segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Arroz, Feijão e Cinema".

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Adailton Medeiros

O Brasil possui 5.565 municípios e, arredondando, somente em 440 (8%) existem salas de exibição. São, aproximadamente, 2.160 salas para 190 milhões de brasileiros e, em termos de pontos de cinema, a coisa é pior, são apenas 815.

A título de comparação, no país existem mais de 60 mil pontos de farmácias. Costumo dizer que se tivéssemos mais cinemas, provavelmente, teríamos menos farmácias. Cinema é sinônimo de qualidade de vida, pelo menos deveria ser tratado assim.

O porquê desse relato: os 4 anos de Ponto Cine. Um projeto vitorioso que pode ser uma alternativa a esse cenário, que, ainda por cima, insiste em manter os filmes brasileiros como estrangeiros no nosso país.

O Ponto Cine é a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil. É a maior exibidora de filmes brasileiros em todo o território nacional, em números de títulos, de sessões e de permanência em cartaz.

Foi premiada pela Agência Nacional de Cinema em 2007, 2008 e 2009, com o Prêmio Adicional de Renda. Ano passado recebeu também o PAR instituído pela Secretaria de Estado da Cultura e o “Faz Diferença”, do Jornal O Globo, pelos serviços prestados de formação e democratização do acesso ao cinema brasileiro, em 2008. Hoje, proporcionalmente, tem a maior taxa de ocupação dos cinemas.

Porém, mais que isso, o Ponto Cine mexeu com a autoestima dos moradores de Guadalupe, subúrbio do Rio. O bairro saltou das páginas policiais para os Cadernos de Cultura dos mais importantes Jornais, revistas e TVs. O Ponto Cine provocou uma revitalização urbana no seu entorno e virou moda no comércio local, não é difícil ver um Ponto X-Lanche, Ponto Pet, Ponto Saúde e outros.

Como modelo de negócio, o Ponto Cine conjuga o comercial e o social. O primeiro cria condições para bancar o segundo. O segundo, o social, é condição primordial para a sustentação futura do primeiro, o comercial; pois trata, especialmente, da formação de platéia. Resumindo: assim como a padaria não vende somente pão, este, em muitos casos, é o mínimo; o Ponto Cine não vende só ingressos e, sim, bilhetes, pipoca e idéias (projetos), principalmente aquelas que influenciam na qualidade de vida.

Em Niterói existem apenas 3.275 poltronas de cinema para quase meio milhão de habitantes. Mais precisamente um assento para cada grupo de 146 niteroienses, o equivalente a 4,5 turmas de escolas para cada lugar. Comparada com o restante do Brasil pode até se considerar uma cidade privilegiada. Porém, sofre do mesmo oligopólio promovido pelas distribuidoras americanas: em Niterói o filme brasileiro também é tratado como estrangeiro, não tem espaço em suas telas.

O que fazer para mudar isso? - Um Ponto Cine. Aliás, não é falta de vontade e empenho, inclusive iniciamos uma empreitada na antiga Estação dos Bondes, hoje Espaço Cultural Antônio Callado. Lá existem duas salas semi-prontas, só esperando acabamento. Espaço para cinema, livraria, biblioteca e café, mas a negociação entre o Supermercado Guanabara e o Ponto Cine foi interrompida. Havia um terceiro nessa relação, uma espécie de vilão, que pôs tudo por água abaixo.

Mas para nós esse filme não acabou, está só arrastado esperando uma virada. As salas estão lá, intocáveis. O coração endurecido dos proprietários do espaço não amolece. Contra nós disparam aluguéis estratosféricos. Está na hora de entrar um novo personagem nessa história: a Prefeitura, a Ancine, o BNDES ou a população.

Não há cenas dos próximos capítulos. Enquanto o Brasil clama por salas de cinema, Niterói está dispensando duas.

Adailton Medeiros é um dos criadores do projeto Ponto Cine. Artigo publicado domingo na coluna Espaço Aberto do jornal O Fluminense, de Niterói.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Terceiro Setor e a economia sustentável

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Dora Sílvia Cunha Bueno

Embora tenha passado um tanto despercebido da grande mídia, foi muito importante o alerta que acaba de ser feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ao acentuar que mais de um terço dos habitantes da América Latina continuam vivendo em situação de pobreza. Além da questão humanitária intrínseca a esse cenário, não é mais possível vislumbrar soluções duradouras para a humanidade e tampouco estabilidade política plena em meio a assimetrias tão graves.

Obviamente, a grande crise econômica mundial de 2008 e 2009 tem direta influência no agravamento do quadro da miséria, não só em nosso continente, como em outras regiões. No Brasil, felizmente, estudos já demonstraram não ter ocorrido aumento da pobreza. Porém, ainda temos uma parcela expressiva de pessoas excluídas. Portanto, temos de nos mobilizar para vencer o problema.

Mais do que nunca, é preciso ter consciência de que o conceito de sustentabilidade, em sua mais plena acepção, é inexorável, pois não haverá solução eficaz para a própria economia sem o seu equacionamento. Enganam-se os que imaginam estar a origem de crahs, como o que o mundo acaba de vivenciar, apenas no sistema financeiro e no universo da produção. Pobreza, devastação ambiental, criminalidade, instabilidade política e outras questões análogas são fatores geradores de graves turbulências econômicas.

Portanto, são inadiáveis as lições de casa neste período pós-crise, buscando alternativas concretas para problemas estruturais. Não haverá solução efetiva para o capitalismo sem a preservação ambiental, erradicação da miséria, melhor educação, saúde e da habitação de qualidade, formação profissional e apoio à juventude em, situação de risco. O Planeta está diante de um imenso desafio. Vencê-lo não depende apenas dos fóruns internacionais, da ONU, dos governos e das negociações entre os países.

A capacidade de nossa civilização de cumprir com êxito a missão da sobrevivência com dignidade é condicionada à mobilização de cada cidadão, empresa, entidade de classe, setor de atividade e instituição. Todos têm de fazer a sua parte! Esta é a essência de atuação do que chamados de Terceiro Setor, ou seja, a parcela da iniciativa particular que trabalham no atendimento ao público, ao bem comum da sociedade!

No Brasil, assim como tem ocorrido em numerosos países, empresas de todos os portes têm atuado cada vez mais nesse sentido. Já não se restringem às ações voltadas à melhoria da qualidade da vida e de trabalho de seus funcionários, de seus programas de qualidade e dos cuidados em não poluir o entorno de sua sede, escritórios e unidades produtivas.

Muito além desses relevantes valores inerentes ao universo interno e de sua rede direta de relacionamento, os compromissos das empresas incluem, cada vez mais, contribuições à promoção social no universo externo, bem como relação ética e transparente com clientes, consumidores e a sociedade. São muitas as empresas atuando na chamada responsabilidade socioambiental.

O trabalho do Terceiro Setor também encontra vertente decisiva, competente e imprescindível nas fundações e institutos, que realizam programas próprios, em distintas áreas, ou apoiam organizações beneficentes, culturais, esportivas, educacionais, de saúde e ambientais. É um imenso trabalho, que tem contribuído para reduzir os problemas socioeconômicos.

O trabalho de responsabilidade social das empresas, institutos e fundações também tem um bem-vindo efeito colateral, pois estimula o ingresso anual de mais e mais organizações nessa corrente do bem! E isso é mesmo necessário, pois o desafio é imenso e exige mobilização cada vez mais ampla da sociedade.

Sem dúvida, portanto, é crucial disseminar a consciência de que o exercício da responsabilidade social contribui muito para a inclusão de milhares de pessoas nos benefícios da economia e nas prerrogativas da cidadania. As fundações cumprem expressivo papel, contribuindo para mitigar a exclusão.

Um exemplo é a Fundação de Rotarianos de São Paulo, instituição que represento da APF, que mantém, juntamente com o Colégio Rio Branco e as Faculdades Rio Branco, exemplares e eficientes escolas para crianças portadoras de deficiências e para a formação profissional de jovens de baixa renda. Ações como as realizadas pelo Terceiro Setor mantém viva a esperança de que o mundo poderá encontrar soluções efetivas para a demanda da sustentabilidade!

Dora Sílvia Cunha Bueno é presidente da Associação Paulista de Fundações (APF) e da Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os índices de produtividade rural

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por João Bosco Leal

As propriedades rurais brasileiras devem cumprir metas de produtividade determinadas pelo governo federal para que se julgue se as mesmas são produtivas ou não.

Quando a propriedade não cumpre essa meta, é declarada improdutiva e passível de desapropriação para fins de reforma agrária.

No Brasil, o único país democrático do mundo que exige essa produtividade, a mesma só é exigida das propriedades rurais, não se aplicando ao comércio, bancos, hospitais, indústrias ou qualquer outro ramo de atividade, nem mesmo aos serviços públicos, quer sejam municipais, estaduais ou federais.

Pior, na propriedade rural desapropriada para fins de reforma agrária onde se realizou um assentamento, essa produtividade deixa de ser exigida e a família lá assentada pode simplesmente nem utilizar o lote que não será novamente desapropriada pelo não cumprimento das metas de produção, pois para os assentados elas não existem.

No regime democrático capitalista, a competência é o que determina a capacidade ou não de se permanecer no mercado, onde os incompetentes acabam fechando ou vendendo sua propriedade, seja ela rural, comercial ou industrial.

O país precisa de um estudo mais aprofundado sobre o assunto para continuar exigindo ou não essa produtividade. Se a sociedade entender que ela realmente deve continuar sendo exigida, deveríamos alterar a Constituição e exigi-la de todos, começando pelo serviço público, passando pelos hospitais, comércio, bancos, indústrias e os assentados no Programa Nacional de Reforma Agrária.

Para que haja justiça na exigência de produtividade da propriedade rural ou de qualquer outro tipo de propriedade, deveríamos exigir produtividade de todos os setores da sociedade, públicos ou privados, até mesmo em respeito ao princípio constitucional da igualdade.

Como já dizia Rui Barbosa, “os iguais devem ser tratados igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades”, não havendo nada que justifique esse tratamento desigual imposto unicamente aos produtores rurais.

