terça-feira, 31 de maio de 2011

GERAÇÃO X, Y E Z

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jeferson D’Addario

Controle, controle, controle. A necessidade de monitoramento e controle está cada vez mais paranóica. Vivemos isso dentro das empresas e fora delas. Carros de velocidade baixa e antigos não necessitam de tantos controles, já os velozes e modernos precisam até para saber se vão parar na próxima curva. Tanta pro atividade imposta pela tecnologia nos faz quase robôs. Digo quase, porque ainda falta muito para estarmos 100% monitorados e controláveis. Talvez uns 7 anos? Talvez uns 10? O que acham?

Quando penso na tecnologia de 10 anos atrás me lembro de um Pentium ou um Xeon como o TOP de linha e um kit multimídia de 48X como a vedete. Hoje temos multimídia até onde não queremos e Core Due e outros nanotecnoprocessadores cada vez mais imperceptíveis.

Pensando como pai e empresário me deparo com a seguinte situação: até onde os controles são interessantes? E até onde vamos?

Vi uma matéria na TV no final de semana que falava do conflito de gerações que se instaurou nas organizações do Business Y. Empresas como Facebook, Google entre outras. O artigo consegue aproveitar a criatividade e a liberdade “Virtual” que nos foi imposta. Ele tira de um breve suspiro de virtuliberdade atrativos para conseguir uma legião de fãs/clientes.

Estou usando uma linguagem muito Y?

Então vamos tentar na linguagem Z, dos mais velhos, como eu, que vive nos dois mundos. O real, mais sério e cheio de ppts, e o mais Y, cheio de internet e redes sociais, onde estamos nos adaptando a fazer novos negócios e a entender este público introvertidamente extrovertido no mundo virtual.

Ops, mas tem os X, ou seja, os mais velhos que eu e você. Estes estão desbravando sem medo de ser feliz, ou totalmente estagnados. Os Y não tem tempo para perder com eles, pois, são lentos. Já os Z, acham bobagem e até dão conselhos do tipo: “Não clique aqui, não vá ali!” “Cuidado por onde clicas!”

É, parece loucura, mas cada vez mais temos dentro e fora das empresas estes perfis. Assustador?

Eu não acho. Acho que o mundo normal e o virtual estão muito próximos e a comunicação já convergiu. Conectado? Está não é mais a pergunta da moda. A moda agora é integrado. Integrado a este novo código de conduta sociocultural que diminui fronteiras, facilita o comércio e reduz custos.

Mídia, TV, rádio, internet, jornais, revistas, livros e tudo mais já eram! Estamos desenvolvendo uma nova forma de ler, entender e pensar, e apenas com 3 letras que até pouco tempo não significariam nadas uma ao lado da outra. Bem vindo a era XYZ!

Jeferson D’Addario é diretor da Daryus Consultoria Para falar mais sobre o tema, Jeferson D’Addario promove a 2ª edição do GRC Internacional e a 1ª edição do DRIDay, a ser realizada em São Paulo, nos dias 06 e 07 de Junho. No encontro, tomadores de decisão, formadores de opinião e executivos de gestão de risco estarão reunidos para debater como criar e aplicar diretrizes efetivas de governança nos domínios de gestão de risco e continuidade de negócios.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Boa Fé demais

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves

Andar com fé eu vou, mas a fé costuma falhar, sim, quando atingem a sua, diretamente, o que acusamos ao sentir antes de mais nada uma angústia forte e um terrível aperto no coração. Na hora a fé, conceito religioso, pessoal, do caráter, se mistura ao meio jurídico, e de uma forma muito cruel. Porque o problema é que a boa-fé não tem papel; é só a moral que assina, e isso deveria ser reconhecido. Deveria bastar. Mas fé cega, faca amolada.

O sangue corre quente nas veias. Você quase pode sentir o veneno inoculado, circulando por todo ele - o seu corpo - subindo para a cabeça igual se falava antigamente da menstruação, para aterrorizar as meninas sobre o perigo de lavar a cabeça durante o período. O estômago levou um soco, o gosto de fel amarga o apetite e estanca até a emissão das boas palavras e sentimentos. Uma enjoativa sensação de que não vale mais a pena acreditar em nada, em ninguém, que o mal está sempre à espreita. Logo há um tipo de solidão que se instala, e o equilíbrio pode demorar a ser recuperado.

A vida toda é mesmo cruel porque feita justamente desses retalhos, costurados com os momentos bons. Mas só depois você pôde distinguir melhor o que eram apenas nuvens mesmo, sem anjos. Nuvens da sua imaginação e das atitudes desprendidas.

Fé? No amor, sempre acontece assim: você vai e põe fé em pessoas que ama, e elas te deixam a ver navios destroçados, jogados em mar bravio. Já no dia a dia, a gente põe fé nas pessoas com que tratamos olhos nos olhos e quando você não interessa mais, ou a elas só interessa ganhar algum, surgem traiçoeiramente. Evocam leis e contratos que elas mesmas quebraram, ou que apenas podem servir para tentar amparar suas más intenções, na cara dura. Até em família a boa-fé pode fazer quebrar sua cara.

A traição anda com cara lambida, displicente, balançando a bunda, batendo chinelinho, tentando não ser percebida quando ou enquanto te golpeia.

Tem um monte de tipos a tal fé. A coqueteleira do mundo louco mistura de tal forma os conceitos que às vezes nos deixa sem entender bem nenhuma filosofia, seja vã ou utilitária. Fé, para lembrar, é uma opinião firme de que algo é verdadeiro, de forma natural, sem direito a dúvida. Onde uma existe, a outra deveria estar longe. A boa-fé é agir de maneira honrosa, em um contrato oral, em que partes se comprometem com algo, até o fim, mesmo com percalços, sempre analisados em conjunto e em bom tom.

Há a tal fé pública, que parece papel, no fundo inventado porque os homens são desde sempre chegados a traições; costuma ser acompanhada de um carimbo de alguém de fé, mesmo que concursada, que "deu fé!".

Entendeu? Burocracias puras. E em geral burras e inoperantes. Sobe e desce de arquivos.

Juristas de respeito já definiram uma boa-fé, diante de tudo isso: "a virtude de dizer o que acredita e acreditar no que diz". Dessa forma, para eles, na hora do vamos ver deveria ser definido assim: "aquele que se encontra em uma situação real, e imagina estar em uma situação jurídica, age com boa-fé subjetiva". Ou, primeiro, o sentimento. A boa-fé.

Mas a coisa é muito mais complexa. Há o botar fé, expressando o sentimento de confiança, reconhecimento e aceitação. Tomar fé é conhecer, saber. Acredito que pode ser usado em outra forma, variada mas precisa: quando alguém vem para roubar a sua, na mão grande.

Aqui no Brasil, a forma mais conhecida e popular, acho que até mais do que reza, é o "fazer uma fezinha". Na loteria, na buena, na sorte. Nos jogos, loterias, heranças, acertos, ou na má-fé, decerto. Está para nascer Nação igual aqui, onde tanta gente quer mais é ganhar dinheiro fácil, sem trabalho, caído do céu, colhido de árvores, roubado do outro. Ah, leitor amigo! Se você está onde acredito - entre os de boa-fé na vida - sinto muito. Estamos mesmo em extinção.

Paro para refletir sobre tudo o que é relativo à Fé e à Justiça, por mim, no momento às voltas com minha própria incorrigível ingenuidade e boa-fé. Mas também por você, outro brasileiro, que clama por Justiça de tal forma que pode se comprazer essa semana com a prisão - mesmo que atrasada - do velho jornalista assassino; e acabou distraído e não reparou em tantos outros pequenos assassinatos por aí, encontros de pessoas com a morte nas esquinas, dentro de casa, no quarto de um motel. Tudo por causa de um momento de boa-fé que depositaram, abriram "a guarda".

Digo ainda pelos que acreditam que promessas são dívidas e acabam em fila indiana andando atrás de algum pregador. Mas se lá na frente alguém brecou, descobrirá a fragilidade do castelo de cartas que caiu de lá em cima de você. Ou sentiu o tranco, ao contrário, se alguém lá atrás não brecou.

Solução para tantos perrengues, não sei. Mas sei que o que temos de combater, curiosamente também tem fé no nome. A má-fé, um crime, porque é procedimento utilizado só para enganar. Em geral a boa-fé dos outros. Aquela que não costuma ter papel, nem recibo de comprovação.

O problema é que só há uma arma para conseguir isso: a fé. Que costuma falhar, e bem na hora que a gente mais precisa dela.

São Paulo, inferno astral, 2011, e nem estão me dando tempo para pensar nisso

Marli Gonçalves é jornalista. Dedico esse texto às pessoas que mantêm a fé na boa. E à minha amiga e advogada Tania Lis que, com conhecimento, força e jeito guerreiro, confia na boa fé, e desbrava uma forma de demonstrar isso, com alegria e solidariedade tal que recupera a minha

Dívidas acumuladas de início do ano, o que fazer?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Wilson Pires

Todo início de ano surgem obrigações extras como matrículas, uniformes escolares, viagens de final de ano, IPTU, IPVA, parcelamento das compras de Natal entre outras e, algumas pessoas, por falta de planejamento financeiro, acabam deixando de pagá-las. O que fazer agora?

Não devemos ficar adiando uma análise detalhada da situação financeira da família, pois quanto mais demorarmos em saber esta situação, maior ficará o problema com a incidência de juros e multas sobre nossas dívidas. Chegou a hora, então, de colocar no papel tudo aquilo que devemos.

Feito o levantamento, o ideal é procurar, de imediato, uma forma de tomar o recurso emprestado com terceiros, sempre visando à menor taxa de juros. Lembre-se de que as parcelas da dívida devem caber no orçamento familiar e serem pagas no vencimento para que os problemas com atrasos não se repitam.

