Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Preparei uma listinha básica de coisas para desejar agora, para mim e para você, esperando que esta mensagem lhe encontre onde estiver. Mesmo que não a leia jamais, mesmo que ela fique presa na caixa de spams, mesmo que você nem me conheça. A esta altura da vida já descobri que nenhuma felicidade pode ser completa, se não fizer a alegria de mais alguém e que não custa nada tentar
Feliz Natal. Jingle Bells! Feliz Ano Novo. Pronto. Dito o geral, sei bem que cada um de nós tem desejos bem particulares que gostaria de poder pedir ao Papai Noel, mas só se este existisse, o que você já deve ter descoberto que não é bem verdade. Como a moda agora é compartilhar tudo, bem, preparei uma lista de itens que não podem faltar neste finzinho de ano, junto com a boa comida, bebida, o sorriso e abraço franco de quem a gente ama.
Queria mesmo, para começar, ter o dom e poder dizer tudo o que você quer ouvir. E que você fale e seja compreendido pelos seus.
Você pode e deve sonhar por um mundo melhor, por uma vida melhor. Porque não?
Você merece. Às vezes é tão pouco o que no seu íntimo deseja que ninguém acreditaria, mesmo se contasse.
Onde estiver, quero que respire o ar puro como o das montanhas. Sinta a brisa do vento como o que bate quando caminhamos leves e soltos numa praia, preferencialmente tranquila, deserta, calma, mas com pelo menos uma barraquinha para a água de coco gelada, o peixe fresquinho, uns camarõezinhos fritos, quiçá uma lagosta. E caso esteja mesmo nas montanhas, dias lindos, cheiro de relva. Se chover, que nada alague. Que ela seja bem refrescante, como era quando éramos crianças e gostávamos de chapinhar na água, ficar debaixo dela, levar bronca depois.
Se viajou, se viajar, uma viagem segura e tranquila. E se houver perrengues pelo caminho - sabe como é - que os resolva de forma bem humorada, sem perder a razão. Que os caminhos levem e tragam você de volta ainda melhor do que foi.
Sei o quanto queria que sua família pelo menos - vá lá - se entendesse, para poder continuar pensando nela como uma família, algo bom. Se tem filhos, que estes tragam mais alegrias do que preocupações, e que eles percebam que mesmo quando erra o faz por amor demais. Talvez até eles tragam outros filhos, e uma segunda chance de ver crescer uma pessoa íntegra, que faça a diferença no futuro, quando não mais estaremos aqui.
Espero que tenha por perto alguém em quem possa confiar, confiando a esse eleito até alguns entre tantos segredos que carrega e às vezes chegam a pesar sobre seus ombros. Que nem agora, nem nunca, seja traído, para não saber jamais a imensa dor que isto causa, para não ter jamais de passar a desconfiar de tudo e todos a partir daí. Para jamais temer o abandono. Para nunca conhecer o terrível silêncio e vazio que se segue ao ver alguém lhe virar as costas quando mais precisa.
Que possa comprar, senão tudo, algumas das coisas que cobiça e que farão - por mais bobas - o seu dia a dia melhor, mais confortável ou divertido. E que ainda sobre algum, para presentear e ver a alegria que dá atender ao sonho de outros, mesmo os pequeninos.
Que ocorra uma mágica de Natal, um bom milagre, à mesa: que tudo esteja ótimo, com bom tempero, fartura. E que você possa comer sem engordar, sem ter problemas, nem com o sal nem com o açúcar, nem com o álcool em boa medida, como se momentaneamente sua pressão e seu índice de açúcar acabem de ser decretados normais e regulares, e assim fiquem por bom tempo. Que possa ainda beber sem tontear, pelo menos nem tanto para fazer besteiras das quais se arrependeria.
Que seu coração palpite no ritmo da boa música que haverá de estar tocando, suave, em volume e em ritmo.
Que sua memória reviva todos os que puder lembrar, e que as lembranças sejam as melhores e possam levar luz e elevação para os seus espíritos. Ou, no mínimo, se for cético, que estas pessoas possam realmente ter mantido suas inscrições no livro de sua vida.
Que na noite de Natal você possa também falar de si próprio, contar as façanhas pelas quais passou, e ser ouvido atentamente. Que ouça delícias de seu amor, ao pé de ouvido, as palavras que sempre espera sejam ditas.
Que possa brilhar como uma estrela na ponta de uma árvore, de verdade, no céu, ou de Natal, em sincronia colorida, como as luzinhas que fazem brilhar os nossos olhos nos enfeites.
Que me queira bem.
São Paulo, iluminada, últimos dias de 2011, e toda esperança nos dias que seguirão.
Marli Gonçalves é jornalista.
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
O Brasil dos sonhos
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antonio Antunes
Hoje vemos grande parte da mídia dando grandes destaques aos R$3,9 milhões encontrados na casa de um bicheiro. Dinheiro este que encheu um carrinho de supermercados. Se acompanharmos com isenção todas as roubalheiras praticadas por ministros, governadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, juízes, desembargadores e membros de nossa Suprema Corte, veremos que necessitaremos de dezenas de milhares de carrinhos de supermercados, ou seja, todos os carrinhos de supermercados de todo o Brasil não serão suficientes para transportar todo esse dinheiro roubado.
Sem querer se alongar nesta roubalheira que envolve trilhões, basta ver a tragédia da região Serrana do Estado do Rio, onde morreram milhares de pessoas e quase um milhar delas ainda continua soterradas, o dinheiro fora todo roubado e os riscos de desabamentos continuam como antes. E não há governador algum, secretário de obras ou prefeito na cadeia. Em um país sério este seria um crime contra a humanidade, porem aqui vemos governadores defendendo o secretário que prevaricou e gastou o dinheiro em orgias e outras coisas. Na estrada que liga o Rio a Angra dos Reis (BR 101), os barrancos continuam do mesmo modo.
Nas favelas do Rio, ao invés de resolver os problemas dos deslizamentos, colocaram sirenes para avisar que parte dos favelados vai morrer soterrada. Cometeram o crime de destruir o Maracanã, mas deixaram o esqueleto para que se tenha idéia de que é uma reforma. Com o dinheiro dessa roubalheira, construir-se-ia um novo estádio em outro ponto da cidade e deixaria o Maracanã para Flamengo e Fluminense, mas aí não teria graça, pois não haveria tanta roubalheira.
Nos jornais de 26/12/2011 é dito que apenas cinco ministérios desviaram 1,1 bilhões de reais. Isto é apenas o que eles apuraram. Se alguém quiser saber o real montante do roubo, basta checar o valor dos bens de todos os políticos. O valor do enriquecimento de nossos políticos é suficiente para salvar a economia de Portugal, Espanha, Itália e Grécia, e, ainda sobraria dinheiro para levar o Brasil para o topo do mundo.
Não podemos esquecer que nossos políticos têm suas economias baseadas somente nos salários de políticos, portanto é fácil apurar o enriquecimento ilícito.
Quase 90% de nossa mídia protege esses corruptos esquecendo que na Argentina a mídia também era dócil e vivia das benesses do governo, até que um dia o governo viu que custava caro comprar o silêncio dessa mídia e agora vemos essa imprensa esperneando e tentando fazer com que toda a imprensa do mundo fique do seu lado. Só que a imprensa externa era mais racional.
Diante disto, e antes que ocorra uma ruptura violenta através de uma secessão, principalmente porque nossa Suprema Corte está também envolvida em maracutaias, como protelar a condenação dos envolvidos no escândalo do mensalão para que haja a prescrição das penas, atrofiar o Conselho Nacional de Justiça para que nada seja apurado contra os membros do STF, conceder asilo com honras e glórias a um assassino italiano, só nos resta dissolver os três poderes.
Depois, eleger por voto popular os ministros do STF e STJ. Cada mandato será de quatro anos, tendo o direito de se candidatar por mais um período. Depois disso não poderá participar de qualquer coisa que envolva o governo. Cada juiz ou desembargador será eleito por concurso ou por voto popular.
Criar um sistema unicameral com 300 deputados federais. Não importa o estado ou município, cada deputado será eleito com 400.000 votos. Não haverá migração de votos de um candidato para outro, com isto, os 300 candidatos mais votados serão eleitos. Haverá estados com apenas um deputado (na realidade será um voto distrital onde todos os distritos terão o mesmo tamanho). Será uma democracia de fato.
Não haverá mais senadores. Será menos políticos para roubar. Os deputados só poderão se reeleger uma única vez e depois não poderão trabalhar em qualquer tipo de lobby que envolva o governo, de modo direto ou indireto. Nenhum político poderá migrar de um partido para outro. Ficam proibidas coligações partidárias.
Todos os políticos terão que prestar contas dos seus bens. Esta prestação de contas será pública.
Cada estado elegerá um governador e não haverá vice. Cada estado elegerá os deputados de acordo com sua população ( um deputado para cada 400.000 eleitores e não haverá quantidade mínima de deputados por estado.
Cada município elegerá um prefeito por período de quatro anos, não podendo se reeleger.
Teremos um vereador por cada 300.000 eleitores e não haverá exceção. Nenhum deputado estadual, vereador poderá se reeleger por mais de um período, nem tampouco trabalhar em áreas que envolvam o governo ou o dinheiro dele. O mandato do presidente da república será de cinco anos. Não haverá reeleição para presidente, governador ou prefeito. Tampouco haverá cargo de vice-presidente, vice-governador ou vice-prefeito.
Nenhum governante poderia fazer propaganda direta ou indireta. Não haverá mais verba publicitária, assim evita-se que um prefeito asfalte alguns metros de ruas e gaste milhões para enganar os munícipes dizendo que foram 700 quilômetros.
Dissolveria os tribunais de conta do estado e da união. Com a proibição da publicidade governamental, a mídia seria o órgão fiscalizador. Todo o político condenado por desvio de dinheiro, mesmo depois de cumprir a pena, só poderia ser solto após ressarcir o governo no total do dinheiro desviado, mais juros e correção monetária.
Em menos de CINCO ANOS, o BRASIL seria talvez a maior potência do mundo.
No início, a Senhora Eliane Calmon seria a interventora.
Isto aqui seria um paraíso. Lá fora o Brasil seria conhecido como o país do presente.
O Conselho Nacional de Justiça teria poderes para fiscalizar todos os poderes da república.
Antonio Antunes é Engenheiro químico.
Por Antonio Antunes
Hoje vemos grande parte da mídia dando grandes destaques aos R$3,9 milhões encontrados na casa de um bicheiro. Dinheiro este que encheu um carrinho de supermercados. Se acompanharmos com isenção todas as roubalheiras praticadas por ministros, governadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, juízes, desembargadores e membros de nossa Suprema Corte, veremos que necessitaremos de dezenas de milhares de carrinhos de supermercados, ou seja, todos os carrinhos de supermercados de todo o Brasil não serão suficientes para transportar todo esse dinheiro roubado.
Sem querer se alongar nesta roubalheira que envolve trilhões, basta ver a tragédia da região Serrana do Estado do Rio, onde morreram milhares de pessoas e quase um milhar delas ainda continua soterradas, o dinheiro fora todo roubado e os riscos de desabamentos continuam como antes. E não há governador algum, secretário de obras ou prefeito na cadeia. Em um país sério este seria um crime contra a humanidade, porem aqui vemos governadores defendendo o secretário que prevaricou e gastou o dinheiro em orgias e outras coisas. Na estrada que liga o Rio a Angra dos Reis (BR 101), os barrancos continuam do mesmo modo.
Nas favelas do Rio, ao invés de resolver os problemas dos deslizamentos, colocaram sirenes para avisar que parte dos favelados vai morrer soterrada. Cometeram o crime de destruir o Maracanã, mas deixaram o esqueleto para que se tenha idéia de que é uma reforma. Com o dinheiro dessa roubalheira, construir-se-ia um novo estádio em outro ponto da cidade e deixaria o Maracanã para Flamengo e Fluminense, mas aí não teria graça, pois não haveria tanta roubalheira.
Nos jornais de 26/12/2011 é dito que apenas cinco ministérios desviaram 1,1 bilhões de reais. Isto é apenas o que eles apuraram. Se alguém quiser saber o real montante do roubo, basta checar o valor dos bens de todos os políticos. O valor do enriquecimento de nossos políticos é suficiente para salvar a economia de Portugal, Espanha, Itália e Grécia, e, ainda sobraria dinheiro para levar o Brasil para o topo do mundo.
Não podemos esquecer que nossos políticos têm suas economias baseadas somente nos salários de políticos, portanto é fácil apurar o enriquecimento ilícito.
Quase 90% de nossa mídia protege esses corruptos esquecendo que na Argentina a mídia também era dócil e vivia das benesses do governo, até que um dia o governo viu que custava caro comprar o silêncio dessa mídia e agora vemos essa imprensa esperneando e tentando fazer com que toda a imprensa do mundo fique do seu lado. Só que a imprensa externa era mais racional.
Diante disto, e antes que ocorra uma ruptura violenta através de uma secessão, principalmente porque nossa Suprema Corte está também envolvida em maracutaias, como protelar a condenação dos envolvidos no escândalo do mensalão para que haja a prescrição das penas, atrofiar o Conselho Nacional de Justiça para que nada seja apurado contra os membros do STF, conceder asilo com honras e glórias a um assassino italiano, só nos resta dissolver os três poderes.
Depois, eleger por voto popular os ministros do STF e STJ. Cada mandato será de quatro anos, tendo o direito de se candidatar por mais um período. Depois disso não poderá participar de qualquer coisa que envolva o governo. Cada juiz ou desembargador será eleito por concurso ou por voto popular.
Criar um sistema unicameral com 300 deputados federais. Não importa o estado ou município, cada deputado será eleito com 400.000 votos. Não haverá migração de votos de um candidato para outro, com isto, os 300 candidatos mais votados serão eleitos. Haverá estados com apenas um deputado (na realidade será um voto distrital onde todos os distritos terão o mesmo tamanho). Será uma democracia de fato.
Não haverá mais senadores. Será menos políticos para roubar. Os deputados só poderão se reeleger uma única vez e depois não poderão trabalhar em qualquer tipo de lobby que envolva o governo, de modo direto ou indireto. Nenhum político poderá migrar de um partido para outro. Ficam proibidas coligações partidárias.
Todos os políticos terão que prestar contas dos seus bens. Esta prestação de contas será pública.
Cada estado elegerá um governador e não haverá vice. Cada estado elegerá os deputados de acordo com sua população ( um deputado para cada 400.000 eleitores e não haverá quantidade mínima de deputados por estado.
Cada município elegerá um prefeito por período de quatro anos, não podendo se reeleger.
Teremos um vereador por cada 300.000 eleitores e não haverá exceção. Nenhum deputado estadual, vereador poderá se reeleger por mais de um período, nem tampouco trabalhar em áreas que envolvam o governo ou o dinheiro dele. O mandato do presidente da república será de cinco anos. Não haverá reeleição para presidente, governador ou prefeito. Tampouco haverá cargo de vice-presidente, vice-governador ou vice-prefeito.
Nenhum governante poderia fazer propaganda direta ou indireta. Não haverá mais verba publicitária, assim evita-se que um prefeito asfalte alguns metros de ruas e gaste milhões para enganar os munícipes dizendo que foram 700 quilômetros.
Dissolveria os tribunais de conta do estado e da união. Com a proibição da publicidade governamental, a mídia seria o órgão fiscalizador. Todo o político condenado por desvio de dinheiro, mesmo depois de cumprir a pena, só poderia ser solto após ressarcir o governo no total do dinheiro desviado, mais juros e correção monetária.
Em menos de CINCO ANOS, o BRASIL seria talvez a maior potência do mundo.
No início, a Senhora Eliane Calmon seria a interventora.
Isto aqui seria um paraíso. Lá fora o Brasil seria conhecido como o país do presente.
O Conselho Nacional de Justiça teria poderes para fiscalizar todos os poderes da república.
Antonio Antunes é Engenheiro químico.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
O peixe morre pela boca
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Célio Pezza
Existe um ditado antigo que diz que “o peixe morre pela boca”. Esta é uma verdade não só para os peixes, mas também para os homens. Nós inventamos tanta porcaria para comer, que podemos dizer sem medo de errar que estamos morrendo pela boca. De algumas décadas para cá, apareceram inúmeras doenças e os homens estão sofrendo de males que no passado não existiam.
Grande parte deste quadro vem, sem dúvida, da má alimentação da vida moderna e da péssima qualidade dos alimentos ingeridos, que são produzidos sem a mínima preocupação com a saúde de quem vai ingeri-los. Existe uma indústria inescrupulosa que produz cada vez mais venenos e agrotóxicos de todos os tipos e os coloca no mercado sob a falsa ideologia de combate à fome e aumento das safras (leiam lucros). Essa indústria diz ao agricultor ignorante que os produtos são necessários e que nas dosagens corretas não fazem mal algum ao ser humano.
Por outro lado, existem os agricultores que sabem dos efeitos destes venenos, mas não se preocupam e usam até em doses maiores do que as recomendadas para que seu produto seja mais bonito. Muitos já ouviram de algum agricultor que para a sua família os morangos e os tomates são outros, aqueles feios que estão plantados em uma pequena horta ao lado de sua casa. Para a venda nos mercados, é a grande plantação, cheia de remédios e venenos. São os mais bonitos, mas, como as sereias, seduzem e matam.
O problema é que esta agricultura criminosa se espalhou de tal forma dentro da nossa cultura, que hoje é muito difícil separar o joio do trigo e não sabemos mais em quem acreditar. Recentemente uma pesquisa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostrou a situação caótica em que nos encontramos inclusive com o uso de agrotóxicos proibidos, que entram ilegalmente no país.
O pimentão, aquele vermelho e bonito que chama a nossa atenção nos supermercados, ficou na liderança, com 92% das amostras contaminadas e impróprias para o consumo. Em seguida, vem o morango (63%), o pepino (57%), alface (54%), cenoura (50%), abacaxi (33%) e muitos outros. Estes venenos têm efeitos cumulativos no organismo e causam inúmeras doenças cardíacas, neurológicas, endócrinas, imunológicas e algumas transmissíveis para a próxima geração.
O antigo ditado é uma realidade que o nosso mundo moderno insiste em não levar em consideração. Enquanto isto, o homem vai ao encontro de seu destino, cada vez mais doente, pelo ar que respira, pela água que toma e pela comida que ingere. Isto é realmente progresso?
Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com
Por Célio Pezza
Existe um ditado antigo que diz que “o peixe morre pela boca”. Esta é uma verdade não só para os peixes, mas também para os homens. Nós inventamos tanta porcaria para comer, que podemos dizer sem medo de errar que estamos morrendo pela boca. De algumas décadas para cá, apareceram inúmeras doenças e os homens estão sofrendo de males que no passado não existiam.
Grande parte deste quadro vem, sem dúvida, da má alimentação da vida moderna e da péssima qualidade dos alimentos ingeridos, que são produzidos sem a mínima preocupação com a saúde de quem vai ingeri-los. Existe uma indústria inescrupulosa que produz cada vez mais venenos e agrotóxicos de todos os tipos e os coloca no mercado sob a falsa ideologia de combate à fome e aumento das safras (leiam lucros). Essa indústria diz ao agricultor ignorante que os produtos são necessários e que nas dosagens corretas não fazem mal algum ao ser humano.
Por outro lado, existem os agricultores que sabem dos efeitos destes venenos, mas não se preocupam e usam até em doses maiores do que as recomendadas para que seu produto seja mais bonito. Muitos já ouviram de algum agricultor que para a sua família os morangos e os tomates são outros, aqueles feios que estão plantados em uma pequena horta ao lado de sua casa. Para a venda nos mercados, é a grande plantação, cheia de remédios e venenos. São os mais bonitos, mas, como as sereias, seduzem e matam.
O problema é que esta agricultura criminosa se espalhou de tal forma dentro da nossa cultura, que hoje é muito difícil separar o joio do trigo e não sabemos mais em quem acreditar. Recentemente uma pesquisa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostrou a situação caótica em que nos encontramos inclusive com o uso de agrotóxicos proibidos, que entram ilegalmente no país.
O pimentão, aquele vermelho e bonito que chama a nossa atenção nos supermercados, ficou na liderança, com 92% das amostras contaminadas e impróprias para o consumo. Em seguida, vem o morango (63%), o pepino (57%), alface (54%), cenoura (50%), abacaxi (33%) e muitos outros. Estes venenos têm efeitos cumulativos no organismo e causam inúmeras doenças cardíacas, neurológicas, endócrinas, imunológicas e algumas transmissíveis para a próxima geração.
O antigo ditado é uma realidade que o nosso mundo moderno insiste em não levar em consideração. Enquanto isto, o homem vai ao encontro de seu destino, cada vez mais doente, pelo ar que respira, pela água que toma e pela comida que ingere. Isto é realmente progresso?
Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Barbas de molho
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Carlos Lessa
Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.
Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc).
Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.
O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes.
A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está "favelizada".
Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico
Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade.
O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma "nova classe média" e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.
É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.
O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China.
O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile - com pretensão de se converter na "Singapura" do Pacífico Sul - e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o MERCOSUL está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.
O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.
Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a "economia de mercado". "Casou" com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas).
O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.
Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na "bola da vez" da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.
O discurso da globalização, a fantasia da "integração competitiva", a ilusão de ser "celeiro do mundo" com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.
Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do "conto do vigário" chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.
Carlos Lessa, professor emérito de economia brasileira, ex-reitor da UFRJ e Ex-Presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.
Por Carlos Lessa
Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.
Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc).
Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.
O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes.
A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está "favelizada".
Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico
Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade.
O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma "nova classe média" e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.
É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.
O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China.
O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile - com pretensão de se converter na "Singapura" do Pacífico Sul - e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o MERCOSUL está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.
O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.
Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a "economia de mercado". "Casou" com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas).
O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.
Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na "bola da vez" da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.
O discurso da globalização, a fantasia da "integração competitiva", a ilusão de ser "celeiro do mundo" com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.
Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do "conto do vigário" chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.
Carlos Lessa, professor emérito de economia brasileira, ex-reitor da UFRJ e Ex-Presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
2012: Vamos fazer amor?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Sabe como é? Depois de tanto tempo escrevendo a gente vai pegando umas manhas de como atrair leitores. Uma das formas é botar sexo no título. Viu só? Você já deve estar aqui comigo, só pela proposta que faço de cara, para a gente fazer junto, mesmo que de forma figurada. Outra, falar mal de alguém que, se for famoso, então...Como quero você aqui até o fim, prometo falar de todas. Ou quase todas.
No nosso meio, de jornalistas, é batata. Você pode se matar no meio de uma guerra, com correspondências diretas da linha de front, pingando sangue. Pode passar dois anos enterrado em uma pesquisa sobre os efeitos das margaridas do campo. Mas nada, nada mesmo, terá tanta leitura quanto uma boa fofoca; se tiver sexo no meio (ops!) estoura. Remédios milagrosos e novas doenças também rendem capas que se esgotam, para desespero dos médicos em geral, principalmente na segunda-feira posterior, quando todos querem tomar aquilo, ou até já apresentam os sintomas descritos. É mais delicado se for falar de política, porque sempre divide opiniões, e você pode até acabar perdendo amigos, ou fazendo inimigos que nem sabe, porque mexe com paixão. Igual futebol. É dura essa vida de dar pitacos nas coisas.
Fez três anos agora que escrevo, religiosamente - não sei bem definir se é artigo, crônica, desabafo, ou manifesto - todas as semanas, com leitores em todo o país, além de muitos desgarradinhos pelo mundo. Chamo a todos de meus leitores queridos que, como ondas, dependendo do assunto, se comunicam diretamente comigo, quando recebem por e-mail. Se falo de política, uma turma; se comento comportamento, surgem outros. Não conheço pessoalmente a maioria, mas de alguns sei mais do que certamente alguns de seus mais próximos, estabelecendo com eles um elo de confiança notável. Agradeço imensamente todos os dias.
Publicada em jornais, sites e etceteras de todo o país, de Norte a Sul, há um outro detalhe: perdi o controle de quem me conhece, me lê, me repassa. Quem espia no Facebook e Twitter.Ou mesmo quem é que aproveita e me visita no meu blog que comecei sem expectativas há pouco mais de um ano e que já atingiu mais de um Maracanã em dia de final. Lá, me divirto, comentando o dia-a-dia, inventando, pescando e caçando nesse mundo no qual ando mergulhada 24/24 horas, sem esquema de plantão, sem folga. Porque a cabeça é a antena que capta e vai junto do corpinho para onde ele vai.
Disse tudo isso porque quero mesmo é rodear este ano que vem, 2012, e que chega pronto a ser um pouco mais do mesmo e também a nos surpreender, pelo bem e pelo mal. Mais uma vez, não precisa ser vidente, o governo fará bobagens que cairemos de pau em cima (ops!), a oposição fará bobagens maiores ainda, o que nos deixará de saco cheio (ops!); escândalos, crimes escabrosos, catástrofes naturais ou vindas de burradas humanas nos mostrarão quão escroques podem ser os homens. Daqui, semana a semana, em meio a dificuldades, vou escrever sobre o que toca, aborrece, acontece, comigo e com você. Representar e apresentar muito do que você queria dizer. Mais do que queria dizer.
Todo ano tenho um mote a seguir, coisa que aprendi com um grande e bem sucedido empresário com quem trabalhei, que mantinha sempre um pé no mundo invisível. O mote que usarei desta vez veio de uma amiga muito querida, que você até conhece e gosta, mas não direi quem é porque não "carece". O que ela me disse será a nossa mágica, a do balacobaco, de um ano par, de transformações e resistências.
Prepare-se. Mais uma vez teremos de nos reinventar diária e continuamente para criar, viver, sobreviver e suportar, no nosso mundo e fortaleza particular, irradiando para os círculos externos que chegam até ao assombroso Universo, que por sua vez já anda desdobrado, com seus planetas e sóis. Ao infinito.
Nessa passagem encontramos a crise mundial. Ou a terrível ameaça maia da qual ouviremos falar - pode es-cre-ver - todo santo dia, e que diz que o mundo vai acabar ou no dia 21, ou no dia 23 de dezembro. Ou nunca. O que só saberemos depois de instalar os enfeites de novo nas árvores de Natal. Vai ser um porre da porra(ops!).
Touradas serão proibidas na Espanha, o verão de Londres será finalmente mais quente com os Jogos de Verão (lá), e nossos soldados devem sair do Haiti que não é aqui. Todas as atividades que o menino Neymar fizer serão notícia no ano de centenário do Santos Futebol Clube.
Queremos saber se eles, o povo de lá, verão a primavera árabe finalmente, enquanto o inverno cala uma Europa dividida, uma América desengonçada, e uma Ásia tomando xarope de crescimento. Os presupuestos latinoamericanos continuarão comme ça: presupuestos. Dois passos para a frente, um para trás, milongueiros, tangueiros, sambados. Batidos e mexidos, 007!
Ih, cheguei até aqui sem fofocar e falar mal de ninguém. Fico devendo.No momento ando mais é querendo saber qual será a moda do próximo verão que nem isso tem tido graça depois do verão da lata, do apito. Quero saber como vão fazer para as mosquitas Aedes pararem de trepar tanto, ter tantos filhos ( e nem ganham bolsa-família). Quero cortar o barato da barata, e agora descobriram lá na África uma barata safa que pula 48 vezes o tamanho de seu corpo. Não quero sonhar com ela, nem com o comentário de meu irmão quando contei sobre a talzinha, qe ele me disse que ela logo poderia chegar aqui de navio. Se tem até carrapato de sofá se mudando para o Brasil, embarcado em cruzeiros ...É, é real.
Vou dizer que quero mais é que, se o mundo for acabar mesmo, que acabe em melado. Ou em chantilly, que é muito mais sexy.
São Paulo, na portinha de 2012, ano bissexto, portanto pode agendar coisas para 29 de fevereiro.
Marli Gonçalves é jornalista. Ainda escreverá um livro com sexo no título, e quem sabe até, talvez, nos capítulos. Mas só depois de publicar esses nossos picadinhos semanais. E se você aceitar minha proposta inicial.
Por Marli Gonçalves
Sabe como é? Depois de tanto tempo escrevendo a gente vai pegando umas manhas de como atrair leitores. Uma das formas é botar sexo no título. Viu só? Você já deve estar aqui comigo, só pela proposta que faço de cara, para a gente fazer junto, mesmo que de forma figurada. Outra, falar mal de alguém que, se for famoso, então...Como quero você aqui até o fim, prometo falar de todas. Ou quase todas.
No nosso meio, de jornalistas, é batata. Você pode se matar no meio de uma guerra, com correspondências diretas da linha de front, pingando sangue. Pode passar dois anos enterrado em uma pesquisa sobre os efeitos das margaridas do campo. Mas nada, nada mesmo, terá tanta leitura quanto uma boa fofoca; se tiver sexo no meio (ops!) estoura. Remédios milagrosos e novas doenças também rendem capas que se esgotam, para desespero dos médicos em geral, principalmente na segunda-feira posterior, quando todos querem tomar aquilo, ou até já apresentam os sintomas descritos. É mais delicado se for falar de política, porque sempre divide opiniões, e você pode até acabar perdendo amigos, ou fazendo inimigos que nem sabe, porque mexe com paixão. Igual futebol. É dura essa vida de dar pitacos nas coisas.
Fez três anos agora que escrevo, religiosamente - não sei bem definir se é artigo, crônica, desabafo, ou manifesto - todas as semanas, com leitores em todo o país, além de muitos desgarradinhos pelo mundo. Chamo a todos de meus leitores queridos que, como ondas, dependendo do assunto, se comunicam diretamente comigo, quando recebem por e-mail. Se falo de política, uma turma; se comento comportamento, surgem outros. Não conheço pessoalmente a maioria, mas de alguns sei mais do que certamente alguns de seus mais próximos, estabelecendo com eles um elo de confiança notável. Agradeço imensamente todos os dias.
Publicada em jornais, sites e etceteras de todo o país, de Norte a Sul, há um outro detalhe: perdi o controle de quem me conhece, me lê, me repassa. Quem espia no Facebook e Twitter.Ou mesmo quem é que aproveita e me visita no meu blog que comecei sem expectativas há pouco mais de um ano e que já atingiu mais de um Maracanã em dia de final. Lá, me divirto, comentando o dia-a-dia, inventando, pescando e caçando nesse mundo no qual ando mergulhada 24/24 horas, sem esquema de plantão, sem folga. Porque a cabeça é a antena que capta e vai junto do corpinho para onde ele vai.
Disse tudo isso porque quero mesmo é rodear este ano que vem, 2012, e que chega pronto a ser um pouco mais do mesmo e também a nos surpreender, pelo bem e pelo mal. Mais uma vez, não precisa ser vidente, o governo fará bobagens que cairemos de pau em cima (ops!), a oposição fará bobagens maiores ainda, o que nos deixará de saco cheio (ops!); escândalos, crimes escabrosos, catástrofes naturais ou vindas de burradas humanas nos mostrarão quão escroques podem ser os homens. Daqui, semana a semana, em meio a dificuldades, vou escrever sobre o que toca, aborrece, acontece, comigo e com você. Representar e apresentar muito do que você queria dizer. Mais do que queria dizer.
Todo ano tenho um mote a seguir, coisa que aprendi com um grande e bem sucedido empresário com quem trabalhei, que mantinha sempre um pé no mundo invisível. O mote que usarei desta vez veio de uma amiga muito querida, que você até conhece e gosta, mas não direi quem é porque não "carece". O que ela me disse será a nossa mágica, a do balacobaco, de um ano par, de transformações e resistências.
Prepare-se. Mais uma vez teremos de nos reinventar diária e continuamente para criar, viver, sobreviver e suportar, no nosso mundo e fortaleza particular, irradiando para os círculos externos que chegam até ao assombroso Universo, que por sua vez já anda desdobrado, com seus planetas e sóis. Ao infinito.
Nessa passagem encontramos a crise mundial. Ou a terrível ameaça maia da qual ouviremos falar - pode es-cre-ver - todo santo dia, e que diz que o mundo vai acabar ou no dia 21, ou no dia 23 de dezembro. Ou nunca. O que só saberemos depois de instalar os enfeites de novo nas árvores de Natal. Vai ser um porre da porra(ops!).
Touradas serão proibidas na Espanha, o verão de Londres será finalmente mais quente com os Jogos de Verão (lá), e nossos soldados devem sair do Haiti que não é aqui. Todas as atividades que o menino Neymar fizer serão notícia no ano de centenário do Santos Futebol Clube.
Queremos saber se eles, o povo de lá, verão a primavera árabe finalmente, enquanto o inverno cala uma Europa dividida, uma América desengonçada, e uma Ásia tomando xarope de crescimento. Os presupuestos latinoamericanos continuarão comme ça: presupuestos. Dois passos para a frente, um para trás, milongueiros, tangueiros, sambados. Batidos e mexidos, 007!
Ih, cheguei até aqui sem fofocar e falar mal de ninguém. Fico devendo.No momento ando mais é querendo saber qual será a moda do próximo verão que nem isso tem tido graça depois do verão da lata, do apito. Quero saber como vão fazer para as mosquitas Aedes pararem de trepar tanto, ter tantos filhos ( e nem ganham bolsa-família). Quero cortar o barato da barata, e agora descobriram lá na África uma barata safa que pula 48 vezes o tamanho de seu corpo. Não quero sonhar com ela, nem com o comentário de meu irmão quando contei sobre a talzinha, qe ele me disse que ela logo poderia chegar aqui de navio. Se tem até carrapato de sofá se mudando para o Brasil, embarcado em cruzeiros ...É, é real.
Vou dizer que quero mais é que, se o mundo for acabar mesmo, que acabe em melado. Ou em chantilly, que é muito mais sexy.
São Paulo, na portinha de 2012, ano bissexto, portanto pode agendar coisas para 29 de fevereiro.
Marli Gonçalves é jornalista. Ainda escreverá um livro com sexo no título, e quem sabe até, talvez, nos capítulos. Mas só depois de publicar esses nossos picadinhos semanais. E se você aceitar minha proposta inicial.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Olhando para cima
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
De uma amiga recebi um e-mail retratando um falcão, um morcego e um zangão em situações parecidas.
O falcão havia sido colocado em um cercado de tela com o diâmetro de um metro quadrado onde, apesar da parte superior ser totalmente aberta, ele se tornara prisioneiro, simplesmente por estar acostumado a dar uma pequena corrida em terra antes de alçar vôo. Sem o espaço para sua corrida, permanecia prisioneiro de uma cela sem teto, sem ao menos tentar bater suas asas e voar.
O morcego, famoso por suas habilidades e agilidades no ar, acostumado a se lançar em vôo para baixo, quando colocado em um piso totalmente nivelado não consegue sair, andando de forma confusa, procurando alguma pequena elevação de onde possa se lançar ao vôo, sem sequer experimentar jogar-se para cima e bater suas asas.
O zangão colocado em um pote com a tampa aberta lá permanecerá até sua morte, totalmente destruído, por persistir na tentativa de sair pelas laterais próximas ao fundo, onde não há saída, jogando-se contra as paredes do vidro sem buscar a saída pelo alto
Existem pessoas que se comportam como o falcão, o morcego e o zangão, atirando-se contra obstáculos sem buscar outras possíveis saídas para seus problemas.
E mesmo quando nenhuma saída é encontrada, são incapazes de olhar para uma que sempre existiu, existe e existirá, aquela que está acima de tudo e de todos. Olhe para cima certamente a encontrará.
Imagino um pai, de qualquer raça, origem, posição social, financeira, cultura e educação. Ele é incapaz de impor a seu filho uma carga maior do que a que ele poderá suportar. Assim penso do meu, o mesmo de todos.
Depois de muitas outras já realizadas e comemorando a cura de um câncer, adquiri uma motocicleta nova, da marca e modelo sonhada durante anos e com amigos parti para uma nova viajem a um país vizinho.
Tudo estava perfeito, tranquilo, até que na volta, a poucos quilômetros de chegar ao Brasil, um bêbado estacionado com seu veículo às margens da rodovia resolveu fazer o contorno, exatamente no momento em que ia passar por ele.
A pancada nem cheguei a ver, ou se vi não me lembro, mas sei que metade do fígado foi perdido no impacto, fiquei doze dias em coma, passei por treze cirurgias num espaço de duzentos e oitenta dias e permaneci vinte e seis meses entre cama, cadeira der rodas, andador e muletas.
Em nenhum momento após estar lúcido, alguém me viu reclamar de algo, uma dor, nada. Não era necessário e de nada adiantaria, não poderiam me ajudar e eu já sabia que a batalha seria vencida, pois se aquilo me ocorria era porque tinha capacidade de suportar.
Era a resposta que dava a todos os amigos e amigas que me perguntavam sobre dores, como suportava sem nada reclamar ou estava sempre pronto para qualquer nova intervenção cirúrgica que os médicos julgassem necessária.
