Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por José Arnaldo Favaretto
Pais que hoje têm filhos na infância e na adolescência provavelmente viveram o auge da hiperinflação no Brasil, período em que um dos principais objetivos era consumir rapidamente tudo o que fosse possível, pois os preços aumentavam em ritmo frenético. Desde 1994, a estabilidade monetária tornou-se realidade e está cada vez mais em alta o consumo inteligente.
Essa mesma geração de pais foi educada por pessoas que tinham outro tipo de expectativa de vida, em que talvez não houvesse a preocupação de, por exemplo, planejar-se para garantir uma boa aposentadoria. Já o cenário atual indica um crescimento da expectativa de vida, o que obriga as pessoas a se organizarem financeiramente o quanto antes para garantiruma velhice tranquila.
Para se ter uma ideia dessa evolução, quem nasceu em 1998 tinha a perspectiva de viver até os 69 anos, sete meses e 29 dias. Dez anos depois, a esperança já era de chegar aos 72 anos, dez meses e dez dias. Isso significa que, em apenas uma década, os brasileiros e brasileiras passaram a viver, em média, três anos, dois meses e 12 dias a mais, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no fim de 2009.
Uma vez que vivemos em uma sociedade com forte apelo consumista e sofisticadas estratégias de marketing, que nos bombardeiam constantemente, a família precisa ensinar fundamentos de responsabilidade financeira às crianças logo cedo, para evitar criar consumidores vorazes – e irresponsáveis. Essa educação financeira passa por três pilares: diálogo, exemplo e planejamento.
Em primeiro lugar, é importante que o assunto "dinheiro" seja conversado e discutido em família, sem tabus. Os limites do orçamento familiar precisam ficar claros, e o envolvimento de todos é importante, assim como a definição de prioridades e dos grandes projetos familiares. Se os pais explicarem aos filhos que estão economizando com o objetivo de comprar a casa própria, trocar de carro ou fazer uma viagem, provavelmente ficará mais fácil compreender por que não se atenderá a determinadas vontades.
Um exercício prático é dar uma quantia fixa de dinheiro à criança, com uma periodicidade preestabelecida, semanal ou mensal. O pequeno economista deve ser orientado sobre como administrar suas contas, incluindo hábitos como pesquisar preço – para entender o que é caro e barato – e poupar, definindo objetivos de curto e de longo prazo, como comprar roupas e brinquedos. Ele (ou ela) precisa ser responsável pelas escolhas que faz. Se,apesar das conversas, os filhos gastarem todo o dinheiro antes do fim da semana ou do mês – e pedirem mais –, os pais precisam ser firmes e dizer não.
Essa experiência também é positiva para os pais, que passam a entender melhor os hábitos de consumo e a capacidade de os filhos tomarem decisões quanto aos seus gastos. Consequentemente, os adultos podem aproveitar a oportunidade para reverem sua própria relação com o dinheiro.
Todavia, de nada adiantará o discurso se as crianças e adolescentes constatarem que seus pais consomem por impulso e sem planejamento. Dar o exemplo é uma das atitudes mais importantes, seguida pelo planejamento cuidadoso a respeito das estratégias para presentear os filhos.
É preciso se policiar para evitar compensar com presentes determinadas ausências ou a impossibilidade de dedicar mais tempo à família. É importante haver critérios e parcimônia, já que o excesso de mimos dificulta o entendimento prático das dificuldades que nossos filhos enfrentarão na vida adulta.
Quando os pais refletem e desenvolvem ações que contribuem para a educação financeira dos filhos, estarão, no mínimo, favorecendo o amadurecimento de conceitos como organização, planejamento, disciplina e entendimento da relação de causa e efeito. Estes são ganhos inestimáveis para a formação de cidadãos cada vez mais bem preparados para a tomada de decisões conscientes sobre o consumo.
José Arnaldo Favaretto é Diretor de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O mercado de TI para jovens talentos
Artigo no Fique Alerta - www.fiquealerta.net
Por Fábio Gomes Ferreira
A palavra tecnologia vem do grego - tekhno - e designa todo o conhecimento voltado ao desenvolvimento de técnicas, métodos e ferramentas essenciais para a evolução da humanidade e sua sobrevivência.
A tecnologia é hoje uma das áreas mais desafiadoras para os jovens talentos, e as escolhas por aquilo que vão desenvolver ao entrar para o mercado de trabalho, começam cada vez mais cedo. Por isso, precisamos analisar quais são as exigências para aqueles que vão ingressar nas carreiras ligadas à tecnologia da informação (TI).
Há muito, o profissional da área de TI deixou de ser sinônimo de alienado, aquele sujeito com problemas de relacionamento pessoal, vulgarmente conhecido como nerd. Há até um sitcom na TV “The Big Bang Theory”, que retrata bem o universo daqueles ligados em tecnologia. E acreditem, é um sucesso de audiência!
Esse fato não é só mera questão de avaliação da popularidade da categoria, pois as empresas sofrem pela falta de profissionais capacitados. Poucos gostam de ter sua imagem associada à figura do nerd.
O nicho de desenvolvimento de software é crescente e não existe nenhuma indicação que isso irá diminuir nos próximos anos, em virtude disso a demanda por bons profissionais só tende a aumentar. A nossa sociedade vem se informatizando a cada dia. Todos os setores da economia têm aplicado a tecnologia de alguma forma, seja para apoio ou para o incremento dos negócios.
Com a popularização da computação no ambiente de trabalho, nas universidades e até mesmo nos lares mais humildes, as barreiras com relação à tecnologia e às profissões a ela ligadas felizmente têm diminuído gradativamente. Basta verificar o número de alunos que tem se formado ano após ano pelas universidades de computação em relação às demais áreas do conhecimento.
O profissional da área de tecnologia deve ser antes de tudo um empreendedor e entender como seu trabalho se encaixa nos objetivos da organização. Ele precisa aprender a desenvolver a curiosidade, somada a uma boa capacidade de concentração e ter seu foco na resolução de problemas com espírito inventivo e humildade.
O conhecimento técnico já não é diferencial competitivo porque isso é relativamente simples de se conseguir, seja por meio do fácil acesso à informação que hoje dispomos pela internet ou pelos cursos que a academia oferece. O que realmente importa é a capacidade do profissional em saber onde e como buscar esse conhecimento.
Os novos desenvolvedores de software podem até mesmo escolher qual área de aplicação da indústria desejam trabalhar. Profissionais especialistas interessados por sistemas básicos ou de infraestrutura podem eleger empresas como a Nevoa Networks, voltada para soluções de gerenciamento e virtualização de armazenamento, ou podem optar por sistemas de CRM - Customer Relationship Management; ERP- Enterprise Resource Planning; ou ainda, trabalhar com foco em Web ou em sistemas mobile, entre outros segmentos.
Para ter excelência, além das características como vontade de aprender, curiosidade e humildade, os novos profissionais devem ser inovadores. Muitas vezes, ele irá trabalhar com produtos baseados em conceitos já consagrados, mas precisará enxergá-los por um por um novo ângulo e aceitar os desafios propostos pelo ambiente de trabalho.
O profissional do futuro deve ainda estar atento para a área de qualidade de software. Deve ser minucioso na utilização de metodologias de testes. Questionar qual a sua participação para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e qual a sua contribuição na preservação do meio ambiente. Não esquecer que a tecnologia está presente em todos os materiais que utilizamos diariamente, como: roupas e calçados, remédios, alimentos, perfumes, lazer e nos esportes.
A esperança de cada empresário do setor de tecnologia é que os jovens se interessem ainda mais pela área e que, logo mais, haja um bom contingente de boas cabeças pensantes trabalhando no segmento. Ganham as empresas, ganham os profissionais e, ganha o Brasil que já é reconhecido como um grande player de TI no mundo.
Fábio Gomes Ferreira é formado em Análise de Sistemas pela Universidade Paulista, especializado em Gestão de Projetos pela Unicamp e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pelo IBMEC. Atualmente é diretor de Tecnologia da Nevoa Networks (www.nevoanetworks.com.br).
Por Fábio Gomes Ferreira
A palavra tecnologia vem do grego - tekhno - e designa todo o conhecimento voltado ao desenvolvimento de técnicas, métodos e ferramentas essenciais para a evolução da humanidade e sua sobrevivência.
A tecnologia é hoje uma das áreas mais desafiadoras para os jovens talentos, e as escolhas por aquilo que vão desenvolver ao entrar para o mercado de trabalho, começam cada vez mais cedo. Por isso, precisamos analisar quais são as exigências para aqueles que vão ingressar nas carreiras ligadas à tecnologia da informação (TI).
Há muito, o profissional da área de TI deixou de ser sinônimo de alienado, aquele sujeito com problemas de relacionamento pessoal, vulgarmente conhecido como nerd. Há até um sitcom na TV “The Big Bang Theory”, que retrata bem o universo daqueles ligados em tecnologia. E acreditem, é um sucesso de audiência!
Esse fato não é só mera questão de avaliação da popularidade da categoria, pois as empresas sofrem pela falta de profissionais capacitados. Poucos gostam de ter sua imagem associada à figura do nerd.
O nicho de desenvolvimento de software é crescente e não existe nenhuma indicação que isso irá diminuir nos próximos anos, em virtude disso a demanda por bons profissionais só tende a aumentar. A nossa sociedade vem se informatizando a cada dia. Todos os setores da economia têm aplicado a tecnologia de alguma forma, seja para apoio ou para o incremento dos negócios.
Com a popularização da computação no ambiente de trabalho, nas universidades e até mesmo nos lares mais humildes, as barreiras com relação à tecnologia e às profissões a ela ligadas felizmente têm diminuído gradativamente. Basta verificar o número de alunos que tem se formado ano após ano pelas universidades de computação em relação às demais áreas do conhecimento.
O profissional da área de tecnologia deve ser antes de tudo um empreendedor e entender como seu trabalho se encaixa nos objetivos da organização. Ele precisa aprender a desenvolver a curiosidade, somada a uma boa capacidade de concentração e ter seu foco na resolução de problemas com espírito inventivo e humildade.
O conhecimento técnico já não é diferencial competitivo porque isso é relativamente simples de se conseguir, seja por meio do fácil acesso à informação que hoje dispomos pela internet ou pelos cursos que a academia oferece. O que realmente importa é a capacidade do profissional em saber onde e como buscar esse conhecimento.
Os novos desenvolvedores de software podem até mesmo escolher qual área de aplicação da indústria desejam trabalhar. Profissionais especialistas interessados por sistemas básicos ou de infraestrutura podem eleger empresas como a Nevoa Networks, voltada para soluções de gerenciamento e virtualização de armazenamento, ou podem optar por sistemas de CRM - Customer Relationship Management; ERP- Enterprise Resource Planning; ou ainda, trabalhar com foco em Web ou em sistemas mobile, entre outros segmentos.
Para ter excelência, além das características como vontade de aprender, curiosidade e humildade, os novos profissionais devem ser inovadores. Muitas vezes, ele irá trabalhar com produtos baseados em conceitos já consagrados, mas precisará enxergá-los por um por um novo ângulo e aceitar os desafios propostos pelo ambiente de trabalho.
O profissional do futuro deve ainda estar atento para a área de qualidade de software. Deve ser minucioso na utilização de metodologias de testes. Questionar qual a sua participação para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e qual a sua contribuição na preservação do meio ambiente. Não esquecer que a tecnologia está presente em todos os materiais que utilizamos diariamente, como: roupas e calçados, remédios, alimentos, perfumes, lazer e nos esportes.
A esperança de cada empresário do setor de tecnologia é que os jovens se interessem ainda mais pela área e que, logo mais, haja um bom contingente de boas cabeças pensantes trabalhando no segmento. Ganham as empresas, ganham os profissionais e, ganha o Brasil que já é reconhecido como um grande player de TI no mundo.
Fábio Gomes Ferreira é formado em Análise de Sistemas pela Universidade Paulista, especializado em Gestão de Projetos pela Unicamp e pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pelo IBMEC. Atualmente é diretor de Tecnologia da Nevoa Networks (www.nevoanetworks.com.br).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Uma nova geração, uma nova mídia
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Maurício Carmagnani
O crescimento de pessoas à procura da formação superior tem chamado minha atenção nesses últimos anos. Atualmente, o público universitário é formado, em sua grande maioria, pela geração Y. Entendemos que esses jovens são altamente tecnológicos, ousados e acostumados a realização de multitarefas. Mas, será que esses universitários deixaram para trás hábitos de antigos grupos para, enfim, se tornarem o mais digitalizado e dinâmico grupo a frequentar o ensino superior?
A resposta para isso talvez esteja em um estudo realizado nos Estados Unidos com 4.374 alunos de 13 instituições de ensino. A pesquisa mostrou que a maioria deles possuía computadores pessoais e celulares, diferente de 10 anos atrás. Porém, apenas 12% deles tinham computadores de bolso e uma minoria de 20% já tinha criado conteúdo próprio para internet. Então, não é necessariamente verdade que esta geração seja composta somente de pessoas altamente qualificadas a navegar na internet e conversar em redes sociais.
Dessa maneira, podemos citar um simples exemplo de que esses jovens não são extremamente desligados aos comportamentos antigos. Você ou seu filho ainda utiliza caderno? Por alguns motivos, é praticamente inviável que alguém leve à faculdade um notebook. Normalmente, quando se ingressa em uma universidade, não estamos com a situação financeira estabilizada, pois disponibilizamos parte de nossa renda para o fim educacional, ou seja, pagamos matrículas, mensalidades, re-matrículas, compramos apostilas, livros, cadernos e mantemos esse ciclo por cerca de quatro anos.
Comprar um computador móvel pode não estar ao alcance deste público. Outro ponto a se pensar é a locomoção e segurança do objeto. Muitos alunos utilizam transporte público para chegar à faculdade. Horário de pico, metrô ou ônibus lotado e mochila pesada tendem a não combinar.
Isso não quer dizer que a geração Y deixou de ser inovadora e despojada. Eles assimilam com agilidade novas informações e, por serem ambiciosos e questionadores, modificaram o modo como os líderes têm se relacionado aos seus subordinados. Prova disto é o comportamento existente em sala de aula. A liberdade para a troca de ideias e exposição de opinião são características cada vez mais presentes no ambiente universitário. Mas uma coisa é certa: o espiral com folhas ainda é o meio de anotações mais utilizado pelos estudantes. Sua praticidade e forma única de organizar o conhecimento continua a conquistar diferentes gerações.
