Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Arlindo Montenegro
Bem poucas pessoas neste país, tem acesso a uma educação de qualidade. Isto se torna mais fácil, quando os pais ou maiores significativos no núcleo familiar, tiveram acesso a uma boa educação e criam ambiente propício, motivador, além de ajudar as crianças e jovens em suas tarefas.
Mesmo assim os que se dedicam a isso, encontram as barreiras: há uma seleção de textos e compartimentação no currículo de cada disciplina. No ambiente doméstico ou por indicação de algum professor “off road”, superam a limitação e lêem, buscam, pesquisam em paralelo ampliando assim a visão e a informação sem cabrestos.
As relações interdisciplinares parecem banidas dificultando as associações, exceto aquela informação de cunho ideológico, que, mesmo em ciência pura, já figuram nos programas escolares. Em humanas o desastre é pavoroso! Fica por conta do aluno, quando estimulado e orientado fora da escola, garimpar e complementar o conhecimento, que a metodologia do ensino escamoteou ou omitiu.
Para superar o desastre implantado pelo modelo ideologizado e caminhar a passos largos, seja na alfabetização, na formação básica, na profissionalização tecnológica, na especialização superior, pós-graduação, mestrados e doutorados, seria conveniente a reeducação de todos os profissionais do ensino, nas técnicas mais avançadas da "Educação Acelerada".
No momento em que as empresas começam a recrutar profissionais no exterior, no momento em que os cérebros que se destacam são atraídos para integrar equipes de pesquisa em centros de estudos estrangeiros, o esforço de superação assume os contornos de um compromisso que envolva famílias, escolas, clubes e associações, bairros, empresas, chácaras e fazendas. Aprender fazendo!
Como as iniciativas acabam sempre na dependência dos poderes públicos, que impediam o aprendizado no lar, (atualmente o exame do Enem vale como certificado de conclusão do curso médio, Diário Oficial da União, 22/06/2010, pag. 44 ), e que no final das contas ajuda, é um avanço importante, mas reservado para poucos pais ou tutores capacitados.
Como as diretrizes curriculares ditadas pelas políticas educacionais, impedem a liberdade de escolha nas escolas, como os textos básicos de ciências, idioma e história estão feitos sob medida para atender aos "Objetivos do Milênio", o cerco a superar na escola pública ou privada assume aspectos dramáticos.
Até quando vamos continuar no "decoreba", no "ctrl c - ctrl v" de textos e artigos que mal compreendidos são aceitos como "pesquisa" valendo para estágios de classificação? Até quando as classes serão amontoados de alunos ouvindo abordagens obscuras e dispersivas, cujos registros mal alcançam as mentes agitadas e distanciadas.
Com o advento e disseminação das técnicas de Programação Neuro Linguística, este conhecimento específico tem facilitado a profissão de alguns terapeutas, algumas áreas de treinamento empresarial e gerou uma imensa biblioteca de auto-ajuda controversa. A excelente ferramenta também foi utilizada por alguns oportunistas, como “solução mágica para tudo”, o que, gerou desconfiança.
A aprendizagem acelerada utiliza tecnologia comprovada e ferramentas de PNL. Um professor capaz de reconhecer o estado receptivo de cada aluno de uma classe e utilizar as técnicas de ancoragem, música, cores e movimentos, em ambiente propício, também pode aplicar técnicas de relaxamento antes das aulas, com resultados exponenciais.
Mas será que o estado concorda em utilizar seu poder e aplicar recursos para ensinar a pensar? Para ensinar como cada um pode voar livre e sem censura pelos meandros do saber? Do que percebemos, a resposta é positivamente negativa. Seria formar mentes ativas e críticas de todo o sistema midiático, conformado para a submissão ao estado e ao consumo. Mal para o estado. Um pouco menos mal para as empresas, que teriam de lidar com clientes sofisticados e atentos.
Diferente é o estado emocional e mental dispersivo em que estamos mergulhados. A capacidade de concentração, atenção, formulação de metas, perseguição de objetivos, auto avaliação e correção ficam extensivamente prejudicadas, no ambiente cultural onde o pensamento coletivo de cabresto se impõe e o crescimento individual fica prejudicado, perde espaço de troca vivencial.
A solidão de cada um se desfaz apenas nos atos de grupo ou massivos, quando a identidade se perde para dar lugar aos repetitivos “cerimoniais” da dança, da torcida, do uso de drogas, do barulho que isola os sentidos e percepções, das variedades simbólicas que são gravadas subliminarmente, seguidas do discurso e respostas conformistas pré fabricadas.
Adianta lembrar que a mídia mundial contribui em uníssono, utilizando técnicas avançadas para impedir a plena realização das capacidades humanas? Adianta lembrar que os cérebros são condicionados do mesmo jeito que os cães de Pavlov, para reagir ao som específico da maneira particular? Adianta lembrar que agora temos além dos sons, o condicionamento massivo das cores, dos símbolos...mensagens subliminares?
Enquanto digito ouço música clássica. Quem sabe como mergulhar nos sons para dar ritmo a uma leitura, atividade física, conversa ou para um momento de meditação? Isto não se ensina nas escolas. Seria uma das condições para o aprendizado relaxado, rápido e facilmente recuperável, melhor ainda “automaticamente” recuperável em qualquer situação.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Meu aprendizado
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Sempre ouvi que quanto mais sabemos, mais queremos e temos o que aprender. Que envelheceremos e morreremos aprendendo. Nesse meu período de dois anos sem poder fazer praticamente nada, passei a fazer algo que podia, e para o qual dispunha de muito tempo, pensar.
Percebi, a cada dia que passava, o quanto ainda podia aprender sobre diversas coisas, e o quanto o ocorrido me fez perceber muitas que não conseguia ver, sobre diversos assuntos e, principalmente, sobre o reconhecimento de quem é quem em minha vida.
O questionamento sobre minha própria vida não deixou de existir em nenhum momento. Passei a questionar atitudes tomadas e fatos ocorridos no passado, se agiria novamente dessa ou daquela maneira, em diversos assuntos e aspectos.
Tem sido um aprendizado constante, crescente, sobre as coisas e pessoas verdadeiramente importantes em nossas vidas. E quanto mais aprendo, mais consigo ver, com clareza, o quanto ainda preciso aprender.
Sempre entendi, e continuo assim pensando, que a vida é feita de escolhas, boas e ruins, e que sobre cada uma delas pagaremos um preço. Podemos escolher, por exemplo, trabalhar muito e enriquecer muito, escolha feita pela grande maioria dos jovens, mas isso normalmente nos afasta demasiadamente de casa, de nossos filhos, de seu crescimento, de seu aprendizado.
No caso descrito, é um preço muito elevado, pois quando se percebe que poderia ou deveria ter agido de outra forma, percebe também que não há volta, seus filhos já cresceram e nunca mais serão crianças. São adultos e provavelmente já com seus próprios filhos, seus netos. Penso que ainda há tempo de viver agora a amizade com esses filhos e acompanhar agora o crescimento e o aprendizado dos netos.