A seguir, teremos uma relação de possibilidades de obtenção de dinheiro em ordem de preferência:

Empréstimos com parentes ou amigos - Essa costuma ser a forma mais barata de conseguir dinheiro para liquidação de dívidas. Embora o pagamento de juros seja justo, muitos não os cobram ou cobram uma taxa bem abaixo do mercado financeiro, sem contar que não há tarifa de contrato e IOF, entre outros encargos. Deve-se apenas ter o cuidado de pagá-lo pontualmente para não acabar com uma amizade de anos (no caso de amigos) ou balançar uma relação familiar (no caso de parentes).

Empréstimos consignados - Alguns empregados de empresas privadas e, principalmente, o funcionalismo público têm acesso a linhas de crédito com desconto em folha de pagamento, chamado Empréstimo Consignado. Essa linha tem a menor taxa do mercado financeiro por se tratar de um pagamento quase certo, já que o desconto das parcelas do empréstimo será feito diretamente em folha de pagamento. Nessa modalidade o empregador está envolvido, então é preciso ter cuidado para pagar em dia, caso contrário é possível ocorrer até a demissão do funcionário.

Empréstimo pessoal - Na impossibilidade das formas anteriores de empréstimo, a pessoa pode optar por um banco e contratar essa modalidade, onde o correntista assume uma dívida e o banco empresta o valor integral mediante contrato entre as partes. Como há o contrato banco-cliente, as prestações devem ser pagas para não gerar a inclusão do nome junto aos órgãos de proteção ao crédito, conhecida popularmente como “sujar o nome”.

Cheque especial - Trata-se do limite que os bancos disponibilizam em conta corrente. Deve-se evitar esta modalidade porque, embora de fácil contratação (basta retirar o dinheiro do limite via saque ou emissão de cheque), esconde uma das maiores taxas de juros do mercado, contribuindo para um endividamento maior da pessoa. Essa modalidade só é melhor que a seguinte.

Rotativo do cartão de crédito - As pessoas que possuem cartão de crédito têm, automaticamente, um limite a ser utilizado mensalmente. Quando a fatura não for paga integralmente na data do vencimento, incide sobre o saldo a maior taxa do mercado, muitas vezes impossibilitando seu pagamento futuro.

Após a liquidação das dívidas acumuladas no início do ano seguindo as dicas anteriores, deve-se planejar financeiramente o próximo início de ano, fazendo uma reserva mensal de recursos com essa finalidade. Lembre-se que o planejamento financeiro deve fazer parte da rotina de qualquer família, e tem de ser feito pelo menos uma vez por ano.

Wilson Pires é professor do curso de Administração do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana)

domingo, 29 de maio de 2011

A Novilingua Brasilêra

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Arlindo Montenegro

A parte de natureza mais elevada dos seres humanos destaca a perseverança no bem como único caminho viável. E isto se aprende para realizar tudo na vida obedecendo à mecânica comprovada dos movimentos universais, que fundamentam as virtudes, tradicionalmente discutidas nos livros de sabedoria, de filosofias, de religiões e códigos , voltados para os costumes, para a justiça e para o amor como objetivo de todas as relações.

O movimento universal condiciona a natureza à espera de cada ciclo para que cada fenômeno se manifeste. Exemplificando: os códigos idiomáticos foram resumidos depois de longa maturação. Um dos aspectos da destruição sistemática de tudo quanto se construiu durante milênios, por decreto governamental solerte, é a nova orientação do Ministério de Educação, distribuindo milhões de cartilhas de texto escolar, onde a corruptela idiomática dos analfabetos funcionais e ignorantes é elevada à categoria de idioma correto.

Até há pouco, os acadêmicos haviam convencionado que em literatura, pudessem ser utilizadas expressões populares ou palavras erradas, como exemplo fonético de uma linguagem carente da escola e do conhecimento ordenado do idioma. Agora é lei. Vale por exemplo começá a iscrevê êsi textu du mesmu modu qui quarqué peçoa das qui tiveru poca istrução acostuma falá. I aí nium professo vai reprová o aluno so pur iscrevê “Getulho” ou mesmo “Brasiu” ou dizê qui num ta certu iscrevê i falá presidenta.

Bem dizia Confúncio referindo-se aos homens sábios que são seguidos e admirados: “ O que nasce do céu tende para o que está acima; o que nasce da terra tende para o que está abaixo. Cada um segue o que lhe corresponde”. Do que se pode depreender: o Ministério da Cultura está empurrando a educação para baixo, substituindo por decreto a cultura mais elevada.

A busca disciplinada do conhecimento, que distingue os mais esforçados é superada e dispensável por decreto, que elege a ignorância e desprezo ao idioma convencionado para o entendimento entre os brasileiros há mais de meio milênio. E mais além para o entendimento com outros povos que adotam a língua portuguesa. Que Camões não ouça. Que não ouçam os outros que contribuíram com fonemas para este idioma agora atirado ao lixo.

Este é apenas um dos ataques cujo alcance pouca gente entende, mas que engendrado pelos engenheiros sociais, a serviço de revolucionários psicopatas, atinge toda a aprendizagem, toda a estrutura de comunicação de uma nação que está sendo enterrada a cada dia, pisoteada e esmagada – não por botas militares como se convencionou reclamar durante certo tempo – mas por dentes afiados e punhais envenenados. As mentes agora são trituradas desde a escola fundamental, para chegar à escola superior incapazes de entender os textos clássicos.

Vale o que vem nos filmes, vale o que dizem os “mestres” da ideologia coletivista: revolução cultural, pensamento homogêneo e despersonalização a serviço do estado todo poderoso, único patrão e provedor de pensamentos e ações. “Tudo pelo social...ismo!” Nem adianta argumentar com as sangrentas e diabólicas experiências anteriores. Os documentos não chegam ao conhecimento público. Os comunistas não foram julgados pelos crimes mais pavorosos que a história documentou contra a humanidade.

E os que conduzem o Brasil de hoje nas fábricas e nas escolas já foram vitimados pela lavagem cerebral, pela desinformação e pela impossibilidade de acesso à informação que os próprios comunistas franceses tomaram a dianteira de relatar no “Livro Negro do Comunismo”, texto que duvido ser do conhecimento de unzinho só dos nossos professores mal pagos, que se sacrificam nas escolas públicas, para ensinar a meninada que o governo é bonzinho.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

sábado, 28 de maio de 2011

Enem 2011

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Leticia Bechara

As expectativas são muitas, principalmente por conta dos problemas ocorridos nos últimos anos da prova. O Ministério da Educação (MEC) está empenhado para que esse ano todo o processo seja claro, objetivo e transparente – até o Inmetro está contratado para garantir um processo mais eficiente.

Para os alunos, a prova do Enem é uma oportunidade de entrada nas universidades públicas. A Unicamp, por exemplo, sinalizou, no dia 23 de maio, que o aluno poderá utilizar a nota deste exame, desde que a nota possa contribuir no resultado final.

Cada universidade tem um modelo próprio de avaliação, e quem está focado em um único modelo, deve se preparar para esse desafio.

Além disso, o Enem também pode ser um momento de autoavaliação, de reflexão do próprio desempenho ao longo do Ensino Médio.

Sugestão: durante o Ensino Médio, procure participar de vários modelos de avaliação, como as provas da FUVEST, Enem e de faculdades particulares.

Escolher um curso e uma instituição de ensino superior requer paciência e persistência. Este é o primeiro passo em direção ao mercado de trabalho.

Como já vimos, escolher uma profissão é um processo que leva tempo, requer dedicação e conhecimento das carreiras.

Inscreva-se no Enem, participe, proteste caso se sinta prejudicado, seja ativo. Essa é mais uma oportunidade de rever o que realmente é importante para você

Leticia Bechara é coordenadora de Vestibular da Trevisan Escola de Negócios (leticia.bechara@trevisan.edu.br).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Como manipular e destruir a escola pública

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia e professores anônimos

No início de 2009, a nova gestão da educação municipal aplicou uma prova de surpresa, trazida de SP, e completamente descontextualizada nos termos e nos fatos, do dia a dia carioca. O túmulo de Paulo Freire tremeu. A fiscalização externa teve caráter policial, inibindo professores e alunos. Foram apresentados para a imprensa números distorcidos como resultado.

Logo depois, se iniciou um processo de "treinamento" para preparar os alunos, não para conhecer, mas para responder provas. Os testes feitos em 2009 e 2010 mostraram que esse jeitinho não estava dando certo. O número de repetências artificiais foi de tal ordem, que a prefeitura retomou o arcaico sistema de "segunda época" para tentar corrigir o elitismo aplicado. Pior a emenda que o soneto.

Finalmente, agora em 2011, foi distribuída antecipadamente questões, de forma a que se pudesse "treinar" as turmas para responder e aumentar as notas das provas a serem aplicadas. Mesmo assim não deu certo. Se há um consenso na área de educação no mundo todo, é que as provas são apenas um dos elementos de avaliação de capacidade de aprender e do aprendizado.

Mas para conseguir espaços na imprensa e aplausos de alguns desinformados, foi destacado o resultado de uma ou de outra escola, especialmente em áreas mais pobres. Por exemplo: um Ciep localizado no bairro de Santa Cruz, assim como outras escolas, não tiveram todos os seus alunos testados. Naquele caso -e em outros- os melhores 60% dos alunos é que foram submetidos à prova.

Nestes meses, as escolas têm recebido diversas questões que devem ser trabalhadas em sala de aula como exercício e que depois fazem parte das provas. Só muda o número. De tudo isso, estabelece-se uma falsa dinâmica com fins publicitários, legitimam-se pacotes de empresas, institutos e fundações, pasteurizados que, somados, já se aproximam de 1 bilhão de reais e deixa-se claro que o que move este método é a destruição da escola pública e a privatização do ensino público de maior tradição no Brasil.

Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.

A busca pela realização dos sonhos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Desde os tempos mais remotos conhecidos da história o homem busca alternativas para construir um mundo melhor para si, seus filhos e netos.

Analisando qualquer dos meios utilizados para isso, sejam físicos, econômicos, científicos, médicos, emocionais ideológicos ou religiosos, percebemos que a busca do homem é sempre a mesma: uma vida mais feliz.