Esse é o motivo que me faz levar com tranquilidade todas as dificuldades colocadas em meu caminho. Sei que vencerei.
Apesar de haver perdido meu pai biológico ainda com doze anos, meu pai celestial, o de todos, sempre mostrou ter por nós um amor muito maior do que recebido pelos que possuem o seu na terra e se os terrenos querem bem aos filhos, imagine ÊLE.
Aprendi que sou capaz de superar todas as dificuldades, simplesmente olhando para cima. Lá, à distância de uma simples oração, está QUEM sabe que sou capaz.
João Bosco Leal é Produtor Rural - http://www.joaoboscoleal.com.br/
Por João Bosco Leal
De uma amiga recebi um e-mail retratando um falcão, um morcego e um zangão em situações parecidas.
O falcão havia sido colocado em um cercado de tela com o diâmetro de um metro quadrado onde, apesar da parte superior ser totalmente aberta, ele se tornara prisioneiro, simplesmente por estar acostumado a dar uma pequena corrida em terra antes de alçar vôo. Sem o espaço para sua corrida, permanecia prisioneiro de uma cela sem teto, sem ao menos tentar bater suas asas e voar.
O morcego, famoso por suas habilidades e agilidades no ar, acostumado a se lançar em vôo para baixo, quando colocado em um piso totalmente nivelado não consegue sair, andando de forma confusa, procurando alguma pequena elevação de onde possa se lançar ao vôo, sem sequer experimentar jogar-se para cima e bater suas asas.
O zangão colocado em um pote com a tampa aberta lá permanecerá até sua morte, totalmente destruído, por persistir na tentativa de sair pelas laterais próximas ao fundo, onde não há saída, jogando-se contra as paredes do vidro sem buscar a saída pelo alto
Existem pessoas que se comportam como o falcão, o morcego e o zangão, atirando-se contra obstáculos sem buscar outras possíveis saídas para seus problemas.
E mesmo quando nenhuma saída é encontrada, são incapazes de olhar para uma que sempre existiu, existe e existirá, aquela que está acima de tudo e de todos. Olhe para cima certamente a encontrará.
Imagino um pai, de qualquer raça, origem, posição social, financeira, cultura e educação. Ele é incapaz de impor a seu filho uma carga maior do que a que ele poderá suportar. Assim penso do meu, o mesmo de todos.
Depois de muitas outras já realizadas e comemorando a cura de um câncer, adquiri uma motocicleta nova, da marca e modelo sonhada durante anos e com amigos parti para uma nova viajem a um país vizinho.
Tudo estava perfeito, tranquilo, até que na volta, a poucos quilômetros de chegar ao Brasil, um bêbado estacionado com seu veículo às margens da rodovia resolveu fazer o contorno, exatamente no momento em que ia passar por ele.
A pancada nem cheguei a ver, ou se vi não me lembro, mas sei que metade do fígado foi perdido no impacto, fiquei doze dias em coma, passei por treze cirurgias num espaço de duzentos e oitenta dias e permaneci vinte e seis meses entre cama, cadeira der rodas, andador e muletas.
Em nenhum momento após estar lúcido, alguém me viu reclamar de algo, uma dor, nada. Não era necessário e de nada adiantaria, não poderiam me ajudar e eu já sabia que a batalha seria vencida, pois se aquilo me ocorria era porque tinha capacidade de suportar.
Era a resposta que dava a todos os amigos e amigas que me perguntavam sobre dores, como suportava sem nada reclamar ou estava sempre pronto para qualquer nova intervenção cirúrgica que os médicos julgassem necessária.
Esse é o motivo que me faz levar com tranquilidade todas as dificuldades colocadas em meu caminho. Sei que vencerei.
Apesar de haver perdido meu pai biológico ainda com doze anos, meu pai celestial, o de todos, sempre mostrou ter por nós um amor muito maior do que recebido pelos que possuem o seu na terra e se os terrenos querem bem aos filhos, imagine ÊLE.
Aprendi que sou capaz de superar todas as dificuldades, simplesmente olhando para cima. Lá, à distância de uma simples oração, está QUEM sabe que sou capaz.
João Bosco Leal é Produtor Rural - http://www.joaoboscoleal.com.br/
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
2011: A situação internacional e o Brasil!
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
O quadro internacional sofreu mudanças significativas em 2011. A crise europeia tem encoberto uma crise maior: o fim do ciclo liberal hegemônico desde o final dos anos 70 com a ascensão de Thatcher no Reino Unido. Nesse sentido, a crise financeira de 2008 vai muito além da irresponsabilidade e da especulação. A questão do Euro -déficits e dívidas-, nesse sentido, é uma crise conjuntural grave e a ponta visível daquele final de ciclo.
Quando se fala em reforma institucional da União Europeia, com perda parcial de soberania dos países sobre suas políticas fiscais, há que se lembrar que o orçamento é a razão histórica de ser dos parlamentos. Portanto, a perda parcial de soberania seria dos próprios parlamentos. Isso aponta para um ciclo que começa a ser desenhado, com instâncias coletivas de ampliação da esfera estatal.
A decisão de responder a crise das dividas com restrições orçamentárias, gera uma restrição internacional ao crédito para evitar efeitos multiplicadores adicionais e um processo recessivo que atravessará 2012, pelo menos. Seja pelo canal comercial, seja pelo canal creditício, as economias fora do eixo dos EUA-Europa já sentem as consequências. No caso do Brasil, se conjuga esse quadro internacional com os efeitos internos de 2010, da irresponsabilidade fiscal, da bolha creditícia, da perda de competitividade industrial e da insegurança cambial, todos com reflexos inflacionários.
A América Latina continuou navegando sem sinal de tendência. Piñera no Chile, Santos na Colômbia e Molina na Guatemala apontaram para a direita. Humala no Peru, Ortega na Nicarágua e Cristina Kirchner na Argentina reforçaram o populismo. Este quadro e as provocações lançadas contra os EUA terminaram isolando a América Latina, incluindo o Brasil, por sua heterodoxia externa. A China, o Irã e a Rússia avançaram sobre o continente, em especial a China, que se tornou o principal parceiro comercial da América do Sul.
O silêncio dos EUA em relação à crise europeia apenas ratificou sua cada vez mais clara preferência pelas relações com a Ásia. A associação de livre comércio dos EUA com países asiáticos, que em breve incorporará o Japão, e que incluiu o Peru e Chile, países do Pacífico, é contundente demonstração disso. A própria tranquilidade em relação ao pós-primavera árabe, a saída do Iraque, mostram que a atenção dos EUA estará concentrada no Irã e na defesa de seus parceiros e espaços estratégicos como a Arábia Saudita e Israel.
A política externa europeia teve um forte ajuste em relação ao norte da África (com a decisão da IDC-internacional democrata de centro- e do PPE -partido popular europeu- que tem a maioria no parlamento europeu e onde está a maioria dos governos europeus), ao entender como parte do processo democrático a vitória dos partidos islâmicos e passar a estabelecer, naturalmente, relações interculturais e inter-religiosas com os partidos islâmicos, incorporando aqueles que assim quiserem à própria IDC, como já ocorreu com o partido da Independência do Marrocos no final de 2010.
Nesse quadro internacional jogam-se novas estratégias, onde o amadorismo, o voluntarismo e a excitação que tem caracterizado a política externa brasileira só produzirão abraços, tapas nas costas, e isolamento da mesa daquelas decisões estratégicas.
Cesar Maia é Economista.
Por Cesar Maia
O quadro internacional sofreu mudanças significativas em 2011. A crise europeia tem encoberto uma crise maior: o fim do ciclo liberal hegemônico desde o final dos anos 70 com a ascensão de Thatcher no Reino Unido. Nesse sentido, a crise financeira de 2008 vai muito além da irresponsabilidade e da especulação. A questão do Euro -déficits e dívidas-, nesse sentido, é uma crise conjuntural grave e a ponta visível daquele final de ciclo.
Quando se fala em reforma institucional da União Europeia, com perda parcial de soberania dos países sobre suas políticas fiscais, há que se lembrar que o orçamento é a razão histórica de ser dos parlamentos. Portanto, a perda parcial de soberania seria dos próprios parlamentos. Isso aponta para um ciclo que começa a ser desenhado, com instâncias coletivas de ampliação da esfera estatal.
A decisão de responder a crise das dividas com restrições orçamentárias, gera uma restrição internacional ao crédito para evitar efeitos multiplicadores adicionais e um processo recessivo que atravessará 2012, pelo menos. Seja pelo canal comercial, seja pelo canal creditício, as economias fora do eixo dos EUA-Europa já sentem as consequências. No caso do Brasil, se conjuga esse quadro internacional com os efeitos internos de 2010, da irresponsabilidade fiscal, da bolha creditícia, da perda de competitividade industrial e da insegurança cambial, todos com reflexos inflacionários.
A América Latina continuou navegando sem sinal de tendência. Piñera no Chile, Santos na Colômbia e Molina na Guatemala apontaram para a direita. Humala no Peru, Ortega na Nicarágua e Cristina Kirchner na Argentina reforçaram o populismo. Este quadro e as provocações lançadas contra os EUA terminaram isolando a América Latina, incluindo o Brasil, por sua heterodoxia externa. A China, o Irã e a Rússia avançaram sobre o continente, em especial a China, que se tornou o principal parceiro comercial da América do Sul.
O silêncio dos EUA em relação à crise europeia apenas ratificou sua cada vez mais clara preferência pelas relações com a Ásia. A associação de livre comércio dos EUA com países asiáticos, que em breve incorporará o Japão, e que incluiu o Peru e Chile, países do Pacífico, é contundente demonstração disso. A própria tranquilidade em relação ao pós-primavera árabe, a saída do Iraque, mostram que a atenção dos EUA estará concentrada no Irã e na defesa de seus parceiros e espaços estratégicos como a Arábia Saudita e Israel.
A política externa europeia teve um forte ajuste em relação ao norte da África (com a decisão da IDC-internacional democrata de centro- e do PPE -partido popular europeu- que tem a maioria no parlamento europeu e onde está a maioria dos governos europeus), ao entender como parte do processo democrático a vitória dos partidos islâmicos e passar a estabelecer, naturalmente, relações interculturais e inter-religiosas com os partidos islâmicos, incorporando aqueles que assim quiserem à própria IDC, como já ocorreu com o partido da Independência do Marrocos no final de 2010.
Nesse quadro internacional jogam-se novas estratégias, onde o amadorismo, o voluntarismo e a excitação que tem caracterizado a política externa brasileira só produzirão abraços, tapas nas costas, e isolamento da mesa daquelas decisões estratégicas.
Cesar Maia é Economista.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Educação para um país mais justo e solidário
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Gilberto Alvarez
A educação está para o jovem como este está para a vida: em estado de urgência. O emaranhado de questionamentos e mudanças comuns na fase da adolescência não deveria impedir o jovem de ter uma certeza na vida: a de que a educação é o único caminho que ele deve trilhar até o fim, a única plataforma para uma vida melhor e mais digna. Só que o Brasil, infelizmente, ainda não alcançou padrões aceitáveis, em termos educacionais, para um país com aspirações de potência mundial.
Veja-se, por exemplo, o relatório divulgado recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre a situação escolar dos jovens brasileiros. O documento revela que cerca de 20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola – um dado mais do que alarmante –, e identifica a pobreza na origem dessa realidade. A extrema pobreza, por exemplo, afeta 11,9% de meninos e meninas de 12 a 17 anos, num país onde vivem hoje 21 milhões de jovens nessa faixa etária.
Para quebrar o ciclo vicioso da pobreza e da desigualdade do Brasil, devemos aproveitar os próximos anos de esperado crescimento econômico para ampliar a inclusão educacional dos jovens provenientes dos extratos sociais menos favorecidos. É preciso investir cada vez mais na universalização do ensino de qualidade, na qualificação profissional e na valorização dos professores. Temos que alargar o escopo dos programas sociais criados pelo governo federal, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Financiamento Estudantil).
Mas como fazer isso? Um dos instrumentos mais importantes é o Plano Nacional de Educação (PNE) – documento que estabelece 20 metas para a educação brasileira na próxima década e que está tramitando no Congresso Nacional. O PNE precisa aumentar substancialmente os investimentos na Educação, dos atuais 5,7% do PIB (Produto Interno Bruto) para cerca de 10% do PIB. Sem isso, como demonstram vários estudos, não será possível erradicar o analfabetismo do país no médio prazo, nem melhorar sensivelmente a qualidade dos atuais padrões da educação brasileira.
É sabido que problemas crônicos da sociedade moderna – como o desemprego e a criminalidade – têm suas raízes mais profundas ligadas à questão da educação, ou à falta dela. Sob essa ótica, a situação atual do adolescente brasileiro – fora da escola, em risco de evasão ou de ficar retido no ensino fundamental – é inadmissível para um país que fez da inclusão uma bandeira de toda a sociedade.
Com uma educação melhor e mais inclusiva, o Brasil terá cada vez mais condições de formar cidadãos aptos a viver em sociedade, envolvendo-se com a coletividade e desenvolvendo um espírito republicano. Assim, estaremos criando as bases para construir um país mais justo e solidário.
Gilberto Alvarez Giusepone Jr. é professor, autor do material de Física do Sistema de Ensino do Cursinho da Poli (SP) e diretor da instituição.
Por Gilberto Alvarez
A educação está para o jovem como este está para a vida: em estado de urgência. O emaranhado de questionamentos e mudanças comuns na fase da adolescência não deveria impedir o jovem de ter uma certeza na vida: a de que a educação é o único caminho que ele deve trilhar até o fim, a única plataforma para uma vida melhor e mais digna. Só que o Brasil, infelizmente, ainda não alcançou padrões aceitáveis, em termos educacionais, para um país com aspirações de potência mundial.
Veja-se, por exemplo, o relatório divulgado recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre a situação escolar dos jovens brasileiros. O documento revela que cerca de 20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola – um dado mais do que alarmante –, e identifica a pobreza na origem dessa realidade. A extrema pobreza, por exemplo, afeta 11,9% de meninos e meninas de 12 a 17 anos, num país onde vivem hoje 21 milhões de jovens nessa faixa etária.
Para quebrar o ciclo vicioso da pobreza e da desigualdade do Brasil, devemos aproveitar os próximos anos de esperado crescimento econômico para ampliar a inclusão educacional dos jovens provenientes dos extratos sociais menos favorecidos. É preciso investir cada vez mais na universalização do ensino de qualidade, na qualificação profissional e na valorização dos professores. Temos que alargar o escopo dos programas sociais criados pelo governo federal, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Financiamento Estudantil).
Mas como fazer isso? Um dos instrumentos mais importantes é o Plano Nacional de Educação (PNE) – documento que estabelece 20 metas para a educação brasileira na próxima década e que está tramitando no Congresso Nacional. O PNE precisa aumentar substancialmente os investimentos na Educação, dos atuais 5,7% do PIB (Produto Interno Bruto) para cerca de 10% do PIB. Sem isso, como demonstram vários estudos, não será possível erradicar o analfabetismo do país no médio prazo, nem melhorar sensivelmente a qualidade dos atuais padrões da educação brasileira.
É sabido que problemas crônicos da sociedade moderna – como o desemprego e a criminalidade – têm suas raízes mais profundas ligadas à questão da educação, ou à falta dela. Sob essa ótica, a situação atual do adolescente brasileiro – fora da escola, em risco de evasão ou de ficar retido no ensino fundamental – é inadmissível para um país que fez da inclusão uma bandeira de toda a sociedade.
Com uma educação melhor e mais inclusiva, o Brasil terá cada vez mais condições de formar cidadãos aptos a viver em sociedade, envolvendo-se com a coletividade e desenvolvendo um espírito republicano. Assim, estaremos criando as bases para construir um país mais justo e solidário.
Gilberto Alvarez Giusepone Jr. é professor, autor do material de Física do Sistema de Ensino do Cursinho da Poli (SP) e diretor da instituição.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Muito mais do que uma aula de futebol
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Gil Cordeiro Dias Ferreira
Muito mais do que uma aula de futebol, o Barcelona nos deu ontem uma demonstração de sua imensa capacidade gerencial. Sim, de Planejamento e Gestão Estratégicos - como organizar, comandar, coordenar e controlar recursos humanos, materiais, financeiros e tecnológicos na busca de um objetivo comum, que a todos engrandeça.
Aula de Gestão pelo Conhecimento, em suas duas vertantes - a do Sistema, ou Inteligência Negocial (saber de seus pontos fortes e fracos) e a do Ambiente, ou Inteligência Estratégica (conhecer as variáveis e os atores do ambiente e as oportunidades e ameaças que oferecem).
Aula de eficiência - jogar bonito -, de eficácia - ganhar o jogo - e de efetividade - manter-se permanentemente apto a jogar bonito e a ganhar o jogo.
Aula de Qualidade Total, de Reengenharia, de Just-in-time, de Equipes Zap. Aula de benchmarking, eloqüentemente definida por seu técnico Guardiola, ao dizer que treinou o time para jogar dessa maneira - tocando magnificamente a bola -...porque seus pais e avós sempre lhe disseram que "era assim que os brasileiros jogavam".
Aula de humildade, de desprendimento, de saber colocar o interesse coletivo muito acima do individual, sem estrelismos, sem individualismos, num esquema tático de futebol total, holístico - o "3-7-0" que de repente vira "3-0-7" ou "10-0-0". Não há escalações típicas - zagueiros, meias, pontas, centro-avantes - todos fazem de tudo, o que há é um time de 112 anos chamado Barcelona.
Muito mais do que nos ensinar a jogar futebol, como reconheceu Neymar, o Barcelona nos abriu os olhos para o primado da Educação - sim, seus jogadores são preparados, desde as equipes dentes-de-leite, não apenas técnica e fisicamente, mas também filosoficamente, de forma a compreenderem o real significado do encantamento que o esporte proporciona.
Essa Educação que já tivemos no Brasil, não só no esporte, mas em tudo, do Maternal à Universidade, e da qual um dia nos afastamos, tornando-nos esse Reino de Avilan que a mídia retrata diuturnamente, com seus mensalões, sanguessugas, nepotismos, propinas, superfaturamentos e sabe Deus mais o quê.
