desembolsou um bilhão de dólares para adquirí-la e, com certeza, em breve vai saber como capitalizar muito bem em cima dessa fascinante rede social de fotos.

No veloz e ansioso mundo contemporâneo, comprar o vizinho é a mais rápida estratégia para crescer. Não necessariamente é a decisão mais barata, mas é a mais rápida. Crescer de forma orgânica pode ser mais louvável, mas nem sempre responde à ambição dos acionistas. Assim como o Google há alguns anos comprou o YouTube e o transformou no segundo maior site de buscas do mundo, por trás dessa aquisição do Instagram percebe-se uma visível intenção do Facebook de se tornar ainda mais forte nos dispositivos móveis, e deixar promissores aplicativos longe das garras do Google. O Instagram é uma criação concebida puramente para o universo mobile.

Quem usa o Instagram entende o magnetismo dessa rede social. O conceito realmente é simples e genial ao mesmo tempo, pois faz com pessoas se comuniquem por meio de imagens. A psicologia cognitiva talvez nos ajude a entender esse fascínio, pois ela prega que seres humanos gostam mais de imagens do que de textos. Por esse motivo, praticamente todas as marcas do mundo sempre adotam um símbolo ou uma mascote para acentuar sua imagem junto aos consumidores. E o conceito é simples.

O Instagram é fundamentalmente uma rede social concebida em torno da fotografia, e disponibilizada apenas para uso em celulares (apenas para iPhone da Apple até a semana passada, e agora já disponível também para o “patinho nada feio” Android, o sistema operacional do Google), onde as pessoas adicionam belíssimos efeitos às suas fotos produzidas com a (cada vez menos limitada) câmera do celular e compartilham com os amigos. O Instagram já tem dezenas de concorrentes, mas nenhum outro aplicativo teve uma ascensão tão rápida.

Ninguém perde com a compra do Instagram pelo Facebook. No entanto, alguns fãs torcem para que o Facebook mantenha a originalidade e o conceito do aplicativo devidamente preservado. Pelo menos nesse início de simbiose, tudo deve continuar como sempre foi. Mas, logo após o anúncio da notícia, os usuários mais assíduos do Instagram começaram a expressar descontentamento nas redes sociais. Só o tempo dirá como serão tratados os mais de 30 milhões de usuários que fazem uploads de mais de 5 milhões de fotos ao dia.

Marcos Hiller é coordenador do MBA de Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).

terça-feira, 10 de abril de 2012

Nota Fiscal Paulista: os dois lados da moeda

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Luiz Fernando Nóbrega

O governo de São Paulo liberou no início de abril mais de R$ 900 milhões de crédito do programa Nota Fiscal Paulista. O dinheiro será dividido entre os 12,7 milhões de consumidores cadastrados na Fazenda paulista que informam o CPF no momento de uma compra na padaria, no supermercado, no posto de gasolina, na farmácia, no restaurante, numa loja de eletroeletrônicos, roupas, calçados, perfumes, entre outros.

O programa é uma forma de incentivar o consumidor a pedir a Nota Fiscal e, consequentemente, reduzir a sonegação. Por outro lado, ao fornecer o seu CPF, as autoridades conseguem com isso, além do perfil de consumo do contribuinte, um instrumento de fiscalização a mais.

Isso se dá com o cruzamento de dados, que permite também identificar se o padrão de consumo corresponde aos rendimentos declarados do contribuinte. Claro que existem vantagens no programa, como rever parte dos impostos pagos, creditados em conta corrente ou na forma de desconto do IPVA. No entanto, o contribuinte precisa ficar atento para não cair em armadilha.