Fatos históricos como o descobrimento ou a invasão de novos territórios, saques, crimes e até guerras sempre ocorreram por motivos religiosos ou em busca de riquezas e poder.

Os homens acreditavam, e muitos ainda acreditam, que mesmo ocorrendo muitas mortes para se atingir esse objetivo, quando de posse daquele território, daquela riqueza, ou imposta sua religião como a única, teriam um futuro melhor, mais abundante, pacífico e feliz.

Sabendo serem mortais, Imperadores e Faraós mandavam construir seus próprios jazigos com muitos ambientes e salas onde guardavam fortunas, acreditando que em uma provável e desconhecida vida posterior à morte poderiam continuar poderosos com seus tesouros.

O homem também sempre buscou prolongar sua vida, motivo pelo qual recorreu a pagés, curandeiros, magos, bruxos e aos médicos e cientistas atuais, que estão conseguindo realizar grande parte dessa ambição.

Cada vez mais as doenças estão matando menos, e os remédios prorrogando o fim e diminuindo o sofrimento daqueles para quem ainda não se conseguiu a cura.

Cientistas buscam incansavelmente derrotar as doenças e deficiências humanas com novos tratamentos, transplantes de órgãos, de medula óssea ou gerando novas vidas com fertilizações in-vitro, transferência de embriões e mais recentemente com clonagens.

A utilização das novas tecnologias permite retardar o envelhecimento, proporcionam uma melhor qualidade de vida e certamente isso ocorrerá cada vez mais.

Os pais, sabendo dos riscos e dificuldades que a vida imporá a seus filhos, mesmo que inconscientemente, adiam o quanto podem os primeiros vôos solo, sonhando com uma vida perfeita para as 'crianças'.

Nada convence os amantes, simples mortais, da impossibilidade de viver sua paixão eternamente e que o máximo que conseguirão, como dizia o poeta, é "que seja eterno enquanto dure'.

Ideologias políticas e muitos outros sonhos dos jovens tornam-se motivo de desilusão destes e descrédito dos políticos, que deveriam discutir leis e regimes que proporcionassem menor desigualdade e melhor qualidade de vida da população que os elegeu, mas só buscam os próprios interesses.

Em muitos países do oriente médio e da África alguns líderes utilizam falsas afirmações religiosas, distorcendo textos tidos como sagrados por aquelas populações, para com isso submetê-los às suas determinações. Alguns de seus seguidores chegam a se implodir envoltos em bombas, acreditando na promessa de que essa atitude os levará a uma nova vida, nababesca e repleta de mulheres virgens à sua disposição.

O poder e a religião são veículos utilizados para o que durante séculos foi e permanecerá sendo a real, eterna e única busca do homem: a realização de seus sonhos.

João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Funções das embalagens e a polêmica das sacolinhas plásticas

Artigo no Fique Alerta – www.alertatotal.net
Por Palmério Gusmão

Um estudo encomendado pelo Governo Britânico sobre o impacto ambiental de diversos tipos de sacolas de supermercado, envolvendo verificações sobre o ciclo de vida de sacolas de algodão, ecobags, sacos de papel e sacolas plásticas tradicionais, apontou resultados em que a proporção de materia-prima usada na confecção de sacolinhas, em comparativo a outras tantas possibilidades de reutilização oferecidas por elas, tornou-as mais sustentáveis que outros tipos de sacola.

Por representarem menor peso e ainda a menor geração de CO2 frente às outras opções. O plástico consome menos energia que o vidro e o alumínio e emite menos gases responsáveis por mudanças climáticas.

A pesquisa britânica apontou que as ecobags não são usadas, já as sacolinhas são reaproveitadas para lixo e guardar outras coisas em casa, assumindo outras funções após as compras.

Talvez pela maneira como veiculadas informações por meio da imprensa, passe despercebida a importância desta embalagem, não só pela matéria prima atual utilizada, mas por sua pronta resposta no uso, em termos de praticidade, agilidade, flexibilidade e reuso, já que poderia ser confeccionada à base de outras matérias-primas, como veremos a seguir.

Sobre embalagens, os pesquisadores Bowershox e Closs (2001) dizem que as embalagens são classificadas em dois tipos: embalagem para o consumidor, com ênfase em marketing, e embalagem industrial, com ênfase na logística.

Já para Moura & Banzato (2000, p.11), temos: “conjunto de artes, ciências e técnicas utilizadas na preparação das mercadorias, com o objetivo de criar as melhores condições para seu transporte, armazenagem, distribuição, venda e consumo, ou alternativamente, um meio de assegurar a entrega de um produto numa condição razoável ao menor custo global”.

Sabemos o quanto é ágil o uso de uma sacola plástica, passando quase que despercebida esta etapa no acondicionamento de mercadorias no ato de uma compra.
Recentemente algumas regiões adotam procedimentos de proibição da distribuição gratuita ou venda de sacolas plásticas aos consumidores em todos os estabelecimentos comerciais, definindo que os mesmos deverão estimular o uso de sacolas reutilizáveis, confeccionadas com material resistente e que suportem o acondicionamento e transporte de produtos e mercadorias em geral.

A preocupação imediata é aumentar o rigor sobre o uso ou restrição, deixando o cliente a mercê, sem apresentar uma proposta plausível, razoável e viável na fase mais importante da aquisição de um produto, e ainda tentando repassar de maneira direta este custo ao cliente.

Como focar na solução é complicado e temos o problema, simples, tiramos da frente, como estão fazendo, sem apresentar alternativas viáveis na substituição, nem dar importância às ações e desdobramentos na falta do recurso (embalagem).

Pior ainda, ações como esta demonstram que os conceitos logísticos e de consumo sustentáveis ainda não são entendidos enquanto cadeia logística, envolvendo a todos nós, consumidores de qualquer classe social, em qualquer lugar do mundo.

Qual outra embalagem que pela sua forma atenderia todos estes requisitos?

Quanto às alternativas, temos o plástico “verde” de cana e o biodegradável de milho, ambos com custos maiores, e benefícios também. O plástico verde usa a cana-de-açúcar, recurso renovável como matéria-prima com resultados de plástico comum, com desempenho e características do derivado de petróleo, e vantagem ao retirar gás carbônico da atmosfera durante a fabricação. O biodegradável de milho usa matéria-prima renovável que origina um plástico com a propriedade de biodegradação a partir de microorganismos em prazo máximo de 180 dias.

As grandes redes e associações deveriam aproveitar esta boa oportunidade, uma vez que não manifestaram à altura para amenizar pressupostos causados até então pelo uso das sacolinhas, já que têm parte nisso. Não somos nós, somente os supostos culpados, nem os únicos a sofrerem as consequências.

Aqueles que assumirem este custo em nome da sustentabilidade sairão na frente mantendo a embalagem à base de outras matérias-primas com as mesmas funções das atuais, pois o custo seria diluído numa escala muito maior, sem o impacto negativo de repassá-lo diretamente aos clientes no ato da compra.

Ações individuais e não padronizadas não cabem numa cadeia logística cada vez mais competitiva, com enormes demandas e muitas variáveis como as atuais e crescentes tendências. Será preciso entender e pensarmos o macro e coletivo se quisermos realmente salvar o planeta.

Palmério Gusmão, Professor Especialista em Logística Empresarial da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban Brasil). ministra palestras sobre logística, transportes e gestão de pessoas. E-mail: ppalmerio1@hotmail.com Artigo originalmente publicado no Portal Logweb – www.logweb.com.br

Vilões inanimados

Artigo no Fique Alerta – www.alertatotal.net
Por Lívio Giosa

Prestes a se consolidar como sétima maior economia, o Brasil também avança no voluntariado e cidadania empresarial, quesitos tão importantes para a conquista do desenvolvimento quanto o crescimento sustentado do PIB. São muitos e inequívocos os indicadores que apontam esta tendência, dentre eles pesquisa realizada em universo de 8.930 empresas, pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental.

É estimulante observar que 85% das organizações entrevistadas responderam que as ações nesse campo integram sua visão estratégica. Em 82%, o que também é muito positivo, a alta direção envolve-se diretamente com os programas. O estudo demonstra, ainda, que as organizações exercitam seus projetos com foco correto, considerando as cinco principais áreas nas quais estão realizando seus investimentos no âmbito do Terceiro Setor: educação, cultura, esporte, meio ambiente e qualificação profissional. Ou seja, tudo o que o Brasil precisa para resgatar sua persistente dívida social, ter novas gerações mais saudáveis e produtivas e garantir um habitat salubre.

De fato, são desafios que transcendem ao campo governamental e exigem consistente mobilização da sociedade, mesclada com políticas públicas eficazes e multidisciplinares. Em todas as vertentes, contudo, há um item obrigatório dentre todos os que têm merecido a atenção das iniciativas e práticas sustentáveis no universo corporativo: a educação! Sem esta, jamais serão alcançadas as metas para a saúde, a cultura e o meio ambiente, pois conhecimento e consciência são os pressupostos da qualidade da vida em sua mais ampla acepção.

Nesse essencial fundamento civilizatório, contudo, o Brasil ainda está aquém do patamar desejável para um país que almeja ingressar no primeiro mundo. Precisamos encarar o problema com coragem e transparência. Não adianta criar vilões inanimados para disfarçar nossa incapacidade de agir coletivamente em prol da saúde pública e do meio ambiente. Não são os pneus que criam o mosquito Aedes aegypt e disseminam a dengue; não são as garrafas PET e as sacolas de plástico que entopem os bueiros ou, deliberadamente, atiram-se em parques e logradouros.

Ante a inconsciência de uma parcela da população, não se pode apenar toda a sociedade com as conseqüências do mau uso ou com o simples banimento de alguns produtos e itens. Até que se inventem carros e ônibus antigravitacionais ou algo futurístico mais prático, higiênico, reutilizável e seguro para transportar alimentos e compras do que as sacolas plásticas, continuaremos convivendo com estas e os pneus. O mesmo se aplica a outros “algozes” do ambiente, como os computadores, baterias e alumínio, vez ou outra eleitos como inimigo número um do meio ambiente.

