Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Apesar de ainda faltarem dois longos anos para lá chegar, eu me identifiquei bastante lendo um texto de Regina de Castro Pompeu "De repente 60".
A amiga de juventude que o enviou dizia perceber que já possui bem mais passado do que futuro, já não possuía mais tempo a perder e que agora procurava dar mais carinho, amor, cumplicidade e amizade aos que mais quer, mas cobrava receber o mesmo, pois o tempo passava e amanhã poderia ser tarde. Já ouvira muitas coisas semelhantes, mas dito assim, ao lado do texto enviado, despertou-me atenção para os raciocínios.
Por termos presenciado tantas mudanças radicais pelas quais passou a humanidade no período, realmente somos de uma geração extremamente privilegiada. Nesse período fizeram história John F. Kennedy, Martin Luther King, Frank Sinatra, os Beatles, Elvis Presley, Michael Jackson, Juscelino Kubitschek, Vinicius de Morais, Tom Jobim e Elis Regina, citando somente os que já não estão entre nós.
Presenciamos o surgimento das eletrolas, vitrolas, dos gravadores com fitas de rolo, cartucho e cassete - que os adolescentes provavelmente já nem sabem do que se trata -, o início e a proximidade do fim dos CDs, DVDs e mp3, que deram lugar aos pen-drives e blu-rays.
As televisões com as imagens em preto e branco eram um luxo e durante muito tempo só eram encontradas nas residências das famílias com maior poder aquisitivo. Vieram as coloridas e muitas prefeituras dos municípios do interior colocavam um aparelho na principal praça da cidade, para que todos tivessem acesso.
As máquinas fotográficas eram enormes e mesmo quando se tornaram portáteis eram caras, não acessíveis para a grande maioria da população e gravavam as imagens em filmes de 35 mm que precisavam ser revelados.
Na década de cinquenta eram muito poucas as opções de transporte, realizado por jardineiras, trens ou bondes urbanos, pois os poucos modelos de automóveis existentes possuíam custo inimaginável para a população. Assistimos a tudo isso, mas também vimos o homem pisar na lua.
As comunicações evoluíram desde o telefone com manivela, passando pela chamada através da telefonista, aparelhos automáticos, os sem fio e celulares, chegando aos atuais smartphones.
Atualmente, as televisões e os telefones, fixos ou móveis, são de qualidade muito superior, de tamanhos de bolso a verdadeiras telas cinematográficas, acessíveis para toda a população e onde quer que ela esteja.
As opções são muitas, com canais abertos ou pay-per-view, analógicos ou digitais, celulares pré e pós-pagos, além de Skype, VOIP, etc., com todas as transmissões de imagem e som por cabos, antenas parabólicas, radio-frequência ou satélites.
Nas cidades estranhas, a cada trecho percorrido, parávamos para pedir informações, mas com os atuais aparelhos de GPS portáteis, não se erra mais qualquer endereço, pois uma voz eletrônica não silencia enquanto qualquer erro no trajeto não for corrigido.
A ciência e a medicina evoluíram de tal maneira nesse período que a expectativa média de vida dos brasileiros passou de quarenta para setenta e cinco anos.
Com os jovens, presenciamos o surgimento da geração i... Pod, Phone e Pad, dos diversos sistemas operacionais dos PCs, notebooks, smartphones e tablets, da "computação em nuvem", além da morte de um gênio visionário, que criou ou possibilitou a criação da maioria dessas invenções, Steve Jobs.
Os que já possuem mais de sessenta anos podem se orgulhar de terem vivido no período mais fértil de progresso que a humanidade já conheceu.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O Ataque dos Jericos Humanos
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Olha, do jeito que a coisa anda, a gente até fica muito mais criativo. Porque, para definir algumas coisas que vemos e ouvimos. só inventando novas palavras ou movimentos que dêem boas onomatopéias. Se bem que as do soco - Pow! Tum! Soc! Paf! Póim!- Batman e Robin já imortalizaram.
Andei pensando em virar super-herói. No caso, super-heroína. E já vou adiantando que o meu uniforme seria realmente imbatível. Coladinho, pin-up, provavelmente preto e branco, e com adaptadores de todos os acessórios maravilhosos que usaria para a minha missão. Inclusive o que me tornaria invisível aos olhos dos maus e dos babacas desidratados que temos de suportar tentando ou fazendo bobagens todos os dias. O pior é que eles se levam a sério!
Qual seria a missão? Em resumo? Apontar e desapontar os responsáveis pelas ideias de jerico que acabam circulando livres entre nós, ocupando espaços, como se elas - as tais ideias - pudessem gozar de liberdade, até como se ideias fossem, se tivessem algum fundamento.
Vamos pensando juntos e vocês me ajudam a aperfeiçoar meus planos? Vamos lá.
A violência grassa e não só nas grandes cidades. Há muitos assaltos, roubos, ataques covardes, invasões de propriedade. Aí o jerico-mor, seguido dos jeriquinhos puxa-sacos, resolve notar que há uma incidência grande de assaltos feitos com motocicletas; uma parte executada pela pessoa que está de carona, sentadinho atrás do piloto. Pronto! Resolvido! Proíbam-se as caronas!
Moto agora é coisa para uma pessoa só. E já que estamos nessa, revoguem logo a obrigatoriedade de usar capacete, porque torna impossível a identificação. Daqui a pouco serão proibidas também as cestinhas das bicicletas femininas - podem conter explosivos. Motor em bicicleta? Nem pensar - podem ajudar na fuga em alta velocidade. Proíbam também os triciclos. Os carrinhos rolimã, que deslizam muito. Ah, proíbam os tênis! Ajudam a correr em fuga.
O que uma super-heroína poderia fazer, vai, me diga, que fosse mais radical? Proibir a fabricação de armas? Mas tem gente que assalta de garfo e faca, inclusive para comer. No caso, eu chamaria os outros super-heróis, um bandinho, bem colorido e mascarado, invadiria o plenário da Assembleia onde leis assim são decididas e faria um coro de vaias.
Enquanto isso um grupo da Liga Especial analisaria todos os projetos e investigaria os gabinetes exterminando outras ideias como essa que só gastam nosso dinheiro e são impraticáveis. Temos uma líder, heroína-mor, graças a Deus: a Constituição Federal, que essa gente vive querendo atropelar.
Depois dessa missão, voaremos para Brasília. Digo logo que, se eu já fosse uma super-heroína, nessa semana teria entrado no plenário da Câmara Federal em minha forma invisível e levado o Jair Bolsonaro ao chão antes que ele fizesse mais um pronunciamento preconceituoso, safado e ignorante como o que levou adiante, na cara dos outros bobões, inclusive os que deveriam ter reagido duramente na hora.
Como é que ainda está lá um sujeito grosso como esse, que agride repórteres, outros parlamentares, as mulheres, os gays, as crenças, a língua portuguesa, a nossa inteligência e paciência e ainda agride verbalmente a própria presidente da República?
Cadê vocês, Marta Suplicy e seu partido? Cadê vocês, base aliada e desalinhada? Cadê vocês, polícia, Justiça, comissões de ética? Dedetizadores? Podemos saber por que é que esse cidadão ainda não foi cassado? Passaram-se já muito mais de 24 horas desde que ele questionou a orientação sexual de Dilma Rousseff, como se fosse do bedelho dele o que ela faz com o que tem.
Bem, cansei só de falar nestes dois exemplos. Mas teremos muitas outras oportunidades de voltar ao assunto e chamar nossos heróis, infelizmente só imaginários. Vai ter aquele com o dom de catar gringo e esfregar a cara dele no óleo derramado; vai ter o que pega -com raio X - babaca que bebe e sai matando e com um super laser gira, gira, gira com eles para fora do Universo.
Penso no Caratê Kid, certeiro. No Robin Hood, reorganizando as coisas. Na Mulher Maravilha dando uns bicos nos homens espancadores e nos estupradores. No Homem-Aranha jogando uma gosminha bem grudenta, mas bem mais eficaz do que andam as prisões de nosso país.
Penso até que eu também poderia ser só uma mera e heroica mosquinha. Primeiro para ouvir certas conversas. Mas também porque poderia passar a aterrorizar os jericos humanos, que não têm rabo para espantar o zum-zum-zum que faria nos ouvidos deles.
São Paulo, grrrrrr, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Pensando melhor no uniforme de super-heroína teve umas ideias que deixariam muitos estilistas boquiabertos. Quanto aos equipamentos necessários, só consultando o 007. Mas até ele deve andar com medo de passar por aqui. Muito medo.
Por Marli Gonçalves
Olha, do jeito que a coisa anda, a gente até fica muito mais criativo. Porque, para definir algumas coisas que vemos e ouvimos. só inventando novas palavras ou movimentos que dêem boas onomatopéias. Se bem que as do soco - Pow! Tum! Soc! Paf! Póim!- Batman e Robin já imortalizaram.
Andei pensando em virar super-herói. No caso, super-heroína. E já vou adiantando que o meu uniforme seria realmente imbatível. Coladinho, pin-up, provavelmente preto e branco, e com adaptadores de todos os acessórios maravilhosos que usaria para a minha missão. Inclusive o que me tornaria invisível aos olhos dos maus e dos babacas desidratados que temos de suportar tentando ou fazendo bobagens todos os dias. O pior é que eles se levam a sério!
Qual seria a missão? Em resumo? Apontar e desapontar os responsáveis pelas ideias de jerico que acabam circulando livres entre nós, ocupando espaços, como se elas - as tais ideias - pudessem gozar de liberdade, até como se ideias fossem, se tivessem algum fundamento.
Vamos pensando juntos e vocês me ajudam a aperfeiçoar meus planos? Vamos lá.
A violência grassa e não só nas grandes cidades. Há muitos assaltos, roubos, ataques covardes, invasões de propriedade. Aí o jerico-mor, seguido dos jeriquinhos puxa-sacos, resolve notar que há uma incidência grande de assaltos feitos com motocicletas; uma parte executada pela pessoa que está de carona, sentadinho atrás do piloto. Pronto! Resolvido! Proíbam-se as caronas!
Moto agora é coisa para uma pessoa só. E já que estamos nessa, revoguem logo a obrigatoriedade de usar capacete, porque torna impossível a identificação. Daqui a pouco serão proibidas também as cestinhas das bicicletas femininas - podem conter explosivos. Motor em bicicleta? Nem pensar - podem ajudar na fuga em alta velocidade. Proíbam também os triciclos. Os carrinhos rolimã, que deslizam muito. Ah, proíbam os tênis! Ajudam a correr em fuga.
O que uma super-heroína poderia fazer, vai, me diga, que fosse mais radical? Proibir a fabricação de armas? Mas tem gente que assalta de garfo e faca, inclusive para comer. No caso, eu chamaria os outros super-heróis, um bandinho, bem colorido e mascarado, invadiria o plenário da Assembleia onde leis assim são decididas e faria um coro de vaias.
Enquanto isso um grupo da Liga Especial analisaria todos os projetos e investigaria os gabinetes exterminando outras ideias como essa que só gastam nosso dinheiro e são impraticáveis. Temos uma líder, heroína-mor, graças a Deus: a Constituição Federal, que essa gente vive querendo atropelar.
Depois dessa missão, voaremos para Brasília. Digo logo que, se eu já fosse uma super-heroína, nessa semana teria entrado no plenário da Câmara Federal em minha forma invisível e levado o Jair Bolsonaro ao chão antes que ele fizesse mais um pronunciamento preconceituoso, safado e ignorante como o que levou adiante, na cara dos outros bobões, inclusive os que deveriam ter reagido duramente na hora.
Como é que ainda está lá um sujeito grosso como esse, que agride repórteres, outros parlamentares, as mulheres, os gays, as crenças, a língua portuguesa, a nossa inteligência e paciência e ainda agride verbalmente a própria presidente da República?
Cadê vocês, Marta Suplicy e seu partido? Cadê vocês, base aliada e desalinhada? Cadê vocês, polícia, Justiça, comissões de ética? Dedetizadores? Podemos saber por que é que esse cidadão ainda não foi cassado? Passaram-se já muito mais de 24 horas desde que ele questionou a orientação sexual de Dilma Rousseff, como se fosse do bedelho dele o que ela faz com o que tem.
Bem, cansei só de falar nestes dois exemplos. Mas teremos muitas outras oportunidades de voltar ao assunto e chamar nossos heróis, infelizmente só imaginários. Vai ter aquele com o dom de catar gringo e esfregar a cara dele no óleo derramado; vai ter o que pega -com raio X - babaca que bebe e sai matando e com um super laser gira, gira, gira com eles para fora do Universo.
Penso no Caratê Kid, certeiro. No Robin Hood, reorganizando as coisas. Na Mulher Maravilha dando uns bicos nos homens espancadores e nos estupradores. No Homem-Aranha jogando uma gosminha bem grudenta, mas bem mais eficaz do que andam as prisões de nosso país.
Penso até que eu também poderia ser só uma mera e heroica mosquinha. Primeiro para ouvir certas conversas. Mas também porque poderia passar a aterrorizar os jericos humanos, que não têm rabo para espantar o zum-zum-zum que faria nos ouvidos deles.
São Paulo, grrrrrr, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Pensando melhor no uniforme de super-heroína teve umas ideias que deixariam muitos estilistas boquiabertos. Quanto aos equipamentos necessários, só consultando o 007. Mas até ele deve andar com medo de passar por aqui. Muito medo.
domingo, 27 de novembro de 2011
Quem pertence a quem no Cinema?
Artigo-desabafo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Batista de Andrade
VAMOS FALAR SÉRIO AQUI NO FB? Recebi mensagens muito amigas. Algumas me perguntam qual a dificuldade. Eu sempre me pergunto se minha vida é o cinema ou se o cinema é que é minha vida. Quem pertence a quem?
A resposta poderia me ajudar a suportar a dificuldade em retomar minha carreira, depois de tantos filmes, tanta ...história, tanta luta, tantos prêmios, tantas homenagens. Tenho me mantido sereno, racional, tenho procurado falar com amigos. Mas tenho denunciado também a política de exclusão e a eutanásia cultural.
"Novos" valores pedem "novos" cineastas. Serão mesmo "novos"? - por trás de tudo há uma luta cega pelo poder. E pelos recursos.
Na Europa, os cineastas podem dizer que morrerão filmando. Não no Brasil. Aqui somos descartáveis. Venho vivendo esse desrespeito desde os anos 90, fazendo filmes na marra, na contramão, com escassos recursos e apoios. Há dez anos não ganho um só edital de produção e se não parei é por que comecei minha vida de cineasta assim, fazendo filmes na pura loucura, sem dinheiro.
Assim fiz o "Rua Seis sem Número " (Berlim/2002) "Vida de Artista" (Melhor filme Fest. Mostra Filme Livre Rio/2004), "Veias e Vinhos" 2006, "Vlado, 30 anos depois"( 2005). Mas chega um momento em que é preciso voar mais, sair das pequenas produções, voltar ao meu ciclo virtuoso dos anos 80 com "Doramundo" (Melhor filme Gramado/78), "O homem que virou suco" (Melhor Filme Moscou/81), "A próxima Vítima" (vários prêmios1983), "Céu Aberto" (Melhor filme Office Catolic/1985 e muitos outros prêmios), "O País dos Tenentes" (Melhor filme Festval do Rio/1987 e muiiiitos prêmios). É o ciclo de filmes que seguiram a história do Brasil da ditadura à abertura. É isso.
Me danei em 90, com o plano Collor, perdi o filme de ficção que faria sobre o Vlado (Vladimir Herzog). Me auto-exilei em Goiás, voltei em 2002, fui Secretário da Cultura de SP, elaborei e implantei a Lei da Cultura, o PROAC que injeta milhões de reais todos os anos na produção cultural desse estado (inclusive no cinema paulista). Saí da Secretaria da Cultura pensando em voltar à minha carreira de cineasta. É difícil.
Como já disse, o desrespeito é enorme: há dez anos não ganho um só edital nem estadual nem federal. E posso garantir: os projetos são bons e tenho toda a minha carreira como aval. Olha, eu gosto de muita coisa na vida: gosto de cinema, gosto de escrever, gosto de desenhar, gosto de mato ( tenho paixão pelo cerrado e conheço ali as frutas, as plantas, os animais).
Não pertenço ao cinema e nenhum laço covarde vai me prender a essa cadeia de insensatez e covardia. Pois o descarte dos veteranos é mesmo uma eutanásia cultural que denuncio. Daqui a poucos dias completo meus 72 anos, quase 50 deles dedicados ao cinema e à luta do cinema brasileiro.
Sou ainda um garoto em todos os sentidos: fisica e mentalmente. E vou procurar minha vida em algum prazer de viver, fora dessa perigosa irracionalidade que, infelizmente, não tenho conseguido mudar. Se for assim, ficarão minhas obras, meus livros, meus textos, a memória de minhas lutas, as entidades e festivais que criei ou ajudei a criar, minha presença um tanto fantasmagórica pela história dos últimos 50 anos do cinema brasileiro e de nossa política cultural.
O QUE NINGUÉM PODERÁ FAZER É ME IMPEDIR DE PENSAR E SER CRÍTICO, EXPOR MINHA INSATISFAÇÃO COM O MUNDO EM QUE VIVEMOS.
João Batista de Andrade é Cineasta. Publicado no Facebook dele em 27 de novembro de 2011.
Por João Batista de Andrade
VAMOS FALAR SÉRIO AQUI NO FB? Recebi mensagens muito amigas. Algumas me perguntam qual a dificuldade. Eu sempre me pergunto se minha vida é o cinema ou se o cinema é que é minha vida. Quem pertence a quem?
A resposta poderia me ajudar a suportar a dificuldade em retomar minha carreira, depois de tantos filmes, tanta ...história, tanta luta, tantos prêmios, tantas homenagens. Tenho me mantido sereno, racional, tenho procurado falar com amigos. Mas tenho denunciado também a política de exclusão e a eutanásia cultural.
"Novos" valores pedem "novos" cineastas. Serão mesmo "novos"? - por trás de tudo há uma luta cega pelo poder. E pelos recursos.
Na Europa, os cineastas podem dizer que morrerão filmando. Não no Brasil. Aqui somos descartáveis. Venho vivendo esse desrespeito desde os anos 90, fazendo filmes na marra, na contramão, com escassos recursos e apoios. Há dez anos não ganho um só edital de produção e se não parei é por que comecei minha vida de cineasta assim, fazendo filmes na pura loucura, sem dinheiro.
Assim fiz o "Rua Seis sem Número " (Berlim/2002) "Vida de Artista" (Melhor filme Fest. Mostra Filme Livre Rio/2004), "Veias e Vinhos" 2006, "Vlado, 30 anos depois"( 2005). Mas chega um momento em que é preciso voar mais, sair das pequenas produções, voltar ao meu ciclo virtuoso dos anos 80 com "Doramundo" (Melhor filme Gramado/78), "O homem que virou suco" (Melhor Filme Moscou/81), "A próxima Vítima" (vários prêmios1983), "Céu Aberto" (Melhor filme Office Catolic/1985 e muitos outros prêmios), "O País dos Tenentes" (Melhor filme Festval do Rio/1987 e muiiiitos prêmios). É o ciclo de filmes que seguiram a história do Brasil da ditadura à abertura. É isso.
Me danei em 90, com o plano Collor, perdi o filme de ficção que faria sobre o Vlado (Vladimir Herzog). Me auto-exilei em Goiás, voltei em 2002, fui Secretário da Cultura de SP, elaborei e implantei a Lei da Cultura, o PROAC que injeta milhões de reais todos os anos na produção cultural desse estado (inclusive no cinema paulista). Saí da Secretaria da Cultura pensando em voltar à minha carreira de cineasta. É difícil.
Como já disse, o desrespeito é enorme: há dez anos não ganho um só edital nem estadual nem federal. E posso garantir: os projetos são bons e tenho toda a minha carreira como aval. Olha, eu gosto de muita coisa na vida: gosto de cinema, gosto de escrever, gosto de desenhar, gosto de mato ( tenho paixão pelo cerrado e conheço ali as frutas, as plantas, os animais).
Não pertenço ao cinema e nenhum laço covarde vai me prender a essa cadeia de insensatez e covardia. Pois o descarte dos veteranos é mesmo uma eutanásia cultural que denuncio. Daqui a poucos dias completo meus 72 anos, quase 50 deles dedicados ao cinema e à luta do cinema brasileiro.
Sou ainda um garoto em todos os sentidos: fisica e mentalmente. E vou procurar minha vida em algum prazer de viver, fora dessa perigosa irracionalidade que, infelizmente, não tenho conseguido mudar. Se for assim, ficarão minhas obras, meus livros, meus textos, a memória de minhas lutas, as entidades e festivais que criei ou ajudei a criar, minha presença um tanto fantasmagórica pela história dos últimos 50 anos do cinema brasileiro e de nossa política cultural.
O QUE NINGUÉM PODERÁ FAZER É ME IMPEDIR DE PENSAR E SER CRÍTICO, EXPOR MINHA INSATISFAÇÃO COM O MUNDO EM QUE VIVEMOS.
João Batista de Andrade é Cineasta. Publicado no Facebook dele em 27 de novembro de 2011.
sábado, 26 de novembro de 2011
Meus cabelos brancos
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Como faço com todos os que me lembro, liguei para uma amiga de infância para parabenizá-la por seu aniversário e começamos a falar sobre nossas idades atuais, como o tempo passou rápido, o que pensamos agora e outros assuntos, que normalmente tratam todos os que atingem idades inimagináveis para eles quando jovens.
Engraçado como realmente uma espécie de filme nos vêm à mente, com lembranças de nossa infância, juventude e pequenos detalhes de situações vividas durante décadas são recordados em frações de segundos.