Segundo o Censo da Educação Superior de 2008, o número de matrículas obteve um aumento de 650 mil em 1999 para 2,5 milhões em 2008. Porém, a indústria de mídia do país permaneceu quase estável quando analisamos que os universitários tendem a ser consumidores finais de determinados produtos. Como estar próximo ao seu cliente, durante o período que a pessoa permanecer na universidade?
Qual a melhor forma de interagir com esses alunos dinâmicos e ágeis, como trocar informações de maneira rápida e eficaz? Pensando nisso, a DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de mídias, imaginou criar algo que contribuísse com a educação desses jovens e, ao mesmo tempo, atendesse a necessidade das empresas de se comunicarem com esses futuros formadores de opinião. Assim, trouxemos para o Brasil o conceito Q Caderno!
Inspirado em modelos internacionais, o produto é uma novidade no mercado nacional e vem para atender a esta demanda criada pela ativa geração Y. Sua ideia central é distribuir gratuitamente para os alunos universitários um caderno para anotações diárias e, com isso, manter a proximidade entre consumidor e patrocinador, uma vez que as empresas presentes no Q Caderno! terão suas marcas na contracapa, divisórias ou bolsa cartão durante todo o semestre.
Assim, com o mercado universitário em pleno desenvolvimento, precisamos de inovação e criatividade para atrair e, principalmente, estimular os jovens. Nesse sentido, o marketing passa por um processo de transformação, na qual utiliza cada vez mais novas mídias para se aproximar do seu público, ou seja, para se destacar nesse mercado concorrido, é importante reunir qualidade, novidade e responsabilidade social.
Maurício Carmagnani é diretor da DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de novas mídias. Administrador de empresas e MBA em Finanças, pela Thunderbird (The Garvin School of International Management).
Por Maurício Carmagnani
O crescimento de pessoas à procura da formação superior tem chamado minha atenção nesses últimos anos. Atualmente, o público universitário é formado, em sua grande maioria, pela geração Y. Entendemos que esses jovens são altamente tecnológicos, ousados e acostumados a realização de multitarefas. Mas, será que esses universitários deixaram para trás hábitos de antigos grupos para, enfim, se tornarem o mais digitalizado e dinâmico grupo a frequentar o ensino superior?
A resposta para isso talvez esteja em um estudo realizado nos Estados Unidos com 4.374 alunos de 13 instituições de ensino. A pesquisa mostrou que a maioria deles possuía computadores pessoais e celulares, diferente de 10 anos atrás. Porém, apenas 12% deles tinham computadores de bolso e uma minoria de 20% já tinha criado conteúdo próprio para internet. Então, não é necessariamente verdade que esta geração seja composta somente de pessoas altamente qualificadas a navegar na internet e conversar em redes sociais.
Dessa maneira, podemos citar um simples exemplo de que esses jovens não são extremamente desligados aos comportamentos antigos. Você ou seu filho ainda utiliza caderno? Por alguns motivos, é praticamente inviável que alguém leve à faculdade um notebook. Normalmente, quando se ingressa em uma universidade, não estamos com a situação financeira estabilizada, pois disponibilizamos parte de nossa renda para o fim educacional, ou seja, pagamos matrículas, mensalidades, re-matrículas, compramos apostilas, livros, cadernos e mantemos esse ciclo por cerca de quatro anos.
Comprar um computador móvel pode não estar ao alcance deste público. Outro ponto a se pensar é a locomoção e segurança do objeto. Muitos alunos utilizam transporte público para chegar à faculdade. Horário de pico, metrô ou ônibus lotado e mochila pesada tendem a não combinar.
Isso não quer dizer que a geração Y deixou de ser inovadora e despojada. Eles assimilam com agilidade novas informações e, por serem ambiciosos e questionadores, modificaram o modo como os líderes têm se relacionado aos seus subordinados. Prova disto é o comportamento existente em sala de aula. A liberdade para a troca de ideias e exposição de opinião são características cada vez mais presentes no ambiente universitário. Mas uma coisa é certa: o espiral com folhas ainda é o meio de anotações mais utilizado pelos estudantes. Sua praticidade e forma única de organizar o conhecimento continua a conquistar diferentes gerações.
Segundo o Censo da Educação Superior de 2008, o número de matrículas obteve um aumento de 650 mil em 1999 para 2,5 milhões em 2008. Porém, a indústria de mídia do país permaneceu quase estável quando analisamos que os universitários tendem a ser consumidores finais de determinados produtos. Como estar próximo ao seu cliente, durante o período que a pessoa permanecer na universidade?
Qual a melhor forma de interagir com esses alunos dinâmicos e ágeis, como trocar informações de maneira rápida e eficaz? Pensando nisso, a DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de mídias, imaginou criar algo que contribuísse com a educação desses jovens e, ao mesmo tempo, atendesse a necessidade das empresas de se comunicarem com esses futuros formadores de opinião. Assim, trouxemos para o Brasil o conceito Q Caderno!
Inspirado em modelos internacionais, o produto é uma novidade no mercado nacional e vem para atender a esta demanda criada pela ativa geração Y. Sua ideia central é distribuir gratuitamente para os alunos universitários um caderno para anotações diárias e, com isso, manter a proximidade entre consumidor e patrocinador, uma vez que as empresas presentes no Q Caderno! terão suas marcas na contracapa, divisórias ou bolsa cartão durante todo o semestre.
Assim, com o mercado universitário em pleno desenvolvimento, precisamos de inovação e criatividade para atrair e, principalmente, estimular os jovens. Nesse sentido, o marketing passa por um processo de transformação, na qual utiliza cada vez mais novas mídias para se aproximar do seu público, ou seja, para se destacar nesse mercado concorrido, é importante reunir qualidade, novidade e responsabilidade social.
Maurício Carmagnani é diretor da DRT Mídia, empresa especializada no desenvolvimento de novas mídias. Administrador de empresas e MBA em Finanças, pela Thunderbird (The Garvin School of International Management).
terça-feira, 27 de abril de 2010
Como tornar a empresa de pequeno porte mais competitiva
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Marcel Antunes
O universo do marketing moderno é extremamente complexo. A variedade de nomes, expressões e ferramentas utilizadas é um território muito falado, mas pouco conhecido na prática, inclusive pelos profissionais da área. Sempre visto como algo restrito às grandes empresas, o marketing costuma assustar e inibir empresário das pequenas e médias que assim, deixa de adotar ações simples em prol do crescimento de sua empresa.
Os profissionais de marketing e comunicação são, em grande parte, responsáveis por isso. Vangloriam-se de seu conhecimento teórico (o prático não é, com a licença da redundância, “praticado” pela grande maioria) e sempre utilizam expressões em um “dialeto próprio”, chamado “marquetês” quando decidem ilustrar determinados exemplos. Isso, claro, dificulta a compreensão daqueles, digamos, “não-iniciados” no assunto.
Experimente você, dono de uma empresa de pequeno porte, pedir algumas dicas a um profissional de MKT (como o marketing é usualmente abreviado). Certamente você ouvirá termos como “target”, “budget”, “deadline”, “benchmark”, “os 4 A´s”, “os 6 P´s”, “ROI”, ou seja, a mais simples das explicações poderá se tornar um pesadelo repleto de termos imponentes e, possivelmente, incompreensíveis a você que, na verdade, só deseja melhorar o desempenho de suas vendas, por exemplo.
Realmente conhecer a fundo e dominar as ferramentas do marketing demanda tempo, estudo e, claro, oportunidade reais de colocar tudo isso em prática, trabalho, enfim, para profissionais. Mas isso não significa que você não pode utilizar as ferramentas de marketing. Ao contrário, pode e deve. Vamos falar, então, sobre um desses termos, na realidade uma sigla, que pode ajudar muito você e sua empresa, qualquer que seja o porte dela: o PDCA.
O PDCA é algo extremamente simples, e talvez por isso mesmo, pouco falado pelos “marqueteiros”, sempre preocupados com expressões mais conhecidas e de maior impacto. Por ser simples, pode e deve ser usado por você em favor de sua empresa. Mas o que vem a ser isso?
PDCA é um termo em inglês formado pelas iniciais das palavras “PLANEJAR”, “FAZER” (D, do verbo inglês “to do”), “CHECAR” e “AGIR”. Trata-se de um importante fundamento da gestão pela qualidade total. É a forma mais simples de planejar ações para o futuro e implementar mudanças. Foi desenvolvido pelos japoneses após o término da 2º guerra mundial e hoje o Japão é uma potência graças à aplicação dos conceitos da qualidade em todos os tipos de empresa. Tudo se baseia no princípio de que pessoas, processos, produtos, formas de operação e as tarefas de uma organização sempre podem ser aprimorados. Vamos explicar melhor:
1º. “P” – Planeje detalhadamente suas atividades, estabeleça metas para tudo o que for realizar, além de como realizar;
2º. “D” – Faça de acordo com o que foi planejado, pois de nada adianta apenas planejar, sem colocar o planejamento em prática. Treine e habilite seu pessoal para executar corretamente as tarefas requeridas pelo planejamento;
3º. “C” – Cheque se o que foi realizado estava de acordo com o planejamento. A checagem necessita de acompanhamento e avaliação, ou seja, crie indicadores de medição e desempenho;
4º. “A” – Aja e corrija no caso de a checagem apresentar problemas ou diferenças entre o realizado e o planejado. Descubra porque suas metas não foram atingidas.
Após essa fase, reinicie o processo PDCA, replanejando suas ações de acordo com as ações corretivas devidas. O PDCA é uma ferramenta universal de grande utilidade para o gerenciamento de seu negócio. Quer um exemplo prático? Vamos então supor que você queira conseguir cinco novos clientes fixos para sua empresa. Use, então, o PDCA:
“P” – O quê: aumentar a carteira de clientes atual com cinco novas empresas no prazo de cinco meses. Como: com sua equipe de vendas nas ruas, conseguir um novo clienteo pela qualidade total, que pode ser aplicado a qualquer empresa, incluindo as pequenas e médias, como a sua. É aforma mais simples de planejar ações para o futuro e implementar mudanças. Foi desenvolvida pelos japoneses após o término da 2ª guerra mundial. Hoje o Japão é uma potência graças à aplicação dos conceitos de qualidade em todos os tipos de empresa. A qualidade total baseia-se no princípio de que pessoas, processos, produtos, as formas de operação e as tarefas de uma organização sempre podem e devem ser aprimoradas. Vamos, pois, ao PDCA. por mês, oferecendo produtos / serviços de qualidade. Visitar duas empresas potenciais todos os dias;
“D” – Fazer o que foi planejado, começando o novo ciclo de visitas imediatamente. Dar força a este novo ciclo de vendas;
“C” – Checar o realizado com o que foi planejado, marcando as empresas novas que foram visitadas e em quantos dias isso foi feito. Avaliar quantos clientes novos foram conseguidos;
“A” – Caso a meta de obtenção de clientes não tenha sido atingida, avaliar os motivos: Visitamos um bom número de empresas? Nossa apresentação foi adequada? Temos um bom folder ou catálogo? Preciso de vendedores mais capacitados?
No mês seguinte deve-se reiniciar o PDCA, replanejando suas ações em função dos resultados obtidos. Se, por exemplo, só foram conseguidos dois novos clientes, como conseguir os outros três? Visitando mais empresas por dia? É possível que após os cinco meses você não tenha conseguido os cinco novos clientes, mas estará muito melhor direcionado para atingir seus novos objetivos.
Portanto, dono de pequena e média empresa, utilize o PDCA. Não é necessário ser um expert em marketing para isso. Ele pode ser utilizado em toda e qualquer situação que demande aprimoramento, seja ele no trabalho, em casa ou até mesmo aprimoramento individual, e por ser assim, tão amplo e tão simples, utilize-o em sua empresa, os resultados serão gratificantes e não demorarão a serem percebidos.
Marcel Antunes é publicitário e diretor da Lusko Fusko Consultoria, empresa especializada em Marketing e Comunicação para micro e pequenas empresas.
Por Marcel Antunes
O universo do marketing moderno é extremamente complexo. A variedade de nomes, expressões e ferramentas utilizadas é um território muito falado, mas pouco conhecido na prática, inclusive pelos profissionais da área. Sempre visto como algo restrito às grandes empresas, o marketing costuma assustar e inibir empresário das pequenas e médias que assim, deixa de adotar ações simples em prol do crescimento de sua empresa.
Os profissionais de marketing e comunicação são, em grande parte, responsáveis por isso. Vangloriam-se de seu conhecimento teórico (o prático não é, com a licença da redundância, “praticado” pela grande maioria) e sempre utilizam expressões em um “dialeto próprio”, chamado “marquetês” quando decidem ilustrar determinados exemplos. Isso, claro, dificulta a compreensão daqueles, digamos, “não-iniciados” no assunto.
Experimente você, dono de uma empresa de pequeno porte, pedir algumas dicas a um profissional de MKT (como o marketing é usualmente abreviado). Certamente você ouvirá termos como “target”, “budget”, “deadline”, “benchmark”, “os 4 A´s”, “os 6 P´s”, “ROI”, ou seja, a mais simples das explicações poderá se tornar um pesadelo repleto de termos imponentes e, possivelmente, incompreensíveis a você que, na verdade, só deseja melhorar o desempenho de suas vendas, por exemplo.
Realmente conhecer a fundo e dominar as ferramentas do marketing demanda tempo, estudo e, claro, oportunidade reais de colocar tudo isso em prática, trabalho, enfim, para profissionais. Mas isso não significa que você não pode utilizar as ferramentas de marketing. Ao contrário, pode e deve. Vamos falar, então, sobre um desses termos, na realidade uma sigla, que pode ajudar muito você e sua empresa, qualquer que seja o porte dela: o PDCA.
O PDCA é algo extremamente simples, e talvez por isso mesmo, pouco falado pelos “marqueteiros”, sempre preocupados com expressões mais conhecidas e de maior impacto. Por ser simples, pode e deve ser usado por você em favor de sua empresa. Mas o que vem a ser isso?