A bola da vez parece ser a sacola plástica, cujo uso racional e ambientalmente correto tem sido mote de campanhas orientadoras de entidades representativas do setor. Esse é um caso emblemático relativo à premência da educação, tanto no contexto das políticas públicas, quanto nas ações de sustentabilidade das empresas e consumo responsável pelo cidadão. É exatamente o que preconiza a Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual a conscientização e mobilização da sociedade são aspectos essenciais e merecedores, agora, da nossa mais completa atenção.

Lívio Giosa é coordenador do IRES (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental), vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) e presidente do Centro Nacional de Modernização (Cenam).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Frequência mínima escolar, questão de qualidade

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Adriana de Bortoli Gentil

O debate em torno da frequência mínima do aluno em sala de aula, em nosso país, tem sido polêmica. Nas últimas décadas, tem assumido um aspecto assistencialista em função de medidas governamentais, mas que não deixam de alimentar um debate constante sobre a qualidade da educação nacional. É extremamente importante esse diálogo, já que perseguimos a melhoria da qualidade dos serviços educacionais.

A aprovação pela Comissão de Educação do Senado, no dia 4 de maio, da frequência mínima do aluno em sala de aula - que passará dos atuais 75% para 80% de exigência – vem, de certa forma, ao encontro das metas do novo Plano Nacional de Educação, que se encontra em tramitação no Congresso. Ele determina, em sua meta número 6: oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Observa-se que há uma tentativa gradual de aproximar-se da meta proposta, já que o debate sobre o aumento da frequência na sala de aula caminha paralelamente ao projeto de ampliação da carga horária mínima anual. Atualmente, a carga horária é de 800 horas por ano e, de acordo com o projeto aprovado, passará para 960 horas. Essa proposta de alteração significa, na prática, aumentar a permanência do aluno na escola, que poderá ser revertida em aumento diário do tempo na escola ou expansão dos dias letivos previstos anualmente.

Mesmo sabendo que o Brasil, em comparação com outras nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), possui uma carga horária reduzida, existem divergências entre os especialistas quanto ao tema. Provavelmente, isso é devido à questão estrutural e sistêmica da educação nacional, como infraestrutura, política de financiamento, gestão e valorização dos profissionais da educação, entre outros.

É importante destacar que qualquer proposta de alteração na forma de atendimento da escola deve passar por uma ampla análise da conjuntura escolar, desde a infraestrutura do colégio, o currículo, a gestão, a formação e a qualificação de todos os profissionais da educação que atuam no espaço escolar.

Não podemos tratar da qualidade do ensino somente na perspectiva de aumento do tempo de permanência dos alunos na escola, mas enfrentar antigos dilemas da educação nacional. Muitos especialistas advertem que o tempo de permanência do aluno na escola não necessariamente contribui para o seu aprimoramento, que há necessidade de utilizar esse “novo tempo” de forma criteriosa, definindo diretrizes escolares por meio de um currículo que contemple essa nova realidade e o contexto social de cada comunidade escolar.

As propostas apresentadas pela Comissão de Educação do Senado não são uma novidade: há muitas décadas, especialistas, docentes, órgãos de representação de classe, conselhos municipais de educação e representantes do poder público debatem o assunto. Mas, quem sabe, chegou a hora de nos debruçar sobre essa questão, de relevância para as nossas crianças e jovens, inclusive considerando-se as metas do novo Plano Nacional de Educação a ser aprovado.

Do outro lado da moeda, a ampliação do tempo de permanência do aluno na escola pode denunciar uma preocupação do governo com seu programa de transferência de renda, no que se refere ao excesso de absenteísmo nas escolas. Dados de 2009 demonstram que o estado de São Paulo concentra mais da metade dos municípios do país onde há maior descumprimento da exigência para recebimento do benefício. No Paraná, mais de 13 mil beneficiários podem ter o pagamento do Bolsa Família suspenso pela falta de frequência escolar ou desatualização dos dados cadastrais do programa. Pela exigência do programa, os estudantes com idade entre 6 e 15 anos precisam cumprir o mínimo de 85% da carga horária mensal.

De qualquer forma, os projetos apresentados pela Comissão de Educação do Senado são pertinentes porque abrem espaço para o debate e podem se revelar grandes aliados na tarefa de todos nós: garantir, de forma efetiva, um amplo debate nacional sobre a qualidade da educação nacional.

Adriana de Bortoli Gentil é Mestre em educação, pedagoga, historiadora e Suporte Pedagógico da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva (www.sejaetico.com.br / http://www.souagora.com.br/)

domingo, 22 de maio de 2011

Homens são assim, mulheres são assadas

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves

Nada de planetas. Homens de Marte, mulheres de Vênus, essas coisas. Nem vem também com o simplista Irmão Sol, Irmã Lua. Quero saber é se você viu como os homens podem se estrumbicar gostoso nas mãos de uma mulher.

Tenho um amigo que vive me dizendo que os homens não querem nem saber se a mulher é isso, aquilo, se está gorda, tem celulite, pneuzinho. Homem quer é rodar, mesmo com pneu furado. Toda vez que reclamo de algum defeito que encontro em mim, ele repete. "Quem repara nessas coisas é mulher!" Esta semana ouvi mais uma frase lapidar: "Uai, tem gente que parece que não pode mais ver uma mulher feia na frente, que fica um troço impossível".

Começo a achar que ele tem razão ao ver a foto de Mildred Baena, pivô fora do padrão da separação, depois de 25 anos de casados, de Arnold Schwarzenegger e a bela Maria Shriver. Realmente. O grandalhão bonitão ainda teve um filho, hoje com dez anos, o que parece mostrar que a relação foi continuada; não foi um acidente, e nem ele pode falar que no dia estava bêbado ou sem óculos.

Aí, se pensei assim, parei ainda para pensar qual foi a reação da esposa dele, que é uma Kennedy chiquérrima, e em como deve ter sido essa conversa de fim de relacionamento com o Exterminador. "Não tinha coisa melhor?" - tenho certeza de que ela deve ter perguntado. E depois de bater a porta foi procurar o melhor advogado que podia para tratar da separação, ou melhor, do escalpo que fará.

O que se passa na cabeça dos homens? Eu nunca entendi direito. Mas percebo bem o que se passa na cabeça das mulheres. E às vezes coisa boa não é, ó moços e desavisados que são levados por instintos e cabeças que empinam!(Dependendo do caso). Há mulheres envenenadas. Comeu, morreu. Não é por menos que a abelha é rainha, e a aranha, viúva e negra.

Todas as mulheres têm - de alguma forma - seus mitológicos seres internos, e eles aparecem. Uma hora aparecem. E podem não ser só as fadas, elfos, anjos, femmes fatales Podem ser sereias, com o andar de peixe insinuante fora d`água ; dragões vociferando chamas e brasas; bruxas urdindo venenos e vinganças; ou apenas Amélias - que um dia cansam. Um dia a casa cai. Foi o que o Exterminador do Futuro sentiu na pele esses dias¸ com o pé que levou da esposa depois que veio a público o caso com a ex-empregada baranga. É. Baranga, mas quem se deu bem foi ela. Agora pode contar o caso em prosa e verso, investindo e ganhando mais do que um Palocci, e em menor tempo. Veja bem.

Outro caso desses dias beira o paradoxo do ridículo, do nonsense. Homem mundialmente superpoderoso, peladão, numa suíte chiquérrima de hotel de Nova York se encanta com camareira que vê no quarto quando sai do banho, como conta esta quase fábula moderna. Mais: se encanta e quer pegar. Tenta pegar. Pega. O problema é que desta vez ele tinha encontrado um osso mais duro de roer, e acabou preso e exposto em praça pública. Vai perder as calças. O cargo que tinha - e o que poderia ter - foram afogados. O ganso sofreu um entorse. Moral da história: às vezes é melhor só ter um passarinho nas mãos. Nas próprias mãos.

O problema é que em todas essas histórias as mulheres acabam se queimando junto; inclusive junto das esposas, que viram vítimas, e que acabam obrigadas, muitas, a fazer o papel de solidárias e compreensivas quando os casos vão aos tribunais. E logo começam a surgir as teorias e os dedos apontados para os pivôs. "Ela deve ter provocado", "Agente infiltrada", "Armação".

Até nisso é mais difícil quando se é mulher. Lembra da cara de tacho de Hillary Clinton ao ver o marido, o homem mais poderoso do mundo naquele momento, com o charuto na mão, segurando uma gordinha de vestido azul? Será que os homens pensam que mulheres mais comuns, feias, gordas ou outras coisas, ficarão tão felizes com suas cantadas que costurarão a boca depois? Que ficarão agradecidas pelo fato? Outro dia, um idiota, abominável, imperdoável e inominável, daqui mesmo, chegou até a dizer que as mulheres feias tinham de agradecer por ser estupradas. Deve ser isso. Na velha dominação ainda existente, eles acham que são o supra-sumo da cocada. E acabam se dando mal.

São novos tempos. Tempos em que vemos também as mulheres perdendo suas mais incríveis especialidades, sua naturalidade, mas antes de tudo cuidando perigosamente de alguns de seus interesses, divididos entre o amor e o dinheiro. Aqui não se trata mais de meras idiossincrasias dos sexos, ou discussão das relações nos encontros de casais. Trata só da maldade humana, a parte capaz de vender filha, matar mãe, subir de qualquer jeito. Sem ilusões. E quando as ilusões acabam não há mais limites.

Portanto, senhores, cuidado. Uma chave de pernas pode abrir algumas portas. Inclusive para as feias, bruacas e barangas, como vocês a elas se referem, como se fossem, logo vocês, as coisas mais lindas do mundo, Avis Rara.

Os tempos são modernos. Ninguém mais fica só. Tem internet. Tem agência de encontro de iguais ou parecidos. Mulher não sofre mais tanto assim - compra cachorro, gato, preá. Paga e pega. Pega e paga. E só entra na quebrada quando tem certeza, como diria a Ofélia. De que vai levar alguma vantagem, como diria o Gérson.

