Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Archimedes Marques
Temos de convir que a função de criticar ou elogiar não é tarefa fácil pois às vezes nos esbarramos em nossos próprios conceitos contrários que podem não ser os conceitos verdadeiros, no entanto, esses dois entendimentos podem estar presentes nas mesmas ações de uma só pessoa.
Não podemos esquecer de que o gosto de cada um é algo muito subjetivo e pessoal. Assim, o gosto que alguém considera ruim e errado, para o outro é considerado bom e certo. Tudo depende do ponto de vista de cada um e do mundo em que cada um vive. É por isso que se diz que há gosto para todas as coisas, que há gosto para tudo e a cada um seu gosto lhe parece o melhor e, em assim sendo, dentro dessa filosofia é que o presente texto não faz crítica ou elogio ao gosto do personagem principal, vez que contra o gosto não há argumento.
Há muito tempo atrás, mais de perto, no ano de 1985 conheci quando do meu ingresso na Polícia Civil de Sergipe, um cidadão que passarei a partir de então a chama-lo com o nome fictício de Matusalém, pois os seus familiares podem não gostar da história apesar de ter sido a pura verdade do que realmente aconteceu. Matusalém era um funcionário público exemplar, um excelente profissional, um dedicado e exclusivo, jamais igualado agente auxiliar de necropsia que trabalhava no Instituto Médico Legal de Aracaju. Trabalhava já então por sua livre e espontânea vontade, vez que as duas possibilidades de aposentadoria haviam alcançado o seu período laborativo, ou seja, tanto por tempo de serviço, quanto por idade, o referido diferente e irreverente servidor podia ir embora descansar na sua cadeira de balanço, contudo, não havia quem colocasse isso na cabeça dele, passando então o mesmo a ser considerado um patrimônio da casa, um patrimônio vivo e exemplar do IML do nosso Estado de Sergipe.
O IML não era somente o seu trabalho, era a sua casa, seu lar, sua vida. Para Matusalém a sua simples e difícil função era a melhor de todas as outras existentes. Cortar cadáveres, procurar projeteis ou objetos em suas vísceras, mexer em corpos putrefatos, buscar mortos mutilados em acidentes, ver sangue, sentir sangue, sentir o cheiro forte do formol, do morto e da morte era para o bom velho Matusalém uma satisfação incomum que ele realizava sem luvas, sem máscaras ou qualquer tipo de proteção possível.
Praticamente Matusalém trabalhava todos os dias em todos os plantões porque aceitava qualquer coisa em troca, por vezes até algumas doses de cachaça, para cobrir o expediente dos seus colegas.
Corria o boato que quase sempre Matusalém fazia as suas refeições no seu próprio local de trabalho, mais de perto, almoçava, lanchava ou jantava na mesma sala em que os mortos estavam sendo submetidos aos exames cadavéricos e, até colocava a água que bebia, suco ou qualquer alimento para gelar nas geladeiras em que também se guardavam os defuntos.
O meu primeiro local de trabalho foi a extinta Delegacia Central de Aracaju que era localizada no prédio vizinho ao IML, por isso a minha aproximação com os funcionários daquele Instituto, mais de perto com o velho Matusalém a quem melhor me apeguei pela sua simples filosofia de vida, apesar das nossas extremas diferenças.
Calouro na Polícia e metido a ser o melhor de todos, não diferente dos jovens policiais que se acham superiores aos antigos, aos mais experientes, então nas minhas horas vagas ou de menor movimento na Delegacia, não só pela curiosidade, mas principalmente para me acostumar com a situação fúnebre e horrorosa que tanto me causava náuseas e que eu achava ser condizente com a minha carreira, então passei a visitar a sala de necropsia do IML para assistir ao trabalho efetuado pelos Médicos Legistas, na maioria das vezes com o auxilio de Matusalém, que para dizer a verdade era quem fazia todo o trabalho pesado de cortar, serrar, abrir, retirar o cérebro ou as vísceras do examinado em busca das evidencias das suas mortes.
Certo dia caí na besteira de entrar na sala quando da chegada de um defunto afogado que fora achado na praia de Atalaia em avançado estado de decomposição, já bastante mutilado e até largando aos pedaços. Era o meu desafio maior, meu teste de fogo, para me acostumar de vez com a situação devido as tantas outras diferentes anteriormente a que me submeti voluntariamente assistindo a exames de todos os tipos de mortes possíveis.
Ali mesmo constatei em meio a uma fedentina insuportável, a pele podre das pernas do defunto ficar grudada nas mãos nuas de Matusalém, contudo, tal fato era só o começo do esdruxulo, pois o pior estava por vir: Não demorou muito e caiu no chão da sala um grande siri, um siri que a gente aqui em Sergipe chama de siri patola.
O siri que veio dentro da barriga do inchado e deteriorado cadáver afogado, agora estava ali no chão sujo da sala, em líquido gosmento róseo-avermelhado, desorientado e armado com as suas duas puãs tais quais tesouras apontadas para o alto no sentido de se defender de um possível ataque e, para minha surpresa escuto Matusalém dizer:
- Chegou o meu tira-gosto!...
Saí rápido da sala para vomitar lá fora e voltar para a Delegacia acreditando ser brincadeira aquela frase do meu amigo Matusalém.
Momento depois me chega o velho Matusalém já com o siri cozinhado, todo vermelhão e, cantando vantagem:
- E aí doutor, vai encarar?...
- Você está ficando doido Matusalém... Jogue essa porcaria fora!... Onde já se viu querer comer um siri que estava dentro da barriga de um defunto e ainda mais podre e nojento?...
- E qual é a diferença de se comer ele ou de comer qualquer outro siri?... Será que o outro que o senhor pesca ou compra na feira, também não comeu defunto?...
- Vamos ponderar um pouco Matusalém... Isso que você quer fazer, além de absurdo, anti-higiênico e nojento é deprimente, eu pago outro tira-gosto qualquer para você, mas jogue esse siri no lixo.
- Anti-higiênico não é, porque quando se cozinha, mata-se todos os micróbios. Nojento é aquilo que o senhor come sem saber de onde veio. Deprimente é o senhor comer algo pensando que é bom, quando na verdade esta sendo enganado, está comendo algo ruim, que não vale nada, que pode lhe fazer mal... Por exemplo: O senhor compra no mercado a carne mais cara que existe, o filé, entretanto esse filé pode vir de uma vaca que morreu de uma doença braba ou de uma picada de cobra... E aí?... Eu não quero que o senhor me pague nenhum tira-gosto não doutor por eu já tenho o meu... Só quero que me pague duas doses de cachaça que é pra eu comer o meu siri...
- Se é isso mesmo que você quer Matusalém, então seja feita a sua vontade... Pode ir andando pra birosca que eu chego já pra pagar a sua cachaça...
E ainda meio incrédulo, cerca de vinte minutos depois fui até o barzinho da esquina e lá chegando constatei os cascos e restos do siri dentro de um prato em cima da mesa, e Matusalém sentado ao lado se gabando:
- Só estava esperando o senhor para me pagar também a saideira, doutor... O siri estava gordo que estava uma beleza!...
Daquele dia em diante não mais comi um siri sequer e toda vez que eu vejo um, me lembro do meu amigo Matusalém, uma pessoa simples, leal, verdadeira e trabalhadora que viveu um mundo estranho dentro desse estranho mundo com o entendimento e gosto peculiar que era só seu.
O velho Matusalém morreu alguns anos depois dentro do seu próprio local de trabalho. Dormiu e não mais acordou... Morreu no seu paraíso, na morte que pediu a Deus... Morreu tão pobre quanto nasceu, mas me deixou uma lição: Vivemos em um mundo em que cada um vive o seu mundo, apenas nos adequamos às regras e ao mundo dos outros.
Archimedes Marques, Delegado de Polícia no Estado de Sergipe, é Pós-Graduado em Gestão Estratégica em Segurança Pública pela UFS. archimedes-marques@bol.com.br)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Lula tem Doutorado em Negociação
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
A Técnica de Negociação é hoje uma disciplina de terceiro grau, de importância decisiva num mundo de proximidades, potencializadas pelos contatos eletrônicos. A velocidade dos fatos e das mudanças exige mais e mais o aprimoramento das Técnicas de Negociação, de forma a transformar conhecimento em ação e resultados. A própria publicidade mudou de frequência ao ter que adotar na comunicação elementos de Técnicas de Negociação, tendo ou não consciência disso.
Um dos equívocos sobre o ex-presidente Lula é que ele não tinha nível superior. Esse tipo de interpretação supõe que nível superior exige diploma formal depois de 4 ou 5 anos numa faculdade. Certamente não é assim. Alguém que -independente de diploma- estude, aprenda e exercite um tema de nível universitário, dependendo de sua capacidade de assimilação, terá nível universitário.
Nesse sentido, Lula tem nível universitário em Técnicas de Negociação. Além da prática no movimento sindical, num momento crítico, o que concentrava no tempo sua prática de negociação, essa prática, em função daquele momento, se estendeu para fora do sindicalismo, agregando proximidade e negociação nas esferas política e social.
Se não bastasse, levado pelas mãos do secretário de relações internacionais do PT na época, Marco Aurélio Garcia, Lula frequentou seminários, cursos e imersões sobre Técnicas contemporâneas de Negociação e noções de política internacional, especialmente na Europa a partir do SPD-Alemanha. Efetivamente, Lula tem nível superior e pós-superior de Técnicas de Negociação. A elas agrega o tipo de informalidade própria das negociações sindicais.
Lenin, em "O Que Fazer" (1902), afirmava que um líder sindical, habituado a informalidade e a concentração nas questões que envolvem interesses, econômico e negocial, não poderia ser um dirigente do partido sem passar por uma transformação. E dizia que os dirigentes do partido tinham que ser políticos profissionais preparados para isso.
Essa análise de Lenin explica as diferenças entre Lula e Dilma (e sua equipe). Explica por que tantas informalidades e interesses negociais conviviam com Lula no governo. De um lado, um dirigente sindical expert em Técnicas de Negociação. Do outro, a rigidez do comando em base ao centralismo..., democrático de Lenin.
Se as informalidades transferem os problemas éticos ao governo seguinte, por outro lado, a ausência de expertise em Técnicas de Negociação, vis a vis o governo e o estilo do governo anterior, cria um nó cego nas relações de Dilma com os segmentos político, sindicais, empresariais, e externos. Para ter o nível superior de Lula em Técnicas de Negociação seriam necessários uns 20 anos de prática e teoria. A comparação será -já é- inevitável.
Aliás, as empresas que contratam Lula para falar o óbvio otimista sobre o país deveriam contratá-lo para falar sobre sua experiência em Negociação. Certamente seria muito melhor do que chamar líderes esportivos para tratar do tema mesclado a trabalho em equipe, como se tem feito. E valeria a pena gastar o dinheiro que tem gasto.
Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Publicado no Ex-blog de 30 de setembro de 2011.
Por Cesar Maia
A Técnica de Negociação é hoje uma disciplina de terceiro grau, de importância decisiva num mundo de proximidades, potencializadas pelos contatos eletrônicos. A velocidade dos fatos e das mudanças exige mais e mais o aprimoramento das Técnicas de Negociação, de forma a transformar conhecimento em ação e resultados. A própria publicidade mudou de frequência ao ter que adotar na comunicação elementos de Técnicas de Negociação, tendo ou não consciência disso.
Um dos equívocos sobre o ex-presidente Lula é que ele não tinha nível superior. Esse tipo de interpretação supõe que nível superior exige diploma formal depois de 4 ou 5 anos numa faculdade. Certamente não é assim. Alguém que -independente de diploma- estude, aprenda e exercite um tema de nível universitário, dependendo de sua capacidade de assimilação, terá nível universitário.
Nesse sentido, Lula tem nível universitário em Técnicas de Negociação. Além da prática no movimento sindical, num momento crítico, o que concentrava no tempo sua prática de negociação, essa prática, em função daquele momento, se estendeu para fora do sindicalismo, agregando proximidade e negociação nas esferas política e social.
Se não bastasse, levado pelas mãos do secretário de relações internacionais do PT na época, Marco Aurélio Garcia, Lula frequentou seminários, cursos e imersões sobre Técnicas contemporâneas de Negociação e noções de política internacional, especialmente na Europa a partir do SPD-Alemanha. Efetivamente, Lula tem nível superior e pós-superior de Técnicas de Negociação. A elas agrega o tipo de informalidade própria das negociações sindicais.
Lenin, em "O Que Fazer" (1902), afirmava que um líder sindical, habituado a informalidade e a concentração nas questões que envolvem interesses, econômico e negocial, não poderia ser um dirigente do partido sem passar por uma transformação. E dizia que os dirigentes do partido tinham que ser políticos profissionais preparados para isso.
Essa análise de Lenin explica as diferenças entre Lula e Dilma (e sua equipe). Explica por que tantas informalidades e interesses negociais conviviam com Lula no governo. De um lado, um dirigente sindical expert em Técnicas de Negociação. Do outro, a rigidez do comando em base ao centralismo..., democrático de Lenin.
Se as informalidades transferem os problemas éticos ao governo seguinte, por outro lado, a ausência de expertise em Técnicas de Negociação, vis a vis o governo e o estilo do governo anterior, cria um nó cego nas relações de Dilma com os segmentos político, sindicais, empresariais, e externos. Para ter o nível superior de Lula em Técnicas de Negociação seriam necessários uns 20 anos de prática e teoria. A comparação será -já é- inevitável.
Aliás, as empresas que contratam Lula para falar o óbvio otimista sobre o país deveriam contratá-lo para falar sobre sua experiência em Negociação. Certamente seria muito melhor do que chamar líderes esportivos para tratar do tema mesclado a trabalho em equipe, como se tem feito. E valeria a pena gastar o dinheiro que tem gasto.
Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Publicado no Ex-blog de 30 de setembro de 2011.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Inclusão social
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
É interessante como a observação da vida nos mostra coisas que jamais imaginaríamos, apesar de estarem ao nosso lado diariamente desde o nascimento. São as coisas mais comuns, abundantes, tão próximas e tão importantes que não se fazem notar, como o ar que respiramos.
Confesso que nunca observei ou dei atenção a coisas que atualmente considero importantíssimas, como a acessibilidade, praticamente inexistente ou, quando existe, totalmente desrespeitada em nosso país.
Imagino que isso deve ocorrer com a grande maioria das pessoas, pois o egoísmo natural do ser humano é tão grande que ele só se sente o que lhe faz falta, como percebo agora que sempre foi o que me ocorreu.
Sempre respeitei coisas que, penso, a maioria das pessoas aprendeu em casa ou na escola, como as vagas nos estacionamentos destinadas a pessoas com necessidades especiais, como deficientes físicos ou idosos.
Entretanto, só depois de ser um desses é que realmente passei a observar o atraso existente em nosso país quanto à observação, pelo poder público e pela população, de regras básicas que deveriam ser observadas para a inclusão dessas pessoas na plenitude da vida em sociedade.
A ocupação indevida das raras vagas nos estacionamentos destinadas a idosos ou deficientes físicos, por madames, jovens ou qualquer outro tipo de pessoa é corriqueira e as explicações são sempre as mesmas: foi rapidinho, era só por um instante, ou algo semelhante.
E exatamente nesse momento, enquanto essa rara vaga era ocupada, rapidinho, por quem não devia, a pessoa para quem ela havia sido destinada chega e como ela estava ocupada, foi obrigada a procurar outra, normalmente bem mais distante, e vir caminhando, com toda sua dificuldade.
Órgãos públicos em geral são os maiores infratores, raramente possuindo vagas, senhas para atendimento preferencial, ou qualquer outro tipo de facilidade para essas pessoas, principalmente, imagino, por um motivo muito simples: os políticos só pensam em quantidade de votos e defender minorias nunca foi a atividade de quem quer ser lembrado e escolhido pela maioria. Como o IBGE mostrou em sua última pesquisa que os idosos ou portadores de algum tipo de deficiência, seja auditiva, visual ou de locomoção, já são 15% da população brasileira, ou algo próximo de 18 milhões de eleitores, provavelmente os políticos que tomarem conhecimento dessa pesquisa começarão a repensar seu comportamento.
Participando recentemente de uma exposição de obras de um artista amigo, realizada na Casa da Cultura de Campo Grande, MS, uma capital de estado, não pude ver toda a coleção, pois a maioria estava no andar superior, de acesso impossível para um cadeirante, ou qualquer outra pessoa com dificuldades de subir uma escada, pois essa Casa da Cultura não possui um elevador que leve ao andar superior.
Por se tratar de um prédio histórico, os arquitetos responsáveis pela última reforma do prédio não se preocuparam, ou não foram capazes, mesmo com toda a tecnologia atual disponível, de encontrar uma alternativa para adicionar um elevador, ou de acabar com as escadas existentes entre uma sala e outra do prédio, para permitir o acesso indiscriminado das pessoas, sem influir arquitetonicamente no prédio.
Atualmente todos discutem a inclusão social dos menos favorecidos, com preocupações com saúde, educação, moradia e lazer, mas situações como essa mostram, na prática, o desrespeito com que a sociedade brasileira trata esses seus irmãos.
Nenhuma sociedade poderá crescer sem a inclusão total de todos os seus, independentemente de idade, instrução, raça, cor, credo, ou necessidades.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
É interessante como a observação da vida nos mostra coisas que jamais imaginaríamos, apesar de estarem ao nosso lado diariamente desde o nascimento. São as coisas mais comuns, abundantes, tão próximas e tão importantes que não se fazem notar, como o ar que respiramos.
Confesso que nunca observei ou dei atenção a coisas que atualmente considero importantíssimas, como a acessibilidade, praticamente inexistente ou, quando existe, totalmente desrespeitada em nosso país.
Imagino que isso deve ocorrer com a grande maioria das pessoas, pois o egoísmo natural do ser humano é tão grande que ele só se sente o que lhe faz falta, como percebo agora que sempre foi o que me ocorreu.
Sempre respeitei coisas que, penso, a maioria das pessoas aprendeu em casa ou na escola, como as vagas nos estacionamentos destinadas a pessoas com necessidades especiais, como deficientes físicos ou idosos.
Entretanto, só depois de ser um desses é que realmente passei a observar o atraso existente em nosso país quanto à observação, pelo poder público e pela população, de regras básicas que deveriam ser observadas para a inclusão dessas pessoas na plenitude da vida em sociedade.
A ocupação indevida das raras vagas nos estacionamentos destinadas a idosos ou deficientes físicos, por madames, jovens ou qualquer outro tipo de pessoa é corriqueira e as explicações são sempre as mesmas: foi rapidinho, era só por um instante, ou algo semelhante.
E exatamente nesse momento, enquanto essa rara vaga era ocupada, rapidinho, por quem não devia, a pessoa para quem ela havia sido destinada chega e como ela estava ocupada, foi obrigada a procurar outra, normalmente bem mais distante, e vir caminhando, com toda sua dificuldade.
Órgãos públicos em geral são os maiores infratores, raramente possuindo vagas, senhas para atendimento preferencial, ou qualquer outro tipo de facilidade para essas pessoas, principalmente, imagino, por um motivo muito simples: os políticos só pensam em quantidade de votos e defender minorias nunca foi a atividade de quem quer ser lembrado e escolhido pela maioria. Como o IBGE mostrou em sua última pesquisa que os idosos ou portadores de algum tipo de deficiência, seja auditiva, visual ou de locomoção, já são 15% da população brasileira, ou algo próximo de 18 milhões de eleitores, provavelmente os políticos que tomarem conhecimento dessa pesquisa começarão a repensar seu comportamento.
Participando recentemente de uma exposição de obras de um artista amigo, realizada na Casa da Cultura de Campo Grande, MS, uma capital de estado, não pude ver toda a coleção, pois a maioria estava no andar superior, de acesso impossível para um cadeirante, ou qualquer outra pessoa com dificuldades de subir uma escada, pois essa Casa da Cultura não possui um elevador que leve ao andar superior.
Por se tratar de um prédio histórico, os arquitetos responsáveis pela última reforma do prédio não se preocuparam, ou não foram capazes, mesmo com toda a tecnologia atual disponível, de encontrar uma alternativa para adicionar um elevador, ou de acabar com as escadas existentes entre uma sala e outra do prédio, para permitir o acesso indiscriminado das pessoas, sem influir arquitetonicamente no prédio.
Atualmente todos discutem a inclusão social dos menos favorecidos, com preocupações com saúde, educação, moradia e lazer, mas situações como essa mostram, na prática, o desrespeito com que a sociedade brasileira trata esses seus irmãos.
Nenhuma sociedade poderá crescer sem a inclusão total de todos os seus, independentemente de idade, instrução, raça, cor, credo, ou necessidades.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
domingo, 28 de agosto de 2011
Os desavergonhados
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Com a permissão de vocês, daqui vou abrir fogo de vogais e consoantes contra eles, vocês bem sabem quem, todos eles, usando minha metralhadora de letras: dissimulados, desaforados, mentirosos, desonestos, safados, enganadores, hipócritas, mascarados, insolentes e indolentes, atrevidos, cínicos, asquerosos, repulsivos, desagradáveis, repelentes, torpes, repugnantes, sórdidos, descarados, vis, ordinários, tratantes, velhacos, biscas ruins, espertalhões, embusteiros, trapaceiros, impostores, caras-de-pau, enganadores, falsos, rancorosos, tenebrosos, traiçoeiros!
Pápápápápápápápá. Ratatá... Ratatá ...Ratatá Ratatatatatá.
Tem mais sugestões? Deve mesmo existir mais algumas dezenas de palavras para dizer para eles todos, esses zinhos (e infelizmente, algumas zinhas) que, com suas ações e decisões, nos atingem e nos tornam tão mais infelizes e sem esperança. Nos ameaçam e reprimem. Nos dão medo e nos fazem temer por tudo, desde a ida de alguém querido até ali, a padaria, até o que será que vai sobrar da corrosão interna implantada no país. Iguais pragas daninhas florescem nas sombras, nos corredores e gabinetes, nas mansões e carros de último tipo e agora também em aviões, helicópteros, jatinhos. Só falta se articularem em balões e começarem a mandar mensagens entre si usando as pipas das crianças. Celulares atirados com arco e flecha para dentro dos presídios, ah, isso já fazem.
