Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por José Roberto Castilho Piqueira
Os rios transbordaram, as pedras rolaram pelas encostas, as casas foram soterradas. A imprensa cobre o fato, reportando cenas desesperadoras de sofrimento pessoal, em todas as classes sociais.
De vez em quando, um engenheiro é chamado para um palpite, com tempo limitado e sujeito à argüição daqueles que entendem de tudo: das previsões da astrologia ao acelerador de partículas, com bordões sem profundidade.
Tsunamis, inundações, erupções vulcânicas, nevascas e terremotos são anteriores à espécie humana e, portanto, não podem ser associados a vinganças da natureza ou a manifestações divinas de descontentamento com os habitantes de nosso planeta.
Entretanto, não há como negar que certas ações humanas de transformação ambiental são prejudiciais à manutenção da vida e, tendo em vista os adensamentos populacionais, transformações naturais ou provocadas por nossa espécie produzem catástrofes, desalojando e dizimando quantidades significativas de vegetais e animais.
Esse fato foge à percepção pública, mas vem à tona quando afeta nossos iguais. Principalmente, se ocorre no nosso país, outrora tão orgulhoso por ser livre de tragédias coletivas.
Em meio ao otimismo pelas perspectivas de progresso econômico, somos surpreendidos pela falta de engenharia e pelo elevado nível de investimento necessário para projetos condizentes com a complexidade que as relações humanas passaram a ter no mundo das novas tecnologias.
Temos engenheiros bem formados e aptos a exercerem atividades que vão do projeto à execução e manutenção de obras e equipamentos como belíssimas pontes estaiadas, modernos aviões, sofisticados programas de computadores e complicadas plataformas para exploração de petróleo, mas nossa engenharia ainda engatinha.
O número de engenheiros atuantes é muito baixo, fato que tem sido divulgado e discutido. Apesar disso, vou dar alguns palpites sobre o assunto, começando pela constatação que, nas décadas de 1980 e 1990, o interesse dos jovens pela carreira diminuiu muito.
A principal origem disso está na crença que desenvolver tecnologia é inviável para nosso país. As empresas, pressionadas por planos econômicos e pela pouca visão de seus executivos, preferem soluções prontas, inadequadas à nossa realidade.
O final do século passado, entretanto, presenciou o início de uma mudança silenciosa: estudantes iniciando negócios milionários com aplicações da INTERNET, indústria aeronáutica crescendo, energia e telecomunicações se modernizando, petróleo e gás desenvolvendo novas tecnologias de prospecção, exploração e refino.
Agora todos dizem: faltam engenheiros com boa formação. Há, então, duas questões a serem solucionadas: o nível dos cursos e o interesse dos jovens. Para a primeira, antes das escolas de engenharia, escolas de professores de engenharia, aprimorando a técnica com envolvimento em projetos reais, sem deixar de lado as modernas demandas de Sustentabilidade, em programas de mestrado bem estruturados e objetivos.
A segunda poderia começar com ações no ensino médio, mostrando aos estudantes que, embora os problemas de engenharia usem Física e Matemática, não têm resultados exatos ou soluções únicas, sendo susceptíveis a incertezas de toda espécie, algumas passíveis de avaliação computacional, outras não.
Projetos pressupõem modelos para os sistemas a serem construídos. Esses modelos, às vezes matemáticos, adotam leis físicas aplicáveis às idealizações, desprezando certos fatos que, supostamente, têm pequena influência no funcionamento do conjunto.
Esses pequenos fatos, aliados à nossa ignorância natural, levam-nos a considerar possíveis perturbações aleatórias. Por exemplo, ao projetarmos uma ponte usamos a Mecânica Newtoniana, mas é possível que seja necessário levar em conta um estudo estatístico dos ventos na região onde ela será construída.
Além disso, mesmo um sistema descrito por equações sem termos aleatórios pode apresentar comportamentos imprevisíveis, por conta das suas não linearidades. Isto é, pequenas mudanças nas condições iniciais produzem grandes alterações de comportamento.
Em meio à tragédia, os administradores públicos decidiram montar um sistema de previsão de catástrofes, em nosso país. É sabido que os problemas relativos à meteorologia são governados pelas equações de Navier-Stokes, que são fortemente não lineares e apresentam sensibilidade às condições inicias.
Assim, essa será uma tarefa que exigirá pessoal com boa base de modelagem e de computação. Há competência estabelecida no país para isso, mas o projeto é complexo, leva tempo e exige vultosos recursos.
Comprar pronto demandará o mesmo nível de investimento sem, entretanto, assegurar domínio da técnica, eternizando nossa dependência.
José Roberto Castilho Piqueira é Vice-Diretor da Poli-USP e Diretor Presidente da Sociedade Brasileira de Automática.
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Contratados pelo currículo, demitidos pela atitude
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Eduardo Ferraz
Diversos são os motivos que levam as empresas a demitirem seus funcionários. Uma pesquisa realizada pela Catho, em 2009, com 12.122 profissionais de empresas privadas de todo o Brasil, revelou os principais fatores para a demissão no país. Segundo o levantamento, dentre as cinco primeiras razões, três estão relacionadas à personalidade.
O estudo aponta que, além dos motivos relacionados à incompetência e à falta de resultados, também estão as questões comportamentais, como o mau relacionamento com o grupo, falta de dinamismo e inaptidão para a liderança. Se prestarmos a devida atenção à questão, podemos perceber que o fato tem grande relação com a falta de Inteligência Emocional.
Até o lançamento do livro “Estruturas da Mente”, do psicólogo americano Howard Gardner, em 1983, para a grande maioria das pessoas, a inteligência era atribuída a pessoas com alto QI (Quociente de inteligência). Gardner confrontou este paradigma, mostrando em seus estudos que as pessoas são habilidosas de diferentes formas, e que nem todos aprendem da mesma maneira. Dentre as inteligências múltiplas apresentadas pelo psicólogo, as que tratam da capacidade do indivíduo se relacionar com as pessoas e consigo mesmo, somadas, resultam no QE, ou Inteligência Emocional.
Normalmente, o baixo QI tende a limitar o crescimento profissional, já o baixo QE pode destruir uma carreira, por mais alto que seja seu QI. As pessoas com pouca inteligência emocional têm um autoconhecimento limitado, e esse é o maior problema. Normalmente este indivíduo não tem consciência de seus comportamentos, e tem dificuldade em avaliar o impacto que suas atitudes causam nos demais. Como consequência, costuma ser egocêntrico, lidar mal com o estresse, ter baixa tolerância a frustrações, além das outras questões comportamentais citadas na pesquisa como razões para demissão.
Diferentemente do QI, que muda muito pouco na idade adulta, a Inteligência Emocional pode ser aprimorada. Embora não seja um processo rápido, o primeiro e grande segredo é o autoconhecimento. É preciso que, antes de qualquer coisa, percebamos o efeito que nossos comportamentos estão tendo sobre as pessoas, no ambiente de trabalho, e até mesmo na vida pessoal. Para isso, é essencial que se leve em consideração os feedbacks recebidos, seja de um superior, um subordinado ou de parentes e amigos.
Saber usar os pontos fortes, controlar os pontos limitantes, relevar os pontos fracos e persistir diante de frustrações são elementos que fazem parte das competências de um profissional com alta Inteligência Emocional. É importante ressaltar que isso não é importante somente na vida corporativa. Um alto nível de QE nos permite perceber melhor quem somos, estabelecer relacionamentos mais saudáveis com aqueles que nos rodeiam, e termos atitudes capazes de tornas nossas vidas muito melhores.
Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria In Company, com aplicações práticas de Neurociência. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. www.eduardoferraz.com.br
Por Eduardo Ferraz
Diversos são os motivos que levam as empresas a demitirem seus funcionários. Uma pesquisa realizada pela Catho, em 2009, com 12.122 profissionais de empresas privadas de todo o Brasil, revelou os principais fatores para a demissão no país. Segundo o levantamento, dentre as cinco primeiras razões, três estão relacionadas à personalidade.
O estudo aponta que, além dos motivos relacionados à incompetência e à falta de resultados, também estão as questões comportamentais, como o mau relacionamento com o grupo, falta de dinamismo e inaptidão para a liderança. Se prestarmos a devida atenção à questão, podemos perceber que o fato tem grande relação com a falta de Inteligência Emocional.
Até o lançamento do livro “Estruturas da Mente”, do psicólogo americano Howard Gardner, em 1983, para a grande maioria das pessoas, a inteligência era atribuída a pessoas com alto QI (Quociente de inteligência). Gardner confrontou este paradigma, mostrando em seus estudos que as pessoas são habilidosas de diferentes formas, e que nem todos aprendem da mesma maneira. Dentre as inteligências múltiplas apresentadas pelo psicólogo, as que tratam da capacidade do indivíduo se relacionar com as pessoas e consigo mesmo, somadas, resultam no QE, ou Inteligência Emocional.
Normalmente, o baixo QI tende a limitar o crescimento profissional, já o baixo QE pode destruir uma carreira, por mais alto que seja seu QI. As pessoas com pouca inteligência emocional têm um autoconhecimento limitado, e esse é o maior problema. Normalmente este indivíduo não tem consciência de seus comportamentos, e tem dificuldade em avaliar o impacto que suas atitudes causam nos demais. Como consequência, costuma ser egocêntrico, lidar mal com o estresse, ter baixa tolerância a frustrações, além das outras questões comportamentais citadas na pesquisa como razões para demissão.
Diferentemente do QI, que muda muito pouco na idade adulta, a Inteligência Emocional pode ser aprimorada. Embora não seja um processo rápido, o primeiro e grande segredo é o autoconhecimento. É preciso que, antes de qualquer coisa, percebamos o efeito que nossos comportamentos estão tendo sobre as pessoas, no ambiente de trabalho, e até mesmo na vida pessoal. Para isso, é essencial que se leve em consideração os feedbacks recebidos, seja de um superior, um subordinado ou de parentes e amigos.
Saber usar os pontos fortes, controlar os pontos limitantes, relevar os pontos fracos e persistir diante de frustrações são elementos que fazem parte das competências de um profissional com alta Inteligência Emocional. É importante ressaltar que isso não é importante somente na vida corporativa. Um alto nível de QE nos permite perceber melhor quem somos, estabelecer relacionamentos mais saudáveis com aqueles que nos rodeiam, e termos atitudes capazes de tornas nossas vidas muito melhores.
Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria In Company, com aplicações práticas de Neurociência. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. www.eduardoferraz.com.br
terça-feira, 29 de março de 2011
O envelhecimento
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Sempre procurei entender o motivo pelo qual todos sofremos ao perceber que estamos envelhecendo, que já não somos tão ágeis, que esquecemos de coisas, fatos, ou que já não podemos fazer algo, se isso é inevitável, e que sabemos, desde o nascimento que assim seria.
Quando jovens, passamos por diversas fases, desde os descobrimentos diversos, como os sentimentos e prazeres, e logo já estamos querendo que a idade passe mais rápido, que cheguemos logo aos dezoito anos, para podermos tirar a carteira de habilitação, e termos acesso a novos lugares, como entrar no cinema em filmes censurados.
Em seguida os desejos já são outros, como acabar logo a faculdade, começar a trabalhar, ser independente financeiramente, sair da casa dos pais, e, com isso, pensamos que não iremos mais ter de dar satisfações a ninguém, principalmente àqueles que nos criaram.
Começam os planos de casamento, constituir a própria família, a casa própria e todos os outros comuns nessa fase da vida, quando vem o primeiro filho, e tudo começa a se transformar naquilo que é, literalmente, a vida real, sem sonhos vagos, e passa a ser a de projetos e sonhos mais precisos, de projeções, ambições e futuro.
Provavelmente, no aspecto material, essa é a fase mais produtiva de nossas vidas, pois buscamos incansavelmente a realização de muitas projeções, tanto para nossas vidas, como da de nossos filhos. São as buscas financeiras, de crescimento econômico, aquisições materiais, estabilidade, e, imagina-se, de garantias e segurança futuras.
Na fase da maturidade começamos a entender muitas das razões pelas quais nossos pais e mestres nos diziam algo, que deveríamos ou não realizar, e que, agora, nós é que dizemos a nossos filhos. Percebemos que muitos de nossos sonhos não se realizarão, ou porque eram fantasiosos, ou porque nós, por qualquer motivo, não conseguiremos realizá-lo.
Refazemos as nossas projeções, nossos objetivos, que agora são pautadas em bases mais sólidas, e de maior possibilidade de realização dentro de nossa atual realidade, seja física, econômica ou intelectual. Passamos a aceitar que muitas coisas antes desejadas não se realizarão, mas imaginamos que outras ainda são possíveis de serem alcançadas e traçamos estratégias com esse objetivo.
Penso ser após essa fase, quando se começa realmente a envelhecer, notar limitações físicas e mentais, que o ser humano inicia seu sofrimento pela aproximação do final, que já era esperado, conhecido de longa data, mas de difícil aceitação. Quando, matematicamente notamos que já há bem menos anos a viver do que os já vividos.
Começa a fase do sofrimento pelo inevitável que se aproxima, mas esse sofrimento ocorre não pelo simples final, mas pelo conhecimento, a experiência que alcançamos, e que, com eles, provavelmente teríamos alterado várias decisões e escolhas passadas, e com isso, certamente alcançaríamos com mais facilidade vários objetivos, mas que não há mais tempo para mudanças de rotas, está feito.
Como nunca chegaremos a experimentar certos sonhos e aventuras imaginadas ontem, precisamos viver intensamente o hoje, pois a lembrança do hoje nos aliviará a dor, do que será impossível viver amanhã.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Sempre procurei entender o motivo pelo qual todos sofremos ao perceber que estamos envelhecendo, que já não somos tão ágeis, que esquecemos de coisas, fatos, ou que já não podemos fazer algo, se isso é inevitável, e que sabemos, desde o nascimento que assim seria.
Quando jovens, passamos por diversas fases, desde os descobrimentos diversos, como os sentimentos e prazeres, e logo já estamos querendo que a idade passe mais rápido, que cheguemos logo aos dezoito anos, para podermos tirar a carteira de habilitação, e termos acesso a novos lugares, como entrar no cinema em filmes censurados.
Em seguida os desejos já são outros, como acabar logo a faculdade, começar a trabalhar, ser independente financeiramente, sair da casa dos pais, e, com isso, pensamos que não iremos mais ter de dar satisfações a ninguém, principalmente àqueles que nos criaram.
Começam os planos de casamento, constituir a própria família, a casa própria e todos os outros comuns nessa fase da vida, quando vem o primeiro filho, e tudo começa a se transformar naquilo que é, literalmente, a vida real, sem sonhos vagos, e passa a ser a de projetos e sonhos mais precisos, de projeções, ambições e futuro.
Provavelmente, no aspecto material, essa é a fase mais produtiva de nossas vidas, pois buscamos incansavelmente a realização de muitas projeções, tanto para nossas vidas, como da de nossos filhos. São as buscas financeiras, de crescimento econômico, aquisições materiais, estabilidade, e, imagina-se, de garantias e segurança futuras.
Na fase da maturidade começamos a entender muitas das razões pelas quais nossos pais e mestres nos diziam algo, que deveríamos ou não realizar, e que, agora, nós é que dizemos a nossos filhos. Percebemos que muitos de nossos sonhos não se realizarão, ou porque eram fantasiosos, ou porque nós, por qualquer motivo, não conseguiremos realizá-lo.
Refazemos as nossas projeções, nossos objetivos, que agora são pautadas em bases mais sólidas, e de maior possibilidade de realização dentro de nossa atual realidade, seja física, econômica ou intelectual. Passamos a aceitar que muitas coisas antes desejadas não se realizarão, mas imaginamos que outras ainda são possíveis de serem alcançadas e traçamos estratégias com esse objetivo.
Penso ser após essa fase, quando se começa realmente a envelhecer, notar limitações físicas e mentais, que o ser humano inicia seu sofrimento pela aproximação do final, que já era esperado, conhecido de longa data, mas de difícil aceitação. Quando, matematicamente notamos que já há bem menos anos a viver do que os já vividos.
Começa a fase do sofrimento pelo inevitável que se aproxima, mas esse sofrimento ocorre não pelo simples final, mas pelo conhecimento, a experiência que alcançamos, e que, com eles, provavelmente teríamos alterado várias decisões e escolhas passadas, e com isso, certamente alcançaríamos com mais facilidade vários objetivos, mas que não há mais tempo para mudanças de rotas, está feito.
Como nunca chegaremos a experimentar certos sonhos e aventuras imaginadas ontem, precisamos viver intensamente o hoje, pois a lembrança do hoje nos aliviará a dor, do que será impossível viver amanhã.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
segunda-feira, 28 de março de 2011
Carros, adesivos e muito tempo que perdemos
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
Ficar parada no trânsito de São Paulo me dá às vezes ideias mirabolantes a respeito do mundo, das pessoas, dos temas que escrevo. Olho as pessoas nas naves fechadas de vidros escuros e só consigo pensar nos Jetsons. No trânsito, mas com foguetinhos, pelo ar. Agora, com essa nova ondinha de família feliz, dá para fazer o perfil dos proprietários. E eu viajo na imaginação para passar o tempo engarrafado.
Primeiro foram os adesivos de Nossa Senhora de Fátima, aquele contorno de perfil dela, com o terço nas mãos. A primeira vez que vi foi numa Mercedes da Hebe Camargo há muitos anos, devia ser importado, o carro, com certeza; o adesivo, talvez. Agora há a modalidade "família feliz", que as pessoas compram e colam na lataria traseira. Como tudo ultimamente, moda de ambulante, modinha sino-paraguaia que infesta onde passa, pela quantidade boçal que chega.
Tem de tudo: homem, mulher, bebê, menininho, menininha, cão, gato, papagaio, e, todos, com variações tipo homem executivo, mulher dona-de-casa. Não, ainda não vi homem com chifres, mulher gorda, sogra amordaçada, criancinhas em jaulas. A coisa foi pensada para ser "família". E o que é pior, família feliz. E a polícia, que não deve mesmo ter o que fazer, corre para alertar sobre o perigo. Imagine! Eles dizem que dá informações demais, que vão tentar dopar o cachorro, esgoelar o gato, cortar o saco do papagaio e os meliantes adentrarão as residências.