Afinal, homens são flautas; e as mulheres, pandeiros e violão.

São Paulo, no mês das casadoiras, 2011

Marli Gonçalves é jornalista. Continua pensando em escrever um livro com o título "Lili, A Amante Ideal". Legislando em causa própria.

sábado, 21 de maio de 2011

A vista da praia

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Uma propaganda de whisky divulgada atualmente, mostra uma frase de seu protagonista, o navegador Amyr Klink, que diz: "Quanto mais mares você atravessa, mais bonita é a vista da praia".

Em meus pensamentos, comecei a velejar como Amyr, por diversas situações da vida, e perceber como é real o que ele sintetiza nessa única frase, pois não me lembro de uma única saída do porto, cujo retorno não foi maravilhoso.

A vida nos apresenta infinitos tipos de partidas, físicas ou mentais, e igual número de retornos, muito mais emocionantes que as partidas. Nossa primeira saída da casa de nossos pais, aquela para dormir na casa de um amiguinho, era muito aguardada, uma aventura e tanto, mas o retorno certamente foi melhor.

Em busca de uma melhor formação, partimos para outras cidades, moramos com amigos, em repúblicas, pensionatos, kitchnetes, ou mesmo em apartamentos alugados ou próprios. Mas nada era igual à casa de nossos pais, para onde voltávamos nas férias. Nossa cama, nossos pais e avós, os irmãos, os amigos e as antigas namoradas, nos proporcionavam sentimentos inigualáveis, muito mais intensos do que a vontade de morar só, de ser dono do próprio tempo.

Mesmo os reencontros virtuais, hoje possíveis pelas redes sociais, são muito gratificantes. Por eles sabemos de amigos que se distanciaram por motivos diversos, moram em cidades, estados e até em países diferentes, concluíram ou não seus estudos, se casaram, tiveram filhos e hoje já são avós.

E mesmo com toda essa distância, muitos desses amigos são agora capazes de postar fotos de nossa infância, juventude, bagunças, das famílias que constituíram, dos casamentos que não tiveram continuidade, dos novos relacionamentos, enfim, de nossas vidas, passadas e atuais.

Essas fotos são capazes de nos proporcionar sentimentos maravilhosos, lembranças, amizade e carinho por pessoas sobre as quais não possuíamos mais nenhuma informação.

As dificuldades ultrapassadas durante a vida, sejam elas físicas ou emocionais também nos proporcionam sentimentos de alegria quando são solucionadas. Problemas que parecem insolúveis acabam sendo resolvidos, de uma ou de outra forma, mais ou menos satisfatória, mas são solucionados, e também nos proporcionam outro tipo de sentimento, o da tranquilidade.

A mesma tranquilidade sentida pelo navegador em alto mar, quando acaba a tempestade que o deixara ansioso, ou quando encontra uma ilha onde poderá se reabastecer de mantimentos e água potável. Ao partir, ele pensava levar os suprimentos suficientes para sua viagem, mas a tempestade enfrentada desviou e aumentou seu curso. Qualquer reabastecimento lhe dará as condições necessárias para continuar sua viagem com maior sentimento de paz, tranquilidade.

Se não houvessem as dificuldades, as tristezas e os afastamentos, não ocorreriam as soluções, as alegrias e os reencontros, que tanto nos alegram, e estimulam a continuar remando, navegando, no mar da vida.

A vida necessita sempre ser reabastecida de sentimentos alegres, que não poderiam existir sem a partida anterior, a ausência, e agora o reencontro, a nova e maravilhosa visão da praia, para aquele que estava no mar.

João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Justiçamento

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Baptista Herkenhoff

O justiçamento é a aplicação de penas ou gravames a alguém, ou a algum grupo, ao arrepio da lei e do Direito.

Justiçamento e Justiça guardam semelhança na estrutura vocabular. Uma primeira interpretação, que se guiasse apenas pela aparência das palavras, poderia conduzir à ideia de que justiçamento e Justiça são conceitos próximos.

Entretanto, se penetrarmos no sentido axiológico desses termos, concluiremos que Justiça e justiçamento fundam-se em princípios antagônicos.

O justiçamento pode ser praticado em plano local (numa cidade), em plano nacional (num país), ou em plano internacional (no mundo).

Comecemos pelo plano local. Um indivíduo comete crime de estupro vitimando várias crianças. Deve ser eliminado, morto? De modo algum. Deve ser julgado, tem direito a julgamento.

Mas terá direito de defesa? Um advogado que aceite a defesa desse criminoso não conspurca suas mãos de lama?

O advogado nunca se suja na sujeira de um delito, por mais bárbaro que este seja, porque o advogado não defende o crime, mas sustenta um princípio fundamental de Justiça: ninguém pode ser julgado ou condenado sem o direito de defender-se. A respeito disso, Rui Barbosa deu uma lição imortal. Indagado por um colega de ofício se devia aceitar a defesa de um militar monarquista que assassinou um líder civil republicano, num caso envolvendo família, o grande Rui disse que sim, pois o ideal republicano proclamava o direito de defesa em favor de todos os cidadãos, e não apenas em favor dos cidadãos republicanos.

Na hipótese que estamos citando, o advogado pode colocar dúvidas que devem ser solucionadas no transcurso do processo: o estuprador foi mesmo aquele indivíduo que está sendo apontado como autor do crime hediondo? Os exames periciais existentes nos autos foram feitos de maneira correta? Não é sabido que, no caso de crimes sumamente graves, a possibilidade de erro no indiciamento do culpado é muito maior? E ainda que se prove a culpa, não há atenuantes? Não há pelo menos uma atenuante? Não foi o próprio estuprador abusado quando criança? Se foi abusado, essa circunstância não reduz a maldade do seu delito?

Se passamos ao plano nacional, as razões que amparam o direito de defesa são as mesmas. Na História do Brasil, que trágicos foram os justiçamentos praticados em períodos de ditadura. Opositores do regime, nessas fases históricas, foram mortos e, em alguns casos, nem direito a sepultura tiveram. Nem de qual crime estavam sendo acusados souberam.

E agora, que dizer do justiçamento em plano internacional? Pode alguém, acusado da prática de nefandos atos de terrorismo, ser considerado o mentor desses atos, sem prova pública e contraditória da culpa? Pode ser morto desarmado e na frente dos familiares? Pode seu corpo ser lançado ao mar? Pode ser justiçado sem dizer quais eram as razões do seu combate?

O justiçamento, seja em plano local, seja em plano nacional, seja em plano internacional, é sempre uma prática abominável, que merece o repúdio, não apenas do jurista, mas de todas as pessoas portadoras de consciência limpa.

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado, professor da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES) e escritor. Autor de Dilemas de um juiz – a aventura obrigatória (GZ Editora, Rio de Janeiro). E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br Homepage: www.jbherkenhoff.com.br

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A oficialização do Lulês?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Thomas Korontai

A recente e nova polêmica, dentre tantas outras, causadas tanto pelo Governo Central quanto pelos que nele orbitam, diz respeito ao idioma pátrio, o português. O MEC – Ministério da Educação (?) e Cultura (??) – que centraliza o conteúdo e a edição dos livros didáticos do País, autorizou a politização dos mesmos ao elogiar o governo anterior e criticar o governo de FHC. Para não ficar nisso, criou outra maior, ao permitir – e justificar - que tais livros fossem entregues aos alunos de todo o País com grosseiros erros de concordância. Parece a institucionalização do “lulês”, pois é fato que o ex-presidente assim se expressa.

O idioma de uma nação é a referência cultura de seu povo. Mesmo que o idioma não seja oficial, mas preponderante, como no caso americano, por exemplo, não se admite sua desestruturação gramatical e ortográfica, mesmo que seu uso cotidiano e coloquial se permita à adoção de gírias, imperfeições gramaticais e regionalismos. É verdade que os idiomas evoluem, são dinâmicos, mas é certo que os filólogos existem para incorporarem nos léxicos o produto dessas alterações, sempre em obediência à estrutura gramatical, mormente com novas palavras e neologismos. Além do mais, existe um Acordo Ortográfico, que vale como tratado internacional - as demais partes foram consultadas?

Ao se impor as alterações propostas e incrivelmente justificadas pelos “professores” responsáveis, o MEC demonstra muito mais do que inapetência administrativa e pedagógica – basta lembrar das lambanças do ENEM. Apresenta-se uma cada vez mais clara propensão de alterar o DNA cultural do Povo Brasileiro.Estas medidas se ajustam aparentemente sincronizadas com outras, facultadas pelo poder centralizado de assim poder proceder, tal como a recém criada Secretaria de Articulação de Sistemas de Ensino (Sase), que será dirigida pelo petista Carlos Augusto Abicalil, ex-deputado federal. A notícia, publicada no Jornal Valor Econômico (http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/427363/mec-quer-politica-de-educacao-mais-articulada-entre-estados-e-municipiosutm_source=newsletter&utm_medium=manha_16052011&utm_campaign=informativo) é preocupante para quem observa movimentos administrativos de "articulação de sistemas" que visam ampliar o controle social. Já estamos quase completamente monitorados pela Receita Federal e Banco Central, agora pode ser a hora de intensificar a doutrinação cultural na base da Educação.

A escola, dessa forma, passará a doutrinar as crianças, reescrevendo a História, destruindo vultos e figuras cujos pensamentos e ações não combinam com o atual modelo de pensamento dos ocupantes do Planalto, e a destruição do idioma pode ser mais um passo nessa direção. A descentralização da pedagogia, do fornecimento de materiais pedagógicos e até da merenda certamente impede que esse tipo de situação ocorra. Mesmo que os regionalismos imperem na Educação e Cultura locais, as referências nacionais como o idioma jamais devem ser alterados.

Thomas Korontai é fundador e líder do Movimento Federalista – http://www.movimentofederalista.org.br/

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ninguém é substituível

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Em um e-mail recebido de uma leitora, havia uma mensagem com o título 'Ninguém é substituível', que me chamou a atenção por ser exatamente o oposto do que sempre ouvimos ou dizemos.