"Eles" são os assassinos de nossos amigos ou de amigos de nossos amigos. Eles são os que roubam e muito, inclusive do prato das crianças, da merenda, e corróem como traças os livros que deveriam ser usados para educá-los. Eles são os que deviam nos proteger - afinal, foram eles que resolveram ser policiais e sabiam que o pagamento é ruim - mas nos ameaçam, quando estão com farda, ou à paisana, quando trabalhando como seguranças ou capangas.
Eles não têm pena, ideal, não têm dó, não tem remorso ou coisa igual. Capaz de terem é inveja de quem rouba mais do que eles; são capazes é de caguetar os concorrentes para dominar o mercado da roubalheira. Eles têm família, parece. Mas agem como se não as tivessem, atuando com uma espécie de dupla personalidade, dupla moral.
Eles também são os corruptos, os vermes pegajosos que desfrutam de contratos milionários fraudados das administrações públicas deste enorme Brazilzão de Deus, tão grande e tão incontrolável, e talvez até por isso tão facilmente corroído. Só de vez em quando uma rede de arrastão, randômica, os flagra - e sempre quando eles próprios brigam entre eles ou se excedem, querendo mais, sempre mais, vampiros do sangue. Atacam a jugular da Saúde, da Educação, da Habitação, do desenvolvimento básico. Uma espécie que também é frugívora, frugal: adora laranjas, para espremer, bananas (como nós) para amassar e tomates, nos quais pisam à vontade. Os morcegos, ratos que ficam de cabeça pra baixo e só saem nas trevas, são assim.
Eles também são os enrustidos sexualmente que odeiam o que desejam e querem, e matam por isso, para ver se deixam um dia de querer e não conseguem, não dominam nem os seus próprios íntimos, seus sentimentos de culpa e seus errôneos sentimentos justiceiros. São todos os que matam, ou por falta de coragem para enfrentar, anônimos, contratam matadores, incentivam a violência, se infiltram nas mentes fracas, lideram grupos do mal.
Eles todos - esses inomináveis - já nem se preocupam mais com argumentações, explicações, nem mais tentam ou se proclamam como inocentes, já que muitos, entre os mais poderosos, temos mesmo de engolir zagalísticamente. "Fiz. E daí? É o meu poder que me dá direito e não vejo nada de mais". "Ah, andei sim. Peguei carona, sim. Mas sabe que não sei de quem era o lindo aviãozinho que me levou? Esqueci". "O que tem de mais a conta que cobrei?". "Uai, só porque o cara é meu amigo não pode ganhar, sem concorrência, uma obra?"
Outro dia um lindo ingênuo me perguntou, curioso - a propósito de uma reunião partidária que tinha sido noticiada - se eu sabia como exatamente eram feitos os acordos, se eram abertos, ou seja, se eram feitos por todo o grupo, na sala. Ele queria saber se os caras fechavam a porta do banheiro antes de fazer o "número 2" que combinavam para as votações. Não respondi até agora porque ainda não parei de rir, imaginando os bandidos - bigodudos em geral, empertigados, caras de mordomo, cabelos asas da graúna ou acaju - cochichando cuidadosos nos ouvidos uns dos outros.
Taí: houve apenas as quedas de tantos números dois, que levaram só a outros afastamentos, e as histórias e sujeiras principais ficaram, estancaram esquecidas no canto.
Ou à beira do cais do porto de Santos. Em algum recôndito do Amapá; debaixo dos Lençóis maranhenses. No nosso Curupu.
São Paulo, candidatos a granel, 2011, como se já fosse 2012
Marli Gonçalves é jornalista. Claro que não esgotou os xingamentos-bala, mas buscou usar termos mais contidos. Como a coisa parece que só piora, melhor guardar armamento pesado, o colete de dizeres e o capacete, para os próximos protestos. Esperando a primavera brasileira, a primavera nacional.
Por Marli Gonçalves
Com a permissão de vocês, daqui vou abrir fogo de vogais e consoantes contra eles, vocês bem sabem quem, todos eles, usando minha metralhadora de letras: dissimulados, desaforados, mentirosos, desonestos, safados, enganadores, hipócritas, mascarados, insolentes e indolentes, atrevidos, cínicos, asquerosos, repulsivos, desagradáveis, repelentes, torpes, repugnantes, sórdidos, descarados, vis, ordinários, tratantes, velhacos, biscas ruins, espertalhões, embusteiros, trapaceiros, impostores, caras-de-pau, enganadores, falsos, rancorosos, tenebrosos, traiçoeiros!
Pápápápápápápápá. Ratatá... Ratatá ...Ratatá Ratatatatatá.
Tem mais sugestões? Deve mesmo existir mais algumas dezenas de palavras para dizer para eles todos, esses zinhos (e infelizmente, algumas zinhas) que, com suas ações e decisões, nos atingem e nos tornam tão mais infelizes e sem esperança. Nos ameaçam e reprimem. Nos dão medo e nos fazem temer por tudo, desde a ida de alguém querido até ali, a padaria, até o que será que vai sobrar da corrosão interna implantada no país. Iguais pragas daninhas florescem nas sombras, nos corredores e gabinetes, nas mansões e carros de último tipo e agora também em aviões, helicópteros, jatinhos. Só falta se articularem em balões e começarem a mandar mensagens entre si usando as pipas das crianças. Celulares atirados com arco e flecha para dentro dos presídios, ah, isso já fazem.
"Eles" são os assassinos de nossos amigos ou de amigos de nossos amigos. Eles são os que roubam e muito, inclusive do prato das crianças, da merenda, e corróem como traças os livros que deveriam ser usados para educá-los. Eles são os que deviam nos proteger - afinal, foram eles que resolveram ser policiais e sabiam que o pagamento é ruim - mas nos ameaçam, quando estão com farda, ou à paisana, quando trabalhando como seguranças ou capangas.
Eles não têm pena, ideal, não têm dó, não tem remorso ou coisa igual. Capaz de terem é inveja de quem rouba mais do que eles; são capazes é de caguetar os concorrentes para dominar o mercado da roubalheira. Eles têm família, parece. Mas agem como se não as tivessem, atuando com uma espécie de dupla personalidade, dupla moral.
Eles também são os corruptos, os vermes pegajosos que desfrutam de contratos milionários fraudados das administrações públicas deste enorme Brazilzão de Deus, tão grande e tão incontrolável, e talvez até por isso tão facilmente corroído. Só de vez em quando uma rede de arrastão, randômica, os flagra - e sempre quando eles próprios brigam entre eles ou se excedem, querendo mais, sempre mais, vampiros do sangue. Atacam a jugular da Saúde, da Educação, da Habitação, do desenvolvimento básico. Uma espécie que também é frugívora, frugal: adora laranjas, para espremer, bananas (como nós) para amassar e tomates, nos quais pisam à vontade. Os morcegos, ratos que ficam de cabeça pra baixo e só saem nas trevas, são assim.
Eles também são os enrustidos sexualmente que odeiam o que desejam e querem, e matam por isso, para ver se deixam um dia de querer e não conseguem, não dominam nem os seus próprios íntimos, seus sentimentos de culpa e seus errôneos sentimentos justiceiros. São todos os que matam, ou por falta de coragem para enfrentar, anônimos, contratam matadores, incentivam a violência, se infiltram nas mentes fracas, lideram grupos do mal.
Eles todos - esses inomináveis - já nem se preocupam mais com argumentações, explicações, nem mais tentam ou se proclamam como inocentes, já que muitos, entre os mais poderosos, temos mesmo de engolir zagalísticamente. "Fiz. E daí? É o meu poder que me dá direito e não vejo nada de mais". "Ah, andei sim. Peguei carona, sim. Mas sabe que não sei de quem era o lindo aviãozinho que me levou? Esqueci". "O que tem de mais a conta que cobrei?". "Uai, só porque o cara é meu amigo não pode ganhar, sem concorrência, uma obra?"
Outro dia um lindo ingênuo me perguntou, curioso - a propósito de uma reunião partidária que tinha sido noticiada - se eu sabia como exatamente eram feitos os acordos, se eram abertos, ou seja, se eram feitos por todo o grupo, na sala. Ele queria saber se os caras fechavam a porta do banheiro antes de fazer o "número 2" que combinavam para as votações. Não respondi até agora porque ainda não parei de rir, imaginando os bandidos - bigodudos em geral, empertigados, caras de mordomo, cabelos asas da graúna ou acaju - cochichando cuidadosos nos ouvidos uns dos outros.
Taí: houve apenas as quedas de tantos números dois, que levaram só a outros afastamentos, e as histórias e sujeiras principais ficaram, estancaram esquecidas no canto.
Ou à beira do cais do porto de Santos. Em algum recôndito do Amapá; debaixo dos Lençóis maranhenses. No nosso Curupu.
São Paulo, candidatos a granel, 2011, como se já fosse 2012
Marli Gonçalves é jornalista. Claro que não esgotou os xingamentos-bala, mas buscou usar termos mais contidos. Como a coisa parece que só piora, melhor guardar armamento pesado, o colete de dizeres e o capacete, para os próximos protestos. Esperando a primavera brasileira, a primavera nacional.
sábado, 27 de agosto de 2011
Conhecimento com prazo de validade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Nick Milton
Cada empresa deve automaticamente aprender com os erros e experiências do passado, mas o que acontece quando as memórias desvanecem-se, os empregados deixam a empresa ou o conhecimento passa a ficar com data de validade vencida, por estar mal arquivado ou nem mesmo registrado? O valor da memória não pode ser subestimado, bancos de conhecimento conservam o ciclo de vida da informação e permitem que as pessoas possam buscar assuntos de interesse e adicionar neles seus prõprios conhecimentos e experiências.
Gestão do Conhecimento (GC) significa fazer uso máximo, comercialmente falando, de tudo que a organização sabe, de modo que cada decisão seja tomada à luz desse embasamento. Isso requer que todos na organização sejam capazes de acessar, não apenas as informações e dados que necessitam, mas também de explorar as experiências e conhecimentos de outras pessoas, mesmo que esses indivíduos não estejam disponíveis. Isso precisa ser feito de forma sistemática e rotineiramente. Para dizer que verdadeiramente está realizando a gestão do conhecimento, as empresas precisam incorporar a cultura do conhecimento na rotina da organização. O resultado ideal da sistematização da GC é que os erros não se repitam, que os “becos sem saída” não precisem ser re-explorados, que a roda não precise ser reinventada, e que cada decisão seja feita à luz do pleno conhecimento da empresa. Este é o estado final da inteligência coletiva, para o qual os sistemas de GC se esforçam.
É bastante óbvio que vai levar algum tempo e esforço para alcançar esse nível de estado da arte, e também é claro que, se tentarmos aplicar a Gestão do Conhecimento a absolutamente tudo o que fazemos, até mesmo nas pequenas decisões, vamos ficar esgotados. Não é necessário recorrer à inteligência coletiva da organização, cada vez que fazemos um bule de café ou toda vez que precisamos de clipes de papel. A GC, como qualquer outro processo organizacional, precisa ser dirigida para onde podemos obter um efeito maior. Precisamos ter um propósito alinhado à estratégia de negócios. As questões do conhecimento precisam estar focadas, primeiramente, na inteligência coletiva do negócio, ou seja, onde a captura, o desenvolvimento, a conservação ou aplicação do conhecimento são fundamentais para o sucesso.
Ao mesmo tempo, a transferência de conhecimento é um desafio real, da mesma forma, o conhecimento tem que ser transferido através do tempo e espaço. O conhecimento capturado por uma equipe deve ser embalado e armazenado de modo que uma equipe desconhecida, em um local desconhecido, em algum momento no futuro, possa acessá-lo, compreendê-lo, relacionar-se com ele, usá-lo e beneficiar-se dele. Este tipo de transferência de conhecimento é difícil, mas possível. De alguma maneira, é necessário dar uma vida útil decente ao conhecimento.
Por outro lado, vale a pena enfrentar um dos maiores desafios da Gestão do Conhecimento, que é a conscientização. O conhecimento é derivado da ação e experiência, mas a maioria das pessoas permanece inconsciente de seu papel. Nós aprendemos, somos capazes de fazer as coisas melhor, mas muitas vezes não estamos conscientes do que temos aprendido.
O outro lado da moeda, no entanto, é que o cliente do conhecimento não tem consciência do que precisa saber. Ele não sabe ou não está ciente de que não sabe. O conhecimento, que esse consumidor precisa, tem que ser apresentado em forma embalada para que ele possa aprender o que precisa saber. Por isso, a maneira que o conhecimento é armazenado é crucial. Se não tiver foco no usuário, então, o conhecimento real não será transferido e, portanto, não aplicado.
Vou descrever três modelos de bancos de conhecimento: chamarei o primeiro de “quarto de adolescente". Este é um modelo no qual despejo tudo de forma desestruturada. É extremamente dependente de um bom buscador, para encontrar o dado novamente. É como quarto do meu filho, ele sabe onde está tudo - é tudo no chão! Ele pode pesquisar na pilha de coisas e encontrar o que precisa.
O segundo modelo de banco é aquele no qual o armazenamento do conhecimento está em algum tipo de framework. No entanto, é difícil criar um framework que tenha longevidade e que possa ser entendido por todos os usuários. A desvantagem desse modelo é que se você não sabe os caminhos do banco de conhecimento, pode frustrar-se com os resultados. Geralmente, as pessoas não buscam por conhecimento por muito tempo e, se não o encontram rapidamente, o reinventam.
O terceiro modelo é aquele em que o conhecimento é pré-embalado para o benefício do usuário final. Este banco contém um conjunto de unidades de conhecimento empacotadas e embaladas. Cada unidade pode ser considerada um "Ativo de Conhecimento", projetada para proporcionar tudo o que o usuário precisa para que esteja plenamente informado antes de elaborar um projeto. Mesmo assim, este terceiro modelo (no qual o banco de conhecimento está cheio de ativos pré-embalados) está longe de ser eficaz. Ele coloca o ônus sobre os criadores do conhecimento de fazer a embalagem para que o usuário do conhecimento, consciente ou não, encontre tudo o que ele precisa saber.
O conteúdo de um ativo de conhecimento é pensado para fazer a pergunta: 'o que o cliente precisa saber?’ Em primeiro lugar, ele vai precisar de algum tipo de conselho, que irá ajudá-lo com seu projeto. Ele precisa de ajuda e orientação na tomada de decisões e apreciará encontrar tudo de maneira estruturada. Em segundo lugar, ele precisa de algum contexto que ateste quão confiável é aquela informação. Também precisa ter acesso às histórias, citações e background que irão tornar vivo o conteúdo. Em terceiro lugar, deve ter um mecanismo disponível para seguir as coisas, entrar em contato com as pessoas envolvidas ou realizar leitura de materiais de fundo.
Como esses ativos do conhecimento devem ser compilados a partir de muitas experiências devem, por isso mesmo, contar histórias e dar conselhos vindos de muitas vozes. A transferência desses ativos é uma forma de interpretação que mistura muitas vozes, sem que se percam. As múltiplas entradas são usadas para criar uma síntese de conhecimento, mas também para ilustrar, ampliar, verificar e, continuamente, criar novos desafios.
Nick Milton é reconhecido mentor e treinador, com mestrado em Ciências Naturais da Universidade de Cambridge e doutorado pela Universidade de Gales (Inglaterra). É diretor e co-fundador da Knoco, uma consultoria de gestão conhecimento. Escreveu os livros "Gestão do Conhecimento para as Equipes e Projetos” e "Performance por meio do Aprendizado - A Gestão do Conhecimento na Prática". O autor estará no Brasil, nos dia 05, 06 e 07 de outubro para participar do KM Brasil 2011 – 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento promovido pela SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br). E-mail: linksbgc@linkportal.com.br
Por Nick Milton
Cada empresa deve automaticamente aprender com os erros e experiências do passado, mas o que acontece quando as memórias desvanecem-se, os empregados deixam a empresa ou o conhecimento passa a ficar com data de validade vencida, por estar mal arquivado ou nem mesmo registrado? O valor da memória não pode ser subestimado, bancos de conhecimento conservam o ciclo de vida da informação e permitem que as pessoas possam buscar assuntos de interesse e adicionar neles seus prõprios conhecimentos e experiências.
Gestão do Conhecimento (GC) significa fazer uso máximo, comercialmente falando, de tudo que a organização sabe, de modo que cada decisão seja tomada à luz desse embasamento. Isso requer que todos na organização sejam capazes de acessar, não apenas as informações e dados que necessitam, mas também de explorar as experiências e conhecimentos de outras pessoas, mesmo que esses indivíduos não estejam disponíveis. Isso precisa ser feito de forma sistemática e rotineiramente. Para dizer que verdadeiramente está realizando a gestão do conhecimento, as empresas precisam incorporar a cultura do conhecimento na rotina da organização. O resultado ideal da sistematização da GC é que os erros não se repitam, que os “becos sem saída” não precisem ser re-explorados, que a roda não precise ser reinventada, e que cada decisão seja feita à luz do pleno conhecimento da empresa. Este é o estado final da inteligência coletiva, para o qual os sistemas de GC se esforçam.
É bastante óbvio que vai levar algum tempo e esforço para alcançar esse nível de estado da arte, e também é claro que, se tentarmos aplicar a Gestão do Conhecimento a absolutamente tudo o que fazemos, até mesmo nas pequenas decisões, vamos ficar esgotados. Não é necessário recorrer à inteligência coletiva da organização, cada vez que fazemos um bule de café ou toda vez que precisamos de clipes de papel. A GC, como qualquer outro processo organizacional, precisa ser dirigida para onde podemos obter um efeito maior. Precisamos ter um propósito alinhado à estratégia de negócios. As questões do conhecimento precisam estar focadas, primeiramente, na inteligência coletiva do negócio, ou seja, onde a captura, o desenvolvimento, a conservação ou aplicação do conhecimento são fundamentais para o sucesso.
Ao mesmo tempo, a transferência de conhecimento é um desafio real, da mesma forma, o conhecimento tem que ser transferido através do tempo e espaço. O conhecimento capturado por uma equipe deve ser embalado e armazenado de modo que uma equipe desconhecida, em um local desconhecido, em algum momento no futuro, possa acessá-lo, compreendê-lo, relacionar-se com ele, usá-lo e beneficiar-se dele. Este tipo de transferência de conhecimento é difícil, mas possível. De alguma maneira, é necessário dar uma vida útil decente ao conhecimento.
Por outro lado, vale a pena enfrentar um dos maiores desafios da Gestão do Conhecimento, que é a conscientização. O conhecimento é derivado da ação e experiência, mas a maioria das pessoas permanece inconsciente de seu papel. Nós aprendemos, somos capazes de fazer as coisas melhor, mas muitas vezes não estamos conscientes do que temos aprendido.
O outro lado da moeda, no entanto, é que o cliente do conhecimento não tem consciência do que precisa saber. Ele não sabe ou não está ciente de que não sabe. O conhecimento, que esse consumidor precisa, tem que ser apresentado em forma embalada para que ele possa aprender o que precisa saber. Por isso, a maneira que o conhecimento é armazenado é crucial. Se não tiver foco no usuário, então, o conhecimento real não será transferido e, portanto, não aplicado.
Vou descrever três modelos de bancos de conhecimento: chamarei o primeiro de “quarto de adolescente". Este é um modelo no qual despejo tudo de forma desestruturada. É extremamente dependente de um bom buscador, para encontrar o dado novamente. É como quarto do meu filho, ele sabe onde está tudo - é tudo no chão! Ele pode pesquisar na pilha de coisas e encontrar o que precisa.
O segundo modelo de banco é aquele no qual o armazenamento do conhecimento está em algum tipo de framework. No entanto, é difícil criar um framework que tenha longevidade e que possa ser entendido por todos os usuários. A desvantagem desse modelo é que se você não sabe os caminhos do banco de conhecimento, pode frustrar-se com os resultados. Geralmente, as pessoas não buscam por conhecimento por muito tempo e, se não o encontram rapidamente, o reinventam.
O terceiro modelo é aquele em que o conhecimento é pré-embalado para o benefício do usuário final. Este banco contém um conjunto de unidades de conhecimento empacotadas e embaladas. Cada unidade pode ser considerada um "Ativo de Conhecimento", projetada para proporcionar tudo o que o usuário precisa para que esteja plenamente informado antes de elaborar um projeto. Mesmo assim, este terceiro modelo (no qual o banco de conhecimento está cheio de ativos pré-embalados) está longe de ser eficaz. Ele coloca o ônus sobre os criadores do conhecimento de fazer a embalagem para que o usuário do conhecimento, consciente ou não, encontre tudo o que ele precisa saber.
O conteúdo de um ativo de conhecimento é pensado para fazer a pergunta: 'o que o cliente precisa saber?’ Em primeiro lugar, ele vai precisar de algum tipo de conselho, que irá ajudá-lo com seu projeto. Ele precisa de ajuda e orientação na tomada de decisões e apreciará encontrar tudo de maneira estruturada. Em segundo lugar, ele precisa de algum contexto que ateste quão confiável é aquela informação. Também precisa ter acesso às histórias, citações e background que irão tornar vivo o conteúdo. Em terceiro lugar, deve ter um mecanismo disponível para seguir as coisas, entrar em contato com as pessoas envolvidas ou realizar leitura de materiais de fundo.
Como esses ativos do conhecimento devem ser compilados a partir de muitas experiências devem, por isso mesmo, contar histórias e dar conselhos vindos de muitas vozes. A transferência desses ativos é uma forma de interpretação que mistura muitas vozes, sem que se percam. As múltiplas entradas são usadas para criar uma síntese de conhecimento, mas também para ilustrar, ampliar, verificar e, continuamente, criar novos desafios.
