Artigo no Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Gil Lúcio Almeida
O nível recomendado de umidade relativa do ar está entre 30 a 50%, podendo ser até 70%, dependendo da atividade física realizada. Abaixo de 35%, você já pode sentir nariz, garganta e pele ressecados e coçando. Nos últimos dias, a umidade relativa do ar atinge níveis abaixo de 15% em várias partes do Brasil, fazendo com que a sensação nesses locais seja parecida com a de desertos. Nas grandes cidades, a situação ainda é agravada pela poluição.
No inverno temos mais facilidade para perder a umidade do corpo devido à evaporação da pele. Isso faz com que tenhamos uma sensação ainda maior de frio. Esse processo é agravado pela baixa umidade relativa do ar. A primeira barreira que os micro-organismos (vírus e bactéria) encontram ao tentar entrar em nosso corpo é membrana mucosa do nariz e da garganta. Com a baixa umidade, essa barreira resseca, tornando-nos mais vulneráveis aos resfriados, gripes e infecções. A baixa umidade do ar também agrava os sintomas das doenças respiratórias, como alergias e asma.
A falta de umidade também ataca as plantas e animais. Além disso, tudo que é feito de madeira resseca e começa a trincar. Os barulhos estranhos na madrugada podem ser apenas os tacos do piso trincando. A baixa umidade do ar pode também arrancar os papéis de parede. Ela torna os ambientes internos mais secos e mais elétricos. Os choques doloridos que sentimos ao tocar equipamentos é a eletricidade estática sendo liberada com maior intensidade quando a umidade do ar é muito baixa.
Nesses dias de ar seco, muitas são as recomendações para procurar uma sombra. Porém, os ambientes fechados podem agravar ainda mais a qualidade do ar que respiramos. Não é por outra razão que o controle da qualidade do ar, em ambientes fechados, faz parte da agenda de prevenção de doenças e disfunções nos países desenvolvidos.
A ciência já comprovou que o ar de baixa qualidade dentro das salas de aula causa doenças e compromete a capacidade de concentração, memória e habilidade de fazer cálculos. A exposição contínua ao ar de baixa qualidade provoca doenças crônicas, que aumentam o absenteísmo escolar. A asma lidera as causas dessas faltas.
O ar dentro dos ambientes fechados é composto de uma grande variedade de partículas e gases poluidores. Temperatura inadequada, associada à baixa umidade, agrava essa situação. A boa notícia é que ações simples podem ajudar a melhorar a qualidade do ar que respiramos. Produtos e materiais usados nas atividades artísticas, de laboratórios ou na limpeza podem provocar poluição e devem ser monitorados com um cuidado especial. O melhor é seguir rigorosamente as instruções de uso e evitar aqueles que provocam dano à saúde. O uso de pesticidas só deve ser feito com a orientação de um agrônomo.
Uma boa ventilação, limpeza adequada, temperatura e umidade em níveis recomendados ajudam a promover a saúde em ambientes fechados. É claro que essa dica pressupõe a ventilação de ar sem poluição. Usar creme hidratante depois dos banhos evita coceiras e que a pele fique ressecada.
Beber bastante líquido, evitar banhos quentes, lavar os olhos com colírio lubrificante e o nariz com soro fisiológico, usar umidificador ou colocar uma tolha molhada perto da carteira e do local de trabalho ajudam a combater os efeitos da baixa umidade. Evitar o uso exagerado do ar condicionado também mantém a umidade.
Porém, o segredo para uma boa qualidade do ar nos ambientes fechados é a participação de todos. Nas escolas, os alunos, professores e funcionários devem debater as medidas a serem tomadas para o controle da qualidade do ar. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos desenvolveu o IAQ (Qualidade do Ar em Ambientes Fechados). No site www.epa.gov/iaq/schools o leitor irá encontrar gratuitamente um kit completo, ensinado dicas simples sobre como cuidar do ar que respiramos e assim melhorar o desempenho escolar e a produção no trabalho.
Gil Lúcio Almeida é Fisioterapeuta, mestre pela UFSCar, doutor e PhD por importantes instituições norte-americanas. Presidente do Crefito-SP (Conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do estado de São Paulo). Autor do livro “O Engraxate que virou PhD”.
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