PDCA é um termo em inglês formado pelas iniciais das palavras “PLANEJAR”, “FAZER” (D, do verbo inglês “to do”), “CHECAR” e “AGIR”. Trata-se de um importante fundamento da gestão pela qualidade total. É a forma mais simples de planejar ações para o futuro e implementar mudanças. Foi desenvolvido pelos japoneses após o término da 2º guerra mundial e hoje o Japão é uma potência graças à aplicação dos conceitos da qualidade em todos os tipos de empresa. Tudo se baseia no princípio de que pessoas, processos, produtos, formas de operação e as tarefas de uma organização sempre podem ser aprimorados. Vamos explicar melhor:
1º. “P” – Planeje detalhadamente suas atividades, estabeleça metas para tudo o que for realizar, além de como realizar;
2º. “D” – Faça de acordo com o que foi planejado, pois de nada adianta apenas planejar, sem colocar o planejamento em prática. Treine e habilite seu pessoal para executar corretamente as tarefas requeridas pelo planejamento;
3º. “C” – Cheque se o que foi realizado estava de acordo com o planejamento. A checagem necessita de acompanhamento e avaliação, ou seja, crie indicadores de medição e desempenho;
4º. “A” – Aja e corrija no caso de a checagem apresentar problemas ou diferenças entre o realizado e o planejado. Descubra porque suas metas não foram atingidas.
Após essa fase, reinicie o processo PDCA, replanejando suas ações de acordo com as ações corretivas devidas. O PDCA é uma ferramenta universal de grande utilidade para o gerenciamento de seu negócio. Quer um exemplo prático? Vamos então supor que você queira conseguir cinco novos clientes fixos para sua empresa. Use, então, o PDCA:
“P” – O quê: aumentar a carteira de clientes atual com cinco novas empresas no prazo de cinco meses. Como: com sua equipe de vendas nas ruas, conseguir um novo clienteo pela qualidade total, que pode ser aplicado a qualquer empresa, incluindo as pequenas e médias, como a sua. É aforma mais simples de planejar ações para o futuro e implementar mudanças. Foi desenvolvida pelos japoneses após o término da 2ª guerra mundial. Hoje o Japão é uma potência graças à aplicação dos conceitos de qualidade em todos os tipos de empresa. A qualidade total baseia-se no princípio de que pessoas, processos, produtos, as formas de operação e as tarefas de uma organização sempre podem e devem ser aprimoradas. Vamos, pois, ao PDCA. por mês, oferecendo produtos / serviços de qualidade. Visitar duas empresas potenciais todos os dias;
“D” – Fazer o que foi planejado, começando o novo ciclo de visitas imediatamente. Dar força a este novo ciclo de vendas;
“C” – Checar o realizado com o que foi planejado, marcando as empresas novas que foram visitadas e em quantos dias isso foi feito. Avaliar quantos clientes novos foram conseguidos;
“A” – Caso a meta de obtenção de clientes não tenha sido atingida, avaliar os motivos: Visitamos um bom número de empresas? Nossa apresentação foi adequada? Temos um bom folder ou catálogo? Preciso de vendedores mais capacitados?
No mês seguinte deve-se reiniciar o PDCA, replanejando suas ações em função dos resultados obtidos. Se, por exemplo, só foram conseguidos dois novos clientes, como conseguir os outros três? Visitando mais empresas por dia? É possível que após os cinco meses você não tenha conseguido os cinco novos clientes, mas estará muito melhor direcionado para atingir seus novos objetivos.
Portanto, dono de pequena e média empresa, utilize o PDCA. Não é necessário ser um expert em marketing para isso. Ele pode ser utilizado em toda e qualquer situação que demande aprimoramento, seja ele no trabalho, em casa ou até mesmo aprimoramento individual, e por ser assim, tão amplo e tão simples, utilize-o em sua empresa, os resultados serão gratificantes e não demorarão a serem percebidos.
Marcel Antunes é publicitário e diretor da Lusko Fusko Consultoria, empresa especializada em Marketing e Comunicação para micro e pequenas empresas.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A difícil arte da humildade
Artigo no Fique Alerta – www.alertatotal.net
Por João Bosco Leal
Desde o nascimento, nos acostumamos a olhar para frente e para o alto. Quando pequenos, porque tudo em nossa volta é grande. Já um pouco maiores, olhando para frente, escolhemos nosso caminho, e para cima, o nosso alvo, onde pretendemos chegar. Passamos nossa vida olhando para frente, tendo como objetivo o que está no alto, seja o que for. Na velhice, olhamos para frente pensando no que nos resta, e para o alto, imaginando aquilo que não conseguimos atingir.
Nunca olhamos para baixo, motivo pelo qual muitas vezes tropeçamos, ou mesmo caímos. Ao olhar para baixo, certamente aprenderemos que nunca temos do que reclamar, pois, com certeza, seja qual for a situação em que nos encontremos, sempre haverá alguém em uma pior.
Raramente aceitamos críticas, mesmo quando vindas de quem muito nos quer. Em algumas oportunidades alguém se aproxima e, com carinho, amor, e construtivamente, nos aponta alguma atitude, ação que realizamos de maneira errada, que de outra forma seria melhor.
Pronto, é o fim. Não aceitamos e começamos a procurar defeitos naquela pessoa, para poder também apontar-lhe, quase que como uma vingança. Nossa arrogância é muito grande para admitirmos haver errado, e que alguém possa nos apontar esse erro, mesmo que de modo construtivo.
Normalmente culpamos alguém pelo que nos ocorreu ou pelo que não conseguimos, como se o mundo todo estivesse girando à nossa volta, preocupados conosco, em nos atingir, nos prejudicar, derrotar. Em algumas oportunidades vemos ou lemos algo que parece dirigido exclusivamente a nós, pois ali nos enxergamos, e continuamos achando que todos estão preocupados conosco, que fizeram ou escreveram algo para nós.
Não possuímos humildade suficiente para admitir que ninguém está preocupado conosco, querendo nos magoar, atingir, que estão preocupados com a própria vida e não conosco. Os outros possuem seus próprios problemas, seus caminhos, pretensões e objetivos, e não estão, de modo algum, preocupados conosco.
Não somos humildes para entender que devemos perguntar mais do que falar, que deveríamos nos informar mais com os mais velhos, saber de suas experiências, do que são capazes de nos ensinar, pois por mais que pensemos ser mais espertos, estarmos em outra época, com muito mais tecnologia, foram eles que trabalharam, no passado, para que hoje estejamos aqui. Foram eles que construíram o alicerce moral, cultural, espiritual e tecnológico do que hoje somos. E viram todas essas transformações, o que nunca conseguiremos, pois é passado. Viveremos e participaremos de outras, mas jamais daquelas vividas e construídas por nossos ancestrais.
Até seu vocabulário é diferente do nosso, pois no tempo deles aprenderam a ortografia de modo diferente. A ortografia mudou durante a geração dos nossos pais, assim como agora está mudando novamente e teremos a mesma diferença com nossos filhos. Deveríamos ter a humildade e sabedoria de entender isso e perguntarmos mais a eles ao invés de querer ensiná-los. Eles não querem mais aprender o que já viveram.
Não temos a humildade de, ao pensar que na época deles não havia computadores e que eles não entendem nada de tecnologia, nos lembrar que na realidade foram eles, nesta geração passada, que inventaram os aparelhos de televisão, os celulares, a fibra ótica e os próprios computadores, sem os quais não teríamos hoje essa falsa sensação de sermos melhores.
Precisamos ter humildade suficiente para entender que cada um de nós, seres humanos, somos de uma insignificância imensurável, diante dos bilhões que habitam o planeta Terra. Só ao entendermos isso, começaremos a trilhar o caminho da humildade.
João Bosco Leal é produtor rural, articulista e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. www.joaoboscoleal.com.br
Por João Bosco Leal
Desde o nascimento, nos acostumamos a olhar para frente e para o alto. Quando pequenos, porque tudo em nossa volta é grande. Já um pouco maiores, olhando para frente, escolhemos nosso caminho, e para cima, o nosso alvo, onde pretendemos chegar. Passamos nossa vida olhando para frente, tendo como objetivo o que está no alto, seja o que for. Na velhice, olhamos para frente pensando no que nos resta, e para o alto, imaginando aquilo que não conseguimos atingir.
Nunca olhamos para baixo, motivo pelo qual muitas vezes tropeçamos, ou mesmo caímos. Ao olhar para baixo, certamente aprenderemos que nunca temos do que reclamar, pois, com certeza, seja qual for a situação em que nos encontremos, sempre haverá alguém em uma pior.
Raramente aceitamos críticas, mesmo quando vindas de quem muito nos quer. Em algumas oportunidades alguém se aproxima e, com carinho, amor, e construtivamente, nos aponta alguma atitude, ação que realizamos de maneira errada, que de outra forma seria melhor.
Pronto, é o fim. Não aceitamos e começamos a procurar defeitos naquela pessoa, para poder também apontar-lhe, quase que como uma vingança. Nossa arrogância é muito grande para admitirmos haver errado, e que alguém possa nos apontar esse erro, mesmo que de modo construtivo.
Normalmente culpamos alguém pelo que nos ocorreu ou pelo que não conseguimos, como se o mundo todo estivesse girando à nossa volta, preocupados conosco, em nos atingir, nos prejudicar, derrotar. Em algumas oportunidades vemos ou lemos algo que parece dirigido exclusivamente a nós, pois ali nos enxergamos, e continuamos achando que todos estão preocupados conosco, que fizeram ou escreveram algo para nós.
Não possuímos humildade suficiente para admitir que ninguém está preocupado conosco, querendo nos magoar, atingir, que estão preocupados com a própria vida e não conosco. Os outros possuem seus próprios problemas, seus caminhos, pretensões e objetivos, e não estão, de modo algum, preocupados conosco.
Não somos humildes para entender que devemos perguntar mais do que falar, que deveríamos nos informar mais com os mais velhos, saber de suas experiências, do que são capazes de nos ensinar, pois por mais que pensemos ser mais espertos, estarmos em outra época, com muito mais tecnologia, foram eles que trabalharam, no passado, para que hoje estejamos aqui. Foram eles que construíram o alicerce moral, cultural, espiritual e tecnológico do que hoje somos. E viram todas essas transformações, o que nunca conseguiremos, pois é passado. Viveremos e participaremos de outras, mas jamais daquelas vividas e construídas por nossos ancestrais.
Até seu vocabulário é diferente do nosso, pois no tempo deles aprenderam a ortografia de modo diferente. A ortografia mudou durante a geração dos nossos pais, assim como agora está mudando novamente e teremos a mesma diferença com nossos filhos. Deveríamos ter a humildade e sabedoria de entender isso e perguntarmos mais a eles ao invés de querer ensiná-los. Eles não querem mais aprender o que já viveram.
Não temos a humildade de, ao pensar que na época deles não havia computadores e que eles não entendem nada de tecnologia, nos lembrar que na realidade foram eles, nesta geração passada, que inventaram os aparelhos de televisão, os celulares, a fibra ótica e os próprios computadores, sem os quais não teríamos hoje essa falsa sensação de sermos melhores.
Precisamos ter humildade suficiente para entender que cada um de nós, seres humanos, somos de uma insignificância imensurável, diante dos bilhões que habitam o planeta Terra. Só ao entendermos isso, começaremos a trilhar o caminho da humildade.
João Bosco Leal é produtor rural, articulista e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. www.joaoboscoleal.com.br
terça-feira, 20 de abril de 2010
Duas faces da mesma moeda
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jairo Okret e Rodrigo Araújo
Chega um momento na carreira de um executivo em que o seu horizonte desejado de atuação pode não ser mais o mesmo da empresa em que ele atua. Se a companhia ainda não possui um plano sucessório que irá suportar a compatibilização destas duas ambições, está na hora de iniciar a preparação. Tão importante é este tema para executivos e companhias que investir em um plano de sucessão está entre as cinco principais prioridades das empresas para os próximos três anos, segundo constatou estudo recente conduzido pela Korn Ferry, o CEO Vision Revisited.
Neste cenário algumas das habilidades mais desejadas nos executivos que irão reger este processo – criatividade e inovação – refletem também a preocupação com a complexidade dos desafios dos negócios tanto atualmente como para um futuro próximo. Os profissionais e as empresas precisam se preocupar com seu desenvolvimento, pois, segundo o mesmo estudo, de cada cinco líderes ouvidos, um considera que há carência de maturidade/experiência em suas equipes. Prepará-los é, portanto, fundamental.
Mas antes de preparar um executivo, é preciso encontrá-lo. E onde estão os talentos/sucessores? Os líderes precisam ter um envolvimento pessoal no planejamento da sucessão para que ela ocorra apropriadamente. Isto significa abrir espaço para preparar profissionais que estejam na mesma organização ou para investigar no mercado. Este movimento que, em geral, acontece de cima pra baixo – liderado por executivos decisores – precisa acontecer também de baixo para cima - envolvendo também os talentos mais novos, que acabam de chegar à companhia.
Se todos os líderes tiverem a preocupação de olhar, entender, identificar onde estão os bons profissionais, como melhor prepará-los, e investir num trabalho consistente e regular, as opções irão “borbulhar”. E a escolha poderá ser muito mais rica. Abarcando inclusive novas opções para compor o comitê executivo.
O planejamento no treinamento e preparo do profissional deve acontecer com todo o cuidado, pois dificilmente um talento está totalmente pronto, perfeito em todas as dimensões. O executivo, em geral, precisa ganhar novos ingredientes, desenvolver habilidades e novas competências. Seja atuando em uma nova área, seja proporcionando uma vivência internacional. Esta fase é imprescindível para o momento de assumir novas responsabilidade e posições.
A condução de um plano sucessório também não pode ser vista como um risco para a própria posição. Quando o executivo toma conta do seu próprio plano de sucessão ele estará ao mesmo tempo garantindo a mudança que muitas vezes já se faz necessária. Afinal, ele mesmo normalmente já possui uma idéia (ou planos e desejos) do que irá fazer quando for sucedido. A sucessão deve ser parte natural da ordem das empresas. Isso acontece porque todo profissional tem um ciclo, que pode variar em duração dependendo do executivo, cargo, indústria, cultura da empresa e conjuntura. E chega um momento em que se precisa se preparar para o próximo.
O mesmo estudo da Korn Ferry comprova esta visão, pois os executivos parecem sempre vislumbrar o passo seguinte da sua carreira ou da sua vida. Enquanto 27% querem migrar sua atuação para um Conselho Administrativo, outros 26% possuem expectativa de continuar em posições executivas e mudar de setor – Educação e ONGs, principalmente.
Os elementos motivadores nestes casos foram, nesta ordem, a busca de novos desafios e a possibilidade de devolverem à sociedade um pouco do que receberam e conquistaram. A evolução nestes números é representativa, no mesmo estudo realizado em 2003 apenas 10% manifestaram a vontade de fazer algo diferente de suas atribuições do momento.