João Bosco Leal é especialista em questões agrárias.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Hoje atleta, amanhã gestor

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Ricardo Mathias e Marcus Vinicius Freire

Precisamos formar novos campeões. Precisamos preparar nossos atletas para disputar o pódio olímpico em 2016. Não podemos fazer uma grandiosa festa sem medalhas brasileiras nos Jogos Olímpicos do Rio. O tempo todo se fala nisso, mas pouco se aborda da importância do atleta que está em processo de transição do final de carreira nas quadras, campos, piscinas, pistas, nos diversos palcos das competições.

As conquistas e derrotas de um atleta são ensinamentos levados para a vida toda, mas o mundo das competições não é infinito. Parar é sempre um momento da reflexão e de questionamento. O tempo passou. O que fazer agora?

A transição de carreira é um processo de transformação do que éramos e somos para o que queremos ser. É importante pensar no futuro durante o período competitivo com o aprimoramento em atividades voltadas à educação profissional. Quando possível, logo após a conclusão do ensino médio e/ou graduação — fato este muito incomum na grande maioria dos atletas brasileiros de alto rendimento, principalmente pela falta de tempo que os treinos e competições proporcionam.

Poucos atletas de hoje serão os esportistas das Olimpíadas de 2016, mas eles podem ser grandes gestores até o final das suas vidas profissionais. Mais além, os eventos esportivos possuem datas para começar e acabar, mas o esporte é perene. O surgimento de novos atletas é um processo da humanidade motivado pelas nações e do desejo dos jovens em se tornar conhecidos, reconhecidos e heróis, e que tornam a gestão esportiva também um processo permanente.

Um grande espetáculo é composto de palco, planejamento, gestão, recursos financeiros, infraestrutra, mas sem atores nada acontece. Um grande evento esportivo não tem nenhum valor sem os atletas.

A escolha por ser atleta é levada pela paixão, amor, aptidão, disciplina, motivação, engajamento, a busca da perfeição para vencer desafios em uma carreira realmente apaixonante. Porém, cada vez mais curta - em algumas modalidades, como a ginástica artística feminina, a média de idade das finalistas de Pequim 2008 era de 16 anos.

Estes fatores e valores são essenciais e de suma importância para um novo momento, quando o atleta se depara com a realidade de não mais competir, sem ter tido tempo de se preparar para uma segunda profissão — apesar de possuir, no mínimo, mais 45 anos de vida útil para qualquer outra atividade laboral.

A gestão esportiva no Brasil passa por uma grande transformação motivada pelo crescimento da indústria do esporte, pela necessidade de maior profissionalização das confederações, federações, clubes de futebol, representações sociais e pelo interesse das empresas em associar suas marcas ao esporte.

Este é um caminho sem volta, para uma década que representa muito para o Brasil nesse campo - algo que talvez não vá acontecer nem no próximo século. Teremos os Jogos Mundiais Militares 2011, Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo de Futebol 2014, eventos testes das 42 modalidades olímpicas entre 2013 e 2015, e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Isso significa dizer que um raio da natureza cai duas vezes no mesmo lugar ao mesmo tempo.

Gestão no mundo corporativo é entender de planejamento estratégico, criar processos, estruturar o marketing, comercializar produtos e serviços, ter controles financeiros e contábeis, saber equilibrar receitas e despesas, entender as questões jurídicas e gerenciar pessoas. Estes fatores, com certeza, não fazem parte da atividade de um atleta.

Buscar novos conhecimentos e habilidades em gestão, no momento de transformação de carreira, combinados com valores trazidos na formação como atleta - como o costume do trabalho em equipe, foco no resultado, determinação, respeito aos companheiros, adversários, hierarquia e regras -, com certeza contribuem muito para os desafios de uma nova profissão fora das competições, além de ajudar na formação de novos atletas e encurtar as distâncias da gestão esportiva com a realidade do mundo corporativo.

O Comitê Olímpico Brasileiro é hoje um exemplo do bom aproveitamento de ex-atletas e técnicos que se destacaram por seus resultados olímpicos e pan-americanos e que, posteriormente, se qualificaram para uma segunda profissão. Entre os quatorze atletas que lá trabalham, podemos citar Paulinho Villas Boas, olímpico do basquete, Sebastian Pereira, olímpico e campeão Mundial de judô, Agberto Guimarães, finalista Olímpico do atletismo, e Soraya Carvalho, ginasta olímpica, que agora são alguns dos executivos por trás da grande expectativa de resultados do “Time Brasil” nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Ricardo Mathias é gestor da Trevisan Escola de Negócios – Unidade Rio de Janeiro; e Marcus Vinicius Freire é superintendente executivo de esportes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

terça-feira, 25 de maio de 2010

A lei antifumo pegou!?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Antonio Gonçalves

Há pouco menos de um ano, a lei antifumo ainda recebe a estigma de que não vai pegar. A razão é que apesar das 736 autuações por desrespeito à norma em todo o Estado nenhum grande estabelecimento foi fechado e ainda paira desconfiança de que a lei não é cumprida em sua integralidade. Entretanto, 374 multas foram aplicadas em São Paulo e 362 foram no interior, de um resultado decorrente de 322.033 ações de fiscalização.

Mas a lei é eficaz? A resposta é afirmativa, afinal, não é necessário destaque na mídia com um estabelecimento lacrado pra constatar que as pessoas não fumam mais no interior dos estabelecimentos.

A maior dúvida era saber se eles conseguiriam conter o ímpeto dos fumantes sem perderem o cliente nem reduzir o movimento e, ainda assim, estarem no cumprimento da nova lei. Após os primeiros meses de vigência da norma o que se viu foi o cumprimento quase integral pelos estabelecimentos comerciais que desenvolveram uma estratégia para segurarem os fumantes: proporcionaram o acesso à calçada e o retorno deles para o interior do estabelecimento sem qualquer constrangimento e, quando isso não é possível por conta do estabelecimento não estar localizado na rua, uma área aberta foi criada para atender as necessidades dos fumantes.

Se por um lado o Governo do Estado de São Paulo conseguiu separar os fumantes dos não fumantes, outros problemas foram criados por conseqüência direta dessa proibição, o que fatalmente trará seqüelas num futuro muito próximo.

O primeiro problema é cheiro de cigarro que fica impregnado nos não fumantes. Em vários estabelecimentos o problema persiste por conta da área reservada aos fumantes ser a mesma da entrada das pessoas nos estabelecimentos e não raro um cliente é recebido com uma nuvem de nicotina advinda da área especial, que também é a calçada.

A lei conseguiu inibir o fumo no interior, mas a fumaça segue prejudicando os demais, ainda que em menores proporções, porque ao entrar e ao sair todas as pessoas são "contempladas" com a fumaça do cigarro.

O escopo principal da norma, proteger o não fumante, ainda não atingiu seu propósito integral e da forma como está apenas se mudou o cigarro de lugar. Os proprietários se preocuparam em defender seu movimento e não em criar medidas protetivas e conciliadoras para o não fumante.

O outro problema foi o aumento da quantidade de bitucas de cigarro jogadas na rua. Elas não se decompõem e se acumulam nos bueiros da cidade, portanto, o resultado prático será o entupimento de vários bueiros na cidade de São Paulo na época das chuvas. E como conter esse problema?

A solução não é a mantença dos fumantes do lado de fora, na rua, mas sim a criação de uma área nos fundos ou em algum local aberto com a presença de cinzeiros e sem o contato com pessoas não fumantes, assim poderemos afirmar que a lei antifumo obteve o sucesso integral, pois da forma como está se resolve parcialmente um problema para se criar outros.

Antonio Gonçalves é advogado criminalista, membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e membro da Association Internationale de Droit Pénal - AIDP. Pós-graduado em Direito Penal - Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca - Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O caderno universitário como mídia

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Maurício Carmagnani

De acordo com o Censo da Educação Superior 2008, realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Brasil registrou um crescimento de mais de um milhão de universitários matriculados, comparado à última pesquisa. O número que era de cerca de 4,8 milhões em 2007, subiu para mais de 5,8 milhões em 2008.

O cenário se torna cada vez mais competitivo. Com a internacionalização do Ensino Superior, instituições e grupos estrangeiros têm entrado no mercado de educação universitária no país, o que aumenta a necessidade de se preparar para conquistar um lugar ao sol. Tanto quanto melhorar o ensino e a infra-estrutura, é preciso investir em marketing e em ações estratégicas para fortalecer a imagem instituição.

Destacar-se num cenário no qual surgem novas faculdades, universidades e muitos outros cursos, dia após dia, é uma tarefa trabalhosa e de investimento. A instituição pode oferecer ao aluno diversas vantagens na sua formação acadêmica e profissional, na infra-estrutura e no conforto, nos preços que serão pagos pelas vantagens.

E de tudo que for prometido ao aluno ao se matricular, o importante é que seja cumprido as promessas durante os anos que ele passará dentro dessa escola. Isso dá, no mínimo, credibilidade à empresa, além do desejado destaque em meio a tantas outras opções de ensino superior disponíveis no mercado.

O desafio está em aproximar os alunos das instituições de ensino, principalmente nos dias de hoje, onde escolas cada vez maiores ganham espaço no contexto universitário nacional. É preciso uma interatividade maior entre a universidade e estudante, e as mídias existentes não oferecem algo que suporte e reforce tal proximidade. Com o crescimento dos alunos matriculados e a demanda de se estabelecer um bom relacionamento, surge também a necessidade de uma nova mídia.

Um novo veículo de comunicação no Brasil, baseado em um produto já presente nos Estados Unidos e outros países latinos, tende a suprir essa procura: é o Q! Caderno. Mais que um tradicional espiral com folhas pautadas para anotação, esse caderno apresenta uma capa personalizada com as cores e/ou logo da universidade.

Além disso, o mesmo proporciona espaços para que marcas que têm nos estudantes o seu público-alvo possam anunciar e também serem reconhecidas como apoiadoras do ensino superior no Brasil. Com tudo isso, é criada esse novo conceito de meios de comunicação.

