terça-feira, 22 de junho de 2010

Não saia de perto do seu cliente

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Maurício Carmagnani

Você já se perguntou desde quando as pessoas fazem questão de divulgar suas idéias? A publicidade, por exemplo, já é um costume social desde a antiguidade. Já fizemos anúncios em tabuletas de argila, papiros, pinturas em paredes e gravações em rochas. Nosso flyers de hoje, ainda que em outro formato, podiam ser facilmente encontrados na antiga Grécia e Roma. Com o crescimento da economia e a evolução da comunicação, a propaganda passou a fazer parte da rotina de todos nós.

Cada vez mais, a relação de proximidade entre empresas e consumidores é fator decisivo durante o processo de tomada de decisão. Seja um serviço, ou o mais variado tipo de produto, é preciso fazer com que as pessoas reconheçam que precisam de algo e, além disso, que apenas a sua marca pode lhe satisfazer. Por isso, surge a dúvida: como atingir mais de 6,7 bilhões de pessoas em tempos de comunicação instantânea, em que não há fronteiras de tempo ou espaço para a informação?

Na antiguidade, por exemplo, gado e alimentos eram o foco dos publicitários daquele tempo. Já no século XVII, livros, enciclopédias e medicamentos estampavam aquilo que daria origem aos jornais modernos. Nos anos 50, hábitos femininos em transformação eram retratados. Hoje, tudo é ou pode ser um objeto da publicidade. Médicos, artistas, a Ciência, governos e governantes, todos querem ser divulgados. A expressão “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” nunca foi levada tão a sério.

Contudo, há uma superlotação dos meios convencionais de comunicação e os espaços para veiculação de mensagens correm o risco de serem obsoletos na percepção das pessoas. Por isso, o desenvolvimento de novas mídias nunca foi tão desejado por quem quer abrir canais de relacionamento com os públicos de interesse. O mais do mesmo já não acompanha a velocidade com que o mundo e a comunicação se transformam e se atualizam, deixando de dar conta do grande objetivo de uma mensagem publicitária: estimular o indivíduo em prol de determinada ideia.

Especialmente para os consumidores das gerações mais novas, interatividade e chances de dialogar com a propaganda são essenciais para o sucesso. Para essa aproximação, é preciso criar alternativas que fujam do usual. Nesse sentido, o merchandising é um ótimo exemplo para se analisar o processo de renovação de práticas já consolidadas.

Se antes a veiculação publicitária era feita em meios destinados exclusivamente a tal atividade, hoje já vemos até mesmo produtos que são usados para vender. Quem ainda não recebeu uma caixa de pizza com uma enorme propaganda estampada onde antes havia o telefone da pizzaria pode se preparar. As tradicionais listas telefônicas também ganharam uma nova roupagem.

A aproximação cliente/empresa depende cada vez mais da ousadia do anunciante, que não pode mais se submeter somente aos espaços exclusivos para publicidade. Você tem que se perguntar o que faz parte do cotidiano do seu consumidor. Caixas de leite, chaveiros, bonés e cadernos universitários fazem parte dessa rotina? Busque seus próprios espaços e conquiste seu lugar ao sol, de preferência bem ao lado do lugar do seu cliente.

Maurício Carmagnani é diretor da DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de novas mídias. Administrador de empresas e MBA em Finanças, pela Thunderbird (The Garvin School of International Management)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sua empresa é uma seleção?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Gilberto Wiesel

A Copa do Mundo traz à tona muitos questionamentos sobre formação de equipes, entrosamento e eficiência de grupo, tanto quanto à seleção de seu país quanto aos adversários. Torcedores se perguntam quem será convocado, se enfurecem pelo corte dos jogadores que não estão na lista oficial, os convocados desfrutam da glória de estar entre os melhores do mundo e suportam a cobrança para que dêem o melhor de si para fazer valer a honra de lutar pela sua nação.