Nick Milton é reconhecido mentor e treinador, com mestrado em Ciências Naturais da Universidade de Cambridge e doutorado pela Universidade de Gales (Inglaterra). É diretor e co-fundador da Knoco, uma consultoria de gestão conhecimento. Escreveu os livros "Gestão do Conhecimento para as Equipes e Projetos” e "Performance por meio do Aprendizado - A Gestão do Conhecimento na Prática". O autor estará no Brasil, nos dia 05, 06 e 07 de outubro para participar do KM Brasil 2011 – 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento promovido pela SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br). E-mail: linksbgc@linkportal.com.br
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
50 anos da Cadeia da Legalidade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Chico Otávio
Na história política do país, foi a única vez que um movimento liderado por civis peitou um golpe militar e derrotou os golpistas. Paradoxalmente, foi também a campanha que criou a ilusão de que os golpistas poderiam ser derrotados mais uma vez. Mas a história não se repetiu.
Está completando 50 anos a Cadeia da Legalidade - movimento desencadeado pelo então governador Leonel Brizola no Rio Grande do Sul para garantir a posse do conterrâneo João Goulart na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto. Tudo começou dois dias depois, quando Brizola, entrincheirado no Palácio Piratini, sede do governo estadual, liderou uma cadeia nacional de rádio defendendo o cumprimento da Constituição.
- As esquerdas chamaram a sociedade e ela atendeu, como voltaria a fazer em 1963, no plebiscito que restaurou o presidencialismo. Isso deu a ilusão de que, se a população fosse convocada outra vez, acataria. Mas 1964 era diferente. Não se tratava mais de defender a Constituição, a legalidade, mas as reformas na lei ou na marra, e o lema não mobilizou - avalia o historiador Jorge Ferreira (UFF), autor de "João Goulart, uma biografia", lançado recentemente.
Meio século após a vitória popular sobre os generais de Brasília, a novidade sobre o episódio é o distanciamento histórico. Sem as paixões políticas que turvavam o entendimento sobre as crises do período, especialistas como Jorge Ferreira apresentam novas visões sobre a semana em que o Brasil mais se aproximou da guerra civil.
Do bunker do Piratini, Brizola avisou que não daria o primeiro tiro, mas revidaria com o segundo, o terceiro e o quarto se os golpistas tentassem atacá-lo. Se alguém na ocasião desmereceu a ameaça, fez mal. Para Jorge Ferreira, a força bélica da Legalidade, depois da adesão do III Exército, tinha condições de vencer o restante das forças do país:
- O III Exército (Região Sul) era o mais poderoso dos quatro existentes na época. Havia grande concentração de tropas na fronteira porque os militares não duvidavam que, mais cedo ou mais tarde, a Argentina invadiria o Brasil - explicou Ferreira.
Após dez anos de pesquisa para escrever "João Goulart", que tem um capítulo dedicado à Rede da Legalidade, o historiador ainda se emociona ao citar uma cena decisiva. Aconteceu em 28 de agosto, quando o comandante do III Exército, general José Machado Lopes, desembarcou com o seu estado-maior em frente ao Palácio Piratini. A tensão era grande pela desconfiança de que o oficial estaria ali para dar voz de prisão a Brizola.
- Comunicações do Exército, interceptadas por aliados de Brizola, davam conta de que a missão de Machado Lopes era essa. Mas quando ele chegou, as cem mil pessoas que lotavam a Praça da Matriz, em frente ao palácio, começaram a cantar o Hino Nacional. E o general, ao subir as escadarias, se virou para a multidão e, mão no peito, passou a também cantar, acompanhado de seus oficias - conta.
Até então, a resistência de Brizola, além da força de suas palavras, se resumia às tropas da Brigada Militar (a PM gaúcha), com suas metralhadoras velhas, armas portáteis e barricadas de sacos de areia.
Antes de continuar, algumas pinceladas de história para facilitar o entendimento. João Goulart, do PTB, estava em visita à China quando Jânio pediu as contas. Em seu lugar, assumiria provisoriamente o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, mas uma junta formada pelos três ministros militares - general Odílio Denys, brigadeiro Grum Moss e almirante Sílvio Heck - não queria Jango de volta. Defendia o rompimento da ordem jurídica, com o impedimento da posse e a convocação de eleições.
Os oficiais chegaram a dizer que, se o vice-presidente pisasse em solo brasileiro, seria preso. Porém, para que uma posição tão radical se impusesse, seria necessária a mais completa unidade no interior das forças armadas. E, graças a Machado Lopes, isso não aconteceu. Depois do episódio do Hino, ele se reuniu com Brizola para anunciar que, entre a ruptura e a legalidade, ficaria com a Constituição.
É um equívoco, porém, pensar que o general se encantou com o discurso de Brizola, que incendiava as rádios.
- Nunca aderi ao governador Brizola, nem mesmo permiti que sua influência sobre João Goulart perturbasse a solução pacífica da crise política pelo Congresso, quando lembrei ao senhor Goulart a sua palavra, de respeitar as decisões soberanas do Congresso - recordou-se o general, em livro de memórias escrito em 1980.
A imagem de Brizola, de terno e carregando uma metralhadora pelos corredores do Piratini, faz lembrar o presidente chileno Salvador Allende, de capacete e fuzil, resistindo no La Moneda aos ataques das tropas do general Pinochet no golpe de 1973.
A diferença é que o governador gaúcho sairia vitorioso. Isso não apenas lhe deu um inédito protagonismo no PTB, cacifando os setores mais radicais do partido em oposição à liderança histórica de Jango, como o encorajou a ir além.
- Contrário a uma solução negociada, com o aprovação do parlamentarismo, Brizola queria marchar com Jango e o III Exército até Brasília, para fechar o Congresso e convocar uma Constituinte - destaca Jorge Ferreira.
O professor não tem dúvidas do que ocorreria, caso a ideia fosse acolhida:
- A guerra civil.
Mas Jango, que já reduzira a tensão adiando a volta ao Brasil, concordou com a proposta de parlamentarismo, do PSD de Tancredo Neves, e abortou o plano. Quando subiu a rampa do Palácio do Planalto, para a posse em 7 de setembro, a Rede da Legalidade já estava desfeita, envolta numa espécie de anticlimax, sem ter dado um disparo.
Chico Otávio é repórter de O Globo. Reportagem publicada em 25 de agosto de 2011.
Por Chico Otávio
Na história política do país, foi a única vez que um movimento liderado por civis peitou um golpe militar e derrotou os golpistas. Paradoxalmente, foi também a campanha que criou a ilusão de que os golpistas poderiam ser derrotados mais uma vez. Mas a história não se repetiu.
Está completando 50 anos a Cadeia da Legalidade - movimento desencadeado pelo então governador Leonel Brizola no Rio Grande do Sul para garantir a posse do conterrâneo João Goulart na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto. Tudo começou dois dias depois, quando Brizola, entrincheirado no Palácio Piratini, sede do governo estadual, liderou uma cadeia nacional de rádio defendendo o cumprimento da Constituição.
- As esquerdas chamaram a sociedade e ela atendeu, como voltaria a fazer em 1963, no plebiscito que restaurou o presidencialismo. Isso deu a ilusão de que, se a população fosse convocada outra vez, acataria. Mas 1964 era diferente. Não se tratava mais de defender a Constituição, a legalidade, mas as reformas na lei ou na marra, e o lema não mobilizou - avalia o historiador Jorge Ferreira (UFF), autor de "João Goulart, uma biografia", lançado recentemente.
Meio século após a vitória popular sobre os generais de Brasília, a novidade sobre o episódio é o distanciamento histórico. Sem as paixões políticas que turvavam o entendimento sobre as crises do período, especialistas como Jorge Ferreira apresentam novas visões sobre a semana em que o Brasil mais se aproximou da guerra civil.
Do bunker do Piratini, Brizola avisou que não daria o primeiro tiro, mas revidaria com o segundo, o terceiro e o quarto se os golpistas tentassem atacá-lo. Se alguém na ocasião desmereceu a ameaça, fez mal. Para Jorge Ferreira, a força bélica da Legalidade, depois da adesão do III Exército, tinha condições de vencer o restante das forças do país:
- O III Exército (Região Sul) era o mais poderoso dos quatro existentes na época. Havia grande concentração de tropas na fronteira porque os militares não duvidavam que, mais cedo ou mais tarde, a Argentina invadiria o Brasil - explicou Ferreira.
Após dez anos de pesquisa para escrever "João Goulart", que tem um capítulo dedicado à Rede da Legalidade, o historiador ainda se emociona ao citar uma cena decisiva. Aconteceu em 28 de agosto, quando o comandante do III Exército, general José Machado Lopes, desembarcou com o seu estado-maior em frente ao Palácio Piratini. A tensão era grande pela desconfiança de que o oficial estaria ali para dar voz de prisão a Brizola.
- Comunicações do Exército, interceptadas por aliados de Brizola, davam conta de que a missão de Machado Lopes era essa. Mas quando ele chegou, as cem mil pessoas que lotavam a Praça da Matriz, em frente ao palácio, começaram a cantar o Hino Nacional. E o general, ao subir as escadarias, se virou para a multidão e, mão no peito, passou a também cantar, acompanhado de seus oficias - conta.
Até então, a resistência de Brizola, além da força de suas palavras, se resumia às tropas da Brigada Militar (a PM gaúcha), com suas metralhadoras velhas, armas portáteis e barricadas de sacos de areia.
Antes de continuar, algumas pinceladas de história para facilitar o entendimento. João Goulart, do PTB, estava em visita à China quando Jânio pediu as contas. Em seu lugar, assumiria provisoriamente o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, mas uma junta formada pelos três ministros militares - general Odílio Denys, brigadeiro Grum Moss e almirante Sílvio Heck - não queria Jango de volta. Defendia o rompimento da ordem jurídica, com o impedimento da posse e a convocação de eleições.
Os oficiais chegaram a dizer que, se o vice-presidente pisasse em solo brasileiro, seria preso. Porém, para que uma posição tão radical se impusesse, seria necessária a mais completa unidade no interior das forças armadas. E, graças a Machado Lopes, isso não aconteceu. Depois do episódio do Hino, ele se reuniu com Brizola para anunciar que, entre a ruptura e a legalidade, ficaria com a Constituição.
É um equívoco, porém, pensar que o general se encantou com o discurso de Brizola, que incendiava as rádios.
- Nunca aderi ao governador Brizola, nem mesmo permiti que sua influência sobre João Goulart perturbasse a solução pacífica da crise política pelo Congresso, quando lembrei ao senhor Goulart a sua palavra, de respeitar as decisões soberanas do Congresso - recordou-se o general, em livro de memórias escrito em 1980.
A imagem de Brizola, de terno e carregando uma metralhadora pelos corredores do Piratini, faz lembrar o presidente chileno Salvador Allende, de capacete e fuzil, resistindo no La Moneda aos ataques das tropas do general Pinochet no golpe de 1973.
A diferença é que o governador gaúcho sairia vitorioso. Isso não apenas lhe deu um inédito protagonismo no PTB, cacifando os setores mais radicais do partido em oposição à liderança histórica de Jango, como o encorajou a ir além.
- Contrário a uma solução negociada, com o aprovação do parlamentarismo, Brizola queria marchar com Jango e o III Exército até Brasília, para fechar o Congresso e convocar uma Constituinte - destaca Jorge Ferreira.
O professor não tem dúvidas do que ocorreria, caso a ideia fosse acolhida:
- A guerra civil.
Mas Jango, que já reduzira a tensão adiando a volta ao Brasil, concordou com a proposta de parlamentarismo, do PSD de Tancredo Neves, e abortou o plano. Quando subiu a rampa do Palácio do Planalto, para a posse em 7 de setembro, a Rede da Legalidade já estava desfeita, envolta numa espécie de anticlimax, sem ter dado um disparo.
Chico Otávio é repórter de O Globo. Reportagem publicada em 25 de agosto de 2011.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Terceiro setor: primordial para o País
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Fabio Rocha do Amaral
Ao enfatizar os “bons exemplos para o mundo” que a América do Sul tem dado no combate à pobreza, direitos humanos e aperfeiçoamento da democracia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na visita ao Continente, em meados dejunho, suscitou uma reflexão importante sobre os avanços observados em países da região. O caso mais emblemático é o do Brasil, que venceu a crise de 2008/2009 sem aumento do contingente populacional pobre e, mais do que isso, incluiu cerca de 30 milhões de pessoas nos benefícios da economia e se tornou uma nação predominantemente de classe média.
É desnecessário repetir aqui as conhecidas políticas públicas que têm contribuído para essa evolução. Porém, é primordial salientar um aspecto pouco lembrado desse processo: o aprimoramento da democracia, que não se limita às instituições, aos poderes constituídos e à política. O grande salto, nesse quesito, foi a maior participação da sociedade no enfrentamento e soluções dos problemas nacionais.
Tal diagnóstico é perceptível cronologicamente no periódico estudo Ação Social das Empresas, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nos seis anos compreendidos entre 1996 e 2002, o Terceiro Setor cresceu 157% no País. À época, já existiam 276 mil organizações da sociedade civil em funcionamento, empregando 1,5 milhão de pessoas. Na segunda e até agora última edição da série, verificou-se expansão significativa, entre 2000 e 2004, na proporção de empresas privadas que realizaram ações sociais em benefício das comunidades. No período, a participação corporativa aumentou 10 pontos percentuais, passando de 59% para 69%. O número de organizações que estavam atuando voluntariamente já havia alcançado 600 mil, com investimentos de R$ 4,7 bilhões no social.
Pesquisa recente, abrangendo 8.930 empresas, empreendida pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental, mostra que 85% das entrevistadas entendem as atividades no âmbito do Terceiro Setor como integrantes de sua visão estratégica. Em 82%, a alta direção envolve-se diretamente com os programas. O relatório evidencia, ainda, que os projetos têm foco correto ante as demandas brasileiras, considerando as cinco principais áreas às quais os investimentos são direcionados: educação, cultura, meio ambiente, qualificação profissional e esporte.
Percebe-se com clareza que o exercício da democracia participativa tem possibilitado e estimulado intervenções profundas do setor privado no social, contribuindo para a boa performance da economia, melhoria do ambiente de negócios e ampliação do mercado consumidor. Portanto, as ações do Terceiro Setor transcendem à importante e imprescindível filantropia, tornando-se cruciais para o sucesso das empresas e do País. Que se mantenha e se amplie essa visão lúcida e contemporânea, para que, na sua próxima visita, o secretário-geral da ONU encontre um Brasil que já tenha promovido a inclusão socioeconômica dos 17 milhões de habitantes que hoje ainda vivem sob o flagelo da miséria.
Fabio Rocha do Amaral é membro do Conselho de Administração do Banco Cruzeiro do Sul.
Por Fabio Rocha do Amaral
Ao enfatizar os “bons exemplos para o mundo” que a América do Sul tem dado no combate à pobreza, direitos humanos e aperfeiçoamento da democracia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na visita ao Continente, em meados dejunho, suscitou uma reflexão importante sobre os avanços observados em países da região. O caso mais emblemático é o do Brasil, que venceu a crise de 2008/2009 sem aumento do contingente populacional pobre e, mais do que isso, incluiu cerca de 30 milhões de pessoas nos benefícios da economia e se tornou uma nação predominantemente de classe média.
É desnecessário repetir aqui as conhecidas políticas públicas que têm contribuído para essa evolução. Porém, é primordial salientar um aspecto pouco lembrado desse processo: o aprimoramento da democracia, que não se limita às instituições, aos poderes constituídos e à política. O grande salto, nesse quesito, foi a maior participação da sociedade no enfrentamento e soluções dos problemas nacionais.
Tal diagnóstico é perceptível cronologicamente no periódico estudo Ação Social das Empresas, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nos seis anos compreendidos entre 1996 e 2002, o Terceiro Setor cresceu 157% no País. À época, já existiam 276 mil organizações da sociedade civil em funcionamento, empregando 1,5 milhão de pessoas. Na segunda e até agora última edição da série, verificou-se expansão significativa, entre 2000 e 2004, na proporção de empresas privadas que realizaram ações sociais em benefício das comunidades. No período, a participação corporativa aumentou 10 pontos percentuais, passando de 59% para 69%. O número de organizações que estavam atuando voluntariamente já havia alcançado 600 mil, com investimentos de R$ 4,7 bilhões no social.
Pesquisa recente, abrangendo 8.930 empresas, empreendida pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental, mostra que 85% das entrevistadas entendem as atividades no âmbito do Terceiro Setor como integrantes de sua visão estratégica. Em 82%, a alta direção envolve-se diretamente com os programas. O relatório evidencia, ainda, que os projetos têm foco correto ante as demandas brasileiras, considerando as cinco principais áreas às quais os investimentos são direcionados: educação, cultura, meio ambiente, qualificação profissional e esporte.
Percebe-se com clareza que o exercício da democracia participativa tem possibilitado e estimulado intervenções profundas do setor privado no social, contribuindo para a boa performance da economia, melhoria do ambiente de negócios e ampliação do mercado consumidor. Portanto, as ações do Terceiro Setor transcendem à importante e imprescindível filantropia, tornando-se cruciais para o sucesso das empresas e do País. Que se mantenha e se amplie essa visão lúcida e contemporânea, para que, na sua próxima visita, o secretário-geral da ONU encontre um Brasil que já tenha promovido a inclusão socioeconômica dos 17 milhões de habitantes que hoje ainda vivem sob o flagelo da miséria.
Fabio Rocha do Amaral é membro do Conselho de Administração do Banco Cruzeiro do Sul.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Juventude abandonada
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net Por Adilson Luiz Gonçalves
A quantidade de jovens abandonados nas ruas preocupa! Eles estão nas esquinas, nos cruzamentos, nos cantos escuros e obscuros da vida, salvo raras exceções, condenados à violência implacável da lei do mais forte: presas fáceis e por vezes definitivas do vício, do crime. E para sobreviver nesse meio às vezes se perde a identidade, a humanidade.
Porque estão nas ruas?
Bem, alguns já nasceram assim, gerados por quem já subsistia nelas. Outros fugiram da violência no lar ou foram abandonados no lixo ou nos córregos do egoísmo, do desespero, do despreparo, da inconsequência.
Alguns encontram quem lhes dê carinho, cure as feridas e os reconduza à vida. Outros, muitos, caem nas garras de quem explorará sua fragilidade até o limite.
Isso tende a transformar amor-próprio em ódio-impróprio que chocará, intimidará e agredirá, como forma de reação contra uma orfandade não-natural, uma sociedade que os despreza, uma humanidade que não os reconhece como seres humanos.
Eles são vítimas da promiscuidade, da falta de programas sociais ou do capitalismo selvagem?
Alguns são, mas nem todos.
Também existem jovens "abandonados" de famílias da classe média ou rica. Eles têm pai e mãe conhecidos, mas ausentes, mesmo quando presentes.
Esses jovens também estão sozinhos, largados pelas ruas.
Eles vagam pelas noites celebrando e compartilhando seu abandono individual em grupos que pouco se importam com o mundo a volta deles. Riem, gritam e falam alto até altas horas da madrugada, mesmo debaixo de chuva, como se a noite fosse o seu dia e a pior tormenta fosse voltar para casa.
Para ajudar nessa fuga, esperam que um "amigo" mais velho chegue com uma garrafa de bebida alcoólica, um maço de cigarros ou coisa pior, para que, entre acessos de tosse e constrangimentos irônicos, promovam um viciante pseudo "rito de passagem".
Esses jovens abandonados não andam maltrapilhos. Pelo contrário, usam roupas da moda, acessórios e equipamentos caros. Eles não foram deixados em portas, nem fugiram da violência física familiar; mas parecem igualmente solitários, ainda mais quando juntos, pois agem como se estivessem sós.
Talvez procurem na rua o que não encontram no lar; tenham dinheiro para gastar e vontades feitas, mas ninguém com quem dialogar francamente ou quem lhes imponha saudáveis e necessários limites; quem os eduque, enfim!
Então, como não são percebidos em casa, fazem de tudo para serem notados na rua, incomodando quem nada tem a ver com seu estado de "abandono".
Assim, essa liberdade financiada parece uma forma de pais omissos pagarem pelo seu sossego. Se for assim, ignoram que a conta tende a aumentar como uma bola de neve a rolar montanha abaixo.
Quem sabe sejam pais estressados pelo trabalho insano, pelas cobranças da sociedade de aparências em que vivemos. Tudo lhes importa, menos o que seus filhos fazem longe de seus olhos ou mesmo diante deles. Talvez só notem quando já for tarde demais.
Nada justifica esse tipo de abandono, pois a presença de pais atentos, amorosos e educadores é fundamental para o desenvolvimento do ser humano; e a família continua a ser base da sociedade, embora o mundo atual insista em celebrar a vaidade, o consumismo e o egoísmo.
Os jovens que vivem e dormem nas ruas contam com a atenção paliativa de alguns governos, de algumas igrejas, de algumas ONGs, de algumas almas caridosas. Além disso, eles estão nessa condição por contingências, falta de chances. Alguns conseguirão, se tiverem oportunidade e apoio, constituir suas próprias famílias e, seguramente, não abandonarão seus filhos. Trarão consigo a lição que aprenderam nas ruas!
Mas, nem tudo se aprende nas esquinas, becos e baixos de pontes. Assim, vale um lembrete para pais e mães:
Qualquer que seja a classe social, não há jovem mais abandonado do que aquele que vive nas ruas sob a "benção" da indiferença paterna!
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor. Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa).
A quantidade de jovens abandonados nas ruas preocupa! Eles estão nas esquinas, nos cruzamentos, nos cantos escuros e obscuros da vida, salvo raras exceções, condenados à violência implacável da lei do mais forte: presas fáceis e por vezes definitivas do vício, do crime. E para sobreviver nesse meio às vezes se perde a identidade, a humanidade.