Trata-se de um raciocínio simples. O sistema (fisco) registra como “dono” do dinheiro a pessoa que cadastra seu CPF no momento de uma compra, mesmo se for encomendada por terceiros, como por exemplo, o supermercado para a casa do patrão, o almoço pago pela empresa, o equipamento novo para a sala de ginástica do condomínio e assim por diante. Se isso for uma prática constante, na soma dos dois mais dois, o contribuinte vai demonstrar uma despesa maior do que a sua receita. Nesse caso, o contribuinte será chamado a explicar. Não nos esqueçamos que os programas de controle fiscal estão cada vez mais sofisticados e integrados e permitem a troca de informações muito rapidamente. É preciso ficar atento. No intuito de levar vantagem ao fornecer o CPF para compra de terceiros, o cidadão poderá comprar, também, uma tremenda dor de cabeça.

Claro que receber um dinheiro extra, principalmente em outubro ou abril, é sempre bem vindo. E se nos é dado este direito, por que não rever parte do que pagamos em impostos? Mas é preciso equilíbrio e parcimônia na hora de informar o CPF. Se o contribuinte desejar não perder a devolução do imposto quando a compra for para terceiros, há a possibilidade da doação da nota fiscal para instituições de caráter assistencial. É uma forma de direcionar o crédito do programa para aqueles que realmente necessitam e que vão fazer um bom uso do dinheiro público.

Luiz Fernando Nóbrega é o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. Empresário contábil desde 1996, ele é também professor universitário, pós-graduado em Controladoria e Finanças e Administração de Marketing e Recursos Humanos.

domingo, 8 de abril de 2012

Homenagens educativas

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Baptista Herkenhoff

Este artigo não propõe uma ideia nova, mas valoriza e amplia o que já se faz.

Quando se dá a uma escola ou a uma rua o nome de alguém pretende-se, não apenas prestar uma homenagem a essa pessoa, mas também indicar a vida dessa pessoa como exemplo que merece seguimento.

Alunos e professores conhecem a biografia do patrono das respectivas escolas?

Moradores de uma rua sabem quem foi aquela figura cujo nome está inscrito na placa indicativa?

Tanto na primeira, como na segunda hipótese, a resposta de estudantes e mestres da escola, bem como de moradores da respectiva rua, nem sempre é afirmativa.

Mas, a meu ver, o conhecimento da personalidade homenageada devia ser unânime.

Há uma outra situação que também ocorre: escolas ou ruas que ostentam nomes de pessoas que não são exemplo. Diante dessa situação, os jornais de vez em quando registram movimentos dos interessados diretos para mudar a designação de escolas, ruas, avenidas, praças ou pontes.

Essa reinvindicação é legítima?

Creio que sim.

Como é desagradável, por exemplo, que os moradores de uma determinada rua sejam obrigados a escrever, quando registram o respectivo endereço, o nome de alguém cuja vida e ações não merecem aplauso da maioria.

Creio que é um avanço da cidadania democratizar a escolha de nomes para as diversas homenagens, ouvindo a opinião dos envolvidos.

O silêncio ou quase silêncio, em torno das pessoas que têm valor, não é fato novo. No Brasil, em 1724, foi fundada a Academia Brasílica dos Esquecidos. Exaltando a importância de uma tal academia, escreveu Manoel Bandeira: “Revela desde o nome o propósito de lembrar a Portugal, em cujas academias não tivemos entrada, que havia no Brasil quem se interessasse pelas coisas do espírito"

Em recente artigo no caderno Pensar (de A Gazeta), José Augusto Carvalho trouxe à reflexão coletiva o nome de alguns esquecidos no Espírito Santo: “Grandes nomes de nossas letras permanecem na vala comum da literatura – como chamou Magalhães Júnior ao esquecimento dos pósteros: Elmo Elton, Madeira de Freitas, Ciro Vieira da Cunha, Olival Matos Pessanha, Benjamin Silva, Audifax de Amorim, Hilário Soneghet, Christiano Ferreira Fraga, Eugênio Sette, Newton Braga e outros.”

E conclui sua análise lançando um repto: “Fica o desafio para a edição ou reedição de novas obras de nossos autores mortos. O importante é ter disposição e amor às letras.”

Memória é cidadania. Um povo que não conhece o passado não saberá construir o futuro.