E antes de perguntar ao Barcelona, como fez um repórter hoje, "que futebol invencível é esse, afinal?", caberia mais indagar se seus jogadores são admitidos por meio de quotas para alguma "minoria", ou por indicação de algum político, ou por pressão de algum sindicato, ou por exigência de algum partido, ou por conchavos entre empresários corruptores e dirigentes corruptos, ou por alguma dessas "espertezas" que vicejam no Brasil que "adora levar vantagem em tudo". E que, logo após o jogo, foram deixadas a nu pelo próprio Muricy Ramalho, técnico derrotado do Santos: se algum time brasileiro jogasse com o esquema do Barcelona, seria caso de polícia. SIm, Muricy, casos de polícia são os que mais têm freqüentado nossos noticiários, na política, na economia, no social, no ambiental, na ciência e tecnologia...e no futebol.
Ou aprendemos essa lição de vida agora, com o Barcelona, ou continuaremos a levar, em todos os nossos campos de atividade - particularmente na Copa de 2014 - chineladas ainda mais dolorosas que a do gol de Ghighia, no Maracanã, em 16 de julho de 1950.
Gil Cordeiro Dias Ferreira é Administrador.
Show do Barça: nem após a festa, Geni-Press consegue entender o que rolou.
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Tom Capri
De PVC a Daniel Piza, passando por Juca Kfouri e Antero Greco, a maior parte de nossa mídia esportiva, que eu chamo muito apropriadamente de Geni-Press (por merecer que se jogue muita bosta nela), continua não entendendo de futebol. Até agora, não sabe o que de fato aconteceu em Yokohama, nos acachapantes 4 a 0 do Barça sobre o Santos. É o que demonstram os jornais desta segunda-feira (19/12). Lamentável.
A respeito do show do Barça, encontrei as pérolas de sempre hoje na mídia. Não li os jornais do Rio ainda, mas tenho certeza de que não destoaram dos paulistas. Também não li nada de Daniel Piza nem de Luiz Zanin, por força da atual política do Estadão. O jornal continua não destacando seus principais comentaristas para os mais importantes eventos, e não me pergunte por que: não dá para entender isso. Só no decorrer da semana saberemos o que Piza e Zanin dirão a respeito, e não tenha dúvida de que serão as pérolas de sempre.
A seguir, o que de fato rolou em Yokohama e o que nossa Geni-Press ainda não sacou. Por força das circunstâncias, preciso ater-me apenas ao que escreveram Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo, e Paulo Vinícius Coelho (PVC) e Antero Greco, do Estadão/ESPN.
Juca Kfouri, Folha de S. Paulo de hoje (19/12), ao tentar explicar o fiasco do Santos – “E não me venham só com táticas e estratégias. O nome disso é ousadia. É arte. É arte pura.”
Juca, a vitória do Barça é resultado de pura tática, pura estratégia, pura filosofia de jogo! É claro reflexo da forma de jogar do time catalão. O técnico Guardiola resgatou a filosofia de jogo (táticas, sistemas e estratégias) do carrossel da grande Laranja Mecânica de 74 (Holanda), de Cruyff, que na época virou craque também do Barça. Treina isso todo dia, à exaustão (inclusive, a escolinha de base) para fazer o time jogar daquele jeito, com essa tática, essa estratégia, essa filosofia. E é daí --- e só daí --- que floresce o futebol-arte de Messi, Xavi, Daniel Alves e outros endiabrados do Barça.
Juca está careca de saber de tudo isso. Há mais de dez anos, isso é do conhecimento dele. Mas Juca tem razões para não considerar esses conhecimentos que já possui, enfim, para não reconhecer que o Barça é só tática, sistema, estratégia, filosofia de jogo.
É fato, Juca vem sendo familiarizado, há mais de cinco anos --- inclusive, por mim ---, a respeito dos novos fundamentos e conceitos do futebol moderno (segundo os quais o futebol, hoje, é pura tática, pura estratégia, puro sistema e filosofia de jogo --- é ciência, e das mais exatas, há que se reconhecer!!!). Não sei por que Juca se recusa a assimilar e aceitar isso. Talvez por estar obsessivamente apegado aos clichês do futebol brasileiro e, por inércia, não conseguir se superar nunca.
Mas o que Juca, na verdade, já sabe do futebol moderno, mas se recusa a assimilar e aceitar? Que, hoje, não se joga mais com jogador que guarda posição, joga fixo nela. O futebol moderno exige, ao contrário, jogadores versáteis e completos e ocupem todos os espaços e posições (e também façam tudo em campo: desarmem, armem e finalizem incansavelmente, como Messi e Daniel Alves contra o Santos --- Messi aprendeu a jogar assim já na escolinha do Barça).
Juca também sabe, mas ainda não assimilou nem aceitou, que foi abolido o futebol-escadinha, aquele já obsoleto, mas ainda muito praticado no Brasil, em que a formação do time se dá por degraus: a bola sai do goleiro e segue sua marcha passando por todos os degraus (que eu chamo também de grotões ou escalões), até chegar ao finalizador, que geralmente está plantado lá na frente (como Borges no jogo contra o Barça).
Mais do que ninguém, Juca Kfouri sabe, por exemplo (mas não assimila nem aceita), que Muricy é técnico ultrapassado, outro que ainda adota o futebol-escadinha, já abolido na Europa e no restante do Planeta. Sabe que Muricy teve todo o Brasileirão para ensinar o Santos a jogar respeitando os novos fundamentos do futebol, aqueles do futebol moderno, como faz muito bem o Barça. Não paira nenhuma dúvida, em Juca, que Muricy não tinha a menor noção disso, não sabia, ainda, que o futebol mudou e que o Santos de Muricy deveria ter acompanhado minimamente tais mudanças.
É igualmente do conhecimento de Juca, mas ele não aceita, que time que joga assim fica vulnerável (como o Santos contra o Barça) e é fácil de ser destruído. Basta formar uma parede à frente do primeiro e do segundo degraus e impedir que a bola avance e chegue aos finalizadores (não foi o que vimos com clareza no Santos goleado pelo Barça?).
Juca também está careca de saber, mas nunca aceita, que o futebol moderno exige, além de bons jogadores (e craques como Messi e Neymar), muita disciplina tática, para que prevaleçam e se imponham os sistemas, os esquemas, as estratégias, ou seja, a filosofia de jogo, pois só assim é possível ver o futebol-arte florescer plenamente.
Outra que Juca conhece como a palma de sua mão, mas se recusa a aceitar: que o preparo físico é fundamental, pois time que é moderno joga nos rápidos toques, preferencialmente de primeira e em velocidade (como o Barça), para manter a posse da bola o maior tempo possível. Isto porque, quanto menos o adversário fica com a bola, menor é sua chance de fazer gol. Além disso, o jogador precisa correr o tempo todo para marcar, armas e finalizar, não tem tempo para ficar à espera da bola.
Como se não bastasse, entreguei em 2006 a Juca um exemplar de meu livro “A Geleia Verde-Amarela”, em que explico tudo isso, com exemplos e em detalhes. Se não leu o livro, com certeza leu os mais de trinta comentários que escrevi, de lá para cá, abordando esse mesmo tema, nos quais cito Juca inúmeras vezes.
Além disso, há que considerar a vasta experiência de Juca no futebol, ele que fez parte do movimento “Democracia Corintiana” e é respeitado comentarista. Por fim, Juca já deve ter visto esse mesmo Barça bicampeão do mundo jogar pelo menos umas trinta vezes. E não está cego, que eu saiba.
Por que então não assimila nem aceita e adota essas novas verdades sobre o futebol moderno, se há muito tempo as conhece? Sinceramente, não sei. Perguntem a ele. Só sei que, quando essas verdades gritam na frente dele, como gritaram no show de bola do Barça, Juca se sai sempre com essa pérola de hoje (19/12), na “Folha”: “E não me venham só com táticas e estratégias. O nome disso é ousadia. É arte. É arte pura.”
Paulo Vinícius Coelho (PVC), Estadão (19/12), ao abordar o duelo que não houve entre Messi e Neymar – “A má atuação de Neymar reforçará a ideia de que é preciso jogar na Europa não só para se aperfeiçoar, mas também para medir seu nível.”
Desta vez, vamos por partes. Considerar má a atuação de Neymar é desconhecer o que se passou no jogo e não entender de futebol. É basear-se apenas na aparência, no que “aparece” em campo, e desprezar a essência. Começa que não o deixaram jogar. E, no pouco que fez, vi a melhor atuação da vida de Neymar.
Nunca tinha visto o jovem craque tão disciplinado taticamente. E com tanta vontade de jogar e ganhar. E, mais, a cada investida do Barça, ia incorporando tudo aquilo ao seu aprendizado, como bom aluno. Até reconhecer, no final, que o Barça deu uma aula de futebol, querendo dizer com isso que, se o Santos tivesse jogado daquela mesma maneira, com ele no ataque, o resultado teria sido outro. E até prometeu voltar com um Santos jogando o mesmo futebol que o Barça lhe ensinou.
Com Borges marcando pouco e meio que paradão lá na frente e o Santos vulnerável daquele jeito, Neymar teve de pegar o boi na unha e dar conta do recado sozinho, fazendo de tudo em campo: correu feito louco, foi o que mais desarmou no Santos. Via o time sucumbir e jamais desistiu. Não fez gol porque, além de muito bem marcado por um Barça sensacional (no mínimo, por dois), tinha também de carregar o piano. Se matou em campo e cansou de tanto correr para tapar buracos. Isto é má atuação? Nos critérios atualizados e corretos do futebol moderno, não.
Se, em vez de Neymar, tivéssemos Messi no Santos, o baile teria sido ainda maior. Se tirarmos Messi do Barça e colocarmos Neymar no lugar, o Barça melhora. Se tirarmos Neymar e colocarmos Messi nesse Santos chinfrim de Muricy, o Santos piora. Se colocarmos Messi e Neymar jogando juntos no Barça, o time catalão cai de produção porque dois gênios num mesmo time dirigido por Guardiola não valem por um.
Quem entende de futebol sabe que Neymar é, indiscutivelmente, melhor e mais completo do que Messi. Messi só é o melhor do mundo, hoje, porque joga nesse timaço montado por Guardiola, feito para fazer florescer e se afirmar o futebol-arte do argentino. No Barça, todos são bons em tudo: no desarme, na armação e nos passes e também na finalização. E isto faz emergir a arte “Messiânica” de Messi.
Messi não é tudo isso. Não chega aos pés de Maradona nem de Pelé. E desaparece em campo se bem marcado, quando joga em outro time. Quando joga, por exemplo, na seleção da Argentina, Messi se torna apenas um bom jogador, por não dispor ao seu lado dessa máquina de futebol chamada Barça. A Argentina de Messi já perdeu até da Bolívia. Não é à toa que Messi é tão grato assim a Guardiola.
Arrisco a dizer que Neymar foi o melhor do jogo. Lutou muito, foi o mais disciplinado taticamente, quem mais fez pelo seu time. Messi, que sem dúvida é craque e voltou a brilhar, apenas finalizou as açucaradas que recebeu de um time que hoje brilha nas estrelas. Alguém ainda duvida que, com Neymar no lugar de Messi, esse time do Barça faria o mesmo contra esse Santos chinfrim? Não é Messi que carrega o Barça, é o Barça que carrega Messi, é o Barça que faz de Messi o melhor do mundo na atualidade.
Os argentinos não estão totalmente errados quando dizem que “gênio só existe um, Messi”. Esqueceram de completar que Messi só é gênio porque, além de craque, joga no Barça. E que Neymar só não é um gênio ainda na prática porque, para sê-lo, precisa atuar num time que joga como o Barça.
Por isso, PVC erra, e feio, quando diz que Neymar não atuou bem e acertou em não ir para a Europa. É mais do que óbvio que, na Europa, Neymar aperfeiçoaria seu futebol e mostraria seu nível e todas as qualidades, podendo vir até a superar Messi (se encontrar, evidentemente, um time à altura do Barça).
Aprenderia muito mais do que ficando no Brasil, até porque hoje é o jogador brasileiro que melhor pratica o futebol moderno, do faz-tudo (desarma, arma e finaliza bem), como o Barça e os europeus adoram. É mais do que óbvio também que o futebol brasileiro ganharia muito com isso, principalmente a Seleção da Copa de 2014.
Em seu artigo de hoje, PVC diz, no título, que Messi é a resposta. É verdade, mas Neymar também é, se seu técnico for Guardiola e a Seleção o Barça de hoje.
Antero Greco, do Estadão (19/12), ao lembrar que o Barça de hoje joga como o futebol brasileiro de antigamente e que o Santos não foi vulgar nem Muricy Ramalho se revelou um energúmeno, o Barça é que foi irresistível: “A Holanda de 74, o primeiro Brasil de Telê Santana (de 1982) e a seleção tricampeã do mundo (de Pelé, em 70) inspiraram o Barça atual”, disse Antero em seu texto.
Tenho de concordar com Antero quanto à Holanda de 74 (a Laranja Mecânica, o Carrossel Holandês) e também quanto à seleção brasileira tricampeã mundial em 70. Mas não quanto àquela seleção de Telê, que não ganhou aquele mundial (82).
Há muito já se desfez o mito daquela seleção. O de que ela praticava o futebol-arte, como deveria ser sempre, e que só não ganhou o Mundial de 82 por um capricho do destino. O próprio Zico, titular daquela Seleção, já reconheceu que aquele time de Telê Santana era mal montado e armado, e bastante vulnerável, ainda que contasse com muitos craques como ele, Sócrates, Falcão e outros. E não é possível que, a essa altura do campeonato, Antero Greco desconheça isso, se é comentarista esportivo do mais importante jornal do País, o Estadão, e também de renomado canal pago, a ESPN.
Em 82, Telê contava com pelo menos três dos maiores jogadores do mundo --- Zico, Sócrates e Falcão ---, mas não soube montar um time minimamente razoável com eles. E não sou eu quem diz isso, é o próprio Zico. Apesar de jogarem bem, atacantes e meias como Sócrates, Zico, Éder e Serginho Chulapa não marcavam ninguém.
Sim, Falcão era completo (desarmava, armava e finalizava como poucos), mas os demais, à exceção de Paulo Isidoro, não compunham. Eram jogadores de grife, que apenas impunham sua marca em campo, jogando como bem entendiam, sem esquema, sistema, estratégia, nenhuma filosofia. “Solte-os em campo e deixe que joguem o que sabem”, esta era a filosofia. Além disso, eram jogadores de uma função só, jogando fixos num único espaço do campo, à exceção de Falcão, Paulo Isidoro e Toninho Cerezzo, que corriam sempre atrás da bola.
A Seleção de 82 tinha, também, ponta de ofício (Éder) e centroavante de ofício e paradão lá na frente (Serginho), os quais nada ajudavam na marcação. Como se não bastasse, os defensores também não eram exímios “roubadores” de bola, à exceção de Oscar. Os laterais subiam muito (como Júnior) e a Seleção não tinha volante de contenção (ou melhor, tinha, Batista, que só jogou para parar Maradona nos 3 a 1 em cima da Argentina). Serviu-se de Toninho Cerezzo, que era mais meia do que volante.
Contra a Itália, que nos eliminou com a mesma facilidade com que o Barça derrotou o Santos, Telê só escalou Toninho Cerezzo como volante, subestimando os italianos (que não tinham um Maradona, não era preciso parar individualmente nenhum deles). Uma seleção vulnerável assim só podia ter sido esmagada pela Itália/Paolo Rossi, autor dos três gols do 3 a 2 que despachou o Brasil.
Enfim, o Santos de hoje é que se inspirou naquele time de 82, ou melhor, é imitação barata dele, não o Barça.
Posso aceitar que Antero Greco ainda desconheça tudo isso, mas não acreditar que Guardiola também não saiba. Não me passa pela cabeça que o técnico do time catalão tenha se inspirado num time tão frágil e vulnerável quanto aquela seleção de 82. Tal qual a do Santos pelo Barça, aquela derrota serviu de grande aprendizado a Telê, que depois, no São Paulo, armou time muito mais compacto e ganhou dois títulos mundiais interclubes. Se ainda tem alguma dúvida a respeito disto, Antero, entreviste o Zico. Ele vai repetir tudo isso a você. Abraço a todos.
Tom Capri é Jornalista. site www.virobscurus.com.br
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
As Paixões e o Amor
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Sem me recordar exatamente onde, li uma frase onde John Lennon dizia que ninguém será capaz de se apaixonar ou de ser feliz, antes de se tornar apaixonado por si mesmo.
Além de compor músicas com mensagens maravilhosas como "Imagine", na frase John Lennon resume o que normalmente levamos décadas para perceber: só quando gostarmos de nós mesmos é que seremos capazes de verdadeiramente nos apaixonar por outra pessoa.
Interessante é que o autor se refere à paixão, mas não ao amor, o que é muito diferente e quando disse isso talvez pretendesse falar exclusivamente de paixões ou - como nos deixou muito jovem -, nem ele próprio já possuísse maturidade suficiente para amar verdadeiramente.
Atualmente os jovens ficam, namoram, noivam e se casam exatamente como seus pais fizeram, com a diferença de que em seu tempo, eles não "ficavam" e tinham muito menos liberdades sexuais.
Tudo isso normalmente ocorre durante uma fase em que as pessoas ainda não conhecem a si próprias, mas pensam já haver encontrado o amor de sua vida, aquela com quem gostariam de constituir uma família, ter filhos, netos e envelhecer junto.
Sentimentos de atração, desejo e excitação por outras pessoas ocorrerem centenas de vezes durante a vida e podem virar paixões, mas não são suficientes para se transformar em amor.
Estamos apaixonados quando nos tornamos incapazes de tirar aquela pessoa de nossas mentes e a todo instante queremos estar ou falar com ela, tocar sua pele, pegar em suas mãos e sentir seus lábios nos nossos.
No meio de um estudo na biblioteca ou durante algo que nos prenda a atenção, mesmo sem naquele momento querer ou poder, perdemos completamente a concentração para nos lembrarmos dela, com quem sonhamos e sentimos prazeres, ainda que estejamos muito distantes.
Independentemente da idade, as paixões mexem conosco, nos deixam alegres, esperançosos e cheios de desejos, físicos e mentais, fazendo com que voltemos a sentir as mesmas tensões e ansiedades amorosas da juventude.
Penso que já estamos preparados para um verdadeiro amor quando, com o amadurecimento e as paixões já vividas, vamos conseguindo distinguir sutis diferenças entre estas.
Detalhes antes imaginados muito importantes, como o físico, vão gradativamente perdendo a importância na avaliação de seus sentimentos enquanto outros, como os princípios éticos, morais, circulo de amizades, nível educacional e cultural vão sendo mais valorizados.
O companheirismo, a amizade e objetivos passam a ser considerados muito mais valiosos do que os quilos da balança ou a quantidade de rugas e cicatrizes.
Esse é o momento em que a próxima paixão, adicionada desses ingredientes, se transforma em algo bem mais sublime e diferente das anteriores, o amor.
