quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sun-Tzu e a campanha eleitoral: Batalhas e pesquisas irrelevantes

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Cesar Maia

Sun Tzu (500 aC) ficou célebre –e sempre atual- com seus ensinamentos em ‘A Arte da Guerra’. As analogias funcionam até hoje no campo político, empresarial, social e pessoal. Numa campanha eleitoral –e a expressão campanha é uma expressão de guerra- a analogia é direta.

Os destaques em ‘A Arte da Guerra’ passam pelo conhecimento do adversário e seu próprio, pelos fatores espaço e tempo, pela unidade de comando, pelos objetivos e –principalmente- pela Estratégia. Sun Tzu lembra que a guerra não é um objetivo em si mesmo. Que o ideal seria vencer sem lutar, sem perdas humanas e sem custo.

Conhecer o adversário e a si mesmo é ponto fundamental para saber que estocadas produzem dano eleitoral progressivo e que afirmações/ações produzem ganho. Sun Tzu não tinha pesquisas a sua disposição: contava com sua experiência, intuição e genialidade. Mas agora há. Um candidato que conhece de fato –com pesquisas de sustentação- seu adversário e –claro- a si mesmo, não deve se preocupar com as batalhas –pesquisa de intenção de voto- durante a campanha. Deve avaliar se sua campanha está produzindo dano eleitoral em seu adversário e reforçando seus próprios pontos fortes –temáticos, sociais e locais. E num quadro de reeleição com visibilidades distintas entre candidatos num quadro continua/não continua no primeiro turno, ter paciência.

A opinião pública se forma por proximidade e por ondas –antípodas- que partem primeiro dos que têm mais informação. A onda começa a partir dos setores de menor renda, em tempo bem maior. A propaganda pode acelerar ou atrasar, não mudar tendências.

Em dezembro de 2010, 55% achavam o governo Cabral ótimo ou bom. Hoje são 30%. A ação da oposição –e os erros dele, consequência da arrogância e sensação de ter todo o poder- produziram danos eleitorais e, principalmente, políticos. Ele já anuncia que sairá –pela porta dos fundos- em dezembro de 2013. As Olimpíadas –como era previsível- deu um fôlego na capital ao PMDB Assim foi também com a Rio-92: a candidata do PDT disparada com apoio das duas máquinas: estadual e municipal. Mas a oposição produziu danos na estadual, que veio em declínio durante a campanha.

As estratégias em uma campanha eleitoral se dividem em dois focos: no processo eleitoral – tática - e na política/estratégia. Mas deve prevalecer sempre a política/estratégia. Ela conduzirá à vitória. O History Channel fez um programa sobre ‘A Arte da Guerra’ de Sun Tzu. Destaque-se dois momentos. Num primeiro – A Ofensiva do TET- em múltiplos locais: todos os confrontos/batalhas foram militarmente vencidos pelo exército americano. Mas os danos na auto-percepção do exército dos EUA, na percepção política internacional, especialmente nos EUA, e na moral dos vietnamitas, conformaram um ponto de inflexão.

Em outro –e esse é um caso "suntzuano" fundamental-, o coronel “Summers” vai a Hanói negociar a retirada do exército dos EUA. Sentam frente a frente, o representante do governo do Vietnam e o coronel dos EUA. O coronel abriu a conversa dizendo: Bem, de qualquer forma, nós nessa guerra não perdemos uma batalha sequer. E de bate pronto o vietnamita respondeu: E isso é absolutamente IRRELEVANTE. Por isso estamos aqui.

Perder em pesquisas de intenção de voto é totalmente IRRELEVANTE, desde que a estratégia esteja avançando, produzindo danos progressivos no adversário e reforçando os próprios pontos vitais. E pesquisas feitas com um lastro na estratégia, que mensurem danos progressivos x afirmação dos pontos fortes permitem acentuar as tendências e aguardar com paciência os dias finais da campanha, com a certeza de um segundo turno inexorável.

Cesar Maia é Economista. Publicado no ex-Blog de 31 de agosto de 2012.

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