Isso, porém, nem sempre é possível. Vejo pais que mal conseguem conversar com seus filhos, tamanha a distancia criada entre eles. Felizes os pais que, como eu, têm em seus filhos companheiros, amigos, verdadeiros filhos. Os que nos procuram para trocar ideias, se aconselhar, aproveitar nossa experiência de vida.
Podemos escolher também nossos amigos e perceber, depois de algo como o acidente ocorrido comigo, quem é e quem não é amigo, e aqueles que não deviam ser chamados sequer de conhecidos. Por outro lado, aparecem aqueles que imaginávamos conhecidos e que se tornam verdadeiros companheiros, amigos de verdade.
Percebo, na prática, e com muita clareza, que as escolhas sempre estarão cobrando seu preço e, como citado, acertando ou errando nós é que pagaremos por ele, o que significa, entre outras coisas, que nunca devemos julgar os outros, pois elas mesmas é que pagarão ou receberão pelas escolhas que fizeram.
Escolhas também podem ser feitas nos relacionamentos, tratando o assunto racionalmente, com maturidade, pensando e escolhendo tanto com quem quanto como se relacionar, pensando sobre amizade, companheirismo, cumplicidade, coisas que não fazemos na juventude, quando as paixões determinam as escolhas.
O mais importante desse período de reflexão é que percebi que não me conheço totalmente e que me conhecendo mais, posso fazer alterações de curso, me corrigir, o que cada um só pode fazer consigo mesmo, nunca com outro.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Sempre ouvi que quanto mais sabemos, mais queremos e temos o que aprender. Que envelheceremos e morreremos aprendendo. Nesse meu período de dois anos sem poder fazer praticamente nada, passei a fazer algo que podia, e para o qual dispunha de muito tempo, pensar.
Percebi, a cada dia que passava, o quanto ainda podia aprender sobre diversas coisas, e o quanto o ocorrido me fez perceber muitas que não conseguia ver, sobre diversos assuntos e, principalmente, sobre o reconhecimento de quem é quem em minha vida.
O questionamento sobre minha própria vida não deixou de existir em nenhum momento. Passei a questionar atitudes tomadas e fatos ocorridos no passado, se agiria novamente dessa ou daquela maneira, em diversos assuntos e aspectos.
Tem sido um aprendizado constante, crescente, sobre as coisas e pessoas verdadeiramente importantes em nossas vidas. E quanto mais aprendo, mais consigo ver, com clareza, o quanto ainda preciso aprender.
Sempre entendi, e continuo assim pensando, que a vida é feita de escolhas, boas e ruins, e que sobre cada uma delas pagaremos um preço. Podemos escolher, por exemplo, trabalhar muito e enriquecer muito, escolha feita pela grande maioria dos jovens, mas isso normalmente nos afasta demasiadamente de casa, de nossos filhos, de seu crescimento, de seu aprendizado.
No caso descrito, é um preço muito elevado, pois quando se percebe que poderia ou deveria ter agido de outra forma, percebe também que não há volta, seus filhos já cresceram e nunca mais serão crianças. São adultos e provavelmente já com seus próprios filhos, seus netos. Penso que ainda há tempo de viver agora a amizade com esses filhos e acompanhar agora o crescimento e o aprendizado dos netos.
Isso, porém, nem sempre é possível. Vejo pais que mal conseguem conversar com seus filhos, tamanha a distancia criada entre eles. Felizes os pais que, como eu, têm em seus filhos companheiros, amigos, verdadeiros filhos. Os que nos procuram para trocar ideias, se aconselhar, aproveitar nossa experiência de vida.
Podemos escolher também nossos amigos e perceber, depois de algo como o acidente ocorrido comigo, quem é e quem não é amigo, e aqueles que não deviam ser chamados sequer de conhecidos. Por outro lado, aparecem aqueles que imaginávamos conhecidos e que se tornam verdadeiros companheiros, amigos de verdade.
Percebo, na prática, e com muita clareza, que as escolhas sempre estarão cobrando seu preço e, como citado, acertando ou errando nós é que pagaremos por ele, o que significa, entre outras coisas, que nunca devemos julgar os outros, pois elas mesmas é que pagarão ou receberão pelas escolhas que fizeram.
Escolhas também podem ser feitas nos relacionamentos, tratando o assunto racionalmente, com maturidade, pensando e escolhendo tanto com quem quanto como se relacionar, pensando sobre amizade, companheirismo, cumplicidade, coisas que não fazemos na juventude, quando as paixões determinam as escolhas.
O mais importante desse período de reflexão é que percebi que não me conheço totalmente e que me conhecendo mais, posso fazer alterações de curso, me corrigir, o que cada um só pode fazer consigo mesmo, nunca com outro.
João Bosco Leal é Produtor Rural. www.joaoboscoleal.com.br
domingo, 14 de novembro de 2010
Beijo roubado
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por João Bosco Leal
Imagino que todos passaram por algo que não gostariam de ter passado, mas a vida sempre tem muito mais alegrias que tristezas.
Lugares, paisagens, animais, pessoas, parentes, filhos, netos, amizades, flertes, juventude, namoros, amores e sexo sempre me provocaram muito mais sentimentos positivos do que alguns que não me agradaram.
Mesmo que antes não tenha aproveitado para curtir os lugares e as paisagens por onde passo, hoje o faço com muita frequência e normalmente procuro inclusive fotografá-los, tentando assim guardá-los mais vivos em minha memória.
Recentemente, ouvi inclusive um comentário de que fotografar flores e plantas da cidade, como havia feito, era uma "viadagem", o que não me incomodou nem um pouco. Senti apenas dó daquele que o fez, no sentido de que, como eu em sua idade, era tão imaturo que não percebia a importância dos pequenos detalhes que nos rodeiam, e que fazem a vida ser como ela é, maravilhosa em todos os seus detalhes.
Animais são seres tão maravilhosos, que basta observá-los por um curto período, para aprendermos algo. Pessoas, parentes e amizades são os que às vezes demoramos, mas sempre acabamos descobrindo aqueles que são e os que não são importantes em nossas vidas.
Filhos são a verdadeira essência de nossas vidas, nossa perpetuação na vida. Através deles nos projetamos no futuro, imaginando que poderão e farão tudo o que não pudemos e não fizemos, mas que gostaríamos de ter podido e feito.
Netos são os frutos aguardados da semente plantada. Quando os temos é que realmente começamos a sentir o prazer de viver.
A lembrança de nossa juventude certamente provoca muitas alegrias, e sobre flertes, namoros e sexo, penso ser desnecessário comentar, pois todos sabem de sua importância e da alegria de quem os faz, independentemente da idade, de como e quando. Sempre é uma experiência nova e deliciosa.
Mas o beijo, ah, o beijo. Essa é talvez uma das experiências mais intensas do ser humano e, penso, também dos animais, que frequentemente vejo se beijando, lambendo, trocando carícias.