Esse é o verdadeiro amor, maduro, calmo, sem cobranças, buscado por todos, alcançado por poucos e livre a ponto de se sustentar com todas as portas e janelas abertas.
O amor maduro é o que só consegue enxergar belas histórias de vida nas rugas do companheiro e que provoca a vontade de roubar uma flor de um jardim, somente para ver o sorriso da amada ao recebê-la.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Sem me recordar exatamente onde, li uma frase onde John Lennon dizia que ninguém será capaz de se apaixonar ou de ser feliz, antes de se tornar apaixonado por si mesmo.
Além de compor músicas com mensagens maravilhosas como "Imagine", na frase John Lennon resume o que normalmente levamos décadas para perceber: só quando gostarmos de nós mesmos é que seremos capazes de verdadeiramente nos apaixonar por outra pessoa.
Interessante é que o autor se refere à paixão, mas não ao amor, o que é muito diferente e quando disse isso talvez pretendesse falar exclusivamente de paixões ou - como nos deixou muito jovem -, nem ele próprio já possuísse maturidade suficiente para amar verdadeiramente.
Atualmente os jovens ficam, namoram, noivam e se casam exatamente como seus pais fizeram, com a diferença de que em seu tempo, eles não "ficavam" e tinham muito menos liberdades sexuais.
Tudo isso normalmente ocorre durante uma fase em que as pessoas ainda não conhecem a si próprias, mas pensam já haver encontrado o amor de sua vida, aquela com quem gostariam de constituir uma família, ter filhos, netos e envelhecer junto.
Sentimentos de atração, desejo e excitação por outras pessoas ocorrerem centenas de vezes durante a vida e podem virar paixões, mas não são suficientes para se transformar em amor.
Estamos apaixonados quando nos tornamos incapazes de tirar aquela pessoa de nossas mentes e a todo instante queremos estar ou falar com ela, tocar sua pele, pegar em suas mãos e sentir seus lábios nos nossos.
No meio de um estudo na biblioteca ou durante algo que nos prenda a atenção, mesmo sem naquele momento querer ou poder, perdemos completamente a concentração para nos lembrarmos dela, com quem sonhamos e sentimos prazeres, ainda que estejamos muito distantes.
Independentemente da idade, as paixões mexem conosco, nos deixam alegres, esperançosos e cheios de desejos, físicos e mentais, fazendo com que voltemos a sentir as mesmas tensões e ansiedades amorosas da juventude.
Penso que já estamos preparados para um verdadeiro amor quando, com o amadurecimento e as paixões já vividas, vamos conseguindo distinguir sutis diferenças entre estas.
Detalhes antes imaginados muito importantes, como o físico, vão gradativamente perdendo a importância na avaliação de seus sentimentos enquanto outros, como os princípios éticos, morais, circulo de amizades, nível educacional e cultural vão sendo mais valorizados.
O companheirismo, a amizade e objetivos passam a ser considerados muito mais valiosos do que os quilos da balança ou a quantidade de rugas e cicatrizes.
Esse é o momento em que a próxima paixão, adicionada desses ingredientes, se transforma em algo bem mais sublime e diferente das anteriores, o amor.
Esse é o verdadeiro amor, maduro, calmo, sem cobranças, buscado por todos, alcançado por poucos e livre a ponto de se sustentar com todas as portas e janelas abertas.
O amor maduro é o que só consegue enxergar belas histórias de vida nas rugas do companheiro e que provoca a vontade de roubar uma flor de um jardim, somente para ver o sorriso da amada ao recebê-la.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
domingo, 18 de dezembro de 2011
Por que o Barcelona venceu o Santos?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Tom Capri
Só milagre salva o Santos. E milagres acontecem no futebol, já nos tinha provado o grande Nélson Rodrigues. Segundo Nélson, alguns gols brasileiros são feitos, na verdade, pelo “Sobrenatural de Almeida”, craque emérito de tantos tentos impossíveis. Tais gols milagrosos até já aconteceram neste Mundial. Aquele de canhota de Neymar e o de direita de Borges, contra os japoneses, foram do “Sobrenatural de Almeida” e não dos dois. Veja aqui as razões por que dá Barça no Japão.
A principal razão é que o futebol modernizou-se, na forma de jogar, e o Brasil não acompanhou. Hoje, o time mais moderno do Planeta é o Barça. O Santos, apesar de contar com craques como Neymar e Ganso, está entre os mais obsoletos. É o que acontece conosco há décadas, inclusive na Seleção: temos os melhores jogadores do mundo, mas não temos cabeça para armar time moderno com eles.
Quando assistimos a um jogo do Barça, o que vemos? Vemos, em primeiro lugar, um time só de grandes jogadores, e versáteis, completos, ágeis, de excelente preparo físico. Conta com alguns brasileiros, como Daniel Alves, que fazem, sim, a diferença, compondo com os melhores da seleção espanhola campeã do mundo. Tudo isso reforçado por outros (brilhantes) da seleção argentina (Mascherano e o melhor do mundo, Messi). A cereja do bolo é o técnico Guardiola, que é autor, sim (ganha jogo, ao contrário do que propala o cronista Daniel Piza), tanto que há anos treina o time para apresentar esse futebol moderno e eficiente, hoje imitado nos quatros cantos do Planeta.
Evidentemente, não foram Guardiola nem o Barça os inventores desse futebol moderno (praticado hoje principalmente na Europa). Mas os dois estão entre seus pioneiros. E o que é esse futebol moderno? Muito simples.
Primeira regra: rápidos toques de bola, de preferência de primeira (repito, de primeira, não como temos hoje no futebol brasileiro), para que o time possa manter a posse de bola por mais tempo que o adversário e chegar mais fácil e rapidamente ao gol. Quanto menos o adversário pega na bola, menores são suas chances de fazer gol e maiores as chances de chegar (rápido) ao gol do adversário.
Segunda regra: à exceção do goleiro, não há, no Barça, um único especialista que jogue fixo numa só posição, um único jogador de ofício que jogue plantado em um espaço reduzido do campo, numa só função, como tanto vemos no futebol brasileiro. Todos são versáteis e completos (defendem, armam e finalizam), e além de tudo brilhantes nisso. No Santos, ao contrário, há plêiade de atletas de uma só função e que não compõem. Isto deixa o time vulnerável e sujeito às investidas do adversário, como aconteceu neste Mundial contra os japoneses, que por pouco não viraram.
Terceira regra: o Barça marca sob pressão o adversário já na saída da bola, para não deixar que esta chegue à sua defesa e saiam gols. Os atacantes jogam quase sempre atrás da linha da bola, formando uma parede lá na frente que impossibilita o adversário de tocar e avançar para o gol. No Brasil, raros times jogam assim, e o Santos infelizmente não é um deles (o Corinthians foi campeão brasileiro praticando um futebol moderno desse tipo, sem ter nenhum jogador brilhante).
Quarta regra: como a maioria dos clubes europeus, o Barça também aboliu o futebol-escadinha, proibido no clube por ordem de Guardiola. O futebol-escadinha --- ainda praticado, por exemplo, pelo Santos e pela Seleção Brasileira --- é o que há de mais ultrapassado no futebol da atualidade. Inclusive, esta é outra forte razão para dar Barça e o Brasil não ganhar a Copa de 2014.
O futebol-escadinha consiste no seguinte: o time se posta em campo na forma de uma escada. O goleiro é o primeiro degrau, de onde sai a bola, que é tocada para os zagueiros ou laterais, ali plantados, formando o segundo degrau. Estes tocam a bola para o meio-campo, que a toca para o ataque, e assim por diante, de escalão em escalão (grotão em grotão, como costumo dizer). O finalizador (no futebol brasileiro, o centroavante de ofício, popularmente conhecido como homem de área, artilheiro, matador, referência etc.) fica lá na frente plantado como um poste à espera da bola, para finalizar. Pouco ajuda na marcação e armação, é um a menos.
Time que joga desse jeito, com jogadores plantados em suas posições, em degraus como numa escada, perde muito tempo na condução da bola até o gol. E é muito fácil barrar um time assim: basta marcar sob pressão a saída de bola, ela nunca avança. Nenhum time no Planeta sabe fazer isso melhor que o Barça.
Ainda que com estrelas como Neymar, a Seleção jogou assim na Copa América e voltou mais cedo pra casa. Todos os adversários marcaram o Brasil sob pressão na saída de bola (e com os dez da linha), e nunca que ela chegava aos nossos finalizadores (ou chegava “ruim”). Lembro que nossos finalizadores são geralmente centroavantes de ofício que jogam “paradões” lá na frente, como Fred na Seleção (depois, no Brasileirão, Fred mudou sua forma de atuar, principalmente nos últimos jogos: passou a compor mais, virou “garçom” de primeira, sem deixar de fazer gols, e aí levou o Fluminense a deslanchar e a quase chegar ao bi --- a reviravolta veio tarde demais.).
O grande problema do Santos está justamente aí. Muricy teve todo o Brasileirão para fazer seu time jogar assim. Mas, como é também técnico que não se modernizou, não conseguiu implantar no Santos esse futebol moderno do Barça, razão pela qual o time espanhol dificilmente perde no Japão.
Apesar de contar com craques como Neymar e Ganso, o Santos ainda pratica o futebol-escadinha, com Borges plantado lá na frente. Foi uma grata surpresa ver Borges mudar suas características e jogar atrás da linha da bola no ataque, contra os japoneses, longe portanto da área e marcando sob pressão os japoneses na saída de bola. É sinal de que Muricy já entendeu que o futebol-escadinha não funciona contra o Barça, daí ter treinado Borges para praticar um futebol assim moderno.
Mas será suficiente? Acho que não. Muricy não se deu conta, aiiiiiiiinda, de que ganhou a Libertadores com um “quase-zagueiro” jogando como centroavante, Zé Love. E que a presença de Zé Love jogando assim foi decisiva na conquista da Taça. Foi quando tivemos o Santos que mais se aproximou do Barça, na forma de jogar. Zé Love não fazia gol, mas roubava muito a bola lá na frente e abria espaço para a finalização de outros, como Neymar, um dos segredos do time na conquista da Libertadores. Agora, o Santos tem Borges em vez de Zé Love.
Muricy disse em coletiva que preparou surpresas para o Barça. Que vai contra-atacar o melhor do mundo. Marmelada na hora da morte mata. Duvido que qualquer surpresa do técnico, de última hora, faça diferença. Mas não deixa de ser ajuda extra que pode facilitar o “Sobrenatural de Almeida”.
Como torço muito para o time de Pelé neste Mundial, vou ver o jogo à espera desses milagres saírem dos pés de Neymar, Ganso, Borges e outros. Se o Santos ganhar o Mundial, terá sido por causa de tais milagres, não porque o time e Muricy se modernizaram. Por todas essas razões, e principalmente pela presença de Guardiola, o Barça é superior ao Santos. Mesmo que perca, continuará sendo, por esses motivos (e não só por causa de Messi), o melhor do mundo.
Adianto: a conquista do Mundial pelo Santos, nessas circunstâncias (de ser salvo pelos milagres), poderá significar novo retrocesso no futebol brasileiro: só nas derrotas, aprendemos como são verdadeiramente construídas as vitórias. Se o Santos vencer desse jeito no Japão, continuaremos a achar que nosso futebol não precisa de táticas nem de esquemas ou sistemas para ganhar, pois conta com gênios como Neymar, que decidem e bastam. E lá se vai pelos ares a Copa de 2014.
Evidentemente, não é isso que me fará desejar a vitória do Barça. Ao contrário, neste Mundial Interclubes sou Santos desde criancinha. Torçamos então em uníssono pela zebra, ou melhor, pelo “Sobrenatural de Almeida”. Abraços a todos.
Tom Capri é Jornalista. Artigo escrito no sábado, dia 17, bem antes da tragédia. Você encontra este texto também em meu NOVO site http://www.virobscurus.com.br/
Por Tom Capri
Só milagre salva o Santos. E milagres acontecem no futebol, já nos tinha provado o grande Nélson Rodrigues. Segundo Nélson, alguns gols brasileiros são feitos, na verdade, pelo “Sobrenatural de Almeida”, craque emérito de tantos tentos impossíveis. Tais gols milagrosos até já aconteceram neste Mundial. Aquele de canhota de Neymar e o de direita de Borges, contra os japoneses, foram do “Sobrenatural de Almeida” e não dos dois. Veja aqui as razões por que dá Barça no Japão.
A principal razão é que o futebol modernizou-se, na forma de jogar, e o Brasil não acompanhou. Hoje, o time mais moderno do Planeta é o Barça. O Santos, apesar de contar com craques como Neymar e Ganso, está entre os mais obsoletos. É o que acontece conosco há décadas, inclusive na Seleção: temos os melhores jogadores do mundo, mas não temos cabeça para armar time moderno com eles.
Quando assistimos a um jogo do Barça, o que vemos? Vemos, em primeiro lugar, um time só de grandes jogadores, e versáteis, completos, ágeis, de excelente preparo físico. Conta com alguns brasileiros, como Daniel Alves, que fazem, sim, a diferença, compondo com os melhores da seleção espanhola campeã do mundo. Tudo isso reforçado por outros (brilhantes) da seleção argentina (Mascherano e o melhor do mundo, Messi). A cereja do bolo é o técnico Guardiola, que é autor, sim (ganha jogo, ao contrário do que propala o cronista Daniel Piza), tanto que há anos treina o time para apresentar esse futebol moderno e eficiente, hoje imitado nos quatros cantos do Planeta.
Evidentemente, não foram Guardiola nem o Barça os inventores desse futebol moderno (praticado hoje principalmente na Europa). Mas os dois estão entre seus pioneiros. E o que é esse futebol moderno? Muito simples.
Primeira regra: rápidos toques de bola, de preferência de primeira (repito, de primeira, não como temos hoje no futebol brasileiro), para que o time possa manter a posse de bola por mais tempo que o adversário e chegar mais fácil e rapidamente ao gol. Quanto menos o adversário pega na bola, menores são suas chances de fazer gol e maiores as chances de chegar (rápido) ao gol do adversário.
Segunda regra: à exceção do goleiro, não há, no Barça, um único especialista que jogue fixo numa só posição, um único jogador de ofício que jogue plantado em um espaço reduzido do campo, numa só função, como tanto vemos no futebol brasileiro. Todos são versáteis e completos (defendem, armam e finalizam), e além de tudo brilhantes nisso. No Santos, ao contrário, há plêiade de atletas de uma só função e que não compõem. Isto deixa o time vulnerável e sujeito às investidas do adversário, como aconteceu neste Mundial contra os japoneses, que por pouco não viraram.
Terceira regra: o Barça marca sob pressão o adversário já na saída da bola, para não deixar que esta chegue à sua defesa e saiam gols. Os atacantes jogam quase sempre atrás da linha da bola, formando uma parede lá na frente que impossibilita o adversário de tocar e avançar para o gol. No Brasil, raros times jogam assim, e o Santos infelizmente não é um deles (o Corinthians foi campeão brasileiro praticando um futebol moderno desse tipo, sem ter nenhum jogador brilhante).
Quarta regra: como a maioria dos clubes europeus, o Barça também aboliu o futebol-escadinha, proibido no clube por ordem de Guardiola. O futebol-escadinha --- ainda praticado, por exemplo, pelo Santos e pela Seleção Brasileira --- é o que há de mais ultrapassado no futebol da atualidade. Inclusive, esta é outra forte razão para dar Barça e o Brasil não ganhar a Copa de 2014.
O futebol-escadinha consiste no seguinte: o time se posta em campo na forma de uma escada. O goleiro é o primeiro degrau, de onde sai a bola, que é tocada para os zagueiros ou laterais, ali plantados, formando o segundo degrau. Estes tocam a bola para o meio-campo, que a toca para o ataque, e assim por diante, de escalão em escalão (grotão em grotão, como costumo dizer). O finalizador (no futebol brasileiro, o centroavante de ofício, popularmente conhecido como homem de área, artilheiro, matador, referência etc.) fica lá na frente plantado como um poste à espera da bola, para finalizar. Pouco ajuda na marcação e armação, é um a menos.
Time que joga desse jeito, com jogadores plantados em suas posições, em degraus como numa escada, perde muito tempo na condução da bola até o gol. E é muito fácil barrar um time assim: basta marcar sob pressão a saída de bola, ela nunca avança. Nenhum time no Planeta sabe fazer isso melhor que o Barça.
Ainda que com estrelas como Neymar, a Seleção jogou assim na Copa América e voltou mais cedo pra casa. Todos os adversários marcaram o Brasil sob pressão na saída de bola (e com os dez da linha), e nunca que ela chegava aos nossos finalizadores (ou chegava “ruim”). Lembro que nossos finalizadores são geralmente centroavantes de ofício que jogam “paradões” lá na frente, como Fred na Seleção (depois, no Brasileirão, Fred mudou sua forma de atuar, principalmente nos últimos jogos: passou a compor mais, virou “garçom” de primeira, sem deixar de fazer gols, e aí levou o Fluminense a deslanchar e a quase chegar ao bi --- a reviravolta veio tarde demais.).
O grande problema do Santos está justamente aí. Muricy teve todo o Brasileirão para fazer seu time jogar assim. Mas, como é também técnico que não se modernizou, não conseguiu implantar no Santos esse futebol moderno do Barça, razão pela qual o time espanhol dificilmente perde no Japão.
Apesar de contar com craques como Neymar e Ganso, o Santos ainda pratica o futebol-escadinha, com Borges plantado lá na frente. Foi uma grata surpresa ver Borges mudar suas características e jogar atrás da linha da bola no ataque, contra os japoneses, longe portanto da área e marcando sob pressão os japoneses na saída de bola. É sinal de que Muricy já entendeu que o futebol-escadinha não funciona contra o Barça, daí ter treinado Borges para praticar um futebol assim moderno.
Mas será suficiente? Acho que não. Muricy não se deu conta, aiiiiiiiinda, de que ganhou a Libertadores com um “quase-zagueiro” jogando como centroavante, Zé Love. E que a presença de Zé Love jogando assim foi decisiva na conquista da Taça. Foi quando tivemos o Santos que mais se aproximou do Barça, na forma de jogar. Zé Love não fazia gol, mas roubava muito a bola lá na frente e abria espaço para a finalização de outros, como Neymar, um dos segredos do time na conquista da Libertadores. Agora, o Santos tem Borges em vez de Zé Love.