Somos capazes de nos lembrar de minúcias, palavras, locais, e cores de fatos ocorridos muitos anos atrás. Algumas músicas da juventude ainda podem ser cantadas sem erros, quando muitas vezes já nos esquecemos do que ocorreu ontem ou mesmo há poucas horas.
Ficam em nossa mente as coisas importantes ou que nos importaram, e se apagam aquelas sem importância, que podem até ter nos deixado alegres, tristes, magoados no momento, mas com o tempo acabamos percebendo que não eram realmente significativas, importantes.
Muitas dessas ocorrências são apagadas de nossa mente sem que sequer percebamos. É uma seleção natural, quando o que realmente importou ficou arquivado e todo o resto foi excluído do cérebro, impedindo que nos lembremos de fatos que na realidade, tiveram pouco valor.
As aparências mudam com a falta de cabelos, a celulite, a barriga, a flacidez do corpo, as rugas e as cicatrizes, mas nada disso têm importância alguma diante da experiência e sabedoria da pessoa que está ao nosso lado, achando graça, sorrindo de seu próprio passado.
Passamos a valorizar coisas mais profundas, menos fúteis, muito mais o ser do que o ter, como sempre nos mostraram os mais velhos, e então jovens, não acreditávamos.
Muitas tristezas emocionais, que deixaram cicatrizes no coração, agora provocam sorrisos, por terem sido de pequenas paixões da juventude, sem importância alguma.
Percebemos que uma boa conversa, um gesto, um olhar profundo ou uma única palavra, podem ser muito mais provocantes, insinuantes, que um corpinho ainda firme, sem celulite, que carrega uma mente vazia.
Ficamos maravilhados com o canto de um sabiá, pousado em uma árvore cercada de cimento e passamos a dar valor a centenas de pequenos detalhes da natureza, antes sequer notados.
O desabrochar de uma flor, o nascer e o pôr do sol ou um pássaro construindo seu ninho nos faz sacar uma máquina fotográfica, tentando perpetuar aquela maravilha.
As opiniões de terceiros sobre o que somos, temos ou fazemos, passam a ter muito menos ou nenhuma importância. Deixamos de fazer tantas críticas aos outros e a nós mesmos e quando com vontade, damos uma boa gargalhada e caminhamos de sandálias, mesmo que em um local público, quebrando algumas regras bobas de convívio social.
Quem nos censurará por, sorrindo, perguntarmos como se chama mesmo seu filho ou por, naquele momento, estarmos desarrumados, com roupas mais velhas e confortáveis? Pessoas que partiram muito cedo, como meu pai, deixaram de viver essa liberdade que só a maturidade nos proporciona.
Só os de cabelos brancos são capazes de, sorrindo, deixar escorrer pelo rosto a mais bela das lágrimas, a da saudade.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Como faço com todos os que me lembro, liguei para uma amiga de infância para parabenizá-la por seu aniversário e começamos a falar sobre nossas idades atuais, como o tempo passou rápido, o que pensamos agora e outros assuntos, que normalmente tratam todos os que atingem idades inimagináveis para eles quando jovens.
Engraçado como realmente uma espécie de filme nos vêm à mente, com lembranças de nossa infância, juventude e pequenos detalhes de situações vividas durante décadas são recordados em frações de segundos.
Somos capazes de nos lembrar de minúcias, palavras, locais, e cores de fatos ocorridos muitos anos atrás. Algumas músicas da juventude ainda podem ser cantadas sem erros, quando muitas vezes já nos esquecemos do que ocorreu ontem ou mesmo há poucas horas.
Ficam em nossa mente as coisas importantes ou que nos importaram, e se apagam aquelas sem importância, que podem até ter nos deixado alegres, tristes, magoados no momento, mas com o tempo acabamos percebendo que não eram realmente significativas, importantes.
Muitas dessas ocorrências são apagadas de nossa mente sem que sequer percebamos. É uma seleção natural, quando o que realmente importou ficou arquivado e todo o resto foi excluído do cérebro, impedindo que nos lembremos de fatos que na realidade, tiveram pouco valor.
As aparências mudam com a falta de cabelos, a celulite, a barriga, a flacidez do corpo, as rugas e as cicatrizes, mas nada disso têm importância alguma diante da experiência e sabedoria da pessoa que está ao nosso lado, achando graça, sorrindo de seu próprio passado.
Passamos a valorizar coisas mais profundas, menos fúteis, muito mais o ser do que o ter, como sempre nos mostraram os mais velhos, e então jovens, não acreditávamos.
Muitas tristezas emocionais, que deixaram cicatrizes no coração, agora provocam sorrisos, por terem sido de pequenas paixões da juventude, sem importância alguma.
Percebemos que uma boa conversa, um gesto, um olhar profundo ou uma única palavra, podem ser muito mais provocantes, insinuantes, que um corpinho ainda firme, sem celulite, que carrega uma mente vazia.
Ficamos maravilhados com o canto de um sabiá, pousado em uma árvore cercada de cimento e passamos a dar valor a centenas de pequenos detalhes da natureza, antes sequer notados.
O desabrochar de uma flor, o nascer e o pôr do sol ou um pássaro construindo seu ninho nos faz sacar uma máquina fotográfica, tentando perpetuar aquela maravilha.
As opiniões de terceiros sobre o que somos, temos ou fazemos, passam a ter muito menos ou nenhuma importância. Deixamos de fazer tantas críticas aos outros e a nós mesmos e quando com vontade, damos uma boa gargalhada e caminhamos de sandálias, mesmo que em um local público, quebrando algumas regras bobas de convívio social.
Quem nos censurará por, sorrindo, perguntarmos como se chama mesmo seu filho ou por, naquele momento, estarmos desarrumados, com roupas mais velhas e confortáveis? Pessoas que partiram muito cedo, como meu pai, deixaram de viver essa liberdade que só a maturidade nos proporciona.
Só os de cabelos brancos são capazes de, sorrindo, deixar escorrer pelo rosto a mais bela das lágrimas, a da saudade.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A pressa pode ser amiga da perfeição
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Fermín Vázquez
Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma ideia mítica e heroica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas.
Isso influenciou decididamente minha vocação e foi marcante entre os estudantes da Escola de Arquitetura de Madrid, que passavam todo dia em frente da elegantíssima e fascinante abstração da “Casa do Brasil”, na Cidade Universitária, magnífico projeto de Alfonso d´Escragnolle Filho. É fácil imaginar, portanto, o quanto tem sido apaixonante trabalhar no Brasil nos últimos anos.
A presente conjuntura brasileira contrasta com a estagnação da Europa em quase todos os aspectos do progresso e não só em atividade econômica. Contudo, esse Brasil em pleno avanço pode extrair muitas lições dos acertos e, acima de tudo, dos erros cometidos nos anos de crescimento econômico excepcional no Velho Continente e, em particular, na Espanha.
Uma analogia importante refere-se à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016: o aproveitamento de grandes eventos esportivos como oportunidade para empreender profundas transformações urbanas tem sido, junto com a utilização de grandes projetos arquitetônicos, catalisadores icônicos de desenvolvimento e posicionamento das cidades, o núcleo de muitas histórias de sucesso na Espanha desde os Jogos Olímpicos de 1992 e, especialmente, nos últimos anos da bolha imobiliária.
Oexemplo de Bilbao, com um projeto para o novo museu Guggenheim, é talvez o mais conhecido quanto à capacidade que pode ter um edifício emblemático para situar uma cidade no mapa e contribuir para a mudança de seu modelo urbano. O mesmo se aplica a Oviedo, com seu novo museu e centro cultural, com a assinatura de Oscar Niemeyer. Entretanto, nem sempre observa-se êxito. São abundantes os casos de desperdício sem retorno e da evidente falta de critério e estratégia.
Na Espanha produziu-se, nesses anos, uma arquitetura brilhante, objeto de atenção internacional, que chegou a merecer uma exposição no MOMA de Nova Iorque. Entretanto, construíram-se também edifícios caríssimos, verdadeiros “fogos de artifício” arquitetônicos, cujos únicos beneficiados foram os políticos e empresários sem verdadeira cultura ou sensibilidade, cuja única motivação tem sido sua projeção pessoal ou lucro. Nada mais longe da verdadeira qualidade arquitetônica.
Acho que o caso positivo mais instrutivo é o de Barcelona e da sua aposta na planificada transformação estratégica e de qualidade. A palavra urbanismo nasceu com o trabalho de Cerdá para a primeira expansão (Eixample) da cidade, onde a insistência na qualidade tem sido promovida e apoiada nas últimas décadas pela administração pública e a sociedade.
As escalas dos desafios das cidades brasileiras e de Barcelona são, evidentemente, diferentes e não se deve subestimar a dificuldade de resolver o premente problema da habitação e de serviços urbanos. Não obstante, acredito que seja um bom momento para defender a qualidade material e conceitual da arquitetura e dourbanismo no Brasil. Sei que a palavra qualidade pode parecer ambígua e difícil de precisar para algo aparentemente subjetivo como a arquitetura e o desenho urbano. Uma comparação com a indústria facilita a compreensão: numa fábrica, não aplicar controles nos processos pode conduzir a defeitos cujos custos derivados são muito superiores aos de um monitoramento adequado. O mesmo vale para cidades e edifícios.
Em algumas conversas com Jaime Lerner – com quem tive o privilégio de trabalhar nos últimos anos, colaborando no projeto para a revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre –, ouvi a sua opinião de que a pressa é amiga da perfeição, no sentido de que quanto antes se puder terminar algo, mais rapidamente se poderá corrigir, se necessário. É verdade que muitas vezes a aspiração a um projeto melhor pode converter-se em desculpa para a inação.
No caso do Brasil, acredito ser importante evitar que a pressão da demanda relativa às obras para a Copa do Mundo seja pretexto para projetos medíocres e obras mal construídas. Em 2014, os brasileiros compartilharão com numerosos visitantes estrangeiros partes significativas de seus municípios. Não há muito mais tempo, mas se combinarmos o entusiasmo, a extraordinária capacidade profissional existente no País e a melhor arquitetura, as cidades serão uma grande vitrine para o mundo. Ademais, ficará estabelecido um referencial físico de qualidade urbana para um futuro melhor.
Fermín Vázquez é diretor do b720 Fermín Vázquez Arquitetos, com escritórios no Brasil (São Paulo e Porto Alegre) e na Espanha (Barcelona e Madri).
Por Fermín Vázquez
Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma ideia mítica e heroica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas.
Isso influenciou decididamente minha vocação e foi marcante entre os estudantes da Escola de Arquitetura de Madrid, que passavam todo dia em frente da elegantíssima e fascinante abstração da “Casa do Brasil”, na Cidade Universitária, magnífico projeto de Alfonso d´Escragnolle Filho. É fácil imaginar, portanto, o quanto tem sido apaixonante trabalhar no Brasil nos últimos anos.
A presente conjuntura brasileira contrasta com a estagnação da Europa em quase todos os aspectos do progresso e não só em atividade econômica. Contudo, esse Brasil em pleno avanço pode extrair muitas lições dos acertos e, acima de tudo, dos erros cometidos nos anos de crescimento econômico excepcional no Velho Continente e, em particular, na Espanha.
Uma analogia importante refere-se à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016: o aproveitamento de grandes eventos esportivos como oportunidade para empreender profundas transformações urbanas tem sido, junto com a utilização de grandes projetos arquitetônicos, catalisadores icônicos de desenvolvimento e posicionamento das cidades, o núcleo de muitas histórias de sucesso na Espanha desde os Jogos Olímpicos de 1992 e, especialmente, nos últimos anos da bolha imobiliária.
Oexemplo de Bilbao, com um projeto para o novo museu Guggenheim, é talvez o mais conhecido quanto à capacidade que pode ter um edifício emblemático para situar uma cidade no mapa e contribuir para a mudança de seu modelo urbano. O mesmo se aplica a Oviedo, com seu novo museu e centro cultural, com a assinatura de Oscar Niemeyer. Entretanto, nem sempre observa-se êxito. São abundantes os casos de desperdício sem retorno e da evidente falta de critério e estratégia.
Na Espanha produziu-se, nesses anos, uma arquitetura brilhante, objeto de atenção internacional, que chegou a merecer uma exposição no MOMA de Nova Iorque. Entretanto, construíram-se também edifícios caríssimos, verdadeiros “fogos de artifício” arquitetônicos, cujos únicos beneficiados foram os políticos e empresários sem verdadeira cultura ou sensibilidade, cuja única motivação tem sido sua projeção pessoal ou lucro. Nada mais longe da verdadeira qualidade arquitetônica.
Acho que o caso positivo mais instrutivo é o de Barcelona e da sua aposta na planificada transformação estratégica e de qualidade. A palavra urbanismo nasceu com o trabalho de Cerdá para a primeira expansão (Eixample) da cidade, onde a insistência na qualidade tem sido promovida e apoiada nas últimas décadas pela administração pública e a sociedade.
As escalas dos desafios das cidades brasileiras e de Barcelona são, evidentemente, diferentes e não se deve subestimar a dificuldade de resolver o premente problema da habitação e de serviços urbanos. Não obstante, acredito que seja um bom momento para defender a qualidade material e conceitual da arquitetura e dourbanismo no Brasil. Sei que a palavra qualidade pode parecer ambígua e difícil de precisar para algo aparentemente subjetivo como a arquitetura e o desenho urbano. Uma comparação com a indústria facilita a compreensão: numa fábrica, não aplicar controles nos processos pode conduzir a defeitos cujos custos derivados são muito superiores aos de um monitoramento adequado. O mesmo vale para cidades e edifícios.
Em algumas conversas com Jaime Lerner – com quem tive o privilégio de trabalhar nos últimos anos, colaborando no projeto para a revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre –, ouvi a sua opinião de que a pressa é amiga da perfeição, no sentido de que quanto antes se puder terminar algo, mais rapidamente se poderá corrigir, se necessário. É verdade que muitas vezes a aspiração a um projeto melhor pode converter-se em desculpa para a inação.
No caso do Brasil, acredito ser importante evitar que a pressão da demanda relativa às obras para a Copa do Mundo seja pretexto para projetos medíocres e obras mal construídas. Em 2014, os brasileiros compartilharão com numerosos visitantes estrangeiros partes significativas de seus municípios. Não há muito mais tempo, mas se combinarmos o entusiasmo, a extraordinária capacidade profissional existente no País e a melhor arquitetura, as cidades serão uma grande vitrine para o mundo. Ademais, ficará estabelecido um referencial físico de qualidade urbana para um futuro melhor.
Fermín Vázquez é diretor do b720 Fermín Vázquez Arquitetos, com escritórios no Brasil (São Paulo e Porto Alegre) e na Espanha (Barcelona e Madri).
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O bom relacionamento intrapessoal
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Erika de Souza Bueno
Para se ter as qualidades necessárias e desejáveis, todo relacionamento deve começar num exercício interno, num relacionamento intrapessoal. A imagem que passamos aos outros é uma consequência do que somos, do que estamos buscando, do que queremos para nós e para os outros à nossa volta.
Uma falha no relacionamento intrapessoal pode nos impedir de conhecermos, de fato, muitas de nossas principais características.
Nossos medos, angústias, desesperos e impaciências podem ser visíveis a outros em momentos muito inoportunos e, para não corrermos esse risco, um dos caminhos é encararmos o que gera em nós tais sentimentos.
Desejos não atendidos geram frustração, desconforto e mau humor, que podem se transformar em uma grande fonte de grosserias e palavras ditas em momentos inadequados, gerando uma grande “bola de neve”.
Conhecer-nos é mais importante do que possa parecer à primeira vista, pois nosso externo é apenas um simples reflexo do que somos internamente. Identificar as características de nossa personalidade é um caminho para um relacionamento saudável, garantindo um pouco mais de tranquilidade ao colocarmos a cabeça sobre o travesseiro.
Para começarmos o exercício do intrapessoal, devemos começar não fugindo do que sentimos, mas entendendo que nem todas as nossas vontades poderão ser satisfeitas. Inclusive, isso é muito bom para compreendermos que temos limites e que para uma vida realmente saudável, em todos os aspectos, e não apenas no corpo físico, precisamos aprender com os princípios de Deus.
Quando nos iramos com algo ou alguém, por exemplo, é um bom momento para identificarmos o porquê dessa reação e, ainda, colocarmos em balanças fiéis, e não nas manipuladas pelas nossas tendências, tudo aquilo que fez com que agíssemos de determinado modo.
Colocar os nossos porquês em balanças fiéis é, entre outros, não nos apegarmos a modismos. Pode ser, também, encararmos nossas falhas, nossas incapacidades de entender que nem tudo pode ser feito nos nossos moldes. Aqui falo, inclusive, da escola, da sala de aula, local em que muitos se juntam para aprender e ensinar.
Muitas vezes, quando sentimos um desconforto, tendemos a mudar a direção de nossos olhos, atentando-nos a algo mais confortável de se ver e pensar. Não, não deve ser assim nosso relacionamento intrapessoal. Aliás, para ele ser realmente eficaz é preciso sermos corajosos o suficiente para entendermos que erramos, que falhamos com algo ou alguém, que agimos de um modo que não somente prejudicou o outro como também, e às vezes principalmente, a nós mesmos.
Num processo de autoconhecimento, é possível que venha a tristeza com os resultados que podem, porventura, não ser exatamente aqueles que desejávamos. Contudo, a tristeza deve gerar também em nós o desejo de “colocarmos a nossa casa interior em ordem”.
É momento de levarmos nosso relacionamento intrapessoal mais a sério, não deixá-lo falando sozinho, não fazer pouco caso dele.
Quando compreendemos nossas razões, adequadas ou não em relação a algo, temos, enfim, a chance de nos relacionarmos com o outro de um modo mais maduro, mais ético e mais condizente com aquilo que buscamos, de fato, alcançar.
Erika de Souza Bueno é consultora pedagógica de Língua Portuguesa da Planeta Educação e editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família; professora e consultora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo.
Por Erika de Souza Bueno
Para se ter as qualidades necessárias e desejáveis, todo relacionamento deve começar num exercício interno, num relacionamento intrapessoal. A imagem que passamos aos outros é uma consequência do que somos, do que estamos buscando, do que queremos para nós e para os outros à nossa volta.
Uma falha no relacionamento intrapessoal pode nos impedir de conhecermos, de fato, muitas de nossas principais características.
Nossos medos, angústias, desesperos e impaciências podem ser visíveis a outros em momentos muito inoportunos e, para não corrermos esse risco, um dos caminhos é encararmos o que gera em nós tais sentimentos.
Desejos não atendidos geram frustração, desconforto e mau humor, que podem se transformar em uma grande fonte de grosserias e palavras ditas em momentos inadequados, gerando uma grande “bola de neve”.
Conhecer-nos é mais importante do que possa parecer à primeira vista, pois nosso externo é apenas um simples reflexo do que somos internamente. Identificar as características de nossa personalidade é um caminho para um relacionamento saudável, garantindo um pouco mais de tranquilidade ao colocarmos a cabeça sobre o travesseiro.
Para começarmos o exercício do intrapessoal, devemos começar não fugindo do que sentimos, mas entendendo que nem todas as nossas vontades poderão ser satisfeitas. Inclusive, isso é muito bom para compreendermos que temos limites e que para uma vida realmente saudável, em todos os aspectos, e não apenas no corpo físico, precisamos aprender com os princípios de Deus.
Quando nos iramos com algo ou alguém, por exemplo, é um bom momento para identificarmos o porquê dessa reação e, ainda, colocarmos em balanças fiéis, e não nas manipuladas pelas nossas tendências, tudo aquilo que fez com que agíssemos de determinado modo.
Colocar os nossos porquês em balanças fiéis é, entre outros, não nos apegarmos a modismos. Pode ser, também, encararmos nossas falhas, nossas incapacidades de entender que nem tudo pode ser feito nos nossos moldes. Aqui falo, inclusive, da escola, da sala de aula, local em que muitos se juntam para aprender e ensinar.
Muitas vezes, quando sentimos um desconforto, tendemos a mudar a direção de nossos olhos, atentando-nos a algo mais confortável de se ver e pensar. Não, não deve ser assim nosso relacionamento intrapessoal. Aliás, para ele ser realmente eficaz é preciso sermos corajosos o suficiente para entendermos que erramos, que falhamos com algo ou alguém, que agimos de um modo que não somente prejudicou o outro como também, e às vezes principalmente, a nós mesmos.
Num processo de autoconhecimento, é possível que venha a tristeza com os resultados que podem, porventura, não ser exatamente aqueles que desejávamos. Contudo, a tristeza deve gerar também em nós o desejo de “colocarmos a nossa casa interior em ordem”.
É momento de levarmos nosso relacionamento intrapessoal mais a sério, não deixá-lo falando sozinho, não fazer pouco caso dele.
Quando compreendemos nossas razões, adequadas ou não em relação a algo, temos, enfim, a chance de nos relacionarmos com o outro de um modo mais maduro, mais ético e mais condizente com aquilo que buscamos, de fato, alcançar.
Erika de Souza Bueno é consultora pedagógica de Língua Portuguesa da Planeta Educação e editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família; professora e consultora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Estrutura de gestão de 100 anos atrás
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
O strike de ministros no governo Dilma deu nitidez a uma estrutura de gestão de 100 anos atrás. O que se vê é uma estrutura vertical -com a presidente no vértice- e piramidal -com os ministros no tronco da pirâmide superior. A presidente, com sua equipe atual, verticalmente sobre cada ministério e estes verticalmente sobre sua própria estrutura.