Porque estão nas ruas?
Bem, alguns já nasceram assim, gerados por quem já subsistia nelas. Outros fugiram da violência no lar ou foram abandonados no lixo ou nos córregos do egoísmo, do desespero, do despreparo, da inconsequência.
Alguns encontram quem lhes dê carinho, cure as feridas e os reconduza à vida. Outros, muitos, caem nas garras de quem explorará sua fragilidade até o limite.
Isso tende a transformar amor-próprio em ódio-impróprio que chocará, intimidará e agredirá, como forma de reação contra uma orfandade não-natural, uma sociedade que os despreza, uma humanidade que não os reconhece como seres humanos.
Eles são vítimas da promiscuidade, da falta de programas sociais ou do capitalismo selvagem?
Alguns são, mas nem todos.
Também existem jovens "abandonados" de famílias da classe média ou rica. Eles têm pai e mãe conhecidos, mas ausentes, mesmo quando presentes.
Esses jovens também estão sozinhos, largados pelas ruas.
Eles vagam pelas noites celebrando e compartilhando seu abandono individual em grupos que pouco se importam com o mundo a volta deles. Riem, gritam e falam alto até altas horas da madrugada, mesmo debaixo de chuva, como se a noite fosse o seu dia e a pior tormenta fosse voltar para casa.
Para ajudar nessa fuga, esperam que um "amigo" mais velho chegue com uma garrafa de bebida alcoólica, um maço de cigarros ou coisa pior, para que, entre acessos de tosse e constrangimentos irônicos, promovam um viciante pseudo "rito de passagem".
Esses jovens abandonados não andam maltrapilhos. Pelo contrário, usam roupas da moda, acessórios e equipamentos caros. Eles não foram deixados em portas, nem fugiram da violência física familiar; mas parecem igualmente solitários, ainda mais quando juntos, pois agem como se estivessem sós.
Talvez procurem na rua o que não encontram no lar; tenham dinheiro para gastar e vontades feitas, mas ninguém com quem dialogar francamente ou quem lhes imponha saudáveis e necessários limites; quem os eduque, enfim!
Então, como não são percebidos em casa, fazem de tudo para serem notados na rua, incomodando quem nada tem a ver com seu estado de "abandono".
Assim, essa liberdade financiada parece uma forma de pais omissos pagarem pelo seu sossego. Se for assim, ignoram que a conta tende a aumentar como uma bola de neve a rolar montanha abaixo.
Quem sabe sejam pais estressados pelo trabalho insano, pelas cobranças da sociedade de aparências em que vivemos. Tudo lhes importa, menos o que seus filhos fazem longe de seus olhos ou mesmo diante deles. Talvez só notem quando já for tarde demais.
Nada justifica esse tipo de abandono, pois a presença de pais atentos, amorosos e educadores é fundamental para o desenvolvimento do ser humano; e a família continua a ser base da sociedade, embora o mundo atual insista em celebrar a vaidade, o consumismo e o egoísmo.
Os jovens que vivem e dormem nas ruas contam com a atenção paliativa de alguns governos, de algumas igrejas, de algumas ONGs, de algumas almas caridosas. Além disso, eles estão nessa condição por contingências, falta de chances. Alguns conseguirão, se tiverem oportunidade e apoio, constituir suas próprias famílias e, seguramente, não abandonarão seus filhos. Trarão consigo a lição que aprenderam nas ruas!
Mas, nem tudo se aprende nas esquinas, becos e baixos de pontes. Assim, vale um lembrete para pais e mães:
Qualquer que seja a classe social, não há jovem mais abandonado do que aquele que vive nas ruas sob a "benção" da indiferença paterna!
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor. Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa).
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
As perguntas e o aprendizado
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Muitas pessoas precisam cair e se levantar, cair novamente, tentar se reerguer, passar fome e até sede, antes de adquirir a humildade de fazer perguntas. Elas não entendem que, quanto mais perguntarem, lerem e se informarem, em menos tempo e com menos dificuldades atingirão seus objetivos.
Fazendo perguntas ficariam sabendo qual o caminho para a nascente da água, as terras mais férteis e o pomar, com menos rampas, desertos e pedreiras a serem transpostas até o destino.
Em uma conversa recente com amigos nos lembramos de outro, extremamente inteligente e que enquanto vivo fazia muitas perguntas a todos com quem mantivesse qualquer tipo de diálogo, sobre qualquer assunto.
Uma vez, conversando com ele, brincando me disse: "Meu departamento de fofocas me informou que...". Ele ficara sabendo de algo sobre mim e só queria uma confirmação. Ou seja, até sobre fofocas ele sabia, pois alguém a quem ele também fazia perguntas o informava até sobre pequenas coisas, sem nenhuma importância.
Pessoas assim são raras, diferentes, vivem com mais facilidade, cometendo menos erros e acertando mais, por se aproveitarem das experiências já vividas pelos outros, que estão à disposição de todos os que procuram saber.
Outros caminham sem nada questionar e normalmente ficam tristes ou até culpam outros por não terem conseguido enxergar pedras ou buracos no caminho e neles haverem tropeçado, quando bastava ter perguntado qual o melhor caminho.
Existem respostas para tudo o que já ocorreu na história da humanidade e raramente faremos uma pergunta sobre um assunto ainda não ocorrido, o que só é comum a cientistas em busca de algo ainda desconhecido.
No passado alguém certamente já passou por experiências, situações ou fatos iguais ou bastante parecidos com o que agora pretendemos saber e perguntando encontraremos alguém que nos dará explicações sobre como ocorreram, os motivos e as alternativas encontradas.
A inibição e o orgulho são apontados como as principais dificuldades das pessoas em perguntar, mas qualquer que seja ela provoca prejuízos, pois as respostas certamente levariam ao destino com mais facilidade e com menos riscos, gastos de energia e financeiros.
Nenhum motivo é forte o suficiente para impedir que deixemos de nos orientar sobre escolhas e caminhos que poderemos tomar. A falta de orientação, que poderia nos ser dada em resposta a uma simples pergunta, poderá nos levar a opções erradas.
Diariamente temos diversas oportunidades de aprendizado e de superação, que invariavelmente nos levam a amadurecimentos em diversos campos, inclusive o de quebrarmos nossas próprias barreiras, como a inibição e o orgulho, se existirem.
Superando nossas dificuldades em perguntar facilitaremos muito nossa caminhada que poderá ser realizada com menos tropeços ou quedas e com menor distância até o destino.
Quando você pergunta, pode até ouvir muita coisa sem importância ou que já sabia, mas sempre aprende algo. No mínimo, que aquele a quem perguntou nada sabe sobre o assunto.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Muitas pessoas precisam cair e se levantar, cair novamente, tentar se reerguer, passar fome e até sede, antes de adquirir a humildade de fazer perguntas. Elas não entendem que, quanto mais perguntarem, lerem e se informarem, em menos tempo e com menos dificuldades atingirão seus objetivos.
Fazendo perguntas ficariam sabendo qual o caminho para a nascente da água, as terras mais férteis e o pomar, com menos rampas, desertos e pedreiras a serem transpostas até o destino.
Em uma conversa recente com amigos nos lembramos de outro, extremamente inteligente e que enquanto vivo fazia muitas perguntas a todos com quem mantivesse qualquer tipo de diálogo, sobre qualquer assunto.
Uma vez, conversando com ele, brincando me disse: "Meu departamento de fofocas me informou que...". Ele ficara sabendo de algo sobre mim e só queria uma confirmação. Ou seja, até sobre fofocas ele sabia, pois alguém a quem ele também fazia perguntas o informava até sobre pequenas coisas, sem nenhuma importância.
Pessoas assim são raras, diferentes, vivem com mais facilidade, cometendo menos erros e acertando mais, por se aproveitarem das experiências já vividas pelos outros, que estão à disposição de todos os que procuram saber.
Outros caminham sem nada questionar e normalmente ficam tristes ou até culpam outros por não terem conseguido enxergar pedras ou buracos no caminho e neles haverem tropeçado, quando bastava ter perguntado qual o melhor caminho.
Existem respostas para tudo o que já ocorreu na história da humanidade e raramente faremos uma pergunta sobre um assunto ainda não ocorrido, o que só é comum a cientistas em busca de algo ainda desconhecido.
No passado alguém certamente já passou por experiências, situações ou fatos iguais ou bastante parecidos com o que agora pretendemos saber e perguntando encontraremos alguém que nos dará explicações sobre como ocorreram, os motivos e as alternativas encontradas.
A inibição e o orgulho são apontados como as principais dificuldades das pessoas em perguntar, mas qualquer que seja ela provoca prejuízos, pois as respostas certamente levariam ao destino com mais facilidade e com menos riscos, gastos de energia e financeiros.
Nenhum motivo é forte o suficiente para impedir que deixemos de nos orientar sobre escolhas e caminhos que poderemos tomar. A falta de orientação, que poderia nos ser dada em resposta a uma simples pergunta, poderá nos levar a opções erradas.
Diariamente temos diversas oportunidades de aprendizado e de superação, que invariavelmente nos levam a amadurecimentos em diversos campos, inclusive o de quebrarmos nossas próprias barreiras, como a inibição e o orgulho, se existirem.
Superando nossas dificuldades em perguntar facilitaremos muito nossa caminhada que poderá ser realizada com menos tropeços ou quedas e com menor distância até o destino.
Quando você pergunta, pode até ouvir muita coisa sem importância ou que já sabia, mas sempre aprende algo. No mínimo, que aquele a quem perguntou nada sabe sobre o assunto.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
domingo, 21 de agosto de 2011
Somos todos pedestres
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
O assunto está na boca do povo, mas ainda não atingiu as mentes dementes dos motoristas nem a dos pedestres que continuam dando sopa ao azar e pensando que estão mesmo em um lugar civilizado
Meu grande amigo de visual punk sempre atravessava a rua apressado, impositivo, quase se jogando suicida no meio do violento trânsito de São Paulo. Quando estávamos juntos, eu ficava louca e ao mesmo tempo boba de ver os carros parando, educados e solícitos, como se ele fosse o próprio guarda de trânsito encarnado com bloquinho na mão ou fosse as demarcações de faixas dos países onde isso funciona - você põe o pé para fora da calçada e os carros param. "Você acha que alguém vai querer me atropelar? Já pensou o furdunço que ia ser?" - e caía na gargalhada. Funcionava.
Passado o tempo, não sei se ele ainda faz isso, mas sei que está bem, lindo e diferente, com seu cabelo espetado e tatuagens em todo o corpo, sempre aprontando alguma coisa especial - agora são festas que libertam o fetiche interior de cada um. Lembrei-me dele também porque nos últimos dias o assunto pedestre anda fervendo. Por vários motivos. Por causa da campanha a favor, das multas milionárias impostas a quem é pego sacaneando, e por causa de pesquisas que dizem que a maioria dos brasileiros se locomove é a pé, ao contrário do que podíamos pensar. Pensei também por causa das muitas marcas de sangue nos asfaltos da vida - o moço inteligente que voltava para casa a pé e foi atropelado por uma Land Rover desgovernada, uma professorinha aposentada atropelada na faixa e dezenas de outros anônimos, que não voltaram, todos mortos no espaço de um tempo de atravessar, de uma calçada a outra. Será menos perigoso atravessar um rio de jacarés?
Ser pedestre é mesmo uma das coisas mais perigosas e também uma das mais democráticas. Todo mundo é pedestre. E uma hora atravessa a rua, ou alguma coisa. Igual aquela velha piadinha que perguntava "Por que o frango atravessou a rua?" - seguida de várias respostas. Uma criança: Por que sim. Aristóteles: É da natureza do frango cruzar a avenida. Marx: O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos, capazes de atravessar a rua. Martin Luther King: Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para cruzar a estrada sem que sejam questionados seus motivos. Einstein: Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo. Heloisa Helena: A culpa é das elites estelionatárias,caucasianas e aristocráticas que usurpam a população de frangos e mostra a sua capacidade de luta em defesa dos seus direitos.
A infâmia sobrou até para o Paulo Maluf: O meu governo foi o que construiu mais passarelas para frangos. Quando for eleito novamente vou construir galinheiros deste lado para o frango não ter mais que atravessar a rua. E um pouco para o Lula e sua sabedoria: Atravessou porque queria se juntar aos outros mamíferos.
Não importa como, por que, onde, contra quem. Um dia atravessamos. Pedestre pode ser estátua, soldado do Rio de Janeiro, e até a linguagem rasteira. Mas há uma guerra nas ruas, isso há. No momento em que o pedestre vira motorista, do motorista que esquece que também é pedestre -há um pega pra capar. O cara do carro de trás que buzina, chato, e que acha que você o está atrasando na vida porque deu passagem ao velhinho, e parou para não matar. E nessa guerra, também democrática, há o próprio pedestre que vem maluco ao seu encontro, para te atropelar como se fosse ele uma jamanta de lata, ou um blindado. Ou mero suicida. Deviam aprender com os viralatas mais espertos que só faltam apertar o botão do semáforo.
Ouvi dizer que vão vender a "mãozinha" em miniaturas, no comércio popular. A mãozinha é uma, de papelão ou plástico, como um tchauzinho na ponta de uma vara, que alerta com um PARE e que está sendo usada nos cruzamentos paulistanos - uma bem grande - para conscientizar a população dos dois lados.
Mas esse personagem da cidade, o pedestre, é sui generis. Nunca vi fazerem teste de bafômetro em alguns, mas deveria ter. Nunca os vi serem multados por atravessarem fora das faixas, na diagonal, falando ao celular, mandando SMS (isso eu já vi!), mascando chicletes, olhando para a sua cara cinicamente, balançando a bunda, andando com roupa toda preta no escuro, surgindo de trás de postes e árvores. Também nunca vi pais, mães, babás serem multados por primeiro colocar os coitadinhos na frente, como se o carrinho dos pequeninos fosse armadura.
Também são eles, os pedestres, e assim somos nós todos, que são assaltados, que se machucam nas calçadas, que viram o pé, escorregam, tropeçam e se estabacam nas mal cuidadas vias e infinidades de minas terrestres das grandes cidades, onde até bueiros voam pelos ares, cachorros podem morder, e portões de garagem podem abrir ou fechar nas suas cabeças.
Mas nem tudo é ruim assim, não. Andando, o pedestre consome mais calorias e emite menos gás carbônico na atmosfera desse mundo tão horrivel. Andando, pode observar melhor as belezas dessa vida e virar o pescoço quando uma dessas passa, também pedestre, com um bom rebolado, e isso até pode virar uma composição de sucesso - olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela, menina, que vem e que passa...
Pode ir devagar, ou ligeiro, correndo, andando. Mas, solto, nesta solitária atividade, também pode encontrar um amor como nas propagandas de tevê, onde isso é comum. Pode encontrar um amigo. Dar chance à vida. Uma chance que só ocorrerá quando todos lembrarem que é só uma questão de tempo e espaço. Há quadrúpedes inveterados. Mas todos somos pedestres.
São Paulo, lufa-lufa, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Pedestre. Não gosta que peguem no pé. Motorista. De vez em quando esquece de por a flechinha quando vai virar.
Por Marli Gonçalves
O assunto está na boca do povo, mas ainda não atingiu as mentes dementes dos motoristas nem a dos pedestres que continuam dando sopa ao azar e pensando que estão mesmo em um lugar civilizado
Meu grande amigo de visual punk sempre atravessava a rua apressado, impositivo, quase se jogando suicida no meio do violento trânsito de São Paulo. Quando estávamos juntos, eu ficava louca e ao mesmo tempo boba de ver os carros parando, educados e solícitos, como se ele fosse o próprio guarda de trânsito encarnado com bloquinho na mão ou fosse as demarcações de faixas dos países onde isso funciona - você põe o pé para fora da calçada e os carros param. "Você acha que alguém vai querer me atropelar? Já pensou o furdunço que ia ser?" - e caía na gargalhada. Funcionava.
Passado o tempo, não sei se ele ainda faz isso, mas sei que está bem, lindo e diferente, com seu cabelo espetado e tatuagens em todo o corpo, sempre aprontando alguma coisa especial - agora são festas que libertam o fetiche interior de cada um. Lembrei-me dele também porque nos últimos dias o assunto pedestre anda fervendo. Por vários motivos. Por causa da campanha a favor, das multas milionárias impostas a quem é pego sacaneando, e por causa de pesquisas que dizem que a maioria dos brasileiros se locomove é a pé, ao contrário do que podíamos pensar. Pensei também por causa das muitas marcas de sangue nos asfaltos da vida - o moço inteligente que voltava para casa a pé e foi atropelado por uma Land Rover desgovernada, uma professorinha aposentada atropelada na faixa e dezenas de outros anônimos, que não voltaram, todos mortos no espaço de um tempo de atravessar, de uma calçada a outra. Será menos perigoso atravessar um rio de jacarés?
Ser pedestre é mesmo uma das coisas mais perigosas e também uma das mais democráticas. Todo mundo é pedestre. E uma hora atravessa a rua, ou alguma coisa. Igual aquela velha piadinha que perguntava "Por que o frango atravessou a rua?" - seguida de várias respostas. Uma criança: Por que sim. Aristóteles: É da natureza do frango cruzar a avenida. Marx: O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos, capazes de atravessar a rua. Martin Luther King: Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para cruzar a estrada sem que sejam questionados seus motivos. Einstein: Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo. Heloisa Helena: A culpa é das elites estelionatárias,caucasianas e aristocráticas que usurpam a população de frangos e mostra a sua capacidade de luta em defesa dos seus direitos.
A infâmia sobrou até para o Paulo Maluf: O meu governo foi o que construiu mais passarelas para frangos. Quando for eleito novamente vou construir galinheiros deste lado para o frango não ter mais que atravessar a rua. E um pouco para o Lula e sua sabedoria: Atravessou porque queria se juntar aos outros mamíferos.
Não importa como, por que, onde, contra quem. Um dia atravessamos. Pedestre pode ser estátua, soldado do Rio de Janeiro, e até a linguagem rasteira. Mas há uma guerra nas ruas, isso há. No momento em que o pedestre vira motorista, do motorista que esquece que também é pedestre -há um pega pra capar. O cara do carro de trás que buzina, chato, e que acha que você o está atrasando na vida porque deu passagem ao velhinho, e parou para não matar. E nessa guerra, também democrática, há o próprio pedestre que vem maluco ao seu encontro, para te atropelar como se fosse ele uma jamanta de lata, ou um blindado. Ou mero suicida. Deviam aprender com os viralatas mais espertos que só faltam apertar o botão do semáforo.
Ouvi dizer que vão vender a "mãozinha" em miniaturas, no comércio popular. A mãozinha é uma, de papelão ou plástico, como um tchauzinho na ponta de uma vara, que alerta com um PARE e que está sendo usada nos cruzamentos paulistanos - uma bem grande - para conscientizar a população dos dois lados.
Mas esse personagem da cidade, o pedestre, é sui generis. Nunca vi fazerem teste de bafômetro em alguns, mas deveria ter. Nunca os vi serem multados por atravessarem fora das faixas, na diagonal, falando ao celular, mandando SMS (isso eu já vi!), mascando chicletes, olhando para a sua cara cinicamente, balançando a bunda, andando com roupa toda preta no escuro, surgindo de trás de postes e árvores. Também nunca vi pais, mães, babás serem multados por primeiro colocar os coitadinhos na frente, como se o carrinho dos pequeninos fosse armadura.
Também são eles, os pedestres, e assim somos nós todos, que são assaltados, que se machucam nas calçadas, que viram o pé, escorregam, tropeçam e se estabacam nas mal cuidadas vias e infinidades de minas terrestres das grandes cidades, onde até bueiros voam pelos ares, cachorros podem morder, e portões de garagem podem abrir ou fechar nas suas cabeças.
Mas nem tudo é ruim assim, não. Andando, o pedestre consome mais calorias e emite menos gás carbônico na atmosfera desse mundo tão horrivel. Andando, pode observar melhor as belezas dessa vida e virar o pescoço quando uma dessas passa, também pedestre, com um bom rebolado, e isso até pode virar uma composição de sucesso - olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela, menina, que vem e que passa...
Pode ir devagar, ou ligeiro, correndo, andando. Mas, solto, nesta solitária atividade, também pode encontrar um amor como nas propagandas de tevê, onde isso é comum. Pode encontrar um amigo. Dar chance à vida. Uma chance que só ocorrerá quando todos lembrarem que é só uma questão de tempo e espaço. Há quadrúpedes inveterados. Mas todos somos pedestres.
São Paulo, lufa-lufa, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Pedestre. Não gosta que peguem no pé. Motorista. De vez em quando esquece de por a flechinha quando vai virar.
sábado, 20 de agosto de 2011
Segurança é estratégica para sucesso dos negócios
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Dimas de Melo Pimenta II
Num mundo que parece cada vez mais conflagrado, conforme se observa nos cruéis atentados na Noruega, nos distúrbios em Londres, nas revoltas verificadas em países árabes e na absurda criminalidade brasileira, é urgente a priorização de políticas publicas capazes de conter a violência social e a ação dos marginais. Por outro lado, é lícito, justo e necessário que as pessoas físicas e jurídicas também adotem medidas preventivas, visando à preservação de sua integridade física, seu patrimônio e seus negócios.
Nesse contexto, faz absoluto sentido o crescimento de 12%, em 2010, do setor de segurança eletrônica no Brasil, que passou a conquistar clientes, em maior escala, também no universo das micro e pequenas empresas. Estas passaram a representar mais de 50% do faturamento do mercado, segundo demonstra pesquisa da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).
A importância estratégica da segurança para o sucesso e viabilidade dos negócios é evidenciada em outro estudo, realizado pelo PROVAR/FIA - Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração e pela Felisoni Consultores e Associados, em parceria com a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados). Este trabalho mostra que, dentre as principais causas de perdas no varejo, estão os furtos praticados por público externo (20,4% do total) e interno (20,1%).