Muricy disse em coletiva que preparou surpresas para o Barça. Que vai contra-atacar o melhor do mundo. Marmelada na hora da morte mata. Duvido que qualquer surpresa do técnico, de última hora, faça diferença. Mas não deixa de ser ajuda extra que pode facilitar o “Sobrenatural de Almeida”.
Como torço muito para o time de Pelé neste Mundial, vou ver o jogo à espera desses milagres saírem dos pés de Neymar, Ganso, Borges e outros. Se o Santos ganhar o Mundial, terá sido por causa de tais milagres, não porque o time e Muricy se modernizaram. Por todas essas razões, e principalmente pela presença de Guardiola, o Barça é superior ao Santos. Mesmo que perca, continuará sendo, por esses motivos (e não só por causa de Messi), o melhor do mundo.
Adianto: a conquista do Mundial pelo Santos, nessas circunstâncias (de ser salvo pelos milagres), poderá significar novo retrocesso no futebol brasileiro: só nas derrotas, aprendemos como são verdadeiramente construídas as vitórias. Se o Santos vencer desse jeito no Japão, continuaremos a achar que nosso futebol não precisa de táticas nem de esquemas ou sistemas para ganhar, pois conta com gênios como Neymar, que decidem e bastam. E lá se vai pelos ares a Copa de 2014.
Evidentemente, não é isso que me fará desejar a vitória do Barça. Ao contrário, neste Mundial Interclubes sou Santos desde criancinha. Torçamos então em uníssono pela zebra, ou melhor, pelo “Sobrenatural de Almeida”. Abraços a todos.
Tom Capri é Jornalista. Artigo escrito no sábado, dia 17, bem antes da tragédia. Você encontra este texto também em meu NOVO site http://www.virobscurus.com.br/
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A podridão política e moral
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
“Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade” (Santo Tomás de Aquino, “Summa Theologiae”, I-II, q. 21, a. 3).
Lendo o pensamento de São Tomás, voltei o meu para pessoas que marcaram sua vida pela construção de algo que faria o bem ou o mal, de modo a atingir o coletivo. Aquelas que historicamente serão lembradas por prejudicarem, matarem, melhorarem ou salvarem a vida de milhões de seres humanos.
Adolf Hitler foi o primeiro a ser lembrado, mas também me lembrei de pessoas do bem, que nos mais variados setores, inventaram ou lutaram por algo que beneficiou toda a humanidade, como Thomas Alva Edison com mais de 1090 patentes - entre as quais a lâmpada incandescente -, Leonardo da Vinci, Albert Sabin, Nelson Mandela e Steve Jobs.
Infelizmente, após a posse de Lula, os casos corrupção no Brasil passaram a ocorrer em quantidade que "nunca antes na história desse país" haviam sido vistos e tornaram-se nossa maior praga moral. Pensando nos homens públicos brasileiros, só me lembro de pessoas corruptas e de raros exemplos de dignidade como o de Antonio Ermírio de Moraes.
Diariamente a imprensa denuncia novos casos de suspeita ou de corrupção já constatada, nos mais diversos setores da administração pública. São tantos os casos de mensalões, dólares na cueca, desvios, contas no exterior, palestras que rendem fortunas, ministros, políticos e diretores de estatais se encontrando com "chefões" em quartos de hotel, que já se aguarda a cada noticiário, qual será a nova descoberta.
Pessoas denunciadas continuam ocupando cargos públicos por meses, assinando novos contratos suspeitos, dando ordens para a execução de obras comprovadamente superfaturadas e só depois de pressões enormes acabam deixando o cargo, mas apesar dos "mal feitos" cometidos, invariavelmente é substituído por outro membro de seu próprio partido político.
Em uma nova espécie de "mensalão", os diversos Ministérios, empresas e bancos públicos, foram transformados em "propriedades" de partidos que passam a gerir as verbas destes como bem entendem. Em troca, esses partidos aceitam aprovar os mais diversos projetos do governo, inclusive a liberação de verbas legalmente vinculadas a áreas específicas, como as de saúde e educação, para serem utilizadas em quaisquer outras áreas de interesse do Poder Executivo.
Com esse tipo de desvinculação, o governo passa a liberar mais verbas para as emendas que foram propostas por membros do Poder Legislativo ao orçamento da União, conseguindo destes o apoio necessário para que tudo continue, até a necessidade da aprovação de novos projetos ou do novo orçamento para o ano seguinte.
As verbas liberadas para as emendas abastecem os interesses particulares dos membros que as propuseram e em contrapartida, estes aprovam novas solicitações de gastos e de aumentos salariais do Poder Judiciário, fechando o circulo.
Além dos prejuízos econômicos causados pelos participantes dessa farra, ocorre um ainda maior, imensurável, o prejuízo moral causado à população mais jovem, bombardeada em tal quantidade com esse tipo de informação que acabará entendendo ser esse o comportamento normal.
A destruição moral da juventude é mais grave do que a provocada por drogas, pois mesmo o viciado possui consciência do mal provocado por elas, mas aquele que perde sua base moral não a transmitirá a seus filhos e com o tempo, toda a população se tornará corrupta.
Não se pode admitir a continuidade dos corruptos na administração pública sob pena de, em breve, uma nova geração de brasileiros achá-la tão normal que esse impedimento já não será possível.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
“Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade” (Santo Tomás de Aquino, “Summa Theologiae”, I-II, q. 21, a. 3).
Lendo o pensamento de São Tomás, voltei o meu para pessoas que marcaram sua vida pela construção de algo que faria o bem ou o mal, de modo a atingir o coletivo. Aquelas que historicamente serão lembradas por prejudicarem, matarem, melhorarem ou salvarem a vida de milhões de seres humanos.
Adolf Hitler foi o primeiro a ser lembrado, mas também me lembrei de pessoas do bem, que nos mais variados setores, inventaram ou lutaram por algo que beneficiou toda a humanidade, como Thomas Alva Edison com mais de 1090 patentes - entre as quais a lâmpada incandescente -, Leonardo da Vinci, Albert Sabin, Nelson Mandela e Steve Jobs.
Infelizmente, após a posse de Lula, os casos corrupção no Brasil passaram a ocorrer em quantidade que "nunca antes na história desse país" haviam sido vistos e tornaram-se nossa maior praga moral. Pensando nos homens públicos brasileiros, só me lembro de pessoas corruptas e de raros exemplos de dignidade como o de Antonio Ermírio de Moraes.
Diariamente a imprensa denuncia novos casos de suspeita ou de corrupção já constatada, nos mais diversos setores da administração pública. São tantos os casos de mensalões, dólares na cueca, desvios, contas no exterior, palestras que rendem fortunas, ministros, políticos e diretores de estatais se encontrando com "chefões" em quartos de hotel, que já se aguarda a cada noticiário, qual será a nova descoberta.
Pessoas denunciadas continuam ocupando cargos públicos por meses, assinando novos contratos suspeitos, dando ordens para a execução de obras comprovadamente superfaturadas e só depois de pressões enormes acabam deixando o cargo, mas apesar dos "mal feitos" cometidos, invariavelmente é substituído por outro membro de seu próprio partido político.
Em uma nova espécie de "mensalão", os diversos Ministérios, empresas e bancos públicos, foram transformados em "propriedades" de partidos que passam a gerir as verbas destes como bem entendem. Em troca, esses partidos aceitam aprovar os mais diversos projetos do governo, inclusive a liberação de verbas legalmente vinculadas a áreas específicas, como as de saúde e educação, para serem utilizadas em quaisquer outras áreas de interesse do Poder Executivo.
Com esse tipo de desvinculação, o governo passa a liberar mais verbas para as emendas que foram propostas por membros do Poder Legislativo ao orçamento da União, conseguindo destes o apoio necessário para que tudo continue, até a necessidade da aprovação de novos projetos ou do novo orçamento para o ano seguinte.
As verbas liberadas para as emendas abastecem os interesses particulares dos membros que as propuseram e em contrapartida, estes aprovam novas solicitações de gastos e de aumentos salariais do Poder Judiciário, fechando o circulo.
Além dos prejuízos econômicos causados pelos participantes dessa farra, ocorre um ainda maior, imensurável, o prejuízo moral causado à população mais jovem, bombardeada em tal quantidade com esse tipo de informação que acabará entendendo ser esse o comportamento normal.
A destruição moral da juventude é mais grave do que a provocada por drogas, pois mesmo o viciado possui consciência do mal provocado por elas, mas aquele que perde sua base moral não a transmitirá a seus filhos e com o tempo, toda a população se tornará corrupta.
Não se pode admitir a continuidade dos corruptos na administração pública sob pena de, em breve, uma nova geração de brasileiros achá-la tão normal que esse impedimento já não será possível.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
“A Privataria Tucana”: não existe mais bobo no marketing
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marcos Guterman
Vende-se como pão quente na internet, em blogs e sites alinhados ao governo petista, a versão segundo a qual os grandes jornais do país estão boicotando o livro “A Privataria Tucana” (Geração Editorial), do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. O motivo seria óbvio: como o livro trata de corrupção e desmandos de tucanos, a imprensa, obviamente classificada de “tucana”, decidiu “silenciar” sobre “a reportagem da década”, como a definiram alguns dos entusiastas do trabalho de Amaury. Eis o cenário ideal para aqueles que vêem os grandes jornais como a vanguarda da oposição “golpista”. É um cenário tão ideal, mas tão ideal, que dá até para desconfiar.
“A Privataria Tucana” foi lançado no dia 9 de dezembro. Segundo o próprio jornalista Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, nenhuma redação de jornal recebeu o livro antes do lançamento. “Nós tínhamos receio de alguma ordem judicial que impedisse a distribuição. E não mandamos para nenhuma redação”, disse Emediato ao site Brasil247. Ou seja, aqueles que acusam a imprensa de “silenciar” sobre o livro queriam que os jornais falassem dele sem que seus jornalistas tivessem a chance de lê-lo.
Como sabe qualquer jornalista que se dedica a resenhar livros, um trabalho com mais de 300 páginas, como o de Amaury, requer pelo menos uma semana de leitura, que deve incluir verificação de dados e informações para enriquecer a crítica. Estamos na terça-feira, apenas quatro dias depois do lançamento, e uma porção de gente militante viu nessa “demora” o sinal evidente de que houve má vontade com o livro.
Mas a estratégia foi ainda mais inteligente. Segundo Emediato, uma única redação recebeu o livro antes do lançamento: a da revista Carta Capital, também alinhada ao governo. Ato contínuo, em sua edição que circulou no dia 9, a publicação trouxe em sua capa “O escândalo Serra”, reportagem sobre o livro de Amaury. Pronto. Estava criada a sensação segundo a qual só a imprensa “progressista” se interessara pelo livro, enquanto a imprensa “golpista” permaneceu em silêncio, sinal evidente de sua cumplicidade com Serra e os tucanos.
Melhor marketing do que esse, impossível.
Marcos Guterman é Jornalista. Originalmente publicado no site do colunista no Estadão On Line de 14 de dezembro de 2011.
Por Marcos Guterman
Vende-se como pão quente na internet, em blogs e sites alinhados ao governo petista, a versão segundo a qual os grandes jornais do país estão boicotando o livro “A Privataria Tucana” (Geração Editorial), do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. O motivo seria óbvio: como o livro trata de corrupção e desmandos de tucanos, a imprensa, obviamente classificada de “tucana”, decidiu “silenciar” sobre “a reportagem da década”, como a definiram alguns dos entusiastas do trabalho de Amaury. Eis o cenário ideal para aqueles que vêem os grandes jornais como a vanguarda da oposição “golpista”. É um cenário tão ideal, mas tão ideal, que dá até para desconfiar.
“A Privataria Tucana” foi lançado no dia 9 de dezembro. Segundo o próprio jornalista Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, nenhuma redação de jornal recebeu o livro antes do lançamento. “Nós tínhamos receio de alguma ordem judicial que impedisse a distribuição. E não mandamos para nenhuma redação”, disse Emediato ao site Brasil247. Ou seja, aqueles que acusam a imprensa de “silenciar” sobre o livro queriam que os jornais falassem dele sem que seus jornalistas tivessem a chance de lê-lo.
Como sabe qualquer jornalista que se dedica a resenhar livros, um trabalho com mais de 300 páginas, como o de Amaury, requer pelo menos uma semana de leitura, que deve incluir verificação de dados e informações para enriquecer a crítica. Estamos na terça-feira, apenas quatro dias depois do lançamento, e uma porção de gente militante viu nessa “demora” o sinal evidente de que houve má vontade com o livro.
Mas a estratégia foi ainda mais inteligente. Segundo Emediato, uma única redação recebeu o livro antes do lançamento: a da revista Carta Capital, também alinhada ao governo. Ato contínuo, em sua edição que circulou no dia 9, a publicação trouxe em sua capa “O escândalo Serra”, reportagem sobre o livro de Amaury. Pronto. Estava criada a sensação segundo a qual só a imprensa “progressista” se interessara pelo livro, enquanto a imprensa “golpista” permaneceu em silêncio, sinal evidente de sua cumplicidade com Serra e os tucanos.
Melhor marketing do que esse, impossível.
Marcos Guterman é Jornalista. Originalmente publicado no site do colunista no Estadão On Line de 14 de dezembro de 2011.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O desafio de formar líderes na Educação
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antônio Carlos Musa Junior
Por todo o mundo, em todos os ambientes corporativos, existe uma convicção: há escassez de boas lideranças. E não é força de expressão. Ocorre que liderar hoje não é o mesmo que há alguns anos. Em um contexto de mudanças imprevisíveis e extremamente velozes, os atributos dos líderes também se transformam.
Se há 20 anos bons líderes eram aqueles profissionais dotados de forte senso de hierarquia, capazes de manter um empreendimento funcionando com regularidade e de forma estável, hoje as empresas procuram gestores com outras qualidades – por exemplo, a competência de enfrentar com agilidade situações novas, com alto poder de comunicação e mobilização, capazes de montar equipes muito motivadas, articulando um repertório diverso de competências.
Isso vale tanto para as empresas de ponta na área de tecnologia como para as instituições educacionais – e é delas que estamos falando.
O tempo de esperar pacientemente o surgimento de lideranças naturais passou. Hoje, todos os empreendimentos exigem uma busca contínua e consciente por boas lideranças. É preciso que as escolas também passem proativamente a buscar e a formar pessoas capazes, dotadas das características do líder contemporâneo.
Não há uma fórmula pronta para isso. Existe, sim, uma atitude de estar aberto a essa demanda. É preciso que os diretores, coordenadores e outros gestores da educação vejam com muito senso de urgência esse desafio. Em primeiro lugar, é preciso que invistam em si próprios como gestores, buscando novas informações, requalificando-se e aprimorando-se. Isso significa que aqueles que ocupam hoje cargos de gestão precisam ver a si mesmos como profissionais em desenvolvimento – e não como antigos líderes prontos e acabados.
Apenas isso não basta. Liderança é uma cultura empresarial, e não um dom de poucos. Por isso, tornou-se saudável, no ambiente escolar, criar um contexto de valorização de lideranças positivas. Um bom gestor deve abrir espaço para que surjam novos líderes e, quando for o caso, precisa também procurar identificá-los fora do ambiente da escola.
Em um contexto de extrema competição, em que o sistema educacional ainda não sabe produzir bons líderes e gestores, as escolas que ignorarem essa tendência contemporânea correm o risco de se tornar instituições pesadas, lentas demais para acompanhar no mesmo passo as transformações econômicas, políticas e culturais que envolvem a todos.
Antônio Carlos Musa Junior é diretor comercial do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br) e do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br), da Editora Saraiva
Por Antônio Carlos Musa Junior
Por todo o mundo, em todos os ambientes corporativos, existe uma convicção: há escassez de boas lideranças. E não é força de expressão. Ocorre que liderar hoje não é o mesmo que há alguns anos. Em um contexto de mudanças imprevisíveis e extremamente velozes, os atributos dos líderes também se transformam.
Se há 20 anos bons líderes eram aqueles profissionais dotados de forte senso de hierarquia, capazes de manter um empreendimento funcionando com regularidade e de forma estável, hoje as empresas procuram gestores com outras qualidades – por exemplo, a competência de enfrentar com agilidade situações novas, com alto poder de comunicação e mobilização, capazes de montar equipes muito motivadas, articulando um repertório diverso de competências.
Isso vale tanto para as empresas de ponta na área de tecnologia como para as instituições educacionais – e é delas que estamos falando.
O tempo de esperar pacientemente o surgimento de lideranças naturais passou. Hoje, todos os empreendimentos exigem uma busca contínua e consciente por boas lideranças. É preciso que as escolas também passem proativamente a buscar e a formar pessoas capazes, dotadas das características do líder contemporâneo.
Não há uma fórmula pronta para isso. Existe, sim, uma atitude de estar aberto a essa demanda. É preciso que os diretores, coordenadores e outros gestores da educação vejam com muito senso de urgência esse desafio. Em primeiro lugar, é preciso que invistam em si próprios como gestores, buscando novas informações, requalificando-se e aprimorando-se. Isso significa que aqueles que ocupam hoje cargos de gestão precisam ver a si mesmos como profissionais em desenvolvimento – e não como antigos líderes prontos e acabados.
Apenas isso não basta. Liderança é uma cultura empresarial, e não um dom de poucos. Por isso, tornou-se saudável, no ambiente escolar, criar um contexto de valorização de lideranças positivas. Um bom gestor deve abrir espaço para que surjam novos líderes e, quando for o caso, precisa também procurar identificá-los fora do ambiente da escola.
Em um contexto de extrema competição, em que o sistema educacional ainda não sabe produzir bons líderes e gestores, as escolas que ignorarem essa tendência contemporânea correm o risco de se tornar instituições pesadas, lentas demais para acompanhar no mesmo passo as transformações econômicas, políticas e culturais que envolvem a todos.
Antônio Carlos Musa Junior é diretor comercial do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br) e do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br), da Editora Saraiva
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Processo de dessalga da carne seca
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jaqueline Brandão
Quem não gosta de comer um Escondidinho de Carne Seca, Um petisco de Carne Seca com mandioca ou acebolada? Hum, só de pensar nas delicias já dá água na boca, não é mesmo? Porém, a vontade muitas vezes é deixada de lado por conta do “trabalho” que supostamente as pessoas têm na mente. A seguir, falaremos como é o jeito certo de realizar este processo e a melhor forma de conduzi-lo para que você possa obter um resultado satisfatório à mesa.
A culinária brasileira tem enriquecido diante das variedades que os grandes chefes tem se disposto a criar. São suflês, pastéis, canapés, crepes, dentre outras maravilhas que podem ser feitas com carne seca. E para que suas receitas fiquem no ponto certo, o procedimento de dessalga da carne é primordial tanto para o sucesso da receita quanto para a saúde das pessoas. Todo o sal contido na carne deve ser retirado, através do processo de dessalga que deve ser realizado assim que o produto for retirado da embalagem.