Como no futebol, o mundo dos negócios também aflora as mais inúmeras dúvidas ao se construir e liderar um grupo, desde o momento de selecionar quem fará parte da sua equipe, até a apresentação de resultados. O empreendedor se pergunta se os seus funcionários dão o melhor de si em suas atividades, se continuam no banco de reservas esperando o momento de entrar nas disputas, se o departamento de recursos humanos levou seus critérios e exigências a sério na hora de convocar os profissionais, até mesmo se deve ou não liberar esses colaboradores para que acompanhem aos jogos.

Montar uma verdadeira seleção de trabalhadores é uma tarefa árdua, é preciso que se crie uma relação de extrema confiança com o setor de contratação, deixar sempre muito claro suas intenções quanto aos funcionários, tudo o que será oferecido e o que se espera em troca. Todas as perguntas feitas necessitam de bom senso e paciência para que sejam corretamente respondidas. Mas, a pergunta que nenhum empresário pode deixar de se fazer é se ele mesmo sabe a hora de ser ofensivo nos negócios, ou se deixa que seus concorrentes lhe imponham o ritmo de jogo.

No futebol, os esquemas táticos são a forma como os treinadores escalam seu time dentro de campo. Seleções tornaram-se famosas por ousadias na formação, como a Holanda de 74 e seu esquema conhecido como “Carrossel Holandês”, no qual os jogadores não tinham posições definidas, mas exibiam grande habilidade técnica e coletiva. Comandar um grupo, definir suas funções, confiar em suas habilidades e saber a hora de atacar ou se defender são virtudes de extrema importância para líderes em geral, sejam técnicos de futebol ou empresários.

Lembre-se que não basta exigir resultados dos seus jogadores se eles não tiverem ferramentas para conquistar as metas almejadas. Disponibilizar equipamentos eficientes e serviços técnicos para manutenção de eletrônicos e outros tipos de instrumentos de trabalho é um dos passos a ser inserido na luta pela liderança de mercado.

Como na Holanda da década de 70, para se conseguir destaque é preciso que se desenvolvam as habilidades coletivas da sua equipe. Mantenha a auto-estima alta e valorize cada integrante dela, esclareça os papéis a serem desempenhados e torne o ambiente propício ao desenvolvimento do espírito de coletividade.

Um empresário, assim como o treinador, deve acreditar no seu time, e ser seu maior incentivador. Criar uma estratégia tática que seja eficiente para a empresa e para os colaboradores, formar um grupo bem estruturado, ter força de vontade para se defender quando preciso, recuperar a posse da bola nas negociações e partir novamente para o ataque podem ser ações cruciais para se levar para casa a tão cobiçada taça de campeão.

Gilberto Wiesel é empresário, administrador de empresas pós-graduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguistica pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Theraphy Association, Hawai-USA. É escritor, conferencista e diretor dor Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O lado azul do veto ao Morumbi

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Thiago Scuro

A notícia aparentemente é negativa. No entanto, se analisarmos o contexto atual, podemos colher bons frutos desse veto ao estádio Morumbi para sediar a Copa de 2014. A cidade de São Paulo possui potencial econômico invejável e perspectiva de crescimento melhor ainda, vide a expectativa dos especialistas em apontar a cidade como a mais rica do mundo nos próximos 20 anos.

Toda essa realidade e perspectiva de São Paulo leva a crer que projetos bem realizados no Morumbi, Parque Antártica e Pirituba poderão trazer ao município, clubes, torcedores e consumidores excelentes perspectivas.

Temos o São Paulo F.C. livre para reformar seu estádio para a sua necessidade. Localizado no berço da zona sul, rodeado de bairros com excelente poder aquisitivo, o Morumbi irá tornar-se um grande centro de entretenimento e comércio da cidade, proporcionando ao São Paulo melhor estrutura e resultado financeiro.

O Palmeiras já vem realizando um trabalho sensacional nesse sentido. Independentemente da Copa 2014, o clube inicia obras de modernização do Palestra Itália com o objetivo de tornar o espaço uma casa mais agradável para seus torcedores e mais um centro comercial e empresarial da cidade.