Claro que, como há para tudo, existe aí um amplo espaço para a gaiatice, humor e imaginação. E claro, para a militância. Casais gays estão se assumindo, então você vê homem com homem, mulher com mulher mais criança, e pensando bem, até agora ainda não vi nenhum mulher solteira, sem filhos ou apenas um ponto de interrogação (acho até que teria comprado se visse).
Não bastasse, essa semana assisti a uns vídeos de uma turma de "guerrilheiros": um grupo de jovens que sai por aí subvertendo a ordem das famílias felizes que deixam o carro parado nas ruas. Eles param e grudam outro homem do lado da mulher, outras mulheres do lado dos homens, misturam tudo. Colam personagens em situações específicas, vamos dizer assim.
Quando era pequena me divertia muito com os bonequinhos de verdade que as pessoas colocavam no painel traseiro: a onça, com oncinhas que piscavam os olhinhos vermelhos de luzinhas e balançavam as cabeças de molas no pescoço, macaquinhos que davam tchau, chinesinhos lado a lado parecendo bonecas russas, as matrioshkas.
Houve ainda a vez dos ímãs de São Cristóvão, quando ainda havia metal nos painéis dos carros, onde eles ficassem grudados, mas que ainda rolam nos restaurantes de estrada, para caminhoneiros. "Não corra, papai!""Vai com Deus. Te espero na volta", "Não corra, não mate, não morra". Os mais sofisticados vinham com um pequeno porta-retratos onde se colocava a foto do rebento.
E se a gente pensar em penduricalho de espelho retrovisor? Os dados gigantes de pelúcia voltaram na onda do hip-hop. Mas sapatinhos de bebês, cruzes, crucifixos, igrejas inteiras, sapos, corujas e patuás de proteção já assolaram o mercado. Na linha decorativa houve ainda a invasão dos bichos grudados com ventosas esborrachadas do lado de dentro dos vidros, um zoológico inteiro, com ampla preferência pelos macacos. Pareciam aqueles insetos que estouram no vidro nas estradas, mas do lado de dentro. Aí alguém resolveu que o mesmo sistema poderia segurar placas balouçantes "Bebê a Bordo" ou mãozinhas dando tchau. Ou ainda escritos em English: "I`m drive crazy", "Here is a boy", "To be or not to be".
Anda difícil mesmo é encontrar os adesivos comuns, tipo Contrate sempre um advogado, estudei no MACK, na USP, na FOP, na %$#@*, andei nas trilhas do Jacu-Pitanga, eu fui, eu vou.
"Já fui assaltado" fez muito sucesso também. Não resolveram o problema, mas ninguém avisa mais. Sei lá, vai ver chamava mais a atenção dos bandidos para o otário. Fora que com a violência nas cidades como anda não dariam mais conta da produção.
Nos anos duros os carros pareciam mais uns manifestos ambulantes. Juro: vou falar por mim. Eu tive "No nukes", contra a energia nuclear, "Pela demarcação das terras indígenas", "Anistia Já", "Apóie a Imprensa independente", "Diretas Já", só entre os que me recordo. Aquilo até rendia certa paquera na rua, ou buzinadas solidárias, o lado que valia a pena. Também rendia - claro - muitos problemas com a polícia. "Não sei se te prendo ou se te leio" - hoje usado para o povo todo riscado com tatuagens, à época valia para... adesivos! Precisava ter coragem para usá-los.
Puxa, vejam só, e desculpem os números, todos na casa do milhão: esta semana ficamos sabendo por dados divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que a frota brasileira teve aumento de 8,4 % só em 2010. Já são 64.817.974 veículos em todo o país. O Estado de São Paulo lidera com 20.537.980, seguido de Minas Gerais, com 7.005.640), Paraná, com 5.160.354, Rio Grande do Sul, 4.808.503, e o Rio de Janeiro, com outros quase quatro milhões e meio. São mais de 37 milhões de carros.
Imagine! Se todos tentassem se comunicar grudando pensamentos ou protestos? Baubau. Cairíam governos, levantes seriam organizados, a ecologia e o meio ambiente triunfariam, solenes, sufocados no meio de tanta fumaça. E todo mundo parado. Nem pra frente. Nem pra trás. Nem pros lados. STOP total, que é o que vai acontecer daqui a pouco.
Claro, há os adesivos religiosos, principalmente cristãos - os poucos que ainda sobrevivem. Nunca vi nenhum ."Mantenha distância: sou filha de Oxum com Iansã", ou o "Caboclo Pena Branca protege este carro. Cuidado".
Ôôôpa! O carro da frente andou. Preciso andar também porque o pentelho de trás já está buzinando. O outro idiota que ficou acelerando parado já passou. A louca do celular, que gesticulava parecendo que ia ter um troço, e o outro que escrevia mensagem por celular, mas continuou teclando, passaram. O que tinha acontecido? Nada, só os tanques, os tais blindados, que um monte de gente faz só para falar que tem grana, estavam parados na fila dupla de um restaurante, sendo manobrados por verdadeiras toupeiras. Ah! Se essas pessoas soubessem o que esses caras fazem com o carro delas ...
Foi só isso que roubou muito do meu tempo, precioso tempo, parada no trânsito.
São Paulo, kms e kms de lentidão todos os dias, 2011, mas aquela carinha feliz.
Marli Gonçalves é jornalista. Tá bom, eu conto. No espelho tenho pendurado um fluorescente homenzinho verde, símbolo do sinal de trânsito alemão de pedestres. E o meu protetor de pneus é demais. Vocês precisam ver. É a Bettie Page, a vedete, em uma pose daquelas. Deve ser bem bom ficar parado atrás de mim.
Por Marli Gonçalves
Ficar parada no trânsito de São Paulo me dá às vezes ideias mirabolantes a respeito do mundo, das pessoas, dos temas que escrevo. Olho as pessoas nas naves fechadas de vidros escuros e só consigo pensar nos Jetsons. No trânsito, mas com foguetinhos, pelo ar. Agora, com essa nova ondinha de família feliz, dá para fazer o perfil dos proprietários. E eu viajo na imaginação para passar o tempo engarrafado.
Primeiro foram os adesivos de Nossa Senhora de Fátima, aquele contorno de perfil dela, com o terço nas mãos. A primeira vez que vi foi numa Mercedes da Hebe Camargo há muitos anos, devia ser importado, o carro, com certeza; o adesivo, talvez. Agora há a modalidade "família feliz", que as pessoas compram e colam na lataria traseira. Como tudo ultimamente, moda de ambulante, modinha sino-paraguaia que infesta onde passa, pela quantidade boçal que chega.
Tem de tudo: homem, mulher, bebê, menininho, menininha, cão, gato, papagaio, e, todos, com variações tipo homem executivo, mulher dona-de-casa. Não, ainda não vi homem com chifres, mulher gorda, sogra amordaçada, criancinhas em jaulas. A coisa foi pensada para ser "família". E o que é pior, família feliz. E a polícia, que não deve mesmo ter o que fazer, corre para alertar sobre o perigo. Imagine! Eles dizem que dá informações demais, que vão tentar dopar o cachorro, esgoelar o gato, cortar o saco do papagaio e os meliantes adentrarão as residências.
Claro que, como há para tudo, existe aí um amplo espaço para a gaiatice, humor e imaginação. E claro, para a militância. Casais gays estão se assumindo, então você vê homem com homem, mulher com mulher mais criança, e pensando bem, até agora ainda não vi nenhum mulher solteira, sem filhos ou apenas um ponto de interrogação (acho até que teria comprado se visse).
Não bastasse, essa semana assisti a uns vídeos de uma turma de "guerrilheiros": um grupo de jovens que sai por aí subvertendo a ordem das famílias felizes que deixam o carro parado nas ruas. Eles param e grudam outro homem do lado da mulher, outras mulheres do lado dos homens, misturam tudo. Colam personagens em situações específicas, vamos dizer assim.
Quando era pequena me divertia muito com os bonequinhos de verdade que as pessoas colocavam no painel traseiro: a onça, com oncinhas que piscavam os olhinhos vermelhos de luzinhas e balançavam as cabeças de molas no pescoço, macaquinhos que davam tchau, chinesinhos lado a lado parecendo bonecas russas, as matrioshkas.
Houve ainda a vez dos ímãs de São Cristóvão, quando ainda havia metal nos painéis dos carros, onde eles ficassem grudados, mas que ainda rolam nos restaurantes de estrada, para caminhoneiros. "Não corra, papai!""Vai com Deus. Te espero na volta", "Não corra, não mate, não morra". Os mais sofisticados vinham com um pequeno porta-retratos onde se colocava a foto do rebento.
E se a gente pensar em penduricalho de espelho retrovisor? Os dados gigantes de pelúcia voltaram na onda do hip-hop. Mas sapatinhos de bebês, cruzes, crucifixos, igrejas inteiras, sapos, corujas e patuás de proteção já assolaram o mercado. Na linha decorativa houve ainda a invasão dos bichos grudados com ventosas esborrachadas do lado de dentro dos vidros, um zoológico inteiro, com ampla preferência pelos macacos. Pareciam aqueles insetos que estouram no vidro nas estradas, mas do lado de dentro. Aí alguém resolveu que o mesmo sistema poderia segurar placas balouçantes "Bebê a Bordo" ou mãozinhas dando tchau. Ou ainda escritos em English: "I`m drive crazy", "Here is a boy", "To be or not to be".
Anda difícil mesmo é encontrar os adesivos comuns, tipo Contrate sempre um advogado, estudei no MACK, na USP, na FOP, na %$#@*, andei nas trilhas do Jacu-Pitanga, eu fui, eu vou.
"Já fui assaltado" fez muito sucesso também. Não resolveram o problema, mas ninguém avisa mais. Sei lá, vai ver chamava mais a atenção dos bandidos para o otário. Fora que com a violência nas cidades como anda não dariam mais conta da produção.
Nos anos duros os carros pareciam mais uns manifestos ambulantes. Juro: vou falar por mim. Eu tive "No nukes", contra a energia nuclear, "Pela demarcação das terras indígenas", "Anistia Já", "Apóie a Imprensa independente", "Diretas Já", só entre os que me recordo. Aquilo até rendia certa paquera na rua, ou buzinadas solidárias, o lado que valia a pena. Também rendia - claro - muitos problemas com a polícia. "Não sei se te prendo ou se te leio" - hoje usado para o povo todo riscado com tatuagens, à época valia para... adesivos! Precisava ter coragem para usá-los.
Puxa, vejam só, e desculpem os números, todos na casa do milhão: esta semana ficamos sabendo por dados divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que a frota brasileira teve aumento de 8,4 % só em 2010. Já são 64.817.974 veículos em todo o país. O Estado de São Paulo lidera com 20.537.980, seguido de Minas Gerais, com 7.005.640), Paraná, com 5.160.354, Rio Grande do Sul, 4.808.503, e o Rio de Janeiro, com outros quase quatro milhões e meio. São mais de 37 milhões de carros.
Imagine! Se todos tentassem se comunicar grudando pensamentos ou protestos? Baubau. Cairíam governos, levantes seriam organizados, a ecologia e o meio ambiente triunfariam, solenes, sufocados no meio de tanta fumaça. E todo mundo parado. Nem pra frente. Nem pra trás. Nem pros lados. STOP total, que é o que vai acontecer daqui a pouco.
Claro, há os adesivos religiosos, principalmente cristãos - os poucos que ainda sobrevivem. Nunca vi nenhum ."Mantenha distância: sou filha de Oxum com Iansã", ou o "Caboclo Pena Branca protege este carro. Cuidado".
Ôôôpa! O carro da frente andou. Preciso andar também porque o pentelho de trás já está buzinando. O outro idiota que ficou acelerando parado já passou. A louca do celular, que gesticulava parecendo que ia ter um troço, e o outro que escrevia mensagem por celular, mas continuou teclando, passaram. O que tinha acontecido? Nada, só os tanques, os tais blindados, que um monte de gente faz só para falar que tem grana, estavam parados na fila dupla de um restaurante, sendo manobrados por verdadeiras toupeiras. Ah! Se essas pessoas soubessem o que esses caras fazem com o carro delas ...
Foi só isso que roubou muito do meu tempo, precioso tempo, parada no trânsito.
São Paulo, kms e kms de lentidão todos os dias, 2011, mas aquela carinha feliz.
Marli Gonçalves é jornalista. Tá bom, eu conto. No espelho tenho pendurado um fluorescente homenzinho verde, símbolo do sinal de trânsito alemão de pedestres. E o meu protetor de pneus é demais. Vocês precisam ver. É a Bettie Page, a vedete, em uma pose daquelas. Deve ser bem bom ficar parado atrás de mim.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Fio de esperança para Felipe Massa
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Tom Capri
Veja aqui o que a Geni-Press, a parte mais despreparada e majoritária de nossa crônica esportiva, não vai dizer a você durante toda a temporada de Fórmula 1.
Dedicado a Mário Bardi e a Thiago Laguna, que acompanham a Fórmula 1 e estão entendendo o que rola no Cirquinho.
Felipe Massa volta a ter chances na Fórmula 1. Eu já dava a carreira dele por encerrada, no ano passado. Mas novos acontecimentos mudaram isso.
Os patrocinadores da Ferrari, Santander em especial (banco espanhol), já se deram conta de que usar Felipe só como escada de Fernando Alonso é roubada.
A imagem do banco e demais patrocinadores da escuderia ficaram arranhadas no País, ano passado, quando a Ferrari apostou todas as fichas em Alonso e pisou no brasileiro, apesar de ter na equipe piloto melhor que o espanhol, justamente Massa (já provou isto nas pistas).
Acontece que o Brasil foi responsável pela maior parte do lucro do Santander em 2010. Além disso, o Santander é o terceiro banco privado do País e não conseguiu crescer tanto no período quanto Itaú e Bradesco, os dois primeiros. Quer recuperar isso, tanto que o novo presidente, o espanhol Marcial Portela, já reforçou o foco no varejo.
Em suma, o Brasil segurou a peteca do banco diante de uma Europa (principalmente, Espanha) em crise, com enormes dificuldades para superá-la. É visível que os patrocinadores da Ferrari já pressionaram a equipe para valorizar também Massa, que, graças à crise financeira no Primeiro Mundo, volta a ter chances.
Mas isto não quer dizer que tudo virou mar de rosas. A preferência ainda é por Alonso: o Santander ficará muito mais feliz se Alonso ganhar o Mundial de 2011 do que se Massa for o campeão.
Alonso é espanhol e corre atrás do tricampeonato. Será a glória para o banco, evidentemente. E melhor marketing do que se Massa vier a conquistar o título. Mas arranharia muito a imagem do banco, no Brasil, se Massa continuasse sendo tratado como escada do espanhol (o que acontece desde que Alonso entrou na Ferrari).
Massa é o melhor piloto da Fórmula 1 no momento. Sempre foi o mais forte candidato a novo mito do automobilismo mundial, mas o capital não deixou. A volta de Massa em alto estilo vai tornar mais fascinante a Fórmula 1 este ano. Mas há o outro lado da moeda. O brasileiro não terá, de novo, as mesmas condições nem o mesmo apoio dado a Alonso.
As coisas apenas melhoraram para o brasileiro, mas só a ponto de enganar o fã de Fórmula 1. Se Massa ficar atrás de Alonso na temporada, vai parecer que voltou a disputar com o espanhol em igualdade de condições e não soube aproveitar a chance. É outro que poderá terminar a temporada com a imagem arranhada, como a de piloto inferior a Alonso (o que, repito, ele não é, já provou isto nas pistas) e que “mais uma vez fracassou, tornando-se um novo Rubinho”.
A Fórmula 1 é essencialmente europeia e vinha escanteando os pilotos brasileiros. Foi preciso uma crise dessa proporção e nossa economia ter se tornado a bola da vez para que o capital se rendesse a esse novo filão, o Brasil, que está segurando sua peteca junto com a China etc. Quem diria? Abraço a todos.
Tom Capri é Jornalista. Leia seu site http://tom.capri.blog.uol.com.br/
Por Tom Capri
Veja aqui o que a Geni-Press, a parte mais despreparada e majoritária de nossa crônica esportiva, não vai dizer a você durante toda a temporada de Fórmula 1.
Dedicado a Mário Bardi e a Thiago Laguna, que acompanham a Fórmula 1 e estão entendendo o que rola no Cirquinho.
Felipe Massa volta a ter chances na Fórmula 1. Eu já dava a carreira dele por encerrada, no ano passado. Mas novos acontecimentos mudaram isso.
Os patrocinadores da Ferrari, Santander em especial (banco espanhol), já se deram conta de que usar Felipe só como escada de Fernando Alonso é roubada.
A imagem do banco e demais patrocinadores da escuderia ficaram arranhadas no País, ano passado, quando a Ferrari apostou todas as fichas em Alonso e pisou no brasileiro, apesar de ter na equipe piloto melhor que o espanhol, justamente Massa (já provou isto nas pistas).
Acontece que o Brasil foi responsável pela maior parte do lucro do Santander em 2010. Além disso, o Santander é o terceiro banco privado do País e não conseguiu crescer tanto no período quanto Itaú e Bradesco, os dois primeiros. Quer recuperar isso, tanto que o novo presidente, o espanhol Marcial Portela, já reforçou o foco no varejo.
Em suma, o Brasil segurou a peteca do banco diante de uma Europa (principalmente, Espanha) em crise, com enormes dificuldades para superá-la. É visível que os patrocinadores da Ferrari já pressionaram a equipe para valorizar também Massa, que, graças à crise financeira no Primeiro Mundo, volta a ter chances.
Mas isto não quer dizer que tudo virou mar de rosas. A preferência ainda é por Alonso: o Santander ficará muito mais feliz se Alonso ganhar o Mundial de 2011 do que se Massa for o campeão.
Alonso é espanhol e corre atrás do tricampeonato. Será a glória para o banco, evidentemente. E melhor marketing do que se Massa vier a conquistar o título. Mas arranharia muito a imagem do banco, no Brasil, se Massa continuasse sendo tratado como escada do espanhol (o que acontece desde que Alonso entrou na Ferrari).
Massa é o melhor piloto da Fórmula 1 no momento. Sempre foi o mais forte candidato a novo mito do automobilismo mundial, mas o capital não deixou. A volta de Massa em alto estilo vai tornar mais fascinante a Fórmula 1 este ano. Mas há o outro lado da moeda. O brasileiro não terá, de novo, as mesmas condições nem o mesmo apoio dado a Alonso.