O caderno, distribuído gratuitamente no início de cada semestre, tem esses “incentivadores do projeto” presentes nas contracapas e divisórias que permitem as marcas acompanharem os alunos não só dentro da sala de aula, mas no transporte, nas ruas e até mesmo em suas casas, além de possibilitarem, dependendo da criatividade dos anúncios, uma interatividade entre a campanha e o consumidor (ex. redes sociais).

Estabelecer propósitos verdadeiros para com seu público-alvo, agir em favor da educação de qualidade e da sociedade, e continuar se preparando para um mercado que tem crescido gradativamente, são estratégias que, utilizadas em conjunto, podem influenciar direta e positivamente na preferência do aluno/consumidor na hora de escolher entre a sua marca. Essas são as premissas do Q! Caderno.

Maurício Carmagnani é diretor da DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de novas mídias. Administrador de empresas e MBA em Finanças, pela Thunderbird (The Garvin School of International Management).

domingo, 23 de maio de 2010

Vale à pena assumir o risco?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Pedro Guilherme G. de Souza

A leitora levanta-se de sua cama em um dia qualquer do mês de abril e observa longe, no horizonte, uma nuvem carregada. Toma seu banho e antes de sair de casa, olha novamente na janela. Percebe que aquela nuvem está cada vez mais próxima e escura. Surge a primeira crise de seu dia: apanhar ou não seu guarda-chuva? Pensa: “arrisco me molhar ou levo esse objeto pesado e desengonçado que não combina com nada?”

A escolha de levar ou não o guarda-chuva carrega em si muito da cultura do povo brasileiro, que confia e aposta na sua elevada capacidade de improvisação e na certeza de que há um jeito para tudo, até para desviar da chuva. Comportamento semelhante não seria esperado em culturas mais tradicionais, que entendem que se sacrificar ou perder um pouco faz “parte do jogo” para evitar o mal maior, ainda que este possa nunca ocorrer.

A análise do mercado segurador replica este padrão de comportamento. O brasileiro tende a subestimar o risco ou a superestimar sua capacidade de superá-lo e opta por arriscar a perda de um bem ou por enfrentar uma situação desconfortável, no lugar de contratar seguro.

A regra, como sempre, comporta exceções. No mercado de seguros automotivos, o brasileiro ainda prefere suportar o preço do seguro a cogitar a dor da perda, total ou parcial, de seu veículo. Talvez neste caso a exceção se deva muito mais ao amor do brasileiro por carros que por outro motivo. O que importa é que, no caso do automóvel, o mercado segurador captou este padrão de comportamento e se estruturou para atender da melhor forma as vontades de seu consumidor.

O processo de amadurecimento da sociedade brasileira, talvez acelerado por fatores externos como mudanças climáticas, riscos de epidemias etc., aponta para uma tendência de modificação deste padrão de comportamento em outros setores, com sensíveis reflexos em ramos de seguros distintos como saúde, de residência e de bens em geral, como os seguros de garantia estendida de produtos.

O aumento na contratação de novos tipos de seguros reduz a exposição dos brasileiros e da sociedade brasileira como um todo a riscos de prejuízos por perda ou danos patrimoniais, que muitas vezes trazem consequências sociais severas. Além disso, nota-se uma redução nas situações de conflito, uma vez que a contratação de seguro não implica somente a certeza de ressarcimento da perda material sofrida, mas também a garantia de tranquilidade do segurado que aciona a garantia contratada e se livra de ter que correr atrás da solução do problema.

Assim como a dúvida inicial de nossa leitora afasta-se com a aquisição de um leve e belo modelo de guarda chuva, que será sempre e sem qualquer dúvida carregado, novas opções de seguros reduzem a exposição do brasileiro e de seus bens a riscos desnecessários.

Pedro Guilherme Gonçalves de Souza é formado em Direito pela Universidade de São Paulo. Atua na área de Direito Público e Direito Securitário. Sócio de Souza Araujo Butzer Zanchim Advogados.

sábado, 22 de maio de 2010

Mudanças na Previdência Social e o impacto nos cofres públicos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Alessandro Rangel Veríssimo dos Santos e Viviane Coelho de Carvalho Viana

Em 14 de abril, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou o Projeto de Lei nº. 56 de 2009. De autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), o projeto visa beneficiar os aposentados que retornaram ao mercado de trabalho na qualidade de empregados, pois prevê a isenção dos recolhimentos de contribuição previdenciária, atualmente obrigatória, e do restabelecimento do denominado “pecúlio”, que consiste na restituição aos aposentados dos valores das contribuições até então recolhidos. Agora, o projeto segue para ser votado na Câmara dos Deputados em caráter terminativo.

É interessante lembrar que tanto a isenção dos recolhimentos da contribuição previdenciária quanto o benefício do pecúlio já estiveram previstos em nossa legislação. Há de se ressaltar que o pecúlio era um beneficio que consistia na obrigatoriedade de a Previdência Social devolver ao segurado aposentado o valor das contribuições previdenciárias pagas após a aposentadoria até sua saída definitiva da atividade laboral. Ocorre, porém, que em razão da previsão contida no artigo 24 da lei 8.870/94, a legislação previdenciária sofreu alterações e o referido benefício foi parcialmente extinto. Em compensação, a própria lei passou a prever a isenção do recolhimento das contribuições previdenciárias para estes aposentados.

No entanto, essa isenção durou pouquíssimo tempo, isto porque, em 28 de abril de 1995, com a edição da Lei 9.032/95, a previsão legal foi novamente alterada, restabelecendo-se a obrigatoriedade do pagamento das contribuições previdenciárias para o aposentado que voltasse a exercer atividade laboral abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social. Nada foi mencionado a respeito do pecúlio.

Tem-se, portanto, que a partir de 1995, o aposentado que retornou ao mercado de trabalho, além de não fazer jus ao benefício do pecúlio, teve que voltar a recolher sua cota previdenciária, sem ter direito à prestação alguma da Previdência Social, com exceção ao salário família e à reabilitação profissional, conforme previsto no artigo 18, § 2º da Lei 8.213/91.

Assim, verifica-se que o objetivo deste Projeto de Lei nada mais é do que neutralizar a disparidade havida entre o recolhimento da contribuição previdenciária pelo aposentado trabalhador e a inexistência da contraprestação de benefício por parte do Estado.

Mas não é só. Isto porque, além desse projeto, outras medidas estão sendo elaboradas para beneficiar os aposentados. Neste sentido basta lembrar que no dia 04/05/2010, a Câmara dos Deputados aprovou, em uma mesma Medida Provisória (MP), o fim do Fator Previdenciário e o reajuste de 7,71% para aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Agora, a MP segue ao Senado para ser votada.

A respeito do fator previdenciário é interessante ressaltar que foi criado com a Lei 9.876, de 26/11/1999 e consiste em um coeficiente usado no cálculo do valor da aposentadoria que tem como base: (i) a idade, (ii) a expectativa de sobrevida e (iii) o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar. Isto quer dizer que, quanto mais novo em idade for o segurado no momento de sua aposentadoria, por causa do fator previdenciário, o valor do seu benefício será muito menor.

Desta forma, resta nítido que a extinção do fator previdenciário beneficiará, sensivelmente, o aposentado, porque independentemente de sua idade, o valor de sua aposentadoria não sofrerá reduções.

No entanto, há que ser ressaltado que, não obstante a nobreza do Projeto de Lei 56/2009 que, como mencionado, prevê a volta do Pecúlio e a isenção dos recolhimentos previdenciários dos aposentados a partir de sua aprovação, e da Medida Provisória, com aumento de 7,71% no valor da aposentadoria e o fim do Fator Previdenciário, dúvidas remanescem a respeito de suas aprovações, principalmente se considerado o impacto financeiro que cada um poderá ocasionar nos cofres públicos. Segundo estimativas, o impacto que o Projeto de Lei poderá atingir é de R$ 14 bilhões por ano e o da Medida Provisória é de R$ 15 bilhões somente para este ano de 2010.

Verifica-se, portanto, que as questões abordadas tanto no Projeto de Lei, como na Medida Provisória, com as alterações aprovadas na Câmara dos Deputados, são bastante polêmicas e demonstram posicionamentos controvertidos entre o Executivo e o Legislativo e, também, entre os próprios políticos envolvidos, sendo que a proximidade das eleições e o interesse eleitoreiro (e não meramente político, social ou econômico) poderão influenciar, sensivelmente, na aprovação ou veto das medidas propostas.

Não obstante e independentemente da aprovação pelo Congresso e sanção presidencial, cabe aqui fazer uma observação. Ainda que a volta do Pecúlio não seja aprovada, o aposentado deve se lembrar que existe uma solução jurídica para revisar tal situação. Trata-se da “Desaposentação”: promove-se a renúncia da atual aposentadoria para que, em seguida, uma nova aposentadoria seja concedida, com a inclusão de todo período contributivo, principalmente aquele relativo ao lapso temporal que o segurado contribuiu depois de aposentado.

Por fim, é muito importante que, antes de ingressar com essa medida judicial, o segurado faça uma contagem do novo tempo de contribuição, pois vai somar todo período contributivo anterior e posterior à aposentadoria. Depois, é necessário fazer o cálculo do valor da nova aposentadoria para verificar se é mais vantajoso que o valor da aposentadoria que o segurado recebe atualmente, uma vez que o novo benefício seguirá a regra vigente.

Alessandro Rangel Veríssimo dos Santos é advogado especializado em Direito do Trabalho, sócio do escritório Rodrigues Jr. Advogados e membro da Comissão de Direito Empresarial do Trabalho da OAB - alessandro.santos@rodriguesjr.com.br; Viviane Coelho de Carvalho Viana é advogada da área previdenciária do escritório Rodrigues Jr. Advogados e pós-graduada em Direito Previdenciário -viviane.viana@rodriguesjr.com.br

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Polêmica nos balanços patrimoniais

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Sérgio Contente

A Lei 11.638/07 foi criada com o objetivo de atualizar as normas contábeis brasileiras com base nas normas internacionais de contabilidade. Dentre as principais mudanças citamos a nova estrutura das demonstrações contábeis como o Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a apresentação da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), em substituição à Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) e do valor adicionado (DVA). Porém, a nova lei vai muito além. Ela altera a forma de pensar, elaborar e analisar a contabilidade e as finan&cced il;as no País, pois equipara as informações contábeis brasileiras às normas internacionais de contabilidade, oferecidas pelo International Accountant Standards Board (IASB).