Com isso, já teremos duas arenas de altíssimo padrão para receber eventos, shows, feiras, seminários e grandes jogos de futebol e outras modalidades, com uma independência positiva do caderno de encargos da FIFA, onde teríamos a obrigação de fazer adequações para a Copa do Mundo, mas que são irreais para a realidade do futebol brasileiro.

Um exemplo disso é a Alianz Arena na cidade de Munique, considerada a arena mais moderno da Copa de 2006, que possui sala de imprensa para 500 jornalistas, sendo que a realidade do futebol alemão não ocupa mais do que 80 lugares em jogos do Bayern de Munique.

Detalhes como esse fazem com que espaços essenciais para a realização do Mundial sejam inúteis no dia seguinte. E essa liberdade é que pode e deve ser explorada por São Paulo e Palmeiras na execução de seus projetos.

Além disso, temos a construção de uma nova arena, o Complexo de Pirituba, que deverá ser erguido para a realização dos jogos da Copa 2014, com grande potencial para ser adotado por Corinthians e Santos após a realização do Mundial.

Esse cenário trará a cidade de São Paulo uma realidade ainda melhor aos grandes clubes, proporcionará ao torcedor maiores condições de frequentar os estádios, alavancará receita, aproximará mais as empresas dos clubes e comunidade, e nos dias que não tiver jogos, a cidade ganhará novos espaços para compras, cinema, eventos e entretenimento em geral.

O veto ao Morumbi pode ser utilizado de forma positiva por todos envolvidos. Afinal, o grande objetivo da realização do Mundial é o seu legado, e esse pode ser fabuloso para os grandes clubes de São Paulo. Evidentemente que precisamos desenvolver todos da maneira correta, pensar e planejar os projetos para 2014, pois quando a Copa acabar, aí sim iniciará a colheita dos frutos do Mundial.

Thiago Scuro é professor do MBA Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios em parceria com a Brunoro Sport Business. E-mail: thiago@brunorosports.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pacote federal de bondades tributárias da Copa 2014

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Milton Fontes

O Projeto de Lei nº 7422, de 31/5/2010, do Poder Executivo, propõe a desoneração de diversos tributos federais, entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, em uma renúnica fiscal estimada em R$ 1 bilhão em favor da FIFA e de outras pessoas jurídicas e físicas. Estes benefícios estão vinculados às operações relacionadas com atividades essenciais à organização e à realização da Copa do Mundo de 2014.

Entre os benefícios destacam-se a isenção de tributos federais, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II), a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o CIDE (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), além da isenção sobre taxas aduaneiras incidentes sobre as importações de bens ou mercadorias para uso ou consumo exclusivo na organização e realização dos eventos, tais como: alimentos, suprimentos médicos, troféus, medalhas, estatuetas, flâmulas, bandeiras, material promocional, impressos, folhetos.

Tudo isso quando o serviço for promovido pela FIFA, subsidiária da FIFA no Brasil, confederações da FIFA, associações estrangeiras que integram a FIFA, parceiros comerciais da FIFA domiciliados no exterior, emissora-fonte da FIFA e prestadores de serviço da entidade domiciliados no exterior ou pessoa física ou jurídica por eles contratada para representá-los.

Os equipamentos técnicos esportivos, de gravação e transmissão de sons e imagens, equipamento médico e técnico de escritório poderão ser admitidos no país sob a denominação: “Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária”. Nessa situação, os tributos ficam suspensos na importação dos bens até que se comprove sua reexportação ou doação à União ou a entidade beneficente de assistência social, quando se converterão em isenção.

No mercado interno, a aquisição, pela FIFA, dos referidos bens e mercadorias para consumo, inclusive no caso de doações, também se beneficia da desoneração do IPI, PIS e COFINS, embora a opção mais provável seja a da importação. A entidade FIFA e a subsidiária FIFA no Brasil ficam isentas dos tributos federais, entre eles o o IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte, IOF, IPI, CSLL, PIS/PASEP e COFINS.