João Baptista Herkenhoff é Supervisor Pedagógico e Professor da Faculdade Estácio de Sá do Espírito Santo. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br Homepage: www.jbherkenhoff.com.br  

sábado, 7 de abril de 2012

Deixando ir

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Em uma rede social encontrei uma frase que me chamou a atenção: "Deixar ir, não significa desistir, mas sim aceitar que há coisas que não podem ser".

Durante a vida, muitas vezes encontramos pessoas que não aceitam abrir mão de uma amizade, namoro, ou qualquer tipo de relacionamento, mesmo percebendo que o que sentem pela pessoa não é correspondido, ou se é, isso não ocorre na mesma intensidade que ele fornece e gostaria de sentir retribuído.

Normalmente essas pessoas ficam magoadas, tristes, sem entender como, ao dar carinho, amizade e companheirismo para uma pessoa, esta não lhe retribui da mesma forma, ou tanto quando está recebendo, mas em seu íntimo ainda possuem uma esperança de que isso possa mudar.

É uma situação bastante desconfortável, mas se analisada pelo outro lado quantas vezes, desde a infância, juventude ou mesmo após maduros já fomos assediados, paquerados ou insistentemente procurados por alguém que pretendia uma maior aproximação, tornar-se amigo e não correspondemos por não termos interesse em qualquer tipo de contato com aquela pessoa?

Quando isso ocorre com nossos próximos em relação a terceiros, normalmente ouvimos que "não dava liga", não sentiu atração de "pele" com a outra pessoa, mas na realidade é uma questão de afinidade, que sem saber por que, sentimos em maior, menor ou em nenhuma intensidade com determinadas pessoas, assim como os pais, que apesar de amarem seus filhos da mesma maneira, possuem diferentes afinidades com cada um deles.

Unidas por motivos distintos e até inexplicáveis, por sensações e sentimentos desconhecidos, durante o relacionamento as pessoas vão afinando e desafinando, errando e acertando, conhecendo coisas e pessoas, aprendendo e tendo novas experiências.

Assim vão sendo moldadas, se transformando e um dia percebem que a pessoa ao seu lado não é mais aquela por quem haviam se apaixonado e que se tornou totalmente diferente do que imaginavam.

Nesse dia, sem que possam explicar ou controlar, aquele sentimento acaba e seu coração faz novas escolhas, o que não significa que dela desistiram ou deixaram de por ela sentir carinho, afinidade ou que a esquecerão, pois fez e continuará fazendo parte de sua vida.

São pessoas ao lado de quem um dia sorriram, choraram, sentiram e foram felizes, mas que já não as satisfazem emocionalmente como no passado. Seu coração agora busca novas e diferentes emoções, que ao seu lado não poderão mais ser sentidas.

Durante a vida estaremos sempre dando início a novas paixões, até que elas sejam novamente interrompidas ao chegar a hora de recomeçar e então continuaremos a busca, imaginando que a próxima poderá ser a tão sonhada, capaz de se transformar no que todos buscam: o verdadeiro amor.

Independentemente da idade, raça, credo ou cor, essa é a maior busca emocional de todo ser humano e quando somos a parte não mais desejada, não há porque não aceitar e deixar ir aquela que, já não sendo mais feliz ao nosso lado, também não nos dará felicidade.

A vida é uma escola onde estamos constantemente sendo moldados, lapidados e chegada a hora de uma nova fase, certamente teremos aprendido algo enquanto durou a última, aumentando assim as chances das próximas serem mais fáceis e de maior aproveitamento.

As únicas pessoas de quem emocionalmente você realmente necessita, são as que provaram necessitar de você.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A violência no Futebol

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Célio Pezza

Infelizmente vemos com freqüência cenas de extrema violência por parte de indivíduos que se intitulam torcedores de um ou outro time de futebol, em especial durante jogos considerados clássicos nas grandes cidades. Esta semana, durante um jogo entre Palmeiras e Corinthians na cidade de São Paulo, assistimos a mais um deplorável espetáculo que teve como desfecho duas mortes e diversas pessoas em estado grave. As imagens na TV mostraram centenas de pessoas armadas com pedaços de pau, canos e armas de fogo, se batendo contra outras, pelo único motivo de serem torcedores de times rivais.