Antes da nova regra, a classificação e apuração dos valores monetários eram determinadas por diversas normas fiscais ou de órgãos reguladores e, por este motivo, a contabilidade “engessava” o profissional responsável pelas demonstrações financeiras das empresas. Neste sentido, a Lei 11.638/07 cria a figura de uma instituição separada de órgãos reguladores para que sugere que Banco Central do Brasil (Bacen), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e demais órgãos reguladores elabore convênio com entidade ligada ao estudo e à divulgação de princípios, normas e padrões de auditoria com base nas normas internacionais de contabilidade.Esse órgão é o Comitê de Pronunciamentos Contáb eis – CPC.

Adequar-se às normas internacionais de contabilidade é muito positivo para o Brasil, claro, porém, as diretrizes do IASB têm alguns pontos conflitantes com as normas tributárias brasileiras. Um dos atritos está no princípio da “essência da primazia sobre a forma” que já constava na Resolução CFC 750/93, que orienta o profissional contábil brasileiro a ater-se à realidade econômica substancial e real das companhias. Parece óbvio, mas com a aplicação do principio, o cálculo de impostos, taxas e contribuições, deverão ser controlados em planilhas ou softwares adequados e em seguida não misturar com os tratos cujo principio deverá ser aplicado. Em decorrência a esse fato, a Lei 11.41/09 e a Instrução Normativa 949/09 apresentam detalhes de como deverão ser ajustados os tributos.

Outro ponto importante é o critério de avaliação dos ativos e passivos, que poderão ser ajustados a valor presente, quando houver juros na operação. Outro exemplo é o ativo imobilizado que deverão ser avaliados pela vida útil econômica para fins de depreciação e ao no final de cada exercício calcular a recuperabilidade deste ativo. Nestes casos, os profissionais devem ter atenção às regras e ao atendimento das normas contábeis e do Fisco, sendo que este último oferece regras fiscais como tabelas e formas de cálculo e em contrapartida as normas contábeis determinam que o profissional contábil aplique juízo de valor, observando a operação real da empresa o que, muitas vezes, poderá ser totalmente diferente d a realidade fiscal.

A contabilidade não é estanque e existe para medir aspectos quantitativos e qualitativos das entidades, sejam elas governamentais ou particulares. Toda e qualquer mudança de cultura pede discussões e debates de todas as partes envolvidas e estes estão sendo elaborados pelo CPC. Contudo, os profissionais de contabilidade, de finanças e tributário deverão participar diretamente desse processo, pois quanto mais opiniões e ideias forem apresentadas, melhores serão as decisões tomadas.

Sérgio Contente é presidente da Contmatic Phoenix (www.contmatic.com.br) e da Fundação Idepac (www. idepac.org.br), voltada ao desenvolvimento profissional de jovens.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Invejosos e cabotinos

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Marcelo Gonçalves


Onde quer que existam pessoas, existem conflitos. O ambiente corporativo não é exceção. Por mais saudável e bem administrada que seja uma empresa, por mais inteligente e bem aplicada que seja sua política de recursos humanos, ainda assim haverá espaço para que proliferem intrigas, antipatias e disputas pelo poder.

Dentre os agentes que mais desencadeiam problemas no ambiente de trabalho, sobressai a figura do ‘puxador de tapetes’. Ressentido, ele se acha melhor do que todo mundo e não perdoa os colegas que ganham mais ou que ocupam um cargo mais alto na hierarquia. Ele só enxerga as ‘injustiças’ das quais se considera vítima. Nunca admite que outra pessoa fez por merecer uma promoção, um prêmio ou uma viagem porque se empenhou de corpo e alma na busca por um bom resultado, ou porque abraçou um projeto, ou, ainda, porque preferiu abdicar de algumas horas de lazer para se aprimorar na profissão.

O puxador de tapetes vai optar, sempre, por rotular os vitoriosos como ‘puxa-sacos’ e ‘oportunistas’. Mas – vale lembrar! –, na primeira oportunidade que surgir, o puxador de tapetes não hesitará em tentar obter para si mesmo as benesses que ele não tolera ver concedidas aos outros. E, e o que é ainda pior, nas maior parte das vezes esse tipo de pessoa não hesita em se valer de recursos desonestos para chegar aos objetivos pretendidos.

Uma boa história para apascentar os ânimos dos puxadores de tapetes é a de Dionísio I, Imperador de Siracusa, na Sicília, que reinou no século IV a.C. Segundo uma anedota histórica, Dionísio era muito invejado por um de seus cortesãos, Dâmocles. Certa noite, o monarca propôs trocar de lugar com o plebeu, para que este sentisse um pouco o ‘sabor’ do poder.

Durante o banquete, Dâmocles, feliz da vida por estar sentado no trono do Imperador, saboreando iguarias raras e vinhos maravilhosos, olhou para o alto. E, apavorado, viu uma espada afiadíssima, segura apenas por uma fina crina de cavalo, com a ponta voltada diretamente para a sua cabeça. Diante do inesperado, Dâmocles questionou Dionísio, que explicou: o monarca dispõe de riqueza, conforto e pessoas prontas a obedecê-lo; no entanto, não pode vacilar nunca, pois aquela espada permanece suspensa sobre sua cabeça todos os dias, todas as noites, desde o primeiro instante de seu reinado.

De forma semelhante, quem ocupa um cargo na hierarquia de uma empresa está sempre exposto ao risco de ser atingido pela espada de Dâmocles. Seus erros, suas falhas, suas hesitações, podem lhe valer, senão a “morte” literal, pelo menos a morte profissional. E essa tensão se torna maior na medida em que os degraus da hierarquia vão sendo galgados.

Outra personagem complicada do ambiente corporativo é o profissional cabotino, aquele indivíduo que adora propagandear seus feitos e age como se as conquistas e realizações fossem um mérito exclusivo dele, e não o resultado do trabalho de uma equipe.

O termo ‘cabotino’ vem do francês e tem sua origem em um ator parisiense do século XVII, chamado Cabotin. O artista costumava fazer turnês pelas cidades da França, e quando chegava a um lugar, alardeava que o maior e mais talentoso ator do mundo se apresentaria em tal data e tal horário. Estimuladas, as pessoas se empenhavam em ver o ‘artista maravilhoso’, e se surpreendiam quando, no palco, surgia ninguém mais ninguém menos que o próprio ‘propagandeador’ do ‘mestre’ Cabotin...

A mesma coisa acontece quando esse tipo de profissional ‘alardeia’ seus feitos, suas inovações, suas descobertas. Não raro, esses ‘gênios’ não passam de pessoas com desempenhos medianos ou até inferiores à média, e raramente duram nos empregos e cargos que conquistam na base da autopromoção. Quando suas máscaras caem, eles simplesmente abandonam o show e tentam conquistar os incautos de outras praças.

Como se livrar de pessoas assim e evitar que elas contaminem o ambiente corporativo? Eis aí uma questão de difícil resposta. Mas, quando mais atenção for dada à real meritocracia, menos espaço sobrará para que os profissionais sem conteúdo ou de caráter duvidoso espalhem seus tentáculos.

Marcelo Gonçalves é sócio-diretor e responsável pelo escritório de S. José dos Campos da BDO, uma das cinco maiores empresas do mundo em auditoria, tax e advisory.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Brasil: um país sem futuro

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por João Bosco Leal

Minha geração foi criada ouvindo que “o jovem é o futuro de um país”. Assim, ficou gravado em minha mente que tudo deveria girar, principalmente, em torno do jovem. Qualquer projeto ou investimento feito pelo país deveria levar em consideração, primordialmente, o jovem, e, dessa maneira, com saúde e educação de boa qualidade para este, em no máximo três décadas teríamos um novo país.

Essa política foi implantada em diversos países, que hoje já colhem o seu fruto, como o Japão e a Coréia do Sul. No Brasil, está ocorrendo o inverso. Nosso jovem está sendo criado em meio a tudo o que dele deveria ser afastado, como a educação de baixíssimo nível, saúde pública um caos, a corrupção generalizada, e as drogas.

A imprensa tem divulgado, sistematicamente, situações de jovens para os quais o futuro já acabou. São jovens que, com o uso de drogas, além de destruir seu futuro, destroem também o de suas famílias, de modo emocional, físico e financeiro. Atualmente, jovens agridem e roubam os próprios familiares para se drogarem.

Penso que, de um modo geral, a culpa foi nossa mesmo, desta geração, que só deu direitos, e não deu deveres, a seus cidadãos. Uma geração que não impôs limites aos filhos. Que só criou leis tratando dos “direitos humanos”.

São os direitos das crianças, que não podem levar um bom tapinha no bum bum quando merecem, e do jovem que não pode mais ser repreendido duramente pelos pais ou pelo professor. Direitos do presidiário, cujos familiares recebem o “auxílio reclusão”. Dos ladrões, assaltantes e criminosos, que não podem ser algemados para não serem expostos, e tantos outros “direitos”, sem nenhuma contrapartida de “obrigações”.

Qual será o futuro do Brasil, ao ser, dentro de vinte anos, governado, legislado e julgado por um jovem como esse, que aos doze, quinze, ou mesmo vinte anos, agrediu os pais, roubou ou matou para adquirir drogas? Que agrediu, moral e até fisicamente, seu professor? Que, apesar dos crimes nada lhe ocorreu justamente porque ser menor? Que foi enviado para um “centro de atendimento socioeducativo” de menores, até se tornar maior de idade e ganhar a liberdade para novamente assaltar e roubar? Um local onde só aprendeu a ser ainda mais bandido?

Será esse jovem, que, se sobreviver às drogas, já com os neurônios e os princípios éticos e morais destruídos, legislará sobre a próxima geração, a dos seus filhos, que certamente já nascerá dependente. Quais serão seus direitos? Usarão drogas em salas de aula? A liberdade permitirá que usem drogas e façam sexo na sala da casa de seus pais, nós, que já velhos seremos presos se reclamarmos? Nossos netos nos agredirão se os contrariarmos?