As coisas apenas melhoraram para o brasileiro, mas só a ponto de enganar o fã de Fórmula 1. Se Massa ficar atrás de Alonso na temporada, vai parecer que voltou a disputar com o espanhol em igualdade de condições e não soube aproveitar a chance. É outro que poderá terminar a temporada com a imagem arranhada, como a de piloto inferior a Alonso (o que, repito, ele não é, já provou isto nas pistas) e que “mais uma vez fracassou, tornando-se um novo Rubinho”.
A Fórmula 1 é essencialmente europeia e vinha escanteando os pilotos brasileiros. Foi preciso uma crise dessa proporção e nossa economia ter se tornado a bola da vez para que o capital se rendesse a esse novo filão, o Brasil, que está segurando sua peteca junto com a China etc. Quem diria? Abraço a todos.
Tom Capri é Jornalista. Leia seu site http://tom.capri.blog.uol.com.br/
quinta-feira, 24 de março de 2011
Caso Varig deixa STF mal na fita
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Pedro Porfírio
Hoje, dia 24 de março, completam-se dois anos desde quando a ministra Carmen Lúcia retirou da pauta o julgamento do STF sobre a dívida da União com a Varig, dando 60 dias para que as partes chegassem a um acordo.
A considerar decisão do mesmo teor, adotada em 1997, no caso da Transbrasil, seria quase impossível que a corte negasse essa causa à empresa, afetada pela política tarifária do Plano Cruzado, que entrou na Justiça em 1992 e até hoje está a ver navios.
A Varig deve a metade do que receberia ao Aerus, o fundo de pensão dos seus empregados, que passam necessidade desde 2006, quando da estranha decisão de um juiz da Vara Empresarial do Rio de Janeiro pelo seu leilão, em nome da Lei 11.101/05 (a nova lei de falências), livrando a empresa de todos as obrigações trabalhistas, inclusive o pagamento dos salários atrasados.
Havia um compromisso que, vencendo a batalha judicial de 19 anos, a Varig daria prioridade aos pagamentos dos pensionistas, como aliás, poderia constar da própria decisão do Supremo.
Os 60 dias se passaram e hoje já completam dois anos. A ministra Carmen Lúcia ficou mal na fita porque não respeitaram prazo nenhum e ela não faz nada: nem exige que respeitem seu encaminhamento por um acordo logo, nem leva a matéria de volta para a pauta do STF.
Enquanto isso, demitidos e pensionistas do Aerus amargam dias de sofrimento, correm para um lado e para outro, são enganados por uns e por outros, numa sinfonia do mais perverso massacre. Mais doloroso: há informação de que mais de um centena de beneficiários já morreram sem que a justiça lhes fosse feita.
Pedro Porfírio é Jornalista.
Por Pedro Porfírio
Hoje, dia 24 de março, completam-se dois anos desde quando a ministra Carmen Lúcia retirou da pauta o julgamento do STF sobre a dívida da União com a Varig, dando 60 dias para que as partes chegassem a um acordo.
A considerar decisão do mesmo teor, adotada em 1997, no caso da Transbrasil, seria quase impossível que a corte negasse essa causa à empresa, afetada pela política tarifária do Plano Cruzado, que entrou na Justiça em 1992 e até hoje está a ver navios.
A Varig deve a metade do que receberia ao Aerus, o fundo de pensão dos seus empregados, que passam necessidade desde 2006, quando da estranha decisão de um juiz da Vara Empresarial do Rio de Janeiro pelo seu leilão, em nome da Lei 11.101/05 (a nova lei de falências), livrando a empresa de todos as obrigações trabalhistas, inclusive o pagamento dos salários atrasados.
Havia um compromisso que, vencendo a batalha judicial de 19 anos, a Varig daria prioridade aos pagamentos dos pensionistas, como aliás, poderia constar da própria decisão do Supremo.
Os 60 dias se passaram e hoje já completam dois anos. A ministra Carmen Lúcia ficou mal na fita porque não respeitaram prazo nenhum e ela não faz nada: nem exige que respeitem seu encaminhamento por um acordo logo, nem leva a matéria de volta para a pauta do STF.
Enquanto isso, demitidos e pensionistas do Aerus amargam dias de sofrimento, correm para um lado e para outro, são enganados por uns e por outros, numa sinfonia do mais perverso massacre. Mais doloroso: há informação de que mais de um centena de beneficiários já morreram sem que a justiça lhes fosse feita.
Pedro Porfírio é Jornalista.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Grupo dos 11: O braço armado de Brizola
Reportagem no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Mariza Tavares
No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.
"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.
Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.
No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.
"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.
Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.
Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão.
Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra".
A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.
O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."
Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."
O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.
A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):
Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;
Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;
Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);
Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;
Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;
Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;
Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;
Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".
A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."
Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."
As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."
O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."
Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).
O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.
Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."
O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.
No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:
1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.
A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar.
O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.
Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."
A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."
O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."
Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.
O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."
No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."
O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.
A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.
Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."
Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."
Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."
"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."
O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."
Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram.
A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto."
Desta vez, o estado de direito não venceu.
Mariza Tavares, Jornalista, é Diretora de Jornalismo do Sistema Globo de Rádio e da CBN – de cujo site foi extraído este texto.
Por Mariza Tavares
No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.
"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.
Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.
No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.
"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.
Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.
Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão.
Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra".
A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.
O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."
Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."
O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.
A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):
Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;
Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;
Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);
Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;
Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;
Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;
Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;
Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".
A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."
Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."
As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."
O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."
Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).
O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.
Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."
O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.
No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:
1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.
A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar.
O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.
Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."
A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."
O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."
Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.
O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."
No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."
O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.
A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.
Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."
Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."
Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."
"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."
O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."
Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram.
A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto."
Desta vez, o estado de direito não venceu.
Mariza Tavares, Jornalista, é Diretora de Jornalismo do Sistema Globo de Rádio e da CBN – de cujo site foi extraído este texto.
terça-feira, 22 de março de 2011
Ah... a diplomacia....
Artigo no Fique Alerta - www.fiquealerta.net
Por Thomas Korontai
A visita de Obama ao Brasil foi bem explorada pela midia, especialmente para ufanizar o País em face da simpatia demonstrada pela família presidencial norte-americana. Mas o “diplomatês” traduzido aponta em direções mais pragmáticas, especialmente quanto interpretadas à luz da situação do Brasil no contexto geopolítico e geoeconômico mundial.
Obama veio a negócios. Tantos para os imediatos, quanto para os de longo prazo. Os acordos assinados apontam exatamente nessa direção de forma preferencial. Certamente que “vê com simpatia” o pleito do Brasil à uma cadeira fixa no Conselho de Segurança da ONU, porque isso é... simpático, mas isso não basta. Mas o fato de não ser um “não” foi transformado pela midia em um quase “sim”. Paises como a Alemanha, com um PIB de quase US$ 4 trilhões e o Japão, com cerca de US$ 5 trilhões, não têm cadeira fixa, ocupadas por apenas cinco países, exatamente por sua força bélica – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido. Não depende apenas de Obama a reforma do Conselho.
Além dos acordos, contudo, deve-se comemorar a reaproximação dos EUA com o Brasil e nesse sentido, deve se dar crédito à atual administração brasileira, que priorizou essa situação imediatamente após a saída do ocupante anterior do Planalto. Obama, em seu discurso, fez conhecer a todos, das coincidências históricas e da longa amizade entre os dois países, referindo-se aos EUA como a primeira nação a reconhecer a Independência do Brasil, bem como, ter recebido a primeira visita de um chefe de Estado – D. Pedro II, em 1876 – àquela Nação.
É evidente que haveria de elogiar a nossa democracia, embora possamos entender que colocá-la como exemplo aos árabes em revolta tenha sido uma forma de dizer outra coisa. Afinal, uma das mais adiantadas democracias do mundo ainda é a americana, porque não usá-la como exemplo? Será que Obama sabe que no Brasil o voto é obrigatório? Se sabe, talvez acredite, como muitos “representantes do Povo” que tal obrigatoriedade serve como método de aprendizado democrático. Churchill já demonstrava outra opinião: “democracia se aprende, não pode ser empurrada goela abaixo”.
A chamada de atenção da senhora Dilma Roussef, que ora ocupa o Planalto (“ocupanta”?), valeu mais pela pirotecnia do que efeito prático, no que tange às barreiras protecionistas norte-americanas, cuja legislação não depende do Executivo e sim do Congresso. Os EUA sofrem de um processo de centralização progressiva, e uma das facetas desse triste movimento está na indústria legalizada dos lobbies, mesmo em prejuízo ao próprio povo americano. Paradoxalmente não se fala nas barreiras protecionistas que o Brasil têm em relação aos EUA – experimente tentar importar qualquer coisa de lá, um carro, por exemplo... Obama, nesse ponto, foi educado e não se contrapôs.
Apesar de o Brasil estar na 7º posição em volume de geração de PIB, ocupa posições absurdas que revelam seu real sub-desenvolvimento, como apontam os diversos índices – competitividade, IDH, liberdade de imprensa, burocracia, juros, tributos, regulamentação, educação, saúde, infra-estrutura, custo logístico, enfim, uma série que mantém o País em posições intermediárias dentre listas de 130, 150 ou 1té 190 nações, quando não nas últimas colocações. No comércio mundial, por exemplo, nossa participação é de apenas 1% do total.
E com essa situação, juntamente com a falta de poderio bélico – as FFAA estão sendo desmanteladas progressivamente – não se consegue visualizar uma razão pela qual o Brasil tenha direito de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança. Pensamos que os brasileiros devam mesmo se preocupar em arrumar a casa primeiramente. O resto, se interessar, vem depois.
Thomas Korontai é fundador e líder do Movimento Federalista – www.movimentofederalista.org.br
Por Thomas Korontai
A visita de Obama ao Brasil foi bem explorada pela midia, especialmente para ufanizar o País em face da simpatia demonstrada pela família presidencial norte-americana. Mas o “diplomatês” traduzido aponta em direções mais pragmáticas, especialmente quanto interpretadas à luz da situação do Brasil no contexto geopolítico e geoeconômico mundial.
Obama veio a negócios. Tantos para os imediatos, quanto para os de longo prazo. Os acordos assinados apontam exatamente nessa direção de forma preferencial. Certamente que “vê com simpatia” o pleito do Brasil à uma cadeira fixa no Conselho de Segurança da ONU, porque isso é... simpático, mas isso não basta. Mas o fato de não ser um “não” foi transformado pela midia em um quase “sim”. Paises como a Alemanha, com um PIB de quase US$ 4 trilhões e o Japão, com cerca de US$ 5 trilhões, não têm cadeira fixa, ocupadas por apenas cinco países, exatamente por sua força bélica – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido. Não depende apenas de Obama a reforma do Conselho.
Além dos acordos, contudo, deve-se comemorar a reaproximação dos EUA com o Brasil e nesse sentido, deve se dar crédito à atual administração brasileira, que priorizou essa situação imediatamente após a saída do ocupante anterior do Planalto. Obama, em seu discurso, fez conhecer a todos, das coincidências históricas e da longa amizade entre os dois países, referindo-se aos EUA como a primeira nação a reconhecer a Independência do Brasil, bem como, ter recebido a primeira visita de um chefe de Estado – D. Pedro II, em 1876 – àquela Nação.
É evidente que haveria de elogiar a nossa democracia, embora possamos entender que colocá-la como exemplo aos árabes em revolta tenha sido uma forma de dizer outra coisa. Afinal, uma das mais adiantadas democracias do mundo ainda é a americana, porque não usá-la como exemplo? Será que Obama sabe que no Brasil o voto é obrigatório? Se sabe, talvez acredite, como muitos “representantes do Povo” que tal obrigatoriedade serve como método de aprendizado democrático. Churchill já demonstrava outra opinião: “democracia se aprende, não pode ser empurrada goela abaixo”.
A chamada de atenção da senhora Dilma Roussef, que ora ocupa o Planalto (“ocupanta”?), valeu mais pela pirotecnia do que efeito prático, no que tange às barreiras protecionistas norte-americanas, cuja legislação não depende do Executivo e sim do Congresso. Os EUA sofrem de um processo de centralização progressiva, e uma das facetas desse triste movimento está na indústria legalizada dos lobbies, mesmo em prejuízo ao próprio povo americano. Paradoxalmente não se fala nas barreiras protecionistas que o Brasil têm em relação aos EUA – experimente tentar importar qualquer coisa de lá, um carro, por exemplo... Obama, nesse ponto, foi educado e não se contrapôs.
Apesar de o Brasil estar na 7º posição em volume de geração de PIB, ocupa posições absurdas que revelam seu real sub-desenvolvimento, como apontam os diversos índices – competitividade, IDH, liberdade de imprensa, burocracia, juros, tributos, regulamentação, educação, saúde, infra-estrutura, custo logístico, enfim, uma série que mantém o País em posições intermediárias dentre listas de 130, 150 ou 1té 190 nações, quando não nas últimas colocações. No comércio mundial, por exemplo, nossa participação é de apenas 1% do total.
E com essa situação, juntamente com a falta de poderio bélico – as FFAA estão sendo desmanteladas progressivamente – não se consegue visualizar uma razão pela qual o Brasil tenha direito de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança. Pensamos que os brasileiros devam mesmo se preocupar em arrumar a casa primeiramente. O resto, se interessar, vem depois.
Thomas Korontai é fundador e líder do Movimento Federalista – www.movimentofederalista.org.br
segunda-feira, 21 de março de 2011
Falta qualificação na onda do desenvolvimento
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Flavio Amary
A primeira década do século 21 viu nascer cerca de dez novos grandes municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes. Somados às trinta cidades então já existentes com igual perfil no Brasil – dezoito delas capitais e doze no interior do País – temos agora o mesmo número de metrópoles entre as capitais e o interior. Alguns desses núcleos conseguem destacar-se pelo notável desenvolvimento com manutenção da qualidade de vida.
As cidades do interior paulista, por exemplo, representam com maestria essa rara fatia, atraindo riquezas pelas mãos da fórmula serviços de ponta x tranqüilidade e segurança. Naturalmente, toda essa bonança acaba por alavancar a indústria imobiliária local e, um dos grandes desafios apresentados por esse contexto positivo para o setor é justamente manter o crescimento populacional com garantias consideráveis de emprego e renda.
Hoje, o interior paulista é um País, com PIB superando a casa dos US$ 135 bilhões - 12% maior que o PIB chileno, por exemplo -, respondendo por 44% de todas as riquezas produzidas no Estado de São Paulo e 13% do Brasil. Só nos primeiros cinco meses do ano passado, a região gerou quase 360 mil novos postos de trabalho, número que corresponde a 75% de todos os novos empregos do Estado.
Embora São Paulo concentre mais de 60% das cidades médias que crescem por meio de atividades educacionais (o Estado é responsável por um quarto de toda a produção científica nacional, abrigando importantes instituições de ensino superior brasileiras), sua indústria imobiliária não está livre de um flagelo comum: a falta de profissionais qualificados.
Em décadas anteriores, imperavam no mercado a baixa produtividade, o pouco cuidado com a segurança, o uso de equipamentos rudimentares e a mão de obra pouco qualificada. Hoje, o sucesso de um produto depende da qualidade de todos os elos da construção civil. Para isso, a mão de obra passou a ser mais qualificada e novas regras surgiram para controlar os procedimentos.
Estamos no auge de um período produtivo, mas, como manter esse cenário, sem considerarmos a importância crescente da formação profissional? A verdade é que o forte momento da construção civil contrasta com a pequena quantidade de profissionais qualificados. Tanto mais quando assistimos à decolagem do programa Minha Casa, Minha Vida, que aumentou sensivelmente a quantidade de projetos, à consolidação das políticas de crédito imobiliário, ao advento do pré-sal, que movimenta sobremaneira a Baixada Santista, ou mesmo a toda a demanda, em breve, gerada pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas.
Todos sabem que a indústria imobiliária nacional já é uma das principais responsáveis pela geração recorde de empregos com carteira assinada (vide estudos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged – do Ministério do Trabalho). Mas, quando o empresário do setor implementa uma grande obra, que requer investimento elevado, cada vez menos encontra qualidade no momento da contratação.
Para reforçar a tese, recente levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que o custo da produção aumentou muito em função dos altos salários exigidos pelos poucos e bons profissionais. Apesar de tudo, em 2010 a maioria das empresas imobiliárias do Estado trabalhou em ritmo acelerado e com número de empregados crescente. E assim deve ser também ao longo de 2011.
Essa realidade também é detectada em cidades como Sorocaba, Campinas, Jundiaí, Taubaté e São José dos Campos, que, dentre outras, apesar dessa dificuldade avançam nos investimentos, não só no âmbito empresarial, mas também no sentido de reunir esforços e instituir parcerias com entidades afins, rumo à promoção do aperfeiçoamento e formação profissional.
O processo de capacitação é essencial e deve ocorrer o mais rápido possível. Com a rotatividade de profissionais no setor, as empresas deverão cultivar uma visão autocrítica sobre o clima organizacional e criar uma relação de confiabilidade, inclusive a partir das experiências e vivências de cada um.
A escassez de mão de obra é um contexto que deve perdurar por algum tempo ainda, já que a formação de profissionais requer investimento de mais longo prazo. É preciso reinventar a empresa, quando a realidade muda, e avançar com mais afinco no setor da educação, para não desperdiçarmos esse momento de ouro.
Flavio Amary é Vice-presidente do Interior do Secovi-SP.
Por Flavio Amary
A primeira década do século 21 viu nascer cerca de dez novos grandes municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes. Somados às trinta cidades então já existentes com igual perfil no Brasil – dezoito delas capitais e doze no interior do País – temos agora o mesmo número de metrópoles entre as capitais e o interior. Alguns desses núcleos conseguem destacar-se pelo notável desenvolvimento com manutenção da qualidade de vida.
As cidades do interior paulista, por exemplo, representam com maestria essa rara fatia, atraindo riquezas pelas mãos da fórmula serviços de ponta x tranqüilidade e segurança. Naturalmente, toda essa bonança acaba por alavancar a indústria imobiliária local e, um dos grandes desafios apresentados por esse contexto positivo para o setor é justamente manter o crescimento populacional com garantias consideráveis de emprego e renda.
Hoje, o interior paulista é um País, com PIB superando a casa dos US$ 135 bilhões - 12% maior que o PIB chileno, por exemplo -, respondendo por 44% de todas as riquezas produzidas no Estado de São Paulo e 13% do Brasil. Só nos primeiros cinco meses do ano passado, a região gerou quase 360 mil novos postos de trabalho, número que corresponde a 75% de todos os novos empregos do Estado.
