sábado, 11 de agosto de 2012

De quotas e cotas

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net  
Por Gil Cordeiro Dias Ferreira

Antes de mais nada, relembre-se aos profissionais da mídia que no Brasil não há “cotas”, e, sim, “quotas” raciais e sociais, em que pesem os esforços dos destruidores do idioma, que insistem em iniciar frases com pronomes oblíquos, redigir e escrever “as milhares” e “as milhões”, referir-se aos “anos sessentas” etc.

Prosseguindo, declaro-me “não branco”, e comprovo: ao concluir um curso de um ano na Inglaterra, em 1986, recebi meu perfil profissiográfico, que, na parte de dados biométricos, campo “cor da pele”, dizia ser eu “schwartzy”, vale dizer, “azeitonado”, ou “negróide” – mesma adjetivação atribuída a meus vários colegas asiáticos-muçulmanos, de tez escura com feições de branco.

Indo além, cursei, entre 1952 e 1956, cinco anos de “Primário” em escola pública – a República do Peru, no Meier, que até hoje existe; os quatro anos de ginásio foram em colégio particular, mas, mesmo assim, tenho 5/9 de ensino médio em escola pública. Por fim, sou maior de 65 anos, e, consequentemente, desfruto de muitas benesses concedidas pelos poderes públicos.

Em face do exposto, requeiro, à luz da legislação “quotista” atual, que a UERJ – a mais próxima de minha casa – me ceda uma vaga (por ser “schwartzy”) e mais 5/9 de vaga (digamos, 26,7 meses em curso de 4 anos, pela escola pública) em curso superior à minha escolha (quero jornalismo, para trabalhar na Globo, como o Bozó), e que todo o processo seja trazido a mim, em minha residência (pela idade).

Sim, já tenho dois diplomas de graduação superior e três de pós-graduação, todos obtidos por vestibular e mérito, mas isso é o de menos, certo?

Viva o Brasil petista!

Gil Cordeiro Dias Ferreira é Administrador.

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