Se não desejamos algo semelhante, penso ser fundamental que limites e obrigações sejam impostos aos nossos filhos. Que o governo combata com todo rigor o narcotraficante, algemando-o sim, expondo-o sim, e fazendo com que, dessa maneira, mostrados derrotados e presos, deixem de ser os “herois” ou os “Rambos” dos menores, que ficam admirados ao vê-los desfilar pelos bairros, armados até os dentes, com belos carros, lindas mulheres, dando ordens aos outros cidadãos, impondo regras, leis, e matando qualquer um que se oponha a eles.

Chega de bandidos, corruptos e traficantes em nosso país. De todos os níveis, do chefe do tráfico instalado em um barraco no morro da favela, ao conhecido, parente, morando ao lado ou instalado em um grande escritório das grandes cidades, capitais ou de Brasília. Todos são igualmente bandidos e, de onde estão, comandam grupos de assaltantes, corruptos e o tráfico, sem sujar as roupas caras com o sangue de nossos filhos, mas enchendo os bolsos, as cuecas e as meias do dinheiro sujo, da corrupção, roubo ou narcotráfico.

Ou acabamos com eles, ou eles, drogando e corrompendo nossos jovens, acabam com o futuro do Brasil.

João Bosco Leal é produtor rural, articulista e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. www.joaoboscoleal.com.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sua empresa está preparada para a Geração Z?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Gilberto Wiesel


Termos como “produtos ecologicamente corretos”, “sustentabilidade” e “meio ambiente” permeiam a mídia, a política, os encontros empresariais, o mundo. Mas, a sustentabilidade ainda não é hábito no cotidiano da atual geração consumidora. Este é um período de transição na educação ambiental da população e, apesar das empresas já estarem agindo, precisam firmar a tomada de iniciativas que visam o futuro. Ainda são poucos os frutos de propostas e mesmo ações no presente, quando o consumidor ainda não está preparado e nem aprova completamente o produto ou a intenção, mas a questão é a futura geração de consumidores.

Conhecidos como geração Z, são críticos, dinâmicos, tecnológicos e tendem a transformar as intenções ecologicamente corretas de agora em hábito, preferência e ações. Nascidos a partir de meados dos anos 90, esses ainda meninos e meninas lêem atenciosamente os rótulos, se preocupam efetivamente com o meio ambiente, são ensinados desde a escola da importância da natureza e, principalmente, já incluem no cotidiano os costumes de uma vida sustentável. E como preparar sua empresa para esses futuros clientes? As ações estratégicas com foco no futuro são suficientes para conquistar essa nova geração de compradores? E quando, além de projeções, também são necessários resultados imediatos?

A mudança necessária para atender às necessidades e vontades dos “consumidores sustentáveis” exige planejamento e paciência. Mas, acima de tudo, exige ação a partir do presente. É preciso um trabalho de educação ambiental dos consumidores atuais, porém, só a disseminação da importância da preservação do meio ambiente pode não ser suficiente para a real conscientização. Exemplos dentro das empresas, como as que vendem produtos sustentáveis, mas não fazem ao menos coleta seletiva dentro da própria linha de produção ou escritórios, mantêm as intenções nas ideias e longe dos costumes.

Alguns empreendimentos, por exemplo, lançaram versões mais ecológicas e baratas de produtos, como o sabão em pó Ariel Ecomax, que produz menos espuma e reduz o número de enxágues, ou o papel higiênico Neve Naturali, feito a partir de aparas selecionadas e compactado, economizando embalagem. Mesmo com esse cuidado com o meio ambiente, esses produtos ainda são menos vendidos que suas versões tradicionais. A maioria dos clientes prefere manter-se fiel aos produtos de sempre.

Outro ponto a se pensar é a dificuldade em encontrar esses produtos, visto que muitos deles são vendidos apenas em lojas especializadas. Os poucos encontrados nos supermercados são, em sua grande maioria, mais caros que os convencionais, ou seja, produtos ecologicamente corretos ainda não estão ao alcance de todos.

Para suprir as necessidades dessa nova geração, o empresário precisa arriscar na criação de diferentes conceitos. Mas lembre-se, atingir os consumidores e se preparar para as exigências dos futuros clientes não significa esquecer as características que fizeram com que esses consumidores se tornassem leais à sua marca. Inovação pode ser a grande diferença entre perdurar ou não no mercado, ainda mais com esses pequenos futuros consumidores, que aprovam e querem consumir o novo e o sustentável.

Algumas empresas já iniciaram campanhas focadas especialmente nestes novos clientes. Um exemplo de ações para o futuro é o “Danoninho para Plantar”. Cada bandeja do produto da Danone traz consigo um sache com sementes de flores e hortaliças que contém instruções para se plantar no próprio potinho, além de um código que permite a criança plantar uma “árvore virtual” na Floresta do Dino, no site da empresa. Cada “árvore virtual” plantada ajuda no reflorestamento da Mata Atlântica. Esse é um exemplo de como investir em consumidores do futuro, ao mesmo tempo em que se cria ações ecológicas no presente.

Assim como não se pode deixar de disseminar a importância da preservação do meio ambiente e agir em prol disso, é preciso se preparar para essa nova geração consumidora. Os futuros compradores querem, além de planejamento, mudanças reais nos produtos, princípios e atitudes das empresas. Preparar-se para essa nova fase é difundir informação e renovar os hábitos em benefício do planeta, e transformar a sustentabilidade tão exigida por esses novos clientes de discurso para ações concretas.

Gilberto Wiesel é empresário, administrador de empresas pós-graduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguistica pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Theraphy Association, Hawai-USA. É escritor, conferencista e diretor dor Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Impacto da nuvem computacional nos negócios

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Adriano Filadoro


Executivos de todos os setores da economia, amparados pela mídia, lançam questionamentos sobre as vantagens do cloud computing. Qual o seu verdadeiro significado, como funciona, quais as vantagens e benefícios tangíveis são perguntas repetidas frequentemente. Antes de tudo, então, é preciso deixar claro que quando falamos em ‘cloud’, falamos em ‘internet’.

A nuvem computacional, ou cloud computing, é um modelo de negócio em que o cliente tem acesso a uma variedade de serviços, aplicações e soluções garantidos pelo provedor. A estratégia é permitir que se tenha acesso aos dados pessoais e aos da empresa em que se trabalha de forma remota. Essa possibilidade vem se fazendo presente cada dia mais e certamente está revolucionando não só os negócios, mas o próprio ambiente de trabalho.

Ao invés de se apoiar num software, os recursos disponíveis em seu computador contam com respaldo de um programa instalado em algum lugar na internet, num servidor por sua vez instalado em um data center frequentemente gerenciado por especialistas em tecnologia. Esse tipo de nuvem também é classificado como ‘on demand’ ou SaaS (software as a service).

As cinco principais vantagens são:

Economia de tempo;
Redução de custos;
Confiabilidade;
Acesso facilitado;
Ganhos com satisfação dos usuários.

Empresas que pagavam caro por aplicações desenvolvidas especialmente para suas necessidades – às vezes tão complexas que não alcançavam pleno entendimento de toda a equipe de trabalho – estão trocando esse modelo pouco a pouco. O velho jeito de lidar com TI está se dissipando nas nuvens, literalmente. Ninguém mais tem tempo para longas implantações, longos processos de treinamento de funcionários e, principalmente, da demora absurda para se resolver determinados problemas que surgem instantaneamente.

Empresários enxergam cada vez mais claramente que o sucesso de seus negócios não pode depender de um profissional dedicado a garantir que todo o sistema rode sem problemas. Também percebem que não precisam mais investir em hardware e assumir despesas referentes a espaço, energia, ar-condicionado etc.

Tem sempre uma equipe de experts em stand by na nuvem computacional para resolver toda sorte de problemas num espaço de tempo sempre mais reduzido. Isso sem contar que a empresa que não se mostra alinhada com importantes questões discutidas globalmente e não tem sua marca associada ao uso racional de recursos naturais, respeito ao meio ambiente e eficiência energética, está sujeita a críticas e alguns arranhões da imagem.

Adriano Filadoro é diretor de tecnologia da Online Brasil (www.onlinebrasil.com.br), empresa de estratégias em tecnologias e negócios, especializada em Data Center, Segurança, Virtualização e Sistemas

domingo, 16 de maio de 2010

Liderança, segredo para a criação de valor

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Arlindo Casagrande Filho

O ano está confirmando a expectativa de expansão dos negócios manifestada no final de 2009. Atração de investimentos do mundo para um Brasil eleito o emergente preferido, vendas internas no varejo subindo 5,9% segundo o IBGE, gastos record com viagens ao exterior superiores a US$ 6 bilhões, grandes fusões e aquisições em diversos setores da economia. Mercado aquecido, concorrência acirrada, crescimento disputado por gigantes ... A mensagem de ordem no meio empresarial é ... Criação de Valor.

Para a maioria das empresas é mesmo um novo ciclo que se instala, produzindo aquele conhecido efeito “alavanca” no gráfico de evolução de suas performances históricas. Demandas novas, inovações tecnológicas, ajustes de processos e produtividade, criatividade na concorrência, competências recicladas e acima de tudo um novo estilo de Liderança, com atributos redesenhados para esse momento.

Baseado no princípio de que são as pessoas que dão vida às organizações, o estilo apropriado de Liderança transformará a “causa” de crescimento num significado de engajamento de todos na direção dos objetivos traçados, de forma perene, sustentável. Há, entretanto, uma crise na busca de líderes com os requisitos alinhados ao DNA da empresa em fase de crescimento.

Um amigo headhunter me confessou que em apenas um dia, neste mês de fevereiro, fechou (só ele) 6 projetos de busca de líderes para posições executivas de primeiro escalão com um perfil, segundo ele, escasso no mercado. Líderes, não gestores de processos e controles. Líderes com seguidores e formadores de líderes de líderes e não apenas “subordinados”.