Embora São Paulo concentre mais de 60% das cidades médias que crescem por meio de atividades educacionais (o Estado é responsável por um quarto de toda a produção científica nacional, abrigando importantes instituições de ensino superior brasileiras), sua indústria imobiliária não está livre de um flagelo comum: a falta de profissionais qualificados.
Em décadas anteriores, imperavam no mercado a baixa produtividade, o pouco cuidado com a segurança, o uso de equipamentos rudimentares e a mão de obra pouco qualificada. Hoje, o sucesso de um produto depende da qualidade de todos os elos da construção civil. Para isso, a mão de obra passou a ser mais qualificada e novas regras surgiram para controlar os procedimentos.
Estamos no auge de um período produtivo, mas, como manter esse cenário, sem considerarmos a importância crescente da formação profissional? A verdade é que o forte momento da construção civil contrasta com a pequena quantidade de profissionais qualificados. Tanto mais quando assistimos à decolagem do programa Minha Casa, Minha Vida, que aumentou sensivelmente a quantidade de projetos, à consolidação das políticas de crédito imobiliário, ao advento do pré-sal, que movimenta sobremaneira a Baixada Santista, ou mesmo a toda a demanda, em breve, gerada pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas.
Todos sabem que a indústria imobiliária nacional já é uma das principais responsáveis pela geração recorde de empregos com carteira assinada (vide estudos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged – do Ministério do Trabalho). Mas, quando o empresário do setor implementa uma grande obra, que requer investimento elevado, cada vez menos encontra qualidade no momento da contratação.
Para reforçar a tese, recente levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que o custo da produção aumentou muito em função dos altos salários exigidos pelos poucos e bons profissionais. Apesar de tudo, em 2010 a maioria das empresas imobiliárias do Estado trabalhou em ritmo acelerado e com número de empregados crescente. E assim deve ser também ao longo de 2011.
Essa realidade também é detectada em cidades como Sorocaba, Campinas, Jundiaí, Taubaté e São José dos Campos, que, dentre outras, apesar dessa dificuldade avançam nos investimentos, não só no âmbito empresarial, mas também no sentido de reunir esforços e instituir parcerias com entidades afins, rumo à promoção do aperfeiçoamento e formação profissional.
O processo de capacitação é essencial e deve ocorrer o mais rápido possível. Com a rotatividade de profissionais no setor, as empresas deverão cultivar uma visão autocrítica sobre o clima organizacional e criar uma relação de confiabilidade, inclusive a partir das experiências e vivências de cada um.
A escassez de mão de obra é um contexto que deve perdurar por algum tempo ainda, já que a formação de profissionais requer investimento de mais longo prazo. É preciso reinventar a empresa, quando a realidade muda, e avançar com mais afinco no setor da educação, para não desperdiçarmos esse momento de ouro.
Flavio Amary é Vice-presidente do Interior do Secovi-SP.
Dedique tempo na gestão de pessoas e aumente a produtividade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Eduardo Ferraz
A pergunta que mais ouço é: qual o caminho mais seguro para uma empresa aumentar sua produtividade e lucratividade? A minha resposta: os líderes deveriam gastar no mínimo 30% de seu tempo contratando, treinando e avaliando pessoas. Tomo emprestada a metáfora do consultor Jim Colins, que diz mais ou menos o seguinte:
Se a empresa fosse um avião, o comandante deveria ter 4 prioridades:
1- Embarcar as pessoas certas e desembarcar as erradas;
2- Colocar as pessoas certas nos lugares certos;
3- Definir a rota junto com estas pessoas;
4- Não descansar enquanto no mínimo 90% das pessoas estiverem orientadas e posicionadas.
Pode parecer muito tempo dedicado a essa atividade, mas além de facilitar a decisão na hora de promover, transferir ou demitir alguém, este tempo aumentará enormemente sua capacidade de aproveitar as pessoas no que elas têm de melhor, posicionando-as nos lugares certos, aumentando consideravelmente sua produtividade e motivação para o trabalho.
O principal desafio de um gestor é descobrir quais são os talentos de seus funcionários, aperfeiçoá-los e posicioná-los corretamente. Se a pessoa está no lugar errado e não houver outro adequado a ela, demita-a e comece a procurar outra!
Ao invés de olhar apenas o currículo dos candidatos, de dentro ou de fora da empresa, coloque uma lupa no histórico, pois, todo mundo, sem exceção, deixa um rastro durante a vida, o qual mostra uma clara tendência para o futuro. A personalidade, ao contrário do que muitos pensam, é relativamente estável e, portanto, previsível. Coloque pessoas com rastro impecável e aptidão para a vaga, e as chances de acertar uma contratação aumentam muito.
Há quem duvide que um presidente de empresa gaste tanto tempo com recrutamento, sendo eles tão ocupados. São raros, mas existem. Não digo que os dirigentes têm que substituir ou fazer o papel do RH, mas trabalhar em total sintonia, participando da seleção em todos os cargos estratégicos, desde as dinâmicas de grupo e até da análise do que deu certo ou errado em cada contratação. Não espere um "prato feito", prepare a comida junto com sua equipe de RH.
Se você, como líder, investir seu tempo nesta análise, com certeza colocará com muito mais frequência as pessoas nos lugares certos.
Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria "in company", com aplicações práticas da Neurociência. Possui mais de 30.000 horas de experiência em empresas que precisam de diagnósticos e resultados rápidos. É pós-graduado em Direção de Empresas pelo ISAD PUC-PR e especializado em Dinâmica de Grupos pela SBDG. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. Para mais informações, acesse:www.eduardoferraz.com.br
Por Eduardo Ferraz
A pergunta que mais ouço é: qual o caminho mais seguro para uma empresa aumentar sua produtividade e lucratividade? A minha resposta: os líderes deveriam gastar no mínimo 30% de seu tempo contratando, treinando e avaliando pessoas. Tomo emprestada a metáfora do consultor Jim Colins, que diz mais ou menos o seguinte:
Se a empresa fosse um avião, o comandante deveria ter 4 prioridades:
1- Embarcar as pessoas certas e desembarcar as erradas;
2- Colocar as pessoas certas nos lugares certos;
3- Definir a rota junto com estas pessoas;
4- Não descansar enquanto no mínimo 90% das pessoas estiverem orientadas e posicionadas.
Pode parecer muito tempo dedicado a essa atividade, mas além de facilitar a decisão na hora de promover, transferir ou demitir alguém, este tempo aumentará enormemente sua capacidade de aproveitar as pessoas no que elas têm de melhor, posicionando-as nos lugares certos, aumentando consideravelmente sua produtividade e motivação para o trabalho.
O principal desafio de um gestor é descobrir quais são os talentos de seus funcionários, aperfeiçoá-los e posicioná-los corretamente. Se a pessoa está no lugar errado e não houver outro adequado a ela, demita-a e comece a procurar outra!
Ao invés de olhar apenas o currículo dos candidatos, de dentro ou de fora da empresa, coloque uma lupa no histórico, pois, todo mundo, sem exceção, deixa um rastro durante a vida, o qual mostra uma clara tendência para o futuro. A personalidade, ao contrário do que muitos pensam, é relativamente estável e, portanto, previsível. Coloque pessoas com rastro impecável e aptidão para a vaga, e as chances de acertar uma contratação aumentam muito.
Há quem duvide que um presidente de empresa gaste tanto tempo com recrutamento, sendo eles tão ocupados. São raros, mas existem. Não digo que os dirigentes têm que substituir ou fazer o papel do RH, mas trabalhar em total sintonia, participando da seleção em todos os cargos estratégicos, desde as dinâmicas de grupo e até da análise do que deu certo ou errado em cada contratação. Não espere um "prato feito", prepare a comida junto com sua equipe de RH.
Se você, como líder, investir seu tempo nesta análise, com certeza colocará com muito mais frequência as pessoas nos lugares certos.
Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria "in company", com aplicações práticas da Neurociência. Possui mais de 30.000 horas de experiência em empresas que precisam de diagnósticos e resultados rápidos. É pós-graduado em Direção de Empresas pelo ISAD PUC-PR e especializado em Dinâmica de Grupos pela SBDG. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente. Para mais informações, acesse:www.eduardoferraz.com.br
domingo, 20 de março de 2011
O Último Bastião
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Valmir Fonseca
Quando começou a luta armada, após a Contra - Revolução de 31 de março de 1964? Não importa.
O terrorismo começou - “Na manhã de 31 de março de 1966, quando o público e as autoridades aguardavam no Parque Treze de Maio, em Recife, o início das comemorações do segundo aniversário da revolução, previsto para as 9 horas. De repente, milhares de pessoas foram surpreendidas com uma violenta explosão, seguida de espessa nuvem de fumaça que envolveu o vizinho prédio dos Correios e Telégrafos.
Quando a fumaça se dissipou, os relógios registravam 8h47min.
A luta armada não é conduzida por pessoal identificado. Pelo contrário, é conduzida às ocultas, sub-repticiamente, na clandestinidade. Seus combatentes valem - se de disfarces, utilizam codinomes, isto é, nomes em código, fictícios, bem como documentos falsos e outros subterfúgios para não serem identificados. Não usam uniformes nem insígnias de posto ou graduação e não se restringem ao emprego de armamentos militares; valem – se também de coquetéis molotov, bombas, estilingues com bolas de aço etc. que, todavia, são armas reais” (extraído do livro, A Grande Mentira, do General Agnaldo Del Nero Augusto).
Nos anos seguintes, entre assaltos, seqüestros, roubos, justiçamentos, a subversão aflorou, cresceu, expandiu – se, mas terminou por sucumbir.
Foram anos de terrível incerteza e inquietude. A quebra da lei e da ordem ocorria à solta, seja através de ações de grupos radicais, por atos criminosos cruentamente desencadeados, os quais tiraram a vida, não apenas de agentes, mas de inocentes cidadãos; seja pelas mobilizações turbulentas de entidades estudantis, sindicatos, etc, que se compraziam em perturbar o clima de paz e desenvolvimento existente.
O Governo aprendeu na pele a coibir as ações subversivas. No sacrifício, em missões permanentes e desgastantes, coube às equipes compostas por brasileiros escolhidos de diversas organizações, como o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Civil e as Polícias Militares apresentar - se para o combate a um inimigo oculto e sanguinário.
Os agentes da lei foram escolhidos a dedo, entre os melhores profissionais. Não foram os mais cretinos, os mais sádicos, os mais canalhas, os corruptos e os patifes.
Eram selecionados e muito. Eram pais de família, filhos diletos chamados pela Nação para lutar em prol da tranqüilidade do País.
E lutaram, e sofreram, e muito. Longos períodos fora de suas casas, longe de suas famílias. Muitas noites em claro. A paga? O cumprimento do dever, inclusive e, se preciso, com o sacrifício da própria vida.
Tempos incertos, de apreensões, de angústias, de incertezas. Vários grupos de esquerda disputavam a primazia da violência. Combatê-los era uma tarefa de abnegação, de coragem e de desprendimento.
Nada adiantou. Os anônimos heróis foram transformados em párias, em malditos, em torturadores empedernidos; e os subversivos, em mártires. Equivocadamente, foram anistiados, e muitos indenizados, regiamente.
Quanto aos depositários da segurança pública, conviveram e convivem com a vergonhosa pecha de irracionais torturadores. Graças à propaganda, ao aliciamento de inocentes uteis e de espertos oportunistas, decretou – se que eles foram os maquiavélicos carrascos de uma matilha de dóceis cordeiros.
Eles cumpriram o seu dever. Não enriqueceram, não exigiram glórias, nem reconhecimento. A missão era silente, perigosa, legal, e poderia ser letal.
Hoje, entre as correntes que se atrevem a repudiar os engodos atuais, inúmeras, como nós, respeitam e admiram àqueles verdadeiros heróis.
Outras vertentes de insatisfação, que poderão concordar ou não conosco, no referente ao destrato do Estado para com os abnegados agentes, que batalharam contra a subversão, são lúcidas o suficiente, para entender que caminhamos para uma ditadura de esquerda.
Quanto a nós, repudiamos as tentativas de massacrar e tripudiar sobre os agentes da época, e, com o mesmo espírito de repúdio que motivou aqueles nacionalistas, atrevemo – nos a denunciar os descaminhos que seguimos. Por isso, nós do Grupo Terrorismo Nunca Mais (TERNUMA), negamo - nos a abandonar o campo de lutas, pois entendemos que o fato de a canalha de ontem ter ocupado o poder, e tentar por meio de subterfúgios o domínio que tentaram e fracassaram pelas armas, não pode ser a desculpa para, gratuitamente, alcançarem seus objetivos.
Atualmente, o TERNUMA, ao mesmo tempo em que se coloca, como sempre, na posição de preservar a honra e a dignidade dos cidadãos que no passado cumpriam a sua missão, e evitar que os criminosos de ontem, se transformem nos justiceiros de hoje, posiciona - se para defender a democracia, por perceber que através da sua manipulação, as mesmas raposas de antanho estão assumindo o controle completo da Nação.
Não somos, certamente, o último bastião, outros existem. Entidades, Organizações Não Governamentais externam a sua repulsa ao que está acontecendo. Sem o respaldo dos extensos e incalculáveis recursos do desgoverno, persistentemente, difundem suas mensagens de desagravo, denunciam, vaticinam tempos piores, e alertam para a esbórnia material e moral que assola o País.
Eles, como nós, temem o pior.
Receamos a sacralização de barbaridades como o 3º PNDH e sua revanchista e deletéria "Comissão da Verdade", tememos a propaganda enganosa e tememos a ditadura que desfila no horizonte.
Tememos, mas não fugiremos. Escreveremos, mas não roubaremos, não seqüestraremos, não atacaremos, não assassinaremos e não mentiremos.
Apesar da sinceridade, apesar da crença de que a verdade prevalecerá, diante das preferências do povo brasileiro, provavelmente, perderemos ou quem sabe, venceremos, só o tempo dirá
Como consolo, e para a posteridade, com honra e de pé.
Valmir Fonseca Azevedo Pereira, General de Brigada Reformado do EB, é presidente da ONG Ternuma – Terrorismo Nunca Mais.
Por Valmir Fonseca
Quando começou a luta armada, após a Contra - Revolução de 31 de março de 1964? Não importa.
O terrorismo começou - “Na manhã de 31 de março de 1966, quando o público e as autoridades aguardavam no Parque Treze de Maio, em Recife, o início das comemorações do segundo aniversário da revolução, previsto para as 9 horas. De repente, milhares de pessoas foram surpreendidas com uma violenta explosão, seguida de espessa nuvem de fumaça que envolveu o vizinho prédio dos Correios e Telégrafos.
Quando a fumaça se dissipou, os relógios registravam 8h47min.
A luta armada não é conduzida por pessoal identificado. Pelo contrário, é conduzida às ocultas, sub-repticiamente, na clandestinidade. Seus combatentes valem - se de disfarces, utilizam codinomes, isto é, nomes em código, fictícios, bem como documentos falsos e outros subterfúgios para não serem identificados. Não usam uniformes nem insígnias de posto ou graduação e não se restringem ao emprego de armamentos militares; valem – se também de coquetéis molotov, bombas, estilingues com bolas de aço etc. que, todavia, são armas reais” (extraído do livro, A Grande Mentira, do General Agnaldo Del Nero Augusto).
Nos anos seguintes, entre assaltos, seqüestros, roubos, justiçamentos, a subversão aflorou, cresceu, expandiu – se, mas terminou por sucumbir.
Foram anos de terrível incerteza e inquietude. A quebra da lei e da ordem ocorria à solta, seja através de ações de grupos radicais, por atos criminosos cruentamente desencadeados, os quais tiraram a vida, não apenas de agentes, mas de inocentes cidadãos; seja pelas mobilizações turbulentas de entidades estudantis, sindicatos, etc, que se compraziam em perturbar o clima de paz e desenvolvimento existente.
O Governo aprendeu na pele a coibir as ações subversivas. No sacrifício, em missões permanentes e desgastantes, coube às equipes compostas por brasileiros escolhidos de diversas organizações, como o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Civil e as Polícias Militares apresentar - se para o combate a um inimigo oculto e sanguinário.
Os agentes da lei foram escolhidos a dedo, entre os melhores profissionais. Não foram os mais cretinos, os mais sádicos, os mais canalhas, os corruptos e os patifes.
Eram selecionados e muito. Eram pais de família, filhos diletos chamados pela Nação para lutar em prol da tranqüilidade do País.
E lutaram, e sofreram, e muito. Longos períodos fora de suas casas, longe de suas famílias. Muitas noites em claro. A paga? O cumprimento do dever, inclusive e, se preciso, com o sacrifício da própria vida.
Tempos incertos, de apreensões, de angústias, de incertezas. Vários grupos de esquerda disputavam a primazia da violência. Combatê-los era uma tarefa de abnegação, de coragem e de desprendimento.
Nada adiantou. Os anônimos heróis foram transformados em párias, em malditos, em torturadores empedernidos; e os subversivos, em mártires. Equivocadamente, foram anistiados, e muitos indenizados, regiamente.
Quanto aos depositários da segurança pública, conviveram e convivem com a vergonhosa pecha de irracionais torturadores. Graças à propaganda, ao aliciamento de inocentes uteis e de espertos oportunistas, decretou – se que eles foram os maquiavélicos carrascos de uma matilha de dóceis cordeiros.
Eles cumpriram o seu dever. Não enriqueceram, não exigiram glórias, nem reconhecimento. A missão era silente, perigosa, legal, e poderia ser letal.
Hoje, entre as correntes que se atrevem a repudiar os engodos atuais, inúmeras, como nós, respeitam e admiram àqueles verdadeiros heróis.
Outras vertentes de insatisfação, que poderão concordar ou não conosco, no referente ao destrato do Estado para com os abnegados agentes, que batalharam contra a subversão, são lúcidas o suficiente, para entender que caminhamos para uma ditadura de esquerda.