Não há nenhuma matricialidade -e me refiro a um sistema de 50 anos atrás- onde os gestores lideravam suas funções, independente de onde elas estivessem. Com isso, se tinha cruzamentos e interações diagonais. Por exemplo, o diretor de recursos humanos atuava em todas as diretorias; a diretoria técnica atuava na diretoria de produção; a diretoria financeira sobre todas; etc. A operação cruzada era acompanhada de informação simultânea ao diretor da área afetada e esse interagia se desejasse. O presidente coordenava as funções e com sua diretoria, decidia sobre elas. E deixava que os naturais conflitos horizontais produzissem a necessidade de novas decisões. Mas, permanecia, em boa medida, o desenho piramidal.
Hoje, num mundo aberto, com informações que fluem com enorme agilidade, onde a concorrência entre as empresas de vanguarda se dá pela inovação, o que prioriza a tecnologia e a velocidade em sair do laboratório e entrar em mercado, a estrutura organizacional não pode ser mais piramidal. Deve ser uma estrutura como um disco voador, superfície de muitos furos, para a interação externa e com redes se cruzando internamente, em todas as direções -horizontais, verticais, diagonais, impulsionando os controles e a tomada de decisões em todos os níveis, em todos os momentos.
Quando a oposição e a imprensa destacam que apenas uma pequena porcentagem de um programa -o PAC, por exemplo- foi executado, que a presidente se surpreende com informações, fatos e denúncias, que certos programas autorizados em solenidades palacianas, etc., meses depois mal saíram do papel, o problema não está na burocracia, nem na legislação: está na própria estrutura de gestão do governo.
É fato que no setor público existe uma rigidez normativa muito maior. Sendo assim, se pode pensar numa organização na forma de pipeta de laboratório, garantindo a normatividade em sua garganta, o mais fina possível.
Governar -ou gerir- é tomar decisões. Os demais são técnicas. Num mundo com tênues fronteiras informacionais, com ciclos tecnológicos imprevisíveis, com a informação em tempo real, continuar com uma estrutura centenária é a certeza do fracasso. Pelo menos do fracasso relativo como crescer pouco, vis a vis outros países em mesma situação. Tomar decisões após ler jornais e revistas e ver na TV, é simplesmente reagir a uma decisão, de fato, pré-tomada.
Numa onda mundial de crescimento, o avião pode até ser empurrado pelo vento de popa. Mas numa conjuntura de crise, permanecer gerindo numa armadura piramidal, é a certeza do fracasso, e de consequências sociais e econômicas, muito mais graves do que necessário. É o que está ocorrendo no Brasil, neste momento.
Cesar Maia é Economista.
Por Cesar Maia
O strike de ministros no governo Dilma deu nitidez a uma estrutura de gestão de 100 anos atrás. O que se vê é uma estrutura vertical -com a presidente no vértice- e piramidal -com os ministros no tronco da pirâmide superior. A presidente, com sua equipe atual, verticalmente sobre cada ministério e estes verticalmente sobre sua própria estrutura.
Não há nenhuma matricialidade -e me refiro a um sistema de 50 anos atrás- onde os gestores lideravam suas funções, independente de onde elas estivessem. Com isso, se tinha cruzamentos e interações diagonais. Por exemplo, o diretor de recursos humanos atuava em todas as diretorias; a diretoria técnica atuava na diretoria de produção; a diretoria financeira sobre todas; etc. A operação cruzada era acompanhada de informação simultânea ao diretor da área afetada e esse interagia se desejasse. O presidente coordenava as funções e com sua diretoria, decidia sobre elas. E deixava que os naturais conflitos horizontais produzissem a necessidade de novas decisões. Mas, permanecia, em boa medida, o desenho piramidal.
Hoje, num mundo aberto, com informações que fluem com enorme agilidade, onde a concorrência entre as empresas de vanguarda se dá pela inovação, o que prioriza a tecnologia e a velocidade em sair do laboratório e entrar em mercado, a estrutura organizacional não pode ser mais piramidal. Deve ser uma estrutura como um disco voador, superfície de muitos furos, para a interação externa e com redes se cruzando internamente, em todas as direções -horizontais, verticais, diagonais, impulsionando os controles e a tomada de decisões em todos os níveis, em todos os momentos.
Quando a oposição e a imprensa destacam que apenas uma pequena porcentagem de um programa -o PAC, por exemplo- foi executado, que a presidente se surpreende com informações, fatos e denúncias, que certos programas autorizados em solenidades palacianas, etc., meses depois mal saíram do papel, o problema não está na burocracia, nem na legislação: está na própria estrutura de gestão do governo.
É fato que no setor público existe uma rigidez normativa muito maior. Sendo assim, se pode pensar numa organização na forma de pipeta de laboratório, garantindo a normatividade em sua garganta, o mais fina possível.
Governar -ou gerir- é tomar decisões. Os demais são técnicas. Num mundo com tênues fronteiras informacionais, com ciclos tecnológicos imprevisíveis, com a informação em tempo real, continuar com uma estrutura centenária é a certeza do fracasso. Pelo menos do fracasso relativo como crescer pouco, vis a vis outros países em mesma situação. Tomar decisões após ler jornais e revistas e ver na TV, é simplesmente reagir a uma decisão, de fato, pré-tomada.
Numa onda mundial de crescimento, o avião pode até ser empurrado pelo vento de popa. Mas numa conjuntura de crise, permanecer gerindo numa armadura piramidal, é a certeza do fracasso, e de consequências sociais e econômicas, muito mais graves do que necessário. É o que está ocorrendo no Brasil, neste momento.
Cesar Maia é Economista.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A viagem de cada um
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
'Mas não tenho mais tanta pressa. Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo. Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim. Eu sou a viajante e a viagem' - Ana Jacomo.
Lendo esse pensamento, fiquei admirado com a capacidade da autora de resumir, em poucas palavras, o que levamos muito para entender.
Décadas de erros e acertos, alegrias e tristezas, aproximações e afastamentos são necessárias para que se entenda a vida dessa maneira.
Procuramos coisas distantes, difíceis ou praticamente impossíveis de serem atingidas, sem prestar a mínima atenção naquelas de extrema importância, que já estão ao nosso lado.
Por cobranças no cumprimento de infindáveis regras sociais de como, onde e quando, muitos de nossos comportamentos são realizados contra a nossa vontade, na tentativa de agradar terceiros, ou a todos.
Somos extremamente críticos, buscamos a perfeição em tudo e em todos. Nossas ações nunca são satisfatórias para nós mesmos, que sempre entendemos poder ter feito mais, ganhado mais, corrido mais.
Mas para que? Que importância real teria, se algo tivesse acontecido de forma não idêntica, ou em tempo um pouco maior ou menor do que programado?
Muitas pessoas se aproximaram e compartilharam conosco de pouco ou muito da nossa viagem. Algumas nos alegraram e outras nos causaram sofrimento ou até nos provocaram ira.
Mesmo dos que já nasceram próximos a nós, alguns se afastaram, causando com isso tristezas ou alegrias, mas demoramos a entender que dos afastamentos que nos entristeceram, muitos poderiam ter sido evitados e foram provocados por nossa exclusiva responsabilidade.
Novos afastamentos ainda deverão ocorrer, mas as gentilezas - raramente realizadas-, ajudariam tanto nas oportunidades de nos reaproximarmos de alguns, como facilitariam a aproximação com outros.
Levamos décadas para termos a coragem de rir de nossos próprios erros, como rimos quando algo divertido ocorre com os outros. Sendo menos exigentes, poderíamos ter compartilhado de muitas alegrias, fazendo companhia aos que já estavam rindo, mesmo que naquele momento o motivo dos risos fôssemos nós.
Analisando o passado, não me lembro de nenhuma ocasião em que, mesmo tendo de correr bastante para um encontro agendado, alguém ganhou algo quando chegou antes do previsto, pontualmente, ou foi punido, por haver chegado um pouco mais tarde.
Muitos erros foram cometidos por todos, nas mais diversas áreas, mas percebo naqueles que já atingiram a maturidade, a tentativa fazer menos autocríticas, deixando de se penitenciarem por algo que tenha ocorrido e que atualmente não fariam. O mais importante é haver aprendido com eles, para que não se repitam.
Essa capacidade, que não se possui ou sequer é buscada na juventude, tranquiliza os que a têm, mas só é adquirida por aqueles já com muita experiência e menos ilusões.
Com as quedas aprendemos a levantar, nos tornamos diferentes, aprendemos a gostar de nós mesmos e só então, passamos a realmente poder gostar de outros.
Percebo só agora, o que deveria ter entendido antes, que nenhum objetivo na vida era mais importante que conhecer a mim mesmo.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
'Mas não tenho mais tanta pressa. Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo. Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim. Eu sou a viajante e a viagem' - Ana Jacomo.
Lendo esse pensamento, fiquei admirado com a capacidade da autora de resumir, em poucas palavras, o que levamos muito para entender.
Décadas de erros e acertos, alegrias e tristezas, aproximações e afastamentos são necessárias para que se entenda a vida dessa maneira.
Procuramos coisas distantes, difíceis ou praticamente impossíveis de serem atingidas, sem prestar a mínima atenção naquelas de extrema importância, que já estão ao nosso lado.
Por cobranças no cumprimento de infindáveis regras sociais de como, onde e quando, muitos de nossos comportamentos são realizados contra a nossa vontade, na tentativa de agradar terceiros, ou a todos.
Somos extremamente críticos, buscamos a perfeição em tudo e em todos. Nossas ações nunca são satisfatórias para nós mesmos, que sempre entendemos poder ter feito mais, ganhado mais, corrido mais.
Mas para que? Que importância real teria, se algo tivesse acontecido de forma não idêntica, ou em tempo um pouco maior ou menor do que programado?
Muitas pessoas se aproximaram e compartilharam conosco de pouco ou muito da nossa viagem. Algumas nos alegraram e outras nos causaram sofrimento ou até nos provocaram ira.
Mesmo dos que já nasceram próximos a nós, alguns se afastaram, causando com isso tristezas ou alegrias, mas demoramos a entender que dos afastamentos que nos entristeceram, muitos poderiam ter sido evitados e foram provocados por nossa exclusiva responsabilidade.
Novos afastamentos ainda deverão ocorrer, mas as gentilezas - raramente realizadas-, ajudariam tanto nas oportunidades de nos reaproximarmos de alguns, como facilitariam a aproximação com outros.
Levamos décadas para termos a coragem de rir de nossos próprios erros, como rimos quando algo divertido ocorre com os outros. Sendo menos exigentes, poderíamos ter compartilhado de muitas alegrias, fazendo companhia aos que já estavam rindo, mesmo que naquele momento o motivo dos risos fôssemos nós.
Analisando o passado, não me lembro de nenhuma ocasião em que, mesmo tendo de correr bastante para um encontro agendado, alguém ganhou algo quando chegou antes do previsto, pontualmente, ou foi punido, por haver chegado um pouco mais tarde.
Muitos erros foram cometidos por todos, nas mais diversas áreas, mas percebo naqueles que já atingiram a maturidade, a tentativa fazer menos autocríticas, deixando de se penitenciarem por algo que tenha ocorrido e que atualmente não fariam. O mais importante é haver aprendido com eles, para que não se repitam.
Essa capacidade, que não se possui ou sequer é buscada na juventude, tranquiliza os que a têm, mas só é adquirida por aqueles já com muita experiência e menos ilusões.
Com as quedas aprendemos a levantar, nos tornamos diferentes, aprendemos a gostar de nós mesmos e só então, passamos a realmente poder gostar de outros.
Percebo só agora, o que deveria ter entendido antes, que nenhum objetivo na vida era mais importante que conhecer a mim mesmo.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Felicidade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
"É muito fácil ser extremamente infeliz. E não é difícil, é inteiramente impossível ser feliz." - Arthur Schopenhauer
Durante as leituras diárias, onde busco saciar parte de minha fome por aprendizados, encontrei a frase acima e me dediquei a pensar sobre o assunto, tentando me lembrar se já havia conhecido alguém feliz.
Ainda quando criança, em uma fazenda no estado de São Paulo, conheci um trabalhador muito forte fisicamente, o pernambucano José Luiz, que era incapaz de responder uma pergunta, sobre qualquer assunto, sem dar um enorme sorriso, expondo dentes extremamente bonitos e sadios.
Rindo a cada frase, ele contava sobre um raio que caiu em sua casa, nas margens do rio Paranapanema, quando ele, todos os seus seis filhos, a esposa e a sogra caíram com o choque e agonizavam com a língua enrolada para dentro da garganta, o que antes eu não sabia que ocorria em uma descarga elétrica muito forte. Arrastando-se pelo chão da casa ele puxou a língua de todos e só a sogra, a que deixou por último, morreu.
Era uma gozação enorme, com todos os colonos da propriedade, que sabiam do ocorrido se lembravam que só sua sogra morreu. Percebia-se claramente, em diversas conversas dele e dos familiares, que ele gostava da sogra como da própria mãe, que por mais que parecesse ele não havia deixado a velha por último buscando propositadamente sua morte, mas que ela estava no quarto, mais distante dos outros e pela idade não resistiu.
Maior exemplo que conheci de felicidade, o José Luiz ria durante o trabalho, conversando, sempre, mas mesmo rindo, em conversas mais sérias mostrava diversas tristezas, infelicidades, como a morte da sogra. Não era feliz.
Pessoas milionárias nunca se satisfazem com seu patrimônio e mesmo com todo esse dinheiro, quando adoecem, se desesperam, pois só conseguem retardar, muitas vezes só vegetando, mas não escapam da morte. Pessoas saudáveis reclamam de uma simples gripe, as mulheres nunca estão satisfeitas com seu corpo ou seu cabelo, os homens estão sempre olhando para o lado e as buscas, em diversos aspectos, são incessantes para ambos.
Muitos, extremamente abençoados durante sua vida, são cultos, bonitos, ricos, frequentam os melhores espaços de lazer, são felizes por centenas de momentos, mas sempre possuem algum tipo de reclamação, de algo que gostariam de fazer ou que ocorresse, não estando satisfeitos com sua vida.
Outros, mesmo já tendo nascido com alguma dificuldade, física ou mental, são alegres, sorridentes, sendo comum inclusive recebermos e-mails com imagens de pessoas com problemas gravíssimos, dando exemplos de vida aos que nasceram e permanecem perfeitos, mas certamente seriam mais felizes se não possuíssem aquele problema.
Ao redor do mundo, milhões de pessoas sofrem por diversos motivos, como insegurança, drogas, guerra, fome, falta de água e escravidão, dando diariamente exemplos de que deveríamos estar muito satisfeitos com o que somos e temos. Por mais problemas ou dificuldades que tenhamos, elas sempre serão pequenas, se comparadas às de milhares de outras pessoas.
Baixando nosso olhar, em busca das ocorrências em nossa cidade, município, estado, país ou mundo, certamente teríamos que nos sentir envergonhados de possuir algo para reclamar e de não estarmos sempre muito felizes.
"Que se transfira o homem a um país utópico, em que tudo crescesse sem ser plantado, as pombas revoassem já assadas, e cada um encontrasse logo e sem dificuldade sua bem amada. Ali em parte os homens morrerão de tédio, ou se enforcarão, em parte promoverão guerras, massacres e assassinatos, para assim se proporcionar mais sofrimento do que o posto pela natureza." diz ainda Schopenhauer.
Por nunca se sentirem satisfeitos, a felicidade acaba se tornando um objetivo inalcançável para os seres humanos.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
"É muito fácil ser extremamente infeliz. E não é difícil, é inteiramente impossível ser feliz." - Arthur Schopenhauer
Durante as leituras diárias, onde busco saciar parte de minha fome por aprendizados, encontrei a frase acima e me dediquei a pensar sobre o assunto, tentando me lembrar se já havia conhecido alguém feliz.
Ainda quando criança, em uma fazenda no estado de São Paulo, conheci um trabalhador muito forte fisicamente, o pernambucano José Luiz, que era incapaz de responder uma pergunta, sobre qualquer assunto, sem dar um enorme sorriso, expondo dentes extremamente bonitos e sadios.
Rindo a cada frase, ele contava sobre um raio que caiu em sua casa, nas margens do rio Paranapanema, quando ele, todos os seus seis filhos, a esposa e a sogra caíram com o choque e agonizavam com a língua enrolada para dentro da garganta, o que antes eu não sabia que ocorria em uma descarga elétrica muito forte. Arrastando-se pelo chão da casa ele puxou a língua de todos e só a sogra, a que deixou por último, morreu.
Era uma gozação enorme, com todos os colonos da propriedade, que sabiam do ocorrido se lembravam que só sua sogra morreu. Percebia-se claramente, em diversas conversas dele e dos familiares, que ele gostava da sogra como da própria mãe, que por mais que parecesse ele não havia deixado a velha por último buscando propositadamente sua morte, mas que ela estava no quarto, mais distante dos outros e pela idade não resistiu.
Maior exemplo que conheci de felicidade, o José Luiz ria durante o trabalho, conversando, sempre, mas mesmo rindo, em conversas mais sérias mostrava diversas tristezas, infelicidades, como a morte da sogra. Não era feliz.
Pessoas milionárias nunca se satisfazem com seu patrimônio e mesmo com todo esse dinheiro, quando adoecem, se desesperam, pois só conseguem retardar, muitas vezes só vegetando, mas não escapam da morte. Pessoas saudáveis reclamam de uma simples gripe, as mulheres nunca estão satisfeitas com seu corpo ou seu cabelo, os homens estão sempre olhando para o lado e as buscas, em diversos aspectos, são incessantes para ambos.
Muitos, extremamente abençoados durante sua vida, são cultos, bonitos, ricos, frequentam os melhores espaços de lazer, são felizes por centenas de momentos, mas sempre possuem algum tipo de reclamação, de algo que gostariam de fazer ou que ocorresse, não estando satisfeitos com sua vida.
Outros, mesmo já tendo nascido com alguma dificuldade, física ou mental, são alegres, sorridentes, sendo comum inclusive recebermos e-mails com imagens de pessoas com problemas gravíssimos, dando exemplos de vida aos que nasceram e permanecem perfeitos, mas certamente seriam mais felizes se não possuíssem aquele problema.
Ao redor do mundo, milhões de pessoas sofrem por diversos motivos, como insegurança, drogas, guerra, fome, falta de água e escravidão, dando diariamente exemplos de que deveríamos estar muito satisfeitos com o que somos e temos. Por mais problemas ou dificuldades que tenhamos, elas sempre serão pequenas, se comparadas às de milhares de outras pessoas.
Baixando nosso olhar, em busca das ocorrências em nossa cidade, município, estado, país ou mundo, certamente teríamos que nos sentir envergonhados de possuir algo para reclamar e de não estarmos sempre muito felizes.
"Que se transfira o homem a um país utópico, em que tudo crescesse sem ser plantado, as pombas revoassem já assadas, e cada um encontrasse logo e sem dificuldade sua bem amada. Ali em parte os homens morrerão de tédio, ou se enforcarão, em parte promoverão guerras, massacres e assassinatos, para assim se proporcionar mais sofrimento do que o posto pela natureza." diz ainda Schopenhauer.
Por nunca se sentirem satisfeitos, a felicidade acaba se tornando um objetivo inalcançável para os seres humanos.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
domingo, 20 de novembro de 2011
Fifa joga nossas leis no lixo
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Célio Pezza
Existe um provérbio antigo que diz que quanto mais nos abaixamos, mais mostramos “determinadas partes”. Este provérbio se aplica com muita sabedoria ao que estamos vendo acontecer aqui no Brasil com relação à FIFA. O Brasil se abaixa cada vez mais a cada nova exigência da FIFA, e a cada dia que passa, mais o problema aumenta e salta aos nossos olhos. Infelizmente, aqueles que deveriam acabar com esta situação ridícula, nada fazem e estão coniventes com esta vergonha.
A FIFA dita suas leis, como é o caso do projeto de Lei 2.330/11, enviado ao congresso para aprovação, e conhecido como Lei Geral da Copa, acima das leis do nosso país. De que vale uma constituição, se uma simples federação de futebol pode mudá-la a seu bel prazer? De que valem os discursos de nossos governantes, se estão entregando o país a este grupo externo?
O Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso, o Estatuto do Torcedor e muitas outras conquistas do povo brasileiro estão sendo jogadas no lixo, uma vez que a FIFA está acima de tudo durante este período obscuro em que viverá o Brasil. Até a Polícia Federal terá que passar os poderes de controlar a entrada e saída de nosso país para a soberana FIFA, que passa a fornecer ou vetar as credenciais de entrada e trabalho no país, numa clara afronta à nossa legislação.
A venda de bebidas alcoólicas em estádios será permitida durante os jogos e a FIFA controlará todos os pontos de venda. Nunca vimos uma situação de tantos desmandos nas nossas leis como a que estamos assistindo agora.
Estou envergonhado e profundamente decepcionado com todos aqueles que estão entregando o Brasil de uma forma tão descarada e despudorada. Como sou um otimista, acredito que ainda possa aparecer um líder de fato, que mande a FIFA se colocar no seu devido lugar ou que vá embora de uma vez com sua Copa e tudo o mais e suma de nosso país. Um povo que apesar de pagar impostos altíssimos, não tem segurança, educação, estradas, hospitais e outras necessidades básicas, merece um pouco mais do que algumas partidas de futebol. Tenho certeza de que muitos brasileiros, assim como eu, estão revoltados com esta situação.
Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com
Por Célio Pezza
Existe um provérbio antigo que diz que quanto mais nos abaixamos, mais mostramos “determinadas partes”. Este provérbio se aplica com muita sabedoria ao que estamos vendo acontecer aqui no Brasil com relação à FIFA. O Brasil se abaixa cada vez mais a cada nova exigência da FIFA, e a cada dia que passa, mais o problema aumenta e salta aos nossos olhos. Infelizmente, aqueles que deveriam acabar com esta situação ridícula, nada fazem e estão coniventes com esta vergonha.