Podemos assim perceber que sucessores e sucedidos se tornam faces da mesma moeda que gira e move as corporações e as vidas dos executivos. O preparo antecipado, imprescindível para encarar uma nova realidade com mais segurança, reflete apenas um anseio que atinge qualquer executivo. E todas as corporações.
Jairo Okret é Sócio-Diretor Sênior da Korn/Ferry, responsável pela Especialização da Firma em Tecnologia e Rodrigo Araújo é Sócio-Diretor Sênior responsável pela Especialização em Ciências da Vida e Saúde.
Por Jairo Okret e Rodrigo Araújo
Chega um momento na carreira de um executivo em que o seu horizonte desejado de atuação pode não ser mais o mesmo da empresa em que ele atua. Se a companhia ainda não possui um plano sucessório que irá suportar a compatibilização destas duas ambições, está na hora de iniciar a preparação. Tão importante é este tema para executivos e companhias que investir em um plano de sucessão está entre as cinco principais prioridades das empresas para os próximos três anos, segundo constatou estudo recente conduzido pela Korn Ferry, o CEO Vision Revisited.
Neste cenário algumas das habilidades mais desejadas nos executivos que irão reger este processo – criatividade e inovação – refletem também a preocupação com a complexidade dos desafios dos negócios tanto atualmente como para um futuro próximo. Os profissionais e as empresas precisam se preocupar com seu desenvolvimento, pois, segundo o mesmo estudo, de cada cinco líderes ouvidos, um considera que há carência de maturidade/experiência em suas equipes. Prepará-los é, portanto, fundamental.
Mas antes de preparar um executivo, é preciso encontrá-lo. E onde estão os talentos/sucessores? Os líderes precisam ter um envolvimento pessoal no planejamento da sucessão para que ela ocorra apropriadamente. Isto significa abrir espaço para preparar profissionais que estejam na mesma organização ou para investigar no mercado. Este movimento que, em geral, acontece de cima pra baixo – liderado por executivos decisores – precisa acontecer também de baixo para cima - envolvendo também os talentos mais novos, que acabam de chegar à companhia.
Se todos os líderes tiverem a preocupação de olhar, entender, identificar onde estão os bons profissionais, como melhor prepará-los, e investir num trabalho consistente e regular, as opções irão “borbulhar”. E a escolha poderá ser muito mais rica. Abarcando inclusive novas opções para compor o comitê executivo.
O planejamento no treinamento e preparo do profissional deve acontecer com todo o cuidado, pois dificilmente um talento está totalmente pronto, perfeito em todas as dimensões. O executivo, em geral, precisa ganhar novos ingredientes, desenvolver habilidades e novas competências. Seja atuando em uma nova área, seja proporcionando uma vivência internacional. Esta fase é imprescindível para o momento de assumir novas responsabilidade e posições.
A condução de um plano sucessório também não pode ser vista como um risco para a própria posição. Quando o executivo toma conta do seu próprio plano de sucessão ele estará ao mesmo tempo garantindo a mudança que muitas vezes já se faz necessária. Afinal, ele mesmo normalmente já possui uma idéia (ou planos e desejos) do que irá fazer quando for sucedido. A sucessão deve ser parte natural da ordem das empresas. Isso acontece porque todo profissional tem um ciclo, que pode variar em duração dependendo do executivo, cargo, indústria, cultura da empresa e conjuntura. E chega um momento em que se precisa se preparar para o próximo.
O mesmo estudo da Korn Ferry comprova esta visão, pois os executivos parecem sempre vislumbrar o passo seguinte da sua carreira ou da sua vida. Enquanto 27% querem migrar sua atuação para um Conselho Administrativo, outros 26% possuem expectativa de continuar em posições executivas e mudar de setor – Educação e ONGs, principalmente.
Os elementos motivadores nestes casos foram, nesta ordem, a busca de novos desafios e a possibilidade de devolverem à sociedade um pouco do que receberam e conquistaram. A evolução nestes números é representativa, no mesmo estudo realizado em 2003 apenas 10% manifestaram a vontade de fazer algo diferente de suas atribuições do momento.
Podemos assim perceber que sucessores e sucedidos se tornam faces da mesma moeda que gira e move as corporações e as vidas dos executivos. O preparo antecipado, imprescindível para encarar uma nova realidade com mais segurança, reflete apenas um anseio que atinge qualquer executivo. E todas as corporações.
Jairo Okret é Sócio-Diretor Sênior da Korn/Ferry, responsável pela Especialização da Firma em Tecnologia e Rodrigo Araújo é Sócio-Diretor Sênior responsável pela Especialização em Ciências da Vida e Saúde.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Insensibilidade e descaso até na morte dos nossos policiais
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Archimedes Marques
A árdua missão policial fielmente desempenhada e tão cobrada pela sociedade brasileira continua sendo incompreendida por muitos. Os caminhos tortuosos e espinhosos seguidos pelas policias parecem ser intransponíveis e intermináveis.
Infelizmente há ainda uma tradição arraigada no âmago do povo em generalizar que a Polícia é ineficiente e corrupta, que os nossos policiais são ignorantes, irresponsáveis, arbitrários e criminosos, por isso muitos até torcem pelo nosso fracasso.
Para boa parte da população policial é sinônimo de bandido, de algo imprestável, um reles ser do submundo da sociedade e pouco se importam com os seus problemas, ou seja, são tais pessoas insensíveis na vida e até na morte dos nossos policiais.
Quando morre um policial na maioria dos países desenvolvidos ocorre um verdadeiro desfile de despedida pelas principais avenidas da cidade em agradecimento aos seus relevantes serviços prestados à sociedade, com o seu caixão exposto em caminhão do Corpo dos Bombeiros, sirenes e batedores dos carros policiais ligados, seus colegas trajando farda de gala, com a presença dos chefes de Polícia, Prefeito, Governador e demais autoridades, além da cobertura da imprensa local. A população pára tudo o que está fazendo e aplaude homenageando a passagem do féretro do herói morto com muita comoção.
A viúva e seus filhos nunca são desamparados pelo Estado, muito pelo contrário, além da pensão justa relativa ao próprio digno salário do morto, ainda recebem bons seguros de vida que obrigatoriamente são feitos pelo poder público e, quando morrem em serviço defendendo o povo, aí é que esses valores duplicam.
Entretanto, quando morre um policial aqui no nosso País, mesmo em serviço, defendendo a sociedade dos criminosos não aparece autoridade alguma, somente a presença dos seus familiares, amigos ou colegas de profissão e, em ocasiões especiais os chefes de Polícia. Imprensa só de quando em vez faz a cobertura do evento fúnebre.
Até o próprio povo se impacienta e se chateia quando os colegas do policial morto querem lhes prestar uma condigna última homenagem, como foi um caso recente ocorrido aqui na nossa região em que um policial civil ao interferir num assalto fora abatido pelos marginais e, no seu cortejo fúnebre bem organizado com a Polícia Militar parando o trânsito até o cemitério, escutei perfeitamente de um motorista apressado que estava numa rua paralela sem poder passar por alguns instantes e que falou em alto e bom som: QUANTA PALHAÇADA. ATÉ NA MORTE ELES ATRAPALHAM O TRÂNSITO!... Outros motoristas, motociclistas ou transeuntes apenas assistiam com semblante alheio, raivoso, indiferente ou insensível o cortejo passar “atrapalhando o trânsito” e atrapalhando os seus preciosos tempos...
Nossos policiais e seus familiares não são apenas abandonados, desprezados e renegados por grande parte da sociedade, são de igual modo, tratados em descaso pelo Poder público. Em vida são humilhados e desvalorizados profissionalmente com salários não condizentes com a importância do cargo.
Na morte, além dos desprezos citados, os herdeiros que possuem direitos aos seus baixos salários transformados em pensões são até diminuídos com a perda de certas gratificações, fato que também ocorre quando os policiais são feridos em batalha contra o crime e ficam inválidos para o resto das suas vidas. De pronto perdem logo o adicional noturno e a gratificação de periculosidade, quando o certo, por uma questão de gratidão e justiça era incorporar tais gratificações nas suas pensões.
O policial vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas do que qualquer outra pessoa. Trabalha independente das condições de tempo ou de lugar, mas a sua maneira de ver a vida em proteção da sociedade continua a mesma apesar dos percalços na sua caminhada. Na maioria das vezes é entristecido por conta das desilusões encontradas, mas no fundo é um forte, sempre esperando por um mundo melhor.
A sociedade brasileira precisa confiar mais na sua Polícia. Tem que ver e sentir a Polícia à luz do valor da amizade, pois os nossos policiais lutam o morrem por ela em busca paz social, enquanto que, por sua vez, o poder público deve ver a Polícia como valorosa instituição pagando salários dignos aos seus membros, como já ocorre em raros Estados da Nação, assim valorizando e respeitando-os na vida e na morte.
Archimedes Marques, delegado de Policia no Estado de Sergipe, é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) - archimedes-marques@bol.com.br
Por Archimedes Marques
A árdua missão policial fielmente desempenhada e tão cobrada pela sociedade brasileira continua sendo incompreendida por muitos. Os caminhos tortuosos e espinhosos seguidos pelas policias parecem ser intransponíveis e intermináveis.
Infelizmente há ainda uma tradição arraigada no âmago do povo em generalizar que a Polícia é ineficiente e corrupta, que os nossos policiais são ignorantes, irresponsáveis, arbitrários e criminosos, por isso muitos até torcem pelo nosso fracasso.
Para boa parte da população policial é sinônimo de bandido, de algo imprestável, um reles ser do submundo da sociedade e pouco se importam com os seus problemas, ou seja, são tais pessoas insensíveis na vida e até na morte dos nossos policiais.
Quando morre um policial na maioria dos países desenvolvidos ocorre um verdadeiro desfile de despedida pelas principais avenidas da cidade em agradecimento aos seus relevantes serviços prestados à sociedade, com o seu caixão exposto em caminhão do Corpo dos Bombeiros, sirenes e batedores dos carros policiais ligados, seus colegas trajando farda de gala, com a presença dos chefes de Polícia, Prefeito, Governador e demais autoridades, além da cobertura da imprensa local. A população pára tudo o que está fazendo e aplaude homenageando a passagem do féretro do herói morto com muita comoção.
A viúva e seus filhos nunca são desamparados pelo Estado, muito pelo contrário, além da pensão justa relativa ao próprio digno salário do morto, ainda recebem bons seguros de vida que obrigatoriamente são feitos pelo poder público e, quando morrem em serviço defendendo o povo, aí é que esses valores duplicam.
Entretanto, quando morre um policial aqui no nosso País, mesmo em serviço, defendendo a sociedade dos criminosos não aparece autoridade alguma, somente a presença dos seus familiares, amigos ou colegas de profissão e, em ocasiões especiais os chefes de Polícia. Imprensa só de quando em vez faz a cobertura do evento fúnebre.
Até o próprio povo se impacienta e se chateia quando os colegas do policial morto querem lhes prestar uma condigna última homenagem, como foi um caso recente ocorrido aqui na nossa região em que um policial civil ao interferir num assalto fora abatido pelos marginais e, no seu cortejo fúnebre bem organizado com a Polícia Militar parando o trânsito até o cemitério, escutei perfeitamente de um motorista apressado que estava numa rua paralela sem poder passar por alguns instantes e que falou em alto e bom som: QUANTA PALHAÇADA. ATÉ NA MORTE ELES ATRAPALHAM O TRÂNSITO!... Outros motoristas, motociclistas ou transeuntes apenas assistiam com semblante alheio, raivoso, indiferente ou insensível o cortejo passar “atrapalhando o trânsito” e atrapalhando os seus preciosos tempos...
Nossos policiais e seus familiares não são apenas abandonados, desprezados e renegados por grande parte da sociedade, são de igual modo, tratados em descaso pelo Poder público. Em vida são humilhados e desvalorizados profissionalmente com salários não condizentes com a importância do cargo.
Na morte, além dos desprezos citados, os herdeiros que possuem direitos aos seus baixos salários transformados em pensões são até diminuídos com a perda de certas gratificações, fato que também ocorre quando os policiais são feridos em batalha contra o crime e ficam inválidos para o resto das suas vidas. De pronto perdem logo o adicional noturno e a gratificação de periculosidade, quando o certo, por uma questão de gratidão e justiça era incorporar tais gratificações nas suas pensões.
O policial vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas do que qualquer outra pessoa. Trabalha independente das condições de tempo ou de lugar, mas a sua maneira de ver a vida em proteção da sociedade continua a mesma apesar dos percalços na sua caminhada. Na maioria das vezes é entristecido por conta das desilusões encontradas, mas no fundo é um forte, sempre esperando por um mundo melhor.
A sociedade brasileira precisa confiar mais na sua Polícia. Tem que ver e sentir a Polícia à luz do valor da amizade, pois os nossos policiais lutam o morrem por ela em busca paz social, enquanto que, por sua vez, o poder público deve ver a Polícia como valorosa instituição pagando salários dignos aos seus membros, como já ocorre em raros Estados da Nação, assim valorizando e respeitando-os na vida e na morte.
Archimedes Marques, delegado de Policia no Estado de Sergipe, é Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) - archimedes-marques@bol.com.br
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O que falta para o Brasil? (3)
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Adilson Luiz Gonçalves
O problema é que ainda guardamos o ranço cultural da colônia: os pistolões, padrinhos e tráfico de influência continuam aí, só que com um nome mais bonito, embora mais antigo ainda: nepotismo.
Quem o pratica não quer competência, inteligência ou sabedoria a serviço do povo: quer lealdade ou, melhor, cumplicidade, com interesse pessoal.
Isso é discriminação! Mas também estamos evoluindo nesse sentido. Afinal, a democracia implica estado de direito e todos são iguais perante a lei, como afirma a Constituição. E para promover essa igualdade melhoraram a educação pública? Deram as mesmas condições para todos? Não, criaram cotas: discriminação institucionalizada em vez de oportunidades iguais, com base em mérito.
O dinheiro público continua sendo malversado. Alguns dos que dizem que representam o povo e defendem o país, mandam muito do que sorvem da nação para paraísos fiscais: países detergentes. Outros cobram comissões para liberar verbas destinadas a programas sociais, inclusive de merenda escolar. Gentes, principalmente crianças, morrem em função disso! Isso poderia ser considerado genocídio doloso, crime hediondo, mas não é! Pelo contrário, a maioria de seus autores tem imunidade, ou seja, licença para matar!
