Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
No Rio, a campanha nas ruas está fria. E lá se vão mais de 50 dias. Com uma semana de TV, o quadro ainda é parecido. A desconfiança do eleitor vem agravada pelo julgamento do mensalão do PT, todas as noites na TV, sendo julgados pelo STF, inclusive, dois ex-presidentes do PT. Hoje, os panfletos entregues por cabos eleitorais vão para o lixo logo após serem recebidos. Em outras capitais o ambiente eleitoral é o mesmo.
Num quadro desses, de nada adianta panfletadores, cartazes e carreatas. Exige-se a presença do candidato na rua, abordando o eleitor, se apresentando, antes de entregar qualquer tipo de panfleto para ele. Ser ouvinte, para escutar com calma as críticas, reclamações e propostas. E pedir desculpa se o eleitor não quiser ser abordado.
O pai da microssociologia e da micropolítica é Gabriel Tarde (1843-1904), sociólogo francês. Sua obra capital foi “Les Lois del’Imitation”. Em “Leis da Imitação”, Tarde analisa o processo de formação de opinião a partir das relações diretas entre os indivíduos. Os meios de comunicação, e agora a internet, distribuem informações, que são filtradas pelos indivíduos. Para adotá-las como opinião própria, o indivíduo as testa com alguém que conhece e em cuja opinião confia. Na medida em que haja coincidência, ele afirma a informação como sua opinião e a repassa.
Esse processo ocorre em centenas e milhares de pontos, que vão formando fluxos de opinamento. Alguns são linhas tênues, que desfalecem. Outros fluxos se ampliam e vão avançando com diversas intensidades viróticas.
Para Tarde, há três tipos de indivíduos: os “loucos”, que iniciam fluxos de opinamento. Os “tímidos”, que são repassadores de fluxos. Os “descrentes” são os que quase não repassam os fluxos recebidos e praticamente só ouvem passivamente. Olhando para os meios de comunicação de hoje, que são os mais importantes distribuidores de informação, estes obedecem à lógica da audiência, pois esta define suas rentabilidade e competitividade.
Estrito senso, os meios de comunicação não formam opinião, mas reforçam opinião formada. Mas, como estão inseridos socialmente, seja por sensibilidade, estudos ou pesquisas, dão conta de fluxos de opinamento em formação continuada. Quando propagam esses fluxos, aceleram enormemente a velocidade de transformação deles em opinião pública.
A lógica da internet e de suas redes é essa, agregada à diversidade informacional de hoje. “Louco” é quem cria um fluxo e vê sua repetição às centenas e aos milhares nas ruas e nas redes. "Tímidos" são os mais importantes fatores de multiplicação: são estimuladores de fluxos. São os “tímidos” que garantirão aos fluxos de opinamento a aceleração da formação de opinião e o voto.
O candidato –na micropolítica- deve ser o “louco” na lógica de Gabriel Tarde. E hoje –no quadro frio existente- é dessa forma que aumentarão a probabilidade de se eleger.
Cesar Maia é Economista. Publicado no ex-Blog de 27 de agosto de 2012.
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