Em uma reunião de diretoria de uma empresa o presidente havia dito, em tom ameaçador, o tradicional -ninguém é insubstituível-, causando pânico em todos os dirigentes presentes, mas um deles se levantou e, pedindo a palavra, perguntou: e Beethoven? Quem o substituiu?

Continuando, aquele diretor disse: As grandes empresas como a nossa sempre falam em descobrir e reter talentos mas no fundo continuam tratando seus profissionais como peças dentro da organização, que quando uma sai, quebra ou falha, é só substituí-la para que toda a engrenagem continue funcionando normalmente, e muitas vezes até melhor, por agora contar com peças novas.

Dando ainda mais exemplos, perguntou quem substituíra Ayrton Senna, Frank Sinatra, Elvis Presley, Gandhi, Santos Dumont, Thomas Edson, Tom Jobim, Picasso, Einstein..., e após uma pausa disse que todos os citados haviam brilhado fazendo o que gostavam e sabiam fazer bem, marcando com isso seu nome na história e, portanto, eram sim insubstituíveis.

Lembrou ainda que ninguém se preocupava, ou mesmo se importava, em saber se Beethoven era surdo, Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico ou Elvis paranóico , mas sim de poder apreciar o resultado de suas obras talentosas, fossem sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis ou melodias inesquecíveis.

"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso. Algumas pessoas me amarão, e outras me odiarão pelo que sou, mas assim é a vida", disse o jovem, sugerindo que todos deveríamos nos acostumar a isso.

Todo esse comentário foi feito para, discordando do presidente da empresa, mostrar a ele que cada um dos presentes podia sim ter seus defeitos, mas também possuía qualidades e que estas eram as que deveriam ser melhor aproveitadas pela empresa.

Hoje, já bem diferente do jovem que pensava tudo saber, reconheço ser uma pessoa com infinitos defeitos, milhares que já descobri e outros milhares que ainda não consigo ver, mas que provavelmente outros enxergam, e algum dia também enxergarei.

A vida vai nos mostrando que sempre poderemos aprender algo mais, que sabemos sempre pouco, e vai nos dando também a humildade necessária para, compreendendo isso, buscarmos um crescimento dentro da engrenagem geral.

Essa engrenagem não se movimenta só, precisa da partida, e depois desse início, cada um vira um pouco e com sua rotação gira o vizinho, que também ajudará na virada de outro e assim por diante. Dessa forma o homem inventou a lâmpada e chegou ao que hoje possuímos, em menos de 150 anos.

Para isso foi necessária a existência de milhares de homens capazes de criar, desde cabos elétricos, automóveis, aviões, poesias, computadores, vacinas, equipamentos médicos de última geração, mas também daqueles responsáveis pela limpeza das fábricas e das salas cirúrgicas, cada um fazendo o que sabia, e o que podia fazer.

Devemos ter consciência de nossas qualidades e importância, nos orgulhar de fazer parte da engrenagem que permite aos criadores criar, para depois usufruirmos dessa criação e com leituras, observações e escritos, divulgá-la para que se alastre e se perpetue.

João Bosco Leal é Produtor Ruralwww.joaoboscoleal.com.br

Cidadania do idoso

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Baptista Herkenhoff

O respeito ao idoso não é um fato natural, nas sociedades capitalistas. Nestas, as pessoas são valorizadas pela capacidade de produzir e consumir. O idoso não “produz”, na visão que as sociedades capitalistas têm do que seja produção. A única “senha” de que dispõe o idoso, para ter o status de “pessoa”, nessas sociedades, é ser “consumidor”.

Estamos måergulhados numa sociedade capitalista. O que fazer então para resguardar um “mínimo ético”, dentro de uma tão desumana forma de organização social?

Creio que a primeira atitude que devemos adotar é a de buscar manter um “nível de consciência” que nos permita discernir com clareza os fatos de cada dia e sobre esses fatos emitir julgamento.

Tenha o idoso, ele próprio, sentimento de auto-estima e valor. A propósito desse tema, como são encorajadores os ensinamentos bíblicos: o Gênesis indica a vida longa como um prêmio concedido por Deus; o Eclesiástico ensina que a experiência acumulada pelo idoso deve ser guia para os jovens; o Livro da Sabedoria sentencia que os cabelos brancos são sinal e virtude dos mais velhos.

Também filósofos e escritores nos ajudam a compreender o significado da Terceira Idade: uma bela velhice é a recompensa de uma bela vida (Pitágoras); saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e uma das partes mais difíceis da grande arte de viver (Amiel); os velhos precisam de afeto, como precisam de sol (Victor Hugo); não respeitar a velhice equivale a demolir de manhã o telhado da casa em que se há de pousar de noite (Karr).

Algumas pessoas encaram a aposentadoria como se esta marcasse o “ponto final” nas atividades produtivas. Nisto fazem coro, inconscientemente, à visão capitalista do que seja produzir.

No caso dos magistrados, o assunto é tão sério que atinge a dimensão existencial.

Mas o fato não ocorre apenas com juízes. Advogados, professores, médicos, comerciantes, bancários, jornalistas, funcionários públicos graduados ou modestos, profissionais em geral experimentam a contraditória angústia da aposentadoria.

Conselhos e sugestões de psicólogos e médicos tentam propor estratégias para que o "rito de passagem" ocorra sem traumas.

De minha parte a aposentadoria como juiz de Direito foi sofrida. Desligava-me de um trabalho a que me dediquei com entusiasmo e vocação.

Continuando, entretanto, a exercer o magistério, pude suportar melhor a perda do cargo de juiz. Hoje sou também um “professor itinerante”. Nesta condição, tenho percorrido o país dando palestras e seminários de Cidadania, Ética e Direito.

O caminho que encontrei resultou do conselho de pessoas amigas. Mas não é o único possível.

Muitas coisas extremamente úteis e emocionalmente gratificantes podemos fazer nesta vida, independente disso de estar aposentado ou não. Cada pessoa procurará a rota da felicidade, de acordo com as circunstâncias.

João Baptista Herkenhoff, 74 anos, é Professor da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES), palestrante e escritor. Autor de Mulheres no banco dos réus – o universo feminino sob o olhar de um juiz. Editora Forense, Rio, 2008. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br Homepage: www.jbherkenhoff.com.br

domingo, 15 de maio de 2011

Já temos capacidade, infra e logística para a Copa do Mundo?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marcos Bueno

Exatamente um ano atrás publiquei o artigo Infra-estrutura, logística e capacidade de organização de uma Copa do Mundo que pode ser acessado no link http://www.fiquealerta.net/2010/05/infra-estrutura-logistica-e-capacidade.html.

Se o caro leitor ler este artigo e compará-lo com as últimas notícias, vai perceber que nada mudou. Ou piorou, pois o tempo passa.

Aeroportos


Para a deficitária estrutura aeroportuária, a saída encontrada foi iniciar um plano de privatização de alguns aeroportos. Apesar de o governo tentar apressar a concessão de aeroportos a fim de acelerar as obras de ampliação dos terminais que receberão turistas estrangeiros na Copa do Mundo de 2014, o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, disse que a privatização dos terminais de Brasília, Guarulhos e Campinas precisam esperar um estudo que ficará pronto só entre 30 e 60 dias. Isto quer dizer que a pouco menos de três anos da abertura da copa ainda estamos discutindo privatização de aeroportos?

A questão é que somente terminais com maior fluxo de passageiros geram lucro. Sob o argumento de que só 10 dos 67 terminais brasileiros são lucrativos, a alternativa prevista pelo governo é a de abertura de capital da Infraero.

Mas a deficiência da estrutura aeroportuária não se limita aos terminais de passageiros. Recentemente o estacionamento do aeroporto de Guarulhos – Cumbica ultrapassou seu limite. Este estacionamento recebe 12 mil carros por dia para suas 3.280 vagas. O deficit nas horas de pico chega a atingir 500 vagas.

Estádios

Em Natal, a Arena das Dunas é o mais atrasado entre todos estádios brasileiros que deverão sediar a Copa do Mundo. A falta de interesse das empresas em formarem parcerias público-privadas (PPP) acabaram adiando a definição do processo licitatório referente às obras dos locais dos jogos do Mundial de 2014. A expectativa é que dois grupos habilitados disputem a concorrência da obra, orçada em R$ 400 milhões.

Em São Paulo, depois de muito imbróglio na definição do Estádio do Corinthians em Itaquera como sede da abertura da Copa, até hoje não se encontra um alicerce sequer como sinal de início das obras. O acordo entre Corinthians, Ministério Público e Prefeitura de São Paulo para viabilizar o início das obras do estádio em Itaquera só foi assinado agora em maio de 2011.

Mas o caso mais intrigante é o do estádio de Pituaçu, em Salvador, Bahia. Fora da Copa do Mundo, o estádio foi reformado pela Secretaria de Esportes da Bahia para atender as necessidades do Esporte Clube Bahia ou de qualquer outro clube baiano que precisar. As obras de ampliação da capacidade de 16000 para os atuais 34000 lugares, incluindo obras de ampliação viária e de estacionamentos custaram a “bagatela” de R$ 22 milhões. É bom deixar claro que não se trata de um mero ajuste no estádio, pois foi feita toda uma obra de reestruturação urbana no entorno, incluindo troca do gramado e reforma dos vestiários. Eu fico imaginando quanto custaria esta obra caso a mesma passasse por um processo licitatório.

Metrô de São Paulo

A malha metroviária paulistana já se encontra em níveis de superlotação superiores ao de Tóquio, colocando-a como uma das mais lotadas do mundo.

O nível considerado aceitável de lotação é de até 6 passageiros para cada m². Já em 2006 a linha vermelha, que serve principalmente a zona leste, superou esse limite, tendo 7,5 passageiros por m². No início deste ano, já eram 9 pessoas por m².

Mas como tudo que está ruim pode piorar (a máxima da Lei de Murphy), este problema não se limita mais a São Paulo. O metrô de Belo Horizonte já circula com a capacidade máxima de 196000 pessoas em média por dia e não há previsão de expansão pela CBTU.