É tão intensa que causa aquela tremenda angústia e insegurança para aqueles que, ainda crianças, nunca beijaram e sentem a vontade de dar o seu primeiro beijo, na menininha ou menininho por quem se apaixonou na escola ou na vizinhança.
O primeiro beijo normalmente acontece de forma inesperada para um dos dois, e talvez aí esteja todo o seu encanto, sua magia. Depois desse, muitos virão, mas o beijo inesperado, roubado, não tem idade, data ou local, é sempre o melhor.
João Bosco Leal é Produtor Rural www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Imagino que todos passaram por algo que não gostariam de ter passado, mas a vida sempre tem muito mais alegrias que tristezas.
Lugares, paisagens, animais, pessoas, parentes, filhos, netos, amizades, flertes, juventude, namoros, amores e sexo sempre me provocaram muito mais sentimentos positivos do que alguns que não me agradaram.
Mesmo que antes não tenha aproveitado para curtir os lugares e as paisagens por onde passo, hoje o faço com muita frequência e normalmente procuro inclusive fotografá-los, tentando assim guardá-los mais vivos em minha memória.
Recentemente, ouvi inclusive um comentário de que fotografar flores e plantas da cidade, como havia feito, era uma "viadagem", o que não me incomodou nem um pouco. Senti apenas dó daquele que o fez, no sentido de que, como eu em sua idade, era tão imaturo que não percebia a importância dos pequenos detalhes que nos rodeiam, e que fazem a vida ser como ela é, maravilhosa em todos os seus detalhes.
Animais são seres tão maravilhosos, que basta observá-los por um curto período, para aprendermos algo. Pessoas, parentes e amizades são os que às vezes demoramos, mas sempre acabamos descobrindo aqueles que são e os que não são importantes em nossas vidas.
Filhos são a verdadeira essência de nossas vidas, nossa perpetuação na vida. Através deles nos projetamos no futuro, imaginando que poderão e farão tudo o que não pudemos e não fizemos, mas que gostaríamos de ter podido e feito.
Netos são os frutos aguardados da semente plantada. Quando os temos é que realmente começamos a sentir o prazer de viver.
A lembrança de nossa juventude certamente provoca muitas alegrias, e sobre flertes, namoros e sexo, penso ser desnecessário comentar, pois todos sabem de sua importância e da alegria de quem os faz, independentemente da idade, de como e quando. Sempre é uma experiência nova e deliciosa.
Mas o beijo, ah, o beijo. Essa é talvez uma das experiências mais intensas do ser humano e, penso, também dos animais, que frequentemente vejo se beijando, lambendo, trocando carícias.
É tão intensa que causa aquela tremenda angústia e insegurança para aqueles que, ainda crianças, nunca beijaram e sentem a vontade de dar o seu primeiro beijo, na menininha ou menininho por quem se apaixonou na escola ou na vizinhança.
O primeiro beijo normalmente acontece de forma inesperada para um dos dois, e talvez aí esteja todo o seu encanto, sua magia. Depois desse, muitos virão, mas o beijo inesperado, roubado, não tem idade, data ou local, é sempre o melhor.
João Bosco Leal é Produtor Rural www.joaoboscoleal.com.br
sábado, 13 de novembro de 2010
Quando o escritório fica em casa
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Faride Elia
O avanço da tecnologia diminuiu as barreiras entre o lar e o local de trabalho e fez crescer o número de pessoas que optam por dar expediente em regime Home Office, ou seja, em escritórios montados em casa. Esta tem se tornado uma alternativa frequente do mundo contemporâneo, quebrando o paradigma de que o trabalho só é realizado em uma empresa.
A solução veio dos grandes centros urbanos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, trazendo comodidade, segurança, quebra da rotina e, muitas vezes, um modo de passar mais tempo com a própria família e longe dos congestionamentos.
A concepção do ambiente é um item fundamental para otimizar o tempo e manter a organização quando se trabalha em casa. Separar a vida corporativa da rotina privada e familiar fica mais fácil se mantivermos ambientes com características próprias.
O Home Office deve ser um espaço com uma decoração exclusiva, diferente do restante da casa. Mas, mesmo sendo mais sério e reservado, pode ser personalizado e refletir sofisticação.
A infra-estrutura do escritório deve ser distinta das áreas de circulação e convivência familiar. A dica, neste caso, é manter equipamentos como computadores, impressora, fax, linha telefônica e secretária eletrônica separados, de forma a evitar interrupções durante o expediente. Assim, torna-se mais fácil a transição entre os assuntos ligados à rotina de atividades profissionais e a vida pessoal.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é necessário um espaço muito amplo para a montagem do Home Office. Com um bom planejamento, áreas, antes mal aproveitadas ou inutilizadas, como closets ou até mesmo o quarto de empregada, independente do tamanho, podem ganhar vida. Bastam algumas alterações estruturais, nova decoração e o ambiente adapta-se à nova função.
Para garantir a funcionalidade é primordial a escolha acertada dos móveis que vão compor o escritório. Peças ergonômicas, que valorizam o conforto e o design anatômico, contribuem para a qualidade de vida dos profissionais, protegendo a coluna. Outro item a ser destacado é a iluminação, fator imprescindível para que a visão não canse e o trabalho seja mais produtivo.
Ao projetar um Home Office o principal é ter em mente as finalidades profissionais do ambiente e gerar todas as condições necessárias para que o trabalho se desenvolva com a máxima eficácia.
Faride Elia atua no segmento de construção e decoração desde os seus 16 anos. Elabora projetos residenciais, comerciais, corporativos, hoteleiros e restaurantes. Suas obras são marcadas por elementos que visam o equilíbrio e bem estar, através de funcionalismo, tecnologia e praticidade sempre respeitando custos, qualidade e o meio ambiente. www.farideelia.com.br
Por Faride Elia
O avanço da tecnologia diminuiu as barreiras entre o lar e o local de trabalho e fez crescer o número de pessoas que optam por dar expediente em regime Home Office, ou seja, em escritórios montados em casa. Esta tem se tornado uma alternativa frequente do mundo contemporâneo, quebrando o paradigma de que o trabalho só é realizado em uma empresa.
A solução veio dos grandes centros urbanos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, trazendo comodidade, segurança, quebra da rotina e, muitas vezes, um modo de passar mais tempo com a própria família e longe dos congestionamentos.
A concepção do ambiente é um item fundamental para otimizar o tempo e manter a organização quando se trabalha em casa. Separar a vida corporativa da rotina privada e familiar fica mais fácil se mantivermos ambientes com características próprias.
O Home Office deve ser um espaço com uma decoração exclusiva, diferente do restante da casa. Mas, mesmo sendo mais sério e reservado, pode ser personalizado e refletir sofisticação.