Existem duas maneiras de dessalgar o produto. A mais indicada é cortar a carne seca em tiras ou cubos e deixar de molho totalmente submersa em um recipiente com água de um dia para o outro sob refrigeração, trocando ao menos três vezes a água.
Quando a carne é cortada em pedaços menores aumenta a superfície de contato com a água facilitando a retirada do sal. Manter sob refrigeração garantindo a qualidade e sabor da carne seca.
Dica: colocando uma colher de sobremesa de sal na água você acelera a retirada do sal da carne, pois ocorre osmose que é a passagem da água do lugar que tem menos soluto (hipotônico) para o lugar que tem mais soluto (hipertônico).
A segunda forma para dessalgar é mais rápida, porém menos indicada. Na hora do consumo, acrescente uma colher de sal e ferva por dez minutos (conte esse tempo após o inicio do chiado da panela de pressão). Repita esse processo por duas vezes.
Após dessalgar a carne seca, a mesma deve ser tratada como carne fresca devendo ficar em geladeira até sua breve utilização. Na geladeira a carne seca não possui mais as características de conservação e prazo de validade de quando estava na embalagem. Recomenda - se que o consumo em no máximo três dias, ou seja, 72 horas.
Após o dessalgue a carne seca esta pronta. Abuse da criatividade e sabor bem brasileiro. A carne seca pode ser usada como recheio de tortas, salgados, legumes, entrada, prato principal ou acompanhamento.
Já imaginou aquelas férias com a família a base de quitutes e pratos que podem fazer o maior sucesso? Experimente. Invente e curta sua criação com muita imaginação, a galerinha vai adorar as novidades que só você pode proporcionar.
Jaqueline Brandão é Diretora de Relacionamento da FB Comunicação.
Por Jaqueline Brandão
Quem não gosta de comer um Escondidinho de Carne Seca, Um petisco de Carne Seca com mandioca ou acebolada? Hum, só de pensar nas delicias já dá água na boca, não é mesmo? Porém, a vontade muitas vezes é deixada de lado por conta do “trabalho” que supostamente as pessoas têm na mente. A seguir, falaremos como é o jeito certo de realizar este processo e a melhor forma de conduzi-lo para que você possa obter um resultado satisfatório à mesa.
A culinária brasileira tem enriquecido diante das variedades que os grandes chefes tem se disposto a criar. São suflês, pastéis, canapés, crepes, dentre outras maravilhas que podem ser feitas com carne seca. E para que suas receitas fiquem no ponto certo, o procedimento de dessalga da carne é primordial tanto para o sucesso da receita quanto para a saúde das pessoas. Todo o sal contido na carne deve ser retirado, através do processo de dessalga que deve ser realizado assim que o produto for retirado da embalagem.
Existem duas maneiras de dessalgar o produto. A mais indicada é cortar a carne seca em tiras ou cubos e deixar de molho totalmente submersa em um recipiente com água de um dia para o outro sob refrigeração, trocando ao menos três vezes a água.
Quando a carne é cortada em pedaços menores aumenta a superfície de contato com a água facilitando a retirada do sal. Manter sob refrigeração garantindo a qualidade e sabor da carne seca.
Dica: colocando uma colher de sobremesa de sal na água você acelera a retirada do sal da carne, pois ocorre osmose que é a passagem da água do lugar que tem menos soluto (hipotônico) para o lugar que tem mais soluto (hipertônico).
A segunda forma para dessalgar é mais rápida, porém menos indicada. Na hora do consumo, acrescente uma colher de sal e ferva por dez minutos (conte esse tempo após o inicio do chiado da panela de pressão). Repita esse processo por duas vezes.
Após dessalgar a carne seca, a mesma deve ser tratada como carne fresca devendo ficar em geladeira até sua breve utilização. Na geladeira a carne seca não possui mais as características de conservação e prazo de validade de quando estava na embalagem. Recomenda - se que o consumo em no máximo três dias, ou seja, 72 horas.
Após o dessalgue a carne seca esta pronta. Abuse da criatividade e sabor bem brasileiro. A carne seca pode ser usada como recheio de tortas, salgados, legumes, entrada, prato principal ou acompanhamento.
Já imaginou aquelas férias com a família a base de quitutes e pratos que podem fazer o maior sucesso? Experimente. Invente e curta sua criação com muita imaginação, a galerinha vai adorar as novidades que só você pode proporcionar.
Jaqueline Brandão é Diretora de Relacionamento da FB Comunicação.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
O que é que tanto se comunica? Não se trumbica mais?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Acredite. Levei um susto. Não pude fotografar para provar, porque ele passou ventando, rápido, de skate, ladeira abaixo, na descida íngreme da Rua Augusta, pela faixa do meio - aquela contínua, de duas linhas amarelas. O garoto teclava uma mensagem no celular, em alta velocidade, e com os olhos atentos ao teclado, corpo solto, surfando no asfalto. Começo a achar que quem se comunica pode se trumbicar, sim, e virou mania. E toda mania tem seu preço, o de virar doença.
Eles estão em todos os lugares, para onde quer que você olhe. Os olhos esbugalham, os dedos nervosos se movimentam intensamente enquanto a palma da mão segura sem jeito o negocinho preto (tá, pode ser rosa ou em outra cor). A cabeça fica baixa, distraída, e se for de noite você verá apenas um rosto iluminado pela luz branca emanada da tela. Fazem isso - freneticamente - atravessando a rua sem olhar, nos vagões, nos ônibus, tropeçando em buracos, na direção dos carros, na esteira das academias, nas filas dos bancos, dentro de casa, no elevador.
Não são mais só os "ligadores" compulsivos. São os tecladores alucinados batucando, conferindo respostas, repassando, curtindo, compartilhando, num frenesi admirável. As operadoras de telefonia devem estar contentes, mesmo que isso pareça uma forma de economizar ligações. Elas cobram tudo, e sempre saem ganhando.
Antes a gente falava que o povo vivia com o celular dependurado na orelha. Agora ele desceu para as mãos. Não estou acreditando no que ando vendo, nem nestas mudanças todas enlouquecedoras que vêm ocorrendo na comunicação entre as pessoas. Entre uma e outra e entre todas, aos milhares. Acho oportuno falar desse tema agora, porque comunicação é tudo, blá, blá, blá, e no final do ano recrudesce. As mensagens de Natal, amor e consumo já têm chegado por todas as vias. Dizem que guerras, revoluções e a paz estão sendo convocadas assim.
Se as palavras disparadas vão para o éter, para onde irão as palavras tecladas? Lembrei até da célebre "Quatro coisas que não retornam: a flecha disparada, a palavra proferida (e aqui poderia ser "a palavra teclada"), a água passada no moinho e a oportunidade perdida". Não é incomum eu receber por engano mensagens com declarações de amor, cancelamento de compromissos que não são e nunca foram meus, nem o amor, nem a agenda.
Comunicação é forma de ciência. Sou formada nela, embora sem teses, dissertações e mestrados. Jornalismo é comunicação pura. Mesmo assim, e lembrando as aulas de Teoria da Informação, que tudo calculava, não sou capaz de dizer onde é que isso vai dar. Sei de casos de pessoas que se comunicam por SMS e e-mails estando dentro da mesma casa, em família. Na linha: "Vem jantar, que está na mesa"; "Já vou, mãe!" Nesse caso a mensagem é como tanque de guerra e atravessa a muralha da porta do quarto do adolescente. Por isso deram o nome de torpedo? Pode ser. O torpedo te pega onde estiver, tal qual um Exocet. E escreveu não leu o pau comeu.
Somos atingidos e atingimos. Nos emeiamos, nos essemeseiamos. Algumas formas de comunicação pegam mais rápido do que outras. Sempre pensei que uma das mais esperadas seria a via telefone com imagem, com vídeo, mostrando os dois lados do alô!
Boba, eu! Assim, como se manteriam as mentiras? (Estou aqui, no escritório, diz o homem no meio dos lençóis de outra mulher). (Sou loira, olhos verdes, 1m90, seios fartos, vangloria-se a pequena atarracada). Seria o fim da fantasia, também. A gente iria cada vez mais precisar agendar os telefonemas. Primeiro, um bom cabeleireiro, caprichar no modelão, na maquiagem, no cenário que ficará atrás. E de alguma forma isso tudo já ocorre quando se comunica por webcam. Só não vi ainda ninguém usando de forma corriqueira o sistema nos celulares mais modernos, "duais".
Quando funcionam, são ótimas. Ao mesmo tempo, com tanta utilização, nas mais variadas formas, a comunicação pode já estar em colapso, ultrapassado o limite, porque não fomos capazes de zelar por ela, nem pela sua segurança. O uso indiscriminado, os spams, a venda de cadastros pessoais por empresas e operadoras, está tornando a situação calamitosa. Fora que a qualidade das redes parece nunca acompanhar o progresso. Antes eram só emails; agora entra lixo pelo celular. E o que a gente quer mesmo receber, ou precisa receber, ou mesmo espera receber, não chega. Ou se perde.
Mas uma coisa me intriga mais do que as outras. As tarifas, pela hora da morte. Os planos oferecidos em anúncios parecem mais enigmas das esfinges das pirâmides do Egito, com fórmulas que nunca consegui chegar a nenhuma que preste. Os planos de dados jogam com a gente. E a gente perde. Todo final do mês recebo um escalpo, e de duas operadoras, porque não dá para confiar em uma só.
Então, como esse povo todo que não sai do celular, por cima, por baixo, na orelha, ou nas mãos, faz para pagar? Como é que é essa coisa que vejo de "trocar o chip"? Tem gente que anda com vários, na carteira. Até hoje não sei nem como abre a caixinha da bateria de um dos meus, tão sofisticados e inacessíveis eles fazem os aparatos.
Ando no momento Racional MG, compondo o rap da economia da carteira. Pensando seriamente até em revigorar os sinais de fumaça. Claro que já tentei de tudo, consultei um monte de "especialistas". Eles prometem que vão resolver a(s) minha(s) conta(s) "absurda (s)". E nunca mais aparecem.
Não me venha falar de orelhões! Você não sabia? Eles estão morrendo à míngua, arrancados de todas as esquinas e lugares. E você, ingrato, ingrata, nem tinha percebido, não é? Saudades da fichinha!
São Paulo, timtim, claro que eu vivo dizendo oi, mas só para você, em 2012
Marli Gonçalves é jornalista. Obrigada a ficar sempre comunicável.
Por Marli Gonçalves
Acredite. Levei um susto. Não pude fotografar para provar, porque ele passou ventando, rápido, de skate, ladeira abaixo, na descida íngreme da Rua Augusta, pela faixa do meio - aquela contínua, de duas linhas amarelas. O garoto teclava uma mensagem no celular, em alta velocidade, e com os olhos atentos ao teclado, corpo solto, surfando no asfalto. Começo a achar que quem se comunica pode se trumbicar, sim, e virou mania. E toda mania tem seu preço, o de virar doença.
Eles estão em todos os lugares, para onde quer que você olhe. Os olhos esbugalham, os dedos nervosos se movimentam intensamente enquanto a palma da mão segura sem jeito o negocinho preto (tá, pode ser rosa ou em outra cor). A cabeça fica baixa, distraída, e se for de noite você verá apenas um rosto iluminado pela luz branca emanada da tela. Fazem isso - freneticamente - atravessando a rua sem olhar, nos vagões, nos ônibus, tropeçando em buracos, na direção dos carros, na esteira das academias, nas filas dos bancos, dentro de casa, no elevador.
Não são mais só os "ligadores" compulsivos. São os tecladores alucinados batucando, conferindo respostas, repassando, curtindo, compartilhando, num frenesi admirável. As operadoras de telefonia devem estar contentes, mesmo que isso pareça uma forma de economizar ligações. Elas cobram tudo, e sempre saem ganhando.
Antes a gente falava que o povo vivia com o celular dependurado na orelha. Agora ele desceu para as mãos. Não estou acreditando no que ando vendo, nem nestas mudanças todas enlouquecedoras que vêm ocorrendo na comunicação entre as pessoas. Entre uma e outra e entre todas, aos milhares. Acho oportuno falar desse tema agora, porque comunicação é tudo, blá, blá, blá, e no final do ano recrudesce. As mensagens de Natal, amor e consumo já têm chegado por todas as vias. Dizem que guerras, revoluções e a paz estão sendo convocadas assim.
Se as palavras disparadas vão para o éter, para onde irão as palavras tecladas? Lembrei até da célebre "Quatro coisas que não retornam: a flecha disparada, a palavra proferida (e aqui poderia ser "a palavra teclada"), a água passada no moinho e a oportunidade perdida". Não é incomum eu receber por engano mensagens com declarações de amor, cancelamento de compromissos que não são e nunca foram meus, nem o amor, nem a agenda.
Comunicação é forma de ciência. Sou formada nela, embora sem teses, dissertações e mestrados. Jornalismo é comunicação pura. Mesmo assim, e lembrando as aulas de Teoria da Informação, que tudo calculava, não sou capaz de dizer onde é que isso vai dar. Sei de casos de pessoas que se comunicam por SMS e e-mails estando dentro da mesma casa, em família. Na linha: "Vem jantar, que está na mesa"; "Já vou, mãe!" Nesse caso a mensagem é como tanque de guerra e atravessa a muralha da porta do quarto do adolescente. Por isso deram o nome de torpedo? Pode ser. O torpedo te pega onde estiver, tal qual um Exocet. E escreveu não leu o pau comeu.
Somos atingidos e atingimos. Nos emeiamos, nos essemeseiamos. Algumas formas de comunicação pegam mais rápido do que outras. Sempre pensei que uma das mais esperadas seria a via telefone com imagem, com vídeo, mostrando os dois lados do alô!
Boba, eu! Assim, como se manteriam as mentiras? (Estou aqui, no escritório, diz o homem no meio dos lençóis de outra mulher). (Sou loira, olhos verdes, 1m90, seios fartos, vangloria-se a pequena atarracada). Seria o fim da fantasia, também. A gente iria cada vez mais precisar agendar os telefonemas. Primeiro, um bom cabeleireiro, caprichar no modelão, na maquiagem, no cenário que ficará atrás. E de alguma forma isso tudo já ocorre quando se comunica por webcam. Só não vi ainda ninguém usando de forma corriqueira o sistema nos celulares mais modernos, "duais".
Quando funcionam, são ótimas. Ao mesmo tempo, com tanta utilização, nas mais variadas formas, a comunicação pode já estar em colapso, ultrapassado o limite, porque não fomos capazes de zelar por ela, nem pela sua segurança. O uso indiscriminado, os spams, a venda de cadastros pessoais por empresas e operadoras, está tornando a situação calamitosa. Fora que a qualidade das redes parece nunca acompanhar o progresso. Antes eram só emails; agora entra lixo pelo celular. E o que a gente quer mesmo receber, ou precisa receber, ou mesmo espera receber, não chega. Ou se perde.
Mas uma coisa me intriga mais do que as outras. As tarifas, pela hora da morte. Os planos oferecidos em anúncios parecem mais enigmas das esfinges das pirâmides do Egito, com fórmulas que nunca consegui chegar a nenhuma que preste. Os planos de dados jogam com a gente. E a gente perde. Todo final do mês recebo um escalpo, e de duas operadoras, porque não dá para confiar em uma só.
Então, como esse povo todo que não sai do celular, por cima, por baixo, na orelha, ou nas mãos, faz para pagar? Como é que é essa coisa que vejo de "trocar o chip"? Tem gente que anda com vários, na carteira. Até hoje não sei nem como abre a caixinha da bateria de um dos meus, tão sofisticados e inacessíveis eles fazem os aparatos.
Ando no momento Racional MG, compondo o rap da economia da carteira. Pensando seriamente até em revigorar os sinais de fumaça. Claro que já tentei de tudo, consultei um monte de "especialistas". Eles prometem que vão resolver a(s) minha(s) conta(s) "absurda (s)". E nunca mais aparecem.
Não me venha falar de orelhões! Você não sabia? Eles estão morrendo à míngua, arrancados de todas as esquinas e lugares. E você, ingrato, ingrata, nem tinha percebido, não é? Saudades da fichinha!
São Paulo, timtim, claro que eu vivo dizendo oi, mas só para você, em 2012
Marli Gonçalves é jornalista. Obrigada a ficar sempre comunicável.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Como fica a Previdência dos servidores federais
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
Voltou o governo a alegar com cifras extravagantes que é necessário mudar a previdência dos servidores federais sob risco de crise financeira. Até um tempo atrás, quem cobria a previdência dos servidores era o INSS. Se o governo federal tivesse pagado o que lhe cabia, a situação poderia ser outra.
Mas o fato mais grave não é esse. Em 1998 o governo federal aprovou no Congresso a lei 9717. Ela estabelecia limites, obrigações e punições. Entre as obrigações havia de cada estado, município e o governo federal criarem Fundos de Pensão para os novos aposentados. Aliás, a mesma conversa de hoje. Quantos Estados e Municípios criaram e cumpriram a lei? Cheque Estado a Estado grande e Município e Município grande especialmente das Capitais.
O governo federal, claro, não fez rigorosamente nada. E pior, em 2004, através de uma MP descarnou a lei para ficar mais fácil não cumpri-la. E agora repete a mesma ladainha. Quem vai acreditar nos números e nas palavras?
Cumpra-se a lei 9717 de 1998 e -se for necessário- cancele-se, por MP, a MP onde Lula quis quebrar o galho e descumprir a lei 9717 de 1998. Que uma Comissão Especial do Congresso analise a lei 9717\98 e as mudanças de 2004 e, só aí, tome novas decisões. De outra forma é cinismo.
Alguns números das despesas com servidores, aposentados e pensões da união
Senado - Estudo do Senado aponta que as despesas com terceirizados no governo federal cresceram 86% entre 2005 e 2010. A inflação no período foi de 33,2%, medida pelo IPCA. Segundo os consultores legislativos Marcos Mendes e Marcos Kohler, o gasto com terceirizados subiu mais que o pagamento de salário a servidores (66%), as pensões (47%) e as aposentadorias (40%). Em vez de reduzir o número de terceirizados no setor público, como manda o Decreto nº 2.271/1997, o governo elevou o contingente. Segundo dados do site Contas Abertas, em 2007 os gastos com esses trabalhadores foram de R$ 9 bilhões. Em 2010, mesmo com a determinação de que o ano passado seria o prazo final para trocá-los por servidores concursados, as despesas cresceram para R$ 15,5 bilhões.