A polícia, impotente e sem a menor chance de conter a onda de ódio que se espalhou pelas ruas, tentava controlar sem sucesso aquela horda de bárbaros. Após a carnificina, aqueles loucos simplesmente entraram no estádio do Pacaembu e foram assistir ao jogo como se nada tivesse acontecido. Como explicar o ocorrido? Como justificar tamanha violência ligada a um espetáculo de futebol, criado para o lazer e diversão?

A única explicação é que o Homem se transformou numa bomba, armada e sempre prestes a explodir. Quando está só, este instinto assassino é bloqueado mais facilmente e o indivíduo suporta sem explodir e mostrar sua verdadeira face; quando se reúne em um grupo maior, como é o caso das torcidas, em especial as uniformizadas, existe o incentivo coletivo e sua parte sombria e assassina vem à tona. É como um lobo da mesma matilha, que quando um deles uiva dando o comando para atacar, todos os outros vão sem pensar. Nesta hora, o aparentemente pacato cidadão se transforma na besta raivosa, como no conto do médico e o monstro. Toda a sua frustração como ser humano, toda sua raiva contra tudo aquilo que o incomoda diariamente, subitamente vem à tona e ele se torna uma verdadeira fera. Parte da humanidade está dando mostras diárias de uma queda brutal e, no fundo, estamos nos acostumando a ela. Esta é a verdade.

Antigamente, quando acontecia um acidente com vítima no trânsito, era uma comoção geral; agora, quem está ao lado pragueja devido ao congestionamento, sem se importar com a vítima. Antigamente as pessoas iam a um estádio de futebol para passar o tempo, torcer pelo seu time e apreciar um esporte. Agora, muitos vão para brigar e extravasar suas frustrações em cima de outro ser humano. No caminho do estádio, matam e desviam dos mortos, sem dar nenhuma importância à vida.

Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com

terça-feira, 3 de abril de 2012

IR dos idosos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Reginaldo Gonçalves

As garras do Leão estão cada vez mais afiadas. A cada momento, novas informações são incorporadas e os cruzamentos dos agentes recebedores e pagadores estão mais refinados. Isso permite que o governo continue arrecadando mais Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas.

A aprovação pela Comissão do Senado da isenção do IR para contribuintes com idade superior a 65 anos – através do projeto do senador Paulo Paim – busca beneficiar quem recebe até o limite máximo pago pela Previdência Social, ou seja, R$ 3.916,20 por mês.

Atualmente a Receitaconsidera para título de isenção, atualizado com 4,5%, os valores fixados no ano anterior (R$ 1.637,11 mensal). Ou seja, já há uma abertura do valor declarado de aposentadoria, cuja limitação vem sendo mantida pelo Ministério da Fazenda. Só que isso não beneficia quem está em atividade, não é aposentado e possui idade superior a 65 anos.

De acordo com a proposta, esse aumento de isenção vai gerar uma redução na arrecadação da Receita Federal por contribuinte que receber dentro do valor máximo da Previdência – R$ 232,07, já descontada a parte previdenciária. A partir de R$ 1.637,11 é obrigatório pagar Imposto de Renda. Com isso, há necessidade de apurar qual será a redução de arrecadação tributária e se o Orçamento Público Federal já tem isso dentro das premissas.

Embora no projeto de lei já foi referendado que esse benefício não será cumulativo através da alteração proposta pelo senador Lindbergh Farias àquele que já foi conquistado pelos aposentados na Isenção para maiores de 65 anos, trata-se de um impacto significativo nas contas públicas. De acordo com os estudos efetuados, talvez nem seja possível aplicá-los. Isso irá depender da análise na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), conforme estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), por haver renúncia tributária.