A infra-estrutura do escritório deve ser distinta das áreas de circulação e convivência familiar. A dica, neste caso, é manter equipamentos como computadores, impressora, fax, linha telefônica e secretária eletrônica separados, de forma a evitar interrupções durante o expediente. Assim, torna-se mais fácil a transição entre os assuntos ligados à rotina de atividades profissionais e a vida pessoal.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é necessário um espaço muito amplo para a montagem do Home Office. Com um bom planejamento, áreas, antes mal aproveitadas ou inutilizadas, como closets ou até mesmo o quarto de empregada, independente do tamanho, podem ganhar vida. Bastam algumas alterações estruturais, nova decoração e o ambiente adapta-se à nova função.
Para garantir a funcionalidade é primordial a escolha acertada dos móveis que vão compor o escritório. Peças ergonômicas, que valorizam o conforto e o design anatômico, contribuem para a qualidade de vida dos profissionais, protegendo a coluna. Outro item a ser destacado é a iluminação, fator imprescindível para que a visão não canse e o trabalho seja mais produtivo.
Ao projetar um Home Office o principal é ter em mente as finalidades profissionais do ambiente e gerar todas as condições necessárias para que o trabalho se desenvolva com a máxima eficácia.
Faride Elia atua no segmento de construção e decoração desde os seus 16 anos. Elabora projetos residenciais, comerciais, corporativos, hoteleiros e restaurantes. Suas obras são marcadas por elementos que visam o equilíbrio e bem estar, através de funcionalismo, tecnologia e praticidade sempre respeitando custos, qualidade e o meio ambiente. www.farideelia.com.br
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Tempo de férias, tempo de lazer, tempo de cultura
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Francisca Romana Giacometti Paris
Férias. Hora de fechar os livros didáticos e descansar. Hora de se divertir a valer. Já há algum tempo, o lazer deixou de ser visto como tempo perdido e passou a ser encarado como uma das atividades fundamentais do ser humano. Desvencilhados de rotinas de trabalho e estudo, estamos prontos para usar nossa inteligência e nosso corpo para gestar novas ideias, ter experiências de vida fundamentais e explorar o mundo sem nenhuma outra finalidade, a não ser a de sentir o prazer de estar vivos.
Tudo isso é verdade. Mas também temos aqui uma boa oportunidade para rever nossos próprios conceitos de lazer. Ainda que o dolce far niente seja necessário, é possível aproveitar as próximas semanas para extrair prazer também de vivências culturais, que tanta falta fazem.
No labirinto quase inviável das cidades, sobra muito pouco tempo para que as famílias tenham uma vida cultural rica e variada. Tente se lembrar da última vez que foi a um show, a uma exposição de fotos ou de artes plásticas. E mais: lembre-se da última vez que levou seu filho a uma livraria e lá passaram horas deliciosas esparramados em almofadas cheios de histórias à sua volta...
Em um mundo onde a educação torna-se cada vez mais importante, parece que museus, teatro e exposições passaram a ser apenas compromissos escolares. Nada disso! Antes de tudo, compartilhar descobertas, histórias, músicas, viajar no tempo histórico e fruir arte e cultura devem ser programas das famílias.
A primeira razão é evidente: estamos estimulando a formação global de nossas crianças e jovens e ampliando seu repertório, o que certamente fará diferença em seus projetos de futuro. Mas há ainda outras razões tão ou mais importantes. Ao viver conjuntamente a cultura, pais e filhos também ampliam suas sinapses, ou seu próprio universo de conexões. Em palavras simples, passam a ter mais assuntos, mais oportunidades de diálogo e mais pontos de vista para ver e entender o maravilhoso e complexo mundo que nos rodeia. Também passam a pertencer mais ao seu próprio tempo e até mesmo a ter mais condições de diminuir as diferenças geracionais que tanto assustam os adultos de hoje.
Pois, então, o que está esperando? Curta as férias, curta seus filhos e curta a cultura!
Francisca Romana Giacometti Paris é Diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, pedagoga e mestre em educação e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP).
Por Francisca Romana Giacometti Paris
Férias. Hora de fechar os livros didáticos e descansar. Hora de se divertir a valer. Já há algum tempo, o lazer deixou de ser visto como tempo perdido e passou a ser encarado como uma das atividades fundamentais do ser humano. Desvencilhados de rotinas de trabalho e estudo, estamos prontos para usar nossa inteligência e nosso corpo para gestar novas ideias, ter experiências de vida fundamentais e explorar o mundo sem nenhuma outra finalidade, a não ser a de sentir o prazer de estar vivos.
Tudo isso é verdade. Mas também temos aqui uma boa oportunidade para rever nossos próprios conceitos de lazer. Ainda que o dolce far niente seja necessário, é possível aproveitar as próximas semanas para extrair prazer também de vivências culturais, que tanta falta fazem.
No labirinto quase inviável das cidades, sobra muito pouco tempo para que as famílias tenham uma vida cultural rica e variada. Tente se lembrar da última vez que foi a um show, a uma exposição de fotos ou de artes plásticas. E mais: lembre-se da última vez que levou seu filho a uma livraria e lá passaram horas deliciosas esparramados em almofadas cheios de histórias à sua volta...
Em um mundo onde a educação torna-se cada vez mais importante, parece que museus, teatro e exposições passaram a ser apenas compromissos escolares. Nada disso! Antes de tudo, compartilhar descobertas, histórias, músicas, viajar no tempo histórico e fruir arte e cultura devem ser programas das famílias.
A primeira razão é evidente: estamos estimulando a formação global de nossas crianças e jovens e ampliando seu repertório, o que certamente fará diferença em seus projetos de futuro. Mas há ainda outras razões tão ou mais importantes. Ao viver conjuntamente a cultura, pais e filhos também ampliam suas sinapses, ou seu próprio universo de conexões. Em palavras simples, passam a ter mais assuntos, mais oportunidades de diálogo e mais pontos de vista para ver e entender o maravilhoso e complexo mundo que nos rodeia. Também passam a pertencer mais ao seu próprio tempo e até mesmo a ter mais condições de diminuir as diferenças geracionais que tanto assustam os adultos de hoje.
Pois, então, o que está esperando? Curta as férias, curta seus filhos e curta a cultura!
Francisca Romana Giacometti Paris é Diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, pedagoga e mestre em educação e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP).
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Conselhos fortalecem a Democracia
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Bia Barbosa, Jonas Valente, Pedro Caribé e João Brant
A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.
O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.
A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.
Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.
Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.
Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.
Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.
Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.
Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.
O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.
Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.
Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.
É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.
Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?
Bia Barbosa, 33, Jonas Valente, 29, Pedro Caribé, 27, e João Brant, 31, são integrantes do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. publicado no dia 30 de outubro na seção Tendências/Debates do jornal Folha de São Paulo em resposta a questão "A criação de conselhos de comunicação estaduais é uma forma de restrição da mídia?"
Por Bia Barbosa, Jonas Valente, Pedro Caribé e João Brant
A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.
O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.
A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.
Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.
Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.
Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.
Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.
Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.
Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.
O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.
Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.
Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.
É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.
Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?
Bia Barbosa, 33, Jonas Valente, 29, Pedro Caribé, 27, e João Brant, 31, são integrantes do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. publicado no dia 30 de outubro na seção Tendências/Debates do jornal Folha de São Paulo em resposta a questão "A criação de conselhos de comunicação estaduais é uma forma de restrição da mídia?"