Para os serviços prestados diretamente à FIFA ou sua subsidiária no Brasil, com finalidade específica para o desenvolvimento de atividades relacionadas à realização dos eventos, é concedida a isenção do Imposto sobre a Renda (IRPJ), IOF, CSL, PIS e COFINS, porém estas últimas contribuições não englobam a venda de ingressos e de pacotes de hospedagem.

Os pagamentos realizados pela FIFA a pessoas físicas não residentes no país, empregadas ou contratadas para trabalhar na organização ou realização dos eventos, com visto temporário, não estarão sujeitos ao Imposto de Renda. Isso se estende ao pagamento de prêmios aos árbitros, jogadores e outros integrantes das delegações.

Fica instituído, também, o RECOM - Regime Especial de Tributação para Construção, Ampliação, Reforma ou Modernização de Estádios de Futebol, que consiste na suspensão (convertida em alíquota zero após a construção ou reforma dos estádios) do IPI, PIS/PASEP, COFINS, PIS/PASEP/COFINS – Importação, Imposto de Importação –, para a venda no mercado interno, importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação ao estádio de futebol.

É louvável a intenção do Governo Federal, mas a proposta poderia ser mais abrangente, evitando, assim, algumas injustiças.

O projeto somente desonera, por exemplo, o IPI, o PIS e a COFINS no último elo da cadeia: nas aquisições no mercado interno, vendas diretas do fabricante para a FIFA ou sua subsidiária, deixando de lado toda a cadeia produtiva que antecede a produção dos bens, bem como a matéria-prima aplicada a estes.

O ideal seria a concessão da desoneração de toda a cadeia produtiva, mediante a suspensão condicionada. Ou seja, todas as saídas nas etapas anteriores, destinadas ao fabricante que promoverá a venda para a FIFA, ficariam supensas, atribuindo-se ao comprador a responsabilidade pelo pagamento do imposto caso a destinação fosse diversa, como hoje ocorre no setor automotivo e em outras atividades. Somente assim o produto nacional ficaria totalmente desonerado dos tributos na produção, competindo em pé de igualdade com os produtos importados, muitas vezes de paises com regime de tributação favorecida.

O “pacote de bondades” deixa de lado obras de infraestrutura como rodovias, transporte, portos, saneamento, telecomunicações, tão importantes como os estádios. O mesmo diga-se em relação a outros serviços correlatos aos eventos da Copa do Mundo, como turismo, hotelaria, locação de veículos, organização de eventos diversos mas correlatos à Copa, aproveitando a estadia dos estrangeiros etc.

Os doadores e patrocinadores de projetos desportivos continuam enfrentando a “trava” prevista na Lei 11.438/06 – Lei do Esporte, ou seja, a limitação da dedução de 1% do Imposto sobre a Renda devido, quando a dedução deveria ser, no mínimo, do valor integral doado aplicado ao imposto devido.

Milton Fontes é especialista em direito tributário e sócio do escritório Peixoto e Cury Advogados – milton.fontes@peixotoecury.com.br

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Educação financeira e o uso consciente do dinheiro

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Silvia Alambert


Ter acesso à educação financeira nos possibilita consumir com inteligência e sem exageros, nos ensina a programar despesas e investir adequadamente independente da classe social, basta ter renda.

A partir disso, as pessoas passam a ter um novo olhar sobre si, reveem valores, questões éticas, cuidado com o próximo, entendem que todas as pessoas estão interligadas e que se não adquirirmos comportamentos responsáveis, através de escolhas financeiras inteligentes, do consumo consciente, não estaremos contribuindo para o modelo de escassez no mundo.

A maioria dos brasileiros não está acostumado a planejar, a identificar o que é necessidade, a se preparar para um possível período de crise financeira e a consumir com responsabilidade. O endividamento pessoal e até familiar no que diz respeito ao uso desenfreado do cartão de crédito, empréstimos financeiros e inadimplência generalizada, são alguns dos grandes problemas, além de contribuir para o aumento da inflação em algumas situações.