IPEA, 12/2011 - O gasto com ONGs em 2010 alcançou 4,106 bilhões de reais. Obs. E isso não entra nas despesas como terceirizações. Portanto, o total do gasto de terceirizados + ONGs foi de 19,6 bilhões de reais em 2010 ou 42% das despesas com aposentados.
TCU - As despesas com pessoal somaram 183,278 bilhões em 2010. Destas com remuneração dos servidores civis e militares foram 83,745 bilhões, com aposentados foram 46,496 bilhões e com pensionistas 26,889 bilhões de reais. Os demais são obrigações patronais, despesas judiciais, etc.. Assim o gasto efetivo e direto com pessoal foram 157,13 bilhões de reais. Os descontos dos servidores 11% e patronais de 22%, se aplicam as remunerações ou 33% sobre 83,745 bilhões, portanto 27,635 bilhões de reais, que são receitas.
Se tomarmos apenas o gasto com os aposentados, o déficit seria de 18,861 bilhões muito longe dos 51 bilhões que o ministro da Previdência falou em seu discurso no Congresso. O gasto com pensões se projetado, terá uma curva decrescente tanto pelos direitos anteriores que foram interrompidos (como direito a pensão das filhas solteiras, como o fundo de pensão do congresso, como pela maior expectativa de vida da população, como do menor número de filhos).
E sempre é bom lembrar que a despesas com juros da dívida pública em 2011 será maior que 200 bilhões de reais, 170% maior que a soma do gasto com aposentadorias e pensões.
Portanto, cabe ao Congresso aprofundar a análise dos números e não comprometer o futuro de tantos que sequer fizeram ainda seu concurso público.
Cesar Maia é Economista. Originalmente publicado no ex-Blog de 9 de Dezembro de 2011.
Por Cesar Maia
Voltou o governo a alegar com cifras extravagantes que é necessário mudar a previdência dos servidores federais sob risco de crise financeira. Até um tempo atrás, quem cobria a previdência dos servidores era o INSS. Se o governo federal tivesse pagado o que lhe cabia, a situação poderia ser outra.
Mas o fato mais grave não é esse. Em 1998 o governo federal aprovou no Congresso a lei 9717. Ela estabelecia limites, obrigações e punições. Entre as obrigações havia de cada estado, município e o governo federal criarem Fundos de Pensão para os novos aposentados. Aliás, a mesma conversa de hoje. Quantos Estados e Municípios criaram e cumpriram a lei? Cheque Estado a Estado grande e Município e Município grande especialmente das Capitais.
O governo federal, claro, não fez rigorosamente nada. E pior, em 2004, através de uma MP descarnou a lei para ficar mais fácil não cumpri-la. E agora repete a mesma ladainha. Quem vai acreditar nos números e nas palavras?
Cumpra-se a lei 9717 de 1998 e -se for necessário- cancele-se, por MP, a MP onde Lula quis quebrar o galho e descumprir a lei 9717 de 1998. Que uma Comissão Especial do Congresso analise a lei 9717\98 e as mudanças de 2004 e, só aí, tome novas decisões. De outra forma é cinismo.
Alguns números das despesas com servidores, aposentados e pensões da união
Senado - Estudo do Senado aponta que as despesas com terceirizados no governo federal cresceram 86% entre 2005 e 2010. A inflação no período foi de 33,2%, medida pelo IPCA. Segundo os consultores legislativos Marcos Mendes e Marcos Kohler, o gasto com terceirizados subiu mais que o pagamento de salário a servidores (66%), as pensões (47%) e as aposentadorias (40%). Em vez de reduzir o número de terceirizados no setor público, como manda o Decreto nº 2.271/1997, o governo elevou o contingente. Segundo dados do site Contas Abertas, em 2007 os gastos com esses trabalhadores foram de R$ 9 bilhões. Em 2010, mesmo com a determinação de que o ano passado seria o prazo final para trocá-los por servidores concursados, as despesas cresceram para R$ 15,5 bilhões.
IPEA, 12/2011 - O gasto com ONGs em 2010 alcançou 4,106 bilhões de reais. Obs. E isso não entra nas despesas como terceirizações. Portanto, o total do gasto de terceirizados + ONGs foi de 19,6 bilhões de reais em 2010 ou 42% das despesas com aposentados.
TCU - As despesas com pessoal somaram 183,278 bilhões em 2010. Destas com remuneração dos servidores civis e militares foram 83,745 bilhões, com aposentados foram 46,496 bilhões e com pensionistas 26,889 bilhões de reais. Os demais são obrigações patronais, despesas judiciais, etc.. Assim o gasto efetivo e direto com pessoal foram 157,13 bilhões de reais. Os descontos dos servidores 11% e patronais de 22%, se aplicam as remunerações ou 33% sobre 83,745 bilhões, portanto 27,635 bilhões de reais, que são receitas.
Se tomarmos apenas o gasto com os aposentados, o déficit seria de 18,861 bilhões muito longe dos 51 bilhões que o ministro da Previdência falou em seu discurso no Congresso. O gasto com pensões se projetado, terá uma curva decrescente tanto pelos direitos anteriores que foram interrompidos (como direito a pensão das filhas solteiras, como o fundo de pensão do congresso, como pela maior expectativa de vida da população, como do menor número de filhos).
E sempre é bom lembrar que a despesas com juros da dívida pública em 2011 será maior que 200 bilhões de reais, 170% maior que a soma do gasto com aposentadorias e pensões.
Portanto, cabe ao Congresso aprofundar a análise dos números e não comprometer o futuro de tantos que sequer fizeram ainda seu concurso público.
Cesar Maia é Economista. Originalmente publicado no ex-Blog de 9 de Dezembro de 2011.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Ainda a carga tributária brasileira...
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Arthur De Biasi
Independentemente ou não da aprovação de uma Reforma Tributária, que há vários anos dorme no Congresso Nacional por falta de vontade política do Executivo, com a conivência de nossos políticos, algumas considerações devem ser feitas sobre o perfil de nossa carga tributária e algumas propostas de mudança do atual cenário. Não há dúvida de que a regressividade de nossa carga tributária, priorizando os tributos indiretos ─ que respondem por 52% da arrecadação ─, é prejudicial às classes menos favorecidas.
Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária), a nossa carga tributária é uma das mais altas do mundo. Considerando que os serviços prestados aos cidadãos estão muito aquém do desejável, é, também, uma das mais injustas. Aponta o estudo que, “para a classe média, parcela da população que tem renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais, os tributos são ainda mais perversos. Isso porque essa é a faixa de renda que mais paga impostos no Brasil, mais ainda do que aqueles que ganham mais de R$ 10 mil (proporcionalmente)”.
Conclui-se, portanto, que os mais ricos suportam uma carga proporcionalmente menor. Diante desse quadro, muitos tributaristas defendem o aumento dos impostos diretos, como o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSL (Contribuição Social sobre o Lucro), para as empresas e das alíquotas progressivas da Tabela de Imposto de Renda para as pessoas físicas. Todavia, o aumento na arrecadação desses tributos teria que ser compensado pela redução da carga tributária gerada pelos tributos indiretos incidentes sobre o consumo que oneram as classes menos favorecidas.
Outra proposta questiona o benefício gerado para as empresas pelo cálculo dos juros sobre capital próprio. Nela, o governo renuncia a uma arrecadação, via de regra, de 34% na pessoa Jurídica, pela tributação de 15% exclusiva na fonte, como ônus da pessoa física dos sócios. Em 2005, esse benefício correspondeu a uma renúncia tributária de R$ 3,7 bilhões. Por outro lado, os cinco maiores bancos brasileiros, com um lucro histórico em 2005, distribuíram o montante de R$ 6 bilhões a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio.
Outra corrente propõe, ainda, o restabelecimento da tributação dos lucros e dividendos distribuídos aos sócios ou acionistas, cuja isenção remonta aos resultados apurados a partir do ano–calendário de 1996, exercício de 1997. Finalmente, deixando outras propostas para uma próxima abordagem, há os que pretendem tributar, de forma mais acentuada, os ganhos derivados de aplicações financeiras.
Todas essas sugestões, aliadas à de desoneração da folha de pagamento, poderiam ser bem-vindas se o governo tivesse vontade política para compensar o aumento da arrecadação nos tributos diretos com a redução proporcional dos tributos incidentes sobre o consumo. Com isso, beneficiaria toda a sociedade.
Porém, não podemos apostar nisso pelas experiências passadas. Afinal, se a arrecadação federal evolui mês a mês, com sucessivos recordes, porque ele iria mexer em time que está ganhando? Finalmente, lembramos que o Brasil obteve o “ranking” negativo de bicampeão mundial dos custos empresariais para atender às exigências fiscais nas três esferas do governo. As empresas brasileiras gastaram, em 2010, R$ 43 bilhões em pessoal alocado exclusivamente para atender suas obrigações fiscais! Isto é uma vergonha!
Arthur De Biasi é sócio-diretor da De Biasi Auditores Independentes.
Por Arthur De Biasi
Independentemente ou não da aprovação de uma Reforma Tributária, que há vários anos dorme no Congresso Nacional por falta de vontade política do Executivo, com a conivência de nossos políticos, algumas considerações devem ser feitas sobre o perfil de nossa carga tributária e algumas propostas de mudança do atual cenário. Não há dúvida de que a regressividade de nossa carga tributária, priorizando os tributos indiretos ─ que respondem por 52% da arrecadação ─, é prejudicial às classes menos favorecidas.
Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária), a nossa carga tributária é uma das mais altas do mundo. Considerando que os serviços prestados aos cidadãos estão muito aquém do desejável, é, também, uma das mais injustas. Aponta o estudo que, “para a classe média, parcela da população que tem renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais, os tributos são ainda mais perversos. Isso porque essa é a faixa de renda que mais paga impostos no Brasil, mais ainda do que aqueles que ganham mais de R$ 10 mil (proporcionalmente)”.
Conclui-se, portanto, que os mais ricos suportam uma carga proporcionalmente menor. Diante desse quadro, muitos tributaristas defendem o aumento dos impostos diretos, como o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSL (Contribuição Social sobre o Lucro), para as empresas e das alíquotas progressivas da Tabela de Imposto de Renda para as pessoas físicas. Todavia, o aumento na arrecadação desses tributos teria que ser compensado pela redução da carga tributária gerada pelos tributos indiretos incidentes sobre o consumo que oneram as classes menos favorecidas.
Outra proposta questiona o benefício gerado para as empresas pelo cálculo dos juros sobre capital próprio. Nela, o governo renuncia a uma arrecadação, via de regra, de 34% na pessoa Jurídica, pela tributação de 15% exclusiva na fonte, como ônus da pessoa física dos sócios. Em 2005, esse benefício correspondeu a uma renúncia tributária de R$ 3,7 bilhões. Por outro lado, os cinco maiores bancos brasileiros, com um lucro histórico em 2005, distribuíram o montante de R$ 6 bilhões a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio.
Outra corrente propõe, ainda, o restabelecimento da tributação dos lucros e dividendos distribuídos aos sócios ou acionistas, cuja isenção remonta aos resultados apurados a partir do ano–calendário de 1996, exercício de 1997. Finalmente, deixando outras propostas para uma próxima abordagem, há os que pretendem tributar, de forma mais acentuada, os ganhos derivados de aplicações financeiras.
Todas essas sugestões, aliadas à de desoneração da folha de pagamento, poderiam ser bem-vindas se o governo tivesse vontade política para compensar o aumento da arrecadação nos tributos diretos com a redução proporcional dos tributos incidentes sobre o consumo. Com isso, beneficiaria toda a sociedade.
Porém, não podemos apostar nisso pelas experiências passadas. Afinal, se a arrecadação federal evolui mês a mês, com sucessivos recordes, porque ele iria mexer em time que está ganhando? Finalmente, lembramos que o Brasil obteve o “ranking” negativo de bicampeão mundial dos custos empresariais para atender às exigências fiscais nas três esferas do governo. As empresas brasileiras gastaram, em 2010, R$ 43 bilhões em pessoal alocado exclusivamente para atender suas obrigações fiscais! Isto é uma vergonha!
Arthur De Biasi é sócio-diretor da De Biasi Auditores Independentes.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Coragens e ousadias
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
A insegurança vivida atualmente por todos está tornando as pessoas cada vez mais isoladas, com suas residências cercadas por enormes muros, cercas elétricas, câmaras filmando o lado externo, os porteiros dos prédios trabalhando em cabines fechadas com vidros blindados e só se comunicando através de microfones.
As novas tecnologias de comunicação, a internet e as chamadas redes sociais estão facilitando exponencialmente esse isolamento, fazendo as pessoas se distanciarem do mundo real e se aproximarem do virtual.
Como observador leigo em ciências do comportamento humano, vejo lados negativos, mas também positivos nessa nova sociedade que aí está.
As brincadeiras que conhecemos em nossa infância, com os amigos da vizinhança ou da escola, jogando bola no meio da rua hoje são impraticáveis e quando muito as crianças, acompanhadas, brincam no playground dos prédios com os únicos moradores da sua faixa etária.
Por outro lado, esse maior tempo em casa com a internet ao nosso alcance, abre um horizonte de possibilidades antes inimaginável e atualmente ainda imensurável.
Todo tipo de serviço está à disposição no teclado do computador, desde a solicitação da entrega de pratos feitos, compras de tudo o que se puder imaginar, controles bancários, pagamentos de contas, bibliotecas com milhões de títulos, músicas e filmes para todos os gostos e faixas etárias.
Podemos obter informações detalhadas e até realizar viagens virtuais por países ou locais específicos, onde não poderíamos estar fisicamente e aprender sobre as diferentes culturas existentes, nossas origens e histórias.
A possibilidade do conhecimento, ainda que virtual, de novas pessoas, dos mais variados países, culturas, nível educacional e social, liberou milhares de pessoas - principalmente as mulheres - de suas inibições, curiosidades, fantasias e desejos.
Através da internet podem se comunicar livremente, protegidas pela segurança de seu próprio lar e sem qualquer tipo de barreira, gerando maiores liberdades e coragem para expressar o que pensam e sentem.
Como crianças inocentes e curiosas, nela podem dizer e perguntar tudo, sobre os mais variados assuntos, sorrir e chorar, errar e acertar, experimentar ou recusar sem culpas ou necessidade de se explicar, justificar.
Durante os últimos cinquenta anos as mulheres do mundo todo vêm lutando por igualdades com os homens nos mais diversos setores da estrutura social. Seu sucesso é amplamente observado em vários países, muitos até governados por elas, mas em outros, sua submissão continua de modo até criminoso.
Normalmente criadas bem mais reprimidas que os homens, as mulheres encontram na internet o ambiente ideal para se liberarem de suas amarras culturais, educacionais e o que sempre buscaram: igualdade total, onde podem declarar interesse por algo ou alguém, sentir emoções, tentações e prazeres.
Vivendo essa liberdade plena as pessoas certamente transportarão para muitos momentos de sua vida real essa nova maneira de se relacionar, possibilitando a existência de um mundo muito melhor, mais aberto, franco, menos hipócrita e falso.
O que realmente interessa para todos, homens e mulheres, é estar em paz consigo mesmo e ter a coragem de buscar seus objetivos emocionais, culturais, físicos ou financeiros.
A coragem e a ousadia são as características mais importantes para nos distinguir das bilhões de pessoas existentes.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
A insegurança vivida atualmente por todos está tornando as pessoas cada vez mais isoladas, com suas residências cercadas por enormes muros, cercas elétricas, câmaras filmando o lado externo, os porteiros dos prédios trabalhando em cabines fechadas com vidros blindados e só se comunicando através de microfones.
As novas tecnologias de comunicação, a internet e as chamadas redes sociais estão facilitando exponencialmente esse isolamento, fazendo as pessoas se distanciarem do mundo real e se aproximarem do virtual.
Como observador leigo em ciências do comportamento humano, vejo lados negativos, mas também positivos nessa nova sociedade que aí está.
As brincadeiras que conhecemos em nossa infância, com os amigos da vizinhança ou da escola, jogando bola no meio da rua hoje são impraticáveis e quando muito as crianças, acompanhadas, brincam no playground dos prédios com os únicos moradores da sua faixa etária.
Por outro lado, esse maior tempo em casa com a internet ao nosso alcance, abre um horizonte de possibilidades antes inimaginável e atualmente ainda imensurável.
Todo tipo de serviço está à disposição no teclado do computador, desde a solicitação da entrega de pratos feitos, compras de tudo o que se puder imaginar, controles bancários, pagamentos de contas, bibliotecas com milhões de títulos, músicas e filmes para todos os gostos e faixas etárias.
Podemos obter informações detalhadas e até realizar viagens virtuais por países ou locais específicos, onde não poderíamos estar fisicamente e aprender sobre as diferentes culturas existentes, nossas origens e histórias.
A possibilidade do conhecimento, ainda que virtual, de novas pessoas, dos mais variados países, culturas, nível educacional e social, liberou milhares de pessoas - principalmente as mulheres - de suas inibições, curiosidades, fantasias e desejos.
Através da internet podem se comunicar livremente, protegidas pela segurança de seu próprio lar e sem qualquer tipo de barreira, gerando maiores liberdades e coragem para expressar o que pensam e sentem.
Como crianças inocentes e curiosas, nela podem dizer e perguntar tudo, sobre os mais variados assuntos, sorrir e chorar, errar e acertar, experimentar ou recusar sem culpas ou necessidade de se explicar, justificar.
Durante os últimos cinquenta anos as mulheres do mundo todo vêm lutando por igualdades com os homens nos mais diversos setores da estrutura social. Seu sucesso é amplamente observado em vários países, muitos até governados por elas, mas em outros, sua submissão continua de modo até criminoso.
Normalmente criadas bem mais reprimidas que os homens, as mulheres encontram na internet o ambiente ideal para se liberarem de suas amarras culturais, educacionais e o que sempre buscaram: igualdade total, onde podem declarar interesse por algo ou alguém, sentir emoções, tentações e prazeres.
Vivendo essa liberdade plena as pessoas certamente transportarão para muitos momentos de sua vida real essa nova maneira de se relacionar, possibilitando a existência de um mundo muito melhor, mais aberto, franco, menos hipócrita e falso.
O que realmente interessa para todos, homens e mulheres, é estar em paz consigo mesmo e ter a coragem de buscar seus objetivos emocionais, culturais, físicos ou financeiros.
A coragem e a ousadia são as características mais importantes para nos distinguir das bilhões de pessoas existentes.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
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