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Os preocupados Políticos
Artigo no Fique Alerta - http://www.fiquealerta.net/
Por Valmir Fonseca
No início, um reles boato. Uma “ marolinha”.
Depois, o desejo incontido de salvar a população “ toma corpo”. Aos borbotões surgem os impolutos políticos, preocupadíssimos com a pátria, com os cidadãos, com a saúde pública, e assomados por cintilante ardor cívico e intenso amor fraternal, descarada e, pateticamente, asseveram que uma nova CPMF ou similar deve ser aprovada para o bem de milhões de brasileiros.
Realmente, dizem eles, é fundamental a participação pecuniária de todos os nativos nesta empreitada cívico - social.
São modestos, eles querem apenas uma merreca de cada, uma ínfima colaboração que se transformará num substancial imposto.
Mas, e a estupenda arrecadação que a cada dia aumenta? Bom, não vamos desviar o assunto principal para meros detalhes. Ora, pois, que falta de visão.
Assim, de peito aberto, tal qual os heróis da antiguidade, governadores, senadores e deputados inflam o peito para declarar em alto e bom som que são a favor. Logo, estamos prestes a conceder mais uma obrigatória esmolinha para salvar a pátria.
O atual cenário de rutilante brasilidade nos lembra o dantesco espetáculo do impeachment do Collor, e a ridícula e ufanista performance dos parlamentares, que não se limitando a enunciar seus votos, prosseguiam indignados, “ pela liberdade, pela pátria, pela minha honra... voto a favor do impeachment”.
E assim, no palco surrealista do Congresso, crápulas travestidos de senhores das mais cândidas e boas intenções, bradaram aos quatro ventos como eram corretos, transparentes, nacionalistas e brasileiros.
Contudo, contrariando a indignação teatral, demonstrando que acima do palavreado está o gesto, o ato, em seqüência, assistimos o fio de lama que pouco a pouco passou a vazar no cenário político desta terra, até inunda – lo, totalmente, como nos dias atuais.
No pré - início de um novo desgoverno com ampla maioria no Congresso, emergem novos patifes, e novos canalhas adentram no palco da embromação.
Muita propaganda, muito diz - que - me - diz, mas, não se esqueçam, eles têm a faca e o queijo na mão. Se resolverem, estará decidido, e um novo ônus caberá no seu bolso para encher os cofres da canalha e do desgoverno.
É a materialização da vingança da metamorfose, que tem atravessada na garganta, o término da CPMF, quando incautos tiveram a ousadia de eliminar a indigesta contribuição, apesar dos seus veementes alertas de que o Brasil não agüentaria sem aquela polpuda verba.
Realmente, não tem mais jeito.
No Brasil, patifes e calhordas são que nem erva daninha, nascem e crescem em qualquer lugar, e aos montes.
Está iniciada mais uma rodada de esculhambação democrática.
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada da Reserva do EB.
Por Valmir Fonseca
No início, um reles boato. Uma “ marolinha”.
Depois, o desejo incontido de salvar a população “ toma corpo”. Aos borbotões surgem os impolutos políticos, preocupadíssimos com a pátria, com os cidadãos, com a saúde pública, e assomados por cintilante ardor cívico e intenso amor fraternal, descarada e, pateticamente, asseveram que uma nova CPMF ou similar deve ser aprovada para o bem de milhões de brasileiros.
Realmente, dizem eles, é fundamental a participação pecuniária de todos os nativos nesta empreitada cívico - social.
São modestos, eles querem apenas uma merreca de cada, uma ínfima colaboração que se transformará num substancial imposto.
Mas, e a estupenda arrecadação que a cada dia aumenta? Bom, não vamos desviar o assunto principal para meros detalhes. Ora, pois, que falta de visão.
Assim, de peito aberto, tal qual os heróis da antiguidade, governadores, senadores e deputados inflam o peito para declarar em alto e bom som que são a favor. Logo, estamos prestes a conceder mais uma obrigatória esmolinha para salvar a pátria.
O atual cenário de rutilante brasilidade nos lembra o dantesco espetáculo do impeachment do Collor, e a ridícula e ufanista performance dos parlamentares, que não se limitando a enunciar seus votos, prosseguiam indignados, “ pela liberdade, pela pátria, pela minha honra... voto a favor do impeachment”.
E assim, no palco surrealista do Congresso, crápulas travestidos de senhores das mais cândidas e boas intenções, bradaram aos quatro ventos como eram corretos, transparentes, nacionalistas e brasileiros.
Contudo, contrariando a indignação teatral, demonstrando que acima do palavreado está o gesto, o ato, em seqüência, assistimos o fio de lama que pouco a pouco passou a vazar no cenário político desta terra, até inunda – lo, totalmente, como nos dias atuais.
No pré - início de um novo desgoverno com ampla maioria no Congresso, emergem novos patifes, e novos canalhas adentram no palco da embromação.
Muita propaganda, muito diz - que - me - diz, mas, não se esqueçam, eles têm a faca e o queijo na mão. Se resolverem, estará decidido, e um novo ônus caberá no seu bolso para encher os cofres da canalha e do desgoverno.
É a materialização da vingança da metamorfose, que tem atravessada na garganta, o término da CPMF, quando incautos tiveram a ousadia de eliminar a indigesta contribuição, apesar dos seus veementes alertas de que o Brasil não agüentaria sem aquela polpuda verba.
Realmente, não tem mais jeito.
No Brasil, patifes e calhordas são que nem erva daninha, nascem e crescem em qualquer lugar, e aos montes.
Está iniciada mais uma rodada de esculhambação democrática.
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada da Reserva do EB.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Esquerda? Direita?
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Arlindo Montenegro
Assim eram denominadas velhas posições políticas, cada dia mais desacreditadas. O acesso a análises sobre documentos, expõe a nossa pretensão e ignorância, quando amarrados e viciados, pontificamos sobre detalhes da engrenagem sórdida da periferia imediata, ignorando a origem e forma de disseminação de idéias que mobilizam a paixão nossa de cada dia.
Os detalhes aparecem em documentos e informações, em atitudes e fatos cotidianos, que expoem os verdadeiros controladores da economia global. Anulam-se convicções anteriores e se identifica uma espécie de fonte que contamina todas as mentes, de modo preconcebido. Percebe-se que as velhas teorias da conspiração, existem de fato, na forma de estratégias e experiências seculares, de um mesmo grupo familiar.
Eles interferem nos estados nacionais, determinam sobre a vida e a morte, configuram o mapa mundi, subvertem as culturas nacionais, controlam o que pensamos sobre o estado, empresas, bancos, instituições políticas, comportamentos, crenças e diversas linhas de ação disfarçada de filantropia humanística.