Temos uma crença testada na prática de que a liderança requerida nos dias de hoje nas empresas que desejam ser vencedoras, de forma sustentável, baseia-se em três atributos: O líder deve ser (i) inspirador, (ii) exemplar e (iii) gerador de Valor.

A inspiração é a marca clássica da liderança quando consegue transformar uma idéia, num plano compartilhado, numa causa comum que estimule os liderados a serem seguidores entusiasmados e novos líderes da proposta. Vencer no mundo competitivo requer idéias inovadoras, para serem abraçadas como causa comum.

A postura exemplar torna-se cada dia mais essencial para que a credibilidade se instale e contagie todas as pessoas. O exemplo pressupõe Valores que se expressam nas atitudes do líder, em sintonia com os princípios da organização e do time. É a velha lição de Kouzes e Posner ... Se não acredito no mensageiro... nem quero ouvir a mensagem; ou ainda a máxima de que “a equipe segue primeiro o líder depois o plano”.

O Eugênio Mussak conseguiu expressar o peso do exemplo na liderança com uma frase lapidar: “o que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que você está dizendo”. A criação de Valor é o resultado da liderança. Há uns meses conduzi um workshop com uma intrigante questão/tema: Líderes para quê?

A resposta é exatamente essa. Primar por uma excelência inovadora nos processos é importante, mas o que garante o futuro do negócio são os resultados e nos dias de hoje essa expressão de sucesso se dá pela criação ou agregação de valor – expressão econômica do market value ou do “valuation” de uma companhia.

Em síntese, as organizações têm vida porque são compostas por gente, e seus objetivos só se concretizam pela ação comprometida dessas pessoas, puxadas por uma liderança inspiradora, exemplar e criadora de Valor. Quem crer e investir nessa direção se dará bem, garanto.

Arlindo Casagrande Filho é Diretor Corporativo de RH da CPFL Energia

sábado, 15 de maio de 2010

A Informatização do Processo Judicial: agilidade e transparência

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Rony Vainzof

Quantas vezes nós, operadores do Direito, já nos deparamos com afirmações e indagações sobre o Poder Judiciário, não só questionando a Justiça de uma forma geral, mas principalmente a morosidade e a transparência dos processos judiciais?

Em relação à Justiça, é nosso dever acreditar e transmitir para terceiros a credibilidade que o Poder Judiciário merece dentro do Estado Democrático de Direito, proclamado no primeiro artigo da nossa Carta Magna, tendo como princípios fundamentais a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, da livre iniciativa e o pluralismo político.

Porém, talvez a resposta mais difícil seja como conciliar, principalmente, a dignidade da pessoa humana com a morosidade e a transparência dos procedimentos judiciais. E isso ocorre, fundamentalmente, em razão de não termos até o final de 2006 e início de 2007 nenhuma modificação significativa sobre esse aspecto.

Melhor explicando: até então, as únicas consideráveis alterações foram apenas nas tecnologias utilizadas para a elaboração das peças processuais e demais atos judiciais. Ou seja, se antes escrevíamos com penas de ganso uma petição, canetas de tinta um despacho, máquinas de escrever uma certidão, agora utilizamos os computadores para tais finalidades.

Percebe-se que para qualquer uma das tecnologias supramencionadas, até mesmo o computador, o procedimento burocrático de protocolizar uma petição, furar as folhas, numerá-las, autuar os autos, carimbá-los etc., sempre foi semelhante ou igual. Uma pesquisa do Sistema de Automação da Justiça (SAJ) concluiu que 70% (setenta por cento) do tempo de um processo é burocrático e, portanto, somente 30% (trinta por cento) nobre, com a elaboração de decisões, cotas, petições e outros.

Assim, visando justamente a modificação do procedimento e a celeridade dos processos judiciais, foi sancionada em Dezembro de 2006 a Lei n.º 11.419, que dispõe exatamente sobre a informatização do processo judicial.

Com base também na referida legislação, o Conselho Nacional de Justiça define a cada ano novas metas que invariavelmente, como ocorreu agora, em 2010, dispõem sobre a necessidade da celeridade e transparência no julgamento dos processos judiciais.

E, de fato, mencionadas metas são viáveis, pois a Lei 11.419/06 nos traz alterações importantes, conforme ressaltamos algumas a seguir:

· Possibilidade do uso do meio eletrônico na tramitação dos processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais;

· Assinatura eletrônica, com identificação inequívoca do signatário, para concretização dos atos processuais;

· As cartas precatórias, rogatórias e de ordem também poderão ser enviadas e cumpridas através dos meios eletrônicos;

· Acesso ao andamento do processo eletrônico e respectivos documentos através da Internet para as respectivas partes, advogados, sendo respeitados os casos que envolvam sigilo e/ou segredo de justiça;

· Segurança dos autos dos processos eletrônicos, que deverão ser protegidos por meio de sistemas de acesso e armazenados em meio que garanta a preservação e integridade dos dados.

Alguns resultados da informatização do processo judicial são perceptíveis, também de acordo com a pesquisa do Sistema de Automação da Justiça (SAJ):

· Uma árvore poupada a cada cento e setenta e dois processos digitais;

· 70% (setenta por cento) de economia em recursos com o processo digital;

· 70% (setenta por cento) de diminuição de espaço físico necessário para instalação de novas unidades judiciárias.

De fato, esse novo panorama mostra que estamos diante de um futuro promissor, com a prestação jurisdicional rápida, eficiente e de qualidade, de forma transparente através dos portais dos Tribunais, democratizando o acesso à Justiça, além de primar pela sustentabilidade, com a diminuição do número de papéis, por exemplo.

E tudo isso já é realidade: o Supremo Tribunal Federal já soma 1.012 advogados cadastrados com certificação digital aptos a peticionarem eletronicamente. Outras pesquisas mostram que o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior do Trabalho, utilizando ferramentas eletrônicas, já conseguem votar em média 500 (quinhentos) processos em uma única sessão.

Ainda, o referido STJ deverá se tornar o primeiro tribunal totalmente eletrônico do mundo até o final de março do presente ano, com a digitalização de todos os processos e arquivos físicos.

Portanto, estamos diante de uma quebra de paradigma, transformando séculos de procedimentos burocráticos em ágeis e transparentes trâmites eletrônicos. Esperamos, todavia, que os cidadãos possam reconhecer referidas mudanças e ter mais credibilidade no Poder Judiciário, bem como que os operadores do Direito e demais serventuários da administração pública saibam conciliar a utilização das novas tecnologias com segurança e o tempo nobre necessário que cada processo merece, para que sempre prevaleça a Justiça.

Rony Vainzof é sócio do Opice Blum Advogados, Vice-Presidente do Conselho Superior da Tecnologia da Informação da Fecomercio e professor de Direito Eletrônico em diversas instituições de ensino.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É o Fim da Picada!

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Nicolau Amaral

Nunca soube bem o porquê da expressão “É O FIM DA PICADA”. Talvez seja porque picada, no interior do nosso Brasil, seja o fim de um caminho pequeno estreito e sem grande importância, como parece que se tornou a política brasileira.

Graças às transmissões diretas das assembléias das Câmaras dos Deputados e do Senado, hoje é possível a todos os brasileiros assistir aos lengalengas dos nossos políticos eleitos e perceber a falta de importância dos mesmos, que passam o tempo todo apresentando propostas eleitoreiras, fazendo conchavos, prestando homenagens a quem não merece e pronunciando discursos intermináveis e inócuos, cujo único objetivo é garantir uma exposição na mídia e fazer jus ao salário que recebem. A política brasileira se tornou um reduto de mulheres inexpressivas e interesseiras, bem como um bando de homens mal vestidos e com cabelos pintados.

Neste momento em que as eleições se aproximam, todos os integrantes desta corte “brega” que se tornou a política nacional procuram de todas as formas se sobressair para conseguir “seus minutos de fama” visando a reeleição. Não importa como, nem de que forma, todos querem mesmo é aparecer!

Em contraponto aos que já estão encastelados no poder, começam a surgir novos postulantes a cargos eletivos — o que não sei o que é pior, ou seja, o bando que já está no poder ou alguns novos que estão tentando chegar lá.

Recentemente, soube através dos jornais que “funkeiros, mulheres frutas, ex-BBBs e atletas pretendem virar deputados.”

Para se assumir qualquer cargo público, desde o mais humilde, é necessário prestar um concurso, apresentar credencias e um diploma, dependendo do posto. Já para um cargo político, basta ser conhecido, sendo que a formação e competência passam a ser requisitos sem a menor importância, fazendo com que qualquer boçal famoso possa chegar lá, graças ao despreparo e a ignorância do eleitor.

Realmente “É O FIM DA PICADA”! Ou se implanta urgentemente a “Ficha Limpa” e parâmetros mínimos de escolaridade para os políticos, ou a realidade que aí está, assim permanecerá, com grande possibilidade de piorar o que já está muito ruim.

Nicolau Amaral é empresário da área de Comunicação. E-mail: nicolau.amaral@nacom.com.br

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A "Copa do Mundo" é nossa?

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Alexandre Lessmann Buttazzi

“A taça do mundo é nossa
Com brasileiro não há quem possa
Êh eta esquadrão de ouro
É bom no samba, é bom no couro”

Não há qualquer indício, nem mesmo seria uma conduta esperada na época, que os autores da consagrada marchinha que embalou a Seleção Brasileira rumo ao seu primeiro título mundial, em 1958, tenham optado por utilizar a expressão “A taça do mundo é nossa”, em vez de empregar, talvez como hoje soasse mais natural, a frase “A copa do mundo é nossa”, em virtude do receio de sofrer, por iniciativa da FIFA ou da então Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da CBF, algum tipo de sanção, financeira ou criminal.

Ocorre que os tempos são outros. A seleção não é mais a de Gilmar, Didi, Pelé, Garrincha e companhia. Não se “amarra mais cachorro com lingüiça”! Ao longo dessas cinco décadas, as marcas – sim, “Copa do Mundo” é uma marca, registrada no INPI em nome da FIFA – ganharam importância fundamental na sociedade de consumo, graças a isso merecendo, do Estado, mais intensa proteção.