Rede Hoteleira

Um recente artigo do jornalista James Akel, publicado na Folha de São Paulo, apresenta claramente a dificuldade que a cidade terá em sediar os jogos da Copa do Mundo. O jornalista informa que a rede hoteleira paulistana está fortemente estruturada para atender ao seu consistente turismo de negócios, que funciona praticamente 24 horas por dia, 365 dias por ano. A média mínima mensal é de 62% de ocupação da capacidade e a média máxima mensal é de 74%.

Vale lembrar que a cidade de São Paulo possui uma disponibilidade de 41000 leitos, sendo assim a única que atende as recomendações da FIFA como sede de abertura da Copa. Porém, a rede hoteleira deveria expandir-se apenas a fim de atender a uma demanda sazonal e localizada, expansão esta que não se mostra atrativa economicamente para uma rede que já está devidamente estruturada para o turismo de negócios que, como dito anteriormente, já funciona 365 dias por ano.

Por enquanto é só. Se eu tiver que escrever um artigo igual a este em 05/05/2012, tenham certeza de que a tragédia é iminente.

Marcos José Corrêa Bueno, formado em Economia e mestre em Engenharia de Produção e especialista em Logística, é Professor universitário.

sábado, 14 de maio de 2011

Contradições, Resistências e Rock N´Roll

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves

Sou a própria contradição, mas para quem vê e não sabe. Todo mundo tem direito a pelo menos uma contradição nessa vida; jogue pedras e cuspa rãs quem nunca as teve. Claro, elas devem ser moderadas, e, se possível, evolutivas, para melhor, mas não me venham com preconceitos e bobeiras

Mais uma semana ouvindo que o Bin Laden não morreu, que querem ver o corpinho com as barbas de molho, que o coitadinho, velhinho, estava desarmado, meu saco de paciência estoura. Aliás, ele - o meu saco de paciência - anda meio que mais no limite do que os cestos de lixo espalhados pela cidade, transbordantes, enfeites do descaso urbano pendurados em postes.

Não sei se os surtos vêm da água que bebem, mas tem gente sofrendo de crises infantis do tipo São Tomé, que só acreditam vendo, ou acometidos de gugudadá de muxoxo porque a sociedade civil pressiona e avança, acima da cabeça dos coronéis e pistoleiros e pistoleiras em cargos públicos, eleitos ou indicados pelos seus pares. A decisão tomada pela Supremo, por unanimidade, reconhecendo juridicamente a união de pessoas do mesmo sexo, nos dá certo alento. Algumas gotas pingam das torneiras da Razão.

Ninguém vai obrigar ninguém a casar. Até porque inclusive entre os gays há de praxe uma certa alta rotatividade nas relações, que pode até vir a melhorar. Mas se acabar vai perder a graça. Também não precisa ser gay para entender, apoiar, assim como não é exatamente uma questão religiosa.

Contudo, não é porque sou da Paz que rejeito as regras da guerra. Vivemos em conflito, até com nós mesmos! Padres não viram castrados ao serem ordenados. O desejo chega; não manda recado, nem marca hora. É assim que tudo pode ser, um dia, a nossa realidade, por mais distante que esta pudesse parecer. Não diga dessa água não beberei, com ou sem bolinhas. Se não fui acho que devia ter ido - sempre rola.

A propósito, o tema é respeitar. Mudar, fazer, acontecer, decidir - ou não. Os dias passam. E a geminiana aqui se encontra em sua plena piração anual, que acontece de qualquer jeito. A sorte é que ganhei de presente de Deus um espírito mutável.

Depois dos 50, preparem-se as que quiserem ouvir, fica mais, digamos assim, visível a pressão externa por mudanças, a avaliação, uma certa apreensão com os próximos dias, e não é mais só pela espera da menstruação - de quem gostava muito, e que ando até com saudades da rotina, agora inconstante.

Antes que esqueça, inclusive, explodam-se as convenções. É o que acho. Sou, no bom sentido, moleca; nasci moleca e moleca permanecerei de espírito. Sempre vivi a contradição entre a imagem que os outros vêem e julgam - e o que sou exatamente. Sofri, apanhei, perdi e acabo sendo sempre muito prejudicada por isso, o que me faz sempre evitar fazer juízos "visuais". Cansei de ser chamada de maluquinha, meio louquinha, figura, exótica (é, usam muito essa palavra para mim), ou qualquer outro termo apenas idiota ou condescendente que na verdade busca desmerecer-me, mesmo que sem esse claro propósito. Só o velado, o odioso velado.

Escuto. Pisco. Sei. Faço de desentendida para viver. Tento apenas escapar de que não me atrasem ainda mais a vida por isso. Controlar o que posso, mas só posso com o que é declarado, claro. Queria ver é fazerem metade do que faço, da responsabilidade com que encaro as tarefas que me são confiadas, das renúncias que fui e sou obrigada a fazer.

O mundo é dissimulado demais da conta. Pensam que foi fácil chegar até aqui - com vários arranhões, decerto - mas sendo ainda espontânea, otimista e independente? Sem riquezas e posses, sem olhos claros, e de altura pouco mais de metro e meio? Solteira, sem filhos? Para azar e horror dos que gostam de teses imutáveis, sempre fui estudiosa, sempre fui obediente e boa filha (perguntem por aí, se duvidam), boa irmã, boa amiga, solidária como posso. Trabalho, literalmente, e sem parar, desde os 15 anos de idade, quando pretendi, mas nunca consegui, comprar uma motocicleta, mondo cane.

Fui uma das primeiras - ao menos que conheço - a andar de moto, de skate, por aí, e a conviver com garotos sem que isso significasse nada além de amizade. Não havia raça proibida. Nem religião. Nem estado civil, sexo. Tudo isso no meio de uma ditadura. Ou isso ou aquilo. Sempre optei pelos dois, ou três, ou mais quesitos. (...piscadinha marota...)

Sim, quiseram casar comigo, mas me desvencilhei, segura de que só - eu e minhas contradições - seria feliz, porque também sempre achei no caminho gente querendo é me mudar, me prender, tirar o sorriso de minha boca e o brilho dos meus olhos. Alguns conseguiram. Mas fui buscar de volta a tempo. "Atroz contradição a da cólera; nasce do amor e mata o amor". (Simone de Beauvoir).

Aos 8 anos de idade, me joguei na lama por odiar uma roupinha de marinheiro branca e engomada que me obrigaram a usar; a partir daí invento minha própria moda. Quando tem gente vindo, já fui e voltei. Fui e voltei. Voltei e fui, mesmo sem sair do lugar. Nem tão solta como quis, mas sempre com os livres e os livros. Amei e amo muito, inclusive casos que duraram algumas décadas, sem ter o amado, apenas o amante, de todas as cores, credos, carteiras, com cabelo ou não. Apenas algo que me encante.

Sou rock n`roll, mas também sou jazz, e pretendo manter a resistência.Tudo é possível, e aqui no Brasil ainda mais, o lado bom de nossa gente.

Somos nós as contradições vivas, e quem é que sabe disso além de nós mesmos?

São Paulo, astral de 2011, quase virando mais um numerozinho do velocímetro

Marli Gonçalves é jornalista. Usa minissaia e aproveitará bem, até o último instante, tudo o que puder.

terça-feira, 10 de maio de 2011

As razões da delicada bolha brasileira

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Cesar Maia

A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície. Nas últimas duas semanas, o FMI, em relatório sobre a América Latina, e a revista "The Economist" apontaram no mesmo sentido: forma-se uma "bolha" na região capaz de estourar em alguns meses. O Brasil é citado como um dos casos mais delicados.

Lembram que não se pode tratar, simultaneamente, de controlar a inflação e desvalorizar o cambio. A presidenta Dilma Rousseff disse que está dando uma "guerra contra a inflação", expressão que denota insegurança -e mais coisas não ditas. A crise de 2008-09, ao contrário da de 1997-98, não tirou capitais dos países emergentes. Ao contrário: com taxas generosas de juros e estando fora do epicentro dos países desenvolvidos, continuaram a atrair capitais, produzindo uma valorização quase generalizada do câmbio.

Hoje, para cada 10% de crescimento da China, o impacto na América Latina, via commodities, é de uns 4%. Viramos uma periferia da China. Mas as autoridades chinesas falam em reduzir esse ritmo. Sendo assim, o impacto continental seria significativo. E a isso se agrega a crise europeia e a necessidade dos EUA enfrentarem seu déficit fiscal. O paraíso das commodities não será o mesmo. Em mais um tempo, garantem, a taxa de juros nos EUA vai ter que subir, atraindo capitais que migraram para os emergentes.

As razões da "bolha" brasileira estar crescendo na frente das demais (com exceção da Argentina) estão nos próprios dados oficiais divulgados, com parcimônia, para não assustar os investidores. A inflação já sinaliza para mais de 7%. O PIB, neste ano, deve crescer 3,5%. A expansão do crédito embute uma inadimplência potencial crescente. O déficit em conta-corrente vai para US$ 60 bilhões.

A balança comercial da indústria foi de um superávit de US$ 18 bilhões para um déficit de US$ 22 bilhões em cinco anos. O déficit comercial nos derivados do petróleo (um país autossuficiente!) passou de US$ 3 bilhões para US$ 18 bilhões em dez anos. Como dizia Simonsen, "a inflação fere, mas o balanço de pagamentos mata". Ao que tudo indica, o terremoto de 2008-09 entrou com grau 8 nas economias desenvolvidas e vai chegando nas emergentes com graus um pouco menores. E, no Brasil, com mais um efeito: o político. O "desconforto" de 2011 vai levar a base da sociedade a fazer comparações. Injustas, mas que vão afetar a popularidade da presidenta até o final do ano. E não se pode afrouxar em 2011 para 2012, pois a eleição que importa para ela e para eles será em 2014.