Referindo os britânicos e a comunidade européia, Daniel Estulin (A verdadeira historia do Clube Bilderbeg) diz: "Os bilderbergers, permanecem unidos em seus planos de fortalecer, a longo prazo, o papel da Polícia Mundial que a ONU joga, na regulação das relações e dos conflitos globais." E na instalação de uma autoridade global sobre grupos de nações.
Uma das convicções que este escriba carrega em agonia há algum tempo, é que a autoridade amorosa vincula pessoas, sedimenta os laços familiares, a fraternidade entre amigos e as culturas nacionais. Nos últimos cinquenta anos, dia a dia, a Onu e os estados nacionais tem favorecido e impulsionado, aberta ou veladamente, a destruição das culturas sedimentadas na evolução natural durante séculos.
Há dois anos grafei "capimunismo", referindo a nova ordem associativa entre o capital controlado pelo ocidente e os estados comunistas. As mega-empresas ocidentais ocuparam o espaço produtivo nos estado comunista e o mundo passou a consumir produtos "made in china" ou "in vietnam", bem como noutras nações asiáticas. O capitalismo de baixo custo, em produção escravagista.
As pessoas foram conduzidas em todas as épocas para seguir "líderes" - políticos, guerreiros, espirituais. A economia empresarial corporativa engoliu a economia doméstica, reduziu o espaço-famíliar como fonte de provimento, referência de continuidade da espécie, conceito de território, domínio ancestral.
O estado pai ocupou e espaço decisório e a responsabilidade dos núcleos-produtivos-familiares, pervertendo a sólida moral e costumes conservadores, até há pouco balizadores dos relacionamentos sociais. Instalam-se de modo coercitivo ou mesmo violento, a condição de servidão competitiva cada vez mais complexa.
O pior de tudo é a inexistência de instrumentos convincentes, para afirmar que esta condição possa ser superada em nosso continente (ou no mundo "pobre") a curto ou medio médio prazo, sem a passagem pelo inferno totalitário capimunista. Sem autoridade moral regendo a educação humana eficiente, necessária e universal.
Fala-se superficialmente sobre o comunismo sovivético, que antecedeu o nacional socialismo alemão. Fala-se superficialmente da condição do estado de direito e liberdades individuais, fundamentados em valores que alavancaram o desenvolvimento do maior império economico, militar e de bem estar já conhecido: os EUA. Nas diversas fases históricas, parecia haver competitividade e antagonismo entre as formas de estado. Parecia haver um propósito diferenciado na condução das relações entre o estado e a sociedade, entre empresas e pessoas. Tudo justificando matanças planejadas e injustificáveis.
Hoje é possível afirmas que as vidas destruídas, batalhas, mortes e genocícidios, o aumento permanente e continuado de arsenais, fazem da gente simples ratos de laboratório, a serviço de um reduzido grupo, hoje identificado como "A Ordem", que está acima dos Bilderberg, acima dos estados, que controla os banqueiros, manipuladores dos recursos controlados pela "Ordem".
Financiaram todas as guerras, o comunismo, o nazismo, o vietnam, as guerrilhas pelo mundo e agora o terrorismo, o pseudo esquerdismo dos lula, chávez, evos, cristinas e outras aves de rapina, teleguiadas e muito bem remuneradas para criar o ambiente de uma possível nova guerra.
Nos próximos artigos, vamos mostrar os estudos documentados de ANTONY C. SUTTON, mais reveladores que o trabalho limitado de Estulin. Adiante, o propósito que um estudante de Yale referiu em 1873: "Não objetamos a existência do clã. Ninguém lhes contesta o direito, mas questionamos sua posição na defesa de que somete os que usam o emblema (de Yale), sejam os melhores para ocupar cada posto."
Vamos tentar entender como o estado supremo do PT, utiliza o conflito para dominar as mentes e como, na sociedade que desejam implantar, as pessoas só terão liberdade para obedecer aos governantes. O processo de capar a liberdade de imprensa já é lei no Ceará, está em discussão no Piauí, na Bahia e... em São Paulo.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
Por Arlindo Montenegro
Assim eram denominadas velhas posições políticas, cada dia mais desacreditadas. O acesso a análises sobre documentos, expõe a nossa pretensão e ignorância, quando amarrados e viciados, pontificamos sobre detalhes da engrenagem sórdida da periferia imediata, ignorando a origem e forma de disseminação de idéias que mobilizam a paixão nossa de cada dia.
Os detalhes aparecem em documentos e informações, em atitudes e fatos cotidianos, que expoem os verdadeiros controladores da economia global. Anulam-se convicções anteriores e se identifica uma espécie de fonte que contamina todas as mentes, de modo preconcebido. Percebe-se que as velhas teorias da conspiração, existem de fato, na forma de estratégias e experiências seculares, de um mesmo grupo familiar.
Eles interferem nos estados nacionais, determinam sobre a vida e a morte, configuram o mapa mundi, subvertem as culturas nacionais, controlam o que pensamos sobre o estado, empresas, bancos, instituições políticas, comportamentos, crenças e diversas linhas de ação disfarçada de filantropia humanística.
Referindo os britânicos e a comunidade européia, Daniel Estulin (A verdadeira historia do Clube Bilderbeg) diz: "Os bilderbergers, permanecem unidos em seus planos de fortalecer, a longo prazo, o papel da Polícia Mundial que a ONU joga, na regulação das relações e dos conflitos globais." E na instalação de uma autoridade global sobre grupos de nações.
Uma das convicções que este escriba carrega em agonia há algum tempo, é que a autoridade amorosa vincula pessoas, sedimenta os laços familiares, a fraternidade entre amigos e as culturas nacionais. Nos últimos cinquenta anos, dia a dia, a Onu e os estados nacionais tem favorecido e impulsionado, aberta ou veladamente, a destruição das culturas sedimentadas na evolução natural durante séculos.
Há dois anos grafei "capimunismo", referindo a nova ordem associativa entre o capital controlado pelo ocidente e os estados comunistas. As mega-empresas ocidentais ocuparam o espaço produtivo nos estado comunista e o mundo passou a consumir produtos "made in china" ou "in vietnam", bem como noutras nações asiáticas. O capitalismo de baixo custo, em produção escravagista.
As pessoas foram conduzidas em todas as épocas para seguir "líderes" - políticos, guerreiros, espirituais. A economia empresarial corporativa engoliu a economia doméstica, reduziu o espaço-famíliar como fonte de provimento, referência de continuidade da espécie, conceito de território, domínio ancestral.
O estado pai ocupou e espaço decisório e a responsabilidade dos núcleos-produtivos-familiares, pervertendo a sólida moral e costumes conservadores, até há pouco balizadores dos relacionamentos sociais. Instalam-se de modo coercitivo ou mesmo violento, a condição de servidão competitiva cada vez mais complexa.
O pior de tudo é a inexistência de instrumentos convincentes, para afirmar que esta condição possa ser superada em nosso continente (ou no mundo "pobre") a curto ou medio médio prazo, sem a passagem pelo inferno totalitário capimunista. Sem autoridade moral regendo a educação humana eficiente, necessária e universal.