Portanto, é preciso educar uma nova sociedade para que os diversos aspectos da educação financeira sejam disseminados, iniciativa que deve ser coordenada através de parcerias, entre governo, ONGs, instituições financeiras e escolas. Dessa forma, a ideia da educação financeira nas escolas poderá ser colocada em prática beneficiando muitas crianças e jovens em todo o País, através da capacitação adequada de professores e do desenvolvimento de material educativo dinâmico e informativo com o objetivo de construir uma nova sociedade mais responsável e informada sobre o uso do seu próprio dinheiro.

Para trabalhar o desenvolvimento de um Ser Sustentável é preciso fazer com que as pessoas compreendam que é possível realizar seus sonhos e manter suas conquistas ao longo do tempo, um equilíbrio entre o SER-FAZER-TER. Quando estes valores são invertidos, o ser se desequilibra emocionalmente e se sente em um vazio que parece somente ser suprido quando ele possui bens materiais no presente, sem se preocupar com o seu próprio futuro e o futuro da humanidade. É como se a pessoa vivesse somente no “aqui e agora”, sem se preocupar ou cuidar de nada e de ninguém, nem consigo próprio.

No próximo mês de agosto, por meio de uma parceria entre The Money Camp e ITESA (Instituto de Tecnologia Social Aplicada), o projeto “Educação Financeira para Todos”, será aplicado para 250 crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica, entre 6 e 17 anos, na região Metropolitana do Estado de São Paulo.

As duas entidades envolvidas nesta iniciativa levarão os benefícios da educação financeira por todo o País, nos próximos meses, também, por meio de parcerias com órgãos governamentais, ONGs, escolas e empresas.Além disso, no início do ano, o Colégio Castelo Branco, na capital Paulista, inseriu a disciplina Educação Financeira na grade curricular para crianças com a faixa etária entre 5 e 11 anos.

Silvia Alambert, empresária, é sócia-diretora da The Money Camp Brasil, programa de educação financeira para crianças. Email: silviaalambert@themoneycamp.com.br

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Aspectos tributários da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Milton Fontes


Toda e qualquer prática desportiva é o caminho para a integração social, incentivo à cultura e união dos povos. A Constituição brasileira é clara no artigo 217: é “dever do Estado fomentarpráticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um”. Para tornar efetivo o mandamento constitucional, fomentar significa incentivar, apoiar, influenciar, inclusive através da desoneração da carga tributária de diversos setores da economia.

Tão logo foi anunciada a escolha do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014 e, posteriormente, a cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, diversos setores da sociedade já alardearam a necessidade de realização de inúmeros projetos de adequação da infraestrutura das cidades-sedes.

Nesse sentido, o orçamento estimado da Copa do Mundo de 2014 ultrapassa a cifra dos R$ 100 bilhões, enquanto os Jogos Olímpicos de 2016 contam com orçamento aproximado de R$ 40 bilhões.

Investimentos em infraestrutura serão necessários nos mais diversos ramos de negócio, como, por exemplo, construção civil, energia, turismo, transporte, tecnologia, publicidade, hotelaria, alimentação, hospitais, telecomunicações etc.

Porém, para atrair tais investimentos, que poderão sanar problemas estruturais que há décadas existem nas maiores metrópoles do país, o Estado, nas esferas federal, estadual e municipal, deverá preparar um pacote de incentivos fiscais, com o objetivo de desonerar todos os investimentos voltados para a realização desses grandes eventos.

Enquanto parte dos projetos de lei hoje vigentes, que visam conceder incentivos fiscais aos investimentos da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, não se convertem em realidade, é importante destacar que já existem textos legais relativos a incentivos fiscais ligados a tais eventos, mas que são parciais e necessitam de ajustes.