Câmeras, sensores e equipamentos de controle de acesso podem contribuir muito para reduzir furtos, arrastões em estabelecimentos comerciais e assaltos a lojas de departamentos, supermercados, empresas em geral e condomínios. Muitas vezes, esses equipamentos são mais eficientes e muito menos onerosos do que a contratação de equipes de segurança. A prevenção é essencial, pois ajuda a reduzir a violência e dificulta a ação dos criminosos.
A boa notícia é que o Brasil tem tecnologia de ponta no segmento de equipamentos de segurança eletrônica, viabilizando investimentos com boa relação custo-benefício. É importante buscar fornecedores confiáveis, com reconhecimento no mercado e qualidade comprovada. Afinal, quando estão em jogo a vida e os bens mais precisos de pessoas e empresas, não é prudente arriscar.
Dimas de Melo Pimenta II, economista, é diretor do Departamento Sindical (Desin) da Fiesp e presidente da Dimep.
Por Dimas de Melo Pimenta II
Num mundo que parece cada vez mais conflagrado, conforme se observa nos cruéis atentados na Noruega, nos distúrbios em Londres, nas revoltas verificadas em países árabes e na absurda criminalidade brasileira, é urgente a priorização de políticas publicas capazes de conter a violência social e a ação dos marginais. Por outro lado, é lícito, justo e necessário que as pessoas físicas e jurídicas também adotem medidas preventivas, visando à preservação de sua integridade física, seu patrimônio e seus negócios.
Nesse contexto, faz absoluto sentido o crescimento de 12%, em 2010, do setor de segurança eletrônica no Brasil, que passou a conquistar clientes, em maior escala, também no universo das micro e pequenas empresas. Estas passaram a representar mais de 50% do faturamento do mercado, segundo demonstra pesquisa da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).
A importância estratégica da segurança para o sucesso e viabilidade dos negócios é evidenciada em outro estudo, realizado pelo PROVAR/FIA - Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração e pela Felisoni Consultores e Associados, em parceria com a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados). Este trabalho mostra que, dentre as principais causas de perdas no varejo, estão os furtos praticados por público externo (20,4% do total) e interno (20,1%).
Câmeras, sensores e equipamentos de controle de acesso podem contribuir muito para reduzir furtos, arrastões em estabelecimentos comerciais e assaltos a lojas de departamentos, supermercados, empresas em geral e condomínios. Muitas vezes, esses equipamentos são mais eficientes e muito menos onerosos do que a contratação de equipes de segurança. A prevenção é essencial, pois ajuda a reduzir a violência e dificulta a ação dos criminosos.
A boa notícia é que o Brasil tem tecnologia de ponta no segmento de equipamentos de segurança eletrônica, viabilizando investimentos com boa relação custo-benefício. É importante buscar fornecedores confiáveis, com reconhecimento no mercado e qualidade comprovada. Afinal, quando estão em jogo a vida e os bens mais precisos de pessoas e empresas, não é prudente arriscar.
Dimas de Melo Pimenta II, economista, é diretor do Departamento Sindical (Desin) da Fiesp e presidente da Dimep.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Direitos e limites
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Estava praticamente chegando ao final de uma viagem que fazia com meus três filhos, quando fui parado por um policial rodoviário federal. Como solicitado, entreguei a ele meus documentos pessoais e os do veículo.
Depois da vistoria geral do veículo o policial, ainda com os documentos em mãos, me perguntou de onde eu vinha. Respondi: de longe. Ele então insistiu, para onde vai? Respondi: Para mais longe ainda. Minha esposa ficou assustada e me cutucou para que eu respondesse as perguntas corretamente.
Disse a ela, em tom alto o suficiente para que o policial também ouvisse que eu o estava respeitando em toda a plenitude de seus direitos, entregando-lhe os documentos solicitados e acatando qualquer decisão dele em relação ao seu trabalho, inclusive de me multar se eu tivesse feito algo ilegal, mas que eu não tinha a obrigação de informar de onde vinha ou para onde iria, pois aquele não era mais o papel e nem o direito dele.
Minha intenção, naquele momento, jamais foi a de desacatar o policial, mas ensinar meus filhos que, em qualquer situação, nunca deveriam abrir mão de seus direitos. Já se passaram aproximadamente 30 anos do ocorrido e continuo pensando da mesma forma. Não podemos invadir o direito de nenhuma pessoa, independentemente de sua posição religiosa, educacional, cultural ou profissional e nem permitir que nenhum espaço do nosso direito seja invadido.
Respeitar direitos muitas vezes significa abrir mão, se desprender de algo que julgamos ser nossos- como os filhos-, quando na realidade só o que podemos fazer é educá-los enquanto pequenos, encaminhar seus estudos e acompanhá-los até que possam alçar vôo próprio.
Já na juventude ou até antes dela eles já nos mostram que possuem vontade própria, desejos e objetivos diferentes dos nossos. Por sua imaturidade muitas coisas precisam ser controladas, contrariando-os, encaminhando-os por mais um período, para que possam amadurecer mais e aí sim, cobrar seus direitos.
Nessa fase já precisam estar preparados para, na vida em sociedade, exigir o respeito por seus direitos, mas também, claro, respeitar o das outras pessoas. E, se muitos deles tomarem para si esse princípio e continuarem, com a educação dos próprios filhos, certamente em algumas décadas teremos um país bem melhor.
Certa vez ouvi de uma pessoa já bem mais idosa, muito experiente, sábia e com quem aprendi muito, que as ações individuais são propagadas como as ondas criadas na água quando atingida por uma pedra. Na primeira propagação é um círculo pequeno, empurrado para mais longe pelo segundo, que é empurrado pelo terceiro e assim sucessivamente até que o efeito do impacto da pedra na água deixe de tumultuar o local do impacto.
O choque inicial diminui à medida que a pedra se distancia, aprofunda na água e nenhuma onda será provocada depois de certa profundidade. Sem a geração de novas ondas a tranquilidade da água vai voltando desde o local inicial até atingir a margem que havia recebido todas as ondas.
Como no lago, a paz volta quando toda a propagação, de uma nova idéia, regra, ação, ou atitude política foi totalmente absorvida pela sociedade. A exigência do respeito a seus direitos e a observância dos direitos alheios deveria ser posta em prática do mesmo modo, partindo da educação dos jovens em casa, que criará uma onda na escola, no bairro, na cidade, município e assim por diante.
A cobrança por seus direitos e o respeito pelo dos outros é um exercício diário, difícil, mas se todos sempre o exigissem, em quaisquer situações, certamente teríamos convivências muito mais pacíficas e harmoniosas entre as pessoas, os países e os continentes.
João Bosco Leal é Produtor Rural. - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Estava praticamente chegando ao final de uma viagem que fazia com meus três filhos, quando fui parado por um policial rodoviário federal. Como solicitado, entreguei a ele meus documentos pessoais e os do veículo.
Depois da vistoria geral do veículo o policial, ainda com os documentos em mãos, me perguntou de onde eu vinha. Respondi: de longe. Ele então insistiu, para onde vai? Respondi: Para mais longe ainda. Minha esposa ficou assustada e me cutucou para que eu respondesse as perguntas corretamente.
Disse a ela, em tom alto o suficiente para que o policial também ouvisse que eu o estava respeitando em toda a plenitude de seus direitos, entregando-lhe os documentos solicitados e acatando qualquer decisão dele em relação ao seu trabalho, inclusive de me multar se eu tivesse feito algo ilegal, mas que eu não tinha a obrigação de informar de onde vinha ou para onde iria, pois aquele não era mais o papel e nem o direito dele.
Minha intenção, naquele momento, jamais foi a de desacatar o policial, mas ensinar meus filhos que, em qualquer situação, nunca deveriam abrir mão de seus direitos. Já se passaram aproximadamente 30 anos do ocorrido e continuo pensando da mesma forma. Não podemos invadir o direito de nenhuma pessoa, independentemente de sua posição religiosa, educacional, cultural ou profissional e nem permitir que nenhum espaço do nosso direito seja invadido.
Respeitar direitos muitas vezes significa abrir mão, se desprender de algo que julgamos ser nossos- como os filhos-, quando na realidade só o que podemos fazer é educá-los enquanto pequenos, encaminhar seus estudos e acompanhá-los até que possam alçar vôo próprio.
Já na juventude ou até antes dela eles já nos mostram que possuem vontade própria, desejos e objetivos diferentes dos nossos. Por sua imaturidade muitas coisas precisam ser controladas, contrariando-os, encaminhando-os por mais um período, para que possam amadurecer mais e aí sim, cobrar seus direitos.
Nessa fase já precisam estar preparados para, na vida em sociedade, exigir o respeito por seus direitos, mas também, claro, respeitar o das outras pessoas. E, se muitos deles tomarem para si esse princípio e continuarem, com a educação dos próprios filhos, certamente em algumas décadas teremos um país bem melhor.
Certa vez ouvi de uma pessoa já bem mais idosa, muito experiente, sábia e com quem aprendi muito, que as ações individuais são propagadas como as ondas criadas na água quando atingida por uma pedra. Na primeira propagação é um círculo pequeno, empurrado para mais longe pelo segundo, que é empurrado pelo terceiro e assim sucessivamente até que o efeito do impacto da pedra na água deixe de tumultuar o local do impacto.
O choque inicial diminui à medida que a pedra se distancia, aprofunda na água e nenhuma onda será provocada depois de certa profundidade. Sem a geração de novas ondas a tranquilidade da água vai voltando desde o local inicial até atingir a margem que havia recebido todas as ondas.
Como no lago, a paz volta quando toda a propagação, de uma nova idéia, regra, ação, ou atitude política foi totalmente absorvida pela sociedade. A exigência do respeito a seus direitos e a observância dos direitos alheios deveria ser posta em prática do mesmo modo, partindo da educação dos jovens em casa, que criará uma onda na escola, no bairro, na cidade, município e assim por diante.
A cobrança por seus direitos e o respeito pelo dos outros é um exercício diário, difícil, mas se todos sempre o exigissem, em quaisquer situações, certamente teríamos convivências muito mais pacíficas e harmoniosas entre as pessoas, os países e os continentes.
João Bosco Leal é Produtor Rural. - www.joaoboscoleal.com.br
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Complexidade da gestão de pessoas exige uso de sistemas
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Roberto Ventura
Já se foi o tempo em que uma boa gestão de pessoas podia ser feita exclusivamente com o olhar subjetivo da liderança. Até hoje, muitas empresas, inclusive médias e grandes, acreditam que fazem gestão de pessoas sem um sistema estruturado de avaliação.
Essa visão limitada do que vem a ser análise de desempenho ignora um fator decisivo: a avaliação de pessoas tem sempre um componente subjetivo e a avaliação sem uma base estruturada não é suficiente para avaliar todo o desempenho e o potencial de um colaborador. Visões personalistas ou paternalistas, como a do chefe que “tudo sabe”, pecam exatamente pelo fato de não conseguirem abarcar tudo o que as pessoas fazem na empresa. Além disso, quando cabe apenas a um chefe avaliar o desempenho de uma pessoa, há a chance de que as relações pessoais contaminem a avaliação, levando à promoção de pessoas nem sempre mais indicadas e ao afastamento de outras que poderiam ter ótimo potencial.
Uma avaliação mais justa e objetiva deve reduzir o elemento de subjetividade, possibilitando assim que a gestão de desempenho, competências e potencial das pessoas seja feita com a seriedade que o tema exige. Para reduzir o elemento de subjetividade, o primeiro passo é estruturar o processo de avaliação com aquilo que é importante avaliar no desempenho de cada colaborador: as metas e as competências que o seu cargo exige. A estrutura traz ao avaliador os critérios da avaliação, o que se deseja e é importante avaliar. O segundo passo é permitir vários olhares, uma avaliação 180º, 270º ou até 360º trará mais visões e informações do que uma avaliação top-down. Compreender como as pessoas se movem nas organizações, o que fazem, quais os resultados do que fazem e que potenciais elas têm para alcançar as metas globais da organização não são coisas que o olhar de um chefe possa abarcar de uma só vez. Por isso, é decisivo que as organizações adotem práticas de gestão de pessoas que consigam dar conta da complexidade dessa tarefa.
O uso de sistemas de gestão de pessoas se tornou imperativo nos dias de hoje. Mas quando falamos de “sistemas” não queremos dizer, apenas, um software. A adoção desses sistemas exige um repensar completo das atividades de gestão de pessoas nas empresas, e para seu sucesso, podemos destacar três componentes importantes:
• As pessoas precisam saber como suas atividades impactam as metas globais da organização, pois isso dá a elas a exata compreensão da importância de suas atividades, contribuindo para o engajamento
• As pessoas precisam saber se seu desempenho está indo bem ou não a todo momento e não apenas uma vez por ano: o feedback permanente ajuda as pessoas a manter o foco e a alcançar seus objetivos
• As pessoas precisam ser recompensadas também por seu desempenho, evidenciando que os profissionais mais destacados serão sempre os melhor remunerados. Isso gera o exemplo pela liderança e melhora os resultados globais da empresa.
É evidente que esse grau detalhamento do desempenho das pessoas exige o acompanhamento de um sistema de gestão capaz de enxergar as relações de trabalho de modo microscópico, algo que só é possível de alcançar pelo uso de sistemas que ajudem as organizações nos processos de gestão de pessoas, talentos, competências, metas e aprendizagem.
Roberto Ventura é Sócio Diretor da Efix.
Por Roberto Ventura
Já se foi o tempo em que uma boa gestão de pessoas podia ser feita exclusivamente com o olhar subjetivo da liderança. Até hoje, muitas empresas, inclusive médias e grandes, acreditam que fazem gestão de pessoas sem um sistema estruturado de avaliação.
Essa visão limitada do que vem a ser análise de desempenho ignora um fator decisivo: a avaliação de pessoas tem sempre um componente subjetivo e a avaliação sem uma base estruturada não é suficiente para avaliar todo o desempenho e o potencial de um colaborador. Visões personalistas ou paternalistas, como a do chefe que “tudo sabe”, pecam exatamente pelo fato de não conseguirem abarcar tudo o que as pessoas fazem na empresa. Além disso, quando cabe apenas a um chefe avaliar o desempenho de uma pessoa, há a chance de que as relações pessoais contaminem a avaliação, levando à promoção de pessoas nem sempre mais indicadas e ao afastamento de outras que poderiam ter ótimo potencial.
Uma avaliação mais justa e objetiva deve reduzir o elemento de subjetividade, possibilitando assim que a gestão de desempenho, competências e potencial das pessoas seja feita com a seriedade que o tema exige. Para reduzir o elemento de subjetividade, o primeiro passo é estruturar o processo de avaliação com aquilo que é importante avaliar no desempenho de cada colaborador: as metas e as competências que o seu cargo exige. A estrutura traz ao avaliador os critérios da avaliação, o que se deseja e é importante avaliar. O segundo passo é permitir vários olhares, uma avaliação 180º, 270º ou até 360º trará mais visões e informações do que uma avaliação top-down. Compreender como as pessoas se movem nas organizações, o que fazem, quais os resultados do que fazem e que potenciais elas têm para alcançar as metas globais da organização não são coisas que o olhar de um chefe possa abarcar de uma só vez. Por isso, é decisivo que as organizações adotem práticas de gestão de pessoas que consigam dar conta da complexidade dessa tarefa.
O uso de sistemas de gestão de pessoas se tornou imperativo nos dias de hoje. Mas quando falamos de “sistemas” não queremos dizer, apenas, um software. A adoção desses sistemas exige um repensar completo das atividades de gestão de pessoas nas empresas, e para seu sucesso, podemos destacar três componentes importantes:
• As pessoas precisam saber como suas atividades impactam as metas globais da organização, pois isso dá a elas a exata compreensão da importância de suas atividades, contribuindo para o engajamento
• As pessoas precisam saber se seu desempenho está indo bem ou não a todo momento e não apenas uma vez por ano: o feedback permanente ajuda as pessoas a manter o foco e a alcançar seus objetivos
• As pessoas precisam ser recompensadas também por seu desempenho, evidenciando que os profissionais mais destacados serão sempre os melhor remunerados. Isso gera o exemplo pela liderança e melhora os resultados globais da empresa.
É evidente que esse grau detalhamento do desempenho das pessoas exige o acompanhamento de um sistema de gestão capaz de enxergar as relações de trabalho de modo microscópico, algo que só é possível de alcançar pelo uso de sistemas que ajudem as organizações nos processos de gestão de pessoas, talentos, competências, metas e aprendizagem.
Roberto Ventura é Sócio Diretor da Efix.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O voluntariado do bem. Sempre!
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marcio Demari
"O que fazemos por nós mesmos morre conosco, o que fazemos pelos outros permanece e é eterno."
No mundo atual, moderno pela tecnologia de informação, muitas atividades ganham uma dinâmica melhor se os produtos e serviços tiverem, além da original seriedade, uma abrangência infinita de parceiros.
Pela internet é possível se nutrir de redes de voluntariado, cuja finalidade é propiciar uma variedade de atividades com enfoque absoluto ao bem-estar da humanidade. Na medida em que uma ferramenta de primeiros socorros ou rápidas informações é disponibilizada economiza-se energia e se ganha tempo na resolução dos problemas.
De fácil manipulação e utilização, o Planeta Voluntários nasceu com a premissa de fortalecer parcerias, agregar conhecimento e disseminá-lo, seja no eixo social, cultural, científico ou beneficente.
Cada atividade é desenvolvida com a determinação de se buscar caminhos retos e rápidos, com o propósito de atuar na imediata resolução, pois muitas vezes, uma resposta, uma alternativa ou mesmo ou uma sugestão, por simples que seja, pode estar a quilômetros de distância. Com os parceiros e colaboradores se forma um expressivo banco de dados e em poucos minutos se pode atuar na prática através da permuta comunitária. É a forma instantânea de agir e reagir.
Na última década grandes avanços se consolidaram pelas atuações da mídia eletrônica. Muitos casos considerados difíceis foram resolvidos. Encontraram-se pessoas há muito tempo procuradas; dividiram-se ajudas coletivas em prol de vítimas de catástrofes e consegui-se repassar à boa e importante informação. É bem verdade que há muitos instrumentos servindo várias populações hoje em dia. No caso do Planeta Voluntários, além de se caracterizar como uma organização que prima pela absoluta benevolência, há na espinha dorsal dos objetivos um imensurável potencial profissional, utilizando a rede para ser e não para ter.
Paradoxalmente muitas pessoas acreditam que a internet e suas derivações servem para afastar as pessoas. O Planeta Voluntários não. Nossa missão é aproximá-las para com efeito somatório dividirmos o que de bem se precisa para que as pessoas tenham dias melhores, anos melhores, uma vida melhor.
Marcio Demari é Empresário em Londrina, Pr. Além de fundador e Presidente do Portal Planeta Voluntários.
Por Marcio Demari
"O que fazemos por nós mesmos morre conosco, o que fazemos pelos outros permanece e é eterno."
No mundo atual, moderno pela tecnologia de informação, muitas atividades ganham uma dinâmica melhor se os produtos e serviços tiverem, além da original seriedade, uma abrangência infinita de parceiros.
Pela internet é possível se nutrir de redes de voluntariado, cuja finalidade é propiciar uma variedade de atividades com enfoque absoluto ao bem-estar da humanidade. Na medida em que uma ferramenta de primeiros socorros ou rápidas informações é disponibilizada economiza-se energia e se ganha tempo na resolução dos problemas.
De fácil manipulação e utilização, o Planeta Voluntários nasceu com a premissa de fortalecer parcerias, agregar conhecimento e disseminá-lo, seja no eixo social, cultural, científico ou beneficente.
Cada atividade é desenvolvida com a determinação de se buscar caminhos retos e rápidos, com o propósito de atuar na imediata resolução, pois muitas vezes, uma resposta, uma alternativa ou mesmo ou uma sugestão, por simples que seja, pode estar a quilômetros de distância. Com os parceiros e colaboradores se forma um expressivo banco de dados e em poucos minutos se pode atuar na prática através da permuta comunitária. É a forma instantânea de agir e reagir.
Na última década grandes avanços se consolidaram pelas atuações da mídia eletrônica. Muitos casos considerados difíceis foram resolvidos. Encontraram-se pessoas há muito tempo procuradas; dividiram-se ajudas coletivas em prol de vítimas de catástrofes e consegui-se repassar à boa e importante informação. É bem verdade que há muitos instrumentos servindo várias populações hoje em dia. No caso do Planeta Voluntários, além de se caracterizar como uma organização que prima pela absoluta benevolência, há na espinha dorsal dos objetivos um imensurável potencial profissional, utilizando a rede para ser e não para ter.
Paradoxalmente muitas pessoas acreditam que a internet e suas derivações servem para afastar as pessoas. O Planeta Voluntários não. Nossa missão é aproximá-las para com efeito somatório dividirmos o que de bem se precisa para que as pessoas tenham dias melhores, anos melhores, uma vida melhor.
Marcio Demari é Empresário em Londrina, Pr. Além de fundador e Presidente do Portal Planeta Voluntários.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Um avanço para a inteligência do petróleo
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Guilherme Sabino Ometto
Foi de grande importância o referendo, em reunião do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP), à transferência do Curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica para a cidade de Santos, importante polo produtor e onde se instalou um centro tecnológico da Petrobras. Além da mudança, o número de vagas será ampliado de 10 para 50. Nada mais pertinente, pois o curso foi criado quando o País produzia 250 mil barris de petróleo por dia. Hoje, são dois milhões e meio e a previsão para 2020 é deoito milhões, conforme explicou, naquele encontro, o professor José Roberto Cardoso, diretor da Poli, esta instituição referencial do Ensino Superior brasileiro.