Quanto a nós, repudiamos as tentativas de massacrar e tripudiar sobre os agentes da época, e, com o mesmo espírito de repúdio que motivou aqueles nacionalistas, atrevemo – nos a denunciar os descaminhos que seguimos. Por isso, nós do Grupo Terrorismo Nunca Mais (TERNUMA), negamo - nos a abandonar o campo de lutas, pois entendemos que o fato de a canalha de ontem ter ocupado o poder, e tentar por meio de subterfúgios o domínio que tentaram e fracassaram pelas armas, não pode ser a desculpa para, gratuitamente, alcançarem seus objetivos.
Atualmente, o TERNUMA, ao mesmo tempo em que se coloca, como sempre, na posição de preservar a honra e a dignidade dos cidadãos que no passado cumpriam a sua missão, e evitar que os criminosos de ontem, se transformem nos justiceiros de hoje, posiciona - se para defender a democracia, por perceber que através da sua manipulação, as mesmas raposas de antanho estão assumindo o controle completo da Nação.
Não somos, certamente, o último bastião, outros existem. Entidades, Organizações Não Governamentais externam a sua repulsa ao que está acontecendo. Sem o respaldo dos extensos e incalculáveis recursos do desgoverno, persistentemente, difundem suas mensagens de desagravo, denunciam, vaticinam tempos piores, e alertam para a esbórnia material e moral que assola o País.
Eles, como nós, temem o pior.
Receamos a sacralização de barbaridades como o 3º PNDH e sua revanchista e deletéria "Comissão da Verdade", tememos a propaganda enganosa e tememos a ditadura que desfila no horizonte.
Tememos, mas não fugiremos. Escreveremos, mas não roubaremos, não seqüestraremos, não atacaremos, não assassinaremos e não mentiremos.
Apesar da sinceridade, apesar da crença de que a verdade prevalecerá, diante das preferências do povo brasileiro, provavelmente, perderemos ou quem sabe, venceremos, só o tempo dirá
Como consolo, e para a posteridade, com honra e de pé.
Valmir Fonseca Azevedo Pereira, General de Brigada Reformado do EB, é presidente da ONG Ternuma – Terrorismo Nunca Mais.
Mundo Muito Estranho
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marli Gonçalves
"Meu, o mundo tá muito estranho". Duvido que você não tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que não tenha concordado com ela. Duvido que também não tenha medo, e não se sinta como uma barata tonta, sendo pisada, caçada por algo maior, desconhecido, imensurável, complexo, chamado Futuro, sobrenome Natureza, e apelidado Destino
Maremoto, que dá tsunami, terremotos e o risco de um desastre nuclear sem precedentes em uma das maiores e mais desenvolvidas nações do mundo, o Japão. Era mais do que a gota d’água que faltava para a gente ficar paranóico de vez. Não precisa nem esperar 2012 quando uns malucos de pirâmides douradas juram que sabem que o mundo vai acabar. É todo dia. Toda hora. Cada notícia mais louca que outra, mais constante, mais punk, mais esquisita. Isso além daquelas que são i-na-cre-di-tá-ve-is, tanto, mas tanto, que chegam a ser folclóricas.
Nós, aqui, ainda temos de aguentar umas catracas que nos governam fazendo catraquices, como por exemplo, nossa representante na ONU se abstendo de votar sanção contra a Líbia do Kaddaffi (gosto assim, dois ds, dois fs). Não parece mesmo o fim do mundo uma decisão como essa tomada justamente quando os kaddaffinhos afirmam, o povo como refém, que haverá banho de sangue civil correndo por ali? Kaddaffi e os kaddaffinhos me lembram dos mafagafos e mafagafinhos, bem monstrinhos. Nossa política internacional? Esta nem me lembra nada de tão chutada que é.
Justamente nesta semana, completando o quadro, o homem mais poderoso do mundo, o presidente americano, o primeiro presidente negro, Barack Obama, vem para cá, para encontrar com a primeira presidente mulher do país, Dilma, e no meio de todos esses acontecimentos internacionais. Mais? Esperavam dele um discurso histórico; primeiro seria lá na Cinelândia, mas o barato foi cortado.
Digamos que julgaram que seria mais seguro Obama aparecer em sala fechada e bonitinha, como o Teatro Municipal, todo mundo sentadinho e bem revistado. Por causa de Obama, até Cristo foi revisado, revistado por tropas de elite. Pede para sair! Ainda querem levá-lo para passear e ver um pouco de pobres e miséria, em uma favela, ou alguma outra "pracinha" de uma pacificada cidade do Rio de Janeiro, o Rio. Agora, dizem que pretende tomar um banho de mar. Descarrego no Rio de Janeiro? O Rio de março.
Nessas águas e nas passadas. Neste ano, nem precisamos por os peitos na janela. Bastou ligar a televisão e por ali passou tudo: a banda e as casas e as pessoas, árvores e os animais, todos carregados, levados na enchente da serra fluminense. Vimos carros empilhados, mortes e desespero também nas enchentes do Sul e resto do Sudeste. São Paulo boiou.
E fez calor. Muito calor, um calor opressivo. Não era só o calor do verão, o tão esperado. Era um forno maldito, sufocante, incapacitante. Choveu, choveu, choveu. Tudo bem. Mas e os raios? Muitos raios, relâmpagos, descargas - como nunca antes - crisparam, cindiram, rasgaram os céus de forma apavorante.
Lá fora um frio cortante, neve para mais de metros. E gritos, muitos gritos de liberdade, vindos do Oriente Médio, de cada pedacinho. Um diferente do outro, mas todos parecidos, pesados, violentos, religiosos, remotos. Enfáticos, assim como as palavras que preciso usar. Vozes que se levantaram mesmo que vindas de debaixo das burcas pesadas, só os olhos de fora, túnicas e crenças míticas, sacrifícios em acampamentos. O pavio queimando, como o das velas de aniversário que apagam e acendem, a qualquer fagulha.
E veio a água e o tremor. Ou o temor, como aprendi no sábio I-Ching - "Há de se saber diferenciar o tremor do temor", li certa vez e jamais esqueci. Como no oráculo chinês, só se vê como previsão água sobre terra, vento sobre terra, lago sobre céu, céu sobre terra, fogo sobre montanha.
Nós? Corremos como baratas quando fogem de nossos pés e vassouras, dos bicos finos de nossos sapatos. Dos sprays que lhes empunhamos como canhões e jatos de efeito napalm. Queremos matá-las. Extermínio seria uma palavra adequada. (Me perdoem os budistas)
Sempre fui, mas realmente ando mesmo ainda muito mais impressionada com as baratas. Para me apavorar, fazer o tradicional terrorismo "brother", meu irmão me contou que viu num documentário como elas são capazes de se comprimir, ficarem chatinhas e como, assim, conseguem e conseguirão escapar - ele descreveu, sádico, citando cada imagem, imitando a barata ficando chatinha. Fazendo cara de barata achatadinha.
Dizem que são os únicos bichos que sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Eu ouvi. Agora fico sabendo de operações de resfriamento de usinas radioativas com ácido bórico, o que eu achava que matava as baratas, e vejo aqueles helicópteros sofisticados carregando "baldinhos", como parecem de longe aquelas toneladas de água e as moscas voadoras enormes, para lá e para cá, trazendo também a água do mar, e com o ácido. O ácido bórico. Quantas visões aterrorizantes!
Hãhã. Esse mundo anda mesmo muito estranho.
São Paulo, distante 396 km de Angra dos Reis, e a nove meses de 2012.
Marli Gonçalves é jornalista. Virei blogueira também, vocês já sabem (http://marligo.wordpress.com). Mas se eu pudesse captar tão fácil R$ 1,3 milhão para fazer um blog¸ como a Bethânia conseguiu com seu projeto de "extrema bondade poética com esse povo ignorante de poesia", acho que também postaria um vídeo por dia, Com o que vocês quisessem. Talvez até topasse cenas de nudez! E como diz meu amigo, por um milhão? Ok! Faço por 880 se for sem nota...
Por Marli Gonçalves
"Meu, o mundo tá muito estranho". Duvido que você não tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que não tenha concordado com ela. Duvido que também não tenha medo, e não se sinta como uma barata tonta, sendo pisada, caçada por algo maior, desconhecido, imensurável, complexo, chamado Futuro, sobrenome Natureza, e apelidado Destino
Maremoto, que dá tsunami, terremotos e o risco de um desastre nuclear sem precedentes em uma das maiores e mais desenvolvidas nações do mundo, o Japão. Era mais do que a gota d’água que faltava para a gente ficar paranóico de vez. Não precisa nem esperar 2012 quando uns malucos de pirâmides douradas juram que sabem que o mundo vai acabar. É todo dia. Toda hora. Cada notícia mais louca que outra, mais constante, mais punk, mais esquisita. Isso além daquelas que são i-na-cre-di-tá-ve-is, tanto, mas tanto, que chegam a ser folclóricas.
Nós, aqui, ainda temos de aguentar umas catracas que nos governam fazendo catraquices, como por exemplo, nossa representante na ONU se abstendo de votar sanção contra a Líbia do Kaddaffi (gosto assim, dois ds, dois fs). Não parece mesmo o fim do mundo uma decisão como essa tomada justamente quando os kaddaffinhos afirmam, o povo como refém, que haverá banho de sangue civil correndo por ali? Kaddaffi e os kaddaffinhos me lembram dos mafagafos e mafagafinhos, bem monstrinhos. Nossa política internacional? Esta nem me lembra nada de tão chutada que é.
Justamente nesta semana, completando o quadro, o homem mais poderoso do mundo, o presidente americano, o primeiro presidente negro, Barack Obama, vem para cá, para encontrar com a primeira presidente mulher do país, Dilma, e no meio de todos esses acontecimentos internacionais. Mais? Esperavam dele um discurso histórico; primeiro seria lá na Cinelândia, mas o barato foi cortado.
Digamos que julgaram que seria mais seguro Obama aparecer em sala fechada e bonitinha, como o Teatro Municipal, todo mundo sentadinho e bem revistado. Por causa de Obama, até Cristo foi revisado, revistado por tropas de elite. Pede para sair! Ainda querem levá-lo para passear e ver um pouco de pobres e miséria, em uma favela, ou alguma outra "pracinha" de uma pacificada cidade do Rio de Janeiro, o Rio. Agora, dizem que pretende tomar um banho de mar. Descarrego no Rio de Janeiro? O Rio de março.
Nessas águas e nas passadas. Neste ano, nem precisamos por os peitos na janela. Bastou ligar a televisão e por ali passou tudo: a banda e as casas e as pessoas, árvores e os animais, todos carregados, levados na enchente da serra fluminense. Vimos carros empilhados, mortes e desespero também nas enchentes do Sul e resto do Sudeste. São Paulo boiou.
E fez calor. Muito calor, um calor opressivo. Não era só o calor do verão, o tão esperado. Era um forno maldito, sufocante, incapacitante. Choveu, choveu, choveu. Tudo bem. Mas e os raios? Muitos raios, relâmpagos, descargas - como nunca antes - crisparam, cindiram, rasgaram os céus de forma apavorante.
Lá fora um frio cortante, neve para mais de metros. E gritos, muitos gritos de liberdade, vindos do Oriente Médio, de cada pedacinho. Um diferente do outro, mas todos parecidos, pesados, violentos, religiosos, remotos. Enfáticos, assim como as palavras que preciso usar. Vozes que se levantaram mesmo que vindas de debaixo das burcas pesadas, só os olhos de fora, túnicas e crenças míticas, sacrifícios em acampamentos. O pavio queimando, como o das velas de aniversário que apagam e acendem, a qualquer fagulha.
E veio a água e o tremor. Ou o temor, como aprendi no sábio I-Ching - "Há de se saber diferenciar o tremor do temor", li certa vez e jamais esqueci. Como no oráculo chinês, só se vê como previsão água sobre terra, vento sobre terra, lago sobre céu, céu sobre terra, fogo sobre montanha.
Nós? Corremos como baratas quando fogem de nossos pés e vassouras, dos bicos finos de nossos sapatos. Dos sprays que lhes empunhamos como canhões e jatos de efeito napalm. Queremos matá-las. Extermínio seria uma palavra adequada. (Me perdoem os budistas)
Sempre fui, mas realmente ando mesmo ainda muito mais impressionada com as baratas. Para me apavorar, fazer o tradicional terrorismo "brother", meu irmão me contou que viu num documentário como elas são capazes de se comprimir, ficarem chatinhas e como, assim, conseguem e conseguirão escapar - ele descreveu, sádico, citando cada imagem, imitando a barata ficando chatinha. Fazendo cara de barata achatadinha.
Dizem que são os únicos bichos que sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Eu ouvi. Agora fico sabendo de operações de resfriamento de usinas radioativas com ácido bórico, o que eu achava que matava as baratas, e vejo aqueles helicópteros sofisticados carregando "baldinhos", como parecem de longe aquelas toneladas de água e as moscas voadoras enormes, para lá e para cá, trazendo também a água do mar, e com o ácido. O ácido bórico. Quantas visões aterrorizantes!
Hãhã. Esse mundo anda mesmo muito estranho.
São Paulo, distante 396 km de Angra dos Reis, e a nove meses de 2012.
Marli Gonçalves é jornalista. Virei blogueira também, vocês já sabem (http://marligo.wordpress.com). Mas se eu pudesse captar tão fácil R$ 1,3 milhão para fazer um blog¸ como a Bethânia conseguiu com seu projeto de "extrema bondade poética com esse povo ignorante de poesia", acho que também postaria um vídeo por dia, Com o que vocês quisessem. Talvez até topasse cenas de nudez! E como diz meu amigo, por um milhão? Ok! Faço por 880 se for sem nota...
sábado, 19 de março de 2011
Crack ou oxi, sinônimos de morte
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Archimedes Marques
Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.
É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.
Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.
Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.
Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.
Crack e oxi também pode ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.
Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em conseqüência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou de qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.
O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.
É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.
Archimedes Marques, Delegado de Policia no Estado de Sergipe. é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br
Por Archimedes Marques
Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.
É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.
Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.
Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.
Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.
Crack e oxi também pode ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.
Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em conseqüência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou de qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.
O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.
É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.
Archimedes Marques, Delegado de Policia no Estado de Sergipe. é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br
Justiça criminal: seletividade e impunidade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Luiz Flávio Gomes e Roberta Calix Coelho Costa
A Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas divulgou o índice de Confiança da Justiça (ICJ-Brasil), do período que compreende os meses de outubro e dezembro de 2010. Foram entrevistadas 1570 pessoas em sete estados brasileiros. Desse universo, 64% declararam que a Justiça é pouco ou nada honesta e 59% alega que o Judiciário recebe influência do poder político ou dos outros poderes do Estado.
Conforme o levantamento Global Corruption Barometer (Barômetro da Corrupção Global), para a maioria dos brasileiros em uma escala de 1 (nem um pouco corrupto) a 5 (extremamente corrupto), o Poder Judiciário ficou com a nota média 3,8, a mesma atribuída à polícia. As duas pesquisas demonstram que parte considerável da população não acredita na lisura do Poder Judiciário.
Esses índices podem ser explicados pelos diversos escândalos de vendas de sentenças e nepotismo veiculados pela mídia nos últimos tempos. Dentre os casos emblemáticos podemos citar o de um ex-ministro do STJ que foi condenado a se aposentar compulsoriamente (punição mais grave prevista na Lei Orgânica da magistratura), depois de ser acusado de venda de decisão judicial.
A corrupção no Judiciário acontece de várias formas (recebimento de dinheiro e/ou presentes pelo juiz para beneficiar uma das partes do processo, por exemplo). Essas práticas ilícitas, no entanto, com o passar do tempo, estão se tornando mais corriqueiras, pois o fenômeno da morosidade processual cresce e prolonga a resolução dos casos.
Sobre a questão da corrupção, o Ministro Gilson Dipp, em entrevista ao Jornal “O Globo”, em outubro de 2010, declarou que ficou surpreso com o grau de corrupção que descobriu em alguns setores do Judiciário durante sua gestão na Corregedoria Nacional de Justiça, entre setembro de 2008 e setembro de 2010. Para o Ministro, os juízes, assim como outros profissionais, “cometem desvios por causa da sensação de impunidade”.
Indagado sobre o grau de corrupção no Judiciário a partir da sua experiência na Corregedoria do CNJ, o Ministro respondeu que pelo universo de 16 mil juízes, os casos não são tão pontuais como ele imaginava. Alegou que a Corregedoria Nacional de Justiça passou a funcionar também por causa da omissão das corregedorias locais, pois as corregedorias dos Tribunais de Justiça estaduais e algumas corregedorias dos TRFs não atuavam de uma forma devida.
Em relação à expectativa da sociedade sobre a imagem do juiz como quase santo, Gilson Dipp afirmou que “é a sensação de impunidade, a onipotência e a tentativa de obter proveito daquilo que é mais sagrado, a prestação jurisdicional. Ou seja, o juiz deve ter uma conduta muito mais austera do que qualquer outro cidadão. Porque ele, em suma, julga questões relativas à vida, à liberdade e ao patrimônio das pessoas.”
Infelizmente, a corrupção está presente nos três poderes em graus diferentes. Para o Ministro, no Poder Judiciário, o problema é muito menor e mais localizado.
Ocorre que, apesar da transparência, da atuação da Corregedoria e dos portais do Siafi do Judiciário, com certa freqüência, os meios de comunicação de massa divulgam escândalos envolvendo algum agente do Poder Judiciário. Essa corrupção, claro, contribui também para o aumento do nível de impunidade. Mais precisamente, diz respeito ao filtro número 8 (dentre os filtros de Pilgran, com ajustes que fizemos), que é o da condenação penal. Juiz corrompido auxilia para o aumento dos índices de impunidade. Círculo vicioso em nosso país, que muitas vezes se apresenta como fator do incremento da violência.
Luiz Flávio Gomes – Jurista e cientista criminal. Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri e Mestre em Direito Penal pela USP. Presidente da Rede LFG. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Blog: www.blogdolfg.com.br. Twitter: www.twitter.com/ProfessorLFG. Encontre-me no facebook.
Roberta Calix Coelho Costa – Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
Por Luiz Flávio Gomes e Roberta Calix Coelho Costa
A Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas divulgou o índice de Confiança da Justiça (ICJ-Brasil), do período que compreende os meses de outubro e dezembro de 2010. Foram entrevistadas 1570 pessoas em sete estados brasileiros. Desse universo, 64% declararam que a Justiça é pouco ou nada honesta e 59% alega que o Judiciário recebe influência do poder político ou dos outros poderes do Estado.