Na esfera federal, por exemplo, o IPI, que incide sobre produtos de procedência estrangeira ou produtos industrializados no país, tem isenção até 31 de dezembro de 2013 (Lei 10.451/02, art. 8º) para os equipamentos e material esportivos importados, sem similar nacional, e para os produtos do mesmo tipo adquiridos diretamente de fabricante nacional. Em ambos os casos, devem ser homologados pela entidade desportiva internacional da respectiva modalidade esportiva, destinados exclusivamente ao treinamento de atletas e às competições desportivas em jogos olímpicos, paraolímpicos, pan-americanos, parapan-americanos e mundiais.

Mas, por que desonerar somente o material esportivo? E a infraestrutura necessária para adequar as cidades, aeroportos, estradas, hotelaria etc.? Por isso, a isenção do IPI deveria ser ampla, para que o objetivo previsto no Artigo 217, da Constituição Federal, fosse alcançado em sua plenitude, para toda a cadeia produtiva, ligada diretamente aos eventos, compreendendo os insumos, materiais intermediários, e até mesmo produtos acabados, destinados ao implemento de obras de infra-estrutura e fabricação de material esportivo.

Ainda na esfera federal, existe a Lei nº 10.264/2001, chamada de Lei Agnelo Piva, que estabelece que 2% da arrecadação bruta das loterias federais e concursos de prognósticos sejam repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro. Desses 2%, o COB fica com 85% e o CPB, com 15%. Do montante destinado ao COB, 10% deverão ser investidos no esporte escolar e 5%, no esporte universitário. A Lei Agnelo Piva não teve o resultado esperado, pois apenas parte dos esportes tidos como olímpicos foram beneficiados.

Com o resultado do Brasil na última Olimpíada, o Governo resolveu editar a Lei de Incentivo ao Esporte (Lei nº 11.438/2006, regulamentada pelo Decreto nº 6.180/07), possibilitando a dedução do imposto de renda devido pelas pessoas físicas ou jurídicas dos valores despendidos a título de patrocínio ou doação, no apoio direto a projetos desportivos e paradesportivos previamente aprovados pelo Ministério do Esporte.

Ocorre que a referida Lei estabeleceu diversas “travas”, como limitar a 1% a dedução na pessoa jurídica e não permitir a dedução dos valores na determinação do lucro real e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Tendo em vista a excepcionalidade da situação – sediar a Copa e a Olimpíada –, o Governo deveria autorizar a dedução integral (já que o particular estaria agindo ou praticando um dever que compete ao Estado), das bases de cálculo do IRPJ e CSL, dos valores doados ou do patrocínio, sem prejuízo da dedução direta do imposto.

Destaca-se, ainda, na seara federal, o REIDI – Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Lei 11.488/07). É beneficiária do REIDI a pessoa jurídica que tenha projeto aprovado para a implantação de obras de infraestrutura nos setores de transporte, portos, saneamento básico e irrigação. Para as empresas beneficiárias do REIDI, há a suspensão do PIS/COFINS nas aquisições de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, e de materiais de construção para a utilização ou incorporação em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado.

Também há a suspensão da exigência do PIS-Importação e da COFINS-Importação quando os bens ou materiais de construção listados forem importados diretamente pela empresa beneficiária do Regime Especial, sendo que a suspensão da exigência do PIS/COFINS, do PIS-Importação e da COFINS-Importação se converterá em alíquota zero após a utilização ou incorporação do bem ou do material de construção na obra de infraestrutura.

Na esfera estadual, vigoram os Convênios ICMS 108/08, 133/08 e 39/09. Em linhas gerais, autorizam os Estados e o Distrito Federal a conceder isenção do ICMS nas operações com mercadorias e bens destinados à construção, ampliação, reforma ou modernização de estádios a serem utilizados na Copa de 2014, bem como conceder isenção do ICMS nas operações com produtos nacionais e estrangeiros (aparelhos, máquinas, equipamentos etc.) destinados aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

Na órbita municipal, a grande maioria dos incentivos fiscais até agora concedidos dizem respeito à isenção de ISS sobre os serviços prestados pela FIFA.