A FIFA dita suas leis, como é o caso do projeto de Lei 2.330/11, enviado ao congresso para aprovação, e conhecido como Lei Geral da Copa, acima das leis do nosso país. De que vale uma constituição, se uma simples federação de futebol pode mudá-la a seu bel prazer? De que valem os discursos de nossos governantes, se estão entregando o país a este grupo externo?
O Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso, o Estatuto do Torcedor e muitas outras conquistas do povo brasileiro estão sendo jogadas no lixo, uma vez que a FIFA está acima de tudo durante este período obscuro em que viverá o Brasil. Até a Polícia Federal terá que passar os poderes de controlar a entrada e saída de nosso país para a soberana FIFA, que passa a fornecer ou vetar as credenciais de entrada e trabalho no país, numa clara afronta à nossa legislação.
A venda de bebidas alcoólicas em estádios será permitida durante os jogos e a FIFA controlará todos os pontos de venda. Nunca vimos uma situação de tantos desmandos nas nossas leis como a que estamos assistindo agora.
Estou envergonhado e profundamente decepcionado com todos aqueles que estão entregando o Brasil de uma forma tão descarada e despudorada. Como sou um otimista, acredito que ainda possa aparecer um líder de fato, que mande a FIFA se colocar no seu devido lugar ou que vá embora de uma vez com sua Copa e tudo o mais e suma de nosso país. Um povo que apesar de pagar impostos altíssimos, não tem segurança, educação, estradas, hospitais e outras necessidades básicas, merece um pouco mais do que algumas partidas de futebol. Tenho certeza de que muitos brasileiros, assim como eu, estão revoltados com esta situação.
Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com
sábado, 19 de novembro de 2011
Jesus Cristo ou Barrabás?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Ricardo Jordão Magalhães
O futuro pertence àqueles que se preparam hoje.
Quatro anos atrás, o lula deveria ter interrompido o Jornal Nacional para fazer o seguinte pronunciamento:
"Caros Brasileiros e Brasileiras, existe uma grande chance do nosso querido país ser escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014.
Mas antes de batermos o martelo com os nossos camaradas da Fifa e CBF, Nike e Coca-Cola, Rede Globo e Cervejas, eu gostaria de saber a opinião do povo brasileiro sobre o que devemos fazer.
Para tanto, eu convido a todos vocês a participarem de um plebiscito nacional a favor ou contra a realização da Copa de 2014 no Brasil.
A situação é a seguinte: pelas nossas estimativas iniciais, vamos gastar 40 bilhões de dólares para realizar a Copa no Brasil.
MAS, como vocês mesmo sabem, NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS fizemos alguma obra dentro do prazo e muito menos dentro do orçamento inicial.
Nós somos muito ruins de planejamento e execução; e ainda temos que contar com toda a problemática da corrupção que rola solta nesses momentos.
Portanto, em "off", eu acredito que vamos torrar 120 bilhões de dólares para fazer a Copa no Brasil. 120 bilhões de dólares! É dinheiro para chuchu.
Para conhecimento Wikipediano de vocês, esse valor - 120 bilhões de dólares - é maior que os gastos somados das últimas seis copas juntas!!!
Então, a decisão que eu gostaria que vocês tomassem é a seguinte:
Pega o seu telefone agora mesmo e disque 1 caso você acredite que o país deva investir 120 bilhões de dólares na realização da Copa de 2014 no Brasil, e Disque 2 caso você acredite que devemos pegar esse mesmo valor - 120 bilhões de dólares - e investir na construção de escolas, hospitais, saneamento básico, estradas, aeroportos, melhores salários para professores, segurança e polícia, internet banda larga para absolutamente todos os brasileiros, faculdades, computadores populares e muito mais.
Pelas nossas contas, é possível construir 65 hospitais, 150 escolas, 23 faculdades, distribuir 1.5 milhões de livros didáticos, 250 mil computadores, resolver o problema de saneamento básico em 25 grandes cidades, e ainda construir 400 escolinhas de futebol para ensinar o "corpo são" para 40 mil crianças e jovens brasileiros.
"Cumpanheiro", não vale dizer que temos que fazer as duas coisas. Você e eu sabemos que não vamos conseguir. Coloca o pé no chão. Olhe o nosso histórico e encare a realidade de frente.
Portanto, a minha pergunta ao povo brasileiro é a seguinte:
Vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente como o país que realizou a Copa de Futebol mais cara da história do planeta, ou vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente pela qualidade das suas escolas e paz social para todos?
"Cumpanheiras" e "Cumpanheiros", eu adoro futebol tanto quanto todos vocês. Eu sou "Curinthiano" como milhões de outros brasileiros. Mas eu acredito que a prioridade do país não é exatamente futebol. Mas quem sou eu para achar alguma coisa, certo? Eu quero saber o que vocês querem para o país.
Então, Disque 1 se você é a favor da Copa, ou Disque 2 se você é a favor da educação e infraestrutura.
E concluindo, com a realização desse plebiscito eu quero deixar bem claro para todos que eu estou lavando as minhas mãos. O que vocês decidirem está decidido."
Infelizmente esse discurso nunca foi feito.
Meia dúzia de caras pálidas engravatados decidiram que a Copa de 2014 seria no Brasil, e assim foi, amém.
Passados quatro anos, os orçamentos para a Copa estão furados, estourados e incompletos. As estimativas mudam a cada três meses, as taxas de urgência vão pipocando aqui e ali, a distribuição de milhões de reais sem licitação já está rolando, e a bagunça só vai aumentar.
O importante, como todos dizem por ai, é não passar vexame perante o mundo. A Copa tem que acontecer. Custe o que custar.
O Brasil vai passar vexame. O loiro de olho azul sabe que estamos tocando fogo em dinheiro para fazer uma festa para ficar bem na fita quando todos os vizinhos sabem que dentro de casa não temos dinheiro nem para contratar um decorador para arrumar a nossa sala de estar.
A Copa é mais um erro de investimentos, tempo e recursos que o Brasil está fazendo. Mais um erro entre tantos que rolam por aqui. Somando o período de pré-Copa, Copa, pre-Olimpíada, Olimpíadas, vamos queimar 10 anos de investimentos públicos e foco de prioridades.
Se tivessem me dado a oportunidade de escolher, eu teria votado contra a Copa no Brasil.
A Copa é um evento supervalorizado. Os únicos que realmente ganham com a realização da Copa são a FIFA, CBF, os jogadores, as grandes construtoras, a televisão e os vendedores de cerveja. Ponto.
60 dias atrás o U2 tocou no estádio do Morumbi para 80 mil pessoas por noite. 80 mil!!! E posso te dizer que a cidade de São Paulo não parou porque o U2 estava no Estádio do Morumbi com 80 mil neguinhos. Te garanto que milhões de paulistanos nem sabiam que os caras estavam na zona Sul tocando para 80 mil carinhas. 3 jogos com 45 mil pessoas dentro não fazem nem cócegas na economia da cidade.
O circo da Copa é supervalorizado e inflacionado além da conta por aqueles que fazem a coisa toda acontecer justamente porque precisam fazer a galera acreditar que é preciso torrar dinheiro com esse circo.
Se, os jogadores da seleção tivessem o espírito que tinham o Pelé e o Zico, eu até diria que vale a pena investir nesses caras; mas com o tipo de seleção mercenária que tem hoje, vocês ainda vão armar o circo para esses "profissionais" do futebol moderno ganharem mais e mais dinheiro???
A Copa nada mais é do que a grande oportunidade dos jogadores valorizarem seus passes.
Além do mais, eu aposto o que vocês quiserem que apenas 30% das pessoas presentes nos jogos nos estádios da Copa serão estrangeiros. Os outros 70% serão brasileiros. Brasileiros que tem por baixo 800 reais sobrando para gastar com cada ingresso. O povão não vai conseguir nem vender camiseta pirata em volta do estádio. E os caras ainda votam na coisa toda.
O alemão, o holandês, o italiano, o inglês, o americano, não vão pagar o preço do ingresso, a viagem, hotéis, e o trabalho de se submeter ao sufoco que eles imaginam que podem passar em terra brasilis para assistir a Copa no Brasil.
Hoje, essa turma tem em suas casas televisões HD 3D de LCD de 50 polegadas, transmissão com múltiplas câmeras, som de alta definição etc.
Em 2014 essa galera terá televisões de 80 polegadas com ultra definição e sei lá mais o quê.
Por que sair do conforto do seu país, sofá e família para se aventurar a assistir 2 ou 3 jogos na América do Sul??
Poucos virão. Quem vai mesmo assistir ao jogo do Azerbaquistão Versus Coréia serão os torcedores do Atlético Mineiro, Flamengo e Sport.
E mais, a construção dos estádios da Copa não vai melhorar a vida da galera que mora em sua volta. Imbecil o cara que acredita nessa conversa fiada. Não existe qualquer plano para melhorar as casas e ruas ao redor. É só papo. A coisa nem começou, e não vai começar. É só você olhar para o Rio de Janeiro que cerca o Engenhão para ter uma boa ideia do que vai acontecer com Itaquera depois que o Estádio do Corinthians for construído por lá. Nada.
Por que eu estou escrevendo esse texto? Porque eu acredito que deveríamos PARAR a Copa. "Impeachment" no Ricardo Teixeira, FIFA e tudo que está rolando.
Como pode alguém liberar a coisa toda sem saber quanto vai custar???
E como pode todo mundo aceitar tudo que está rolando na boa sem qualquer reação ou sentimento de revolta???
Será que se eu enviar um tweet para a galera do Egito eles nos ajudam a virar a mesa por aqui?? Definitivamente os nossos universitários não são melhores que os universitários do Egito.
2 mil anos se passaram e o povo ainda não aprendeu. Eles preferem soltar o bandido (Barrabás) do que apostar na Coisa Certa (Jesus Cristo).
Quando finalmente temos a oportunidade de escolher o caminho da ética, moral e boa vontade, a galera escolhe o caminho do pão e do circo.
Vai Barrabás, cumpre a tua sina! Bota a bandidagem na rua, a galera assina embaixo!
Originalmente publicado no site http://www.bizrevolution.com.br/bizrevolution/2011/07/jesus-cristo-ou-barrabas.html
Por Ricardo Jordão Magalhães
O futuro pertence àqueles que se preparam hoje.
Quatro anos atrás, o lula deveria ter interrompido o Jornal Nacional para fazer o seguinte pronunciamento:
"Caros Brasileiros e Brasileiras, existe uma grande chance do nosso querido país ser escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014.
Mas antes de batermos o martelo com os nossos camaradas da Fifa e CBF, Nike e Coca-Cola, Rede Globo e Cervejas, eu gostaria de saber a opinião do povo brasileiro sobre o que devemos fazer.
Para tanto, eu convido a todos vocês a participarem de um plebiscito nacional a favor ou contra a realização da Copa de 2014 no Brasil.
A situação é a seguinte: pelas nossas estimativas iniciais, vamos gastar 40 bilhões de dólares para realizar a Copa no Brasil.
MAS, como vocês mesmo sabem, NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS fizemos alguma obra dentro do prazo e muito menos dentro do orçamento inicial.
Nós somos muito ruins de planejamento e execução; e ainda temos que contar com toda a problemática da corrupção que rola solta nesses momentos.
Portanto, em "off", eu acredito que vamos torrar 120 bilhões de dólares para fazer a Copa no Brasil. 120 bilhões de dólares! É dinheiro para chuchu.
Para conhecimento Wikipediano de vocês, esse valor - 120 bilhões de dólares - é maior que os gastos somados das últimas seis copas juntas!!!
Então, a decisão que eu gostaria que vocês tomassem é a seguinte:
Pega o seu telefone agora mesmo e disque 1 caso você acredite que o país deva investir 120 bilhões de dólares na realização da Copa de 2014 no Brasil, e Disque 2 caso você acredite que devemos pegar esse mesmo valor - 120 bilhões de dólares - e investir na construção de escolas, hospitais, saneamento básico, estradas, aeroportos, melhores salários para professores, segurança e polícia, internet banda larga para absolutamente todos os brasileiros, faculdades, computadores populares e muito mais.
Pelas nossas contas, é possível construir 65 hospitais, 150 escolas, 23 faculdades, distribuir 1.5 milhões de livros didáticos, 250 mil computadores, resolver o problema de saneamento básico em 25 grandes cidades, e ainda construir 400 escolinhas de futebol para ensinar o "corpo são" para 40 mil crianças e jovens brasileiros.
"Cumpanheiro", não vale dizer que temos que fazer as duas coisas. Você e eu sabemos que não vamos conseguir. Coloca o pé no chão. Olhe o nosso histórico e encare a realidade de frente.
Portanto, a minha pergunta ao povo brasileiro é a seguinte:
Vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente como o país que realizou a Copa de Futebol mais cara da história do planeta, ou vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente pela qualidade das suas escolas e paz social para todos?
"Cumpanheiras" e "Cumpanheiros", eu adoro futebol tanto quanto todos vocês. Eu sou "Curinthiano" como milhões de outros brasileiros. Mas eu acredito que a prioridade do país não é exatamente futebol. Mas quem sou eu para achar alguma coisa, certo? Eu quero saber o que vocês querem para o país.
Então, Disque 1 se você é a favor da Copa, ou Disque 2 se você é a favor da educação e infraestrutura.
E concluindo, com a realização desse plebiscito eu quero deixar bem claro para todos que eu estou lavando as minhas mãos. O que vocês decidirem está decidido."
Infelizmente esse discurso nunca foi feito.
Meia dúzia de caras pálidas engravatados decidiram que a Copa de 2014 seria no Brasil, e assim foi, amém.
Passados quatro anos, os orçamentos para a Copa estão furados, estourados e incompletos. As estimativas mudam a cada três meses, as taxas de urgência vão pipocando aqui e ali, a distribuição de milhões de reais sem licitação já está rolando, e a bagunça só vai aumentar.
O importante, como todos dizem por ai, é não passar vexame perante o mundo. A Copa tem que acontecer. Custe o que custar.
O Brasil vai passar vexame. O loiro de olho azul sabe que estamos tocando fogo em dinheiro para fazer uma festa para ficar bem na fita quando todos os vizinhos sabem que dentro de casa não temos dinheiro nem para contratar um decorador para arrumar a nossa sala de estar.
A Copa é mais um erro de investimentos, tempo e recursos que o Brasil está fazendo. Mais um erro entre tantos que rolam por aqui. Somando o período de pré-Copa, Copa, pre-Olimpíada, Olimpíadas, vamos queimar 10 anos de investimentos públicos e foco de prioridades.
Se tivessem me dado a oportunidade de escolher, eu teria votado contra a Copa no Brasil.
A Copa é um evento supervalorizado. Os únicos que realmente ganham com a realização da Copa são a FIFA, CBF, os jogadores, as grandes construtoras, a televisão e os vendedores de cerveja. Ponto.
60 dias atrás o U2 tocou no estádio do Morumbi para 80 mil pessoas por noite. 80 mil!!! E posso te dizer que a cidade de São Paulo não parou porque o U2 estava no Estádio do Morumbi com 80 mil neguinhos. Te garanto que milhões de paulistanos nem sabiam que os caras estavam na zona Sul tocando para 80 mil carinhas. 3 jogos com 45 mil pessoas dentro não fazem nem cócegas na economia da cidade.
O circo da Copa é supervalorizado e inflacionado além da conta por aqueles que fazem a coisa toda acontecer justamente porque precisam fazer a galera acreditar que é preciso torrar dinheiro com esse circo.
Se, os jogadores da seleção tivessem o espírito que tinham o Pelé e o Zico, eu até diria que vale a pena investir nesses caras; mas com o tipo de seleção mercenária que tem hoje, vocês ainda vão armar o circo para esses "profissionais" do futebol moderno ganharem mais e mais dinheiro???
A Copa nada mais é do que a grande oportunidade dos jogadores valorizarem seus passes.
Além do mais, eu aposto o que vocês quiserem que apenas 30% das pessoas presentes nos jogos nos estádios da Copa serão estrangeiros. Os outros 70% serão brasileiros. Brasileiros que tem por baixo 800 reais sobrando para gastar com cada ingresso. O povão não vai conseguir nem vender camiseta pirata em volta do estádio. E os caras ainda votam na coisa toda.
O alemão, o holandês, o italiano, o inglês, o americano, não vão pagar o preço do ingresso, a viagem, hotéis, e o trabalho de se submeter ao sufoco que eles imaginam que podem passar em terra brasilis para assistir a Copa no Brasil.
Hoje, essa turma tem em suas casas televisões HD 3D de LCD de 50 polegadas, transmissão com múltiplas câmeras, som de alta definição etc.
Em 2014 essa galera terá televisões de 80 polegadas com ultra definição e sei lá mais o quê.
Por que sair do conforto do seu país, sofá e família para se aventurar a assistir 2 ou 3 jogos na América do Sul??
Poucos virão. Quem vai mesmo assistir ao jogo do Azerbaquistão Versus Coréia serão os torcedores do Atlético Mineiro, Flamengo e Sport.
E mais, a construção dos estádios da Copa não vai melhorar a vida da galera que mora em sua volta. Imbecil o cara que acredita nessa conversa fiada. Não existe qualquer plano para melhorar as casas e ruas ao redor. É só papo. A coisa nem começou, e não vai começar. É só você olhar para o Rio de Janeiro que cerca o Engenhão para ter uma boa ideia do que vai acontecer com Itaquera depois que o Estádio do Corinthians for construído por lá. Nada.
Por que eu estou escrevendo esse texto? Porque eu acredito que deveríamos PARAR a Copa. "Impeachment" no Ricardo Teixeira, FIFA e tudo que está rolando.
Como pode alguém liberar a coisa toda sem saber quanto vai custar???
E como pode todo mundo aceitar tudo que está rolando na boa sem qualquer reação ou sentimento de revolta???
Será que se eu enviar um tweet para a galera do Egito eles nos ajudam a virar a mesa por aqui?? Definitivamente os nossos universitários não são melhores que os universitários do Egito.
2 mil anos se passaram e o povo ainda não aprendeu. Eles preferem soltar o bandido (Barrabás) do que apostar na Coisa Certa (Jesus Cristo).
Quando finalmente temos a oportunidade de escolher o caminho da ética, moral e boa vontade, a galera escolhe o caminho do pão e do circo.
Vai Barrabás, cumpre a tua sina! Bota a bandidagem na rua, a galera assina embaixo!
Originalmente publicado no site http://www.bizrevolution.com.br/bizrevolution/2011/07/jesus-cristo-ou-barrabas.html
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Alimentos x Combustíveis
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antonio Antunes
O Brasil é o único país do mundo que procura produzir combustíveis para alimentar motores, e não produzir alimentos para alimentar um povo faminto.
Desde quando surgiu o Proálcool que venho criticando este programa que desloca as melhoras áreas agricultáveis da produção de alimentos para a produção de cana.
A maior bactéria existente é a fagocitose que é encontrada na cana de açúcar. Onde se planta cana, esta bactéria impede que se plante qualquer outra coisa. Não há conclusão científica, porem crê-se que devido à plantação de cana da época do império, o nordeste brasileiro apresenta grandes áreas desérticas.
O Brasil é o país que possui a maior área agricultável do mundo, e como nossa população vem consumindo menos alimentos, era de se esperar que viéssemos a aumentar nossas exportações. No entanto, nossa produção de alimentos vem caindo em grande escala. Com isto passamos a importar alimentos que antes éramos exportadores.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (Indústria e Comércio Exterior) a importação de feijão cresceu somente nos primeiros nove meses deste ano 56,64% em relação ao ano passado. Deste total, 31% foram importados da China, e no ano de 2010 as importações foram 24%, superiores a de 2.009. A importação este ano alcançou 17.880.394 quilos.
A banana que dá em qualquer lugar teve desde 2.008 importações em escala crescente. Somente nos primeiros nove meses deste ano, tivemos uma alta nas importações de 383%, sendo que a Tailândia é responsável por mais de 50%. Isto é o cúmulo, estamos importando banana.
O Brasil que sempre foi um exportador de carne tem sido nos últimos anos um importador e somente este ano, nossas importações aumentaram 21,74%, totalizando 18.451.207 quilos.
Até nossa laranja deixou de ser exportada para ser importada. Este ano, importamos 8.052.024 quilos de laranja com um acréscimo de 143,48%. Pasmem, estamos importando café. Importamos este ano 530.637 quilos, cerca de 60% superior ao ano de 2.010.
Isto tudo, apenas nos nove primeiros meses de 2.011.
O Brasil importa hoje arroz da Índia e da Tailândia.
Estamos importando ameixa, pêra, maçã, kiwi, uva, massas, biscoitos, leite, queijos, enfim, todos os produtos alimentícios, porque o agricultor não tem incentivo para produzi-los. Os incentivos estão direcionados à produção de etanol que alimenta motores em detrimento de alimentos que alimentaria nosso povo.
Caminhamos na contramão porque nossos governantes atendem apenas aos usineiros que possuem uma bancada ruralista em nosso congresso de mais de 220 parlamentares.
Apenas como termo de comparação, se fizer um passeio no trem-bala pelo Japão verá que você está num túnel ou sobre água, quase não há terras agricultáveis, embora importemos do Japão, arroz. Com cerca de oito mil quilômetros de costa, o Brasil importa também do Japão camarões e peixes. Isto parece piada. Mas não é. Isto é coisa do famoso país do futuro que com esses políticos nunca chegará a ser país do presente. Esses mesmos políticos que alardeiam o etanol, esquecendo que durante a segunda grande guerra, quase toda a Europa consumia o etanol da beterraba e nem por isso, substituíram esse combustível pela gasolina.
Se fizer também um passeio pelo interior de São Paulo, local de ótimas terras para a agricultura verá apenas canaviais.
Alguém precisa dar um basta nesta política de maracutaias, antes que nossa situação se iguale a da Grécia ou pior ainda como Somália ou Myanmar.