Mas isso é só culpa deles? Não! Dizem que cada povo tem o governo que merece? Prova disso é que os mesmos políticos ou seus herdeiros estão sendo eleitos e reeleitos apesar da multiplicação de escândalos. E mesmo quando não são eleitos continuam na vida pública. As denúncias não os incomodam ou afetam, pois as leis que os julgam protegem mais do que punem. Por outro lado, outras leis, consideradas modelos pelo mundo, ou não pegam, ou criam dificuldades para venderem facilidades, ou confundem rigor com morosidade, atravancando o desenvolvimento do país.
Mesmo assim, bastaram duas décadas para o Brasil sair da condição de mendigo financeiro, para uma posição de relativo respeito internacional. E tudo isso apesar de todas as nefastas tradições das elites que governam o país: sejam de direita ou esquerda:
Ainda cultuamos mitos e inventores de suas próprias lendas; ainda cultivamos o gosto ibérico por líderes carismáticos e mártires; ainda insistimos em pedir favores e dar jeitinhos, em vez de exigir e respeitar direitos, de cumprir e fazer cumprir deveres.
É certo que, apesar das crises: financeira, moral e ética, o Brasil está indo de vento em popa... Mas a velocidade de barcos a vela não é mais referência. A todo vapor também não é ecologicamente correto. Entretanto, mesmo que estivéssemos voando em velocidade Mack, nada valerá se não houver planejamento estratégico sério, de médio e longo prazo, além de uma profunda consciência de nação, moral e eticamente falando.
Então, o que falta para o Brasil?
Bem: investir maciçamente em educação, saneamento, pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento sustentado, soberania territorial, enfim, em tudo aquilo que todo mundo já está cansado de saber. Mas, não basta criar essas condições ideais e formar profissionais de ponta: é fundamental que todo esse potencial criativo, inteligência, sabedoria e capacidade empreendedora do povo brasileiro não estejam meramente a serviço da mediocridade esperta.
Assim, ter mais políticos honestos e bem intencionados já seria um excelente começo!
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor.
Por Adilson Luiz Gonçalves
O problema é que ainda guardamos o ranço cultural da colônia: os pistolões, padrinhos e tráfico de influência continuam aí, só que com um nome mais bonito, embora mais antigo ainda: nepotismo.
Quem o pratica não quer competência, inteligência ou sabedoria a serviço do povo: quer lealdade ou, melhor, cumplicidade, com interesse pessoal.
Isso é discriminação! Mas também estamos evoluindo nesse sentido. Afinal, a democracia implica estado de direito e todos são iguais perante a lei, como afirma a Constituição. E para promover essa igualdade melhoraram a educação pública? Deram as mesmas condições para todos? Não, criaram cotas: discriminação institucionalizada em vez de oportunidades iguais, com base em mérito.
O dinheiro público continua sendo malversado. Alguns dos que dizem que representam o povo e defendem o país, mandam muito do que sorvem da nação para paraísos fiscais: países detergentes. Outros cobram comissões para liberar verbas destinadas a programas sociais, inclusive de merenda escolar. Gentes, principalmente crianças, morrem em função disso! Isso poderia ser considerado genocídio doloso, crime hediondo, mas não é! Pelo contrário, a maioria de seus autores tem imunidade, ou seja, licença para matar!
Mas isso é só culpa deles? Não! Dizem que cada povo tem o governo que merece? Prova disso é que os mesmos políticos ou seus herdeiros estão sendo eleitos e reeleitos apesar da multiplicação de escândalos. E mesmo quando não são eleitos continuam na vida pública. As denúncias não os incomodam ou afetam, pois as leis que os julgam protegem mais do que punem. Por outro lado, outras leis, consideradas modelos pelo mundo, ou não pegam, ou criam dificuldades para venderem facilidades, ou confundem rigor com morosidade, atravancando o desenvolvimento do país.
Mesmo assim, bastaram duas décadas para o Brasil sair da condição de mendigo financeiro, para uma posição de relativo respeito internacional. E tudo isso apesar de todas as nefastas tradições das elites que governam o país: sejam de direita ou esquerda:
Ainda cultuamos mitos e inventores de suas próprias lendas; ainda cultivamos o gosto ibérico por líderes carismáticos e mártires; ainda insistimos em pedir favores e dar jeitinhos, em vez de exigir e respeitar direitos, de cumprir e fazer cumprir deveres.
É certo que, apesar das crises: financeira, moral e ética, o Brasil está indo de vento em popa... Mas a velocidade de barcos a vela não é mais referência. A todo vapor também não é ecologicamente correto. Entretanto, mesmo que estivéssemos voando em velocidade Mack, nada valerá se não houver planejamento estratégico sério, de médio e longo prazo, além de uma profunda consciência de nação, moral e eticamente falando.
Então, o que falta para o Brasil?
Bem: investir maciçamente em educação, saneamento, pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento sustentado, soberania territorial, enfim, em tudo aquilo que todo mundo já está cansado de saber. Mas, não basta criar essas condições ideais e formar profissionais de ponta: é fundamental que todo esse potencial criativo, inteligência, sabedoria e capacidade empreendedora do povo brasileiro não estejam meramente a serviço da mediocridade esperta.
Assim, ter mais políticos honestos e bem intencionados já seria um excelente começo!
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor.
terça-feira, 13 de abril de 2010
O que falta para o Brasil? (2)
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Adilson Luiz Gonçalves
Aí, os mesmos que incharam as empresas estatais resolveram que tudo precisava ser privatizado! Inicialmente, isso foi um ótimo negócio? para as empresas privadas!
A maioria dos leilões foi vencida por grupos internacionais, que tiveram suporte financeiro estatal e os contratos davam-lhes mais garantias do que obrigações. Entramos no churrasco da globalização com a carne!
Lembram do apagão? Ecomizamos energia a pedido do governo, sob pena de multa, para, depois, pagarmos mais, para compensar a redução do lucro das concessionárias.
Um pouco antes, a gente acreditou quando um jovem resolveu caçar marajás.
Comparando com outros, até que ele não foi tão ruim assim, ainda mais pelo pouco tempo que ficou. Sua principal obra talvez tenha sido a liberação de importação de veículos. Mas, as velhas carroças ainda circulam por aí, soltando tanta fumaça que a inspeção veicular não consegue enxergá-las, preferindo taxar os veículos novos.
Hoje, a produção nacional atingiu níveis de qualidade mundiais, enfrentando e suplantando cada nova ISO que os países ricos inventam para prejudicar os emergentes, nessa globalização de mão única em que ainda vivemos.
Mas estamos em tempos de liberdade de imprensa, típica de regimes democráticos, apesar de algumas tentativas de amordaçamento aqui e ali.
Graças a ela, os escândalos se multiplicam!
Isso quer dizer que a democracia é corrupta? Não! Ela é como a água: só traz à tona o que a corrupção tenta esconder.
Aí, criam miríades de leis que deveriam punir, mas já trazem em seu bojo os meandros que favorecem a impunidade. Há lei para tudo! Mas, nem sempre há justiça.
Então, veio o Plano Real, que deu certo, depois de um monte de fracassos e inconsequências, cujos responsáveis ainda circulam por aí, formosos e influentes.
Os governos que se seguiram tiveram o bom senso de não mexer em time que está ganhando e o Brasil alcançou relativa prosperidade. Começamos a investir em produção científico-acadêmica; voltamos a investir em infraestrutura; o agronegócio floresce e dá frutos; o etanol, revisitado, virou solução energética mundial.
Por conta disso, passamos a ter significativos e progressivos superávits na balança comercial. Até alcançarmos o, antes, inimaginável: reservas monetárias superiores a divida externa, risco país baixo, inflação sob controle!
Ficamos menos susceptíveis, embora nunca imunes, às crises internacionais.
Vamos entrar para a OPEP! Pleiteamos uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU!
Viramos credores do FMI e exemplos de gestão financeira até para os países do G8!
Então, o que falta para o país deslanchar? Seria o tijolinho do BRIC?
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor.
Por Adilson Luiz Gonçalves
Aí, os mesmos que incharam as empresas estatais resolveram que tudo precisava ser privatizado! Inicialmente, isso foi um ótimo negócio? para as empresas privadas!
A maioria dos leilões foi vencida por grupos internacionais, que tiveram suporte financeiro estatal e os contratos davam-lhes mais garantias do que obrigações. Entramos no churrasco da globalização com a carne!
Lembram do apagão? Ecomizamos energia a pedido do governo, sob pena de multa, para, depois, pagarmos mais, para compensar a redução do lucro das concessionárias.
Um pouco antes, a gente acreditou quando um jovem resolveu caçar marajás.
Comparando com outros, até que ele não foi tão ruim assim, ainda mais pelo pouco tempo que ficou. Sua principal obra talvez tenha sido a liberação de importação de veículos. Mas, as velhas carroças ainda circulam por aí, soltando tanta fumaça que a inspeção veicular não consegue enxergá-las, preferindo taxar os veículos novos.
Hoje, a produção nacional atingiu níveis de qualidade mundiais, enfrentando e suplantando cada nova ISO que os países ricos inventam para prejudicar os emergentes, nessa globalização de mão única em que ainda vivemos.
Mas estamos em tempos de liberdade de imprensa, típica de regimes democráticos, apesar de algumas tentativas de amordaçamento aqui e ali.
Graças a ela, os escândalos se multiplicam!
Isso quer dizer que a democracia é corrupta? Não! Ela é como a água: só traz à tona o que a corrupção tenta esconder.
Aí, criam miríades de leis que deveriam punir, mas já trazem em seu bojo os meandros que favorecem a impunidade. Há lei para tudo! Mas, nem sempre há justiça.
Então, veio o Plano Real, que deu certo, depois de um monte de fracassos e inconsequências, cujos responsáveis ainda circulam por aí, formosos e influentes.
Os governos que se seguiram tiveram o bom senso de não mexer em time que está ganhando e o Brasil alcançou relativa prosperidade. Começamos a investir em produção científico-acadêmica; voltamos a investir em infraestrutura; o agronegócio floresce e dá frutos; o etanol, revisitado, virou solução energética mundial.
Por conta disso, passamos a ter significativos e progressivos superávits na balança comercial. Até alcançarmos o, antes, inimaginável: reservas monetárias superiores a divida externa, risco país baixo, inflação sob controle!
Ficamos menos susceptíveis, embora nunca imunes, às crises internacionais.
Vamos entrar para a OPEP! Pleiteamos uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU!
Viramos credores do FMI e exemplos de gestão financeira até para os países do G8!
Então, o que falta para o país deslanchar? Seria o tijolinho do BRIC?
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O que falta para o Brasil? (1)
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Adilson Luiz Gonçalves
O Brasil, por suas raízes histórias, sempre foi um país agrário, o que é uma benção. Mas também foi vítima do extrativismo predatório. Nossos colonizadores tiraram tudo que puderam, mas não souberam aproveitar dessa riqueza, por má gestão e falta de visão estratégica. Essa cultura infelizmente ainda está presente em alguns quadros políticos brasileiros.
A gestão do país ainda é disputada ferrenhamente por grupos que competem entre si, não necessariamente para o bem de todos e felicidade geral da nação. A gente vota pela saída dos corruptos e incompetentes - alguns até deveriam ser presos ou banidos -, mas sempre há uma nomeação ou indicação política, que diz ao povo que eles ficam na vida pública.
Mas houve hiatos históricos que mostraram que o Brasil dos currais eleitorais poderia ser mais que celeiro do mundo: Mauá provou que havia lugar para a indústria.
Getúlio Vargas seguiu à risca a idéia de que crise e oportunidade caminham juntas: apesar de ditador, negociou a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial em troca da implantação da indústria siderúrgica no Brasil, base para o desenvolvimento industrial. Talvez por ser tão bom em azeitar as coisas também criou a Petrobras.
Tendo aço e combustível, Juscelino deu o próximo passo, ou melhor, como tinha a pressa dos cinquenta anos em cinco, preferiu consolidar a indústria automobilística no Brasil a 100 km/h, que as crises de petróleo, a partir de 1973, limitaram em 80 km/h, até o Brasil praticamente parar, a partir de 1980.
Os governos militares investiram no Milagre Brasileiro, que teve prós e contras. A melhoria da infraestrutura viária e energética foi marcante. Já a Transamazônica e a Nuclebras foram fiascos faraônicos, apesar de permeadas por intenções estratégicas: integração e preocupação com as usinas termonucleares dos hermanos.
A criação da Embraer foi um dos pontos altos desse período, mas a reserva de mercado de Informática e a proibição de importação de carros nos deixaram anos-luz atrás no desenvolvimento tecnológico internacional. Pagamos muito caro por isso: no produto de baixa qualidade e pelo sucateamento da indústria nacional. Afinal, se só tinha aquilo para comprar, porque investir em modernização do parque produtivo?
Na cabeça dos empresários de então, a reserva de mercado extinguiu a lei da oferta e da procura: se ninguém comprava, em vez de baixarem os preços, demitiam funcionários, reduziam a produção e aumentavam ainda mais o preço. Os carros enferrujavam e trepidavam em poucos meses. Para serem exportados era necessário modificar centenas de itens!
Para piorar, como quase todas as grandes empresas eram estatais, o ranço cultural brasileiro as transformou em imensos cabides de emprego, com contratações sem concurso público, mérito ou competência, para cargos regiamente remunerados.
No mais, crises de petróleo, radicalismos de direita e esquerda, financiados pelos dois lados da Guerra Fria, e uma monumental dívida externa transformaram o milagre em anos de inflação galopante e recessão causticante.
O Brasil já não era mais o país do futuro.
O que faltava para o Brasil?
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor. Leia e ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa). Página do autor: www.algbr.hpg.com.br (baixe gratuitamente, nesta página, os livros digitais Sobre Almas e Pilhas e Dest Arte, coletâneas)
Por Adilson Luiz Gonçalves
O Brasil, por suas raízes histórias, sempre foi um país agrário, o que é uma benção. Mas também foi vítima do extrativismo predatório. Nossos colonizadores tiraram tudo que puderam, mas não souberam aproveitar dessa riqueza, por má gestão e falta de visão estratégica. Essa cultura infelizmente ainda está presente em alguns quadros políticos brasileiros.
A gestão do país ainda é disputada ferrenhamente por grupos que competem entre si, não necessariamente para o bem de todos e felicidade geral da nação. A gente vota pela saída dos corruptos e incompetentes - alguns até deveriam ser presos ou banidos -, mas sempre há uma nomeação ou indicação política, que diz ao povo que eles ficam na vida pública.