Também integrante do Conselho, o mestre lembrou que o Brasil forma 38 mil engenheiros por ano, mas apenas um quartodesse contingente tem qualificação adequada. Entretanto, a demanda do mercado é de 60 mil profissionais, dado o advento da indústria do petróleo e do Pré-sal. Hoje, praticamente um terço dos engenheiros brasileiros trabalha para a Petrobras, não apenas de modo direto, mas em toda a cadeia. No ano passado, 21.500 profissionais da área tecnológica ingressaram no Brasil com visto da Dinamarca, numa evidência do “apagão” de recursos humanos em nosso país. No caso do petróleo, a tendência é de agravamento da situação, pois a companhia estatal, hoje com 75 mil funcionários, deverá ter 200 mil em 2020, dos quais 40 mil engenheiros.
Não bastasse essa questão relativa à mão de obra qualificada, o professor Cardoso lembrou que a Petrobras criou um polo tecnológico em Santos, no qual já mantém dois mil funcionários, vários deles do exterior, trabalhando no complexo da indústria do Pré-sal. Pois é exatamente nessa estrutura que deverá instalar-se o Curso de Engenharia de Petróleo daEscola Politécnica. Nada mais pertinente, pois além da proximidade e interação direta com a prática produtiva e a tecnologia aplicada, a transferência atende a uma necessidade de São Paulo e do Brasil.
Assim, foi oportuna e feliz a iniciativa da USP de promover a mudança, que vai ao encontro da premência do Estado decomeçar a pensar de maneira mais ampla e aprofundada na questão do petróleo. Afinal, o território paulista será o grande produtor brasileiro. A despeitodisso, temos dificuldade de encontrar pessoas que dominem o conhecimento dotema.
Toda a inteligência do petróleo está concentrada no Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras e o seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). As universidades fluminenses estão aproveitando de modo amplo essas oportunidades, enquanto grandes empresas estão instalando unidades de inovação e tecnologia naquele estado. Nada contra, pois todo esse processo é importante para o Brasil. Contudo, São Paulo também precisa avançar – e muito! - na importante área, pois tirará do fundo do mar a maior parte do petróleo brasileiro. Portanto, não pode ficar para trás.
Grandes refinarias estão sendo instaladas no Nordeste. Isto suscita até mesmo uma intrincada questão de logística. O petróleo é produzido na Baixada Santista, refinado no Nordeste e, depois, transportado novamente para São Paulo, o maior centro consumidor. Trata-se de um custo desnecessário, que certamente mitigará a competitividade de toda acadeia produtiva. É inadmissível manter uma posição de passividade diante de tal quadro, que atenta contra os interesses não apenas dos paulistas, mas de todos os brasileiros, considerando o quanto o petróleo é estratégico para aeconomia nacional.
Assim, a decisão de transferir o Curso de Engenharia do Petróleo da Escola Politécnica para Santos coloca a Universidade de São Paulo, mais uma vez, na vanguarda de um processo decisivo para o estado e a Nação. Trata-se de um exemplo de quanto o olhar consciente e amplo da academia, extensivo à realidade econômica, pode contribuir para o progresso de um país.
João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro(EESC/USP), é vice-presidente do Grupo São Martinho e da Fiesp, coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade e membro do Conselho Universitário da USP.
Por João Guilherme Sabino Ometto
Foi de grande importância o referendo, em reunião do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP), à transferência do Curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica para a cidade de Santos, importante polo produtor e onde se instalou um centro tecnológico da Petrobras. Além da mudança, o número de vagas será ampliado de 10 para 50. Nada mais pertinente, pois o curso foi criado quando o País produzia 250 mil barris de petróleo por dia. Hoje, são dois milhões e meio e a previsão para 2020 é deoito milhões, conforme explicou, naquele encontro, o professor José Roberto Cardoso, diretor da Poli, esta instituição referencial do Ensino Superior brasileiro.
Também integrante do Conselho, o mestre lembrou que o Brasil forma 38 mil engenheiros por ano, mas apenas um quartodesse contingente tem qualificação adequada. Entretanto, a demanda do mercado é de 60 mil profissionais, dado o advento da indústria do petróleo e do Pré-sal. Hoje, praticamente um terço dos engenheiros brasileiros trabalha para a Petrobras, não apenas de modo direto, mas em toda a cadeia. No ano passado, 21.500 profissionais da área tecnológica ingressaram no Brasil com visto da Dinamarca, numa evidência do “apagão” de recursos humanos em nosso país. No caso do petróleo, a tendência é de agravamento da situação, pois a companhia estatal, hoje com 75 mil funcionários, deverá ter 200 mil em 2020, dos quais 40 mil engenheiros.
Não bastasse essa questão relativa à mão de obra qualificada, o professor Cardoso lembrou que a Petrobras criou um polo tecnológico em Santos, no qual já mantém dois mil funcionários, vários deles do exterior, trabalhando no complexo da indústria do Pré-sal. Pois é exatamente nessa estrutura que deverá instalar-se o Curso de Engenharia de Petróleo daEscola Politécnica. Nada mais pertinente, pois além da proximidade e interação direta com a prática produtiva e a tecnologia aplicada, a transferência atende a uma necessidade de São Paulo e do Brasil.
Assim, foi oportuna e feliz a iniciativa da USP de promover a mudança, que vai ao encontro da premência do Estado decomeçar a pensar de maneira mais ampla e aprofundada na questão do petróleo. Afinal, o território paulista será o grande produtor brasileiro. A despeitodisso, temos dificuldade de encontrar pessoas que dominem o conhecimento dotema.
Toda a inteligência do petróleo está concentrada no Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras e o seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). As universidades fluminenses estão aproveitando de modo amplo essas oportunidades, enquanto grandes empresas estão instalando unidades de inovação e tecnologia naquele estado. Nada contra, pois todo esse processo é importante para o Brasil. Contudo, São Paulo também precisa avançar – e muito! - na importante área, pois tirará do fundo do mar a maior parte do petróleo brasileiro. Portanto, não pode ficar para trás.
Grandes refinarias estão sendo instaladas no Nordeste. Isto suscita até mesmo uma intrincada questão de logística. O petróleo é produzido na Baixada Santista, refinado no Nordeste e, depois, transportado novamente para São Paulo, o maior centro consumidor. Trata-se de um custo desnecessário, que certamente mitigará a competitividade de toda acadeia produtiva. É inadmissível manter uma posição de passividade diante de tal quadro, que atenta contra os interesses não apenas dos paulistas, mas de todos os brasileiros, considerando o quanto o petróleo é estratégico para aeconomia nacional.
Assim, a decisão de transferir o Curso de Engenharia do Petróleo da Escola Politécnica para Santos coloca a Universidade de São Paulo, mais uma vez, na vanguarda de um processo decisivo para o estado e a Nação. Trata-se de um exemplo de quanto o olhar consciente e amplo da academia, extensivo à realidade econômica, pode contribuir para o progresso de um país.
João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro(EESC/USP), é vice-presidente do Grupo São Martinho e da Fiesp, coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade e membro do Conselho Universitário da USP.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Baciadas, na Cabeça
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Há uma intensidade descomunal em tudo que estamos vivenciando. Não sei se já houve épocas assim, mas devem ter ocorrido - como costumo brincar - quando eu não tinha nascido ainda. Novidades, inventos, notícias, desavenças, crises, e até as recuperações, agora tudo vem em baciadas, como em liquidações de queimas de estoque. E as nossas almas já não cabem mais nem em meras bacias, se as colocarmos à venda
Baldes e baldes, infelizmente de água fria. Potes e potes - não são mais só copos - de mágoas. Está tudo vindo com um furor tal que é assustador. Tudo agora é superlativo, do bom ao pior, e em todo o mundo. Eu não tinha nascido ainda se houve época semelhante. Não me venham com as primaveras dos anos 60, que eram diferentes, nem com as revoluções culturais. Não é esse o assunto. Meu temor maior é quando movimentações ocorrem, sim, mas sempre a partir de manifestações violentas, sem causa e sem padrão, e o que é pior, sem lideranças identificadas. Apenas mártires. Dá até medo pisar sem querer no pé de alguém.
Nada mais basta nesse mundo em que o céu já passou dos limites e o infinito parece mesmo ser a única medida. Tudo é grande, enorme, complexo, interligado. Lembro quando falávamos das prisões como barris de pólvora. Hoje o mundo inteiro é o próprio barril com o pavio queimando, e o óleo se espalha, inflamável. Uma empresa abre o bico e grasna menos AAAs e os mercados se abalam de uma forma muito parecida aos maiores desastres naturais. Milhão não é mais uma grande coisa, e tratamos de bilhões e trilhões, como se até já os tivéssemos visto. 140 caracteres de uma mídia social ultrapassam tratados sociológicos enciclopédicos e descartáveis. Cliques podem ser mais perigosos do que pistolas. Invasões de terrenos em nuvens virtuais, piores do que pragas de gafanhoto.
Tudo é ágil, em desenvolvimento. Estáticos só os nossos políticos, dirigentes e líderes em seus lengalengas completamente desconectados da realidade, que teimam em manter de Norte a Sul. De um lado, o estonteante ritmo das coisas; de outro, a paradeira de nossas boquiabertas expressões ao ver, entre outras cenas, turbas de jovens que, de repente, quase do nada, saem às ruas, quebrando tudo, matando, saqueando e levando na mão grande o que sempre ouviram dizer que era muito bom para consumirem. Então, eles resolvem um dia provar.
Não há ficção que não tenha previsto isso, embora sem tantos detalhes, e sempre lembro de filmes de fuga, de Los Angeles, de Nova York, todos com Kurt Russell, que mostravam as metrópoles destroçadas por maltrapilhos violentos emergindo das trevas, de becos. Está igual, conforme sinistramente previsto bem antes pelo cinema justamente para esta década. Ou pior, se espiarmos de perto, onde eles estão vivendo e se criando, com seus piolhos, sarnas e cachimbos de crack; ou moldados em pensamentos de raça única, ou raça boa, como lá pelos outros cantos.
Ainda não obtivemos, por outro lado, as láureas do progresso, que viriam, por exemplo, com grandes descobertas de cura para doenças terríveis e devastadoras. Não resolvemos o problema da fome, que se agrava, e que pode juntar-se à falta de água. Ainda não sabemos o que é a liberdade verdadeira, porque esta sempre tem seus verdadeiros detalhes censurados.
Entendem-se as revoltas. Revoltamos-nos quando queremos algo e por mais que lutemos não conseguimos alcançar. Muitas delas são revoltas íntimas. Como a que senti, por exemplo, ao saber que um cara tão gente boa e tão belo como o Giannecchini não só pode ficar doente, como fica, e de forma tão grave, humano e mortal como todos, lembrando que somos meros. Apenas meros.
Ficamos revoltados quando jovens morrem e matam de um lado ou outro por causa de copos a mais de exagero de outros tão iguais a eles, iguais a nós. Nos revoltamos quando vemos as caras de pau dos que nos roubam de manhã, de tarde e de noite, e depois ainda vêm esfregar nas nossas caras a riqueza que deveria ser de todos.
Mas em geral nos revoltamos calados, em nossos cantos, cansados de todos esses excessos, de tudo estar tão rápido. Tão grande e tão incontrolável.
Só não fazemos revoluções. Senão elas também viriam em baciadas. E, como ocorreu em Londres, enfim sairíamos todos às ruas usando vassouras em vez de armas. E baldes, como capacetes.
São Paulo, meninos e meninas maluquinhos, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Uma profissão que tem de lidar muito com as tais baciadas. E cansada de ouvir falar em faxinas superficiais.
Por Marli Gonçalves
Há uma intensidade descomunal em tudo que estamos vivenciando. Não sei se já houve épocas assim, mas devem ter ocorrido - como costumo brincar - quando eu não tinha nascido ainda. Novidades, inventos, notícias, desavenças, crises, e até as recuperações, agora tudo vem em baciadas, como em liquidações de queimas de estoque. E as nossas almas já não cabem mais nem em meras bacias, se as colocarmos à venda
Baldes e baldes, infelizmente de água fria. Potes e potes - não são mais só copos - de mágoas. Está tudo vindo com um furor tal que é assustador. Tudo agora é superlativo, do bom ao pior, e em todo o mundo. Eu não tinha nascido ainda se houve época semelhante. Não me venham com as primaveras dos anos 60, que eram diferentes, nem com as revoluções culturais. Não é esse o assunto. Meu temor maior é quando movimentações ocorrem, sim, mas sempre a partir de manifestações violentas, sem causa e sem padrão, e o que é pior, sem lideranças identificadas. Apenas mártires. Dá até medo pisar sem querer no pé de alguém.
Nada mais basta nesse mundo em que o céu já passou dos limites e o infinito parece mesmo ser a única medida. Tudo é grande, enorme, complexo, interligado. Lembro quando falávamos das prisões como barris de pólvora. Hoje o mundo inteiro é o próprio barril com o pavio queimando, e o óleo se espalha, inflamável. Uma empresa abre o bico e grasna menos AAAs e os mercados se abalam de uma forma muito parecida aos maiores desastres naturais. Milhão não é mais uma grande coisa, e tratamos de bilhões e trilhões, como se até já os tivéssemos visto. 140 caracteres de uma mídia social ultrapassam tratados sociológicos enciclopédicos e descartáveis. Cliques podem ser mais perigosos do que pistolas. Invasões de terrenos em nuvens virtuais, piores do que pragas de gafanhoto.
Tudo é ágil, em desenvolvimento. Estáticos só os nossos políticos, dirigentes e líderes em seus lengalengas completamente desconectados da realidade, que teimam em manter de Norte a Sul. De um lado, o estonteante ritmo das coisas; de outro, a paradeira de nossas boquiabertas expressões ao ver, entre outras cenas, turbas de jovens que, de repente, quase do nada, saem às ruas, quebrando tudo, matando, saqueando e levando na mão grande o que sempre ouviram dizer que era muito bom para consumirem. Então, eles resolvem um dia provar.
Não há ficção que não tenha previsto isso, embora sem tantos detalhes, e sempre lembro de filmes de fuga, de Los Angeles, de Nova York, todos com Kurt Russell, que mostravam as metrópoles destroçadas por maltrapilhos violentos emergindo das trevas, de becos. Está igual, conforme sinistramente previsto bem antes pelo cinema justamente para esta década. Ou pior, se espiarmos de perto, onde eles estão vivendo e se criando, com seus piolhos, sarnas e cachimbos de crack; ou moldados em pensamentos de raça única, ou raça boa, como lá pelos outros cantos.
Ainda não obtivemos, por outro lado, as láureas do progresso, que viriam, por exemplo, com grandes descobertas de cura para doenças terríveis e devastadoras. Não resolvemos o problema da fome, que se agrava, e que pode juntar-se à falta de água. Ainda não sabemos o que é a liberdade verdadeira, porque esta sempre tem seus verdadeiros detalhes censurados.
Entendem-se as revoltas. Revoltamos-nos quando queremos algo e por mais que lutemos não conseguimos alcançar. Muitas delas são revoltas íntimas. Como a que senti, por exemplo, ao saber que um cara tão gente boa e tão belo como o Giannecchini não só pode ficar doente, como fica, e de forma tão grave, humano e mortal como todos, lembrando que somos meros. Apenas meros.
Ficamos revoltados quando jovens morrem e matam de um lado ou outro por causa de copos a mais de exagero de outros tão iguais a eles, iguais a nós. Nos revoltamos quando vemos as caras de pau dos que nos roubam de manhã, de tarde e de noite, e depois ainda vêm esfregar nas nossas caras a riqueza que deveria ser de todos.
Mas em geral nos revoltamos calados, em nossos cantos, cansados de todos esses excessos, de tudo estar tão rápido. Tão grande e tão incontrolável.
Só não fazemos revoluções. Senão elas também viriam em baciadas. E, como ocorreu em Londres, enfim sairíamos todos às ruas usando vassouras em vez de armas. E baldes, como capacetes.
São Paulo, meninos e meninas maluquinhos, 2011
Marli Gonçalves é jornalista. Uma profissão que tem de lidar muito com as tais baciadas. E cansada de ouvir falar em faxinas superficiais.
domingo, 14 de agosto de 2011
Pai, será que hoje você vai me escutar?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Reginaldo de Souza Silva
Nossa conversa começou no ano 1960, mas eu não consegui falar muita coisa...
Hoje retomo minhas idéias e minhas lembranças para contar-lhe muitas coisas que permanecem no meu coração. Peço que me perdoe se eu não conseguir com estas palavras expressar tudo que vivi e senti.
Sei que muitos que vivem no “norte”, como dizem os paulistas ao se referirem aqueles oriundos da região nordeste do país, sofrem dia após dia pela falta da água, da terra, do alimento e, hoje, pela falta de segurança e garantia de educação de qualidade para todos.
Sei que o senhor, lá de Pernambuco, encontrando minha mãe lá na Paraíba, devem ter tentado juntos, por algum tempo, conquistar a felicidade. Sei que não foi fácil para mamãe sair de sua terra querida, dos laços da família, da roça sem qualquer luxo, mas cheia de amor.
Lembro da minha infância na cidade grande, maravilhosa, onde muitos acreditavam que, ali, os sonhos seriam realizados. Foi lá que nossa família tentou sobreviver: Você com a sua oficina e mamãe como empregada doméstica. Para ela, mulher e analfabeta, era isto que sobrava para quem chegava em São Paulo tentando sobreviver. E trabalhou dia e noite, semanas após semanas, feriados após feriados e festas – lá estava ela pensando o que fazer para o patrão. Lá também era onde conseguia tirar o dinheiro para ajudar em nossa sobrevivência.
Gostaria Pai de lembrar-lhe que nunca o esqueci, o tempo não deixou a marca de sua fisionomia, mas meu coração nunca o abandonou. Como toda criança, a presença do pai, na oração e no beijo na hora de dormir, os exemplos, o primeiro dia de aula, o jogo de bola, as caídas da bicicleta emprestada, as broncas vindas da escola, as privações, humilhações, as dificuldades por não entender a lição e as brigas. Sei que você andou muito ocupado e não deve ter tido muito tempo.
Mas eu esperava: esperava sua atenção, esperava sua proteção, esperava o seu retorno...
Hoje, Dia dos Pais, a lembrança mais viva que tenho do Senhor é daquele dia que fiquei 8 horas na frente de sua oficina para vê-lo. Lembro do dinheiro que deu para mim e para o meu irmão e do presente que comprei para mamãe, não era muito. Sabe, um Pai é essencial na vida de seus filhos. Quando perguntávamos, mamãe se esquivava de falar sobre o senhor. Os longos anos com meu irmão no colégio interno arrumado pela patroa da mamãe, a minha irmã, que o senhor nem chegou a conhecer, longe de nós.
Naquele tempo existia o Código de Menores e as crianças pobres eram chamadas de abandonadas e podiam ser internadas nas instituições – diziam que era para protegê-los. Nossa família foi toda separada, longe uns dos outros por mais de dez anos, porque o senhor foi o primeiro a partir. A sua ausência se agigantou em todos nós e nos dividiu. Eu e meu irmão vivíamos em um colégio com mais cem crianças, quase todos nunca viram o Pai.
Aos 12 anos de idade mamãe foi ao Juizado de Menores pedir autorização para eu poder trabalhar, e como trabalhei! Sabe, nem sempre as pessoas são boas, respeitam e cuidam com carinho dos chamados “menores” quando esses estão trabalhando. Há muita violência, Pai. Hoje tem o ECA/90, um instrumento para a defesa da criança e do adolescente, mas naquela época era muito duro, era muito trabalho para gente tão pequena. Hoje como pai eu luto para que nenhuma criança precise trabalhar neste rico país.
Pai, será que hoje a vida seria diferente?
Procurei sempre saber o que significa a palavra Pai. Alguém, não me lembro quem, me disse um dia que eu tinha o maior Pai de todos que é Deus. E eu passei a acreditar nisso. Hoje milhares de adolescentes privados de liberdade por todo o Brasil não vão poder abraçar o se pai, contam com os socioeducadores e Deus.
Como toda criança eu gostaria, também, de ter tido um grande pai a quem pudesse dizer, olhos nos olhos, abraçando-o e beijando-o: _Pai, você é uma pessoa amigável que me ajuda a vencer os medos e tristezas. Você tem cuidado de mim porque quer que eu fique bem. Pai, Eu Te Amo Tanto...
Esse pai não foi o senhor e sim a mamãe, mulher pequena, de compleição frágil, mas de espírito de aço, como todas as mulheres nordestinas.
Pai, eu só pude vê-lo um dia, rapidamente, após 8 horas de espera na porta de sua oficina. O senhor nunca mais nos procurou, nunca quis saber como estávamos e mamãe partiu para descansar com o Senhor nosso Deus, o eterno Pai.
Assim, neste dia, gostaria com estas palavras desejar a todos os PAIS um feliz dia e que possam continuar a fazer a diferença na vida de seus filhos, protegendo, ajudando-os a construir os seus sonhos, a se levantarem dos tropeços da vida.
Quando pequenos, nosso Pai é o nosso Herói, é a nossa proteção, o anjo provedor e construtor do nosso amor, de nossa alimentação, de nossas virtudes, fazendo-as crescer e florescer.
E a você que hoje tem a oportunidade de parabenizar o seu PAI, abrace-o, beije-o, respeite-o, cuide dele, pois você, com certeza, nunca saberá o que é não ter um PAI. A TODO(A)S FELIZ DIA DOS PAIS.
Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva - Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente – NECA/UESB. Email: necauesb@yahoo.com.br
Por Reginaldo de Souza Silva
Nossa conversa começou no ano 1960, mas eu não consegui falar muita coisa...
Hoje retomo minhas idéias e minhas lembranças para contar-lhe muitas coisas que permanecem no meu coração. Peço que me perdoe se eu não conseguir com estas palavras expressar tudo que vivi e senti.
Sei que muitos que vivem no “norte”, como dizem os paulistas ao se referirem aqueles oriundos da região nordeste do país, sofrem dia após dia pela falta da água, da terra, do alimento e, hoje, pela falta de segurança e garantia de educação de qualidade para todos.