Fala-se superficialmente sobre o comunismo sovivético, que antecedeu o nacional socialismo alemão. Fala-se superficialmente da condição do estado de direito e liberdades individuais, fundamentados em valores que alavancaram o desenvolvimento do maior império economico, militar e de bem estar já conhecido: os EUA. Nas diversas fases históricas, parecia haver competitividade e antagonismo entre as formas de estado. Parecia haver um propósito diferenciado na condução das relações entre o estado e a sociedade, entre empresas e pessoas. Tudo justificando matanças planejadas e injustificáveis.
Hoje é possível afirmas que as vidas destruídas, batalhas, mortes e genocícidios, o aumento permanente e continuado de arsenais, fazem da gente simples ratos de laboratório, a serviço de um reduzido grupo, hoje identificado como "A Ordem", que está acima dos Bilderberg, acima dos estados, que controla os banqueiros, manipuladores dos recursos controlados pela "Ordem".
Financiaram todas as guerras, o comunismo, o nazismo, o vietnam, as guerrilhas pelo mundo e agora o terrorismo, o pseudo esquerdismo dos lula, chávez, evos, cristinas e outras aves de rapina, teleguiadas e muito bem remuneradas para criar o ambiente de uma possível nova guerra.
Nos próximos artigos, vamos mostrar os estudos documentados de ANTONY C. SUTTON, mais reveladores que o trabalho limitado de Estulin. Adiante, o propósito que um estudante de Yale referiu em 1873: "Não objetamos a existência do clã. Ninguém lhes contesta o direito, mas questionamos sua posição na defesa de que somete os que usam o emblema (de Yale), sejam os melhores para ocupar cada posto."
Vamos tentar entender como o estado supremo do PT, utiliza o conflito para dominar as mentes e como, na sociedade que desejam implantar, as pessoas só terão liberdade para obedecer aos governantes. O processo de capar a liberdade de imprensa já é lei no Ceará, está em discussão no Piauí, na Bahia e... em São Paulo.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
domingo, 7 de novembro de 2010
As consequências da campanha 2.0
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Afonso de Albuquerque
A eleição de 1989 é lembrada como o marco inicial de uma nova forma de campanha eleitoral no país, centrada no uso da televisão e no marketing político.
Graças a estes recursos, Fernando Collor de Mello, um candidato lançado por um partido obscuro e com pouca experiência política prévia, teria sido capaz de se eleger presidente, derrotando lideranças com currículos muito mais vistosos e partidos muito mais sólidos que o seu.
A vitória de Collor deu origem a uma chave de leitura que permaneceu dominante nas eleições seguintes. Segundo ela, as eleições seriam marcadas pelo triunfo da técnica sobre a ideologia, dos “magos” do marketing político sobre os militantes, do “espetáculo” moldado para consumo dos eleitores sobre a participação dos cidadãos comuns, pelo declínio dos partidos frente à mídia. Mesmo a eleição de 2002, que levou o petista Luis Inácio Lula da Silva à presidência, depois de três tentativas frustradas, foi por vezes descrita como a vitória do consultor de marketing político Duda Mendonça que, através da figura do “Lulinha Paz e Amor”, teria produzido uma versão mais humanizada e eleitoralmente viável do candidato.
De 1989 em diante todas as campanhas eleitorais seriam assim: mais profissionais, mais espetaculares, menos políticas.
Pois bem: a campanha para as eleições de 2010 desafiou frontalmente esta premissa. Sua face mais visível é o papel que as redes sociais desempenharam.
Seja através de vídeos postados no Youtube, com cenas marcantes dos candidatos, próprios ou adversários, mensagens difundidas através do Orkut e do Facebook, e comentários postados no Twitter, cidadãos comuns desempenharam um papel ativo e importante na dinâmica da campanha.
Estaríamos assistindo ao advento de um novo paradigma tecnológico na comunicação política brasileira, a era da campanha “pós-moderna”, “2.0”, emergindo por sobre os escombros da campanha profissional televisiva? E quais seriam as consequências deste novo modelo de campanha (e, de modo mais geral, de participação política)? Uma democracia mais autêntica, mais próxima do cidadão comum, capaz de proporcionar uma efetiva ampliação do seu direito de se expressar publicamente? Ou, alternativamente, um campo fértil para boatos e toda a sorte de abusos passíveis de frutificarem em um ambiente caracterizado por um baixo nível de controle legal, e pela ausência de mediadores responsáveis? Explicações generalistas podem até dar conta de alguns aspectos do fenômeno, mas o fazem de modo simplista. As campanhas televisivas não eliminaram os partidos políticos.
Do contrário, como explicar que os mesmos dois partidos — o PT e o PSDB — tenham protagonizado as cinco últimas eleições presidenciais no Brasil? Do mesmo modo, não importa o quão significativo tenha sido o papel desempenhado pelas redes sociais na atual campanha eleitoral, elas não empurraram a televisão ou, de um modo mais amplo, a mídia tradicional para um segundo plano. O material produzido ou divulgado pela mídia tradicional permanece o principal referente dos discursos que proliferam acerca da campanha nas redes sociais.
Isso não significa, porém, que nada tenha mudado. Nas redes sociais, os cidadãos fazem mais do que reproduzir e amplificar o material produzido pela mídia tradicional. Eles o recortam, processam e reinterpretam de modo a que eles sirvam às suas próprias convicções políticas.
Seria tentador ver nas redes sociais um novo veículo para o discurso politicamente apaixonado, em oposição ao papel técnico e emocionalmente distanciado desempenhado pela mídia tradicional, bem como opor o jornalismo, espaço privilegiado da informação, às redes sociais, tomadas como o lugar da opinião. Mais uma vez, porém, incorreríamos em simplismo. A explosão das redes sociais é inseparável de uma dupla crise de legitimidade por que passa o jornalismo brasileiro contemporâneo.
Crise do modelo de jornalismo informativo, em primeiro lugar: a campanha de 2010 tem sido marcada por um nível inusitadamente alto de engajamento político por parte dos veículos jornalísticos brasileiros, não apenas no seu espaço editorial, mas também na cobertura da campanha e dos fenômenos associados a ela. A imprensa brasileira é hoje, de forma generalizada, uma imprensa partidarizada.
A segunda crise diz respeito ao próprio papel de mediador que, historicamente, os jornalistas e organizações jornalísticas brasileiros clamaram desempenhar: o papel de líder de opinião, de representante por excelência dos interesses dos cidadãos, de Quarto Poder. O acesso gratuito a um cardápio diversificado de informações, e a possibilidade de se expressar ativamente acerca de temas de interesse público nas redes sociais enfraquece o tradicional vínculo que unia o leitor ao seu jornal. O panorama se torna ainda mais complexo quando se considera que o ambiente dos blogs permitiu aos jornalistas se comunicarem diretamente com os leitores, sem passar necessariamente pela mediação das organizações noticiosas.