Mas houve hiatos históricos que mostraram que o Brasil dos currais eleitorais poderia ser mais que celeiro do mundo: Mauá provou que havia lugar para a indústria.
Getúlio Vargas seguiu à risca a idéia de que crise e oportunidade caminham juntas: apesar de ditador, negociou a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial em troca da implantação da indústria siderúrgica no Brasil, base para o desenvolvimento industrial. Talvez por ser tão bom em azeitar as coisas também criou a Petrobras.
Tendo aço e combustível, Juscelino deu o próximo passo, ou melhor, como tinha a pressa dos cinquenta anos em cinco, preferiu consolidar a indústria automobilística no Brasil a 100 km/h, que as crises de petróleo, a partir de 1973, limitaram em 80 km/h, até o Brasil praticamente parar, a partir de 1980.
Os governos militares investiram no Milagre Brasileiro, que teve prós e contras. A melhoria da infraestrutura viária e energética foi marcante. Já a Transamazônica e a Nuclebras foram fiascos faraônicos, apesar de permeadas por intenções estratégicas: integração e preocupação com as usinas termonucleares dos hermanos.
A criação da Embraer foi um dos pontos altos desse período, mas a reserva de mercado de Informática e a proibição de importação de carros nos deixaram anos-luz atrás no desenvolvimento tecnológico internacional. Pagamos muito caro por isso: no produto de baixa qualidade e pelo sucateamento da indústria nacional. Afinal, se só tinha aquilo para comprar, porque investir em modernização do parque produtivo?
Na cabeça dos empresários de então, a reserva de mercado extinguiu a lei da oferta e da procura: se ninguém comprava, em vez de baixarem os preços, demitiam funcionários, reduziam a produção e aumentavam ainda mais o preço. Os carros enferrujavam e trepidavam em poucos meses. Para serem exportados era necessário modificar centenas de itens!
Para piorar, como quase todas as grandes empresas eram estatais, o ranço cultural brasileiro as transformou em imensos cabides de emprego, com contratações sem concurso público, mérito ou competência, para cargos regiamente remunerados.
No mais, crises de petróleo, radicalismos de direita e esquerda, financiados pelos dois lados da Guerra Fria, e uma monumental dívida externa transformaram o milagre em anos de inflação galopante e recessão causticante.
O Brasil já não era mais o país do futuro.
O que faltava para o Brasil?
Adilson Luiz Gonçalves, Mestre em Educação, é Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e Compositor. Leia e ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa). Página do autor: www.algbr.hpg.com.br (baixe gratuitamente, nesta página, os livros digitais Sobre Almas e Pilhas e Dest Arte, coletâneas)
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Não Precisamos mais de mão-de-obra
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Rogerio Leme
Nos tempos de (Frederick Winslow) Taylor (1856-1915) e (Jules Henri) Fayol (1841-1925) havia uma grande preocupação com a mão-de-obra. Esse processo percorreu décadas e penetrou no novo século para algumas empresas, muitas vezes novas, porém, ainda com o pensamento e forma de agir antigo.
O perfil do novo profissional não deve mais ser referenciado como mão-de-obra, mas sim como “cérebro-de-obra”. É estranho esse termo, mas é isto que as empresas querem de seus profissionais: seus cérebros!
A origem do termo mão-de-obra vem de trabalho braçal, pois antigamente era preciso a força para mover máquinas, fazer construções e tudo mais.
Em um mundo globalizado vivemos a era do intelectual e a velocidade das mudanças é algo que chega aser assustador, exigindo do profissional agilidade o suficiente para, além de acompanhar essas mudanças, estar à frente do mercado. Ufa!…Haja cérebro…
Isso tem um impacto importante no RH (Recursos Humanos) e na Gestão de Pessoas – ao menos deveria ter.
Sua empresa, ou você, que é o RH de sua empresa, precisa semear a cultura do desenvolvimento, e incentivar principalmente o autodesenvolvimento de seus colaboradores.
Que tal fazer uma reflexão de quais ações você faz em sua empresa para proporcionar o desenvolvimento das pessoas, mas não de treinamentos técnicos, mas desenvolvimento de cérebros.
Rogerio Leme é diretor executivo da Leme Consultoria
Por Rogerio Leme
Nos tempos de (Frederick Winslow) Taylor (1856-1915) e (Jules Henri) Fayol (1841-1925) havia uma grande preocupação com a mão-de-obra. Esse processo percorreu décadas e penetrou no novo século para algumas empresas, muitas vezes novas, porém, ainda com o pensamento e forma de agir antigo.
O perfil do novo profissional não deve mais ser referenciado como mão-de-obra, mas sim como “cérebro-de-obra”. É estranho esse termo, mas é isto que as empresas querem de seus profissionais: seus cérebros!
A origem do termo mão-de-obra vem de trabalho braçal, pois antigamente era preciso a força para mover máquinas, fazer construções e tudo mais.
Em um mundo globalizado vivemos a era do intelectual e a velocidade das mudanças é algo que chega aser assustador, exigindo do profissional agilidade o suficiente para, além de acompanhar essas mudanças, estar à frente do mercado. Ufa!…Haja cérebro…
Isso tem um impacto importante no RH (Recursos Humanos) e na Gestão de Pessoas – ao menos deveria ter.
Sua empresa, ou você, que é o RH de sua empresa, precisa semear a cultura do desenvolvimento, e incentivar principalmente o autodesenvolvimento de seus colaboradores.
Que tal fazer uma reflexão de quais ações você faz em sua empresa para proporcionar o desenvolvimento das pessoas, mas não de treinamentos técnicos, mas desenvolvimento de cérebros.
Rogerio Leme é diretor executivo da Leme Consultoria
quarta-feira, 7 de abril de 2010
IR: os crimes praticados em busca de restituição
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antonio Gonçalves
O primeiro dia de março marcou o início da entrega das declarações do Imposto de Renda. Apesar de algumas alterações para a entrega do imposto deste ano, o contribuinte de uma forma geral tem uma busca infindável por ser ressarcido pelo governo de alguma maneira.
E, apesar de algumas alterações procedidas pela Secretaria da Receita Federal como a obrigatoriedade de declarar para quem aufere rendimentos anuais no valor total ou superior a R$ 17.215,08 e, na ausência desse possuir patrimônio com valor superior a R$ 300 mil (antes o limite era de R$ 80 mil), a busca pela restiuiçao continuará inalterada pelo contribuinte
E nem a outra alteração para este ano a qual retira-se a obrigatoriedade de entrega da declaração para pessoas que sejam sócias de empresa de qualquer porte. Caso o sócio não se enquadre nos quesitos de obrigatoriedade, ele não precisará declarar. Nos outros anos, mesmo com a empresa inativa as pessoas tinham de declarar.
São mudanças sensíveis e que pouco influenciarão nas mais diversas artimanhas dos contribuintes para buscar a restituição. O trabalhador considera que o imposto descontado automaticamente em seu holerit lhe credencia a ter uma restituição ao final do imposto, afinal, muito imposto foi pago. Um pensamento errôneo, porém motivado por uma elevada carga tributária.
O que muitos contribuintes se esquecem é que a prestação de informações à Secretaria da Receita Federal até 30 de abril nada mais é do que uma declaração de ajuste sobre os fatos gerados no período compreendido entre 1° de janeiro a 31 de dezembro do ano anterior.
E, que por assim o ser não existe uma proliferação econômica, pois, se o contribuinte ao longo do ano realizou operações que ocasionaram um pagamento maior do que o desejado de imposto, então haverá uma devolução do excesso onerado. No entanto, se o saldo for insuficiente deverá ser cobrado um imposto complementar.
E movidos por rompantes nem sempre idôneos alguns brasileiros praticam delitos no preenchimento das informações de sua declaração que são considerados crimes em nosso ordenamento jurídico nacional e seja por inexperiência ou por uma falsa sensação de impunidade existe o tilintar dos dados na mesa de aposta, ou seja, o contribuinte torce para que sua declaração não entre na malha fina.
Dentre os crimes mais comuns temos: sonegação fiscal, simulação, cometimento de ato ilícito, prestação de informação falsa, etc.
Como a inventividade do brasileiro é constante nos ateremos a quatro exemplos de crimes comuns celebrados na declaração de ajuste. O primeiro deles é o abatimento indevido de plano de saúde e aqui nos deparamos com três crimes distintos num mesmo ato: prestação de informação falsa, cometimento de ato ilícito e simulação.
Se o contribuinte não possui um plano de saúde e mesmo assim utiliza-se de um a fim de obter um abatimento ilegal haverá a prática do artigo 298 do Código Penal – falsificação de documento particular.
Já para o caso de abatimento integral do plano, mesmo se a declaração for em separado haverá o delito de ato ilícito presente no artigo 187 do Código Civil.
E, por fim, se houver a prestação de informação em valor maior do que o efetivamente pago consuma-se o crime de simulação conforme o artigo 166 do Código Civil. Em todos os casos a SRF pode desclassificar a informação e inferir multa ao contribuinte, sem prejuízo dos crimes praticados.
Caso igualmente grave é a utilização indevida de recibo, ou seja, ao prestar a informação o contribuinte se utiliza de recibo de ano diverso ou até mesmo de recibo inexistente ou com valor diverso. Nesse caso haverá o crime de fraude ou até mesmo o crime de estelionato, conforme o artigo 171 do Código Penal.
Por fim, uma prática que é tão cotidiana entre os brasileiros que motivou a SRF a desenvolver um plano especial de fiscalização: as transações imobiliárias. No mercado de compra e venda de imóveis é corriqueira a convenção entre partes de declaração a compra/venda de imóvel por valor inferior ao efetivo. Avençado o valor haverá a formalização do ato em Cartório através de outorga de escritura, mesmo que por valor diverso do efetivamente pago.
Ciente de tal delito a SRF criou a operação DIMOB, ou seja, a obrigatoriedade do contribuinte informar a transação celebrada entre as partes, mas com um adendo de um terceiro nessa relação: a presença do corretor e de sua comissão na transação.
A prestação de informações falsas enseja a configuração dos delitos nos crimes previstos no artigo 2° da Lei n. 8.137/90.
De tal sorte que o contribuinte buscar um ressarcimento indevido pode ser muito mais oneroso do que a conformação com o pagamento de um imposto complementar, pois a multa e a denúncia por prática de crime de forma alguma justificam o risco que o brasileiro corre na tentativa de iludir o fisco.
Antonio Gonçalves é advogado, pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal - Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca - Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.
Por Antonio Gonçalves
O primeiro dia de março marcou o início da entrega das declarações do Imposto de Renda. Apesar de algumas alterações para a entrega do imposto deste ano, o contribuinte de uma forma geral tem uma busca infindável por ser ressarcido pelo governo de alguma maneira.
E, apesar de algumas alterações procedidas pela Secretaria da Receita Federal como a obrigatoriedade de declarar para quem aufere rendimentos anuais no valor total ou superior a R$ 17.215,08 e, na ausência desse possuir patrimônio com valor superior a R$ 300 mil (antes o limite era de R$ 80 mil), a busca pela restiuiçao continuará inalterada pelo contribuinte
E nem a outra alteração para este ano a qual retira-se a obrigatoriedade de entrega da declaração para pessoas que sejam sócias de empresa de qualquer porte. Caso o sócio não se enquadre nos quesitos de obrigatoriedade, ele não precisará declarar. Nos outros anos, mesmo com a empresa inativa as pessoas tinham de declarar.
São mudanças sensíveis e que pouco influenciarão nas mais diversas artimanhas dos contribuintes para buscar a restituição. O trabalhador considera que o imposto descontado automaticamente em seu holerit lhe credencia a ter uma restituição ao final do imposto, afinal, muito imposto foi pago. Um pensamento errôneo, porém motivado por uma elevada carga tributária.
O que muitos contribuintes se esquecem é que a prestação de informações à Secretaria da Receita Federal até 30 de abril nada mais é do que uma declaração de ajuste sobre os fatos gerados no período compreendido entre 1° de janeiro a 31 de dezembro do ano anterior.
E, que por assim o ser não existe uma proliferação econômica, pois, se o contribuinte ao longo do ano realizou operações que ocasionaram um pagamento maior do que o desejado de imposto, então haverá uma devolução do excesso onerado. No entanto, se o saldo for insuficiente deverá ser cobrado um imposto complementar.
E movidos por rompantes nem sempre idôneos alguns brasileiros praticam delitos no preenchimento das informações de sua declaração que são considerados crimes em nosso ordenamento jurídico nacional e seja por inexperiência ou por uma falsa sensação de impunidade existe o tilintar dos dados na mesa de aposta, ou seja, o contribuinte torce para que sua declaração não entre na malha fina.
Dentre os crimes mais comuns temos: sonegação fiscal, simulação, cometimento de ato ilícito, prestação de informação falsa, etc.
Como a inventividade do brasileiro é constante nos ateremos a quatro exemplos de crimes comuns celebrados na declaração de ajuste. O primeiro deles é o abatimento indevido de plano de saúde e aqui nos deparamos com três crimes distintos num mesmo ato: prestação de informação falsa, cometimento de ato ilícito e simulação.
Se o contribuinte não possui um plano de saúde e mesmo assim utiliza-se de um a fim de obter um abatimento ilegal haverá a prática do artigo 298 do Código Penal – falsificação de documento particular.
Já para o caso de abatimento integral do plano, mesmo se a declaração for em separado haverá o delito de ato ilícito presente no artigo 187 do Código Civil.
E, por fim, se houver a prestação de informação em valor maior do que o efetivamente pago consuma-se o crime de simulação conforme o artigo 166 do Código Civil. Em todos os casos a SRF pode desclassificar a informação e inferir multa ao contribuinte, sem prejuízo dos crimes praticados.
Caso igualmente grave é a utilização indevida de recibo, ou seja, ao prestar a informação o contribuinte se utiliza de recibo de ano diverso ou até mesmo de recibo inexistente ou com valor diverso. Nesse caso haverá o crime de fraude ou até mesmo o crime de estelionato, conforme o artigo 171 do Código Penal.
Por fim, uma prática que é tão cotidiana entre os brasileiros que motivou a SRF a desenvolver um plano especial de fiscalização: as transações imobiliárias. No mercado de compra e venda de imóveis é corriqueira a convenção entre partes de declaração a compra/venda de imóvel por valor inferior ao efetivo. Avençado o valor haverá a formalização do ato em Cartório através de outorga de escritura, mesmo que por valor diverso do efetivamente pago.
