Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
As eleições nacionais no Brasil têm seguido uma lógica que permite avaliar as alternativas para 2014. Incluindo a eleição de 1986, por seu caráter Constituinte, podemos dividir essas sete eleições em 3 tipos. As eleições de 1986 e de 1994 tiveram, como vetor conduzinte, planos econômicos ocorridos no ano eleitoral de forte impacto popular em relação à renda e ao emprego: o Plano Cruzado e o Plano Real. Nesse bloco econômico, se enquadra -de forma inversa- a eleição de 2002, em uma conjuntura de grave crise econômica, abrindo a vitória para a oposição.
As eleições de 1989, 2006 e 2010 tiveram como vetor conduzinte o carisma dos vencedores, entendendo a eleição de 2010 como vitória do presidente no auge da popularidade e galopando uma economia artificialmente aquecida.
A eleição de 1998 foi uma eleição a fórceps, onde se combinou o uso do anti-carisma ou do risco de vitória do PT, e de uma economia artificialmente sustentada por populismos -cambial e fiscal. É um caso que se explica conjunturalmente e que só poderia levar a vitória com um condutor de alta respeitabilidade, ao qual a opinião pública não poderia imaginar o jogo que jogava. O custo econômico e político de tais artificialidades foram no pântano do segundo governo, cujo custo de imagem popular se alonga até hoje.
A eleição presidencial de 2014 parte com dois personagens que não são enquadráveis como carismáticos. Um deles, de oposição, será um operador de apoios e alianças, pela credibilidade que tem junto aos políticos, construindo dessa forma o edifício de sua campanha. A outra, sem contar mais com seu Anjo Gabriel, pelos fatores combinados de menor mobilidade por razões físicas e do tempo fora do poder.
Além do mais, não haverá espaço para populismo econômico, sob pena de um desarranjo conjuntural. O quadro econômico de 2013 é de alto risco, com a economia brasileira tendo gasto suas gorduras e resistências em 2012. Mantendo o padrão atual de gestão, a economia em 2014 não favorecerá nem a um nem a outro, nem ao governo nem a oposição.
O espanto do PT com o risco de perda da máquina que montou o levará ao uso desesperado da mesma. O risco de que isso gere uma turbulência econômica produzirá resistências internas e abrirá uma cunha para a entrada do projeto político de seu opositor. 2010, 2011 e 2012, mostram que a presidenta não tem habilidade para competir nesse vetor. Estudos econométricos mostraram que o PT não é o condutor do voto, mas seu líder.
Uma eleição entre máquinas políticas, sem economia como fator decisivo, abre um enorme espaço para uma terceira via: o surgimento de um personagem com dose alta de carisma. É esse o vetor disponível, em 2014. E como política não tem vácuo, o personagem aparecerá, e se tornará competitivo.
Talvez 1989 ajude a entender, com um personagem aparecendo do nada em torno de um "pato laqueado" em Pequim. E a presidenta de imagem insípida, correrá para o Maracanã na expectativa que seja seu único salva vidas. Bem..., pode ser..., mas essa âncora não tem funcionado.
Cesar Maia é Economista. Publicado no ex-Blog de 19 de abril de 2012.
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