Sei que o senhor, lá de Pernambuco, encontrando minha mãe lá na Paraíba, devem ter tentado juntos, por algum tempo, conquistar a felicidade. Sei que não foi fácil para mamãe sair de sua terra querida, dos laços da família, da roça sem qualquer luxo, mas cheia de amor.
Lembro da minha infância na cidade grande, maravilhosa, onde muitos acreditavam que, ali, os sonhos seriam realizados. Foi lá que nossa família tentou sobreviver: Você com a sua oficina e mamãe como empregada doméstica. Para ela, mulher e analfabeta, era isto que sobrava para quem chegava em São Paulo tentando sobreviver. E trabalhou dia e noite, semanas após semanas, feriados após feriados e festas – lá estava ela pensando o que fazer para o patrão. Lá também era onde conseguia tirar o dinheiro para ajudar em nossa sobrevivência.
Gostaria Pai de lembrar-lhe que nunca o esqueci, o tempo não deixou a marca de sua fisionomia, mas meu coração nunca o abandonou. Como toda criança, a presença do pai, na oração e no beijo na hora de dormir, os exemplos, o primeiro dia de aula, o jogo de bola, as caídas da bicicleta emprestada, as broncas vindas da escola, as privações, humilhações, as dificuldades por não entender a lição e as brigas. Sei que você andou muito ocupado e não deve ter tido muito tempo.
Mas eu esperava: esperava sua atenção, esperava sua proteção, esperava o seu retorno...
Hoje, Dia dos Pais, a lembrança mais viva que tenho do Senhor é daquele dia que fiquei 8 horas na frente de sua oficina para vê-lo. Lembro do dinheiro que deu para mim e para o meu irmão e do presente que comprei para mamãe, não era muito. Sabe, um Pai é essencial na vida de seus filhos. Quando perguntávamos, mamãe se esquivava de falar sobre o senhor. Os longos anos com meu irmão no colégio interno arrumado pela patroa da mamãe, a minha irmã, que o senhor nem chegou a conhecer, longe de nós.
Naquele tempo existia o Código de Menores e as crianças pobres eram chamadas de abandonadas e podiam ser internadas nas instituições – diziam que era para protegê-los. Nossa família foi toda separada, longe uns dos outros por mais de dez anos, porque o senhor foi o primeiro a partir. A sua ausência se agigantou em todos nós e nos dividiu. Eu e meu irmão vivíamos em um colégio com mais cem crianças, quase todos nunca viram o Pai.
Aos 12 anos de idade mamãe foi ao Juizado de Menores pedir autorização para eu poder trabalhar, e como trabalhei! Sabe, nem sempre as pessoas são boas, respeitam e cuidam com carinho dos chamados “menores” quando esses estão trabalhando. Há muita violência, Pai. Hoje tem o ECA/90, um instrumento para a defesa da criança e do adolescente, mas naquela época era muito duro, era muito trabalho para gente tão pequena. Hoje como pai eu luto para que nenhuma criança precise trabalhar neste rico país.
Pai, será que hoje a vida seria diferente?
Procurei sempre saber o que significa a palavra Pai. Alguém, não me lembro quem, me disse um dia que eu tinha o maior Pai de todos que é Deus. E eu passei a acreditar nisso. Hoje milhares de adolescentes privados de liberdade por todo o Brasil não vão poder abraçar o se pai, contam com os socioeducadores e Deus.
Como toda criança eu gostaria, também, de ter tido um grande pai a quem pudesse dizer, olhos nos olhos, abraçando-o e beijando-o: _Pai, você é uma pessoa amigável que me ajuda a vencer os medos e tristezas. Você tem cuidado de mim porque quer que eu fique bem. Pai, Eu Te Amo Tanto...
Esse pai não foi o senhor e sim a mamãe, mulher pequena, de compleição frágil, mas de espírito de aço, como todas as mulheres nordestinas.
Pai, eu só pude vê-lo um dia, rapidamente, após 8 horas de espera na porta de sua oficina. O senhor nunca mais nos procurou, nunca quis saber como estávamos e mamãe partiu para descansar com o Senhor nosso Deus, o eterno Pai.
Assim, neste dia, gostaria com estas palavras desejar a todos os PAIS um feliz dia e que possam continuar a fazer a diferença na vida de seus filhos, protegendo, ajudando-os a construir os seus sonhos, a se levantarem dos tropeços da vida.
Quando pequenos, nosso Pai é o nosso Herói, é a nossa proteção, o anjo provedor e construtor do nosso amor, de nossa alimentação, de nossas virtudes, fazendo-as crescer e florescer.
E a você que hoje tem a oportunidade de parabenizar o seu PAI, abrace-o, beije-o, respeite-o, cuide dele, pois você, com certeza, nunca saberá o que é não ter um PAI. A TODO(A)S FELIZ DIA DOS PAIS.
Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva - Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente – NECA/UESB. Email: necauesb@yahoo.com.br
sábado, 13 de agosto de 2011
De debate nacional a fenômeno internacional
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jean-Paul Nerrière e David Hon
A publicação em francês de “Don't Speak English, Parlez Globish”, em 2004, foi destinada apenas para discutir a respeito de um tema linguístico, mas ao invés disso, provocou um movimento mundial. A Academia Francesa estava resistindo ao fluxo de palavras em inglês introduzidas na essência da língua francesa pura. O livro argumentava que uma segunda língua, para uso em toda a Europa e pelo resto do mundo, poderia de fato proteger as qualidades culturais e históricas do idioma francês e, mais, eles poderiam coexistir!
Além disso, o inglês seria a escolha natural para o aprendizado de uma segunda língua. Mas que tipo de inglês? Em que nível esse idioma poderia ser mais útil? Observou-se que, quando a linguagem era usada por uma maioria de falantes não-nativos do inglês, fazia mais sucesso do que quando com os falantes nativos. Com isso, passou-se a supor que existe um conjunto de limitações comuns entre os não-nativos, que lhes assegura mais conforto e compatibilidade quando falam entre si. Determinado e codificado aquilo que se percebeu como o grupo de restrições, passou-se a chamar o dialeto de Globish – Global English - para que não fosse confundido com a definição geral de inglês.
“Parlez Globish” fez sucesso entre os leitores franceses e já se encontra em sua terceira edição. No entanto, pessoas em toda a Europa começaram a protestar contra o seu argumento e os protestos não eram da Academia Francesa. Eram provenientes de dois tipos de personagens: em primeiro lugar, os esperantistas, adeptos do esperanto, os quais acreditavam que apenas uma língua artificial podia libertá-los do "imperialismo cultural". Esses indivíduos ainda escrevem para reclamar, toda vez que o Globish é mencionado em algum fórum público - e, estranhamente, o fazem em inglês.
Em segundo lugar, as queixas vêm das tradicionais escolas de inglês e dos profissionais da English School Language. Seus lamentos vão desde "Você não pode fazer nada com apenas 1.500 palavras!" até "Por que não chamá-lo de simplesmente de inglês?". Na verdade, os comentários sempre são originados onde há algum interesse sobre alguma uma fonte permanente de renda, daqueles têm a intenção de atingir as fileiras da elite, ou ambos.
O temor amplamente expresso, de que nada poderia ser feito com um "inglês incompleto" com apenas 1.500 palavras, aguçou o debate. Para o nativo médio entender a premissa do Globish tem que compará-lo ao aprendizado de espanhol: enquanto um falante natural de língua inglesa não pode se fazer entender claramente pelos nascido naquele idioma, o mesmo indivíduo consegue falar espanhol com os índios Quechua nos Andes, com russos e com outros estrangeiros, cujo comando da língua é feito com uma empatia de suas limitações comuns.
Foi então que surgiu a ideia de se redigir um livro inteiro em Globish, usando apenas as 1.500 palavras em inglês e alguns poucos termos técnicos permitidos no idioma. Partimos da proposição que o "Globish correto é o inglês correto" e não deficiente como defendiam seus opositores.
Assim, em 2009, publicamos o primeiro livro sobre Globish, escrito inteiramente em Globish. Nosso objetivo é encontrar um equilíbrio entre os contendores. Os falantes nativos de inglês podem lê-lo sem hesitação ou queixa, mas os não-nativos, que têm apenas o nível Globish podem entendê-lo também. O livro foi chamado “Globish para o Mundo”***.
Robert McCrum, editor literário do London Observer, lançou um livro no ano seguinte (2010) que intitulou “Globish: como o inglês tornou-se uma língua mundial”. A obra foi redigida em inglês convencional e explica, de um modo mais geral, sobre o fenômeno da história do inglês, uma linguagem que evoluiu e tornou-se amplamente utilizada, devido ao colonialismo no século 19. Fala também sobre o apogeu americano durante o século 20. Ele cita nosso livro, que mais especificamente define a linguagem limitada de Globish: "I must congratulate you on Globish The World Over. It's a pioneering text of great importance, full of enthralling insights for native and non-native users of English alike." ("Felicito-os por ‘Globish para o Mundo’. É um texto pioneiro, de grande importância, cheio de sacadas cativantes para usuários nativos e, da mesma forma, para não nativos do inglês."
Na verdade, a mensagem de “Globish para o Mundo” é sobre a definição de valor do novo dialeto. O Globish não é destinado, de fato, aos falantes originais do inglês, mas para aqueles de outras culturas, que se sentem frustrados pela aparente necessidade de falar inglês, com toda a sua variedade e com um vocabulário enorme. É claro que você pode aprender apenas "o suficiente" e se dar bem na língua, especialmente com outros falantes não-nativos, independentemente da sua cultura.
Desde o primeiro livro, a palavra Globish se generalizou como o “inglês descomplicado", principalmente na Internet, mas publicação atual tornou-se mais incisiva, como uma obra demonstração. É que decidimos responder às dúvidas do mercado literário, traduzindo “Globish para o Mundo”, lado a lado, para beneficiar todos os leitores de outras culturas.
“Globish The World Over” foi publicado em 14 idiomas diferentes, durante o ano passado e, em 2011, vendeu mais de 60 mil exemplares, no Japão, nos primeiros quatro meses de seu lançamento. Agora, congratulamo-nos com a sua tradução em português no Brasil e Portugal.
Jean-Paul Nerrière é mestre em Engenharia Mecânica pela École Centrale de Paris. Na Academia Naval Francesa acrescentou habilidades em Contabilidade, Direito e Administração. Seus trabalhos no exterior lhe forneceram inúmeras oportunidades para viajar ao redor do mundo e, em consequência, questionar as peculiaridades da comunicação global. Essa experiência levou-o a estabelecer, a partir de 1989, o conceito Globish. De lá para cá, já escreveu seis livros sobre o assunto, em quatro idiomas diferentes.
David Hon possui mestrado em Inglês e, atualmente, é presidente da Ixion Inc., uma empresa de desenvolvimento de projetos multimídia e especializada em sistemas de simulação. Na juventude foi fuzileiro naval no Vietnã, e dedicou-se ao ensino da língua inglesa na Ásia e na América do Sul. Conquistou o certificado TESOL - Teachers of English to Speakers of Other Languages pelo website móvel “Business English” (bizeng.mobi), voltado para profissionais de negócios globais, por meio de celulares.
“Globish para o Mundo” foi editado no Brasil pelo selo Bazar Editorial da Edipro (www.edipro.com.br). E-mail: linkglobish@linkportal.com.br
Por Jean-Paul Nerrière e David Hon
A publicação em francês de “Don't Speak English, Parlez Globish”, em 2004, foi destinada apenas para discutir a respeito de um tema linguístico, mas ao invés disso, provocou um movimento mundial. A Academia Francesa estava resistindo ao fluxo de palavras em inglês introduzidas na essência da língua francesa pura. O livro argumentava que uma segunda língua, para uso em toda a Europa e pelo resto do mundo, poderia de fato proteger as qualidades culturais e históricas do idioma francês e, mais, eles poderiam coexistir!
Além disso, o inglês seria a escolha natural para o aprendizado de uma segunda língua. Mas que tipo de inglês? Em que nível esse idioma poderia ser mais útil? Observou-se que, quando a linguagem era usada por uma maioria de falantes não-nativos do inglês, fazia mais sucesso do que quando com os falantes nativos. Com isso, passou-se a supor que existe um conjunto de limitações comuns entre os não-nativos, que lhes assegura mais conforto e compatibilidade quando falam entre si. Determinado e codificado aquilo que se percebeu como o grupo de restrições, passou-se a chamar o dialeto de Globish – Global English - para que não fosse confundido com a definição geral de inglês.
“Parlez Globish” fez sucesso entre os leitores franceses e já se encontra em sua terceira edição. No entanto, pessoas em toda a Europa começaram a protestar contra o seu argumento e os protestos não eram da Academia Francesa. Eram provenientes de dois tipos de personagens: em primeiro lugar, os esperantistas, adeptos do esperanto, os quais acreditavam que apenas uma língua artificial podia libertá-los do "imperialismo cultural". Esses indivíduos ainda escrevem para reclamar, toda vez que o Globish é mencionado em algum fórum público - e, estranhamente, o fazem em inglês.
Em segundo lugar, as queixas vêm das tradicionais escolas de inglês e dos profissionais da English School Language. Seus lamentos vão desde "Você não pode fazer nada com apenas 1.500 palavras!" até "Por que não chamá-lo de simplesmente de inglês?". Na verdade, os comentários sempre são originados onde há algum interesse sobre alguma uma fonte permanente de renda, daqueles têm a intenção de atingir as fileiras da elite, ou ambos.
O temor amplamente expresso, de que nada poderia ser feito com um "inglês incompleto" com apenas 1.500 palavras, aguçou o debate. Para o nativo médio entender a premissa do Globish tem que compará-lo ao aprendizado de espanhol: enquanto um falante natural de língua inglesa não pode se fazer entender claramente pelos nascido naquele idioma, o mesmo indivíduo consegue falar espanhol com os índios Quechua nos Andes, com russos e com outros estrangeiros, cujo comando da língua é feito com uma empatia de suas limitações comuns.
Foi então que surgiu a ideia de se redigir um livro inteiro em Globish, usando apenas as 1.500 palavras em inglês e alguns poucos termos técnicos permitidos no idioma. Partimos da proposição que o "Globish correto é o inglês correto" e não deficiente como defendiam seus opositores.
Assim, em 2009, publicamos o primeiro livro sobre Globish, escrito inteiramente em Globish. Nosso objetivo é encontrar um equilíbrio entre os contendores. Os falantes nativos de inglês podem lê-lo sem hesitação ou queixa, mas os não-nativos, que têm apenas o nível Globish podem entendê-lo também. O livro foi chamado “Globish para o Mundo”***.
Robert McCrum, editor literário do London Observer, lançou um livro no ano seguinte (2010) que intitulou “Globish: como o inglês tornou-se uma língua mundial”. A obra foi redigida em inglês convencional e explica, de um modo mais geral, sobre o fenômeno da história do inglês, uma linguagem que evoluiu e tornou-se amplamente utilizada, devido ao colonialismo no século 19. Fala também sobre o apogeu americano durante o século 20. Ele cita nosso livro, que mais especificamente define a linguagem limitada de Globish: "I must congratulate you on Globish The World Over. It's a pioneering text of great importance, full of enthralling insights for native and non-native users of English alike." ("Felicito-os por ‘Globish para o Mundo’. É um texto pioneiro, de grande importância, cheio de sacadas cativantes para usuários nativos e, da mesma forma, para não nativos do inglês."
Na verdade, a mensagem de “Globish para o Mundo” é sobre a definição de valor do novo dialeto. O Globish não é destinado, de fato, aos falantes originais do inglês, mas para aqueles de outras culturas, que se sentem frustrados pela aparente necessidade de falar inglês, com toda a sua variedade e com um vocabulário enorme. É claro que você pode aprender apenas "o suficiente" e se dar bem na língua, especialmente com outros falantes não-nativos, independentemente da sua cultura.
Desde o primeiro livro, a palavra Globish se generalizou como o “inglês descomplicado", principalmente na Internet, mas publicação atual tornou-se mais incisiva, como uma obra demonstração. É que decidimos responder às dúvidas do mercado literário, traduzindo “Globish para o Mundo”, lado a lado, para beneficiar todos os leitores de outras culturas.
“Globish The World Over” foi publicado em 14 idiomas diferentes, durante o ano passado e, em 2011, vendeu mais de 60 mil exemplares, no Japão, nos primeiros quatro meses de seu lançamento. Agora, congratulamo-nos com a sua tradução em português no Brasil e Portugal.
Jean-Paul Nerrière é mestre em Engenharia Mecânica pela École Centrale de Paris. Na Academia Naval Francesa acrescentou habilidades em Contabilidade, Direito e Administração. Seus trabalhos no exterior lhe forneceram inúmeras oportunidades para viajar ao redor do mundo e, em consequência, questionar as peculiaridades da comunicação global. Essa experiência levou-o a estabelecer, a partir de 1989, o conceito Globish. De lá para cá, já escreveu seis livros sobre o assunto, em quatro idiomas diferentes.
David Hon possui mestrado em Inglês e, atualmente, é presidente da Ixion Inc., uma empresa de desenvolvimento de projetos multimídia e especializada em sistemas de simulação. Na juventude foi fuzileiro naval no Vietnã, e dedicou-se ao ensino da língua inglesa na Ásia e na América do Sul. Conquistou o certificado TESOL - Teachers of English to Speakers of Other Languages pelo website móvel “Business English” (bizeng.mobi), voltado para profissionais de negócios globais, por meio de celulares.
“Globish para o Mundo” foi editado no Brasil pelo selo Bazar Editorial da Edipro (www.edipro.com.br). E-mail: linkglobish@linkportal.com.br
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
A vida não vivida
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Ao reclamar de uma dor no joelho o jogador não se lembra de quantas alegrias o mesmo já proporcionou ao permitir suas peladas de fim de semana, que se ajoelhasse durante suas orações agradecendo a vida e os bens recebidos, que caminhasse pela areia da praia, corresse ao encontro de um abraço e milhares de caminhadas.
Encarando as dificuldades dessa maneira seria possível perceber que raramente temos um verdadeiro motivo para reclamações, qualquer que seja sua natureza. As possibilidades apresentadas durante a vida são infinitas e só a própria pessoa pode decidir viver ou não aquele momento.
As escolhas das atitudes como arriscar, correr, lutar, fazer amigos, unir ou separar bens e pessoas, são incontáveis e exclusivas de cada um. Ninguém precisa ou é obrigado a fazer praticamente nada, mas fazendo ou não, sempre arcará com as consequências de sua opção.
Os que não praticam nenhum tipo de atividade física não sentirão as mesmas dores no joelho de um atleta, mas jamais terão a mesma desenvoltura física. Aqueles que não arriscam certamente possuem menos riscos de perder que o jogador e os que não correm diminuem suas possibilidades de acidente.
Correr riscos desnecessários nunca deveria ser a opção de uma pessoa, mas é preciso considerar que deixando de exercer diversas atividades por conta de suas chances de no futuro sentir dor, cair, se machucar ou qualquer outra preocupação, teremos uma vida coberta de privações, não vivida em sua plenitude.
Sempre estaremos sujeitos a um acidente, imprevisto, inesperado, mas a vida seria muito chata sem essas possibilidades. Avião, para quedas, para pentes, surf, skate e motocicleta são maravilhosos para muitos e aterrorizantes para outros, mas é exatamente essa a maravilha do ser humano, o poder de escolha.
É triste ver uma pessoa que passou pela vida sem experimentar algumas dessas coisas que teve vontade, ou apenas curiosidade, simplesmente por ser arriscado. Os riscos fazem parte de praticamente tudo em nossa vida. Cada ação, por mais simples e em qualquer área que seja realizada, provocará uma reação. Nem sequer caminharíamos, se tivéssemos medo de tropeçar e cair.
No lado sentimental, muitas pessoas se reprimem até de fazer um carinho público no amado, na esposa, por medo da reação de outros, deixando assim de amar, de demonstrar seu afeto para com quem realmente interessa na sua vida, enquanto as mais confiantes exprimem melhor seus sentimentos quando sorriem, abraçam, beijam e trocam carinhos com seus entes queridos, independentemente do que pensam aqueles que os criticam exatamente por sentirem falta desses atos.
Aquele que teve um amigo, filho, namorada ou esposa, que por algum motivo já não faz parte de sua vida, não deveria ficar triste, mas alegre pelos momentos agradáveis que passaram juntos, os carinhos trocados, sorrisos e passeios maravilhosos que realizaram.
Na realidade esse tipo de sofrimento nem é pela perda, afastamento, mas pelo que foi planejado, sonhado para terem realizado juntos e jamais ocorrerá. Isso é mais um motivo para pensarmos na demonstração de afeto, carinho que, por estarem em lugar público, muitas pessoas deixaram de realizar com medo do que diriam os reprimidos de plantão.
Não se pode passar pela vida sem vivê-la, pelo medo de sentir dor, correr riscos, se aventurar, sentir e demonstrar sentimentos, se nenhuma dor pode ser maior que a dor pelo que não vivemos.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Ao reclamar de uma dor no joelho o jogador não se lembra de quantas alegrias o mesmo já proporcionou ao permitir suas peladas de fim de semana, que se ajoelhasse durante suas orações agradecendo a vida e os bens recebidos, que caminhasse pela areia da praia, corresse ao encontro de um abraço e milhares de caminhadas.
Encarando as dificuldades dessa maneira seria possível perceber que raramente temos um verdadeiro motivo para reclamações, qualquer que seja sua natureza. As possibilidades apresentadas durante a vida são infinitas e só a própria pessoa pode decidir viver ou não aquele momento.
As escolhas das atitudes como arriscar, correr, lutar, fazer amigos, unir ou separar bens e pessoas, são incontáveis e exclusivas de cada um. Ninguém precisa ou é obrigado a fazer praticamente nada, mas fazendo ou não, sempre arcará com as consequências de sua opção.