Ciente de tal delito a SRF criou a operação DIMOB, ou seja, a obrigatoriedade do contribuinte informar a transação celebrada entre as partes, mas com um adendo de um terceiro nessa relação: a presença do corretor e de sua comissão na transação.
A prestação de informações falsas enseja a configuração dos delitos nos crimes previstos no artigo 2° da Lei n. 8.137/90.
De tal sorte que o contribuinte buscar um ressarcimento indevido pode ser muito mais oneroso do que a conformação com o pagamento de um imposto complementar, pois a multa e a denúncia por prática de crime de forma alguma justificam o risco que o brasileiro corre na tentativa de iludir o fisco.
Antonio Gonçalves é advogado, pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal - Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca - Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Estímulo e compromisso
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Antoninho Marmo Trevisan
Dentre as lições a serem aprendidas com a grave crise econômica de 2008 e 2009, inclui-se a necessidade de aumentar o grau de compromisso das pessoas com as organizações nas quais trabalham. Precisam ser combatidos comportamentos profissionais movidos por visões distorcidas, como um sedutor sucesso financeiro vultoso, em curto espaço de tempo, mediante a loteria de um imenso bônus forjado com papel sem lastro.
Perspectivas de curto prazo para a trajetória profissional numa empresa, que chegam a ser defendidas por algumas correntes da área de recursos humanos, fomentam o individualismo, reduzem as responsabilidades com o todo e podem suscitar riscos.
Obviamente, um indivíduo que percebe o reconhecimento ao seu esforço e identifica elementos como segurança e possibilidades internas de progresso dificilmente tergiversará em seu compromisso com a organização. Portanto, uma estratégia adequada de remuneração e recompensa confere sinergia entre os objetivos pessoais e os corporativos, substituindo o individualismo pela visão coletiva.
Portanto, são fundamentais políticas de recursos humanos capazes de atrair, reter e conquistar a confiança dos colaboradores, de modo que vislumbrem, na própria empresa, oportunidades de ascensão profissional e melhoria na qualidade da vida. Nesse sentido, uma das mais eficazes ferramentas é a remuneração variável, definida como o conjunto de distintas formas de reconhecimento oferecidas aos funcionários, em complemento ao salário fixo.
Há várias alternativas para implementar a prática, como a participação nos lucros, remuneração por resultados ou participação acionária. É preciso ter em mente, por outro lado, que um programa de remuneração variável deve submeter-se a regras legais, tanto trabalhistas quanto as relativas ao imposto de renda da pessoa física.
Saliente-se, ainda, que um programa de remuneração variável funciona como indutor de comportamentos profissionais que marcarão profundamente a cultura da corporação, merecendo, por isso, cautelas adicionais. A melhoria paulatina e ampliação dos itens da remuneração variável dos colaboradores devem estar atreladas a sua atitude, comprometimento e resultados.
Portanto, não precisam ser necessariamente dependentes da ascensão hierárquica. É importante que os indivíduos percebam ser possível ganhar mais e ter melhores benefícios na própria posição que ocupam. Desse modo, antes de almejar cargos, estarão voltados ao seu aprimoramento profissional, à sua eficiência e aos resultados globais da organização.
O desempenho dos recursos humanos, é desnecessário afirmar, torna-se cada vez mais decisivo para a competitividade das empresas. Foi-se o tempo em que esquemas operacionais herméticos e rotinas burocráticas, supervisionados pelo antigo chefe da seção, garantiam resultados adequados.
Assim, as políticas de recursos humanos devem estabelecer estratégias de desenvolvimento e capacitação dos colaboradores, por meio de programas motivacionais abrangentes. É necessário contemplar desempenho e iniciativa, formulação de valores e visão organizacionais, estímulo ao treinamento e educação continuada. Reconhecimento é essencial aos seres humanos! É um estímulo decisivo às altas performances!
Antoninho Marmo Trevisan é empresário, educador e consultor. Presidente da Trevisan Escola de Negócios, da Trevisan Consultoria e Gestão e do Conselho Consultivo da BDO Trevisan, é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Por Antoninho Marmo Trevisan
Dentre as lições a serem aprendidas com a grave crise econômica de 2008 e 2009, inclui-se a necessidade de aumentar o grau de compromisso das pessoas com as organizações nas quais trabalham. Precisam ser combatidos comportamentos profissionais movidos por visões distorcidas, como um sedutor sucesso financeiro vultoso, em curto espaço de tempo, mediante a loteria de um imenso bônus forjado com papel sem lastro.
Perspectivas de curto prazo para a trajetória profissional numa empresa, que chegam a ser defendidas por algumas correntes da área de recursos humanos, fomentam o individualismo, reduzem as responsabilidades com o todo e podem suscitar riscos.
Obviamente, um indivíduo que percebe o reconhecimento ao seu esforço e identifica elementos como segurança e possibilidades internas de progresso dificilmente tergiversará em seu compromisso com a organização. Portanto, uma estratégia adequada de remuneração e recompensa confere sinergia entre os objetivos pessoais e os corporativos, substituindo o individualismo pela visão coletiva.
Portanto, são fundamentais políticas de recursos humanos capazes de atrair, reter e conquistar a confiança dos colaboradores, de modo que vislumbrem, na própria empresa, oportunidades de ascensão profissional e melhoria na qualidade da vida. Nesse sentido, uma das mais eficazes ferramentas é a remuneração variável, definida como o conjunto de distintas formas de reconhecimento oferecidas aos funcionários, em complemento ao salário fixo.
Há várias alternativas para implementar a prática, como a participação nos lucros, remuneração por resultados ou participação acionária. É preciso ter em mente, por outro lado, que um programa de remuneração variável deve submeter-se a regras legais, tanto trabalhistas quanto as relativas ao imposto de renda da pessoa física.
Saliente-se, ainda, que um programa de remuneração variável funciona como indutor de comportamentos profissionais que marcarão profundamente a cultura da corporação, merecendo, por isso, cautelas adicionais. A melhoria paulatina e ampliação dos itens da remuneração variável dos colaboradores devem estar atreladas a sua atitude, comprometimento e resultados.
Portanto, não precisam ser necessariamente dependentes da ascensão hierárquica. É importante que os indivíduos percebam ser possível ganhar mais e ter melhores benefícios na própria posição que ocupam. Desse modo, antes de almejar cargos, estarão voltados ao seu aprimoramento profissional, à sua eficiência e aos resultados globais da organização.
O desempenho dos recursos humanos, é desnecessário afirmar, torna-se cada vez mais decisivo para a competitividade das empresas. Foi-se o tempo em que esquemas operacionais herméticos e rotinas burocráticas, supervisionados pelo antigo chefe da seção, garantiam resultados adequados.
Assim, as políticas de recursos humanos devem estabelecer estratégias de desenvolvimento e capacitação dos colaboradores, por meio de programas motivacionais abrangentes. É necessário contemplar desempenho e iniciativa, formulação de valores e visão organizacionais, estímulo ao treinamento e educação continuada. Reconhecimento é essencial aos seres humanos! É um estímulo decisivo às altas performances!
Antoninho Marmo Trevisan é empresário, educador e consultor. Presidente da Trevisan Escola de Negócios, da Trevisan Consultoria e Gestão e do Conselho Consultivo da BDO Trevisan, é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Os idosos e os bingos
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Nicolau Amaral
Mais uma vez a máfia dos bingos tenta de diversas maneiras a sua regulamentação em todo o território nacional. Infelizmente, uma grande parte dos nossos parlamentares parece que já foi comprada por tão nefanda causa.
Será que estes mesmos parlamentares não têm temas mais importantes para defenderem? Alguns saem alardeando que com a abertura dessas “casas de perdição” serão criados muitos empregos, o que não é verdade pois a maioria quando estava funcionando burlava a legislação trabalhista, sendo que alguns não tinham nem empregado registrado.
Será que esses políticos, em vez de tentarem a liberação dos bingos, não fariam muito mais se lutassem para melhorar a situação financeira dos nossos idosos, aumentando as suas aposentadorias, como foi pactuado no início de suas carreiras, criando-se políticas públicas efetivas de apoio e proteção e, principalmente, implantando-se a equiparação dos reajustes dos planos de saúde com os vencimentos dos aposentados?
Outra justificativa desses parlamentares tão insensíveis para defender os bingos é o “lazer” que os mesmos proporcionam aos idosos. Porém o que tais estabelecimentos promovem é o roubo contra essas pessoas que, como não têm o que fazer, acabam se viciando e torrando a sua minguada aposentadoria na esperança de ter mais algum dinheirinho para minimizar a sua penúria que, como sabemos, só irá aumentar com as perdas no jogo e lhes obrigará a pedir empréstimos consignados, piorando ainda mais sua situação de miséria.
Eu mesmo tenho casos na família de velhos que se tornaram viciados e gastaram tudo o que tinham nos bingos, ficando sem dinheiro para comprar coisas básicas, como remédios e alimentos.
Há, ainda, aqueles que alegam que esses jogos de azar trarão uma vasta arrecadação ao País, mas na verdade é a corrupção que será beneficiada, pois sabemos que a atividade é muito difícil de ser controlada e permitirá uma grande lavagem de dinheiro, além de oficializar ganhos escusos não só de políticos, mas das inúmeras formas de corrupção que hoje encontra-se em todas as esferas do poder e da sociedade.
Sou literalmente contra os bingos, em função das mazelas trazidas para os infelizes viciados e suas famílias. Só quem ganha com eles — e muito — são os seus exploradores, sobretudo os políticos comprados por tão rentável e corrupta atividade.
Nicolau Amaral é empresário da área de Comunicação. E-mail: nicolau.amaral@nacom.com.br Blog: http://nicolauamaral.blog.terra.com.br
Por Nicolau Amaral
Mais uma vez a máfia dos bingos tenta de diversas maneiras a sua regulamentação em todo o território nacional. Infelizmente, uma grande parte dos nossos parlamentares parece que já foi comprada por tão nefanda causa.
Será que estes mesmos parlamentares não têm temas mais importantes para defenderem? Alguns saem alardeando que com a abertura dessas “casas de perdição” serão criados muitos empregos, o que não é verdade pois a maioria quando estava funcionando burlava a legislação trabalhista, sendo que alguns não tinham nem empregado registrado.
Será que esses políticos, em vez de tentarem a liberação dos bingos, não fariam muito mais se lutassem para melhorar a situação financeira dos nossos idosos, aumentando as suas aposentadorias, como foi pactuado no início de suas carreiras, criando-se políticas públicas efetivas de apoio e proteção e, principalmente, implantando-se a equiparação dos reajustes dos planos de saúde com os vencimentos dos aposentados?
Outra justificativa desses parlamentares tão insensíveis para defender os bingos é o “lazer” que os mesmos proporcionam aos idosos. Porém o que tais estabelecimentos promovem é o roubo contra essas pessoas que, como não têm o que fazer, acabam se viciando e torrando a sua minguada aposentadoria na esperança de ter mais algum dinheirinho para minimizar a sua penúria que, como sabemos, só irá aumentar com as perdas no jogo e lhes obrigará a pedir empréstimos consignados, piorando ainda mais sua situação de miséria.
Eu mesmo tenho casos na família de velhos que se tornaram viciados e gastaram tudo o que tinham nos bingos, ficando sem dinheiro para comprar coisas básicas, como remédios e alimentos.
Há, ainda, aqueles que alegam que esses jogos de azar trarão uma vasta arrecadação ao País, mas na verdade é a corrupção que será beneficiada, pois sabemos que a atividade é muito difícil de ser controlada e permitirá uma grande lavagem de dinheiro, além de oficializar ganhos escusos não só de políticos, mas das inúmeras formas de corrupção que hoje encontra-se em todas as esferas do poder e da sociedade.
Sou literalmente contra os bingos, em função das mazelas trazidas para os infelizes viciados e suas famílias. Só quem ganha com eles — e muito — são os seus exploradores, sobretudo os políticos comprados por tão rentável e corrupta atividade.
Nicolau Amaral é empresário da área de Comunicação. E-mail: nicolau.amaral@nacom.com.br Blog: http://nicolauamaral.blog.terra.com.br
domingo, 4 de abril de 2010
Páscoa
Artigo no Fique Alerta - www.fiquealerta.net
Por Célio Pezza
Neste primeiro domingo de abril, comemora-se a Páscoa em vários países do mundo. Aqui no Brasil a Páscoa está associada à ressurreição de Cristo, porém se prestarmos atenção, veremos que a última ceia de Jesus com seus discípulos foi uma celebração da Páscoa, ou seja, ela já existia bem antes de sua morte e ressurreição, portanto estão enganados aqueles que acham que a origem da Páscoa é na ressurreição de Jesus. A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 d.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da primavera, que é 21 de Março no hemisfério norte.
A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach. Nesta data os judeus comemoravam o êxodo ou a fuga do Egito e tinha o significado de libertação, ou seja, a passagem da escravidão no Egito para a liberdade, comandados por Moisés conforme mostrado no livro do Êxodo. Na tradição judaica a célebre passagem pelo mar vermelho, onde as águas se abriram para dar passagem aos israelitas em fuga, passou a ser comemorada como a Páscoa na primeira noite de lua cheia da primavera.
Na Páscoa judaica existem três elementos principais que são lembrados e passados de geração a geração a cada ano, durante a ceia pascal: o simbolismo do cordeiro pascal (pesah), para lembrar o dia em que Deus feriu a todos os primogênitos egípcios e poupou aos israelitas que tinham marcado suas portas com sangue de cordeiro; os pães ázimos (matsah), para lembrar a falta de tempo para fermentar os pães na fuga do Egito e as ervas amargas (maror), para lembrar as amarguras e os sofrimentos da escravidão.
Voltando mais um pouco no tempo, vamos encontrar as festas pagãs dos gregos, romanos e celtas, onde era reverenciada a deusa da primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado, sendo que o ovo simboliza o nascimento e o coelho a fertilidade. Esta festa era comemorada no equinócio da primavera, quando a fertilidade da terra reinicia seu ciclo após o inverno. Ostera simboliza o renascimento da terra e seus rituais estão relacionados à fertilidade. Lembramos que o termo “pagão” vem do termo latino “paganus” que significa “aquele que vive no campo”.
A Páscoa atualmente passou a ser mais uma festa comercial que intensifica o turismo devido aos feriados e o consumo de peixes e chocolates. Suas verdadeiras origens estão mais perdidas a cada ano que passa, mas felizmente existem muitos que esperam um novo tempo e a possibilidade de uma mudança para melhor. Existem muitos que vêem nesta data a comemoração do impulso do ser humano para uma condição nova e cheia de esperanças, apesar de desconhecida. A estes em especial, uma boa Páscoa!