Conforme o levantamento Global Corruption Barometer (Barômetro da Corrupção Global), para a maioria dos brasileiros em uma escala de 1 (nem um pouco corrupto) a 5 (extremamente corrupto), o Poder Judiciário ficou com a nota média 3,8, a mesma atribuída à polícia. As duas pesquisas demonstram que parte considerável da população não acredita na lisura do Poder Judiciário.
Esses índices podem ser explicados pelos diversos escândalos de vendas de sentenças e nepotismo veiculados pela mídia nos últimos tempos. Dentre os casos emblemáticos podemos citar o de um ex-ministro do STJ que foi condenado a se aposentar compulsoriamente (punição mais grave prevista na Lei Orgânica da magistratura), depois de ser acusado de venda de decisão judicial.
A corrupção no Judiciário acontece de várias formas (recebimento de dinheiro e/ou presentes pelo juiz para beneficiar uma das partes do processo, por exemplo). Essas práticas ilícitas, no entanto, com o passar do tempo, estão se tornando mais corriqueiras, pois o fenômeno da morosidade processual cresce e prolonga a resolução dos casos.
Sobre a questão da corrupção, o Ministro Gilson Dipp, em entrevista ao Jornal “O Globo”, em outubro de 2010, declarou que ficou surpreso com o grau de corrupção que descobriu em alguns setores do Judiciário durante sua gestão na Corregedoria Nacional de Justiça, entre setembro de 2008 e setembro de 2010. Para o Ministro, os juízes, assim como outros profissionais, “cometem desvios por causa da sensação de impunidade”.
Indagado sobre o grau de corrupção no Judiciário a partir da sua experiência na Corregedoria do CNJ, o Ministro respondeu que pelo universo de 16 mil juízes, os casos não são tão pontuais como ele imaginava. Alegou que a Corregedoria Nacional de Justiça passou a funcionar também por causa da omissão das corregedorias locais, pois as corregedorias dos Tribunais de Justiça estaduais e algumas corregedorias dos TRFs não atuavam de uma forma devida.
Em relação à expectativa da sociedade sobre a imagem do juiz como quase santo, Gilson Dipp afirmou que “é a sensação de impunidade, a onipotência e a tentativa de obter proveito daquilo que é mais sagrado, a prestação jurisdicional. Ou seja, o juiz deve ter uma conduta muito mais austera do que qualquer outro cidadão. Porque ele, em suma, julga questões relativas à vida, à liberdade e ao patrimônio das pessoas.”
Infelizmente, a corrupção está presente nos três poderes em graus diferentes. Para o Ministro, no Poder Judiciário, o problema é muito menor e mais localizado.
Ocorre que, apesar da transparência, da atuação da Corregedoria e dos portais do Siafi do Judiciário, com certa freqüência, os meios de comunicação de massa divulgam escândalos envolvendo algum agente do Poder Judiciário. Essa corrupção, claro, contribui também para o aumento do nível de impunidade. Mais precisamente, diz respeito ao filtro número 8 (dentre os filtros de Pilgran, com ajustes que fizemos), que é o da condenação penal. Juiz corrompido auxilia para o aumento dos índices de impunidade. Círculo vicioso em nosso país, que muitas vezes se apresenta como fator do incremento da violência.
Luiz Flávio Gomes – Jurista e cientista criminal. Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri e Mestre em Direito Penal pela USP. Presidente da Rede LFG. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Blog: www.blogdolfg.com.br. Twitter: www.twitter.com/ProfessorLFG. Encontre-me no facebook.
Roberta Calix Coelho Costa – Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
sexta-feira, 18 de março de 2011
O exemplo do Japão
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Segundo especialistas, os desastres climáticos que recentemente têm sido divulgados, ocorrem, e sempre ocorreram, na mesma quantidade e intensidade, mas não havia tanta informação quanto hoje que os divulgasse, motivo pelo qual muitos imaginam que estão aumentado, tanto na quantidade quanto na intensidade.
A internet, antes inexistente, hoje consegue fazer com que as pessoas se sintam praticamente participantes dos fatos, tamanha a riqueza de detalhes e a rapidez da divulgação dos mesmos. Consegue transmitir dados e imagens que derrubam governos como no Egito, ameaçam ditadores como na Líbia e surpreende a humanidade, mudando inclusive expressões, como a da transmissão ao vivo e a cores como se dizia alguns anos atrás, para transmissão on line, de ocorrências como o terremoto seguido do tsunami que arrasou o Japão nos últimos dias.
Os ambientalistas radicais tentam desmentir trabalhos científicos que comprovam isso, dizendo que o homem destruiu o planeta, que precisamos de "desmatamento zero", replantar o que já foi desmatado, e todas as outras previsões alarmistas que já estamos acostumados a ouvir destes.
Já os cientistas afirmam que não é um tipo de árvore, mas qualquer tipo de planta, a responsável pelo "filtro" terrestre e a purificação do ar, e que, nesse sentido, tanto faz a floresta amazônica, quanto uma imensa floresta de eucaliptos, ou mesmo milhares de hectares de soja, milho, ou qualquer outro plantio agrícola, todos fazem a fotossíntese com a mesma qualidade e intensidade.
Independentemente desse tipo de discussão, até por não possuir conhecimento do assunto e não pretender, como alguns que defendem essa ou aquela corrente, radicalizar, seja para qual lado for, penso que tudo o que o ser humano precisa fazer para aprender é observar os fatos, as ocorrências, e delas tirar conhecimento necessário para viver cada vez melhor, em paz e em harmonia com a natureza, que tudo nos dá, e tudo nos ensina.
Sempre podemos aprender algo observando as mais diversas ocorrências da vida, sejam pessoais ou comunitárias, e o que está ocorrendo no Japão nos últimos dias, me faz pensar sobre os motivos pelos quais, num país como o Brasil, com tantas riquezas naturais, ainda se pensa na geração de energia nuclear.
As possibilidades naturais existentes no país para a geração de energia utilizando os mais diversos meios conhecidos atualmente são imensas, e praticamente inofensivas, como o aumento significativo da geração da energia hidráulica, com a grande quantidade de rios ainda inexplorados para esse fim que possuímos, a energia gerada pelo vento, eólica, quando se sabe que possuímos regiões onde o vento é intenso e ininterrupto, como no Nordeste, e a energia solar, de captação fácil e abundante em todo o país durante todo o ano.
Mesmo com os ambientalistas lutando contra, dizendo que as represas inundam áreas de animais, reservas indígenas, ou mesmo de outras populações ribeirinhas, não dizem que essas populações realocadas sempre são instaladas em locais com maiores e melhores condições e infraestrutura como um todo, desde escolas, hospitais, comércio, centros de lazer, e tudo o que se faz necessário para uma vida mais digna do que possuíam.
E as represas, além de energia passam a gerar também fartura de alimentos com peixes em abundância para seus ribeirinhos, trabalho para pescadores profissionais, turismo e sua consequente geração de empregos, esportes aquáticos, transporte fluvial, mais barato e seguro que o rodoviário e o ferroviário, e centenas de outras possibilidades.
As ocorrências no Japão devem servir de alerta aos defensores da energia nuclear pois por mais que os cientistas digam que possuem controle sobre esse sistema, num dos países mais desenvolvidos do mundo, e que no passado já sofreu as consequências da explosão de bombas atômicas em seu território, esses cientistas não souberam sequer como impedir as explosões dos reatores, e a nova contaminação ambiental e de seres humanos que certamente ocorrerá.
Podemos até entender que em países menores, pequenos como o Japão, a geração de energia nuclear ainda assim seja justificável, por falta de outras alternativas, mas no Brasil, com todas as riquezas naturais que possuímos, só pode ser entendida como mais uma fonte de corrupção, ou seja, de crime.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Segundo especialistas, os desastres climáticos que recentemente têm sido divulgados, ocorrem, e sempre ocorreram, na mesma quantidade e intensidade, mas não havia tanta informação quanto hoje que os divulgasse, motivo pelo qual muitos imaginam que estão aumentado, tanto na quantidade quanto na intensidade.
A internet, antes inexistente, hoje consegue fazer com que as pessoas se sintam praticamente participantes dos fatos, tamanha a riqueza de detalhes e a rapidez da divulgação dos mesmos. Consegue transmitir dados e imagens que derrubam governos como no Egito, ameaçam ditadores como na Líbia e surpreende a humanidade, mudando inclusive expressões, como a da transmissão ao vivo e a cores como se dizia alguns anos atrás, para transmissão on line, de ocorrências como o terremoto seguido do tsunami que arrasou o Japão nos últimos dias.
Os ambientalistas radicais tentam desmentir trabalhos científicos que comprovam isso, dizendo que o homem destruiu o planeta, que precisamos de "desmatamento zero", replantar o que já foi desmatado, e todas as outras previsões alarmistas que já estamos acostumados a ouvir destes.
Já os cientistas afirmam que não é um tipo de árvore, mas qualquer tipo de planta, a responsável pelo "filtro" terrestre e a purificação do ar, e que, nesse sentido, tanto faz a floresta amazônica, quanto uma imensa floresta de eucaliptos, ou mesmo milhares de hectares de soja, milho, ou qualquer outro plantio agrícola, todos fazem a fotossíntese com a mesma qualidade e intensidade.
Independentemente desse tipo de discussão, até por não possuir conhecimento do assunto e não pretender, como alguns que defendem essa ou aquela corrente, radicalizar, seja para qual lado for, penso que tudo o que o ser humano precisa fazer para aprender é observar os fatos, as ocorrências, e delas tirar conhecimento necessário para viver cada vez melhor, em paz e em harmonia com a natureza, que tudo nos dá, e tudo nos ensina.
Sempre podemos aprender algo observando as mais diversas ocorrências da vida, sejam pessoais ou comunitárias, e o que está ocorrendo no Japão nos últimos dias, me faz pensar sobre os motivos pelos quais, num país como o Brasil, com tantas riquezas naturais, ainda se pensa na geração de energia nuclear.
As possibilidades naturais existentes no país para a geração de energia utilizando os mais diversos meios conhecidos atualmente são imensas, e praticamente inofensivas, como o aumento significativo da geração da energia hidráulica, com a grande quantidade de rios ainda inexplorados para esse fim que possuímos, a energia gerada pelo vento, eólica, quando se sabe que possuímos regiões onde o vento é intenso e ininterrupto, como no Nordeste, e a energia solar, de captação fácil e abundante em todo o país durante todo o ano.
Mesmo com os ambientalistas lutando contra, dizendo que as represas inundam áreas de animais, reservas indígenas, ou mesmo de outras populações ribeirinhas, não dizem que essas populações realocadas sempre são instaladas em locais com maiores e melhores condições e infraestrutura como um todo, desde escolas, hospitais, comércio, centros de lazer, e tudo o que se faz necessário para uma vida mais digna do que possuíam.
E as represas, além de energia passam a gerar também fartura de alimentos com peixes em abundância para seus ribeirinhos, trabalho para pescadores profissionais, turismo e sua consequente geração de empregos, esportes aquáticos, transporte fluvial, mais barato e seguro que o rodoviário e o ferroviário, e centenas de outras possibilidades.
As ocorrências no Japão devem servir de alerta aos defensores da energia nuclear pois por mais que os cientistas digam que possuem controle sobre esse sistema, num dos países mais desenvolvidos do mundo, e que no passado já sofreu as consequências da explosão de bombas atômicas em seu território, esses cientistas não souberam sequer como impedir as explosões dos reatores, e a nova contaminação ambiental e de seres humanos que certamente ocorrerá.
Podemos até entender que em países menores, pequenos como o Japão, a geração de energia nuclear ainda assim seja justificável, por falta de outras alternativas, mas no Brasil, com todas as riquezas naturais que possuímos, só pode ser entendida como mais uma fonte de corrupção, ou seja, de crime.
João Bosco Leal é Produtor Rural - www.joaoboscoleal.com.br
A guerra nossa de cada dia
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Sérgio Ernesto Alves Conforto
Na acirrada competitividade da economia contemporânea, empresas e gestores enfrentam batalhas diárias pela conquista de posições no mercado e na disputa com os concorrentes. A guerra do universo corporativo no mundo globalizado é travada nos terrenos inóspitos das crises financeiras como a de 2008/2009, da burocracia, do protecionismo e dos mais inusitados obstáculos.
A analogia não é meramente retórica ou semântica. Há numerosas congruências entre a gestão de uma empresa e a administração das complexas engrenagens relativas aos conflitos bélicos. Para entender melhor a questão, comecemos fazendo rápida análise do termo “Estratégia”. Derivado da antiga língua grega, significava “A Arte do General”, e por “General” devemos entender o chefe maior de todas as forças, capaz de liderar grandes efetivos em missões arriscadas.
Com o tempo, e coerente com o pensamento de Sun-Tzu (general chinês que viveu no século IV AC, precursor da “Estratégia” e autor de “A arte da Guerra”), associou-se o termo à capacidade de se convencer o adversário a desistir do combate (“o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar...”), ou, então, a iludi-lo, colocando-o em posição desvantajosa, de modo a lhe apressar a derrota com mínimo desgaste para o lado vitorioso. Para o sucesso nessas metas é preciso planejamento, bom uso de experiência e sabedoria, capacidade de liderança e análise de riscos, além de invulnerabilidade aos artifícios do adversário.
Não há fenômeno de maior complexidade e tão frequente na história da humanidade do que a guerra. Para o preparo das ações nesses conflitos, os conhecimentos podem ser aplicáveis em qualquer outro tipo de empreendimento. No mundo corporativo mercadológico, o termo “guerra” deve ser entendido como o duelo entre vontades, a luta pelo alcance de metas, em presença de antagonismos e pressões de toda ordem. Porém, é claro, sem o desencadeamento de ações de violência.
Os conhecimentos e aplicação de conceitos e estratégias militares podem ser extremamente proveitosos na relação entre pessoas, empresas ou nações, ainda que em tempos de paz. É o sobe-e-desce das bolsas, aquele excelente executivo contratado pela concorrente, um novo diferencial tecnológico, ou aquela grande ideia de marketing que eleva as vendas.
Acontecimentos estes que podem ser previstos por meio da informação e contrainformação. Um estrategista lê o noticiário com outros olhos, reconhece as mensagens ocultas em filmes, pronunciamentos políticos, propagandas de toda ordem, com afinada percepção do emprego diário dos instrumentos de dominação.
Nesta guerra, o campo de batalha é o mercado; os soldados são os cientistas, os diplomatas, os jornalistas, os profissionais da propaganda, os psicólogos, os professores e economistas. O cotidiano de uma economia altamente competitiva exige muita estratégia por parte das empresas e gestores que buscam sempre a vitória.
Sérgio Ernesto Alves Conforto, General de Exército, é coordenador do Curso de Estratégia Militar para Gestão de Negócios da FAAP e ex-ministro do Superior Tribunal Militar.
Por Sérgio Ernesto Alves Conforto
Na acirrada competitividade da economia contemporânea, empresas e gestores enfrentam batalhas diárias pela conquista de posições no mercado e na disputa com os concorrentes. A guerra do universo corporativo no mundo globalizado é travada nos terrenos inóspitos das crises financeiras como a de 2008/2009, da burocracia, do protecionismo e dos mais inusitados obstáculos.
A analogia não é meramente retórica ou semântica. Há numerosas congruências entre a gestão de uma empresa e a administração das complexas engrenagens relativas aos conflitos bélicos. Para entender melhor a questão, comecemos fazendo rápida análise do termo “Estratégia”. Derivado da antiga língua grega, significava “A Arte do General”, e por “General” devemos entender o chefe maior de todas as forças, capaz de liderar grandes efetivos em missões arriscadas.
Com o tempo, e coerente com o pensamento de Sun-Tzu (general chinês que viveu no século IV AC, precursor da “Estratégia” e autor de “A arte da Guerra”), associou-se o termo à capacidade de se convencer o adversário a desistir do combate (“o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar...”), ou, então, a iludi-lo, colocando-o em posição desvantajosa, de modo a lhe apressar a derrota com mínimo desgaste para o lado vitorioso. Para o sucesso nessas metas é preciso planejamento, bom uso de experiência e sabedoria, capacidade de liderança e análise de riscos, além de invulnerabilidade aos artifícios do adversário.
Não há fenômeno de maior complexidade e tão frequente na história da humanidade do que a guerra. Para o preparo das ações nesses conflitos, os conhecimentos podem ser aplicáveis em qualquer outro tipo de empreendimento. No mundo corporativo mercadológico, o termo “guerra” deve ser entendido como o duelo entre vontades, a luta pelo alcance de metas, em presença de antagonismos e pressões de toda ordem. Porém, é claro, sem o desencadeamento de ações de violência.
Os conhecimentos e aplicação de conceitos e estratégias militares podem ser extremamente proveitosos na relação entre pessoas, empresas ou nações, ainda que em tempos de paz. É o sobe-e-desce das bolsas, aquele excelente executivo contratado pela concorrente, um novo diferencial tecnológico, ou aquela grande ideia de marketing que eleva as vendas.
Acontecimentos estes que podem ser previstos por meio da informação e contrainformação. Um estrategista lê o noticiário com outros olhos, reconhece as mensagens ocultas em filmes, pronunciamentos políticos, propagandas de toda ordem, com afinada percepção do emprego diário dos instrumentos de dominação.
Nesta guerra, o campo de batalha é o mercado; os soldados são os cientistas, os diplomatas, os jornalistas, os profissionais da propaganda, os psicólogos, os professores e economistas. O cotidiano de uma economia altamente competitiva exige muita estratégia por parte das empresas e gestores que buscam sempre a vitória.
Sérgio Ernesto Alves Conforto, General de Exército, é coordenador do Curso de Estratégia Militar para Gestão de Negócios da FAAP e ex-ministro do Superior Tribunal Militar.
Sua empresa está preparada para o público da terceira idade?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Gilberto Wiesel
Muito se fala sobre as novas gerações, mas sua empresa já parou para pensar em ações direcionadas ao público idoso? Talvez seja hora de começar a refletir sobre isso. Segundo estimativas das Nações Unidas, o número de pessoas com 65 anos ou mais deverá triplicar em todo o mundo, de 523 milhões no ano passado para cerca de 1,5 bilhão até 2050. Tal dado representa que, em breve, as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos vão superar pela primeira vez o número de crianças com menos de cinco anos. E aqui no Brasil não é diferente: de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de pessoas com mais de 50 anos promete superar os indivíduos de até 30 anos, em 2040.