Os que não praticam nenhum tipo de atividade física não sentirão as mesmas dores no joelho de um atleta, mas jamais terão a mesma desenvoltura física. Aqueles que não arriscam certamente possuem menos riscos de perder que o jogador e os que não correm diminuem suas possibilidades de acidente.
Correr riscos desnecessários nunca deveria ser a opção de uma pessoa, mas é preciso considerar que deixando de exercer diversas atividades por conta de suas chances de no futuro sentir dor, cair, se machucar ou qualquer outra preocupação, teremos uma vida coberta de privações, não vivida em sua plenitude.
Sempre estaremos sujeitos a um acidente, imprevisto, inesperado, mas a vida seria muito chata sem essas possibilidades. Avião, para quedas, para pentes, surf, skate e motocicleta são maravilhosos para muitos e aterrorizantes para outros, mas é exatamente essa a maravilha do ser humano, o poder de escolha.
É triste ver uma pessoa que passou pela vida sem experimentar algumas dessas coisas que teve vontade, ou apenas curiosidade, simplesmente por ser arriscado. Os riscos fazem parte de praticamente tudo em nossa vida. Cada ação, por mais simples e em qualquer área que seja realizada, provocará uma reação. Nem sequer caminharíamos, se tivéssemos medo de tropeçar e cair.
No lado sentimental, muitas pessoas se reprimem até de fazer um carinho público no amado, na esposa, por medo da reação de outros, deixando assim de amar, de demonstrar seu afeto para com quem realmente interessa na sua vida, enquanto as mais confiantes exprimem melhor seus sentimentos quando sorriem, abraçam, beijam e trocam carinhos com seus entes queridos, independentemente do que pensam aqueles que os criticam exatamente por sentirem falta desses atos.
Aquele que teve um amigo, filho, namorada ou esposa, que por algum motivo já não faz parte de sua vida, não deveria ficar triste, mas alegre pelos momentos agradáveis que passaram juntos, os carinhos trocados, sorrisos e passeios maravilhosos que realizaram.
Na realidade esse tipo de sofrimento nem é pela perda, afastamento, mas pelo que foi planejado, sonhado para terem realizado juntos e jamais ocorrerá. Isso é mais um motivo para pensarmos na demonstração de afeto, carinho que, por estarem em lugar público, muitas pessoas deixaram de realizar com medo do que diriam os reprimidos de plantão.
Não se pode passar pela vida sem vivê-la, pelo medo de sentir dor, correr riscos, se aventurar, sentir e demonstrar sentimentos, se nenhuma dor pode ser maior que a dor pelo que não vivemos.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Diagnóstico e prognóstico
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por José Maurício Guimarães
Éramos jovens, ainda cursávamos o ginásio às voltas com palavrinhas controversas. Uma delas era "líder". Todos queríamos liderar a turma. Nutríamos a esperança surrealista de uma tribo só de caciques e pajés, sem índio nenhum. Um professor, Ludwig Hoffman, veio explicar a etimologia: "líder vem de 'leader', palavra que os ingleses entendem por chefe, guia, orientador, comandante, condutor, mentor e regente".
Já naquele tempo andávamos, pensávamos e falávamos com cabeças estrangeiras e um vocabulário importado dos países importantes. Eis que um espertinho interrompeu a lição do professor Hoffman e lembrou, para o horror de todos, que líder em alemão é "führer" e no italiano "il duce". Em face daqueles maus exemplos - o nazista e o fascista - ninguém mais quis liderar a turma e recolhemo-nos às conquistas no universo infinito das namoradas.
Naquele mesmo ano criamos um jornalzinho mensal na classe. Os professores concordaram que ele "circulasse" no quinto horário da última sexta-feira de cada mês. "Circular" era o modo de dizer, pois a tiragem era de UM único exemplar! sendo assim, o "redator" lia o periódico para uma platéia atenta e galhofeira. Foi numa dessas que G.V.S. voltou à vaca fria e contribui com um artigo sobre "o líder". Num intrigante jogo de letras e palavras o vocábulo foi posto de pernas pro ar e virou outra coisa - de trás prá frente LÍDER virou REDIL que significa REBANHO.
Num arroubo inusitado para um menino de 14 anos, G.V.S. descreveu a figura do líder como um prepotente guardador de carneiros, porcos e cabras. Não preciso dizer que a turma prorrompeu em gargalhadas - uns berrando como vacas, outros grunhindo como porcos, sem contar a saraivada de bolinhas de papel descarregada sobre o pobre cidadão Kane encarregado daquele jornal. Na certa a turma ainda não sabia que em língua castelhana se diz "corralón" e no Brasil falava-se de "curral eleitoral" por conta do voto de cabresto.
Felizmente para mim (e infelizmente para possíveis rivais) tenho excelente memória e o hábito compulsivo de anotar e analisar tudo que vejo, escuto ou descubro nas entrelinhas da vida. Aquela jocosidade e o perspicaz anagrama resultante da observação de um colega imberbe permaneceram latejando no meu cérebro: líder=chefe, dirigente, guia; redil= curral, aprisco, arribana. (Guardem estas palavras; se elas não servirem para nada, pelo menos auxiliarão os aficionados em palavras-cruzadas: arribana com 5 letras é redil; condutor com 5 letras é líder ou chefe.)
O professor e escritor Eduardo Zugaib afirma acertadamente que "ser líder não tem nada a ver com ser chefe". A verdade é que na maioria das vezes o líder acaba atrapalhando o chefe. Por exemplo: só um "bobo da corte" é capaz de ver que o rei está nu e ter a coragem de proclamá-lo um peladão inútil. De outro lado, a autoridade de um caudilho mete na cadeia ou nas masmorras do ostracismo os autênticos líderes e os que desmascaram que "há algo de podre no reino da Dinamarca" (Shakespeare, Hamlet: Ato I, Cena IV).
Não sou sociólogo nem cientista político, mas permaneço na atalaia a espreitar o vai e vem dos abutres: acompanho a evolução dos fatos e verifico minuciosamente os bandidos de ontem metamorfoseando-se nos heróis de hoje... e vice-versa. A piada de bom gosto perpetrada anos atrás pelo adolescente G.V.S. serve de pano de fundo para a análise que procuro levar adiante.
Quem se dá ao cuidado de estudar a vida dos sábios, dos santos e dos heróis chega à conclusão que eles foram líderes num sentido mais amplo e diferente daquele tocado de leve pelo pragmatismo dos dias atuais. Dizem-se líderes os supostos principais de qualquer ramo de atividade. Há líderes assim nas empresas e nas religiões. Seus nascedouros são geralmente as fotos onde posam (ou pousam) como papagaio-de-pirata. Sorridentes à direita ou à esquerda conforme a ocasião - e como a ocasião faz o ladrão, num átimo empoleiram-se nos espaços vazios representando esta ou aquela bancada parlamentar.
Quando insatisfeitos, viram líderes da oposição. Depois, atendidas suas ambições, mudam de cor e tornam-se líderes da situação, emplumados líderes de governo, do desgoverno, líderes da direita, do centro e da esquerda. Há líderes prá todo gosto: do meio, de cima, de baixo, de lado e, principalmente, líderes de tocaia grande. Num dia acusam e mordem; noutro dia assopram e viram correligionários. Desculpem-me as maiúsculas, mas a CARACTERÍSTICA ESSENCIAL DE UM LÍDER É A SENSIBILIDADE - OU FEELING - COM QUE ELE CAPTA A VONTADE DO GRUPO FAZENDO-SE CAPAZ DE ENCARNÁ-LA E COLOCÁ-LA EM AÇÃO EFICAZ E EFETIVA.
Ação EFICAZ é a que produz o efeito desejado; EFETIVA é a coisa manifesta por um efeito real e positivo. Neste caso a palavra importada do inglês – feeling – é boa e útil, pois engloba uma ideia de qualidade, de sentido - uma percepção aguçada dos ideais de um grupo e um tato refinado para coordenar grupos isolados numa mesma ação.
É a vontade legítima do grupo que fundamenta a ação do líder. Noutras palavras, é como um biofeedback, uma retroalimentação: 1) o grupo elabora o pensamento político; 2) o líder compreende, capta e coordena as partes dando substância à ideia; 3) o grupo e o líder inserem o planejamento na prática para promover a mudança. Durante esse processo não há chefia nem governo propriamente ditos. O líder poderá vir a ser eleito e governar, mas isto é secundário dentro do processo.
Poderíamos citar uma centena de personalidades que, apesar da força dos regimes totalitários e do peso das máquinas administrativas, captaram a vontade do povo, "encarnaram" seus ideais e organizaram a ação. Não precisaram ser eleitos para isso, nem ocupavam cargos. Quase todos agiram na clandestinidade quando o bem-estar da humanidade esteve ameaçado.
Vivemos uma época carente de líderes. O que ouvimos são monólogos intermináveis revestidos de pompa e circunstância que ofusca ao invés de esclarecer. As complexidades do juridiquês, do economês, do não-sei-mais-o-quês e de outros jargões só engambelam a platéia. As iniciativas populares morrem no nascedouro e a chapa branca (muitas vezes única) substitui a diversidade de cores e o contraditório necessários à saúde do processo democrático.
Mas as novas ideias estão aí, apesar de emudecidas. Estão fervilhando em cada esquina, falta apenas quem possa transformá-las em planos e ações de resultados. Eis porquê um líder não pode começar a revolução por si mesmo, motu proprio. É a inquietação dos grupos sociais, o questionamento constante nos variados segmentos da sociedade e o inconformismo diante dos fatos que despertarão as vozes da autêntica liderança.
Não há nada que um político não possa fazer para piorar a vida do povo e melhorar o seu bolso.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares . É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)
José Maurício Guimarães é Articulista.
Por José Maurício Guimarães
Éramos jovens, ainda cursávamos o ginásio às voltas com palavrinhas controversas. Uma delas era "líder". Todos queríamos liderar a turma. Nutríamos a esperança surrealista de uma tribo só de caciques e pajés, sem índio nenhum. Um professor, Ludwig Hoffman, veio explicar a etimologia: "líder vem de 'leader', palavra que os ingleses entendem por chefe, guia, orientador, comandante, condutor, mentor e regente".
Já naquele tempo andávamos, pensávamos e falávamos com cabeças estrangeiras e um vocabulário importado dos países importantes. Eis que um espertinho interrompeu a lição do professor Hoffman e lembrou, para o horror de todos, que líder em alemão é "führer" e no italiano "il duce". Em face daqueles maus exemplos - o nazista e o fascista - ninguém mais quis liderar a turma e recolhemo-nos às conquistas no universo infinito das namoradas.
Naquele mesmo ano criamos um jornalzinho mensal na classe. Os professores concordaram que ele "circulasse" no quinto horário da última sexta-feira de cada mês. "Circular" era o modo de dizer, pois a tiragem era de UM único exemplar! sendo assim, o "redator" lia o periódico para uma platéia atenta e galhofeira. Foi numa dessas que G.V.S. voltou à vaca fria e contribui com um artigo sobre "o líder". Num intrigante jogo de letras e palavras o vocábulo foi posto de pernas pro ar e virou outra coisa - de trás prá frente LÍDER virou REDIL que significa REBANHO.
Num arroubo inusitado para um menino de 14 anos, G.V.S. descreveu a figura do líder como um prepotente guardador de carneiros, porcos e cabras. Não preciso dizer que a turma prorrompeu em gargalhadas - uns berrando como vacas, outros grunhindo como porcos, sem contar a saraivada de bolinhas de papel descarregada sobre o pobre cidadão Kane encarregado daquele jornal. Na certa a turma ainda não sabia que em língua castelhana se diz "corralón" e no Brasil falava-se de "curral eleitoral" por conta do voto de cabresto.
Felizmente para mim (e infelizmente para possíveis rivais) tenho excelente memória e o hábito compulsivo de anotar e analisar tudo que vejo, escuto ou descubro nas entrelinhas da vida. Aquela jocosidade e o perspicaz anagrama resultante da observação de um colega imberbe permaneceram latejando no meu cérebro: líder=chefe, dirigente, guia; redil= curral, aprisco, arribana. (Guardem estas palavras; se elas não servirem para nada, pelo menos auxiliarão os aficionados em palavras-cruzadas: arribana com 5 letras é redil; condutor com 5 letras é líder ou chefe.)
O professor e escritor Eduardo Zugaib afirma acertadamente que "ser líder não tem nada a ver com ser chefe". A verdade é que na maioria das vezes o líder acaba atrapalhando o chefe. Por exemplo: só um "bobo da corte" é capaz de ver que o rei está nu e ter a coragem de proclamá-lo um peladão inútil. De outro lado, a autoridade de um caudilho mete na cadeia ou nas masmorras do ostracismo os autênticos líderes e os que desmascaram que "há algo de podre no reino da Dinamarca" (Shakespeare, Hamlet: Ato I, Cena IV).
Não sou sociólogo nem cientista político, mas permaneço na atalaia a espreitar o vai e vem dos abutres: acompanho a evolução dos fatos e verifico minuciosamente os bandidos de ontem metamorfoseando-se nos heróis de hoje... e vice-versa. A piada de bom gosto perpetrada anos atrás pelo adolescente G.V.S. serve de pano de fundo para a análise que procuro levar adiante.
Quem se dá ao cuidado de estudar a vida dos sábios, dos santos e dos heróis chega à conclusão que eles foram líderes num sentido mais amplo e diferente daquele tocado de leve pelo pragmatismo dos dias atuais. Dizem-se líderes os supostos principais de qualquer ramo de atividade. Há líderes assim nas empresas e nas religiões. Seus nascedouros são geralmente as fotos onde posam (ou pousam) como papagaio-de-pirata. Sorridentes à direita ou à esquerda conforme a ocasião - e como a ocasião faz o ladrão, num átimo empoleiram-se nos espaços vazios representando esta ou aquela bancada parlamentar.
Quando insatisfeitos, viram líderes da oposição. Depois, atendidas suas ambições, mudam de cor e tornam-se líderes da situação, emplumados líderes de governo, do desgoverno, líderes da direita, do centro e da esquerda. Há líderes prá todo gosto: do meio, de cima, de baixo, de lado e, principalmente, líderes de tocaia grande. Num dia acusam e mordem; noutro dia assopram e viram correligionários. Desculpem-me as maiúsculas, mas a CARACTERÍSTICA ESSENCIAL DE UM LÍDER É A SENSIBILIDADE - OU FEELING - COM QUE ELE CAPTA A VONTADE DO GRUPO FAZENDO-SE CAPAZ DE ENCARNÁ-LA E COLOCÁ-LA EM AÇÃO EFICAZ E EFETIVA.
Ação EFICAZ é a que produz o efeito desejado; EFETIVA é a coisa manifesta por um efeito real e positivo. Neste caso a palavra importada do inglês – feeling – é boa e útil, pois engloba uma ideia de qualidade, de sentido - uma percepção aguçada dos ideais de um grupo e um tato refinado para coordenar grupos isolados numa mesma ação.
É a vontade legítima do grupo que fundamenta a ação do líder. Noutras palavras, é como um biofeedback, uma retroalimentação: 1) o grupo elabora o pensamento político; 2) o líder compreende, capta e coordena as partes dando substância à ideia; 3) o grupo e o líder inserem o planejamento na prática para promover a mudança. Durante esse processo não há chefia nem governo propriamente ditos. O líder poderá vir a ser eleito e governar, mas isto é secundário dentro do processo.
Poderíamos citar uma centena de personalidades que, apesar da força dos regimes totalitários e do peso das máquinas administrativas, captaram a vontade do povo, "encarnaram" seus ideais e organizaram a ação. Não precisaram ser eleitos para isso, nem ocupavam cargos. Quase todos agiram na clandestinidade quando o bem-estar da humanidade esteve ameaçado.
Vivemos uma época carente de líderes. O que ouvimos são monólogos intermináveis revestidos de pompa e circunstância que ofusca ao invés de esclarecer. As complexidades do juridiquês, do economês, do não-sei-mais-o-quês e de outros jargões só engambelam a platéia. As iniciativas populares morrem no nascedouro e a chapa branca (muitas vezes única) substitui a diversidade de cores e o contraditório necessários à saúde do processo democrático.
Mas as novas ideias estão aí, apesar de emudecidas. Estão fervilhando em cada esquina, falta apenas quem possa transformá-las em planos e ações de resultados. Eis porquê um líder não pode começar a revolução por si mesmo, motu proprio. É a inquietação dos grupos sociais, o questionamento constante nos variados segmentos da sociedade e o inconformismo diante dos fatos que despertarão as vozes da autêntica liderança.
Não há nada que um político não possa fazer para piorar a vida do povo e melhorar o seu bolso.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares . É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)
José Maurício Guimarães é Articulista.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Jogos Militares: gastos quase iguais ao PAN?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia
Em 29 de junho de 2011, a Folha de SP informou que o TCU apontou que o custo dos Jogos Militares já havia chagado a 1 bilhão 521 milhões de reais. E que isso era um acréscimo de 29% sobre o orçado, mas que em 2010 já havia ocorrido um ajuste para 1 bilhão e 481 milhões de reais. Só para "gestão e administração" (ou seja, para a burocracia) houve um acréscimo de R$ 123,7 milhões.
Neste domingo - 7 de agosto de 2011 - a coluna do Elio Gaspari na Folha de SP e OG informou que o custo dos Jogos Militares foi de 1 bilhão e 800 milhões de reais.
Vale a pena comparar com o PAN-2007. Com as exigências do COI ao COB em 2004, os equipamentos a serem construídos teriam que ser de dimensão e qualidade olímpicas. Com isso, abandonou-se o orçamento apresentado no México e se elaborou novo orçamento dando dimensão olímpica.
O governo federal só começou a investir de fato no PAN-2007 no segundo semestre de 2006. Para se apropriar do evento, inventou números que nada tinham que ver com o evento, como o novo aeroporto Santos Dumont, que começou no governo anterior. Mas, de qualquer forma, os gastos federais no PAN foram fundamentais. Alcançaram 800 milhões de reais, incluindo a reforma do Maracanãzinho, os equipamentos da Vila Militar, a participação de 70 milhões de reais nos equipamentos da Barra e as festas de abertura e encerramento do PAN.
Os gastos efetivos da Prefeitura do Rio que geraram desembolso efetivo somaram 1 bilhão e 100 milhões de reais. A prestação de contas foi feita na capa do Diário Oficial do Município na semana seguinte ao PAN-2007, e incluíram o Engenhão, a Arena Olímpica, o Parque Aquático e o Velódromo, estes 2 últimos com participação federal. Além disso, todo acesso aos equipamentos na Barra, com duplicação da Avenida Abelardo Bueno, viadutos, entre outros.
O governo do Estado do Rio só aplicou com recursos federais, que estão incluídos naqueles 800 milhões. Nada aplicou com recursos próprios.
Com isso, os Jogos Pan-americanos de 2007 custaram aos cofres públicos 1 bilhão e 900 milhões de reais, valor próximo aos 1 bilhão e 800 milhões de reais dos Jogos Militares, mesmo ajustando pela inflação do período. Esses não precisaram investir um centavo em equipamentos, pois todos estavam construídos.
Vale uma prestação de contas dos Jogos Militares de 2011 para saber como isso pode ter ocorrido e, assim, adotar medidas prudenciais quanto a 2014 e especialmente 2016.
Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.
Por Cesar Maia
Em 29 de junho de 2011, a Folha de SP informou que o TCU apontou que o custo dos Jogos Militares já havia chagado a 1 bilhão 521 milhões de reais. E que isso era um acréscimo de 29% sobre o orçado, mas que em 2010 já havia ocorrido um ajuste para 1 bilhão e 481 milhões de reais. Só para "gestão e administração" (ou seja, para a burocracia) houve um acréscimo de R$ 123,7 milhões.
Neste domingo - 7 de agosto de 2011 - a coluna do Elio Gaspari na Folha de SP e OG informou que o custo dos Jogos Militares foi de 1 bilhão e 800 milhões de reais.
Vale a pena comparar com o PAN-2007. Com as exigências do COI ao COB em 2004, os equipamentos a serem construídos teriam que ser de dimensão e qualidade olímpicas. Com isso, abandonou-se o orçamento apresentado no México e se elaborou novo orçamento dando dimensão olímpica.
O governo federal só começou a investir de fato no PAN-2007 no segundo semestre de 2006. Para se apropriar do evento, inventou números que nada tinham que ver com o evento, como o novo aeroporto Santos Dumont, que começou no governo anterior. Mas, de qualquer forma, os gastos federais no PAN foram fundamentais. Alcançaram 800 milhões de reais, incluindo a reforma do Maracanãzinho, os equipamentos da Vila Militar, a participação de 70 milhões de reais nos equipamentos da Barra e as festas de abertura e encerramento do PAN.
Os gastos efetivos da Prefeitura do Rio que geraram desembolso efetivo somaram 1 bilhão e 100 milhões de reais. A prestação de contas foi feita na capa do Diário Oficial do Município na semana seguinte ao PAN-2007, e incluíram o Engenhão, a Arena Olímpica, o Parque Aquático e o Velódromo, estes 2 últimos com participação federal. Além disso, todo acesso aos equipamentos na Barra, com duplicação da Avenida Abelardo Bueno, viadutos, entre outros.
O governo do Estado do Rio só aplicou com recursos federais, que estão incluídos naqueles 800 milhões. Nada aplicou com recursos próprios.
Com isso, os Jogos Pan-americanos de 2007 custaram aos cofres públicos 1 bilhão e 900 milhões de reais, valor próximo aos 1 bilhão e 800 milhões de reais dos Jogos Militares, mesmo ajustando pela inflação do período. Esses não precisaram investir um centavo em equipamentos, pois todos estavam construídos.
Vale uma prestação de contas dos Jogos Militares de 2011 para saber como isso pode ter ocorrido e, assim, adotar medidas prudenciais quanto a 2014 e especialmente 2016.
Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.
Assinar:
Postagens (Atom)