Portanto, embora ainda tímidos – pois se aguarda a aprovação de uma legislação ampla, no âmbito federal, sobre os incentivos fiscais relativos à Copa de 2014 e à Olimpíada de 2016 –, já existe a possibilidade de as empresas, principalmente aquelas que atuam no setor relativo à implantação de obras de infraestrutura, se aproveitarem dos benefícios fiscais hoje existentes.

Milton Fontes é sócio do escritório Peixoto e Cury Advogados – milton.fontes@peixotoecury.com.br

terça-feira, 1 de junho de 2010

O apagão profissional e o futuro do País

Artigo no Alerta total – www.alertatotal.net

Por Jorge Cunha

Falta gente qualificada para ocupar as vagas que, em virtude do forte crescimento econômico, começam a sobrar no País. A informação está presente em estudo feito pela Fundação Dom Cabral com as 76 maiores companhias do Brasil, divulgado pela imprensa no último final de semana.

De acordo com o levantamento, os setores mais afetados são os de construção civil, indústria naval, automobilístico, ferroviário, moveleiro, de transportes e serviços, siderúrgico e metalúrgico. Sessenta e sete por cento das empresas consultadas pelos pesquisadores disseram ser "muito difícil" contratar funcionários.

Por um lado, o Brasil ainda amarga um índice de 8 milhões de desempregados; de outro, sobram vagas. O que existe, portanto, é um descompasso entre "aquilo que sobra" - uma grande massa de pessoas sem qualificação e, não raro, analfabetas funcionais - e "aquilo que falta": gente bem preparada.

E não se trata apenas de encontrar candidatos com o certificado de conclusão de um curso superior. Para o profissional moderno ter alguma chance de sucesso no competitivo cenário globalizado, ele deve se mostrar apto a lidar com os novos apelos do mercado, com as novas tecnologias e com a necessidade constante de rever métodos e conceitos.

A falta de mão de obra capaz de atender essa ampla gama de exigências pode sufocar os planos brasileiros de crescer mais de 5% ao ano. Ao lado da infraestrutura deficitária, do sistema tributário paquidérmico, da burocracia exagerada e da legislação trabalhista draconiana, o fenômeno que está sendo chamado de "apagão profissional" representa um gargalo importante.

É muito mais caro para uma empresa se instalar num país onde, por pressuposto, ela terá de captar funcionários no exterior, bancando salários atraentes e benefícios que motivem uma pessoa qualificada a empreender uma mudança tão grande.

Vale lembrar que, ao contrário do que ocorria algumas décadas atrás, não são somente os profissionais em cargos de comando que devem dispor de atributos como visão estratégica e capacidade de gerenciamento. Hoje, as pirâmides organizacionais não são tão rígidas.

A cúpula ficou pequena demais para processar o enorme volume de informações e a abrangência dos conhecimentos requeridos em um cenário cada vez mais complexo. Dessa forma, surgiram novas posições, paralelas às de gerência e direção, em geral ocupadas por técnicos e especialistas que traçam diretrizes e coordenam projetos específicos.

Dentro desse espírito florescem e se disseminam, com êxito, os conceitos de descentralização, autonomia, iniciativa, proatividade, senso crítico, criatividade e pensamento sistêmico. Incentivar a formação de pessoas com perfil adequado a essa gama de desafios deve ser, desde já, uma das prioridades brasileiras.

Na verdade, estamos atrasados nessa jornada: o "apagão da mão-de-obra" vem sendo debatido, há tempos, por estudiosos, pesquisadores, políticos, empresários e executivos. Não fizemos quase nada a respeito, e agora urge correr atrás do prejuízo.

Jorge Cunha é o CFO (Chief Financial Officer) da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

Empreender também é com elas

Artigo no Alerta total – www.alertatotal.net

Por Tiago Aguiar


Já foi o tempo em que as mulheres eram vistas simplesmente como administradoras do orçamento familiar. A sociedade manteve uma abertura e o desprestígio da figura feminina para com a do homem tende a desaparecer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 2001 a 2008, a massa salarial feminina, ou seja, a soma de todas as mulheres incluídas no mercado de trabalho formal, aumentou 42,3%, ao passo em que a masculina cresceu 25,9% e, juntas, as mulheres brasileiras despejam 800 bilhões de dólares na economia, fato que lhes deram fama de ”consumidoras compulsivas”.