Se nosso povo tivesse escolas, saberia que essa política de combustíveis ao invés de alimentos é um engodo.
Antonio Antunes é Engenheiro químico.
Por Antonio Antunes
O Brasil é o único país do mundo que procura produzir combustíveis para alimentar motores, e não produzir alimentos para alimentar um povo faminto.
Desde quando surgiu o Proálcool que venho criticando este programa que desloca as melhoras áreas agricultáveis da produção de alimentos para a produção de cana.
A maior bactéria existente é a fagocitose que é encontrada na cana de açúcar. Onde se planta cana, esta bactéria impede que se plante qualquer outra coisa. Não há conclusão científica, porem crê-se que devido à plantação de cana da época do império, o nordeste brasileiro apresenta grandes áreas desérticas.
O Brasil é o país que possui a maior área agricultável do mundo, e como nossa população vem consumindo menos alimentos, era de se esperar que viéssemos a aumentar nossas exportações. No entanto, nossa produção de alimentos vem caindo em grande escala. Com isto passamos a importar alimentos que antes éramos exportadores.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (Indústria e Comércio Exterior) a importação de feijão cresceu somente nos primeiros nove meses deste ano 56,64% em relação ao ano passado. Deste total, 31% foram importados da China, e no ano de 2010 as importações foram 24%, superiores a de 2.009. A importação este ano alcançou 17.880.394 quilos.
A banana que dá em qualquer lugar teve desde 2.008 importações em escala crescente. Somente nos primeiros nove meses deste ano, tivemos uma alta nas importações de 383%, sendo que a Tailândia é responsável por mais de 50%. Isto é o cúmulo, estamos importando banana.
O Brasil que sempre foi um exportador de carne tem sido nos últimos anos um importador e somente este ano, nossas importações aumentaram 21,74%, totalizando 18.451.207 quilos.
Até nossa laranja deixou de ser exportada para ser importada. Este ano, importamos 8.052.024 quilos de laranja com um acréscimo de 143,48%. Pasmem, estamos importando café. Importamos este ano 530.637 quilos, cerca de 60% superior ao ano de 2.010.
Isto tudo, apenas nos nove primeiros meses de 2.011.
O Brasil importa hoje arroz da Índia e da Tailândia.
Estamos importando ameixa, pêra, maçã, kiwi, uva, massas, biscoitos, leite, queijos, enfim, todos os produtos alimentícios, porque o agricultor não tem incentivo para produzi-los. Os incentivos estão direcionados à produção de etanol que alimenta motores em detrimento de alimentos que alimentaria nosso povo.
Caminhamos na contramão porque nossos governantes atendem apenas aos usineiros que possuem uma bancada ruralista em nosso congresso de mais de 220 parlamentares.
Apenas como termo de comparação, se fizer um passeio no trem-bala pelo Japão verá que você está num túnel ou sobre água, quase não há terras agricultáveis, embora importemos do Japão, arroz. Com cerca de oito mil quilômetros de costa, o Brasil importa também do Japão camarões e peixes. Isto parece piada. Mas não é. Isto é coisa do famoso país do futuro que com esses políticos nunca chegará a ser país do presente. Esses mesmos políticos que alardeiam o etanol, esquecendo que durante a segunda grande guerra, quase toda a Europa consumia o etanol da beterraba e nem por isso, substituíram esse combustível pela gasolina.
Se fizer também um passeio pelo interior de São Paulo, local de ótimas terras para a agricultura verá apenas canaviais.
Alguém precisa dar um basta nesta política de maracutaias, antes que nossa situação se iguale a da Grécia ou pior ainda como Somália ou Myanmar.
Se nosso povo tivesse escolas, saberia que essa política de combustíveis ao invés de alimentos é um engodo.
Antonio Antunes é Engenheiro químico.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Uma indústria automotiva e competitiva produz valor, é responsável e relevante
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Roberto Marx e Mauro Zilbovicius
As montadoras de automóveis instaladas no Brasil têm, nos últimos anos, batido recordes de vendas. O aumento da renda de parte da população antes excluída do mercado automotivo, aliado ao crédito caro mas farto e a perder de vista, fizeram com que a relação habitantes por veículo seja estimada em menos de 7, contra 9 em 2002. Diversos indícios apontam que as filiais brasileiras das montadoras geraram resultados que, transferidos para as matrizes, nos últimos três ou quatro anos, ajudaram a atravessar a crise nos países desenvolvidos, em que até falências ocorreram.
No entanto, mercados em franco crescimento atraem concorrência. Coreanos e chineses começaram a oferecer produtos com qualidade comparável ou superior aos vendidos no Brasil e mais baratos. Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro começava a discutir uma nova política industrial, as montadoras locais apontavam o perigo da concorrência externa para o emprego e para a própria lucratividade. O governo, sensibilizado por estes problemas, definiu uma política governamental para o setor que protege a produção e o emprego local com forte elevação do IPI para as importações, com vistas a favorecer o aumento da atividade local de engenharia e inovação.
As montadoras instaladas no Brasil têm vendido como nunca - recordes de produção e vendas mostram isto - mas temem não ser as principais beneficiárias desse novo mercado. Para tornarem-se mais competitivas, apontam a necessidade de custos menores (de mão de obra, matéria-prima e impostos) e de benefícios fiscais para fazer frente à concorrência, seja a oriunda das importações, seja a dos novos produtores que tem se instalado no Brasil. Mas será possível uma indústria automotiva competitiva, inovadora, que venda produtos de qualidade e baixo preço, preservando empregos e renda local?
As montadoras oferecem, no Brasil, empregos em condições muito melhores do que na China. Assim, empregos de qualidade prejudicariam a competitividade. Mas a solução não está no rebaixamento das condições de trabalho locais. Os empregos no Brasil são muito competitivos, em comparação com os existentes nos países das matrizes das montadoras (Alemanha, França Itália, Estados Unidos e Japão). No Brasil, a geração de valor é muito mais baixa do que nas matrizes. Mesmo os carros chineses que começavam a entrar no país são mais atualizados do ponto de vista tecnológico do que os correspondentes brasileiros. Quem gera empregos melhores deve produzir alto valor. Alto valor, nessa indústria, significa, ao mesmo tempo, projetar produtos melhores, aumentar a capacidade de criar veículos para diversos mercados, consolidar-se como centro de decisão da indústria, como local para se tomar decisões sobre questões estratégicas relativas à tecnologia, produto, fornecedores e produção.
Mas para desenhar uma estratégia de produção de valor, as montadoras localizadas no Brasil precisariam rever o papel que atribuem às subsidiárias locais: de geradoras de lucros – a partir de margens mais altas para proporcionar funding para as matrizes – para produtoras de valor, aproveitando competências locais disponíveis a custos menores do que nas matrizes. Há que se passar também de operadoras locais ou regionais, para operadoras globais: só assim haverá escala para justificar investimentos do porte necessários para essa transformação. Mas isso significa uma decisão difícil: competir consigo mesmas, com as matrizes, deslocando centros de engenharia, gestão de projetos, decisões de negócios etc. Seria isso possível?
A pressão do centro de decisão na matriz é muito forte. O que pode fazer diferença: atratividade (tamanho e renda) do mercado local, competência e custo de uma engenharia qualificada; legislação e atrativos governamentais que atraiam centros de decisão e de engenharia para o país. Mas não nos iludamos: as montadoras globais, com matrizes nos países centrais, estruturam (como vêm fazendo no Brasil) atividades de engenharia e inovação que são deslocadas das matrizes em casos pontuais e específicos. A densidade de inovação tecnológica se configura junto ao centro de decisão. E esse centro não está no Brasil, em nenhum caso.
Com relação à competição no mercado interno: não se trata de limitar as importações. Parece possível compensar a produção local por práticas competitivas externas mas a questão é provocar as montadoras locais para que sejam competitivas em relação ao pacote preço e qualidade oferecido pela concorrência. Isso leva a uma redução de margens de lucro praticadas aqui. E é bom que isso aconteça. A queda da margem de lucro pode ser o maior incentivo para a reação no sentido de redefinir o negócio automotivo no Brasil. O problema é que a inovação no Brasil não faz parte da equação estratégica das montadoras tradicionais, na qual as subsidiárias são apenas uma parte.
Benefícios fiscais podem levar ao rumo certo mas podem também reforçar o rumo errado. Incentivo fiscal só se concede (ou só se deve conceder) a quem fará algo que não faria sem o incentivo e, por isso, gerando mais renda, privada e pública. Não há porque incentivar elementos isolados de inovação como, por exemplo, laboratórios de motores ou de aerodinâmica no Brasil, se isso será pouco usado (porque é marginal em relação à estratégia das empresas nos centros) ou, se estiver alinhado a uma estratégia de localização no Brasil de atividades de engenharia, seria feito de qualquer modo. Se fizer sentido para as montadoras investirem em infraestrutura de inovação no Brasil, isso será feito. Incentivos devem ser vinculados a compromissos de grande alcance, com estratégias e projetos monitoráveis.
Não pode mais a indústria automotiva ignorar o problema central da mobilidade urbana para o desenvolvimento. O automóvel, imbatível em mobilidade, é quase imóvel nos grandes centros. Transitou de solução à problema. Políticas públicas de restrição de uso, de exigência de tecnologias limpas, de efetivo favorecimento do transporte coletivo, de reciclagem, vão se incorporar, mais cedo ou mais tarde, à estratégia do setor. A indústria precisa reinventar o produto – oferecer efetiva mobilidade e não apenas automóveis. A indústria automotiva, no Brasil e no mundo, vive um momento de inflexão. O declínio da demanda nos países desenvolvidos – onde estão as matrizes tradicionais –, a possibilidade do carro elétrico, as novas demandas sociais e ambientais, abrem grandes possibilidades para novos arranjos de operações e de negócios. É preciso capital e ousadia para aproveitar oportunidades. Há lugar para uma indústria competitiva, responsável, global e com centro de decisão no Brasil.
No Brasil, essa indústria pode ainda contribuir com o desenvolvimento – mas a chance dessa contribuição não ocorrer como se espera não é pequena. Há que se integrar essa indústria a uma estratégia nacional ou adiar o problema, oferecendo oxigênio a um modelo em decadência, que clama por mudanças.
Roberto Marx e Mauro Zilbovicius são professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, da Fundação Vanzolini e coordenadores do Laboratório de Estratégias da Mobilidade (MobiLab/Poli/USP).
Por Roberto Marx e Mauro Zilbovicius
As montadoras de automóveis instaladas no Brasil têm, nos últimos anos, batido recordes de vendas. O aumento da renda de parte da população antes excluída do mercado automotivo, aliado ao crédito caro mas farto e a perder de vista, fizeram com que a relação habitantes por veículo seja estimada em menos de 7, contra 9 em 2002. Diversos indícios apontam que as filiais brasileiras das montadoras geraram resultados que, transferidos para as matrizes, nos últimos três ou quatro anos, ajudaram a atravessar a crise nos países desenvolvidos, em que até falências ocorreram.
No entanto, mercados em franco crescimento atraem concorrência. Coreanos e chineses começaram a oferecer produtos com qualidade comparável ou superior aos vendidos no Brasil e mais baratos. Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro começava a discutir uma nova política industrial, as montadoras locais apontavam o perigo da concorrência externa para o emprego e para a própria lucratividade. O governo, sensibilizado por estes problemas, definiu uma política governamental para o setor que protege a produção e o emprego local com forte elevação do IPI para as importações, com vistas a favorecer o aumento da atividade local de engenharia e inovação.
As montadoras instaladas no Brasil têm vendido como nunca - recordes de produção e vendas mostram isto - mas temem não ser as principais beneficiárias desse novo mercado. Para tornarem-se mais competitivas, apontam a necessidade de custos menores (de mão de obra, matéria-prima e impostos) e de benefícios fiscais para fazer frente à concorrência, seja a oriunda das importações, seja a dos novos produtores que tem se instalado no Brasil. Mas será possível uma indústria automotiva competitiva, inovadora, que venda produtos de qualidade e baixo preço, preservando empregos e renda local?
As montadoras oferecem, no Brasil, empregos em condições muito melhores do que na China. Assim, empregos de qualidade prejudicariam a competitividade. Mas a solução não está no rebaixamento das condições de trabalho locais. Os empregos no Brasil são muito competitivos, em comparação com os existentes nos países das matrizes das montadoras (Alemanha, França Itália, Estados Unidos e Japão). No Brasil, a geração de valor é muito mais baixa do que nas matrizes. Mesmo os carros chineses que começavam a entrar no país são mais atualizados do ponto de vista tecnológico do que os correspondentes brasileiros. Quem gera empregos melhores deve produzir alto valor. Alto valor, nessa indústria, significa, ao mesmo tempo, projetar produtos melhores, aumentar a capacidade de criar veículos para diversos mercados, consolidar-se como centro de decisão da indústria, como local para se tomar decisões sobre questões estratégicas relativas à tecnologia, produto, fornecedores e produção.
Mas para desenhar uma estratégia de produção de valor, as montadoras localizadas no Brasil precisariam rever o papel que atribuem às subsidiárias locais: de geradoras de lucros – a partir de margens mais altas para proporcionar funding para as matrizes – para produtoras de valor, aproveitando competências locais disponíveis a custos menores do que nas matrizes. Há que se passar também de operadoras locais ou regionais, para operadoras globais: só assim haverá escala para justificar investimentos do porte necessários para essa transformação. Mas isso significa uma decisão difícil: competir consigo mesmas, com as matrizes, deslocando centros de engenharia, gestão de projetos, decisões de negócios etc. Seria isso possível?
A pressão do centro de decisão na matriz é muito forte. O que pode fazer diferença: atratividade (tamanho e renda) do mercado local, competência e custo de uma engenharia qualificada; legislação e atrativos governamentais que atraiam centros de decisão e de engenharia para o país. Mas não nos iludamos: as montadoras globais, com matrizes nos países centrais, estruturam (como vêm fazendo no Brasil) atividades de engenharia e inovação que são deslocadas das matrizes em casos pontuais e específicos. A densidade de inovação tecnológica se configura junto ao centro de decisão. E esse centro não está no Brasil, em nenhum caso.
Com relação à competição no mercado interno: não se trata de limitar as importações. Parece possível compensar a produção local por práticas competitivas externas mas a questão é provocar as montadoras locais para que sejam competitivas em relação ao pacote preço e qualidade oferecido pela concorrência. Isso leva a uma redução de margens de lucro praticadas aqui. E é bom que isso aconteça. A queda da margem de lucro pode ser o maior incentivo para a reação no sentido de redefinir o negócio automotivo no Brasil. O problema é que a inovação no Brasil não faz parte da equação estratégica das montadoras tradicionais, na qual as subsidiárias são apenas uma parte.
Benefícios fiscais podem levar ao rumo certo mas podem também reforçar o rumo errado. Incentivo fiscal só se concede (ou só se deve conceder) a quem fará algo que não faria sem o incentivo e, por isso, gerando mais renda, privada e pública. Não há porque incentivar elementos isolados de inovação como, por exemplo, laboratórios de motores ou de aerodinâmica no Brasil, se isso será pouco usado (porque é marginal em relação à estratégia das empresas nos centros) ou, se estiver alinhado a uma estratégia de localização no Brasil de atividades de engenharia, seria feito de qualquer modo. Se fizer sentido para as montadoras investirem em infraestrutura de inovação no Brasil, isso será feito. Incentivos devem ser vinculados a compromissos de grande alcance, com estratégias e projetos monitoráveis.
Não pode mais a indústria automotiva ignorar o problema central da mobilidade urbana para o desenvolvimento. O automóvel, imbatível em mobilidade, é quase imóvel nos grandes centros. Transitou de solução à problema. Políticas públicas de restrição de uso, de exigência de tecnologias limpas, de efetivo favorecimento do transporte coletivo, de reciclagem, vão se incorporar, mais cedo ou mais tarde, à estratégia do setor. A indústria precisa reinventar o produto – oferecer efetiva mobilidade e não apenas automóveis. A indústria automotiva, no Brasil e no mundo, vive um momento de inflexão. O declínio da demanda nos países desenvolvidos – onde estão as matrizes tradicionais –, a possibilidade do carro elétrico, as novas demandas sociais e ambientais, abrem grandes possibilidades para novos arranjos de operações e de negócios. É preciso capital e ousadia para aproveitar oportunidades. Há lugar para uma indústria competitiva, responsável, global e com centro de decisão no Brasil.
No Brasil, essa indústria pode ainda contribuir com o desenvolvimento – mas a chance dessa contribuição não ocorrer como se espera não é pequena. Há que se integrar essa indústria a uma estratégia nacional ou adiar o problema, oferecendo oxigênio a um modelo em decadência, que clama por mudanças.
Roberto Marx e Mauro Zilbovicius são professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, da Fundação Vanzolini e coordenadores do Laboratório de Estratégias da Mobilidade (MobiLab/Poli/USP).
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Pressas, erros e indelicadezas
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
As novas tecnologias e redes sociais nos permitem saber de pessoas que haviam sumido de nossas vidas, das quais nunca mais soubemos.
Agora estão ali, a uma tecla da reaproximação, mas acontecimentos passados, alguns tolos e outros de maior gravidade, nos levam a algumas dúvidas, se seremos aceitos ou se ainda que virtualmente, queremos esse reencontro.
Só com o tempo, a maturidade e oportunidades como estas, acabamos entendendo que muitas pessoas que passaram por nossas vidas poderiam ter permanecido se não tivéssemos sido tão infantis, intransigentes, egoístas e donos da verdade.
Quando jovens, imaginando já sermos muito sabidos, frequentemente discutimos com os mais velhos e nos rebelamos por nada, brigamos por pouco e realizamos diversas atividades que, já mais experientes, certamente não repetiríamos.
Aceleramos o veículo, mesmo quando teremos de frear no sinaleiro da próxima esquina e temos pressa, como se, mesmo nos momentos de prazeres físicos, o início e o fim fossem urgentes. Ainda buscamos muito mais quantidade do que qualidade.
Corremos muitos riscos, com pressas desnecessárias, quase sempre sem um objetivo real ou que não pudesse ser adiado. Após milhares de exemplos trágicos, ainda realizamos viagens, inclusive as de lazer, em velocidades excessivas, arriscando vidas e a fazer sofrer famílias inteiras.
Egoístas, como se fossemos o centro do mundo, tomamos atitudes impensadas, desagradando muitos, por raramente termos nos preocupado com o que alguém sentiria com elas. Em diversas oportunidades dizemos palavras que nunca deveriam ter sido ditas, ou silenciamos quando o momento exigia que disséssemos algo, sem nos preocuparmos se essa atitude machucaria alguém.
Não retribuímos muitas atitudes de carinho que nos demonstram as pessoas, algumas desconhecidas, num simples ato de desejar bom dia e perdendo, muitas vezes, a oportunidade de conhecer pessoas encantadoras.
Muitos realizam brincadeiras de mau gosto ou humilhantes, sem nunca se preocupar em quais seriam as consequências, muitas vezes provocando traumas que serão carregados por toda a vida.
Outros são verdadeiros selvagens no trânsito, respondendo a provocações, discutindo ou brigando por motivos insignificantes, que poderiam gerar consequencias imprevisíveis, inclusive fatais.
Ferimos e fomos feridos em centenas de oportunidades e sem uma explicação conhecida, sonhamos com pessoas de quem gostamos muito, que amamos, mas também com aqueles que gostaríamos de nem nos lembrar.
Amamos e nos apaixonamos, fomos ou não retribuídos, mas muitos confundiram sentimentos, achando que quem os amava deveria servir-los, estar à sua disposição, sem nenhuma retribuição, ferindo, dessa maneira, exatamente quem os amava.
Deixamos de demonstrar ou declarar claramente nosso amor ao nosso par e por simples comodismo, preguiça ou falta de educação mesmo, sequer retribuímos, dando simples telefonemas ou realizando visitas de cortesia, para pessoas que sempre nos trataram muito bem, com carinho, amizade e respeito.
Muitas vezes, só tardiamente percebemos a importância e a dedicação daqueles que, por amor, estiveram do nosso lado, sem que lhe déssemos o devido valor.
As indelicadezas, deslizes e erros, quando cometidos repetidamente, acabam se tornando indesculpáveis.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
As novas tecnologias e redes sociais nos permitem saber de pessoas que haviam sumido de nossas vidas, das quais nunca mais soubemos.
Agora estão ali, a uma tecla da reaproximação, mas acontecimentos passados, alguns tolos e outros de maior gravidade, nos levam a algumas dúvidas, se seremos aceitos ou se ainda que virtualmente, queremos esse reencontro.
Só com o tempo, a maturidade e oportunidades como estas, acabamos entendendo que muitas pessoas que passaram por nossas vidas poderiam ter permanecido se não tivéssemos sido tão infantis, intransigentes, egoístas e donos da verdade.
Quando jovens, imaginando já sermos muito sabidos, frequentemente discutimos com os mais velhos e nos rebelamos por nada, brigamos por pouco e realizamos diversas atividades que, já mais experientes, certamente não repetiríamos.
Aceleramos o veículo, mesmo quando teremos de frear no sinaleiro da próxima esquina e temos pressa, como se, mesmo nos momentos de prazeres físicos, o início e o fim fossem urgentes. Ainda buscamos muito mais quantidade do que qualidade.
Corremos muitos riscos, com pressas desnecessárias, quase sempre sem um objetivo real ou que não pudesse ser adiado. Após milhares de exemplos trágicos, ainda realizamos viagens, inclusive as de lazer, em velocidades excessivas, arriscando vidas e a fazer sofrer famílias inteiras.