O que é discutível é que esse benefício, que gerará um impacto social significativo, acabará beneficiando grupos de pessoas que sempre recolheram a Previdência Social pelo teto. Isso significa que a capacidade contributiva é maior do que a população que tem mais de 65 anos (aposentados ou não) e que deixarão de participar com uma fatia do bolo. Para que isso seja possível, poderá ocorrer aumento de carga tributária de outros impostos ou contribuições para manutenção da arrecadação atual.

Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As redes sociais

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Apesar de sempre procurar aprender e participar das novas tecnologias que surgem no mercado, muitas coisas deixam de interessar àqueles que já possuem ou já passaram dos cinquenta e muitos - como eu -, que preferem cada coisa em seu devido lugar, como um celular que seja usado para a comunicação oral e não para ficar sendo teclado o dia todo, em diversas outras atividades além da de telefonar.

Os jovens, ao contrário, são capazes de se reunirem em torno de uma mesa e lá ficarem, durante horas, sem se comunicarem entre si, cada um jogando, recebendo ou enviando e-mails, ouvindo músicas através de seu moderno equipamento smartphone iQualquer, ou até mesmo se comunicando, mas com pessoas distantes dali.

Atualmente podemos participar de diversas atividades tecnológicas que sequer eram imaginadas na minha juventude, como programas de controles financeiros, internet, compras em lojas virtuais, pagamentos de contas, e-mails, sites de notícia, de buscas de músicas e de redes sociais.

Através dos diversos programas de comunicação do tipo Voip, como o Skype, nos comunicamos vendo nossos interlocutores, o ambiente onde estão e o que fazem naquele momento, mesmo que do outro lado do planeta.

No Facebook reencontramos pessoas que não víamos, ou de quem não ouvíamos falar a muitos anos, tornando essa ferramenta muito útil, além de divertida. É uma oportunidade valiosa, gratuita e de fácil acesso para todos o que explica sua popularidade mundial.

Alguns insistem em utiliza-la indevidamente, postando propagandas de seus negócios, assuntos nada interessantes como o que comeu ou comerá no jantar ou sobre programas televisivos nada culturais e bastante emburrecedores como o BBB, desvirtuando a finalidade principal do programa que é a de encontrar, rever ou fazer novas amizades, mas isso faz parte de tudo o que é realmente democrático.

Outro ponto interessante que podemos observar é como as pessoas se respeitam, cada um expondo suas ideias, suas preferências musicais ou políticas e mesmo quando existem discordâncias, isso não provoca nenhum tipo de agressividade ou respostas menos educadas. É a maturidade agindo e a democracia sendo exercitada.

Na rede podemos encontrar, ou saber o que ocorreu com pessoas queridas, que a vida afastou de nossos olhos, mas não de nossas mentes ou corações. Como estão, onde moram, se constituíram ou não família, quantos filhos, netos e tudo mais que a curiosidade humana possa nos despertar sobre pessoas de quem mais nada sabíamos.

Amizades e até amores antigos acabam sabendo da história de vida do outro e mesmo aquelas com quem durante a infância ou a juventude tivemos algum desentendimento, agora nos são queridas, pois a maturidade já nos ensinou o que realmente é importante e desavenças juvenis nada mais significam, ou sequer são lembradas.

Sempre é muito agradável o reencontro com essas pessoas, que tomaram rumos distintos, construíram vidas totalmente diferentes das nossas, mas que nos trazem lembranças diversas da nossa história, da nossa vida.

Nesses reencontros, os sentimentos de carinho, afeição e tantos outros, acabam aflorando até mesmo em pessoas de coração menos sensível, mas incapazes de fugir de sua história, seu passado.

Isso provoca uma onda de bons sentimentos nas pessoas, atualmente tão ocupadas com seus compromissos da vida moderna, que não possuem tempo para viver a vida.

O lado negativo dessas redes é que independentemente de se com amigos, parentes, namoradas ou esposas, as pessoas acabam dedicando mais tempo aos relacionamentos virtuais e menos aos reais.

As redes sociais aproximam as pessoas fisicamente distantes, mas afastam ainda mais as que estão próximas.

João Bosco Leal é Jornalista, escritor e produtor rural - www.joaoboscoleal.com.br