Obviamente que a ilicitude, hipoteticamente vislumbrada na citação de determinada marca numa produção intelectual, sem conotação comercial direta e prejuízo para seu caráter distintivo, é altamente discutível (cf. Lei 9.279/96, art. 132, IV). No entanto, é bom ficar alerta.

A Constituição Federal de 1988 conferiu caráter fundamental ao direito à propriedade das marcas, em vista do interesse social e da repercussão no desenvolvimento econômico do país (CF, art. 5º, XXIX).

Além do uso e fruição, a Lei de Propriedade Intelectual (Lei 9.279/96) garante ao titular da marca o direito de zelar pela sua integridade material ou reputação (art. 130, III), inclusive tipificando a conduta de reproduzir marca registrada sem autorização ou imitá-la de modo a induzir confusão, prevendo ao infrator a pena de detenção de três meses a um ano e multa (art. 189, I).

Vale dizer, todo aquele que, desautorizadamente, utilizar ou reproduzir a expressão “Copa do Mundo” ou qualquer outra marca, insígnia, símbolo ou congênere ligado ao evento com fins comerciais, poderá ser responsabilizado criminalmente e também sofrer sanções civis inibitórias e indenizatórias, de natureza moral e material, por dano emergente e também pelos lucros cessantes. No caso das indenizatórias, vale ressaltar que podem gerar ações por dano emergente, relativas ao passado, ou lucros cessantes, aquilo que o titular deixar de auferir em conseqüência da infração.

Tudo potencializado pelas cifras milionárias envolvidas no espetáculo. Empresas transnacionais desembolsam altíssimas quantias para vincular as suas respectivas imagens ao evento em si e às suas marcas genericamente consideradas, de modo que, eventualmente não sendo o infrator advertido pela FIFA ou pela CBF, seguramente o será, provavelmente com ainda mais severidade, pelas sociedades empresárias licenciadas. Estas, em caso de comprovados prejuízos, poderão dele reclamar polpudos ressarcimentos.

Nas Olimpíadas não é diferente. “Olimpíadas”, “Paraolimpíadas”, “Jogos Olímpicos” e “Jogos Paraolímpicos”, bem como as “bandeiras”, os “lemas”, os “hinos” e os “símbolos” relacionados às duas competições, conforme expressamente previsto na Lei Pelé (Lei 9.615/98, art. 15º, § 2º), são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPOB).

Tamanha é a preocupação do Estado Brasileiro com o respeito às marcas que, para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, foi promulgada a Lei 12.035, de 2009 (o “Ato Olímpico”).

Entre outras prescrições, a nova lei determinou que “As autoridades federais, no âmbito de suas atribuições legais, deverão atuar no controle, fiscalização e repressão de atos ilícitos que infrinjam os direitos sobre os símbolos relacionados aos Jogos Rio 2016” , vedando terminantemente a sua utilização desautorizada, “para fins comerciais ou não” , bem como proibindo – e aí reside uma novidade preocupante – o emprego de termos e expressões que, “... apesar de não se enquadrarem no rol de símbolos mencionados nesta Lei, com estes possuam semelhança suficiente para provocar associação indevida de quaisquer produtos e serviços, ou mesmo de alguma empresa, negociação ou evento, com os Jogos Rio 2016 ou com o Movimento Olímpico” .

Em suma, nem a “Copa do Mundo”, tampouco as “Olimpíadas” são nossas. Isto em vista, seguir o exemplo dos mais antigos e naturalmente mais sábios parece ser um bom caminho. De minha parte, pelo menos, continuarei com “A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro”...

Alexandre Lessmann Buttazzi é advogado sênior da área cível do Peixoto e Cury Advogados. Formado na FMU e pós-graduado em Direito das Relações de Consumo pela PUC-SP. – alexandre.buttazzi@peixotoecury.com.br

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Inflação: o fantasma que paira sobre a economia

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Otto Nogami

A inflação é considerada como um aumento generalizado dos preços da economia, “pois os aumentos dos preços não ocorrem apenas sobre um pequeno conjunto de preços ou sobre um setor específico da economia”. Mais especificamente, ela representa a variação de preços que se observa na estrutura de consumo das famílias num determinado período de tempo. E essa estrutura de consumo é que faz as pessoas se sentirem mais ou menos satisfeitas, ou realizadas, no atendimento de suas necessidades e desejos do seu dia-a-dia.

À medida que os salários das pessoas se mantêm constantes durante um determinado período de tempo, normalmente um ano, a elevação dos preços dos bens e serviços consumidos por essas pessoas faz com que, ao longo desse período, o poder de compra do salário se deteriore, ficando cada vez mais reduzido até a chegada do novo reajuste. Os proprietários de imóveis alugados também são prejudicados, apesar de em processos inflacionários os imóveis tendem a se valorizar, normalmente mais que a inflação. Por outro lado, aqueles que têm renda livre são favorecidos pelo processo inflacionário.

Explicando numericamente. Suponhamos que o salário, hoje, seja de R$ 2.000 por mês, e que os preços dos produtos que costumamos comprar aumentem em 0,5% no mês. Isto significa que no mês seguinte, como a renda se mantêm inalterada, nós compraremos menos produtos, pois o poder de compra de nosso salário não é mais de R$ 2.000, mas sim de R$ 1.990, e assim por diante à medida que o fenômeno chamado inflação persistir ao longo dos meses. Com uma nesse patamar mensal, ao longo de um ano teremos uma inflação acumulada de 6,17%, o que implica num poder de compra de R$ 1.876,60.

Pela ótica do bem estar da sociedade, a preocupação maior do governo é manter a capacidade de consumir das famílias estáveis ao longo do tempo. É nesse sentido que os reajustes salariais são importantes, pois eles permitem a recuperação do poder de compra perdido ao longo de um período, normalmente um ano. Melhor ainda quando os reajustes salariais são maiores que a inflação, pois aí se tem um ganho real e o poder de compra será maior. Historicamente, o imperador Diocleciano (244 – 311) promulgou em 301 o Edito Maximo (decreto) que punia com morte os mercadores que praticassem preços acima dos fixados.

A inflação é medida calculando-se a variação de preços verificada em uma estrutura de consumo padrão de famílias que percebem um determinado nível de renda em um município ou um conjunto de municípios. Por exemplo, o IPCA – índice de Preços ao Consumidor Amplo, que é produzido pelo IBGE, mede a variação de preços nos dispêndios das pessoas que ganham de um a 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A FIPE, por sua vez, calcula mensalmente o IPC – Índice de Preços ao Consumidor, que reflete o custo de vida de famílias com renda de um a 20 salários mínimos no município de São Paulo.

Isto significa dizer que a inflação não necessariamente reflete a variação de preços ocorrida em nossa cesta de consumo, individualmente dizendo. Em outras palavras, podemos dizer que à medida que os preços dos gêneros de primeira necessidade aumentam mais que os preços dos produtos supérfluos, a tendência é que as pessoas com rendas mais baixas sejam os maiores prejudicados. Daí a preocupação de alguns governos em fixar preços máximos de comercialização, justamente para que eles não afetem o poder de compra das famílias menos privilegiadas.

Outro aspecto a ser salientado é que uma inflação, crescente e persistente ao longo do tempo, acaba fazendo com que as pessoas percam a noção de preços relativos, ou seja, a capacidade de comparar preços, o que dificulta a tomada de decisão para consumir bens e serviços, bem como prejudica a elaboração e o controle do orçamento familiar. Além do efeito sobre a distribuição da renda, o problema inflacionário afeta também a alocação de recursos, à medida que modifica o perfil de investimentos dos agentes econômicos, podendo trazer sérias implicações de cunho social.

Otto Nogami é mestre em economia e professor de economia do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG) e do Insper.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Infra-estrutura, logística e capacidade de organização de uma Copa do Mundo

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Marcos Bueno


Estamos às vésperas da Copa do Mundo de 2014. Estamos às vésperas? Mas ainda faltam 4 anos? Sim. Para um evento deste porte, 4 anos são a mesma coisa que 4 dias se compararmos com um evento - como organizar uma palestra ou uma festa qualquer. Ou seja, já está tarde demais para começarem a se mexer.

O jornal O Globo de ontem, 4 de maio, soltou a manchete: “Alerta Vermelho para a Copa no Brasil”. No texto, a Fifa criticava o atraso nas obras nos estádios. A questão que apresento aqui é sobre a infra-estrutura, logística e capacidade de organização de eventos que o Brasil tem para um evento desta dimensão.

Lembro-me da festa demagógica que muitos políticos, dirigentes e empresários (lógico) fizeram durante a campanha para sediar a Copa do Mundo, alegando que o Brasil é um país que sabe organizar festas, confundindo Copa do Mundo com carnaval. Não é só porque o Brasil sabe organizar carnaval significa que saberá organizar uma Copa. Uma festa nem sempre é igual a um evento.

Começaremos pela cultura organizacional. Copa do Mundo não depende somente de estruturas físicas como estádios e hotéis (fatores estes que já são negativos na atual conjuntura). O Brasil antes de qualquer coisa deve saber trabalhar de forma organizada, com funcionários treinados e aptos a atender o nível de serviços exigidos por povos (e não só torcedores) de todo o mundo, com culturas e percepções diferentes de qualidade de serviços.

Até hoje não se vê no Brasil condições propícias sequer para vender ingressos de forma organizada, mínima que seja. As vendas em bilheterias atrasam, geram tumulto e muitas vezes os torcedores não conseguem um mínimo de informação adequada. Mesmo que você diga que o missivista não percebe que a maioria dos torcedores compra os bilhetes com meses de antecedência, vale lembrar que estes compram outros bilhetes (metrô, trem, avião) e que estas também estão sujeitas ao padrão brasileiro de desorganização. Vale lembrar que as poucas empresas que vendem ingressos pela internet sempre dão verdadeiro show de atrasos e confusões.