Diante desse cenário, é fundamental que as empresas se preparem para lidar com esses consumidores. Mas quais as principais ações que as organizações devem tomar para se aproximar desse público? Um exemplo são os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que ajudam desenvolvedores de produtos a compreender melhor o perfil de consumo dos idosos. Diversas empresas já procuraram o AgeLab do MIT para entender quais as principais características e demandas desses clientes.
Nessa linha, organizações como Intel e General Electric estão desenvolvendo, em conjunto, tecnologias para ajudar idosos a manterem-se independentes. Entretanto, são poucas as companhias que, até agora, criaram novos serviços para esse público consumidor. Como desenvolver, então, uma relação próxima e fiel com os clientes mais velhos? Antes de tudo, é importante que as empresas respeitem o público idoso, entendam e, sobretudo, compreendam as necessidades das pessoas da terceira idade para, assim, desenvolver produtos e serviços que atendam a essa demanda específica.
Campanhas direcionadas e serviços que vão ao encontro direto deste consumidor tendem a ser eficazes. Exemplo disso é um modelo de celular, desenvolvido no ano passado, pela fabricante chinesa ZTE. No aparelho, as teclas são grandes e iluminadas, e as funções, simples. Esse é somente um caso, mas há inúmeros produtos já adaptados à demanda idosa. Todas essas ações refletem a preocupação e aproximação com o seu público-alvo, um dos objetivos de uma empresa que está em busca de crescimento e sucesso.
Mas somente desenvolver novas alternativas para os consumidores da terceira idade basta? Considero que um dos desafios das empresas é conquistar a confiança deste público específico. Para isso, antes de colocar no mercado um serviço que você e sua equipe acreditam ser eficazes com os clientes idosos, pesquise de forma aprofundada os vários perfis de consumidores dessa faixa etária e inove no atendimento. Por isso, coloque em prática novas formas de atender o público idoso, cada vez mais exigente e crítico.
Para as empresas que trilham o caminho do sucesso, é imprescindível não fechar os olhos para os chamados públicos segmentados, sejam eles jovens ou idosos. Então, saia na frente da concorrência e vá atrás de seus clientes. Ofereça soluções diferenciadas para cada perfil. Desenvolva ações direcionadas, novos produtos e serviços de acordo com as necessidades dos distintos consumidores que estão no mercado. Crie estratégias, entre em ação e inove no atendimento personalizado para manter-se perto daqueles para os quais você trabalha.
Gilberto Wiesel é conferencista, consultor e diretor do Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa com foco em liderança, empreendedorismo e desenvolvimento de competências. Administrador de empresas pós-graduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguistica pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Theraphy Association, Hawai-USA. Para mais informações, acesse: www.gilbertowiesel.com.br
Por Gilberto Wiesel
Muito se fala sobre as novas gerações, mas sua empresa já parou para pensar em ações direcionadas ao público idoso? Talvez seja hora de começar a refletir sobre isso. Segundo estimativas das Nações Unidas, o número de pessoas com 65 anos ou mais deverá triplicar em todo o mundo, de 523 milhões no ano passado para cerca de 1,5 bilhão até 2050. Tal dado representa que, em breve, as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos vão superar pela primeira vez o número de crianças com menos de cinco anos. E aqui no Brasil não é diferente: de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de pessoas com mais de 50 anos promete superar os indivíduos de até 30 anos, em 2040.
Diante desse cenário, é fundamental que as empresas se preparem para lidar com esses consumidores. Mas quais as principais ações que as organizações devem tomar para se aproximar desse público? Um exemplo são os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que ajudam desenvolvedores de produtos a compreender melhor o perfil de consumo dos idosos. Diversas empresas já procuraram o AgeLab do MIT para entender quais as principais características e demandas desses clientes.
Nessa linha, organizações como Intel e General Electric estão desenvolvendo, em conjunto, tecnologias para ajudar idosos a manterem-se independentes. Entretanto, são poucas as companhias que, até agora, criaram novos serviços para esse público consumidor. Como desenvolver, então, uma relação próxima e fiel com os clientes mais velhos? Antes de tudo, é importante que as empresas respeitem o público idoso, entendam e, sobretudo, compreendam as necessidades das pessoas da terceira idade para, assim, desenvolver produtos e serviços que atendam a essa demanda específica.
Campanhas direcionadas e serviços que vão ao encontro direto deste consumidor tendem a ser eficazes. Exemplo disso é um modelo de celular, desenvolvido no ano passado, pela fabricante chinesa ZTE. No aparelho, as teclas são grandes e iluminadas, e as funções, simples. Esse é somente um caso, mas há inúmeros produtos já adaptados à demanda idosa. Todas essas ações refletem a preocupação e aproximação com o seu público-alvo, um dos objetivos de uma empresa que está em busca de crescimento e sucesso.
Mas somente desenvolver novas alternativas para os consumidores da terceira idade basta? Considero que um dos desafios das empresas é conquistar a confiança deste público específico. Para isso, antes de colocar no mercado um serviço que você e sua equipe acreditam ser eficazes com os clientes idosos, pesquise de forma aprofundada os vários perfis de consumidores dessa faixa etária e inove no atendimento. Por isso, coloque em prática novas formas de atender o público idoso, cada vez mais exigente e crítico.
Para as empresas que trilham o caminho do sucesso, é imprescindível não fechar os olhos para os chamados públicos segmentados, sejam eles jovens ou idosos. Então, saia na frente da concorrência e vá atrás de seus clientes. Ofereça soluções diferenciadas para cada perfil. Desenvolva ações direcionadas, novos produtos e serviços de acordo com as necessidades dos distintos consumidores que estão no mercado. Crie estratégias, entre em ação e inove no atendimento personalizado para manter-se perto daqueles para os quais você trabalha.
Gilberto Wiesel é conferencista, consultor e diretor do Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa com foco em liderança, empreendedorismo e desenvolvimento de competências. Administrador de empresas pós-graduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguistica pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Theraphy Association, Hawai-USA. Para mais informações, acesse: www.gilbertowiesel.com.br
quinta-feira, 17 de março de 2011
Gastos Públicos na Era Lula (2003-2010)
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Ricardo Bergamini
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, o governo Lula obteve uma receita total de 27,82% do PIB (correntes e de capitais), tendo aplicado 32,01% do PIB (correntes e de capitais) como segue: 8,12% (Serviço da Dívida); 5,39% (Transferências para Estados e Municípios); 6,72% (Previdência Social - INSS); 4,87% (Gastos com Pessoal da União); 1,81% (Saúde); 1,58% (Defesa); 1,42% (Educação); e 2,10% com as demais atividades da União, gerando déficit fiscal nominal de 4,19% do PIB.
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, apenas com Serviço da Dívida - R$ 1.665,2 bilhões (8,12% do PIB); Transferências Constitucionais e Voluntárias para Estados e Municípios - R$ 1.104,5 bilhões (5,39% do PIB); Previdência INSS - R$ 1.377,7 bilhões com 23,9 milhões de beneficiários (6,72% do PIB) e Custo Total com Pessoal da União - Civis e Militares - Ativos, Aposentados e Pensionistas - R$ 999,3 bilhões com 2.208.596 de beneficiários (4,87% do PIB) totalizando R$ 5.146,7 bilhões (25,11% do PIB), comprometeram-se 90,23% das Receitas Totais (Correntes e de Capitais) no período, no valor de R$5.704,0 bilhões (27,82% do PIB).
Resultado Fiscal Nominal da União
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 houve aumento das despesas totais (correntes e de capitais) de 2,30% do PIB em relação ao ano de 2002. Aumento real em relação ao PIB de 7,74%. Apesar do aumento global das despesas, devido ao aumento do número de Ministérios, houve redução real de algumas despesas importantes, tais como: Saúde (–2,16%); Defesa (-11,73%).
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 houve redução das receitas totais (correntes e de capitais) de 1,70% do PIB em relação ao ano de 2002. Redução real em relação ao PIB de 5,76%.
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 o governo federal gerou um déficit fiscal nominal de R$ 859,2 bilhões (4,19% do PIB).
A dotação orçamentária das despesas da União para o exercício de 2010 foi de R$ 1.259,7 bilhões, tendo sido empenhado o montante de R$ 1.131,5 bilhões e liquidado R$ 1.131,5 bilhões, não considerando renegociação de dívidas de R$ 373,4 bilhões.
Em 2010 ficou um resto a pagar de R$ 72,4 bilhões.
Política Tributária
Receitas Tributárias saíram da média/mês de R$ 9,0 bilhões (7,31% do PIB) em 2002 para R$ 16,1 bilhões (7,52% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Crescimento nominal de 78,88%, e aumento real em relação ao PIB de 2,87’%.
Receitas de Contribuições saíram da média/mês de R$ 16,1 bilhões (13,07% do PIB) em 2002 para R$ 29,2 bilhões (13,67% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Crescimento nominal de 81,37%, e aumento real em relação ao PIB de 4,59%.
Receitas de Capitais saíram da média/mês de R$ 7,8 bilhões (6,33% do PIB) em 2002 para R$ 6,6 bilhões (3,07% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Queda nominal de 15,38%, e queda real em relação ao PIB de 51,50%.
Receitas Totais saíram da média/mês de R$ 36,4 bilhões (29,52% do PIB) em 2002 para R$ 59,4 bilhões (27,82% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Aumento nominal de 63,19%, e queda real em relação ao PIB de 5,76%.
Estoque da Dívida Externa Líquida da União (Dívida Externa Bruta Menos Reservas)
Em dezembro de 1994 o estoque da dívida externa líquida da União era de US$ 34,8 bilhões (6,41% do PIB) aumentando para US$ 90,0 bilhões (17,85% do PIB) em dezembro de 2002. Crescimento real em relação ao PIB de 178,47% comparado com o ano de 1994. Em dezembro 2010 diminui para US$ 51,0 bilhões (2,57% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 85,60% comparado com dezembro de 2002, e redução real em relação ao PIB de 59,91% comparado com dezembro de 1994.
Estoque da Dívida Externa Líquida Pública e Privada (Dívida Externa Bruta Menos Reserva)
Em dezembro de 1994 o estoque total da dívida externa líquida (pública e privada) era de US$ 107,4 bilhões (19,78% do PIB) aumentando para US$ 189,5 bilhões (37,58% do PIB) em dezembro de 2002. Crescimento real de 89,99% em relação ao PIB comparado com o ano de 1994. Em dezembro de 2010 diminui para US$ 61,8 bilhões (3,11% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 91,72% comparado com dezembro de 2002, e redução real em relação ao PIB de 84,28% comparado com dezembro ano de 1994.
Reservas Internacionais em poder do Banco Central (Conceito de Caixa).
No conceito de caixa as reservas internacionais no Banco Central do Brasil em dezembro de 1994 eram de US$ 38,8 bilhões (7,14% do PIB). Em dezembro de 2002 de US$ 37,8 bilhões (7,49% do PIB). Em dezembro de 2010 de US$ 288,6 bilhões (14,55% do PIB).
Dívida Interna da União Total (em poder do mercado e em poder do Banco Central)
- Aumento nominal da dívida Interna em poder do mercado de R$ 32,1 bilhões (9,19% do PIB) em 1994 para R$ 558,9 bilhões (37,82% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 311,53%
- Aumento nominal da dívida interna em poder do mercado de R$ 558,9 bilhões (37,82% do PIB) em 2002 para R$ 1.603,9 bilhões (45,75% do PIB) em 2010. Aumento real em relação ao PIB de 20,97%.
- Aumento nominal da dívida interna em poder do Banco Central de R$ 33,5 bilhões (9,59% do PIB) em 1994 para R$ 282,1 bilhões (19,09% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 99,06%.
- Aumento nominal da dívida interna em poder do Banco Central de R$ 282,1 bilhões (19,09% do PIB) em 2002 para R$ 694,0 bilhões (19,80% do PIB) em 2010. Aumento real em relação ao PIB de 3,72%.
- Aumento nominal da dívida interna total (em poder do mercado e do Banco Central) de R$ 65,6 bilhões (18.78% do PIB) em 1994 para R$ 841,0 bilhões (56,91% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 203,03%. Cabe lembrar que nesse período o governo federal assumiu todas as dívidas do estados e municípios, cujo valor atualizado com base em dezembro de 2010 era de R$ 471,7 bilhões (13,56% do PIB).
- Aumento nominal da dívida interna total (em poder do mercado e do Banco Central) de R$ 841,0 bilhões (56,91% do PIB) em 2002 para R$ 2.297,9 bilhões (65,55% do PIB) em 2010. Crescimento real em relação ao PIB de 15,18%.
Dívida Externa Líquida da União (Dívida Externa Bruta Menos Reservas)
- Aumento nominal de R$ 22,2 bilhões (6,35%do PIB) em 1994 para R$ 262,9 bilhões (17,79% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 180,16%.
- Redução nominal de R$ 262,9 bilhões (17,79% do PIB) em 2002 para R$ 90,1 bilhões (2,57% do PIB) em 2010. Redução real em relação ao PIB de 85,55%.
Dívida Líquida Total da União (Interna e Externa)
- Aumento nominal de R$ 87,8 bilhões (25,13% do PIB) em 1994 para R$ 1.103,9 bilhões (74,70% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 197,25%.
- Aumento nominal de R$ 1.103,9 bilhões (74,70% do PIB) em 2002 para R$ 2.388,0 bilhões (68,12% do PIB) em 2010. Redução real em relação ao PIB de 8,81%.
Política de Juro
Juro primário ou básico: é a remuneração financeira de referência para um dia de financiamento fixada pelo Banco Central, conhecida como HOT MONEY. Em dezembro de 2010 estava fixada em 10,75% ao ano.
Efeito Multiplicador de Base: é um índice calculado pelo Banco Central para regular a liquidez do mercado, via depósitos compulsórios. Através deste índice podemos chegar a taxa real de juros de mercado.
O custo médio de carregamento da dívida interna da União em 2010 foi de 0,9361 ao mês (11,83% ao ano), com ganho real para os investidores de 0,0383% ao mês (1,00% ao ano), depois de excluída a inflação média/mês do IGPM de 0,8978% ao mês (11,32% ao ano).
Sendo o multiplicador de base médio de 2010 de 1,4300, ou seja: 69,93% dos recursos disponíveis foram esterilizados pelo Banco Central, através dos depósitos compulsórios, o juro mínimo de mercado médio de 2010 foi de 11,83% ao ano x 3,3256 = 39,34% ao ano (2,8031% ao mês), não considerando outros custos, tais como: impostos, taxas e lucros dos bancos.
Em 2010 a dívida total da União teve PMP (Prazo Médio de Pagamento) de 3,51 anos. Considerando apenas a dívida interna da União em poder do mercado teve um PMP de 3,36 anos.
Balança Comercial
Série história de nossa balança comercial com base na média/ano foi como segue: 85/89 (superávit de US$ 13,5 bilhões = 4,57% do PIB); 90/94 (superávit de US$ 12,1 bilhões = 2,70% do PIB); 95/02 (déficit de US$ 1,1 bilhão = -0,15% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (superávit de US$ 32,5 bilhões = 2,66% do PIB).
Necessidade de Financiamento do Balanço de Pagamentos
Série histórica de nossa necessidade de financiamento de balanço de pagamentos com base na média/ano foi como segue: 85/89 (US$ 13,4 bilhões = 4,56% do PIB); 90/94 (US$ 17,4 bilhões = 3,89% do PIB); 95/02 (US$ 50,9 bilhões = 7,26% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (US$ 39,3 bilhões = 3,22% do PIB).
Investimentos Externos Líquidos (Diretos e Indiretos)
Série histórica dos investimentos externos líquidos (diretos e indiretos) com base na média/ano foi como segue: 85/89 (negativo de US$ 6,3 bilhões = -2,14% do PIB); 90/94 (positivo de US$ 7,0 bilhões = 1,57% do PIB); 95/02 (positivo de US$ 24,3 bilhões = 3,46% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (positivo de US$ 37,4 bilhões = 3,08% do PIB).
Gastos com Pessoal da União (Diretos, Indiretos, Civis, Militares, Ativos, Aposentados, Pensionistas, Ex-Territórios e DF)
O custo total de pessoal da União aumentou de R$ 35,8 bilhões em 1994 para R$ 75,0 bilhões em 2002. Incremento nominal de 109,50% em relação ao ano de 1994. Em 2010 o custo total com pessoal da União foi de R$ 183,3 bilhões. Incremento nominal de 144,40% em relação ao ano de 2002.
Em 2010 o rendimento médio/mês per capita com pessoal ativo da União - 1.215.939 servidores (872.369 civis e 343.570 militares) foi de R$ 7.044,10, enquanto a média/mês per capita nacional para os trabalhadores formais nas atividades privadas foi de R$ 1.515,10 (78,49% menor).
Em 2010 o rendimento médio/mês per capita com pessoal aposentado e pensionista da União – 992.657 servidores (707.957 civis e 284.700 militares) foi de R$ 6.757,60, enquanto a média/mês per capita dos aposentados e pensionistas das atividades privadas (INSS - 23,9 milhões de beneficiários) foi de R$ 777,90 (88,49% menor).
Em Dezembro de 2010, comparando com dezembro de 2002, houve aumento do efetivo da União da ordem 171.822 servidores: Legislativo - 4.171; Judiciário - 37.293; Executivo Militar - 45.193; Executivo Civil - 118.135 e redução de Ex-Territórios e DF de (32.970).
Nota:
Ex-Territórios e DF: - Nº de Empregados de outras esferas de Governo pagos com recursos do Ministério da Fazenda. Hoje se encontram apenas o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul sob sua supervisão. Os Servidores Civis dos Ex-Territórios do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima estão incluídos na Administração Direta do Ministério da Fazenda. Os Servidores militares CBM e PM do antigo Estado da Guanabara, que antes se encontravam nas Transferências Intergovernamentais, estão integralmente dentro do SIAPE, motivo da atualização nos quantitativos das Transferências Intergovernamentais
Previdência Social - União e INSS
Em 2010 o déficit previdenciário pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi de R$ 33,6 bilhões (0,96% do PIB) e o déficit previdenciário do setor público federal pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi de R$ 57,8 bilhões (1,65% do PIB), totalizando no ano 2010 déficit previdenciário de R$ 91,4 bilhões (2,61% do PIB).