Egoístas, como se fossemos o centro do mundo, tomamos atitudes impensadas, desagradando muitos, por raramente termos nos preocupado com o que alguém sentiria com elas. Em diversas oportunidades dizemos palavras que nunca deveriam ter sido ditas, ou silenciamos quando o momento exigia que disséssemos algo, sem nos preocuparmos se essa atitude machucaria alguém.
Não retribuímos muitas atitudes de carinho que nos demonstram as pessoas, algumas desconhecidas, num simples ato de desejar bom dia e perdendo, muitas vezes, a oportunidade de conhecer pessoas encantadoras.
Muitos realizam brincadeiras de mau gosto ou humilhantes, sem nunca se preocupar em quais seriam as consequências, muitas vezes provocando traumas que serão carregados por toda a vida.
Outros são verdadeiros selvagens no trânsito, respondendo a provocações, discutindo ou brigando por motivos insignificantes, que poderiam gerar consequencias imprevisíveis, inclusive fatais.
Ferimos e fomos feridos em centenas de oportunidades e sem uma explicação conhecida, sonhamos com pessoas de quem gostamos muito, que amamos, mas também com aqueles que gostaríamos de nem nos lembrar.
Amamos e nos apaixonamos, fomos ou não retribuídos, mas muitos confundiram sentimentos, achando que quem os amava deveria servir-los, estar à sua disposição, sem nenhuma retribuição, ferindo, dessa maneira, exatamente quem os amava.
Deixamos de demonstrar ou declarar claramente nosso amor ao nosso par e por simples comodismo, preguiça ou falta de educação mesmo, sequer retribuímos, dando simples telefonemas ou realizando visitas de cortesia, para pessoas que sempre nos trataram muito bem, com carinho, amizade e respeito.
Muitas vezes, só tardiamente percebemos a importância e a dedicação daqueles que, por amor, estiveram do nosso lado, sem que lhe déssemos o devido valor.
As indelicadezas, deslizes e erros, quando cometidos repetidamente, acabam se tornando indesculpáveis.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Assalto "por dentro" nas suas contas
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Carlos Alberto Sardenberg
Você utiliza serviços de telecomunicações no Rio, no valor de R$100,00, sobre os quais incidem impostos (ICMS, estadual, PIS e Cofins, federais) de 33,65%. Logo, sua conta mensal será de R$133,65, certo?
Errado.
Aqui não valem nem a matemática tradicional nem o bom senso. Aquela conta, na verdade, será de R$150,71. O truque é o seguinte: calcula-se o imposto sobre o preço total do serviço incluindo previamente o imposto. Parece absurdo, e é. Você paga imposto sobre o imposto. Mas é assim que se faz há muito tempo, especialmente com o ICMS.
A questão era a de sempre. Como aumentar a arrecadação para cobrir os gastos crescentes? Detalhe: a alíquota do ICMS é fixada em lei e no Confaz, conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda. É difícil mudá-la. Foi aí que um talento das contas públicas inventou o "cálculo por dentro".
Isso mesmo, uma fórmula matemática que faz o milagre: acrescenta ao preço "líquido" do produto (ou serviço) o valor do imposto e recalcula o imposto sobre o preço total. O passo seguinte foi conseguir interpretações dos tribunais dizendo que esse cálculo é legal.
Não passa no teste da boa lógica ou do simples bom senso. O imposto incide sobre o valor da mercadoria - e ponto final. Está na cara que colocar o imposto no preço e recalcular é um truque para cobrar duas vezes. O resultado é que se cobra uma alíquota acima do estipulado na lei.
Eis um exemplo, apanhado numa conta de telefone celular de S.Paulo, onde o ICMS é de 25% - e já pedindo desculpas ao leitor pelo excesso de números. Na nota fiscal está escrito que o valor do ICMS é de R$98,22 - que são 25% sobre uma base de cálculo, ali referida, de R$392,88, valor total a ser pago pelo usuário.
Ora, retirando-se desse total o valor do imposto, dá o preço líquido do serviço, certo? Temos então: preço líquido do serviço, R$294,66; valor do imposto, R$98,22. Portanto, o imposto efetivamente cobrado representa 33,33% - uma alíquota ilegal.
Como é que isso passa nos parlamentos e nos tribunais? Porque estão todos - deputados, senadores, juízes e mais o Executivo - sempre em busca de dinheiro dos contribuintes para gastar mais.
E por que essas alíquotas turbinadas se aplicam preferencialmente sobre telecomunicações? Porque é dinheiro certo. É fácil arrecadar. O governo não faz nada.
A concessionária, uma operadora, calcula a conta, o imposto, cobra, recebe, separa a parte do governo e manda uma TED para a Receita. São meia dúzia de operadoras, de modo que é fácil fiscalizar.
A mesma situação ocorre na distribuição de energia elétrica. Imposto alto e turbinado.
Resultado: custo Brasil elevado em setores cruciais para a produtividade da atividade econômica, sem contar o peso no orçamento das famílias. Há uma reclamação constante - inclusive feita por gente do governo - que telefones, internet e banda larga no Brasil são muito caros. Verdade.
Mas é preciso acrescentar: os impostos estão entre os mais altos do mundo. Não por acaso, telecomunicações representam nada menos que 12% da arrecadação de ICMS. Incluindo energia elétrica e combustíveis, vai a 50%. Ou seja, os governos estaduais vivem de impostos que encarecem a atividade econômica e o custo de vida.
O SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras privadas, observa que os impostos sobre telecomunicações são maiores do que aqueles cobrados sobre cigarros, bebidas e cosméticos. Considerando-se o ICMS e as contribuições federais, PIS e Cofins, a tributação efetiva ("por dentro") paga pelo usuário de telecomunicações varia de 40 a 50%. Em Rondônia chega a 63%, mas é caso único.
O governo Dilma, nisto seguindo o governo Lula, avança com os planos de implantar a banda larga estatal, para atingir as populações mais pobres. Estas seriam excluídas pelas operadoras privadas porque não poderiam pagar tarifas que dessem lucro.
Ora, não precisa de estatal. Basta reduzir os impostos. Aliás, não há como oferecer tarifas acessíveis sem essa redução. Se a estatal da banda larga não precisar recolher impostos, então será um subsídio e uma concorrência desleal.
De todo modo, é para todo o país que a carga tributária é um peso descomunal, por qualquer ângulo que se observe. E é difícil acreditar quando a presidente e membros do governo falam em reduzir impostos, ao mesmo tempo que se comprometem com gastos maiores.
O passo mais importante, inicial, seria estabelecer um programa de longo prazo de redução do tamanho do setor público. Estabelecer, por exemplo, a regra de que o gasto público crescerá sempre abaixo do ritmo de expansão da economia. Aí, sim, se poderia falar da necessária redução de impostos.
Carlos Alberto Sardenberg é Jornalista.Originalmente publicado em O Globo de 24 de fevereiro de 2011.
Por Carlos Alberto Sardenberg
Você utiliza serviços de telecomunicações no Rio, no valor de R$100,00, sobre os quais incidem impostos (ICMS, estadual, PIS e Cofins, federais) de 33,65%. Logo, sua conta mensal será de R$133,65, certo?
Errado.
Aqui não valem nem a matemática tradicional nem o bom senso. Aquela conta, na verdade, será de R$150,71. O truque é o seguinte: calcula-se o imposto sobre o preço total do serviço incluindo previamente o imposto. Parece absurdo, e é. Você paga imposto sobre o imposto. Mas é assim que se faz há muito tempo, especialmente com o ICMS.
A questão era a de sempre. Como aumentar a arrecadação para cobrir os gastos crescentes? Detalhe: a alíquota do ICMS é fixada em lei e no Confaz, conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda. É difícil mudá-la. Foi aí que um talento das contas públicas inventou o "cálculo por dentro".
Isso mesmo, uma fórmula matemática que faz o milagre: acrescenta ao preço "líquido" do produto (ou serviço) o valor do imposto e recalcula o imposto sobre o preço total. O passo seguinte foi conseguir interpretações dos tribunais dizendo que esse cálculo é legal.
Não passa no teste da boa lógica ou do simples bom senso. O imposto incide sobre o valor da mercadoria - e ponto final. Está na cara que colocar o imposto no preço e recalcular é um truque para cobrar duas vezes. O resultado é que se cobra uma alíquota acima do estipulado na lei.
Eis um exemplo, apanhado numa conta de telefone celular de S.Paulo, onde o ICMS é de 25% - e já pedindo desculpas ao leitor pelo excesso de números. Na nota fiscal está escrito que o valor do ICMS é de R$98,22 - que são 25% sobre uma base de cálculo, ali referida, de R$392,88, valor total a ser pago pelo usuário.
Ora, retirando-se desse total o valor do imposto, dá o preço líquido do serviço, certo? Temos então: preço líquido do serviço, R$294,66; valor do imposto, R$98,22. Portanto, o imposto efetivamente cobrado representa 33,33% - uma alíquota ilegal.
Como é que isso passa nos parlamentos e nos tribunais? Porque estão todos - deputados, senadores, juízes e mais o Executivo - sempre em busca de dinheiro dos contribuintes para gastar mais.
E por que essas alíquotas turbinadas se aplicam preferencialmente sobre telecomunicações? Porque é dinheiro certo. É fácil arrecadar. O governo não faz nada.
A concessionária, uma operadora, calcula a conta, o imposto, cobra, recebe, separa a parte do governo e manda uma TED para a Receita. São meia dúzia de operadoras, de modo que é fácil fiscalizar.
A mesma situação ocorre na distribuição de energia elétrica. Imposto alto e turbinado.
Resultado: custo Brasil elevado em setores cruciais para a produtividade da atividade econômica, sem contar o peso no orçamento das famílias. Há uma reclamação constante - inclusive feita por gente do governo - que telefones, internet e banda larga no Brasil são muito caros. Verdade.
Mas é preciso acrescentar: os impostos estão entre os mais altos do mundo. Não por acaso, telecomunicações representam nada menos que 12% da arrecadação de ICMS. Incluindo energia elétrica e combustíveis, vai a 50%. Ou seja, os governos estaduais vivem de impostos que encarecem a atividade econômica e o custo de vida.
O SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras privadas, observa que os impostos sobre telecomunicações são maiores do que aqueles cobrados sobre cigarros, bebidas e cosméticos. Considerando-se o ICMS e as contribuições federais, PIS e Cofins, a tributação efetiva ("por dentro") paga pelo usuário de telecomunicações varia de 40 a 50%. Em Rondônia chega a 63%, mas é caso único.
O governo Dilma, nisto seguindo o governo Lula, avança com os planos de implantar a banda larga estatal, para atingir as populações mais pobres. Estas seriam excluídas pelas operadoras privadas porque não poderiam pagar tarifas que dessem lucro.
Ora, não precisa de estatal. Basta reduzir os impostos. Aliás, não há como oferecer tarifas acessíveis sem essa redução. Se a estatal da banda larga não precisar recolher impostos, então será um subsídio e uma concorrência desleal.
De todo modo, é para todo o país que a carga tributária é um peso descomunal, por qualquer ângulo que se observe. E é difícil acreditar quando a presidente e membros do governo falam em reduzir impostos, ao mesmo tempo que se comprometem com gastos maiores.
O passo mais importante, inicial, seria estabelecer um programa de longo prazo de redução do tamanho do setor público. Estabelecer, por exemplo, a regra de que o gasto público crescerá sempre abaixo do ritmo de expansão da economia. Aí, sim, se poderia falar da necessária redução de impostos.
Carlos Alberto Sardenberg é Jornalista.Originalmente publicado em O Globo de 24 de fevereiro de 2011.
domingo, 13 de novembro de 2011
O assédio sexual e o ombudsman
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Isaac Pinski
A origem do ombudsman geralmente é atribuída à Suécia no início do século XIX, ou seja, há cerca de 200 anos. Os cidadãos suecos sofriam arbitrariedades atribuídas aos juízes do reino e suas reclamações não eram ouvidas pelo rei, já que não havia um sistema de comunicação que assegurasse a sua eficácia. Os juízes, evidentemente, não tinham interesse em repassar ao rei os motivos da insatisfação do povo. A instituição do ombudsman veio suprir essa lacuna perigosa na comunicação, que ocultava as arbitrariedades cometidas pelos juízes.
O ombudsman era, portanto, um funcionário público que representava os interesses do povo junto ao mais elevado nível de poder do reino. Nos órgãos públicos brasileiros esse profissional tornou-se conhecido como ouvidor enquanto o nome ombudsman passou a denominar, em nosso País, o representante dos clientes das empresas privadas junto à alta cúpula do poder.
Durante uma de minhas pesquisas acadêmicas, no entanto, defrontei-me com o conhecimento de uma atividade do ombudsman bastante incomum. A empresa pesquisada vivia um pesadelo que, infelizmente, parece não ser tão raro.Tratando-se de uma empresa fornecedora de mão-de-obra de média e baixa qualificação, com atuação nacional, muitos funcionários e funcionárias exerciam as suas atividades profissionais em localidades isoladas, bem distantes da sua sede e, em conseqüência, de sua estrutura gerencial.
Tal peculiaridade proporcionava a supervisores inescrupulosos a oportunidade assediar, sexualmente, as funcionárias subalternas, geralmente de origem humilde e altamente dependentes dos ganhos obtidos pelo trabalho. Suas recusas a tais assédios eram respondidas por sumárias demissões sem que as respectivas gerências sequer soubessem – evidentemente – das verdadeiras razões. Essas desventuradas criaturas ficavam expostas à sanha de seus chefes imediatos e não tinham a quem recorrer.
Felizmente, após certo tempo, houve vazamento desses fatos e a direção da empresa adotou a figura do ombudsman de funcionários para defender seus interesses perante a alta gestão da organização. Foi instituída uma linha direta e confidencial deles com o ombudsman e a este foi atribuído o poder e a autoridade para pesquisar as denúncias recebidas das abordagens sofridas pelas mulheres, analisar sua procedência e sugerir a adoção de soluções imediatas.
Os detalhes não serão citados, mas vários supervisores foram demitidos, mulheres deixaram de ser chantageadas por seus chefes e o ambiente de trabalho melhorou significativamente. E o ombudsman, até onde eu acompanhei, continuava a sua missão prestigiado pela alta gestão.
O êxito dessa iniciativa pioneira incentivou-me a sugerir aos meus clientes de consultoria de gestão empresarial a implantação da figura do ombudsman, não apenas como representante dos seus clientes na empresa, mas também de seus fornecedores e, como no caso citado, de seus próprios funcionários.
Com o suporte apropriado de consultores competentes a implantação do ombudsman pode proporcionar à organização a transformação necessária para alavancar seus resultados, reduzir a sua vulnerabilidade a processos judiciais e melhorar significativamente a qualidade do ambiente de trabalho.
Isaac Pinski é sócio-diretor da Pinski Consultoria, empresa focada em gestão empresarial. Com mais de 30 anos de experiência em diagnóstico organizacional, análise de processos, planejamento estratégico, logística integrada e comunicação interna. O executivo é Mestre em Administração pela FEA-USP, certificado como Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e engenheiro aeronáutico formado pelo ITA.
Por Isaac Pinski
A origem do ombudsman geralmente é atribuída à Suécia no início do século XIX, ou seja, há cerca de 200 anos. Os cidadãos suecos sofriam arbitrariedades atribuídas aos juízes do reino e suas reclamações não eram ouvidas pelo rei, já que não havia um sistema de comunicação que assegurasse a sua eficácia. Os juízes, evidentemente, não tinham interesse em repassar ao rei os motivos da insatisfação do povo. A instituição do ombudsman veio suprir essa lacuna perigosa na comunicação, que ocultava as arbitrariedades cometidas pelos juízes.
O ombudsman era, portanto, um funcionário público que representava os interesses do povo junto ao mais elevado nível de poder do reino. Nos órgãos públicos brasileiros esse profissional tornou-se conhecido como ouvidor enquanto o nome ombudsman passou a denominar, em nosso País, o representante dos clientes das empresas privadas junto à alta cúpula do poder.
Durante uma de minhas pesquisas acadêmicas, no entanto, defrontei-me com o conhecimento de uma atividade do ombudsman bastante incomum. A empresa pesquisada vivia um pesadelo que, infelizmente, parece não ser tão raro.Tratando-se de uma empresa fornecedora de mão-de-obra de média e baixa qualificação, com atuação nacional, muitos funcionários e funcionárias exerciam as suas atividades profissionais em localidades isoladas, bem distantes da sua sede e, em conseqüência, de sua estrutura gerencial.
Tal peculiaridade proporcionava a supervisores inescrupulosos a oportunidade assediar, sexualmente, as funcionárias subalternas, geralmente de origem humilde e altamente dependentes dos ganhos obtidos pelo trabalho. Suas recusas a tais assédios eram respondidas por sumárias demissões sem que as respectivas gerências sequer soubessem – evidentemente – das verdadeiras razões. Essas desventuradas criaturas ficavam expostas à sanha de seus chefes imediatos e não tinham a quem recorrer.
Felizmente, após certo tempo, houve vazamento desses fatos e a direção da empresa adotou a figura do ombudsman de funcionários para defender seus interesses perante a alta gestão da organização. Foi instituída uma linha direta e confidencial deles com o ombudsman e a este foi atribuído o poder e a autoridade para pesquisar as denúncias recebidas das abordagens sofridas pelas mulheres, analisar sua procedência e sugerir a adoção de soluções imediatas.
Os detalhes não serão citados, mas vários supervisores foram demitidos, mulheres deixaram de ser chantageadas por seus chefes e o ambiente de trabalho melhorou significativamente. E o ombudsman, até onde eu acompanhei, continuava a sua missão prestigiado pela alta gestão.
O êxito dessa iniciativa pioneira incentivou-me a sugerir aos meus clientes de consultoria de gestão empresarial a implantação da figura do ombudsman, não apenas como representante dos seus clientes na empresa, mas também de seus fornecedores e, como no caso citado, de seus próprios funcionários.
Com o suporte apropriado de consultores competentes a implantação do ombudsman pode proporcionar à organização a transformação necessária para alavancar seus resultados, reduzir a sua vulnerabilidade a processos judiciais e melhorar significativamente a qualidade do ambiente de trabalho.
Isaac Pinski é sócio-diretor da Pinski Consultoria, empresa focada em gestão empresarial. Com mais de 30 anos de experiência em diagnóstico organizacional, análise de processos, planejamento estratégico, logística integrada e comunicação interna. O executivo é Mestre em Administração pela FEA-USP, certificado como Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e engenheiro aeronáutico formado pelo ITA.
sábado, 12 de novembro de 2011
O Real Sentido da Vida
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Antonio Pagliosa
A vida é e sempre será um dom extraordinariamente maravilhoso, e precisamos ser dignos deste dom.
Começamos a vida como potenciais vencedores. Entre algumas centenas de milhões de espermatozóides, você foi premiado. Iniciou vencendo.
E você vale muito, essencialmente porque existe e é obra prima do criador de todas as coisas. E é absolutamente impossível ser feliz e plenamente realizado, se DEUS não fizer parte importante de sua vida.
Ontem, (09/11/2011), ouvi a declaração dos pais do pequeno Caio, que após lutar duas semanas pela vida e quando começava a reagir e vencia a batalha contra a morte, um erro fatal o levou para sempre. Injetaram leite em sua veia e a alegação da enfermeira foi que as embalagens de leite para uso oral e medicamento para uso injetável na veia eram muito parecidos.
O pai, indignado disse: “Nem um analfabeto faria um erro destes.”
A mãe, desconsolada falou: “Tiraram um pedaço de mim.” Sim, o bebê Caio, fazia parte dela nos últimos nove meses e duas semanas.
Meus prezados, erros absurdos vem acontecendo em nosso precaríssimo
Sistema Único de Saúde, onde as condições de trabalho são subumanas, e onde a vida não tem merecido respeito.
Ontem mesmo vi a ocorrência de agressão a uma funcionária de unidade de saúde em Curitiba, porque pessoas estavam esperando horas e horas e horas por atendimento e não havia médicos. Então outro funcionário da mesma unidade de saúde, saiu-se com esta pérola: “Existe fila e longa espera porque as pessoas sabem que o atendimento é muito bom.” Passou na TV e em cadeia nacional.
Puxa! E durma-se com um barulho destes.
O real sentido da vida é estar em serviço de seu semelhante. É amá-lo como você ama a si mesmo. É respeitá-lo e honrá-lo com a sua presença e o seu carinho. E obviamente, amar a DEUS sobre todas as coisas, porque assim conquistaremos seu reino.
Veja em Genesis 4, 8 a 26, os exemplos catastróficos de Caim e Lameque. O primeiro mata por inveja e despeito, o seu único irmão. O segundo é descendente de Caim e o primeiro homem de quem se menciona ter tido duas mulheres, diante das quais proferiu seu cântico de vingança. Dois exemplos de perdedores! Porque eram homens violentos!
A violência sempre é trágica demais e temos que evitá-la com todas as nossas forças. A historia está cheia de déspotas que se deram muito mal!
Observem o que está ocorrendo em nosso país: A favela da Rocinha parece que finalmente se livra do traficante NEM e de seu bando. Naquela comunidade, com cerca de setenta mil pessoas, a força do tráfico de drogas, era até ontem, um inferno em suas vidas. Parabéns Polícia! Valeu!
Os Quilombolas de todos os cantos do Brasil se reúnem em Brasília para pedir a titulação de terras onde vivem a dezenas de anos. Pessoas humildes que lutam por seus direitos, mas em suas comunidades não há escola e nem posto de saúde e muito menos saneamento básico.
Sem registro de propriedade, os bancos não liberam empréstimos aos agricultores dos quilombos que não conseguem superar os obstáculos do governo e a falta de vontade e disposição do INCRA. É lamentável fazer isso com seres humanos que querem contribuir com o desenvolvimento da nação, e isto vem acontecendo desde a abolição da escravatura. Misericórdia!