Em face dessas mudanças, a mídia tradicional se converteu em bem mais do que uma mera fonte dos debates travados nas redes sociais; tanto quanto a biografia, os partidos e as propostas dos candidatos, ela se tornou um tema da campanha.
Para uns, o tratamento dispensado pelos principais veículos jornalísticos às diferentes candidaturas foi parcial e evidencia uma tentativa autoritária de interferir na decisão popular; para outros, as críticas e denúncias à cobertura jornalística da campanha é que configurariam uma ameaça à liberdade de imprensa.
Novamente, estamos diante de perspectivas simplistas.
Mais do que golpismo da mídia ou contra ela, a campanha eleitoral de 2010 pode indicar uma reconfiguração radical da comunicação política no Brasil, na direção de um maior engajamento político da mídia, tanto as sociais como a tradicional.
Tal reconfiguração gera incertezas e tensões, mas pode indicar o fortalecimento de uma cultura cívica de participação política. E isto é saudável numa democracia.
Afonso de Albuquerque é coordenador do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF. Artigo originalmente publicado no jornal O Globo de 30 de outubro de 2010.
Por Afonso de Albuquerque
A eleição de 1989 é lembrada como o marco inicial de uma nova forma de campanha eleitoral no país, centrada no uso da televisão e no marketing político.
Graças a estes recursos, Fernando Collor de Mello, um candidato lançado por um partido obscuro e com pouca experiência política prévia, teria sido capaz de se eleger presidente, derrotando lideranças com currículos muito mais vistosos e partidos muito mais sólidos que o seu.
A vitória de Collor deu origem a uma chave de leitura que permaneceu dominante nas eleições seguintes. Segundo ela, as eleições seriam marcadas pelo triunfo da técnica sobre a ideologia, dos “magos” do marketing político sobre os militantes, do “espetáculo” moldado para consumo dos eleitores sobre a participação dos cidadãos comuns, pelo declínio dos partidos frente à mídia. Mesmo a eleição de 2002, que levou o petista Luis Inácio Lula da Silva à presidência, depois de três tentativas frustradas, foi por vezes descrita como a vitória do consultor de marketing político Duda Mendonça que, através da figura do “Lulinha Paz e Amor”, teria produzido uma versão mais humanizada e eleitoralmente viável do candidato.
De 1989 em diante todas as campanhas eleitorais seriam assim: mais profissionais, mais espetaculares, menos políticas.
Pois bem: a campanha para as eleições de 2010 desafiou frontalmente esta premissa. Sua face mais visível é o papel que as redes sociais desempenharam.
Seja através de vídeos postados no Youtube, com cenas marcantes dos candidatos, próprios ou adversários, mensagens difundidas através do Orkut e do Facebook, e comentários postados no Twitter, cidadãos comuns desempenharam um papel ativo e importante na dinâmica da campanha.
Estaríamos assistindo ao advento de um novo paradigma tecnológico na comunicação política brasileira, a era da campanha “pós-moderna”, “2.0”, emergindo por sobre os escombros da campanha profissional televisiva? E quais seriam as consequências deste novo modelo de campanha (e, de modo mais geral, de participação política)? Uma democracia mais autêntica, mais próxima do cidadão comum, capaz de proporcionar uma efetiva ampliação do seu direito de se expressar publicamente? Ou, alternativamente, um campo fértil para boatos e toda a sorte de abusos passíveis de frutificarem em um ambiente caracterizado por um baixo nível de controle legal, e pela ausência de mediadores responsáveis? Explicações generalistas podem até dar conta de alguns aspectos do fenômeno, mas o fazem de modo simplista. As campanhas televisivas não eliminaram os partidos políticos.
Do contrário, como explicar que os mesmos dois partidos — o PT e o PSDB — tenham protagonizado as cinco últimas eleições presidenciais no Brasil? Do mesmo modo, não importa o quão significativo tenha sido o papel desempenhado pelas redes sociais na atual campanha eleitoral, elas não empurraram a televisão ou, de um modo mais amplo, a mídia tradicional para um segundo plano. O material produzido ou divulgado pela mídia tradicional permanece o principal referente dos discursos que proliferam acerca da campanha nas redes sociais.
Isso não significa, porém, que nada tenha mudado. Nas redes sociais, os cidadãos fazem mais do que reproduzir e amplificar o material produzido pela mídia tradicional. Eles o recortam, processam e reinterpretam de modo a que eles sirvam às suas próprias convicções políticas.
Seria tentador ver nas redes sociais um novo veículo para o discurso politicamente apaixonado, em oposição ao papel técnico e emocionalmente distanciado desempenhado pela mídia tradicional, bem como opor o jornalismo, espaço privilegiado da informação, às redes sociais, tomadas como o lugar da opinião. Mais uma vez, porém, incorreríamos em simplismo. A explosão das redes sociais é inseparável de uma dupla crise de legitimidade por que passa o jornalismo brasileiro contemporâneo.
Crise do modelo de jornalismo informativo, em primeiro lugar: a campanha de 2010 tem sido marcada por um nível inusitadamente alto de engajamento político por parte dos veículos jornalísticos brasileiros, não apenas no seu espaço editorial, mas também na cobertura da campanha e dos fenômenos associados a ela. A imprensa brasileira é hoje, de forma generalizada, uma imprensa partidarizada.
A segunda crise diz respeito ao próprio papel de mediador que, historicamente, os jornalistas e organizações jornalísticas brasileiros clamaram desempenhar: o papel de líder de opinião, de representante por excelência dos interesses dos cidadãos, de Quarto Poder. O acesso gratuito a um cardápio diversificado de informações, e a possibilidade de se expressar ativamente acerca de temas de interesse público nas redes sociais enfraquece o tradicional vínculo que unia o leitor ao seu jornal. O panorama se torna ainda mais complexo quando se considera que o ambiente dos blogs permitiu aos jornalistas se comunicarem diretamente com os leitores, sem passar necessariamente pela mediação das organizações noticiosas.
Em face dessas mudanças, a mídia tradicional se converteu em bem mais do que uma mera fonte dos debates travados nas redes sociais; tanto quanto a biografia, os partidos e as propostas dos candidatos, ela se tornou um tema da campanha.
Para uns, o tratamento dispensado pelos principais veículos jornalísticos às diferentes candidaturas foi parcial e evidencia uma tentativa autoritária de interferir na decisão popular; para outros, as críticas e denúncias à cobertura jornalística da campanha é que configurariam uma ameaça à liberdade de imprensa.
Novamente, estamos diante de perspectivas simplistas.
Mais do que golpismo da mídia ou contra ela, a campanha eleitoral de 2010 pode indicar uma reconfiguração radical da comunicação política no Brasil, na direção de um maior engajamento político da mídia, tanto as sociais como a tradicional.
Tal reconfiguração gera incertezas e tensões, mas pode indicar o fortalecimento de uma cultura cívica de participação política. E isto é saudável numa democracia.
Afonso de Albuquerque é coordenador do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF. Artigo originalmente publicado no jornal O Globo de 30 de outubro de 2010.
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