Célio Pezza é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas.
Por Célio Pezza
Neste primeiro domingo de abril, comemora-se a Páscoa em vários países do mundo. Aqui no Brasil a Páscoa está associada à ressurreição de Cristo, porém se prestarmos atenção, veremos que a última ceia de Jesus com seus discípulos foi uma celebração da Páscoa, ou seja, ela já existia bem antes de sua morte e ressurreição, portanto estão enganados aqueles que acham que a origem da Páscoa é na ressurreição de Jesus. A data da comemoração cristã foi definida durante o Concílio de Nicéia, em 325 d.C., como sendo o primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio da primavera, que é 21 de Março no hemisfério norte.
A Páscoa já existia bem antes de Cristo na tradição judaica e era chamada Pessach. Nesta data os judeus comemoravam o êxodo ou a fuga do Egito e tinha o significado de libertação, ou seja, a passagem da escravidão no Egito para a liberdade, comandados por Moisés conforme mostrado no livro do Êxodo. Na tradição judaica a célebre passagem pelo mar vermelho, onde as águas se abriram para dar passagem aos israelitas em fuga, passou a ser comemorada como a Páscoa na primeira noite de lua cheia da primavera.
Na Páscoa judaica existem três elementos principais que são lembrados e passados de geração a geração a cada ano, durante a ceia pascal: o simbolismo do cordeiro pascal (pesah), para lembrar o dia em que Deus feriu a todos os primogênitos egípcios e poupou aos israelitas que tinham marcado suas portas com sangue de cordeiro; os pães ázimos (matsah), para lembrar a falta de tempo para fermentar os pães na fuga do Egito e as ervas amargas (maror), para lembrar as amarguras e os sofrimentos da escravidão.
Voltando mais um pouco no tempo, vamos encontrar as festas pagãs dos gregos, romanos e celtas, onde era reverenciada a deusa da primavera Ostera, que é simbolizada segurando um ovo na sua mão e observando um coelho ao seu lado, sendo que o ovo simboliza o nascimento e o coelho a fertilidade. Esta festa era comemorada no equinócio da primavera, quando a fertilidade da terra reinicia seu ciclo após o inverno. Ostera simboliza o renascimento da terra e seus rituais estão relacionados à fertilidade. Lembramos que o termo “pagão” vem do termo latino “paganus” que significa “aquele que vive no campo”.
A Páscoa atualmente passou a ser mais uma festa comercial que intensifica o turismo devido aos feriados e o consumo de peixes e chocolates. Suas verdadeiras origens estão mais perdidas a cada ano que passa, mas felizmente existem muitos que esperam um novo tempo e a possibilidade de uma mudança para melhor. Existem muitos que vêem nesta data a comemoração do impulso do ser humano para uma condição nova e cheia de esperanças, apesar de desconhecida. A estes em especial, uma boa Páscoa!
Célio Pezza é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Negócios de família
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Phelipe Linhares
Ano após ano, quase todos os dias, executivos das mais diversas corporações enfrentam e gerenciam adversidades, entraves e gargalos resultantes do mercado de atuação da empresa, do modelo de gestão e da estrutura empresarial.
O pensamento de qualquer acionista e líder empresarial é – ou, pelo menos, deveria ser – trabalhar pela perpetuidade do negócio que comanda. Nesse sentido, nos deparamos com uma vastidão de temas que podem ser discutidos e aprofundados. Porém, vamos nos restringir ao cenário das empresas familiares brasileiras e, dentre elas, abordaremos aquelas que não se configuram como de grande porte.
Para abordar características das empresas familiares de pequeno ou médio porte, devemos destacar o fato de que essas estruturas desempenham papel da maior importância no incremento do PIB nacional, na geração de empregos e no recolhimento de tributos. Por conta dessa relevância, discutiremos alguns fatos que podem afetar o desempenho, e em alguns casos, a própria sobrevivência desses negócios.
Voltando ao assunto dos entraves e gargalos, as empresas familiares podem vivenciar diferentes situações dependendo do seu estágio de desenvolvimento (inicial, em expansão e madura), mas todas elas ligadas ao tripé família, patrimônio e empresa.
As problemáticas vividas nessas empresas são inúmeras e pretendemos destacar algumas delas. A primeira tem a ver com a resistência pelo novo, e isso tem conexão com o nível de capacitação da geração. A preocupação com a formação executiva de um acionista deveria ser a base filosófica, já que o intuitismo pode ter sido o diferencial de um fundador, mas é algo não administrável pelas gerações seguintes.
Outra face desse mesmo tema é a preocupação em agregar valor ao patrimônio por parte dos herdeiros acionistas. A geração de valor fundamentada na estratégia, quando negligenciada, potencializa as chances de descontinuidade do negócio.
A deficiência na formação de herdeiros acionistas tem relação com modelos de gestão vinculados de maneira extrema à idéia de que, “se foi fundada assim e deu certo, é porque é bom e deve ser mantida”. Não pretendemos, é claro, induzir sócios herdeiros a abrirem mão de valores e crenças, mas de perceber que é possível e vital aprimorar técnicas de gestão circundadas de valores e crenças.
No mercado atual, o controle familiar é “diluído” na medida em que as partes interessadas (stakeholders) passam a exercer maior influência na evolução do negócio. Ou seja, clientes e fornecedores exigem referências na gestão e não só na especificação do produto ou serviço. Bancos impõem requisitos que vão desde regras de aceitação da empresa como cliente até o seu nível de transparência e preocupação ambiental, sem falar nos órgãos reguladores e governamentais que já diferenciam empresas pelo seu nível de governança e gestão. Dessa forma, nenhum modelo de gestão familiar consegue se manter absolutamente fechado e arraigado ao modelo original de fundação.
Ainda nessa seara, outro ponto de destaque é o crédito. Sem ponderar sua complexidade histórica no Brasil, é fato que existe diferenciação no custo e no acesso para organizações com adequados níveis de governança e sustentabilidade.
Para todas essas questões é primordial, além da capacitação, a constante avaliação do quê e de como estamos gerindo o curto, o médio e o longo prazos. Visões externas e comparativas auxiliam nas decisões e mudanças de conceitos.
Salientamos ainda os quesitos inovação e crescimento. Inovar favorece as chances de competir e requer processos, investimentos e dedicação no acompanhamento do mercado. Crescer é algo que demanda a busca por novos sócios e a atração de profissionais competentes. Isso tudo resultará – é inevitável! – na revisão dos modelos de gestão e na forma de se fazer negócios.
Também quando abordamos a governança, estamos tratando da separação entre patrimônio da empresa e dos sócios, bem como dos modelos decisórios. O famoso “almoço do domingo” é valiosíssimo para se discutir idéias e pensamentos estratégicos, mas não pode ser soberano frente às instâncias decisórias da organização.
Phelipe Linhares é sócio-diretor da BDO, umas das cinco maiores empresas do mundo em auditoria, tributos e advisory services.
Por Phelipe Linhares
Ano após ano, quase todos os dias, executivos das mais diversas corporações enfrentam e gerenciam adversidades, entraves e gargalos resultantes do mercado de atuação da empresa, do modelo de gestão e da estrutura empresarial.
O pensamento de qualquer acionista e líder empresarial é – ou, pelo menos, deveria ser – trabalhar pela perpetuidade do negócio que comanda. Nesse sentido, nos deparamos com uma vastidão de temas que podem ser discutidos e aprofundados. Porém, vamos nos restringir ao cenário das empresas familiares brasileiras e, dentre elas, abordaremos aquelas que não se configuram como de grande porte.
Para abordar características das empresas familiares de pequeno ou médio porte, devemos destacar o fato de que essas estruturas desempenham papel da maior importância no incremento do PIB nacional, na geração de empregos e no recolhimento de tributos. Por conta dessa relevância, discutiremos alguns fatos que podem afetar o desempenho, e em alguns casos, a própria sobrevivência desses negócios.
Voltando ao assunto dos entraves e gargalos, as empresas familiares podem vivenciar diferentes situações dependendo do seu estágio de desenvolvimento (inicial, em expansão e madura), mas todas elas ligadas ao tripé família, patrimônio e empresa.
As problemáticas vividas nessas empresas são inúmeras e pretendemos destacar algumas delas. A primeira tem a ver com a resistência pelo novo, e isso tem conexão com o nível de capacitação da geração. A preocupação com a formação executiva de um acionista deveria ser a base filosófica, já que o intuitismo pode ter sido o diferencial de um fundador, mas é algo não administrável pelas gerações seguintes.
Outra face desse mesmo tema é a preocupação em agregar valor ao patrimônio por parte dos herdeiros acionistas. A geração de valor fundamentada na estratégia, quando negligenciada, potencializa as chances de descontinuidade do negócio.
A deficiência na formação de herdeiros acionistas tem relação com modelos de gestão vinculados de maneira extrema à idéia de que, “se foi fundada assim e deu certo, é porque é bom e deve ser mantida”. Não pretendemos, é claro, induzir sócios herdeiros a abrirem mão de valores e crenças, mas de perceber que é possível e vital aprimorar técnicas de gestão circundadas de valores e crenças.
No mercado atual, o controle familiar é “diluído” na medida em que as partes interessadas (stakeholders) passam a exercer maior influência na evolução do negócio. Ou seja, clientes e fornecedores exigem referências na gestão e não só na especificação do produto ou serviço. Bancos impõem requisitos que vão desde regras de aceitação da empresa como cliente até o seu nível de transparência e preocupação ambiental, sem falar nos órgãos reguladores e governamentais que já diferenciam empresas pelo seu nível de governança e gestão. Dessa forma, nenhum modelo de gestão familiar consegue se manter absolutamente fechado e arraigado ao modelo original de fundação.
Ainda nessa seara, outro ponto de destaque é o crédito. Sem ponderar sua complexidade histórica no Brasil, é fato que existe diferenciação no custo e no acesso para organizações com adequados níveis de governança e sustentabilidade.
Para todas essas questões é primordial, além da capacitação, a constante avaliação do quê e de como estamos gerindo o curto, o médio e o longo prazos. Visões externas e comparativas auxiliam nas decisões e mudanças de conceitos.
Salientamos ainda os quesitos inovação e crescimento. Inovar favorece as chances de competir e requer processos, investimentos e dedicação no acompanhamento do mercado. Crescer é algo que demanda a busca por novos sócios e a atração de profissionais competentes. Isso tudo resultará – é inevitável! – na revisão dos modelos de gestão e na forma de se fazer negócios.
Também quando abordamos a governança, estamos tratando da separação entre patrimônio da empresa e dos sócios, bem como dos modelos decisórios. O famoso “almoço do domingo” é valiosíssimo para se discutir idéias e pensamentos estratégicos, mas não pode ser soberano frente às instâncias decisórias da organização.
Phelipe Linhares é sócio-diretor da BDO, umas das cinco maiores empresas do mundo em auditoria, tributos e advisory services.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade
Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Luciano Pizzatto
Luis, quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.
Lembra? Se não, sou o Zé com sono... hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né Luis?!
Pois é. Tô pensando em mudá aí com você. Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e teus amigos aí na cidade. Tô vendo todo mundo falá que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estudá) fica só a meia hora aí da Capital, e depois dos 4 km a pé, só 10 minuto da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falô que tenho que fazê uma outorga e pagá uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falô deve ser verdade.
Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai foi, né ...) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falô que se o Juca fosse ordenhá as 5:30 tinha que recebê mais, e não podia trabalhá sábado e domingo (mas as vaca não param de fazê leite no fim de semana).
Também visitô a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodí (não entendi ?). A comida que nóis fazia junto tinha que faze parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protege ele, não sei se tava junto.
Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?
Mas agora, eu e a Maria (lembra dela, casei ) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dô pros porco.
Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhorô. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia do Rio não podia ser 20 metro e tinha que derruba tudo e fazer a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protegê o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, e sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multô, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato.
O Luis, ai quando vocês sujam o Rio também paga multa né?
Agora, a água do poço posso pagá, mas tô preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabô .... Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo aí da tua terra.
Mas vocês não fazem isto né Luis. Pois aqui a multa é grande, e dá prisão. Cortá árvore então, vige!! Tinha uma árvore grande que murcho e ia morre, então pedi pra eu tiráa, aproveitá a madeira pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu aí do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 mês, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja Luis, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prende.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova Lei vai dá multa de R$ 500,00 a R$ 20.000,00 por hectare e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por R$ 500,00 e vi que perco o sítio em uma semana. Então é melhor vendê, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa aí. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nóis.
E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra compra aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sítio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e aí na cidade, diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.
Até Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.
é engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia. Texto original : http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=41996
Por Luciano Pizzatto
Luis, quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.
Lembra? Se não, sou o Zé com sono... hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né Luis?!
Pois é. Tô pensando em mudá aí com você. Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e teus amigos aí na cidade. Tô vendo todo mundo falá que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estudá) fica só a meia hora aí da Capital, e depois dos 4 km a pé, só 10 minuto da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falô que tenho que fazê uma outorga e pagá uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falô deve ser verdade.
Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai foi, né ...) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falô que se o Juca fosse ordenhá as 5:30 tinha que recebê mais, e não podia trabalhá sábado e domingo (mas as vaca não param de fazê leite no fim de semana).
Também visitô a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodí (não entendi ?). A comida que nóis fazia junto tinha que faze parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protege ele, não sei se tava junto.
Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?
Mas agora, eu e a Maria (lembra dela, casei ) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dô pros porco.
Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhorô. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia do Rio não podia ser 20 metro e tinha que derruba tudo e fazer a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protegê o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, e sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multô, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato.
O Luis, ai quando vocês sujam o Rio também paga multa né?
Agora, a água do poço posso pagá, mas tô preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabô .... Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo aí da tua terra.
Mas vocês não fazem isto né Luis. Pois aqui a multa é grande, e dá prisão. Cortá árvore então, vige!! Tinha uma árvore grande que murcho e ia morre, então pedi pra eu tiráa, aproveitá a madeira pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu aí do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 mês, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja Luis, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prende.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova Lei vai dá multa de R$ 500,00 a R$ 20.000,00 por hectare e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por R$ 500,00 e vi que perco o sítio em uma semana. Então é melhor vendê, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa aí. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nóis.
E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra compra aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sítio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e aí na cidade, diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.
Até Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.
é engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia. Texto original : http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=41996
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