Índios nas reservas próximo a Dourados, não conseguem plantar sua lavoura, porque está atrasada a entrega de sementes e não há combustível para trator. A FUNAI alega que estão atrasados os processos de licitação para a compra das tais sementes. E o melhor período de plantar já era. Ano após ano é a mesma ladainha e a mesma incompetência e ninguém assume o caos. Falta planejamento e faltam pessoas que trabalhem para servir e não para receber holerite.
Professores no Pará estão completando 45 dias de greve e reivindicam apenas que o Estado lhes pague o piso da categoria, algo pouco acima de um mil e cem reais. E o Estado diz não ter como pagar esta quantia. E ainda esta semana ouvi o Ministro Haddad dizer que os avanços na Educação são significativos, e por isso vou dizer de novo:
FORA HADDAD!
Os baderneiros maconheiros travestidos de estudantes da USP precisam sentir na pele a força da lei. Quem deseja vencer na vida, não trilha estes caminhos.
E Carlos Lupi, mostrou ao Brasil a cara das indicações do falastrão mor.
Haja faxina!
E a Comissão da Verdade é um acinte as forças armadas, a democracia e a verdade verdadeira. Pobre país! Que interesse tem isso para o povo?
Meu caro, para eu, o real sentido da vida é ser útil a meu semelhante, honrar cada dia com serviço profícuo e louvor a DEUS e nunca ser pedra de tropeço para ninguém.
Com carinho
João Antonio Pagliosa é Eng. Agrônomo pela UFRRJ em 1972 - joaoantoniopagliosa@gmail.com
Por João Antonio Pagliosa
A vida é e sempre será um dom extraordinariamente maravilhoso, e precisamos ser dignos deste dom.
Começamos a vida como potenciais vencedores. Entre algumas centenas de milhões de espermatozóides, você foi premiado. Iniciou vencendo.
E você vale muito, essencialmente porque existe e é obra prima do criador de todas as coisas. E é absolutamente impossível ser feliz e plenamente realizado, se DEUS não fizer parte importante de sua vida.
Ontem, (09/11/2011), ouvi a declaração dos pais do pequeno Caio, que após lutar duas semanas pela vida e quando começava a reagir e vencia a batalha contra a morte, um erro fatal o levou para sempre. Injetaram leite em sua veia e a alegação da enfermeira foi que as embalagens de leite para uso oral e medicamento para uso injetável na veia eram muito parecidos.
O pai, indignado disse: “Nem um analfabeto faria um erro destes.”
A mãe, desconsolada falou: “Tiraram um pedaço de mim.” Sim, o bebê Caio, fazia parte dela nos últimos nove meses e duas semanas.
Meus prezados, erros absurdos vem acontecendo em nosso precaríssimo
Sistema Único de Saúde, onde as condições de trabalho são subumanas, e onde a vida não tem merecido respeito.
Ontem mesmo vi a ocorrência de agressão a uma funcionária de unidade de saúde em Curitiba, porque pessoas estavam esperando horas e horas e horas por atendimento e não havia médicos. Então outro funcionário da mesma unidade de saúde, saiu-se com esta pérola: “Existe fila e longa espera porque as pessoas sabem que o atendimento é muito bom.” Passou na TV e em cadeia nacional.
Puxa! E durma-se com um barulho destes.
O real sentido da vida é estar em serviço de seu semelhante. É amá-lo como você ama a si mesmo. É respeitá-lo e honrá-lo com a sua presença e o seu carinho. E obviamente, amar a DEUS sobre todas as coisas, porque assim conquistaremos seu reino.
Veja em Genesis 4, 8 a 26, os exemplos catastróficos de Caim e Lameque. O primeiro mata por inveja e despeito, o seu único irmão. O segundo é descendente de Caim e o primeiro homem de quem se menciona ter tido duas mulheres, diante das quais proferiu seu cântico de vingança. Dois exemplos de perdedores! Porque eram homens violentos!
A violência sempre é trágica demais e temos que evitá-la com todas as nossas forças. A historia está cheia de déspotas que se deram muito mal!
Observem o que está ocorrendo em nosso país: A favela da Rocinha parece que finalmente se livra do traficante NEM e de seu bando. Naquela comunidade, com cerca de setenta mil pessoas, a força do tráfico de drogas, era até ontem, um inferno em suas vidas. Parabéns Polícia! Valeu!
Os Quilombolas de todos os cantos do Brasil se reúnem em Brasília para pedir a titulação de terras onde vivem a dezenas de anos. Pessoas humildes que lutam por seus direitos, mas em suas comunidades não há escola e nem posto de saúde e muito menos saneamento básico.
Sem registro de propriedade, os bancos não liberam empréstimos aos agricultores dos quilombos que não conseguem superar os obstáculos do governo e a falta de vontade e disposição do INCRA. É lamentável fazer isso com seres humanos que querem contribuir com o desenvolvimento da nação, e isto vem acontecendo desde a abolição da escravatura. Misericórdia!
Índios nas reservas próximo a Dourados, não conseguem plantar sua lavoura, porque está atrasada a entrega de sementes e não há combustível para trator. A FUNAI alega que estão atrasados os processos de licitação para a compra das tais sementes. E o melhor período de plantar já era. Ano após ano é a mesma ladainha e a mesma incompetência e ninguém assume o caos. Falta planejamento e faltam pessoas que trabalhem para servir e não para receber holerite.
Professores no Pará estão completando 45 dias de greve e reivindicam apenas que o Estado lhes pague o piso da categoria, algo pouco acima de um mil e cem reais. E o Estado diz não ter como pagar esta quantia. E ainda esta semana ouvi o Ministro Haddad dizer que os avanços na Educação são significativos, e por isso vou dizer de novo:
FORA HADDAD!
Os baderneiros maconheiros travestidos de estudantes da USP precisam sentir na pele a força da lei. Quem deseja vencer na vida, não trilha estes caminhos.
E Carlos Lupi, mostrou ao Brasil a cara das indicações do falastrão mor.
Haja faxina!
E a Comissão da Verdade é um acinte as forças armadas, a democracia e a verdade verdadeira. Pobre país! Que interesse tem isso para o povo?
Meu caro, para eu, o real sentido da vida é ser útil a meu semelhante, honrar cada dia com serviço profícuo e louvor a DEUS e nunca ser pedra de tropeço para ninguém.
Com carinho
João Antonio Pagliosa é Eng. Agrônomo pela UFRRJ em 1972 - joaoantoniopagliosa@gmail.com
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
O contador e o botijão de gás
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por José Maria Chapina Alcazar
O culpado é sempre o mordomo? Não, este enredo já está superado em todas as novelas e romances. Agora, na vida real, é a vez do contador ser responsabilizado por todas as falcatruas, infrações ou negligências.
Acompanhamos as notícias veiculadas pela imprensa de que o profissional contábil foi apontado, pelo dono do estabelecimento, como responsável pela explosão ocorrida recentemente em um restaurante no Centro do Rio de Janeiro, acidente que deixou três mortos e 17 feridos.
Como o contador pode ser culpado? Não faz parte de suas atribuições fiscalizar a instalação ou utilização de equipamentos e produtos proibidos ou quaisquer procedimentos adotados pela empresa, cujas decisões são exclusivamente do empresário. O profissional ou empresário contábil é um assessor, consultor, e não vive a organização em seu dia-a-dia.
Certamente que, se houver conivência em ações de má fé, ambos devem pagar por isso. Caso contrário, o contabilista merece respeito pelo importante papel que lhe cabe neste contexto.
Cada profissão tem o seu papel. Contador não é economista, corretor, engenheiro ou despachante. Muito menos milagreiro ou vidente. A contabilidade é um registro, um espelho de atos e fatos. Veja bem: ela trata as informações, não as inventa.
Da mesma forma ocorre quando o contabilista é julgado culpado pela não declaração de bens de um cliente, o que vem acontecendo com certa regularidade. Ora, cabe ao profissional processar dados, mas estes são repassados, ou não, pelo contribuinte. Fazendo um paralelo com o caso da explosão no Rio de Janeiro, é como se ele tivesse o dever de ir até a casa ou a empresa de cada cliente para verificar quais os bens a serem destacados na declaração de IR.
Cabe ao contador realizar registros, escriturações e demonstrações contábeis, analisar balanços, intermediar o relacionamento entre fisco e contribuinte e, principalmente, prestar assessoria contábil, ponderando os dados da empresa, fazendo projeções para auxiliar efetivamente o empreendedor nas tomadas de decisões, a optar acertadamente pelo regime mais adequado para o seu tipo de negócio, que reduza a sua carga tributária de acordo com as previsões legais.
A carga de responsabilidade do contador não é pouca, tendo em vista que responde solidariamente com seus bens pessoais, nas esferas civil e criminal, por atos ilícitos cometidos na gestão da empresa, desde que seja comprovada a sua participação.
É verdade que este profissional pode ser comparado a um botijão de gás, prestes a explodir, tendo em vista seu atual papel como intermediador entre fisco e contribuinte. Com o crescimento gradual da inteligência fiscal brasileira, o cumprimento de obrigações acessórias passou a ser um grande desafio, exigindo qualidade e consistência dos dados, alinhamento à inconstante e frágil legislação, e ainda sob a ameaça de multas elevadas que por si só comprometem a sobrevivência do negócio.
No entanto, a eficiência do trabalho contábil passa inevitavelmente pela adoção de bons controles internos de gestão pelas organizações, pois a prestação de contas aos fiscos depende da qualidade dos dados apresentados pelo empresário e tratados pela contabilidade. Com o grande "big brother fiscal" que vem sendo gradualmente implantado, já não há mais espaço para erros, a profissionalização da empresa se faz imprescindível, e as fraudes e a sonegação estão com os dias contados.
O contador tem funções determinantes para o desenvolvimento do País, tanto no crescimento do empreendedorismo como na missão do governo brasileiro de transferir o papel fiscalizador para a própria sociedade. Por isso, não pode servir de bode expiatório para empresários, políticos e cidadãos que não assumem seus atos criminosos. Chega de hipocrisia!
A contabilidade é uma ciência nobre, e aqueles que a abraçaram merecem respeito. Afinal, hoje, assim como o médico está para a Saúde e o advogado para a Justiça, o profissional e empresário contábil está para o Empreendedorismo.
José Maria Chapina Alcazar, contador - presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo - SESCON-SP e da Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo - AESCON-SP.
Por José Maria Chapina Alcazar
O culpado é sempre o mordomo? Não, este enredo já está superado em todas as novelas e romances. Agora, na vida real, é a vez do contador ser responsabilizado por todas as falcatruas, infrações ou negligências.
Acompanhamos as notícias veiculadas pela imprensa de que o profissional contábil foi apontado, pelo dono do estabelecimento, como responsável pela explosão ocorrida recentemente em um restaurante no Centro do Rio de Janeiro, acidente que deixou três mortos e 17 feridos.
Como o contador pode ser culpado? Não faz parte de suas atribuições fiscalizar a instalação ou utilização de equipamentos e produtos proibidos ou quaisquer procedimentos adotados pela empresa, cujas decisões são exclusivamente do empresário. O profissional ou empresário contábil é um assessor, consultor, e não vive a organização em seu dia-a-dia.
Certamente que, se houver conivência em ações de má fé, ambos devem pagar por isso. Caso contrário, o contabilista merece respeito pelo importante papel que lhe cabe neste contexto.
Cada profissão tem o seu papel. Contador não é economista, corretor, engenheiro ou despachante. Muito menos milagreiro ou vidente. A contabilidade é um registro, um espelho de atos e fatos. Veja bem: ela trata as informações, não as inventa.
Da mesma forma ocorre quando o contabilista é julgado culpado pela não declaração de bens de um cliente, o que vem acontecendo com certa regularidade. Ora, cabe ao profissional processar dados, mas estes são repassados, ou não, pelo contribuinte. Fazendo um paralelo com o caso da explosão no Rio de Janeiro, é como se ele tivesse o dever de ir até a casa ou a empresa de cada cliente para verificar quais os bens a serem destacados na declaração de IR.
Cabe ao contador realizar registros, escriturações e demonstrações contábeis, analisar balanços, intermediar o relacionamento entre fisco e contribuinte e, principalmente, prestar assessoria contábil, ponderando os dados da empresa, fazendo projeções para auxiliar efetivamente o empreendedor nas tomadas de decisões, a optar acertadamente pelo regime mais adequado para o seu tipo de negócio, que reduza a sua carga tributária de acordo com as previsões legais.
A carga de responsabilidade do contador não é pouca, tendo em vista que responde solidariamente com seus bens pessoais, nas esferas civil e criminal, por atos ilícitos cometidos na gestão da empresa, desde que seja comprovada a sua participação.
É verdade que este profissional pode ser comparado a um botijão de gás, prestes a explodir, tendo em vista seu atual papel como intermediador entre fisco e contribuinte. Com o crescimento gradual da inteligência fiscal brasileira, o cumprimento de obrigações acessórias passou a ser um grande desafio, exigindo qualidade e consistência dos dados, alinhamento à inconstante e frágil legislação, e ainda sob a ameaça de multas elevadas que por si só comprometem a sobrevivência do negócio.
No entanto, a eficiência do trabalho contábil passa inevitavelmente pela adoção de bons controles internos de gestão pelas organizações, pois a prestação de contas aos fiscos depende da qualidade dos dados apresentados pelo empresário e tratados pela contabilidade. Com o grande "big brother fiscal" que vem sendo gradualmente implantado, já não há mais espaço para erros, a profissionalização da empresa se faz imprescindível, e as fraudes e a sonegação estão com os dias contados.
O contador tem funções determinantes para o desenvolvimento do País, tanto no crescimento do empreendedorismo como na missão do governo brasileiro de transferir o papel fiscalizador para a própria sociedade. Por isso, não pode servir de bode expiatório para empresários, políticos e cidadãos que não assumem seus atos criminosos. Chega de hipocrisia!
A contabilidade é uma ciência nobre, e aqueles que a abraçaram merecem respeito. Afinal, hoje, assim como o médico está para a Saúde e o advogado para a Justiça, o profissional e empresário contábil está para o Empreendedorismo.
José Maria Chapina Alcazar, contador - presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo - SESCON-SP e da Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo - AESCON-SP.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
São Paulo merece ônibus mais rápidos e confortáveis
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Adalberto Maluf Filho
Recentemente o Ministério Público do Estado de São Paulo recomendou à Prefeitura paulistana que seja elaborado o Plano Municipal de Mobilidade e instalado o Conselho Municipal de Transportes – previstos no Estatuto da Cidade (de 2001) e em lei, respectivamente.
Todo projeto de mobilidade visa reduzir o tempo de viagem das pessoas com o menor custo possível. Por isso, com tantas opções de modais disponíveis hoje, é necessário que se escolha os mais apropriados a cada contexto e que os diferentes meios (ônibus em corredores simples ou rápidos, metrô, ou metrô-leve) sejam complementares e integrados.
Não podemos ficar satisfeitos com a criação de uma ou duas novas linhas de transporte, se não tivermos uma rede alternativa, capaz de desafogá-las. Um exemplo é a expansão do metrô, que tem surtido efeito contrário do que se espera de um transporte público de qualidade – em vez de tirar as pessoas dos carros, vem tirando os usuários dos ônibus e, conseqüentemente, deixando-os superlotados mas não tirando carros da rua..
O Plano de Mobilidade de São Paulo deve focar na melhoria dos sistemas de ônibus, que podem melhorar muito se receberem os investimentos que merecem. Além de custarem menos, as estruturas para corredores eficientes de ônibus possuem vantagens operacionais inegáveis, quando comparadas com os meios sobre trilhos.
Os ônibus podem circular por corredores estruturais fisicamente separados do trânsito comum, mas também sair de um corredor para outro rapidamente. Assim, a mobilidade do próprio meio é mais eficaz. Nos horários de pico, os sistemas metroviários possuem menos versatilidade do que os ônibus, pois são limitados à baixa disponibilidade de composições na operação real. No caso dos corredores de ônibus, é possível circularem quantos veículos extras forem necessários para atender à demanda, melhorando a operação e oferecendo mais conforto no pico.
Nas regiões de menor volume de passageiros, os ônibus podem ultrapassar os veículos à frente, aumentando sua velocidade operacional, gerando economia de combustível e menor emissão de poluentes, enquanto os sistemas sobre trilhos precisam esperar as composições da frente e demandam difíceis baldeações para trocar linhas.
Merecem atenção os ônibus no sistema BRT (Bus Rapid Transit), principalmente pela possibilidade de criar linhas expressas - uma vantagem significativa em relação aos outros meios. O sistema BRT é caracterizado por faixas exclusivas, pagamento antecipado e estações fechadas, operação reorganizada em linhas estruturais (com alimentadoras), formando ampla rede, prioridades nas interseções, além de ônibus modernos e com novas tecnologias.
O custo de implantação versus a capacidade de transporte é o grande desafio dos sistemas sobre trilhos. Metrôs demoram décadas para ter frotas significativas para operar bem nos horários de pico, mas necessitam de subsídios fora do pico
Em Manaus, um projeto polêmico de monotrilhos foi questionado na justiça pelo Ministério Público Federal e pela Controladoria Geral da União e teve seu financiamento cancelado pela Caixa Econômica Federal. O projeto prometia capacidade operacional de 21 pessoas hora-sentido (“passível de expansão” para 45 mil?). Porém, previa a compra de somente 10 composições, capazes assim, de transportar menos de sete (7) mil passageiros hora-sentido, uma quantidade muito menor do que uma simples faixa de ônibus, que chega à 20 mil, e bem longe da capacidade de um corredor de ônibus rápido completo - BRT, que atinge até 50 mil.
Investimentos na ampliação da malha ferroviária são certamente importantes para algumas poucas grandes cidades. Não é o caso, por exemplo, na Grande São Paulo. Para ligar o ABC paulista à capital, o governo propõe prejudicar a paisagem urbana com um projeto de monotrilho, em uma região onde já existe um bom corredor de ônibus, o Corredor ABD, que sempre liderou as pesquisas de satisfação dos usuários de ônibus da Região Metropolitana de São Paulo. A questão que fica é “por que não investir na melhoraria do corredor, com o pagamento feito antes do embarque, a integração com o bilhete único da capital e a ampliação das redes de corredores nas cidades por onde passa o ABD?”. Ao contrário, o governo aposta em um projeto de monotrilho que vai levar mais de dez anos, e um custo de mais de R$ 4 bilhões. Esta “sobrando” recurso?
É preciso melhorar as calçadas, investir em áreas verdes e espaços públicos de qualidade, além de integrar e melhorar os sistemas de ônibus, para depois, pensar em sistemas de trens aéreos. Ou melhoramos o que é mais simples e factível, ou sonhamos com os monotrilhos mágicos, que certamente não dão conta da demanda e podem deixar passivos financeiros significativos. Este é o desafio para a Grande São Paulo.
Adalberto Maluf Filho é pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e Diretor da Fundação Clinton/ Rede C40 em São Paulo.
Por Adalberto Maluf Filho
Recentemente o Ministério Público do Estado de São Paulo recomendou à Prefeitura paulistana que seja elaborado o Plano Municipal de Mobilidade e instalado o Conselho Municipal de Transportes – previstos no Estatuto da Cidade (de 2001) e em lei, respectivamente.
Todo projeto de mobilidade visa reduzir o tempo de viagem das pessoas com o menor custo possível. Por isso, com tantas opções de modais disponíveis hoje, é necessário que se escolha os mais apropriados a cada contexto e que os diferentes meios (ônibus em corredores simples ou rápidos, metrô, ou metrô-leve) sejam complementares e integrados.
Não podemos ficar satisfeitos com a criação de uma ou duas novas linhas de transporte, se não tivermos uma rede alternativa, capaz de desafogá-las. Um exemplo é a expansão do metrô, que tem surtido efeito contrário do que se espera de um transporte público de qualidade – em vez de tirar as pessoas dos carros, vem tirando os usuários dos ônibus e, conseqüentemente, deixando-os superlotados mas não tirando carros da rua..
O Plano de Mobilidade de São Paulo deve focar na melhoria dos sistemas de ônibus, que podem melhorar muito se receberem os investimentos que merecem. Além de custarem menos, as estruturas para corredores eficientes de ônibus possuem vantagens operacionais inegáveis, quando comparadas com os meios sobre trilhos.
Os ônibus podem circular por corredores estruturais fisicamente separados do trânsito comum, mas também sair de um corredor para outro rapidamente. Assim, a mobilidade do próprio meio é mais eficaz. Nos horários de pico, os sistemas metroviários possuem menos versatilidade do que os ônibus, pois são limitados à baixa disponibilidade de composições na operação real. No caso dos corredores de ônibus, é possível circularem quantos veículos extras forem necessários para atender à demanda, melhorando a operação e oferecendo mais conforto no pico.
Nas regiões de menor volume de passageiros, os ônibus podem ultrapassar os veículos à frente, aumentando sua velocidade operacional, gerando economia de combustível e menor emissão de poluentes, enquanto os sistemas sobre trilhos precisam esperar as composições da frente e demandam difíceis baldeações para trocar linhas.
Merecem atenção os ônibus no sistema BRT (Bus Rapid Transit), principalmente pela possibilidade de criar linhas expressas - uma vantagem significativa em relação aos outros meios. O sistema BRT é caracterizado por faixas exclusivas, pagamento antecipado e estações fechadas, operação reorganizada em linhas estruturais (com alimentadoras), formando ampla rede, prioridades nas interseções, além de ônibus modernos e com novas tecnologias.