No quesito hotelaria, a situação já é bastante crítica. A única cidade que atende às condições exigidas pela FIFA é São Paulo, com disponibilidade de 41000 leitos. Agora vamos trabalhar com a hipótese bastante provável de um grupo formado por seleções como Alemanha, México e Japão (só para citar três times) caírem no mesmo grupo sediado em cidades como Cuiabá ou Manaus. A capacidade hoteleira de Cuiabá é por volta de 6700 leitos. A de Manaus é de 4000 leitos, com previsão de 9000 leitos para 2014.

A Alemanha costuma enviar por volta de 32000 torcedores para as copas. Talvez cheguem menos do que isso em 2014. Mas o número de mexicanos que visitam o Brasil todos os anos é por volta de 60000 e os japoneses por volta de 80000. Claro que não teremos este número por aqui na copa do mundo, mas qualquer pequena parcela deste público, somados com algumas poucas dezenas de milhares de alemães já dá para ter a certeza de que poucas cidades teriam condições de receber um grupo como este.

Na parte de infra-estrutura de estádios, a coisa está parada do jeito que vocês lêem na imprensa todos os dias. Mas vamos verificar o nosso histórico e descobriremos que somos craques em elaborar maquetes, mas projeto pronto que é bom, nada.

A maioria dos estádios custará entre R$ 400 e R$ 700 milhões. O Estádio da Fonte Nova, em Salvador, terá que ser totalmente reconstruído, dado que o mesmo desabou em 2007 matando sete pessoas. Em geral, o cronograma adequado para se construir um estádio é de 3 anos, considerando projeto, licitação, aquisição de materiais e construção. Acabamentos e ajustes finais, mais testes levariam um ano.

Isto significa que já estamos com um ano negativo de gerenciamento de projetos. Como estamos falando de praticamente 5 estádios novos e 7 grandes reformas, então o sinal vermelho já acendeu. No caso de Recife, há a necessidade de se erguer todo um bairro no contorno do estádio, pois até a infra-estrutura urbana de suporte é precária na cidade.

Mas se o leitor já está cansado de ler a respeito de deficiências, então levantarei mais algumas, tão graves quanto às anteriores.

Os governos e dirigentes mostram-se preocupados com o transporte urbano. Só se preocupam, pois nada foi feito no sentido de melhorar este gargalo. Não lembrem do Rodoanel, pois o mesmo serve para atender à uma demanda reprimida de cargas rodoviárias, não contemplando nossa necessidade específica da copa do mundo.

O metrô de São Paulo, que é o único com estrutura confiável, se já não comporta mais a demanda urbana do dia a dia, que dirá em uma copa do mundo. É rotina diária o procedimento da cia mandar uma composição vazia lá pelas 7h 30min da manhã com destino à estação Penha, dada a superlotação da estação neste horário. Não adianta o torcedor mais fanático alegar que este não é um horário de jogo, pois já presenciei, em pleno sábado à tarde, diversos atrasos devido à superlotação.

Se o torcedor tiver que contar com o transporte público como ônibus, basta perguntar para qualquer torcedor que toma ônibus na Penha com destino ao estádio do Morumbi e ele dirá em que condições ele é transportado e quanto tempo demora a epopéia. Se você contar com um automóvel, prepare-se para o rally do trânsito e a aventura de deixar seu veículo à mercê de manobristas alternativos informais.

Agora, se o dia em São Paulo for de chuva torrencial, prepare-se, pois talvez você não chegue ao seu destino. Incrível é que este problema não ocorre mais somente em São Paulo. Recentemente cidades como Rio de Janeiro, Salvador e os estados do Paraná e Santa Catarina apresentavam estado de calamidade por causa das chuvas. Percebe-se que a fragilidade nossa é grande.

Para terminar, vou lembrar do apagão aéreo. Basta um aumento qualquer na demanda para que filas enormes sejam formadas nos saguões dos aeroportos e os atrasos surjam normalmente num passe de mágica. Muitos gestores aeroportuários já avisaram que a maioria dos aeroportos brasileiros deveriam ser ampliados em 65%. Mas alguém aqui já ouviu falar ou ver os projetos de ampliação?

Em recente entrevista com o ministro do Esporte Orlando Silva, publicada pelo Estado de São Paulo, percebi que ele estava a par de situações como renúncia fiscal, valores investidos e linhas de financiamento do BNDES. Mas a respeito de ações concretas, só li evasivas e promessas.

Marcos Bueno, formado em Economia e mestre em Engenharia de Produção e especialista em Logística, é Professor universitário.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Educação a Distância e Desenvolvimento Social

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por Cristian Guilhen

O avanço da tecnologia e a aceleração dos meios de comunicação alavancaram a necessidade de um novo modelo educacional que atenda a demanda da “sociedade da informação” que produz cada vez mais informações, redes sociais, comércios e trabalhos online.

A “educação a distância (EAD)” já tem história (com os impressos via correio, o rádio e a TV), mas só teve seu “boom” com o novo formato online (e-learning) que foge da produção em massa e traz características peculiares como flexibilidade de acesso, aprendizado contínuo e em ritmo estipulado pelo estudante que passa a ser o “construtor do conhecimento” e não mais um ser passivo que apenas recebe informações pré-estipuladas pelos professores.

O ambiente virtual proporcionou mudança no perfil do estudante e cobrou uma mudança também dos educadores. O educador, hoje, ganha o perfil de “instrutor” capaz de ser um indivíduo participativo que desperte a curiosidade dos “construtores de conhecimento” (alunos) e proporcione um ambiente interativo e livre para a troca de informações e experiências.

Toda mudança de paradigmas exige um período de adaptação e resistência para que a adesão seja completa. No caso da “educação a distância”, os paradigmas foram quebrados tão rápido quanto seu desenvolvimento, pois logo as empresas e a sociedade como um todo perceberam a potencialidade da ferramenta que surgira.

Muitas são as corporações que já observam as inúmeras vantagens da EAD e estão investindo no desenvolvimento de novos instrumentos. No fim das contas, o objetivo é que os benefícios proporcionados aconteçam de maneira sustentável a fim de que existam ganhos não só para a organização e seus funcionários, mas também e principalmente para clientes e usuários.

Se educação é desenvolvimento e há uma nova técnica como a Educação a Distância que permite à humanidade uma velocidade maior na apreensão de conhecimento, consequentemente, temos uma ferramenta que acelera o desenvolvimento social.

Cristian Degasperi Guilhen é psicólogo e coordenador de projetos na área de educação a distância da ABC71

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quando se conhece um sábio

Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net

Por João Bosco Leal

Há quase trinta anos, logo que aqui cheguei, conheci um sábio. Era impressionante como se interessava por todos os assuntos. E perguntava sobre tudo.

Em política, apesar de nunca haver se envolvido, fazia questão de sempre ter alguém de confiança em cargos de seu interesse, motivo pelo qual ajudava essa pessoa a galgar a posição, e depois a mantê-la.

Em economia, inventava novos negócios o tempo todo. Investia em vários setores, urbanos e rurais, e parecia possuir uma gana infindável por investir os ganhos sempre no local onde morava, fazendo com isso, como dizia, o dinheiro circular naquela sociedade.

Dizia que o dinheiro tinha que estar sempre circulando, gerando riquezas em todas as mãos.

Em tecnologia, dava banho em todos os jovens que dele se aproximavam, fazendo com que todos o ouvissem. Debatia, cobrava explicações e aí tocava em frente, adorando ensinar, a quem quisesse, tudo o que aprendia. O entusiasmo por novas experiências era contagiante e com facilidade contaminava todos ao seu redor. Exigente, cobrava o cumprimento fiel de qualquer tipo de compromisso, até do horário. Criava muitos conflitos, seja com sua equipe ou com seus ouvintes, o que, em várias oportunidades, gerava críticas de pessoas que entendiam ser difícil com ele trabalhar ou conviver.

Ria quando outros, principalmente os muito próximos, não acreditavam em alguma nova tecnologia que estava seguindo, principalmente a genética reprodutiva bovina. Pessoas muito jovens ou que, como ele, eram de outra época, também grandes especialistas naquilo que faziam, mas que não acompanharam algumas evoluções científicas que, em busca de produtividade, faziam diversas experiências, como cruzamentos chamados industriais, estudos dos métodos de transmissões genéticas e outras possibilidades para a modernização da produtividade e da precocidade bovina.

Ao conseguir o sucesso desejado com qualquer dessas experiências, principalmente o financeiro, gostava de comentar com os incrédulos o resultado obtido, sabendo havê-los deixado morrendo de ódio, mas ao mesmo tempo tentando fazê-los acreditar. Talvez uma de suas brincadeiras prediletas fosse fazer isso com um irmão, que adorava, mas para quem a genética vinha da seleção natural, de anos de trabalho na escolha visual dos melhores reprodutores, da exclusão dos piores animais, machos ou fêmeas, e da prática de quem fazia a seleção, desacreditando daquela seleção realizada matematicamente, com o estudo dos números obtidos na produção.

Com esse investimento em novas tecnologias de genética reprodutiva bovina e o sucesso alcançado, esparramou o seu nome e o de seus produtos por todo o país, de norte a sul, agregando cada vez mais valor aos mesmos, mas continuava perguntando, cada vez mais.

Aí estava sua sabedoria, a humildade de perguntar, mesmo sabendo a resposta, ou perguntando o que realmente não sabia. Mas perguntava sempre e muito. Ouvia sempre outra opinião.
Dizia muito que ao realizarmos algo, mesmo não o realizando de modo perfeito, tínhamos feito algo. Que o importante era “fazer acontecer”, e não a perfeição do modo como foi feito.

Eu sempre soube que os nossos idosos têm muito a nos ensinar, apesar da resistência de muitos jovens em aproveitar esse fato, imaginando sempre o contrário. Sempre soube que o sábio ouve os mais velhos, pois aprenderá com estes a experiência sobre o que já viveram, e que ele nunca poderá viver, o passado.

Com esse sábio aprendi que quem possui a humildade de perguntar, seja para jovens ou para idosos, aprende ainda mais, e chega mais longe. Com os anos estou aprendendo, cada vez mais, que o sábio pergunta, o que é muito mais do que simplesmente ouvir.

João Bosco Leal é produtor rural, articulista e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. www.joaoboscoleal.com.br