Em 2010 a receita previdenciária pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi de R$ 212,4 bilhões (6,06% do PIB) em contribuições de empresas e parte patronal de algumas prefeituras (11,9 milhões de contribuintes) e de empregados e autônomos ativos da iniciativa privada e de empregados de algumas prefeituras (53,7 milhões de contribuintes). A despesa previdenciária dos benefícios dos 23,9 milhões de aposentados e pensionistas, com salário médio de R$ 777,90, foi de R$ 246,0 bilhões (7,02% do PIB), fazendo com que o resultado previdenciário tenha sido negativo em R$ 33,6 bilhões (0,96% do PIB).
Em 2010 a receita previdenciária pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) das contribuições dos 1.215.939 servidores ativos do governo federal (872.369 civis e 343.570 militares), com salário médio mensal de R$ 7.044,10, foi de R$ 22,7 bilhões (0,65% do PIB). A despesa previdenciária dos benefícios dos 992.657 servidores aposentados e pensionistas (707.957 civis e 284.700 militares), com salário médio de mensal de R$ 6.757,60, foi de R$ 80,5 bilhões (2,30% do PIB), fazendo com que o resultado previdenciário tenha sido negativo em R$ 57,8 bilhões (1,65% do PIB).
Crescimento Econômico
O Brasil é um país virgem, com vocação natural para o crescimento: 6,29% ao ano (1964/84).
A partir de 1985 o Brasil amargou quedas sucessivas do crescimento real, com média/ano como segue: 4,39% ao ano (1985/89), 1,24% ao ano (1990/94), 2,31% ao ano (1995/02) e 3,57% ao ano (2003/2009) gerando uma média medíocre de crescimento econômico real média/ano no período de 1985/2009 de 2,88% ao ano.
O PIB PER CAPITA (preços correntes) apurado no ano de 1994 foi de R$ 2.232,00. Em 2002 foi de R$ 8.378,00, ou seja: 275,36% maior do que o apurado em 1994. Com base nos números conhecidos até dezembro de 2010 podemos projetar um PIB PER CAPITA (preços correntes) de R$ 18.069,00, ou seja: 115,67% maior do que o apurado no ano de 2002, e 709,54% maior do que o apurado em 1994.
O PIB (preços correntes) apurado no ano de 1994 foi de R$ 349,2 bilhões. Em 2002 foi de R$ 1.477,8 bilhões, ou seja: 323,19% maior do que o apurado no ano de 1994. Com base nos números conhecidos até dezembro de 2010 podemos projetar um PIB (preços correntes) de R$ 3.505,5 bilhões, ou seja: 137,21% maior do que o apurado em 2002, e 903,86% maior do que o apurado em 1994.
Taxa Média/Ano de Desemprego Aberto
Em 2002 foi apurada uma taxa média de desemprego aberto, medida pelo IBGE, de 11,7%. Em dezembro de 2010 foi apurada uma taxa média de 6,7%, ou seja: 42,73% menor do que a média apurada em 2002.
Ricardo Bergamini é Economista. Confira estudo completo no site: www.ricardobergamini.com.br
Por Ricardo Bergamini
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, o governo Lula obteve uma receita total de 27,82% do PIB (correntes e de capitais), tendo aplicado 32,01% do PIB (correntes e de capitais) como segue: 8,12% (Serviço da Dívida); 5,39% (Transferências para Estados e Municípios); 6,72% (Previdência Social - INSS); 4,87% (Gastos com Pessoal da União); 1,81% (Saúde); 1,58% (Defesa); 1,42% (Educação); e 2,10% com as demais atividades da União, gerando déficit fiscal nominal de 4,19% do PIB.
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, apenas com Serviço da Dívida - R$ 1.665,2 bilhões (8,12% do PIB); Transferências Constitucionais e Voluntárias para Estados e Municípios - R$ 1.104,5 bilhões (5,39% do PIB); Previdência INSS - R$ 1.377,7 bilhões com 23,9 milhões de beneficiários (6,72% do PIB) e Custo Total com Pessoal da União - Civis e Militares - Ativos, Aposentados e Pensionistas - R$ 999,3 bilhões com 2.208.596 de beneficiários (4,87% do PIB) totalizando R$ 5.146,7 bilhões (25,11% do PIB), comprometeram-se 90,23% das Receitas Totais (Correntes e de Capitais) no período, no valor de R$5.704,0 bilhões (27,82% do PIB).
Resultado Fiscal Nominal da União
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 houve aumento das despesas totais (correntes e de capitais) de 2,30% do PIB em relação ao ano de 2002. Aumento real em relação ao PIB de 7,74%. Apesar do aumento global das despesas, devido ao aumento do número de Ministérios, houve redução real de algumas despesas importantes, tais como: Saúde (–2,16%); Defesa (-11,73%).
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 houve redução das receitas totais (correntes e de capitais) de 1,70% do PIB em relação ao ano de 2002. Redução real em relação ao PIB de 5,76%.
De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 o governo federal gerou um déficit fiscal nominal de R$ 859,2 bilhões (4,19% do PIB).
A dotação orçamentária das despesas da União para o exercício de 2010 foi de R$ 1.259,7 bilhões, tendo sido empenhado o montante de R$ 1.131,5 bilhões e liquidado R$ 1.131,5 bilhões, não considerando renegociação de dívidas de R$ 373,4 bilhões.
Em 2010 ficou um resto a pagar de R$ 72,4 bilhões.
Política Tributária
Receitas Tributárias saíram da média/mês de R$ 9,0 bilhões (7,31% do PIB) em 2002 para R$ 16,1 bilhões (7,52% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Crescimento nominal de 78,88%, e aumento real em relação ao PIB de 2,87’%.
Receitas de Contribuições saíram da média/mês de R$ 16,1 bilhões (13,07% do PIB) em 2002 para R$ 29,2 bilhões (13,67% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Crescimento nominal de 81,37%, e aumento real em relação ao PIB de 4,59%.
Receitas de Capitais saíram da média/mês de R$ 7,8 bilhões (6,33% do PIB) em 2002 para R$ 6,6 bilhões (3,07% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Queda nominal de 15,38%, e queda real em relação ao PIB de 51,50%.
Receitas Totais saíram da média/mês de R$ 36,4 bilhões (29,52% do PIB) em 2002 para R$ 59,4 bilhões (27,82% do PIB) no período de janeiro de 2003 até dezembro de 2010. Aumento nominal de 63,19%, e queda real em relação ao PIB de 5,76%.
Estoque da Dívida Externa Líquida da União (Dívida Externa Bruta Menos Reservas)
Em dezembro de 1994 o estoque da dívida externa líquida da União era de US$ 34,8 bilhões (6,41% do PIB) aumentando para US$ 90,0 bilhões (17,85% do PIB) em dezembro de 2002. Crescimento real em relação ao PIB de 178,47% comparado com o ano de 1994. Em dezembro 2010 diminui para US$ 51,0 bilhões (2,57% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 85,60% comparado com dezembro de 2002, e redução real em relação ao PIB de 59,91% comparado com dezembro de 1994.
Estoque da Dívida Externa Líquida Pública e Privada (Dívida Externa Bruta Menos Reserva)
Em dezembro de 1994 o estoque total da dívida externa líquida (pública e privada) era de US$ 107,4 bilhões (19,78% do PIB) aumentando para US$ 189,5 bilhões (37,58% do PIB) em dezembro de 2002. Crescimento real de 89,99% em relação ao PIB comparado com o ano de 1994. Em dezembro de 2010 diminui para US$ 61,8 bilhões (3,11% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 91,72% comparado com dezembro de 2002, e redução real em relação ao PIB de 84,28% comparado com dezembro ano de 1994.
Reservas Internacionais em poder do Banco Central (Conceito de Caixa).
No conceito de caixa as reservas internacionais no Banco Central do Brasil em dezembro de 1994 eram de US$ 38,8 bilhões (7,14% do PIB). Em dezembro de 2002 de US$ 37,8 bilhões (7,49% do PIB). Em dezembro de 2010 de US$ 288,6 bilhões (14,55% do PIB).
Dívida Interna da União Total (em poder do mercado e em poder do Banco Central)
- Aumento nominal da dívida Interna em poder do mercado de R$ 32,1 bilhões (9,19% do PIB) em 1994 para R$ 558,9 bilhões (37,82% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 311,53%
- Aumento nominal da dívida interna em poder do mercado de R$ 558,9 bilhões (37,82% do PIB) em 2002 para R$ 1.603,9 bilhões (45,75% do PIB) em 2010. Aumento real em relação ao PIB de 20,97%.
- Aumento nominal da dívida interna em poder do Banco Central de R$ 33,5 bilhões (9,59% do PIB) em 1994 para R$ 282,1 bilhões (19,09% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 99,06%.
- Aumento nominal da dívida interna em poder do Banco Central de R$ 282,1 bilhões (19,09% do PIB) em 2002 para R$ 694,0 bilhões (19,80% do PIB) em 2010. Aumento real em relação ao PIB de 3,72%.
- Aumento nominal da dívida interna total (em poder do mercado e do Banco Central) de R$ 65,6 bilhões (18.78% do PIB) em 1994 para R$ 841,0 bilhões (56,91% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 203,03%. Cabe lembrar que nesse período o governo federal assumiu todas as dívidas do estados e municípios, cujo valor atualizado com base em dezembro de 2010 era de R$ 471,7 bilhões (13,56% do PIB).
- Aumento nominal da dívida interna total (em poder do mercado e do Banco Central) de R$ 841,0 bilhões (56,91% do PIB) em 2002 para R$ 2.297,9 bilhões (65,55% do PIB) em 2010. Crescimento real em relação ao PIB de 15,18%.
Dívida Externa Líquida da União (Dívida Externa Bruta Menos Reservas)
- Aumento nominal de R$ 22,2 bilhões (6,35%do PIB) em 1994 para R$ 262,9 bilhões (17,79% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 180,16%.
- Redução nominal de R$ 262,9 bilhões (17,79% do PIB) em 2002 para R$ 90,1 bilhões (2,57% do PIB) em 2010. Redução real em relação ao PIB de 85,55%.
Dívida Líquida Total da União (Interna e Externa)
- Aumento nominal de R$ 87,8 bilhões (25,13% do PIB) em 1994 para R$ 1.103,9 bilhões (74,70% do PIB) em 2002. Aumento real em relação ao PIB de 197,25%.
- Aumento nominal de R$ 1.103,9 bilhões (74,70% do PIB) em 2002 para R$ 2.388,0 bilhões (68,12% do PIB) em 2010. Redução real em relação ao PIB de 8,81%.
Política de Juro
Juro primário ou básico: é a remuneração financeira de referência para um dia de financiamento fixada pelo Banco Central, conhecida como HOT MONEY. Em dezembro de 2010 estava fixada em 10,75% ao ano.
Efeito Multiplicador de Base: é um índice calculado pelo Banco Central para regular a liquidez do mercado, via depósitos compulsórios. Através deste índice podemos chegar a taxa real de juros de mercado.
O custo médio de carregamento da dívida interna da União em 2010 foi de 0,9361 ao mês (11,83% ao ano), com ganho real para os investidores de 0,0383% ao mês (1,00% ao ano), depois de excluída a inflação média/mês do IGPM de 0,8978% ao mês (11,32% ao ano).
Sendo o multiplicador de base médio de 2010 de 1,4300, ou seja: 69,93% dos recursos disponíveis foram esterilizados pelo Banco Central, através dos depósitos compulsórios, o juro mínimo de mercado médio de 2010 foi de 11,83% ao ano x 3,3256 = 39,34% ao ano (2,8031% ao mês), não considerando outros custos, tais como: impostos, taxas e lucros dos bancos.
Em 2010 a dívida total da União teve PMP (Prazo Médio de Pagamento) de 3,51 anos. Considerando apenas a dívida interna da União em poder do mercado teve um PMP de 3,36 anos.
Balança Comercial
Série história de nossa balança comercial com base na média/ano foi como segue: 85/89 (superávit de US$ 13,5 bilhões = 4,57% do PIB); 90/94 (superávit de US$ 12,1 bilhões = 2,70% do PIB); 95/02 (déficit de US$ 1,1 bilhão = -0,15% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (superávit de US$ 32,5 bilhões = 2,66% do PIB).
Necessidade de Financiamento do Balanço de Pagamentos
Série histórica de nossa necessidade de financiamento de balanço de pagamentos com base na média/ano foi como segue: 85/89 (US$ 13,4 bilhões = 4,56% do PIB); 90/94 (US$ 17,4 bilhões = 3,89% do PIB); 95/02 (US$ 50,9 bilhões = 7,26% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (US$ 39,3 bilhões = 3,22% do PIB).
Investimentos Externos Líquidos (Diretos e Indiretos)
Série histórica dos investimentos externos líquidos (diretos e indiretos) com base na média/ano foi como segue: 85/89 (negativo de US$ 6,3 bilhões = -2,14% do PIB); 90/94 (positivo de US$ 7,0 bilhões = 1,57% do PIB); 95/02 (positivo de US$ 24,3 bilhões = 3,46% do PIB). De janeiro de 2003 até dezembro de 2010 (positivo de US$ 37,4 bilhões = 3,08% do PIB).
Gastos com Pessoal da União (Diretos, Indiretos, Civis, Militares, Ativos, Aposentados, Pensionistas, Ex-Territórios e DF)
O custo total de pessoal da União aumentou de R$ 35,8 bilhões em 1994 para R$ 75,0 bilhões em 2002. Incremento nominal de 109,50% em relação ao ano de 1994. Em 2010 o custo total com pessoal da União foi de R$ 183,3 bilhões. Incremento nominal de 144,40% em relação ao ano de 2002.
Em 2010 o rendimento médio/mês per capita com pessoal ativo da União - 1.215.939 servidores (872.369 civis e 343.570 militares) foi de R$ 7.044,10, enquanto a média/mês per capita nacional para os trabalhadores formais nas atividades privadas foi de R$ 1.515,10 (78,49% menor).
Em 2010 o rendimento médio/mês per capita com pessoal aposentado e pensionista da União – 992.657 servidores (707.957 civis e 284.700 militares) foi de R$ 6.757,60, enquanto a média/mês per capita dos aposentados e pensionistas das atividades privadas (INSS - 23,9 milhões de beneficiários) foi de R$ 777,90 (88,49% menor).
Em Dezembro de 2010, comparando com dezembro de 2002, houve aumento do efetivo da União da ordem 171.822 servidores: Legislativo - 4.171; Judiciário - 37.293; Executivo Militar - 45.193; Executivo Civil - 118.135 e redução de Ex-Territórios e DF de (32.970).
Nota:
Ex-Territórios e DF: - Nº de Empregados de outras esferas de Governo pagos com recursos do Ministério da Fazenda. Hoje se encontram apenas o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul sob sua supervisão. Os Servidores Civis dos Ex-Territórios do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima estão incluídos na Administração Direta do Ministério da Fazenda. Os Servidores militares CBM e PM do antigo Estado da Guanabara, que antes se encontravam nas Transferências Intergovernamentais, estão integralmente dentro do SIAPE, motivo da atualização nos quantitativos das Transferências Intergovernamentais
Previdência Social - União e INSS
Em 2010 o déficit previdenciário pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi de R$ 33,6 bilhões (0,96% do PIB) e o déficit previdenciário do setor público federal pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi de R$ 57,8 bilhões (1,65% do PIB), totalizando no ano 2010 déficit previdenciário de R$ 91,4 bilhões (2,61% do PIB).
Em 2010 a receita previdenciária pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi de R$ 212,4 bilhões (6,06% do PIB) em contribuições de empresas e parte patronal de algumas prefeituras (11,9 milhões de contribuintes) e de empregados e autônomos ativos da iniciativa privada e de empregados de algumas prefeituras (53,7 milhões de contribuintes). A despesa previdenciária dos benefícios dos 23,9 milhões de aposentados e pensionistas, com salário médio de R$ 777,90, foi de R$ 246,0 bilhões (7,02% do PIB), fazendo com que o resultado previdenciário tenha sido negativo em R$ 33,6 bilhões (0,96% do PIB).
Em 2010 a receita previdenciária pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) das contribuições dos 1.215.939 servidores ativos do governo federal (872.369 civis e 343.570 militares), com salário médio mensal de R$ 7.044,10, foi de R$ 22,7 bilhões (0,65% do PIB). A despesa previdenciária dos benefícios dos 992.657 servidores aposentados e pensionistas (707.957 civis e 284.700 militares), com salário médio de mensal de R$ 6.757,60, foi de R$ 80,5 bilhões (2,30% do PIB), fazendo com que o resultado previdenciário tenha sido negativo em R$ 57,8 bilhões (1,65% do PIB).
Crescimento Econômico
O Brasil é um país virgem, com vocação natural para o crescimento: 6,29% ao ano (1964/84).
A partir de 1985 o Brasil amargou quedas sucessivas do crescimento real, com média/ano como segue: 4,39% ao ano (1985/89), 1,24% ao ano (1990/94), 2,31% ao ano (1995/02) e 3,57% ao ano (2003/2009) gerando uma média medíocre de crescimento econômico real média/ano no período de 1985/2009 de 2,88% ao ano.
O PIB PER CAPITA (preços correntes) apurado no ano de 1994 foi de R$ 2.232,00. Em 2002 foi de R$ 8.378,00, ou seja: 275,36% maior do que o apurado em 1994. Com base nos números conhecidos até dezembro de 2010 podemos projetar um PIB PER CAPITA (preços correntes) de R$ 18.069,00, ou seja: 115,67% maior do que o apurado no ano de 2002, e 709,54% maior do que o apurado em 1994.
O PIB (preços correntes) apurado no ano de 1994 foi de R$ 349,2 bilhões. Em 2002 foi de R$ 1.477,8 bilhões, ou seja: 323,19% maior do que o apurado no ano de 1994. Com base nos números conhecidos até dezembro de 2010 podemos projetar um PIB (preços correntes) de R$ 3.505,5 bilhões, ou seja: 137,21% maior do que o apurado em 2002, e 903,86% maior do que o apurado em 1994.
Taxa Média/Ano de Desemprego Aberto
Em 2002 foi apurada uma taxa média de desemprego aberto, medida pelo IBGE, de 11,7%. Em dezembro de 2010 foi apurada uma taxa média de 6,7%, ou seja: 42,73% menor do que a média apurada em 2002.
Ricardo Bergamini é Economista. Confira estudo completo no site: www.ricardobergamini.com.br
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