O custo de implantação versus a capacidade de transporte é o grande desafio dos sistemas sobre trilhos. Metrôs demoram décadas para ter frotas significativas para operar bem nos horários de pico, mas necessitam de subsídios fora do pico
Em Manaus, um projeto polêmico de monotrilhos foi questionado na justiça pelo Ministério Público Federal e pela Controladoria Geral da União e teve seu financiamento cancelado pela Caixa Econômica Federal. O projeto prometia capacidade operacional de 21 pessoas hora-sentido (“passível de expansão” para 45 mil?). Porém, previa a compra de somente 10 composições, capazes assim, de transportar menos de sete (7) mil passageiros hora-sentido, uma quantidade muito menor do que uma simples faixa de ônibus, que chega à 20 mil, e bem longe da capacidade de um corredor de ônibus rápido completo - BRT, que atinge até 50 mil.
Investimentos na ampliação da malha ferroviária são certamente importantes para algumas poucas grandes cidades. Não é o caso, por exemplo, na Grande São Paulo. Para ligar o ABC paulista à capital, o governo propõe prejudicar a paisagem urbana com um projeto de monotrilho, em uma região onde já existe um bom corredor de ônibus, o Corredor ABD, que sempre liderou as pesquisas de satisfação dos usuários de ônibus da Região Metropolitana de São Paulo. A questão que fica é “por que não investir na melhoraria do corredor, com o pagamento feito antes do embarque, a integração com o bilhete único da capital e a ampliação das redes de corredores nas cidades por onde passa o ABD?”. Ao contrário, o governo aposta em um projeto de monotrilho que vai levar mais de dez anos, e um custo de mais de R$ 4 bilhões. Esta “sobrando” recurso?
É preciso melhorar as calçadas, investir em áreas verdes e espaços públicos de qualidade, além de integrar e melhorar os sistemas de ônibus, para depois, pensar em sistemas de trens aéreos. Ou melhoramos o que é mais simples e factível, ou sonhamos com os monotrilhos mágicos, que certamente não dão conta da demanda e podem deixar passivos financeiros significativos. Este é o desafio para a Grande São Paulo.
Adalberto Maluf Filho é pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e Diretor da Fundação Clinton/ Rede C40 em São Paulo.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Reforma Tributária e Seguridade Social
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Alcides dos Santos Ribeiro
Considerando os últimos ataques que a Previdência Social, vem recebendo via Internet e mais perigosamente, com as propostas da: “Reforma da Previdência” e da “Reforma Tributária”, resolvi fazer este artigo. Infelizmente não tenho como fazê-lo menor e peço desculpas por isso. Minha intenção é deixar bem claro as verdadeiras intenções que se escondem por trás de tais propostas de reformas.
Para Começar, faço a seguinte pergunta: Quantos orçamentos compõem o fluxo financeiro da União?
Resp:- São três. A saber, 1- Orçamento Fiscal – 2-Orçamento da Seguridade Social e 3- Orçamento das estatais.
Para cada orçamento acima descrito, a Constituição fixou as fontes de custeio.
Notem os senhores que a proposta da Reforma Tributária somente quer eliminar o Orçamento da Seguridade Social. Porque será?
Ora veja só: A Constituição de 1988 em seus artigos de 194 à 204 e 250, constituíram o “Orçamento da Seguridade Social”. Orçamento este que nunca foi deficitário. Diz o artigo 250 da CF que o governo poderá criar um fundo administrado de forma quatripartite com membros do governo, dos empresários, dos trabalhadores e dos aposentados. Esse fundo não foi criado até hoje. Existe no Senado Federal o PL 178/2007, dormindo em berço esplendido.
Hoje a população Brasileira, pode dormir tranqüila, pois às margens da Lei, ela está protegida. Em que pese todas as falcatruas engenhadas pelos políticos, para burlarem a fiscalização e locupletarem-se com os recursos do orçamento da Seguridade Social, (da saúde da Assistência e da Previdência Social). A Lei garante que se faltar recursos no orçamento da Seguridade Social, o governo deverá transferir, o valor necessário do orçamento fiscal. Mas o que vem ocorrendo é completamente o inverso. São efetuadas transferências do Orçamento da Seguridade Social, para cobrir os rombos do orçamento fiscal.
Os governantes sabem que estão agindo em desacordo com a Constituição. O dinheiro depositado pelos trabalhadores, empresários e por fim por toda a sociedade brasileira, via Contribuições Sociais, Contribuição sobre o Lucro, Confin, PIS/PASEP, Contribuições sobre a folha, contribuição dos trabalhadores e resultados de diagnósticos (Loterias), para serem utilizados na saúde, na assistência e na previdência, vem sendo sistematicamente desviado para outros fins, (via DRU) ferindo os princípios constitucionais.
Diante deste panorama cheio de irregularidades e visando esconder estes desvios financeiros, surgiu a proposta da Reforma tributária. Querem transformar todas as contribuições sociais no “Imposto sobre valor agregado” IVA-F. Se isto ocorrer: ADEUS ORÇAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – ADEUS AOS PROCEDIMENTOS INCONTITUCIONAIS E AS TRANSFERÊNCIAS ILEGAIS, EIS QUE FICARÁ TUDO REGULARIZADO DO PONTO DE VISTA CONSTITUCIONAL.
Aqui também tem uma pergunta que ainda não foi devidamente esclarecida. Já que todas as Contribuições Sociais serão transformadas (Notem bem “TRANSFORMADAS” e não eliminadas. Continuarão a serem cobradas) em impostos, porque a “CIDE” – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – não será incorporada como Imposto?
Este simples fato já denota a má intenção dos governantes em quererem apropriarem-se, legalmente do dinheiro do trabalhador e dos aposentados do Brasil.
Mas já pensaram nas conseqüências desta reforma?
Hoje, a saúde, assistência e a Previdência Social têm o seu próprio orçamento que nos últimos 9 anos foi superavitário em 470.5 bilhões de reais, totalmente transferidos para o Orçamento fiscal. Se ocorrer a aprovação da proposta da Reforma Tributária, como foi apresentada e que agora nossa Presidenta vem apresentando em partes, para não levantar suspeitas. E se todas as partes forem aprovadas como estão, a situação das três áreas envolvidas ficará crítica. A três áreas deverão entrar na fila e passar a mendigar recursos, competindo com os demais ministérios e secretarias. Já pensaram na saúde, competindo com Minas e Energia, com Transportes e outros.
Estamos lutando é pela não aprovação das partes da Reforma Tributária e para criar mecanismo de proteção do Orçamento da Seguridade Social, como ele está hoje, deixando-o como está descrito na Constituição. A Idéia do Banco da Seguridade Social, com administração quatripartite, parte do pressuposto de que os quatro segmentos juntos darão maior transparência nos atos administrativos. Mas também não é uma idéia fechada, pois estamos com as discussões em aberto.
Se hoje a Seguridade Social vem sendo roubada, tanto por escritórios como pelo próprio governo, a solução não é acabar com o Orçamento da Seguridade Social e sim adotar medidas para protegê-lo. Se o governo ao conceder anistia ou renúncia fiscal utiliza-se do orçamento da seguridade social, ele, por estar utilizando o dinheiro do trabalhador, deveria retirar do orçamento fiscal e repor no orçamento da Seguridade Social o valor total das renúncias concedidas.
No caso dos roubos, desfalques, por outras entidades, todos deveriam ser criminalizados e os réus terem seus patrimônios retido até o pagamento total do débito.
Outro assunto é que quando falo de Aposentadorias, estou dizendo que o Brasil, País rico por natureza, conseguiu incluir em sua Constituição a proteção não só aos idosos, mas também aos deficientes e aos menos favorecidos, não pode nem pensar em tratar seus idosos, como vemos constantemente pela TV, países descartando idosos como se fossem mercadorias velhas ou um peso insustentável. Se hoje, temos o que temos, é porque as gerações passadas ajudaram a construir.
Mesmo no ano da crise 2.009, este orçamento foi superavitário. Se ele é um sucesso em termos financeiros, nós podemos amparar nosso Pai, nossa mãe, avôs e avós, porque então permitir que governos inescrupulosos, venham praticar este desmonte através da reforma tributária.
Honrai Pai e mãe. Isto está escrito nas sagradas escrituras e que graças a Deus ainda encontramos pessoas que acreditam e cumprem o que foi escrito por Nosso Deus.
Lembrem-se, os impostos e ou contribuições que pagamos são para construir um ambiente saudável e uma vida plena para todos os cidadãos, principalmente para aqueles que mais precisarem e que contribuíram para esse fim.
Pensem nisso!!!
RECOMENDO A LEITURA DO ARTIGO ABAIXO
http://fapems.wordpress.com/banco-da-seguridade-social
Alcides dos Santos Ribeiro é Presidente da FAPEMS - Fed.das Assoc.dos Apos.e Pens.do Estado do Mato Grosso do Sul.
Por Alcides dos Santos Ribeiro
Considerando os últimos ataques que a Previdência Social, vem recebendo via Internet e mais perigosamente, com as propostas da: “Reforma da Previdência” e da “Reforma Tributária”, resolvi fazer este artigo. Infelizmente não tenho como fazê-lo menor e peço desculpas por isso. Minha intenção é deixar bem claro as verdadeiras intenções que se escondem por trás de tais propostas de reformas.
Para Começar, faço a seguinte pergunta: Quantos orçamentos compõem o fluxo financeiro da União?
Resp:- São três. A saber, 1- Orçamento Fiscal – 2-Orçamento da Seguridade Social e 3- Orçamento das estatais.
Para cada orçamento acima descrito, a Constituição fixou as fontes de custeio.
Notem os senhores que a proposta da Reforma Tributária somente quer eliminar o Orçamento da Seguridade Social. Porque será?
Ora veja só: A Constituição de 1988 em seus artigos de 194 à 204 e 250, constituíram o “Orçamento da Seguridade Social”. Orçamento este que nunca foi deficitário. Diz o artigo 250 da CF que o governo poderá criar um fundo administrado de forma quatripartite com membros do governo, dos empresários, dos trabalhadores e dos aposentados. Esse fundo não foi criado até hoje. Existe no Senado Federal o PL 178/2007, dormindo em berço esplendido.
Hoje a população Brasileira, pode dormir tranqüila, pois às margens da Lei, ela está protegida. Em que pese todas as falcatruas engenhadas pelos políticos, para burlarem a fiscalização e locupletarem-se com os recursos do orçamento da Seguridade Social, (da saúde da Assistência e da Previdência Social). A Lei garante que se faltar recursos no orçamento da Seguridade Social, o governo deverá transferir, o valor necessário do orçamento fiscal. Mas o que vem ocorrendo é completamente o inverso. São efetuadas transferências do Orçamento da Seguridade Social, para cobrir os rombos do orçamento fiscal.
Os governantes sabem que estão agindo em desacordo com a Constituição. O dinheiro depositado pelos trabalhadores, empresários e por fim por toda a sociedade brasileira, via Contribuições Sociais, Contribuição sobre o Lucro, Confin, PIS/PASEP, Contribuições sobre a folha, contribuição dos trabalhadores e resultados de diagnósticos (Loterias), para serem utilizados na saúde, na assistência e na previdência, vem sendo sistematicamente desviado para outros fins, (via DRU) ferindo os princípios constitucionais.
Diante deste panorama cheio de irregularidades e visando esconder estes desvios financeiros, surgiu a proposta da Reforma tributária. Querem transformar todas as contribuições sociais no “Imposto sobre valor agregado” IVA-F. Se isto ocorrer: ADEUS ORÇAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – ADEUS AOS PROCEDIMENTOS INCONTITUCIONAIS E AS TRANSFERÊNCIAS ILEGAIS, EIS QUE FICARÁ TUDO REGULARIZADO DO PONTO DE VISTA CONSTITUCIONAL.
Aqui também tem uma pergunta que ainda não foi devidamente esclarecida. Já que todas as Contribuições Sociais serão transformadas (Notem bem “TRANSFORMADAS” e não eliminadas. Continuarão a serem cobradas) em impostos, porque a “CIDE” – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – não será incorporada como Imposto?
Este simples fato já denota a má intenção dos governantes em quererem apropriarem-se, legalmente do dinheiro do trabalhador e dos aposentados do Brasil.
Mas já pensaram nas conseqüências desta reforma?
Hoje, a saúde, assistência e a Previdência Social têm o seu próprio orçamento que nos últimos 9 anos foi superavitário em 470.5 bilhões de reais, totalmente transferidos para o Orçamento fiscal. Se ocorrer a aprovação da proposta da Reforma Tributária, como foi apresentada e que agora nossa Presidenta vem apresentando em partes, para não levantar suspeitas. E se todas as partes forem aprovadas como estão, a situação das três áreas envolvidas ficará crítica. A três áreas deverão entrar na fila e passar a mendigar recursos, competindo com os demais ministérios e secretarias. Já pensaram na saúde, competindo com Minas e Energia, com Transportes e outros.
Estamos lutando é pela não aprovação das partes da Reforma Tributária e para criar mecanismo de proteção do Orçamento da Seguridade Social, como ele está hoje, deixando-o como está descrito na Constituição. A Idéia do Banco da Seguridade Social, com administração quatripartite, parte do pressuposto de que os quatro segmentos juntos darão maior transparência nos atos administrativos. Mas também não é uma idéia fechada, pois estamos com as discussões em aberto.
Se hoje a Seguridade Social vem sendo roubada, tanto por escritórios como pelo próprio governo, a solução não é acabar com o Orçamento da Seguridade Social e sim adotar medidas para protegê-lo. Se o governo ao conceder anistia ou renúncia fiscal utiliza-se do orçamento da seguridade social, ele, por estar utilizando o dinheiro do trabalhador, deveria retirar do orçamento fiscal e repor no orçamento da Seguridade Social o valor total das renúncias concedidas.
No caso dos roubos, desfalques, por outras entidades, todos deveriam ser criminalizados e os réus terem seus patrimônios retido até o pagamento total do débito.
Outro assunto é que quando falo de Aposentadorias, estou dizendo que o Brasil, País rico por natureza, conseguiu incluir em sua Constituição a proteção não só aos idosos, mas também aos deficientes e aos menos favorecidos, não pode nem pensar em tratar seus idosos, como vemos constantemente pela TV, países descartando idosos como se fossem mercadorias velhas ou um peso insustentável. Se hoje, temos o que temos, é porque as gerações passadas ajudaram a construir.
Mesmo no ano da crise 2.009, este orçamento foi superavitário. Se ele é um sucesso em termos financeiros, nós podemos amparar nosso Pai, nossa mãe, avôs e avós, porque então permitir que governos inescrupulosos, venham praticar este desmonte através da reforma tributária.
Honrai Pai e mãe. Isto está escrito nas sagradas escrituras e que graças a Deus ainda encontramos pessoas que acreditam e cumprem o que foi escrito por Nosso Deus.
Lembrem-se, os impostos e ou contribuições que pagamos são para construir um ambiente saudável e uma vida plena para todos os cidadãos, principalmente para aqueles que mais precisarem e que contribuíram para esse fim.
Pensem nisso!!!
RECOMENDO A LEITURA DO ARTIGO ABAIXO
http://fapems.wordpress.com/banco-da-seguridade-social
Alcides dos Santos Ribeiro é Presidente da FAPEMS - Fed.das Assoc.dos Apos.e Pens.do Estado do Mato Grosso do Sul.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
As lições do passado
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Constantemente podemos perceber pessoas aflitas, tensas, com algo ocorrido em suas vidas. Raramente se lembram que o que já ocorreu não tem mais como ser apagado, já foi, bem ou mal, resolvido.
O máximo que podem e devem fazer é buscar alternativas para solucionar algo que não saiu como esperado e acabou magoando ou prejudicando alguém ou a elas próprias.
É incrível como só com mais experiência e maturidade acabamos percebendo o óbvio, que não devemos nos repreender ou ficarmos tristes com o que ocorreu no passado, se erramos ou erraram conosco, se magoamos ou se fomos magoados, se sofremos ou fizemos sofrer.
Nenhuma dessas situações poderá ser alterada, mas se realmente desejarmos, podem ser amenizadas, tornar-se menos dolorosas para quem quer que seja e servir de exemplo, que poderá impedir novos erros.
Analisando o passado podemos perceber claramente, nas experiências alheias e em todas as áreas, atitudes mais ou menos convenientes, que provocaram diferentes resultados. Esse tipo de observação é uma ótima escola, onde podemos aprender sem a necessidade de praticar o que já não deu certo com outros.
Invariavelmente, os jovens ridicularizam esse passado, considerando-o uma fonte de informações ultrapassadas, mas, com a maturidade, perceberão como poderiam ter melhor conduzido sua vida, errado menos e obtido maior sucesso, se simplesmente tivessem tido a humildade de, olhando para trás, aprender com o que historicamente ocorreu na humanidade, e lá buscando exemplos que poderiam ter facilitado inclusive sua escolha da profissão a seguir, decisão crucial para seu futuro.
Em diversos ambientes e épocas, os temas mais variados, como amizades, relacionamentos, paixões, amores, brigas, revoluções e guerras, podem ser observados e orientar nossas decisões.
Essa análise histórica nos mostra os bons e os maus exemplos, os erros e acertos cometidos, facilitando nossas escolhas, nas ações e atitudes corriqueiras, do caminho a ser seguido com maiores chances de sucesso.
Negócios mais ou menos lucrativos já foram exaustivamente tentados, em diferentes países, pontos e climas, para as populações mais variadas, tanto culturalmente como por seu poder aquisitivo, podendo servir de exemplo para pessoas de qualquer raça, cultura, credo, posição social ou nível educacional.
O homem sempre aprendeu muito na área comercial, olhando seus antepassados, mas ensinamentos tradicionais óbvios, como o de só procurar vender para quem pode comprar, ainda não foram absorvidos por muitos, como por Lula, que só buscava parcerias comerciais com seus parceiros ideológicos, dirigentes de pequenos países, sem nenhuma expressão comercial ou populacional, como Cuba, Bolívia, Venezuela, Líbia e Irã.
Com as novas tecnologias surgem milhares de novas oportunidades, mas a história continua e permanecerá nos ensinando muito, pois só com a observação e os estudos do passado os homens foram capazes de produzir tudo o que hoje nos envolve e utilizamos.
Todas as experiências vividas, mesmo as piores, sempre possuem um lado bom, o da lição, infelizmente só aproveitado por aqueles que sempre ouvem e observam, buscando seu crescimento como seres humanos.
Aceitar como passado os fatos e ocorrências de nossas vidas é o primeiro passo para soluções futuras, mas só a minoria, os maduros e humildes fazem isso e aprendem com a observação e análise da história.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Constantemente podemos perceber pessoas aflitas, tensas, com algo ocorrido em suas vidas. Raramente se lembram que o que já ocorreu não tem mais como ser apagado, já foi, bem ou mal, resolvido.
O máximo que podem e devem fazer é buscar alternativas para solucionar algo que não saiu como esperado e acabou magoando ou prejudicando alguém ou a elas próprias.
É incrível como só com mais experiência e maturidade acabamos percebendo o óbvio, que não devemos nos repreender ou ficarmos tristes com o que ocorreu no passado, se erramos ou erraram conosco, se magoamos ou se fomos magoados, se sofremos ou fizemos sofrer.
Nenhuma dessas situações poderá ser alterada, mas se realmente desejarmos, podem ser amenizadas, tornar-se menos dolorosas para quem quer que seja e servir de exemplo, que poderá impedir novos erros.
Analisando o passado podemos perceber claramente, nas experiências alheias e em todas as áreas, atitudes mais ou menos convenientes, que provocaram diferentes resultados. Esse tipo de observação é uma ótima escola, onde podemos aprender sem a necessidade de praticar o que já não deu certo com outros.
Invariavelmente, os jovens ridicularizam esse passado, considerando-o uma fonte de informações ultrapassadas, mas, com a maturidade, perceberão como poderiam ter melhor conduzido sua vida, errado menos e obtido maior sucesso, se simplesmente tivessem tido a humildade de, olhando para trás, aprender com o que historicamente ocorreu na humanidade, e lá buscando exemplos que poderiam ter facilitado inclusive sua escolha da profissão a seguir, decisão crucial para seu futuro.
Em diversos ambientes e épocas, os temas mais variados, como amizades, relacionamentos, paixões, amores, brigas, revoluções e guerras, podem ser observados e orientar nossas decisões.
Essa análise histórica nos mostra os bons e os maus exemplos, os erros e acertos cometidos, facilitando nossas escolhas, nas ações e atitudes corriqueiras, do caminho a ser seguido com maiores chances de sucesso.
Negócios mais ou menos lucrativos já foram exaustivamente tentados, em diferentes países, pontos e climas, para as populações mais variadas, tanto culturalmente como por seu poder aquisitivo, podendo servir de exemplo para pessoas de qualquer raça, cultura, credo, posição social ou nível educacional.
O homem sempre aprendeu muito na área comercial, olhando seus antepassados, mas ensinamentos tradicionais óbvios, como o de só procurar vender para quem pode comprar, ainda não foram absorvidos por muitos, como por Lula, que só buscava parcerias comerciais com seus parceiros ideológicos, dirigentes de pequenos países, sem nenhuma expressão comercial ou populacional, como Cuba, Bolívia, Venezuela, Líbia e Irã.
Com as novas tecnologias surgem milhares de novas oportunidades, mas a história continua e permanecerá nos ensinando muito, pois só com a observação e os estudos do passado os homens foram capazes de produzir tudo o que hoje nos envolve e utilizamos.
Todas as experiências vividas, mesmo as piores, sempre possuem um lado bom, o da lição, infelizmente só aproveitado por aqueles que sempre ouvem e observam, buscando seu crescimento como seres humanos.
Aceitar como passado os fatos e ocorrências de nossas vidas é o primeiro passo para soluções futuras, mas só a minoria, os maduros e humildes fazem isso e aprendem com a observação e análise da história.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
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