Mas, a realidade não é bem essa. Vale aqui analisar outras informações que comprovam a força da economia feminina. Hoje elas mantêm cargos importantes nos mais diferentes setores como, por exemplo, na política, na justiça e nos negócios, e são essenciais para o complemento da renda familiar e, em muitos casos, ganham mais que seus próprios parceiros.

Há também uma avaliação positiva em relação à existência de oportunidades para a abertura de novos negócios no Brasil e elas têm marcado presença de forma reveladora, embora muitas vezes despercebida, no avanço desse mercado empreendedor no país, fazendo por merecer o sucesso. O sexo feminino tem deixado suas limitações historicamente relacionadas ao gênero no passado, e conquistado a economia.

Uma pesquisa realizada no em 2009 pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) revela que, embora haja grande oscilação ao longo desses últimos cinco anos, as mulheres novamente ultrapassaram a porcentagem de empreendedores no Brasil: são 53% contra a presença de 47% de homens. Essa é a prova de que as mulheres saíram do casulo para descobrir e, finalmente, assumir a vocação empreendedora.

Podemos perceber algumas características dos avanços dessa participação feminina no mercado quando analisamos a dificuldade em encontrar administradores que contenham qualidades típicas de uma mulher: atenção, resiliência e perseverança. Outra explicação, talvez, seria a visão de oportunidade e força de vontade.

Assim, existem dois grupos de empreendedoras. Àquelas que vão à busca do próprio negócio pela necessidade financeira, ou seja, precisam encontrar algum modo de complementarem sua renda para garantir a qualidade de vida para ela e sua família. Por outro lado, existem as mulheres que se englobam no mercado por oportunidade. Elas estão no patamar daquelas que procuram o empreendedorismo como desafio para ultrapassar os limites impostos por carreiras, antes visto exclusivamente para o sexo oposto, e também como forma de satisfação pessoal.

Por necessidade financeira ou até mesmo pela ânsia de desafiar seus limites, a mulher tem criado o novo cenário econômico no Brasil tendo destaque em segmentos como lojas de roupas, pequenas confecções e produtos artesanais, desta forma, essas empreendedoras se dedicam, na grande maioria das vezes, ao mercado de serviços e ao comércio de varejo. Mas ainda existem alguns setores que não contam com seu empreendimento como, por exemplo, a área da educação e a da engenharia.

O público feminino marca um diferencial no seu modo de empreender. No geral, elas tendem a ser mais autônomas, se preocupam mais com os detalhes, e transformam as dificuldades em desafios necessários para alcançar o sucesso. Apresentam maior facilidade de compor equipes, cuidar de detalhes e valorizam a cooperatividade, ao passo que os homens valorizam mais os resultados e a competição.

No entanto, essas mulheres empreendedoras ainda têm resquícios do passado. Sua vida ainda é dividida entre a organização da família e seu trabalho. E embora muitos acreditem que, ao seguir esta dinâmica, a mulher acaba por deixar um dos dois compromissos comprometidos se engana, pois elas já conquistaram uma flexibilidade na administração familiar e nos negócios.

Fica fácil perceber, então, que a figura feminina traça para si uma estratégia de vida que lhe permite administrar bem os vários exercícios que são propostos ao cuidar de um empreendimento. A economia atual do país estimula ainda mais este surgimento de novos negócios e, com estes dados apresentados, fica fácil projetar que as mulheres podem dominar o setor e contribuir muito para o mercado financeiro brasileiro.

Tiago Aguiar é apresentador do Atitude BR, programa transmitido aos sábados pela Bandeirantes que visa fomentar, informar e educar os empresários com base nos exemplos e na rotina das empresas de pequeno e médio porte. Aguiar é advogado e empresário desde os 23 anos.