Cesar Maia, Economista, foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O exemplo de patriotismo

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal

Com a morte de seus cidadãos em ataques simultâneos e sem nenhuma chance de defesa na maior ação terrorista da história dos Estados Unidos, Osama Bin Laden mostrou ao mundo a vulnerabilidade da segurança daquele país. Foi como se criminosos invadissem uma residência e, na presença dos pais indefesos estuprassem, ou agredissem seus filhos.

Dez anos depois o Presidente Barack Obama informou ao mundo que os norte americanos haviam matado Bin Laden em seu atual refúgio, o Paquistão, país acusado de dar cobertura aos terroristas da rede Al-Qaeda, pagando assim, na mesma moeda, a morte dos americanos em seu território, e milhares de americanos passaram a noite nas ruas comemorando.

Estava confirmada a tradição segundo a qual ao se agredir um único americano todo o país virá em sua defesa, e Bin Laden havia provocado a morte de milhares dentro de seu próprio território. Empunhando bandeiras, lenços, camisas, saias, calças ou qualquer outra peça de roupa com as cores da bandeira as comemorações dos americanos ocorreram em todo o seu território e se espalharam pelo mundo. Onde houvesse um americano, ele vestia algum tecido com as cores de sua bandeira e saia às ruas comemorando a morte do terrorista.

Como violência gera violência, essa morte muito provavelmente provocará retaliação e mais sangue será derramado, mas não é esse o ponto que pretendo aqui discutir. O que me encanta é o patriotismo norte americano, e me entristece a falta de patriotismo de nossa população.

No Brasil poucos são os que, atualmente, conhecem sequer a letra do hino nacional, ou conseguem cantá-lo sem ler a letra. Nas escolas o hino não é ensinado, e as crianças não o cantam. Percorre-se o país de norte e sul e não se encontra uma só bandeira brasileira hasteada. Salvo raras exceções, nem mesmo nos órgãos públicos.

A política externa brasileira do governo Lula priorizou ligações com países dirigidos por companheiros ideológicos, em detrimento dos reais interesses da nação. Permitiu que a Bolívia se apropriasse das refinarias da Petrobrás naquele país, renegociou um contrato vigente entre Brasil e Paraguai, triplicando o custo da energia proveniente de Itaipú, e buscava aumentar o comércio com países que sequer possuem grande população ou poder aquisitivo.

Em busca de um sonho pessoal de conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU, Lula ordenou e o Brasil está construindo aeroportos e hotéis em Cuba, uma rede de distribuição de energia ligando Itaipú a Assunção, no Paraguai, perdoou milhões em dívidas e distribuiu outros milhões em diversos países africanos.

Nesse governo os companheiros ideológicos mais radicais, em ações criminosas e usando como massa de manobra os chamados 'Movimentos Sociais', invadiram e destruíram prédios públicos, propriedades privadas, produtivas, plantações, campos de experiências científicas, a própria Câmara dos Deputados e, além de ninguém haver siso responsabilizado, receberam cada vez mais dinheiro do governo federal.

Pessoas naturais de países onde já não existe uma só floresta natural, vieram ao Brasil protestar contra a construção de Usinas Hidrelétricas e desmatamento, e aqui foram recebidos por ministros e pelo próprio Presidente da República, quando em seus países extraditam estrangeiros que opinam sobre assuntos internos.

Precisamos defender, dentro e fora do país, o que é brasileiro, seja um ser humano ou um bem material. Ensinar nosso hino às crianças, contar sobre Lampião, Tiradentes, Deodoro e tantos outros, nossos bandidos e nossos heróis, nossa verdadeira história, para que a juventude a conheça, e dela se orgulhe.

Com nossos jovens conhecendo somente o comportamento de nossos políticos e a história atual, em poucas décadas os brasileiros terão vergonha de se declarar como tal.

João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Escuta aqui, ô

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves

Vamos tentar falar calma e mansamente. Mas se nos exaltarmos, pedimos desculpas de antemão. Vamos enumerar uns fatos dos últimos dias, em busca de algum ouvido que não seja mouco, e que entenda quão feia está a coisa, o quanto estamos chateados em sermos feitos de cordeiros calados, vistos como uma platéia cativa e silenciosa. Cadê o gerente da Taberna Brasil?

Vamos tomar satisfação, como se dizia antigamente, lembra? Pais sempre iam tomar satisfação quando seus filhos sofriam alguma coisa. Lembro de minha mãe subindo nas tamancas por mim, e de uma vez que ela enfrentou a mãe de uma amiga, que era uma bruxa da sociedade assim tipo Marta. A filha, coitadinha, penava, e a riqueza era o problema. Soube mais tarde que a herdeira destituiu a própria mãe quando alcançou 18 anos e como prometera que faria no tal dia da encrenca.

Estamos mais ou menos assim: enchendo o baldinho até o dia que ele vai transbordar. Um perigo. Quando isso acontecer vai sobrar para tudo quanto é lado, mas seria bom se conseguíssemos nos fazer ouvir antes disso. Seria bom para todo mundo. E não me venham falando em luta de classes, brigas partidárias, tucanos e estrelinhas, nem tentem desmerecer quem aponta. Não é porque é petista que tem de ser chucro; não é porque é tucano que tem que ficar em cima do muro. Não é porque é militar que pode tudo. É preciso apenas ser contemporâneo, suprapartidário, cidadão, ecumênico, patriota, ter amor à vida, querer um futuro mais desenvolvido e respeitável, um mundo melhor. Somos nós essa massa a clamar: CHEGA!

Sabe? Me diga se não estamos com muita vontade de pegar uns caras pelo colarinho e chacoalhar? Chacoalhar muito? Escuta aqui, está pensando que somos o quê? O tal Roberto Requião, por exemplo, que envergonha hoje a palavra senador tanto quanto envergonhou outras vezes a palavra governador, político, paranaense. Apodera-se do gravador de um repórter, ameaça bater nele, e ainda sai se vangloriando por isso. Apaga a fita e ainda canta de galo? Roubo e violação = crime. Censura=crime. Ameaça física=crime. E ele ainda ousou dizer na tribuna, que deveria ser sagrada, que "era provocação" (o garoto perguntava das aposentadorias que ele põe no bolso quando o monstro atacou), que está sendo vítima de bullyingpor parte da imprensa?

Deus que me perdoe - que há anos tive um confronto com ele e sei do que é capaz - mas fico pensando se um cara desses ousasse tocar em algo meu. Caneta, gravador, celular, fone de ouvido, fivela de cabelo ou um grampo enferrujado. As minhas unhas virariam garras de adamantium imediatamente. Ele ia ter que me sacudir do seu pescoço, como se eu fosse um colar de pérolas, tão grudada que eu ia estar nesses ossos. Isso na melhor das hipóteses, de eu me defender começando por cima.

Aí - veja bem que tudo isso nesses últimos dias - o outro, o de bigodes, com seus marimbondos de fogo encarapitados em todos os escalões, vem e diz que não deve ter sido nada, que esse sujeito truculento é um "cavalheiro". Para acabar de cuspir em nossa cara indica um amigo cheio de defeitos para presidir a tal Comissão de Ética. E essa ainda terá entre um de seus membros aquele cavalheiro tão inocente, aquele anjo de candura, tão puro, de ações tão delicadas quando elefantes pisando na relva, Renan Calheiros.

Essas marcas marrons estão no tapete azul do Senado; não dá para passar e não pisar. Do outro lado, onde os tapetes são verdes, entre outros exemplos, há também marcas de sangue, do ódio e do preconceito que tem levado a vida de tantos de nós. Uma "bancada da bala" orgulhosa das relações com os fabricantes de armas. E ali vive também uma antiga erva daninha, o troglodita Jair Bolsonaro. Pensam que ele parou? Andou falando agora que sofre de preconceito heterossexual. Pode? Depois o chamam de enrustido e ele baba. Racismo=crime. Homofobia=crime. Não sei como ele não fez como o outro que mandou a gente se lixar!

E são eleitos e reeleitos, e não há informações e uma investigação clara de exatamente por que o conseguem, como, que métodos, que persuasão, que grupo representam, quem os financia e a quem interessam suas existências vis em locais-chave. Vem ano, sai ano e todos continuam lá. Fichas (es) corridas. E vamos levando até que aconteça algo mais grave, e aí a gente ficará se lamentando, escrevendo históricos, análises, críticas e manchetes.

Tudo tem limite. Fossem só estes os nossos problemas, acho até que poderia ficar chato. Mas, não. As companhias telefônicas, de energia, planos de saúde, seguros e outras nos tratam como escravos, de forma degradante, mantendo-nos amarrados aos pés das suas ricas mesas. Se ficar o bicho come; se correr, o bicho pega. Mas não há nem para onde. O tilintar das moedas só toca com as nossas sendo despendidas, na gasolina que não ia aumentar, nos preços que espicham sem controle, nas promessas que não vão ser cumpridas é nunca.

É a Taberna Brasil na melhor forma. O esculacho total. A ponto de lembrar um filme de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino às vezes, mas sem os gerentes que jogam porta afora pelos fundilhos os que exageram. Na verdade, recordei de uma cena antológica de Um drink no Inferno, onde o porteiro anuncia que ali havia mulheres de todo o tipo, enumerando-as durante minutos pela vagina, suas cores, formas, nomes.

Na Taberna Brasil, sem direção alguma, o porteiro gritaria um sem-número de verdades para nos definir, dizer como estamos nos comportando dentro desse boteco, assistindo paralisados aos shows no palquinho.

E garanto, nenhum desses nomes seria bom ou divertido como os do filme.

São Paulo, 2011, vivendo um campo de bate-bocas políticos inúteis, com tanta coisa para se fazer

Marli Gonçalves é jornalista. Lembro que essa história de Copas, Olimpíadas e aeroportos, trem-bala ainda vai dar pano para muita gente costurar smokings. Que temos um brasileiro preso em condições muito estranhas nos EUA. Que há muito pouco reconstruído das nossas tragédias. Que Delúbio voltar ao PT não fará a menor diferença para nós. E que o casamento já acabou. Inclusive o de certos partidos