sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As podas e irrigações necessárias

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Na juventude, é comum a ilusão de, durante uma paixão, pensarmos que já encontraramos o amor de nossa vida, a pessoa na companhia da qual gostaríamos de construir uma família, passar o resto de nossos dias, envelhecer.

Com o tempo vamos aprendendo que durante suas vidas as pessoas não permanecem as mesmas, passam por transformações à medida que vão vivendo, tendo por experiências, sorrindo ou chorando, ganhando ou perdendo entes queridos.

Observando, poderemos notar como, durante a vida elas mudaram, aprendendo ou não com o que viveram, com suas amizades, discussões, erros e acertos, em seu crescimento cultural, emocional, social ou financeiro.

Notaremos algumas que cresceram em todas essas áreas, outras em nenhuma, e as que subiram em algumas e decresceram em outras, como as que acertaram muito financeiramente, mas perderam em educação e humildade, viraram arrogantes. Podemos nos deliciar com o sucesso alcançado por uns e entristecer com os tropeços de outros, mas sempre será possível ver que todos continuam se transformando, moldados pela vida.

As oportunidades de conhecer pessoas e coisas, surgem diariamente, nos permitindo aproveitar cada uma delas para o nosso crescimento. Cada experiência vivida provoca um novo recomeço, agora sabendo mais um pouco e essa é uma das maiores belezas da vida.

A cada despertar poderemos encontrar uma nova pessoa ao nosso lado, não aquela com quem fomos dormir ontem, mas uma pessoa diferente, que após as os aprendizados do dia anterior, hoje pode olhar tudo por outro ângulo, concordando com coisas que havia discordado e discordando de outras com as quais concordava.

Essa pessoa, quando também vista de outra maneira, mais detalhadamente, pode estar se transformando em uma pessoa diferente da que conhecia, com quem vivia até ontem e se tornando uma pessoa pior, ou muito melhor.

Pode, com seu crescimento, ser agora aquela pela qual você deixará de estar apaixonado, mas a que realmente ama, bem mais profundamente, maduramente e essa sim, será a que na juventude você sonhava e que agora está se revelando.

Como uma casa sonhada por cada um, nossa vida está sempre em processo de transformação, seja na construção, acabamento, pintura, colocação dos móveis, decorada e finalmente, durante seu uso, sendo transformada de acordo com nossas necessidades do momento, repintadas, redecoradas ou recebendo um novo e pequeno adereço sobre um móvel, mas jamais terminará ou será exatamente como a do sonho.

Assim também são nossos sonhos em relação a amizades, namoros, paixões e o amor imaginado como o ideal. Passam por transformações, tanto em nossos desejos, quanto em suas realizações. Assim podemos estar sempre reconstruindo ou reformando algo para melhorar nossas vidas.

Os requisitos que desejávamos encontrar na pessoa com quem gostaríamos de dividir nossa vida também vão mudando com o tempo. Coisas antes importantes agora já não o são, enquanto algumas antes sequer imaginadas passaram a ser fundamentais, o mesmo ocorrendo com nossos parceiros, que deixam de se importar com muitas coisas, e passam a cobrar outras.

O aprendizado e o crescimento de cada ser humano certamente será interrompido antes de totalmente concluído, mas como uma jóia em lapidação, as pessoas vão melhorando a cada dia, e amanhã já estarão diferentes de hoje.

O relacionamento humano está sempre recomeçando, mas como uma semente já brotada, necessita de constante irrigação, podas, desbastes e apoios, para não perecer ou morrer, mas ter um crescimento sólido.

João Bosco Leal - jornalista, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. www.joaoboscoleal.com.br

1 comentários:

Anônimo disse...

O grande “engodo” é:
EXISTIR.
Se tomARmos o prefixo EX, de EXterno , então estaríamos "fora". Dizem que estamos fora do pleroma ou plenitude. Particularmente, tenho a DÚVIDA como minha melhor amiga.
O fato é: não sabemos de onde viemos. Não sabemos se continuamos como individualidade após a morte, ou se continuamos de algum jeito.
Com o tempo a realidade vai se “impondo”. Vamos acordando do sono da cama ou da mesa, da auto-estima profissional , da militância em geral.
Não estou amaldiçoando a vida. Cada um “surfa” do jeito que dá.
Os que realmente DECIDEM as coisas estão de parabéns. SERÁ?
Bem, é quase inacreditável que tantas pessoas dêem STOP diante dos “semáforos da vida”! Não tenho receitas para melhorar o mundo, mas sei que podemos nos aliviar da DOR.
Abraço,
Tamanduá.